Conversor de unidades de exames de sangue
Converta na hora os resultados do seu laudo entre as unidades convencionais (mg/dL, g/dL) e as unidades do Sistema Internacional (mmol/L, µmol/L). Digite um valor e as outras unidades se calculam sozinhas.
Digite um valor em qualquer unidade: as outras se convertem automaticamente.
Entender o que “Glicemia (glicose)” medeUnidades convencionais ou unidades do SI: por que dois sistemas?
Um mesmo resultado pode ser escrito de duas maneiras. As unidades convencionais medem uma massa por volume — a glicose em mg/dL no laudo brasileiro, a hemoglobina em g/dL. As unidades do Sistema Internacional (SI) medem uma quantidade de matéria — a mesma glicose em mmol/L. Nenhuma das duas é “melhor”: depende da convenção de quem emitiu o laudo.
E aqui o Brasil é fácil de resumir: o laudo brasileiro é escrito em unidades convencionais. Glicemia, colesterol, triglicérides, creatinina, ureia e ácido úrico saem todos em mg/dL;6 a hemoglobina do hemograma sai em g/dL. A conversão útil, portanto, é quase sempre a mesma: mg/dL → mmol/L, que é a unidade dos estudos e das diretrizes internacionais. A exceção que costuma confundir é a hemoglobina glicada, que o Brasil informa em porcentagem enquanto boa parte da Europa informa em mmol/mol.5
Converter serve para comparar o seu resultado com uma referência escrita em outra unidade, ou para colocar dois laudos lado a lado. Mas a regra final não muda: compare sempre o seu valor com o intervalo de referência impresso no seu próprio laudo, e na mesma unidade do seu resultado.
A armadilha número um do laudo brasileiro: ureia não é BUN
Esta é a confusão de unidade que mais assusta gente à toa no Brasil, e ela não é uma questão de escala — é uma questão de grandeza. O laboratório brasileiro dosa e imprime a ureia inteira, em mg/dL. O laboratório anglo-saxão imprime o BUN (blood urea nitrogen), que mede apenas a fração de nitrogênio da mesma molécula. A ureia tem massa molar 60,06; os seus dois nitrogênios somam 28,01. Daí o fator: 60,06 ÷ 28,01 = 2,14.4
Não é teoria de livro. O posicionamento da Sociedade Brasileira de Nefrologia sobre diálise incremental faz a conta com todas as letras — “como a fórmula da calculadora utiliza BUN, é necessária a conversão prévia dos valores de ureia para BUN” — e traz os exemplos: uma ureia de 38 mg/dL vira um BUN de 17,7 mg/dL, e uma ureia de 94 mg/dL vira um BUN de 43,9 mg/dL.3
O efeito prático é grande: se você comparar a sua ureia de 40 mg/dL com uma tabela americana de “normal 7 a 20”, vai achar que está com o dobro do limite. Em BUN, os seus 40 valem 18,7 — dentro da faixa. E a mesma correção vale para a relação ureia/creatinina: o limiar clássico “acima de 20” foi escrito em BUN, então, num laudo brasileiro em ureia, o mesmo ponto fica perto de 43.
As conversões mais frequentes
Atenção: o colesterol e os triglicérides não se convertem com o mesmo fator — são moléculas quimicamente diferentes, com massas molares diferentes. É o segundo erro mais comum depois da ureia.
| Exame | Conversão |
|---|---|
| Glicemia | 1 mmol/L = 18 mg/dL · 100 mg/dL = 5,55 mmol/L |
| Colesterol (total, LDL, HDL, não-HDL) | 1 mmol/L = 38,67 mg/dL · 200 mg/dL ≈ 5,2 mmol/L |
| Triglicérides | fator diferente do colesterol · 150 mg/dL ≈ 1,7 mmol/L |
| Creatinina | 1 mg/dL = 88,4 µmol/L · 0,90 mg/dL ≈ 80 µmol/L |
| Ureia | 1 mmol/L ≈ 6,0 mg/dL · BUN = ureia ÷ 2,14 |
| Ácido úrico | 1 mg/dL ≈ 59,5 µmol/L · 7,0 mg/dL ≈ 416 µmol/L |
| Hemoglobina glicada | 6,5% = 48 mmol/mol · 7,0% ≈ 53 mmol/mol |
| Hemoglobina | 1 g/dL = 10 g/L · 13,5 g/dL = 135 g/L |
| Ferritina | 1 µg/L = 1 ng/mL (numericamente iguais) |
| Vitamina D (25-OH) | 1 ng/mL = 2,5 nmol/L |
Hemoglobina glicada: por que o Brasil informa em %
A dosagem brasileira é padronizada pela cromatografia líquida de alta eficiência com certificação NGSP, que ancora os resultados no estudo DCCT — e é por isso que o laudo sai em porcentagem. Os cortes que o seu médico usa estão nessa escala: normal até 5,7%, pré-diabetes de 5,7 a 6,4% e diabetes a partir de 6,5%. Os mmol/mol da IFCC existem e são equivalentes (6,5% = 48 mmol/mol), mas praticamente não aparecem nas tabelas diagnósticas brasileiras.5
Um detalhe do vocabulário oficial vale a nota: o laudo e as diretrizes escrevem hemoglobina glicada, mas a tabela de procedimentos do SUS ainda codifica o exame como “dosagem de hemoglobina glicosilada” (SIGTAP 0202010503).7 São o mesmo exame — se o seu pedido do SUS trouxer uma palavra e o laudo trouxer a outra, não há erro.
Perguntas frequentes
Como converter a glicemia de mg/dL para mmol/L?
Divida o valor em mg/dL por 18. Assim, 90 mg/dL ≈ 5,0 mmol/L; no caminho inverso, multiplique os mmol/L por 18 (5 mmol/L ≈ 90 mg/dL). No Brasil a glicemia sai sempre em mg/dL — é nessa unidade que estão os cortes da Sociedade Brasileira de Diabetes: normal abaixo de 100, pré-diabetes de 100 a 125 e diabetes a partir de 126 mg/dL em jejum. Os mmol/L aparecem quando você lê um estudo ou uma diretriz internacional.
Como converter o colesterol de mg/dL para mmol/L?
Divida os mg/dL por 38,67 (1 mmol/L ≈ 38,67 mg/dL). Um colesterol total de 200 mg/dL equivale a cerca de 5,2 mmol/L. A mesma conversão vale para o LDL, o HDL e o colesterol não-HDL. As metas brasileiras de LDL da Diretriz de Dislipidemias de 2025 estão todas em mg/dL, e mudam conforme a sua categoria de risco cardiovascular.
Os triglicérides usam o mesmo fator do colesterol?
Não, e esse é um erro comum. Colesterol e triglicérides são moléculas quimicamente diferentes, com massas molares diferentes, e por isso têm fatores de conversão diferentes. Para conferir: 200 mg/dL de colesterol são 5,2 mmol/L, enquanto 150 mg/dL de triglicérides são cerca de 1,7 mmol/L. Quem aplica o fator do colesterol aos triglicérides erra por mais do que o dobro.
A ureia do meu laudo é a mesma coisa que o BUN?
Não — e essa é a armadilha de unidade número um do laudo brasileiro. O laboratório brasileiro dosa e imprime a ureia inteira, em mg/dL. O laboratório anglo-saxão imprime o BUN (blood urea nitrogen), que é só a fração de nitrogênio da mesma molécula. Como a ureia tem massa molar 60,06 e os dois nitrogênios somam 28,01, o fator entre as duas grandezas é 60,06 ÷ 28,01 = 2,14. Na prática: uma ureia de 40 mg/dL vale um BUN de 18,7 — comparada com uma tabela americana de “normal 7 a 20”, ela está dentro, e não o dobro do limite.
E a relação ureia/creatinina, também muda de escala?
Muda, e quase ninguém avisa. O limiar clássico que circula na literatura — relação acima de 20 — foi escrito com BUN no numerador. No seu laudo, que traz ureia, o mesmo ponto de corte fica perto de 43 (20 × 2,14). Uma relação ureia/creatinina de 30 num laudo brasileiro é normal, não alta. E vale lembrar que esse limiar, mesmo bem convertido, não identifica de forma confiável uma causa pré-renal.
Como converter a creatinina de mg/dL para µmol/L?
Multiplique os mg/dL por 88,4 (1 mg/dL = 88,4 µmol/L). Por exemplo, 0,90 mg/dL ≈ 80 µmol/L. Os laboratórios brasileiros informam a creatinina em mg/dL, com duas casas decimais, e essa é também a unidade com que trabalha a equação da TFG. Se você encontrar um valor em µmol/L, ele veio de um laudo europeu.
Minha hemoglobina glicada vem em % ou em mmol/mol?
No Brasil, em porcentagem. O laudo brasileiro sai em % (padrão NGSP), e é em % que estão os cortes da Sociedade Brasileira de Diabetes: normal até 5,7%, pré-diabetes de 5,7 a 6,4% e diabetes a partir de 6,5%. Os mmol/mol da IFCC aparecem em textos de medicina laboratorial e em laudos europeus, mas praticamente não entram nos documentos brasileiros. A relação entre as duas não é uma simples proporção, e sim afim: mmol/mol = (% − 2,15) × 10,929. Assim, 6,5% = 48 mmol/mol e 7,0% ≈ 53 mmol/mol. O conversor faz a conta sozinho.
Como converter o ácido úrico?
Multiplique os mg/dL por 59,5 (1 mg/dL ≈ 59,5 µmol/L). Assim, 7,0 mg/dL ≈ 416 µmol/L. O laudo brasileiro traz mg/dL; o limiar de 6,0 mg/dL que aparece nas diretrizes de gota corresponde a cerca de 357 µmol/L.
A hemoglobina em g/dL e em g/L são a mesma coisa?
São o mesmo valor em escalas diferentes: 1 g/dL = 10 g/L. O hemograma brasileiro imprime a hemoglobina em g/dL — por exemplo 13,5 g/dL, que é o mesmo que 135 g/L. Se você vir um número de três dígitos, ele está em g/L, e não significa que sua hemoglobina explodiu.
E a ferritina, por que µg/L e ng/mL dão o mesmo número?
Porque são numericamente idênticas: 1 µg/L = 1 ng/mL. Não há nada a converter. Uma ferritina de 30 ng/mL é exatamente uma ferritina de 30 µg/L — os dois rótulos convivem nos laudos brasileiros e confundem à toa.
Qual a diferença entre unidades convencionais e unidades do SI?
As unidades convencionais (mg/dL, g/dL) expressam uma massa por volume; as unidades do Sistema Internacional (mmol/L, µmol/L) expressam uma quantidade de matéria. Nenhuma é melhor que a outra: o Brasil trabalha em unidades convencionais, boa parte da Europa em unidades do SI, e converter serve justamente para colocar os dois lado a lado.
Por que meu resultado está numa unidade diferente da referência que eu vi?
Porque nem todos os laboratórios usam a mesma convenção, e muita informação que circula na internet vem de fontes americanas ou europeias. Compare sempre o seu valor com o intervalo de referência impresso no seu próprio laudo, e na mesma unidade do seu resultado.
Estas conversões substituem a avaliação de um médico?
Não. Esta ferramenta converte unidades de medida com finalidade exclusivamente informativa. Ela não faz diagnóstico. A interpretação de um resultado depende do intervalo de referência do seu laboratório, do conjunto dos seus exames e da sua situação — e cabe ao seu médico.
Aviso. Esta ferramenta usa fatores de conversão padrão, com finalidade exclusivamente informativa. Ela não faz nenhum diagnóstico e não substitui a avaliação de um profissional de saúde. Confira sempre os seus resultados e a interpretação deles com o seu médico ou com o seu laboratório.
Fontes e método
Os fatores de conversão usados aqui são constantes padrão, derivadas da massa molar de cada substância — inclusive o fator 2,14 entre ureia e BUN, que sai da massa molar da ureia (60,06) dividida pela massa dos seus dois nitrogênios (28,01).4 A conversão da hemoglobina glicada (% NGSP ↔ mmol/mol IFCC) segue a equação oficial de padronização internacional. As fontes brasileiras abaixo foram lidas no texto primário.
- 1
NGSP — “HbA1c Conversion (NGSP % ↔ IFCC mmol/mol)”, National Glycohemoglobin Standardization Program. · ngsp.org
- 2
Weykamp C, John WG, Mosca A. — “A review of the challenge in measuring hemoglobin A1c.” J Diabetes Sci Technol, 2009. · PubMed · DOI
- 3
Gorayeb-Polacchini FS, Moraes TP, Elias RM, et al. — Sociedade Brasileira de Nefrologia (SBN) — “Posicionamento da Sociedade Brasileira de Nefrologia sobre diálise incremental”. Braz J Nephrol, 2026;48(3):e20250374: “como a fórmula da calculadora utiliza BUN, é necessária a conversão prévia dos valores de ureia para BUN”, com os exemplos ureia 38 mg/dL → BUN 17,7 mg/dL e ureia 94 mg/dL → BUN 43,9 mg/dL. · DOI · texto integral (SciELO)
- 4
NIH — PubChem — composto CID 1176 (urea): fórmula CH₄N₂O, massa molecular 60,056; massa atômica do nitrogênio 14,007, donde 2 N = 28,01 e o fator ureia/BUN = 2,14. · pubchem.ncbi.nlm.nih.gov
- 5
Sociedade Brasileira de Patologia Clínica / Medicina Laboratorial (SBPC/ML) — “Recomendações da SBPC/ML: boas práticas em laboratório clínico”. Barueri: Manole, 2020, capítulo 49: equivalência IFCC ↔ NGSP (6,5% = 48 mmol/mol), metodologias de dosagem da hemoglobina glicada e interferentes. · PDF
- 6
Sociedade Brasileira de Cardiologia (SBC) — Rached FH, Miname MH, Rocha VZ, et al., “Diretriz Brasileira de Dislipidemias e Prevenção da Aterosclerose – 2025”. Arq Bras Cardiol, 2025;122(9):e20250640: valores de referência e metas de LDL expressos em mg/dL; triglicérides < 150 mg/dL em jejum e < 175 mg/dL sem jejum. · PubMed 41379178 · DOI
- 7
Brasil. Ministério da Saúde / DATASUS — SIGTAP — Tabela de Procedimentos, Medicamentos e OPM do SUS, competência 08/2026: procedimento 0202010503 “Dosagem de hemoglobina glicosilada”, R$ 7,86; “dosagem de ureia” 0202010694 e “dosagem de creatinina” 0202010317, R$ 1,85 cada. · sigtap.datasus.gov.br
Para entender o que cada exame mede, veja as nossas páginas por marcador — como as da glicemia, do lipidograma, da creatinina ou da ureia. Há também a tabela de valores de referência e a calculadora de TFG.