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Metabolismo ósseo: cálcio, fósforo, PTH e vitamina D

Por que cálcio, fósforo, PTH e vitamina D se leem juntos, o que o protocolo brasileiro pede na mesma linha e por que o PTH custa 23 vezes o cálcio no SUS.

Publicado em 7 de setembro de 202616 min de leituraEscrito pela Equipe Blood Analysis · Revisado e verificado por Julien Priour

Se você tem várias linhas do laudo diante dos olhos — cálcio, fósforo, PTH, vitamina D, às vezes magnésio e fosfatase alcalina — a primeira coisa a saber é que nenhuma delas se lê sozinha. Não existe um exame chamado "metabolismo ósseo": existe um conjunto de dosagens que só significam alguma coisa quando comparadas umas com as outras. Este guia explica em que ordem lê-las e o que dizem, sobre elas, os documentos brasileiros em vigor.

Em resumo

  • O conjunto não tem nome de exame no Brasil. O que existe são dosagens separadas, e o próprio Ministério da Saúde as descreve como parte de um mesmo sistema: a ficha oficial do cálcio fala em "distúrbios do metabolismo de cálcio e fósforo", e a do fósforo, em "avaliação do balanço cálcio/fósforo".1
  • A Sociedade Brasileira de Nefrologia manda considerar "a tendência, mais que um valor isolado" de cálcio, fósforo, fosfatase alcalina, paratormônio e 25OH vitamina D — e decidir sobre "o conjunto dos parâmetros bioquímicos do metabolismo mineral".2
  • O PCDT da Osteoporose do Ministério da Saúde, atualizado em outubro de 2025, lista numa única frase os exames do conjunto: cálcio, fósforo, albumina, creatinina, fosfatase alcalina, PTH, TSH, T4 livre, 25-hidroxivitamina D e cálcio na urina de 24 horas.3
  • A calcemia depende da albumina. A ficha oficial do cálcio iônico diz que ele "não é afetado pelas mudanças nas concentrações de albumina", o que é "uma vantagem sobre a dosagem do cálcio total".1 A SBN coloca o cálcio iônico em primeiro lugar; o cálcio corrigido pela albumina é a alternativa quando ele não está disponível.2
  • O PTH é o único parâmetro cujo alvo não é um número fixo: em diálise, ele é definido como 2 a 9 vezes o limite superior do método do seu laboratório.24
  • A dosagem de vitamina D não é para todo mundo: o posicionamento conjunto da SBEM e da SBPC/ML constata que os pedidos vêm crescendo e que muitos deles são questionáveis, e recomenda a dosagem nos grupos com condições de risco.5
  • No SUS não há código de painel. Cada dosagem é cobrada à parte, e o paratormônio (R$ 43,13) custa mais do que as outras cinco somadas (R$ 22,96).6

Não é um exame, é um sistema

O cálcio do sangue é uma das grandezas mais firmemente controladas do organismo. Quem faz esse controle são três reguladores em circuito: o PTH (paratormônio), produzido pelas paratireoides, que puxa o cálcio para cima; a vitamina D, que aumenta a absorção intestinal de cálcio e fósforo; e o rim, que ajusta o quanto de cada um é eliminado. O fósforo move-se, em geral, no sentido contrário ao do cálcio.

É por isso que uma linha isolada quase não responde nada. Um cálcio no limite alto significa uma coisa se o PTH estiver baixo, outra bem diferente se o PTH estiver alto. Um fósforo elevado tem um sentido quando a função renal está normal e outro quando a creatinina já subiu.

A formulação mais clara disso, num documento brasileiro, está na diretriz da Sociedade Brasileira de Nefrologia, no Jornal Brasileiro de Nefrologia. Ela traz duas recomendações seguidas: "considerar a tendência, mais que um valor isolado, dos resultados de cálcio, fósforo, fosfatase alcalina, paratormônio e 25OH vitamina D"; e a decisão terapêutica "deve considerar o conjunto dos parâmetros bioquímicos do metabolismo mineral".2 Ela pede um histórico de "pelo menos 1-2 anos" para enxergar essa tendência.2 O protocolo do Ministério da Saúde diz o mesmo com outras palavras: as decisões devem ser tomadas "baseadas em medidas repetidas observando as tendências das alterações, e não em medidas únicas".4

O que o protocolo brasileiro pede

O Protocolo Clínico e Diretrizes Terapêuticas da Osteoporose — aprovado pela Portaria Conjunta SAES/SECTICS nº 22, de 22 de outubro de 2025, que revogou a versão de 2023 — descreve o conjunto numa única frase, na seção Diagnóstico laboratorial:

"Para o diagnóstico de causas secundárias de osteoporose ou monitoramento do tratamento, deve-se utilizar exames laboratoriais, tais como hemograma, velocidade de hemossedimentação (VHS), dosagens séricas de cálcio, fósforo, albumina, creatinina, fosfatase alcalina, PTH, TSH, T4 livre, 25-hidroxivitamina D (25OHD) e dosagem de cálcio na urina de 24 horas."3

Repare no motivo declarado: procurar causas secundárias. Esses exames não medem "como está o osso" — a massa óssea se mede na densitometria. Servem para descobrir se há uma doença por trás: paratireoide hiperativa, carência de vitamina D, doença renal, problema de tireoide (daí o TSH e o T4 livre na lista, ao lado dos exames da tireoide).

Uma ordem de leitura que funciona. Comece pelo cálcio e pelo fósforo, o retrato do momento. Depois o PTH, que diz se a paratireoide está reagindo e em que direção. Em seguida a vitamina D, causa mais banal de um PTH um pouco alto. Por último a fosfatase alcalina e a creatinina, que dizem se o osso está em atividade e se o rim participa do desequilíbrio.

Cálcio: são três coisas diferentes

A palavra "cálcio" no seu laudo pode designar três medidas distintas, e confundi-las é a origem da maior parte dos sustos.

No laudoO que é
Cálcio totalO cálcio efetivamente dosado: a parte ligada às proteínas mais a parte livre
Cálcio corrigidoUm cálculo, não uma dosagem: o cálcio total reajustado pela albumina
Cálcio iônico (ionizável)A fração livre, medida diretamente, em amostra própria

Cerca de metade do cálcio circulante anda ligado à albumina. Quando a albumina cai — desnutrição, doença do fígado, inflamação, perda renal de proteínas —, o cálcio total parece baixo enquanto o cálcio realmente ativo está normal. A ficha oficial do Ministério para o cálcio ionizável registra isso: a dosagem "não é afetada pelas mudanças nas concentrações de albumina", o que é "uma vantagem sobre a dosagem do cálcio total", e "refere-se à fração do elemento fisiologicamente atuante".1

A hierarquia brasileira é explícita. A SBN escreve que "a calcemia deve, preferencialmente, ser avaliada pela dosagem do Ca iônico" — e classifica a frase como evidência. Só "na indisponibilidade da dosagem do cálcio iônico" é que "a calcemia pode ser avaliada pelo Ca total corrigido pela albumina sérica" — e essa segunda frase é classificada como opinião.2 O cálcio corrigido é o plano B, não o padrão.

A fórmula, com o alerta que vem junto. A diretriz da SBN publica a conta: "cálcio total corrigido (CaTc) = cálcio total + (4 − albumina sérica) × 0,8". ⚠️ Ela a imprime sem as unidades: o 4 e o 0,8 só valem com o cálcio em mg/dL e a albumina em g/dL, que é como o laudo brasileiro imprime. E no mesmo parágrafo a SBN adverte que "fórmulas para o cálculo do CaI não devem ser utilizadas", porque não se correlacionam com a medida direta em pacientes críticos, com doença renal crônica, hiperparatireoidismo, acidemia, transfundidos e hemodialisados.2 São duas coisas: ajustar o cálcio total pela albumina é aceitável; estimar o cálcio iônico por fórmula, não.

Um detalhe brasileiro que quase ninguém nota: a albumina sérica isolada não tem código próprio na tabela do SUS. Ela entra pela dosagem de "proteínas totais e frações" — cuja descrição oficial, aliás, fala só de albumina.61 Os dois protocolos nacionais pedem a albumina; a tabela de pagamento não a nomeia.

Fósforo, e o produto que não se deve calcular

O fósforo é o parceiro obrigatório do cálcio. A ficha oficial diz que sua dosagem "é importante para a avaliação do balanço cálcio/fósforo no organismo e para o monitoramento da insuficiência renal crônica".1 Quando o rim falha, o fósforo é dos primeiros a se acumular, e é essa retenção que empurra o PTH para cima.

O protocolo brasileiro do distúrbio mineral ósseo na doença renal crônica usa 4,5 mg/dL como ponto de corte para hiperfosfatemia, aceitando até 5,5 mg/dL em quem faz diálise. O cálcio, no mesmo documento, "deve ser mantido nos limites da normalidade, geralmente entre 8,5 a 10 mg/dL".4

⚠️ Há uma recomendação negativa que vale conhecer. A SBN pede, com nível de evidência, para não considerar o produto cálcio × fósforo, e sim o valor individual de cada um, na hora de orientar a decisão terapêutica.2 O produto Ca × P foi durante décadas um número calculado de rotina; o Brasil pede para abandoná-lo.

PTH: o único alvo que não é um número

Aqui está a peculiaridade que mais confunde quem lê o próprio laudo. Para a maioria dos exames, existe uma faixa de referência impressa ao lado do resultado. Para o paratormônio em quem faz diálise, o alvo brasileiro é uma proporção: o PTH intacto deve ficar entre 2 e 9 vezes o valor superior do método usado pelo laboratório.2 O mesmo número aparece no protocolo do Ministério, numa tabela que compara as recomendações brasileira (SBN, 2021), canadense e do KDIGO — todas com a regra das 2 a 9 vezes — com a japonesa, que prefere uma faixa fixa de 60 a 240 pg/mL.4 Duas escolas, dois formatos de alvo: vale conhecer as duas em vez de arbitrar.

A razão é técnica: os ensaios de PTH intacto medem, em proporções diferentes, frações aminoterminais (ativas) e carboxiterminais (inativas).2 Um PTH de 80 pg/mL não quer dizer o mesmo em dois laboratórios — por isso o alvo se expressa em múltiplos do seu limite superior.

E o PTH pesa mesmo dentro da faixa dita normal. No estudo São Paulo Ageing & Health, coorte prospectiva de base populacional com 839 idosos, o PTH intacto associou-se de forma independente à mortalidade por qualquer causa (HR 1,06 a cada 10 pg/mL). Quem estava no quartil mais alto (acima de 49 pg/mL) teve risco 3,09 vezes maior de morte cardiovascular que o quartil mais baixo (abaixo de 26 pg/mL) — e 49 pg/mL cabe no intervalo de referência da maioria dos laboratórios.7

Vitamina D: quem deve dosar

O Brasil tem uma posição sobre isso, e ela é restritiva. O posicionamento oficial conjunto da Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia (SBEM) e da SBPC/ML — publicado em inglês nos Archives of Endocrinology and Metabolism — constata que o número de pedidos de avaliação do status de vitamina D vem crescendo e que muitos deles são questionáveis, e recomenda a dosagem nos grupos com condições de risco de deficiência.5

Os números do posicionamento: para a população geral, valores entre 20 e 60 ng/mL são considerados normais, e abaixo de 20 ng/mL, deficiência. Um patamar acima de 30 ng/mL traz benefício potencial em situações específicas — pessoas com mais de 65 anos, gestantes, quedas de repetição, fraturas por fragilidade, osteoporose, hiperparatireoidismo secundário, doença renal crônica, câncer.5

Um detalhe de método que vale a pena saber. A tabela dos grupos com meta acima de 30 ng/mL foi corrigida por errata: onde se lia "anorexia nervosa", deve-se ler "diabetes mellitus tipo 1". A errata é um registro separado (PMID 33047906) — quem copiar a tabela do artigo original publica uma lista errada.5

⚠️ Duas fontes brasileiras, dois cortes. O protocolo do distúrbio mineral ósseo na DRC, seguindo o KDIGO, registra que a maioria dos estudos define deficiência abaixo de 15 ng/mL e insuficiência entre 15 e 30 — e acrescenta que "não há consenso sobre o que define os níveis adequados".4 O posicionamento SBEM/SBPC-ML fixa a deficiência abaixo de 20 ng/mL para a população geral.5 Os dois são brasileiros, os dois estão em vigor: as duas leituras convivem, e o guia da vitamina D e o do perfil vitamínico detalham cada uma.

E há um limite que o próprio posicionamento reconhece: na prática laboratorial pode haver até 20% de variação entre métodos diferentes de dosagem de 25(OH)D.5

Os valores mudam muito com a idade

Esta é a fonte mais comum de susto desnecessário em laudos de crianças. O protocolo brasileiro do distúrbio mineral ósseo publica uma tabela de valores séricos normais por faixa etária, adaptada do KDIGO 2017 — origem internacional declarada pelo próprio documento:4

Faixa etáriaCálcio total (mg/dL)Cálcio iônico (mmol/L)Fósforo (mg/dL)
0–11 meses8,8–11,31,22–1,404,8–7,4
1–5 anos9,4–10,81,22–1,324,5–6,5
6–12 anos9,4–10,31,15–1,323,6–5,8
13–18 anos8,8–10,21,12–1,302,3–4,5

Leia a coluna do fósforo de baixo para cima. Um fósforo de 6,5 mg/dL é normal num bebê — e o mesmo número, num adulto, estaria acima do corte de hiperfosfatemia de 4,5 mg/dL do próprio protocolo. Não se aplica régua de adulto a osso em crescimento.

O que muda o resultado antes do laboratório

  • Hemólise. A SBPC/ML lista, entre os parâmetros que podem sofrer alterações significativas numa amostra hemolisada, o cálcio, o magnésio, o fósforo e a fosfatase alcalina — quatro dos seis exames deste conjunto.8 Uma punção difícil pode, sozinha, mudar o seu laudo.
  • A amostra de PTH precisa de gelo. A SBN recomenda que o sangue para PTH intacto seja imediatamente armazenado em gelo.2
  • A amostra de vitamina D precisa de proteção da luz — recomendação classificada como evidência.2
  • O método do laboratório importa. A SBN abre suas recomendações justamente por aí: métodos de dosagem, tipo de amostra e protocolos de coleta devem ser levados em conta na interpretação.2 O protocolo do Ministério repete o alerta sobre "as diferenças entre os métodos pelos laboratórios, inclusive para os distintos valores de referência".4
  • Ritmo circadiano, alimentação e horário dos medicamentos influenciam cálcio, fósforo e PTH, segundo a SBN.2 Siga a orientação do laboratório para o conjunto do pedido, não para cada linha.
  • Suplementos. Cálcio e vitamina D tomados de véspera alteram o retrato. Avise quem pediu o exame.

Quanto custa no SUS

A tabela de procedimentos do SUS (competência agosto de 2026) responde de forma inequívoca: não existe procedimento de painel para este conjunto. Nenhuma linha das 5 023 da tabela se chama "metabolismo ósseo", "perfil mineral" ou "cálcio e fósforo". Cada dosagem é paga separadamente:6

Procedimento na tabela do SUSCódigoValor
Dosagem de paratormônio0202060276R$ 43,13
Dosagem de 25-hidroxivitamina D0202010767R$ 15,24
Dosagem de cálcio ionizável0202010228R$ 3,51
Dosagem de magnésio0202010562R$ 2,01
Dosagem de fosfatase alcalina0202010422R$ 2,01
Dosagem de cálcio (total)0202010210R$ 1,85
Dosagem de fósforo0202010430R$ 1,85
(referência) Densitometria óssea de coluna e fêmur0204060028R$ 55,10

Três leituras. O PTH custa 23 vezes o cálcio e mais do que as outras cinco dosagens somadas (R$ 43,13 contra R$ 22,96) — o que explica por que não é pedido de rotina. A densitometria óssea, sozinha, custa mais do que o PTH. E há duas ausências: o cálcio na urina de 24 horas não tem código, embora o PCDT da Osteoporose o peça expressamente; e nenhum marcador moderno de remodelação óssea (osteocalcina, telopeptídeos) consta da tabela — o que existe é a hidroxiprolina (0202010511, R$ 3,68), marcador antigo que continua sendo pago. Presença na tabela estabelece cobertura, nunca recomendação. Sobre o setor privado, veja quanto custa um exame de sangue.

Avanços recentes

O PCDT da Osteoporose foi atualizado em outubro de 2025, revogando a versão de 2023.3 Ele remete o cálculo de risco de fratura ao FRAX Brasil, disponibilizado pela Associação Brasileira de Avaliação Óssea e Osteometabolismo (ABRASSO)9 — modelo específico para o país, construído a partir de taxas brasileiras de fratura de quadril.10

A base epidemiológica nacional vem do BRAZOS, primeiro estudo populacional brasileiro sobre fraturas, com 2 420 adultos acima de 40 anos em 150 cidades das cinco regiões.11 O PCDT relata, a partir dele, fraturas de baixo impacto em 15,1% das mulheres e 12,8% dos homens — e, numa cidade do Sul, 268 internações por fratura de quadril por 100 000 mulheres ao ano, com mortalidade de 25% em 12 meses.3

Sobre a vitamina D, o dado brasileiro mais instrutivo é o SPADES, feito em São Paulo com 591 pessoas de quatro grupos: a 25(OH)D de inverno foi de 36,1 nmol/L em idosos institucionalizados contra 78,9 nmol/L em idosos de um programa de atividade física.12 Mais que o dobro, na mesma cidade e latitude: decide o hábito de exposição, não o sol do país.

Perguntas frequentes

Meu cálcio está no limite. Preciso me preocupar? Sozinho, um cálcio no limite quase não informa nada. Ele precisa ser lido com o PTH, o fósforo, a albumina e a função renal — e, segundo o protocolo brasileiro, comparado com resultados anteriores, porque o que orienta é a tendência e não a medida única.4 Leve o laudo a quem pediu o exame.

Qual cálcio devo olhar: o total, o corrigido ou o iônico? A SBN prefere o cálcio iônico, com nível de evidência. O cálcio total ajustado pela albumina é a alternativa quando o iônico não está disponível, e ela é classificada como opinião.2 Na prática, o cálcio iônico exige coleta e transporte próprios, o que nem sempre é possível.

Devo pedir vitamina D no meu check-up? A posição brasileira é restritiva: SBEM e SBPC/ML consideram que muitos pedidos são questionáveis e recomendam a dosagem em grupos de risco.5 A decisão é de quem acompanha você.

Meu PTH está "normal" mas o médico se preocupou. Por quê? Porque em algumas situações — sobretudo na doença renal — o alvo não é a faixa impressa no laudo, e sim um múltiplo do limite superior do método.2 E porque valores dentro da faixa já se associaram a desfechos piores em idosos brasileiros.7

Cálcio, fósforo e PTH têm a ver com o rim? Diretamente. O protocolo do Ministério manda monitorar os cinco parâmetros a partir do estágio 3 da doença renal crônica: anual no estágio 3, mensal para cálcio e fósforo em quem faz diálise.4 Se o seu pedido inclui cistatina C ou microalbuminúria, é provavelmente por isso.

Para lembrar

Três pontos. Primeiro: este conjunto não se lê linha a linha — cálcio, fósforo, PTH e vitamina D formam um circuito, e as duas autoridades brasileiras que escreveram sobre ele pedem para olhar o conjunto e a tendência, não o valor isolado. Segundo: cada número carrega o método que o produziu — o alvo do PTH é um múltiplo do limite do seu laboratório, e a vitamina D varia até 20% entre métodos. Terceiro: o preço não é o mesmo para todos — o PTH custa 23 vezes o cálcio no SUS, e é a dosagem mais cara do conjunto. Se o seu pedido também traz magnésio, eletrólitos, fosfatase alcalina elevada, hemograma completo ou perfil hormonal, é o mesmo raciocínio: nenhum valor decide sozinho. Conta o conjunto dos seus marcadores e do seu contexto — o que o AI DiagMe oferece, como complemento à avaliação do seu médico.

Fontes

Fontes oficiais brasileiras e publicações científicas (PubMed) usadas neste guia:

Footnotes

  1. Ministério da Saúde / DATASUS — SIGTAP, tabela tb_descricao, competência 08/2026 (4 324 descrições). Textos de intenção lidos diretamente e verificados como únicos aos seus códigos: cálcio 0202010210 ("distúrbios do metabolismo de cálcio e fósforo, incluindo doenças ósseas, nefrológicas e neoplásicas"), fósforo 0202010430 ("avaliação do balanço cálcio/fósforo"), cálcio ionizável 0202010228 ("não é afetada pelas mudanças nas concentrações de albumina"), proteínas totais e frações 0202010627 (descrição integralmente sobre a albumina). sigtap.datasus.gov.br 2 3 4 5

  2. Lucca LJ, Moysés RMA, Hernandes FR, Gueiros JEB. CKD-MBD diagnosis: biochemical abnormalities — diretriz da Sociedade Brasileira de Nefrologia; recomendações 1.1 a 5.2, incluindo a tendência em vez do valor isolado, o conjunto dos parâmetros, a proibição do produto Ca × P, a preferência pelo cálcio iônico, a fórmula de ajuste pela albumina com sua ressalva, o alvo de PTH de 2 a 9 vezes o limite do método, o gelo para a amostra de PTH e a proteção da luz para a de vitamina D. Citações verificadas na versão em português servida pelo SciELO (controle negativo: identificador inventado → 404). J Bras Nefrol, 2021;43(4 Suppl 1):615-20. PubMed · DOI 2 3 4 5 6 7 8 9 10 11 12 13 14 15 16

  3. Ministério da Saúde — Protocolo Clínico e Diretrizes Terapêuticas da Osteoporose, aprovado pela Portaria Conjunta SAES/SECTICS nº 22, de 22 de outubro de 2025 (98 páginas; revoga a Portaria Conjunta SAES/SECTICS nº 19, de 28 de setembro de 2023). Lido no texto: seção 3.2 Diagnóstico laboratorial (lista de exames), dados do BRAZOS e das séries de São Paulo e do Sul do país, remissão ao FRAX Brasil da ABRASSO. gov.br/saude 2 3 4

  4. Ministério da Saúde — Protocolo Clínico e Diretrizes Terapêuticas do Distúrbio Mineral Ósseo na Doença Renal Crônica, aprovado pela Portaria Conjunta nº 15, de 4 de agosto de 2022 (62 páginas; revoga a Portaria SAS/MS nº 801, de 25 de abril de 2017). Lido no texto: Tabela 2 (periodicidade da monitorização por estágio), Tabela 3 (valores por faixa etária, "adaptado de KDIGO, 2017"), Tabela 4 (alvos de PTH: SBN/KDIGO/Canadá contra Japão), cortes de fósforo e de cálcio, e a frase sobre tendências. gov.br/saude 2 3 4 5 6 7 8 9

  5. Moreira CA, Ferreira CEDS, Madeira M, Silva BCC, Maeda SS, Batista MC, et al. Reference values of 25-hydroxyvitamin D revisited: a position statement from the Brazilian Society of Endocrinology and Metabolism (SBEM) and the Brazilian Society of Clinical Pathology/Laboratory Medicine (SBPC/ML) — documento brasileiro publicado em inglês, lido no texto integral do PMC; pedidos "many of which are questionable", dosagem recomendada nos grupos com condições de risco, 20-60 ng/mL para a população geral, meta acima de 30 ng/mL em condições específicas, até 20% de variação entre métodos. A errata publicada em separado (PMID 33047906) substitui, na Tabela 2, "anorexia nervosa" por "diabetes mellitus tipo 1". Arch Endocrinol Metab, 2020;64(4):462-78. PubMed · DOI 2 3 4 5 6 7

  6. Ministério da Saúde / DATASUS — SIGTAP, Sistema de Gerenciamento da Tabela de Procedimentos, Medicamentos e OPM do SUS, tabela tb_procedimento, competência 08/2026 (1 697 774 bytes, 5 023 linhas). Regra de correspondência: busca no campo do nome do procedimento, acentos rebatidos (NFD), sem distinção de maiúsculas, contagem em linhas. Códigos e valores lidos diretamente: paratormônio 0202060276 (R$ 43,13), 25-hidroxivitamina D 0202010767 (R$ 15,24), cálcio ionizável 0202010228 (R$ 3,51), magnésio 0202010562 (R$ 2,01), fosfatase alcalina 0202010422 (R$ 2,01), cálcio 0202010210 (R$ 1,85), fósforo 0202010430 (R$ 1,85), proteínas totais e frações 0202010627 (R$ 1,85), hidroxiprolina 0202010511 (R$ 3,68), densitometria óssea 0204060028 (R$ 55,10). Ausências verificadas com controles positivos ("URINA" 32 linhas, "CREATININA" 3): nenhum código de painel, de cálcio urinário, de albumina sérica isolada, de osteocalcina ou de telopeptídeos. sigtap.datasus.gov.br 2 3

  7. Domiciano DS, Machado LG, Lopes JB, Figueiredo CP, Caparbo VF, Oliveira RM, et al. Bone Mineral Density and Parathyroid Hormone as Independent Risk Factors for Mortality in Community-Dwelling Older Adults: A Population-Based Prospective Cohort Study in Brazil. The São Paulo Ageing & Health (SPAH) Study — coorte prospectiva de base populacional com 839 idosos de São Paulo, seguimento médio de 4,06 anos. J Bone Miner Res, 2016;31(6):1146-57. PubMed · DOI 2

  8. Sociedade Brasileira de Patologia Clínica/Medicina Laboratorial (SBPC/ML) — Recomendações da SBPC/ML: boas práticas em laboratório clínico. Capítulo sobre hemólise: lista de analitos que podem sofrer alterações significativas em amostra hemolisada, incluindo cálcio, magnésio, fósforo e fosfatase alcalina. PDF

  9. Associação Brasileira de Avaliação Óssea e Osteometabolismo (ABRASSO) — FRAX Brasil, ferramenta de cálculo do risco de fratura em dez anos, indicada nominalmente pelo PCDT da Osteoporose do Ministério da Saúde. abrasso.org.br

  10. Zerbini CA, Szejnfeld VL, Abergaria BH, McCloskey EV, Johansson H, Kanis JA. Incidence of hip fracture in Brazil and the development of a FRAX model — modelo FRAX específico para o país, construído sobre taxas regionais brasileiras de incidência de fratura de quadril a partir dos 40 anos. Arch Osteoporos, 2015;10:224. PubMed · DOI

  11. Pinheiro MM, Ciconelli RM, Jacques NO, Genaro PS, Martini LA, Ferraz MB. The burden of osteoporosis in Brazil: regional data from fractures in adult men and women — the Brazilian Osteoporosis Study (BRAZOS) — primeiro estudo epidemiológico de base populacional em amostra representativa de brasileiros com 40 anos ou mais, 2 420 participantes de 150 cidades das cinco regiões. Rev Bras Reumatol, 2010;50(2):113-27. PubMed

  12. Maeda SS, Saraiva GL, Kunii IS, Hayashi LF, Cendoroglo MS, Ramos LR, et al. Factors affecting vitamin D status in different populations in the city of São Paulo, Brazil: the São Paulo vitamin D Evaluation Study (SPADES) — 591 participantes de quatro grupos com hábitos distintos de exposição solar; cálcio iônico, PTH, 25(OH)D, creatinina e albumina dosados. BMC Endocr Disord, 2013;13:14. PubMed · DOI

Aviso médico. Este guia tem finalidade informativa e educativa; não constitui aconselhamento médico e não substitui uma consulta. Os valores de referência variam conforme o laboratório e a técnica: só o seu médico pode interpretar os seus resultados no seu contexto.