Metabolismo ósseo: cálcio, fósforo, PTH e vitamina D
Por que cálcio, fósforo, PTH e vitamina D se leem juntos, o que o protocolo brasileiro pede na mesma linha e por que o PTH custa 23 vezes o cálcio no SUS.
Se você tem várias linhas do laudo diante dos olhos — cálcio, fósforo, PTH, vitamina D, às vezes magnésio e fosfatase alcalina — a primeira coisa a saber é que nenhuma delas se lê sozinha. Não existe um exame chamado "metabolismo ósseo": existe um conjunto de dosagens que só significam alguma coisa quando comparadas umas com as outras. Este guia explica em que ordem lê-las e o que dizem, sobre elas, os documentos brasileiros em vigor.
Em resumo
- O conjunto não tem nome de exame no Brasil. O que existe são dosagens separadas, e o próprio Ministério da Saúde as descreve como parte de um mesmo sistema: a ficha oficial do cálcio fala em "distúrbios do metabolismo de cálcio e fósforo", e a do fósforo, em "avaliação do balanço cálcio/fósforo".1
- A Sociedade Brasileira de Nefrologia manda considerar "a tendência, mais que um valor isolado" de cálcio, fósforo, fosfatase alcalina, paratormônio e 25OH vitamina D — e decidir sobre "o conjunto dos parâmetros bioquímicos do metabolismo mineral".2
- O PCDT da Osteoporose do Ministério da Saúde, atualizado em outubro de 2025, lista numa única frase os exames do conjunto: cálcio, fósforo, albumina, creatinina, fosfatase alcalina, PTH, TSH, T4 livre, 25-hidroxivitamina D e cálcio na urina de 24 horas.3
- A calcemia depende da albumina. A ficha oficial do cálcio iônico diz que ele "não é afetado pelas mudanças nas concentrações de albumina", o que é "uma vantagem sobre a dosagem do cálcio total".1 A SBN coloca o cálcio iônico em primeiro lugar; o cálcio corrigido pela albumina é a alternativa quando ele não está disponível.2
- O PTH é o único parâmetro cujo alvo não é um número fixo: em diálise, ele é definido como 2 a 9 vezes o limite superior do método do seu laboratório.24
- A dosagem de vitamina D não é para todo mundo: o posicionamento conjunto da SBEM e da SBPC/ML constata que os pedidos vêm crescendo e que muitos deles são questionáveis, e recomenda a dosagem nos grupos com condições de risco.5
- No SUS não há código de painel. Cada dosagem é cobrada à parte, e o paratormônio (R$ 43,13) custa mais do que as outras cinco somadas (R$ 22,96).6
Não é um exame, é um sistema
O cálcio do sangue é uma das grandezas mais firmemente controladas do organismo. Quem faz esse controle são três reguladores em circuito: o PTH (paratormônio), produzido pelas paratireoides, que puxa o cálcio para cima; a vitamina D, que aumenta a absorção intestinal de cálcio e fósforo; e o rim, que ajusta o quanto de cada um é eliminado. O fósforo move-se, em geral, no sentido contrário ao do cálcio.
É por isso que uma linha isolada quase não responde nada. Um cálcio no limite alto significa uma coisa se o PTH estiver baixo, outra bem diferente se o PTH estiver alto. Um fósforo elevado tem um sentido quando a função renal está normal e outro quando a creatinina já subiu.
A formulação mais clara disso, num documento brasileiro, está na diretriz da Sociedade Brasileira de Nefrologia, no Jornal Brasileiro de Nefrologia. Ela traz duas recomendações seguidas: "considerar a tendência, mais que um valor isolado, dos resultados de cálcio, fósforo, fosfatase alcalina, paratormônio e 25OH vitamina D"; e a decisão terapêutica "deve considerar o conjunto dos parâmetros bioquímicos do metabolismo mineral".2 Ela pede um histórico de "pelo menos 1-2 anos" para enxergar essa tendência.2 O protocolo do Ministério da Saúde diz o mesmo com outras palavras: as decisões devem ser tomadas "baseadas em medidas repetidas observando as tendências das alterações, e não em medidas únicas".4
O que o protocolo brasileiro pede
O Protocolo Clínico e Diretrizes Terapêuticas da Osteoporose — aprovado pela Portaria Conjunta SAES/SECTICS nº 22, de 22 de outubro de 2025, que revogou a versão de 2023 — descreve o conjunto numa única frase, na seção Diagnóstico laboratorial:
"Para o diagnóstico de causas secundárias de osteoporose ou monitoramento do tratamento, deve-se utilizar exames laboratoriais, tais como hemograma, velocidade de hemossedimentação (VHS), dosagens séricas de cálcio, fósforo, albumina, creatinina, fosfatase alcalina, PTH, TSH, T4 livre, 25-hidroxivitamina D (25OHD) e dosagem de cálcio na urina de 24 horas."3
Repare no motivo declarado: procurar causas secundárias. Esses exames não medem "como está o osso" — a massa óssea se mede na densitometria. Servem para descobrir se há uma doença por trás: paratireoide hiperativa, carência de vitamina D, doença renal, problema de tireoide (daí o TSH e o T4 livre na lista, ao lado dos exames da tireoide).
Uma ordem de leitura que funciona. Comece pelo cálcio e pelo fósforo, o retrato do momento. Depois o PTH, que diz se a paratireoide está reagindo e em que direção. Em seguida a vitamina D, causa mais banal de um PTH um pouco alto. Por último a fosfatase alcalina e a creatinina, que dizem se o osso está em atividade e se o rim participa do desequilíbrio.
Cálcio: são três coisas diferentes
A palavra "cálcio" no seu laudo pode designar três medidas distintas, e confundi-las é a origem da maior parte dos sustos.
| No laudo | O que é |
|---|---|
| Cálcio total | O cálcio efetivamente dosado: a parte ligada às proteínas mais a parte livre |
| Cálcio corrigido | Um cálculo, não uma dosagem: o cálcio total reajustado pela albumina |
| Cálcio iônico (ionizável) | A fração livre, medida diretamente, em amostra própria |
Cerca de metade do cálcio circulante anda ligado à albumina. Quando a albumina cai — desnutrição, doença do fígado, inflamação, perda renal de proteínas —, o cálcio total parece baixo enquanto o cálcio realmente ativo está normal. A ficha oficial do Ministério para o cálcio ionizável registra isso: a dosagem "não é afetada pelas mudanças nas concentrações de albumina", o que é "uma vantagem sobre a dosagem do cálcio total", e "refere-se à fração do elemento fisiologicamente atuante".1
A hierarquia brasileira é explícita. A SBN escreve que "a calcemia deve, preferencialmente, ser avaliada pela dosagem do Ca iônico" — e classifica a frase como evidência. Só "na indisponibilidade da dosagem do cálcio iônico" é que "a calcemia pode ser avaliada pelo Ca total corrigido pela albumina sérica" — e essa segunda frase é classificada como opinião.2 O cálcio corrigido é o plano B, não o padrão.
A fórmula, com o alerta que vem junto. A diretriz da SBN publica a conta: "cálcio total corrigido (CaTc) = cálcio total + (4 − albumina sérica) × 0,8". ⚠️ Ela a imprime sem as unidades: o 4 e o 0,8 só valem com o cálcio em mg/dL e a albumina em g/dL, que é como o laudo brasileiro imprime. E no mesmo parágrafo a SBN adverte que "fórmulas para o cálculo do CaI não devem ser utilizadas", porque não se correlacionam com a medida direta em pacientes críticos, com doença renal crônica, hiperparatireoidismo, acidemia, transfundidos e hemodialisados.2 São duas coisas: ajustar o cálcio total pela albumina é aceitável; estimar o cálcio iônico por fórmula, não.
Um detalhe brasileiro que quase ninguém nota: a albumina sérica isolada não tem código próprio na tabela do SUS. Ela entra pela dosagem de "proteínas totais e frações" — cuja descrição oficial, aliás, fala só de albumina.61 Os dois protocolos nacionais pedem a albumina; a tabela de pagamento não a nomeia.
Fósforo, e o produto que não se deve calcular
O fósforo é o parceiro obrigatório do cálcio. A ficha oficial diz que sua dosagem "é importante para a avaliação do balanço cálcio/fósforo no organismo e para o monitoramento da insuficiência renal crônica".1 Quando o rim falha, o fósforo é dos primeiros a se acumular, e é essa retenção que empurra o PTH para cima.
O protocolo brasileiro do distúrbio mineral ósseo na doença renal crônica usa 4,5 mg/dL como ponto de corte para hiperfosfatemia, aceitando até 5,5 mg/dL em quem faz diálise. O cálcio, no mesmo documento, "deve ser mantido nos limites da normalidade, geralmente entre 8,5 a 10 mg/dL".4
⚠️ Há uma recomendação negativa que vale conhecer. A SBN pede, com nível de evidência, para não considerar o produto cálcio × fósforo, e sim o valor individual de cada um, na hora de orientar a decisão terapêutica.2 O produto Ca × P foi durante décadas um número calculado de rotina; o Brasil pede para abandoná-lo.
PTH: o único alvo que não é um número
Aqui está a peculiaridade que mais confunde quem lê o próprio laudo. Para a maioria dos exames, existe uma faixa de referência impressa ao lado do resultado. Para o paratormônio em quem faz diálise, o alvo brasileiro é uma proporção: o PTH intacto deve ficar entre 2 e 9 vezes o valor superior do método usado pelo laboratório.2 O mesmo número aparece no protocolo do Ministério, numa tabela que compara as recomendações brasileira (SBN, 2021), canadense e do KDIGO — todas com a regra das 2 a 9 vezes — com a japonesa, que prefere uma faixa fixa de 60 a 240 pg/mL.4 Duas escolas, dois formatos de alvo: vale conhecer as duas em vez de arbitrar.
A razão é técnica: os ensaios de PTH intacto medem, em proporções diferentes, frações aminoterminais (ativas) e carboxiterminais (inativas).2 Um PTH de 80 pg/mL não quer dizer o mesmo em dois laboratórios — por isso o alvo se expressa em múltiplos do seu limite superior.
E o PTH pesa mesmo dentro da faixa dita normal. No estudo São Paulo Ageing & Health, coorte prospectiva de base populacional com 839 idosos, o PTH intacto associou-se de forma independente à mortalidade por qualquer causa (HR 1,06 a cada 10 pg/mL). Quem estava no quartil mais alto (acima de 49 pg/mL) teve risco 3,09 vezes maior de morte cardiovascular que o quartil mais baixo (abaixo de 26 pg/mL) — e 49 pg/mL cabe no intervalo de referência da maioria dos laboratórios.7
Vitamina D: quem deve dosar
O Brasil tem uma posição sobre isso, e ela é restritiva. O posicionamento oficial conjunto da Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia (SBEM) e da SBPC/ML — publicado em inglês nos Archives of Endocrinology and Metabolism — constata que o número de pedidos de avaliação do status de vitamina D vem crescendo e que muitos deles são questionáveis, e recomenda a dosagem nos grupos com condições de risco de deficiência.5
Os números do posicionamento: para a população geral, valores entre 20 e 60 ng/mL são considerados normais, e abaixo de 20 ng/mL, deficiência. Um patamar acima de 30 ng/mL traz benefício potencial em situações específicas — pessoas com mais de 65 anos, gestantes, quedas de repetição, fraturas por fragilidade, osteoporose, hiperparatireoidismo secundário, doença renal crônica, câncer.5
Um detalhe de método que vale a pena saber. A tabela dos grupos com meta acima de 30 ng/mL foi corrigida por errata: onde se lia "anorexia nervosa", deve-se ler "diabetes mellitus tipo 1". A errata é um registro separado (PMID 33047906) — quem copiar a tabela do artigo original publica uma lista errada.5
⚠️ Duas fontes brasileiras, dois cortes. O protocolo do distúrbio mineral ósseo na DRC, seguindo o KDIGO, registra que a maioria dos estudos define deficiência abaixo de 15 ng/mL e insuficiência entre 15 e 30 — e acrescenta que "não há consenso sobre o que define os níveis adequados".4 O posicionamento SBEM/SBPC-ML fixa a deficiência abaixo de 20 ng/mL para a população geral.5 Os dois são brasileiros, os dois estão em vigor: as duas leituras convivem, e o guia da vitamina D e o do perfil vitamínico detalham cada uma.
E há um limite que o próprio posicionamento reconhece: na prática laboratorial pode haver até 20% de variação entre métodos diferentes de dosagem de 25(OH)D.5
Os valores mudam muito com a idade
Esta é a fonte mais comum de susto desnecessário em laudos de crianças. O protocolo brasileiro do distúrbio mineral ósseo publica uma tabela de valores séricos normais por faixa etária, adaptada do KDIGO 2017 — origem internacional declarada pelo próprio documento:4
| Faixa etária | Cálcio total (mg/dL) | Cálcio iônico (mmol/L) | Fósforo (mg/dL) |
|---|---|---|---|
| 0–11 meses | 8,8–11,3 | 1,22–1,40 | 4,8–7,4 |
| 1–5 anos | 9,4–10,8 | 1,22–1,32 | 4,5–6,5 |
| 6–12 anos | 9,4–10,3 | 1,15–1,32 | 3,6–5,8 |
| 13–18 anos | 8,8–10,2 | 1,12–1,30 | 2,3–4,5 |
Leia a coluna do fósforo de baixo para cima. Um fósforo de 6,5 mg/dL é normal num bebê — e o mesmo número, num adulto, estaria acima do corte de hiperfosfatemia de 4,5 mg/dL do próprio protocolo. Não se aplica régua de adulto a osso em crescimento.
O que muda o resultado antes do laboratório
- Hemólise. A SBPC/ML lista, entre os parâmetros que podem sofrer alterações significativas numa amostra hemolisada, o cálcio, o magnésio, o fósforo e a fosfatase alcalina — quatro dos seis exames deste conjunto.8 Uma punção difícil pode, sozinha, mudar o seu laudo.
- A amostra de PTH precisa de gelo. A SBN recomenda que o sangue para PTH intacto seja imediatamente armazenado em gelo.2
- A amostra de vitamina D precisa de proteção da luz — recomendação classificada como evidência.2
- O método do laboratório importa. A SBN abre suas recomendações justamente por aí: métodos de dosagem, tipo de amostra e protocolos de coleta devem ser levados em conta na interpretação.2 O protocolo do Ministério repete o alerta sobre "as diferenças entre os métodos pelos laboratórios, inclusive para os distintos valores de referência".4
- Ritmo circadiano, alimentação e horário dos medicamentos influenciam cálcio, fósforo e PTH, segundo a SBN.2 Siga a orientação do laboratório para o conjunto do pedido, não para cada linha.
- Suplementos. Cálcio e vitamina D tomados de véspera alteram o retrato. Avise quem pediu o exame.
Quanto custa no SUS
A tabela de procedimentos do SUS (competência agosto de 2026) responde de forma inequívoca: não existe procedimento de painel para este conjunto. Nenhuma linha das 5 023 da tabela se chama "metabolismo ósseo", "perfil mineral" ou "cálcio e fósforo". Cada dosagem é paga separadamente:6
| Procedimento na tabela do SUS | Código | Valor |
|---|---|---|
| Dosagem de paratormônio | 0202060276 | R$ 43,13 |
| Dosagem de 25-hidroxivitamina D | 0202010767 | R$ 15,24 |
| Dosagem de cálcio ionizável | 0202010228 | R$ 3,51 |
| Dosagem de magnésio | 0202010562 | R$ 2,01 |
| Dosagem de fosfatase alcalina | 0202010422 | R$ 2,01 |
| Dosagem de cálcio (total) | 0202010210 | R$ 1,85 |
| Dosagem de fósforo | 0202010430 | R$ 1,85 |
| (referência) Densitometria óssea de coluna e fêmur | 0204060028 | R$ 55,10 |
Três leituras. O PTH custa 23 vezes o cálcio e mais do que as outras cinco dosagens somadas (R$ 43,13 contra R$ 22,96) — o que explica por que não é pedido de rotina. A densitometria óssea, sozinha, custa mais do que o PTH. E há duas ausências: o cálcio na urina de 24 horas não tem código, embora o PCDT da Osteoporose o peça expressamente; e nenhum marcador moderno de remodelação óssea (osteocalcina, telopeptídeos) consta da tabela — o que existe é a hidroxiprolina (0202010511, R$ 3,68), marcador antigo que continua sendo pago. Presença na tabela estabelece cobertura, nunca recomendação. Sobre o setor privado, veja quanto custa um exame de sangue.
Avanços recentes
O PCDT da Osteoporose foi atualizado em outubro de 2025, revogando a versão de 2023.3 Ele remete o cálculo de risco de fratura ao FRAX Brasil, disponibilizado pela Associação Brasileira de Avaliação Óssea e Osteometabolismo (ABRASSO)9 — modelo específico para o país, construído a partir de taxas brasileiras de fratura de quadril.10
A base epidemiológica nacional vem do BRAZOS, primeiro estudo populacional brasileiro sobre fraturas, com 2 420 adultos acima de 40 anos em 150 cidades das cinco regiões.11 O PCDT relata, a partir dele, fraturas de baixo impacto em 15,1% das mulheres e 12,8% dos homens — e, numa cidade do Sul, 268 internações por fratura de quadril por 100 000 mulheres ao ano, com mortalidade de 25% em 12 meses.3
Sobre a vitamina D, o dado brasileiro mais instrutivo é o SPADES, feito em São Paulo com 591 pessoas de quatro grupos: a 25(OH)D de inverno foi de 36,1 nmol/L em idosos institucionalizados contra 78,9 nmol/L em idosos de um programa de atividade física.12 Mais que o dobro, na mesma cidade e latitude: decide o hábito de exposição, não o sol do país.
Perguntas frequentes
Meu cálcio está no limite. Preciso me preocupar? Sozinho, um cálcio no limite quase não informa nada. Ele precisa ser lido com o PTH, o fósforo, a albumina e a função renal — e, segundo o protocolo brasileiro, comparado com resultados anteriores, porque o que orienta é a tendência e não a medida única.4 Leve o laudo a quem pediu o exame.
Qual cálcio devo olhar: o total, o corrigido ou o iônico? A SBN prefere o cálcio iônico, com nível de evidência. O cálcio total ajustado pela albumina é a alternativa quando o iônico não está disponível, e ela é classificada como opinião.2 Na prática, o cálcio iônico exige coleta e transporte próprios, o que nem sempre é possível.
Devo pedir vitamina D no meu check-up? A posição brasileira é restritiva: SBEM e SBPC/ML consideram que muitos pedidos são questionáveis e recomendam a dosagem em grupos de risco.5 A decisão é de quem acompanha você.
Meu PTH está "normal" mas o médico se preocupou. Por quê? Porque em algumas situações — sobretudo na doença renal — o alvo não é a faixa impressa no laudo, e sim um múltiplo do limite superior do método.2 E porque valores dentro da faixa já se associaram a desfechos piores em idosos brasileiros.7
Cálcio, fósforo e PTH têm a ver com o rim? Diretamente. O protocolo do Ministério manda monitorar os cinco parâmetros a partir do estágio 3 da doença renal crônica: anual no estágio 3, mensal para cálcio e fósforo em quem faz diálise.4 Se o seu pedido inclui cistatina C ou microalbuminúria, é provavelmente por isso.
Para lembrar
Três pontos. Primeiro: este conjunto não se lê linha a linha — cálcio, fósforo, PTH e vitamina D formam um circuito, e as duas autoridades brasileiras que escreveram sobre ele pedem para olhar o conjunto e a tendência, não o valor isolado. Segundo: cada número carrega o método que o produziu — o alvo do PTH é um múltiplo do limite do seu laboratório, e a vitamina D varia até 20% entre métodos. Terceiro: o preço não é o mesmo para todos — o PTH custa 23 vezes o cálcio no SUS, e é a dosagem mais cara do conjunto. Se o seu pedido também traz magnésio, eletrólitos, fosfatase alcalina elevada, hemograma completo ou perfil hormonal, é o mesmo raciocínio: nenhum valor decide sozinho. Conta o conjunto dos seus marcadores e do seu contexto — o que o AI DiagMe oferece, como complemento à avaliação do seu médico.
Fontes
Fontes oficiais brasileiras e publicações científicas (PubMed) usadas neste guia:
Footnotes
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Ministério da Saúde / DATASUS — SIGTAP, tabela
tb_descricao, competência 08/2026 (4 324 descrições). Textos de intenção lidos diretamente e verificados como únicos aos seus códigos: cálcio 0202010210 ("distúrbios do metabolismo de cálcio e fósforo, incluindo doenças ósseas, nefrológicas e neoplásicas"), fósforo 0202010430 ("avaliação do balanço cálcio/fósforo"), cálcio ionizável 0202010228 ("não é afetada pelas mudanças nas concentrações de albumina"), proteínas totais e frações 0202010627 (descrição integralmente sobre a albumina). sigtap.datasus.gov.br ↩ ↩2 ↩3 ↩4 ↩5 -
Lucca LJ, Moysés RMA, Hernandes FR, Gueiros JEB. CKD-MBD diagnosis: biochemical abnormalities — diretriz da Sociedade Brasileira de Nefrologia; recomendações 1.1 a 5.2, incluindo a tendência em vez do valor isolado, o conjunto dos parâmetros, a proibição do produto Ca × P, a preferência pelo cálcio iônico, a fórmula de ajuste pela albumina com sua ressalva, o alvo de PTH de 2 a 9 vezes o limite do método, o gelo para a amostra de PTH e a proteção da luz para a de vitamina D. Citações verificadas na versão em português servida pelo SciELO (controle negativo: identificador inventado → 404). J Bras Nefrol, 2021;43(4 Suppl 1):615-20. PubMed · DOI ↩ ↩2 ↩3 ↩4 ↩5 ↩6 ↩7 ↩8 ↩9 ↩10 ↩11 ↩12 ↩13 ↩14 ↩15 ↩16
-
Ministério da Saúde — Protocolo Clínico e Diretrizes Terapêuticas da Osteoporose, aprovado pela Portaria Conjunta SAES/SECTICS nº 22, de 22 de outubro de 2025 (98 páginas; revoga a Portaria Conjunta SAES/SECTICS nº 19, de 28 de setembro de 2023). Lido no texto: seção 3.2 Diagnóstico laboratorial (lista de exames), dados do BRAZOS e das séries de São Paulo e do Sul do país, remissão ao FRAX Brasil da ABRASSO. gov.br/saude ↩ ↩2 ↩3 ↩4
-
Ministério da Saúde — Protocolo Clínico e Diretrizes Terapêuticas do Distúrbio Mineral Ósseo na Doença Renal Crônica, aprovado pela Portaria Conjunta nº 15, de 4 de agosto de 2022 (62 páginas; revoga a Portaria SAS/MS nº 801, de 25 de abril de 2017). Lido no texto: Tabela 2 (periodicidade da monitorização por estágio), Tabela 3 (valores por faixa etária, "adaptado de KDIGO, 2017"), Tabela 4 (alvos de PTH: SBN/KDIGO/Canadá contra Japão), cortes de fósforo e de cálcio, e a frase sobre tendências. gov.br/saude ↩ ↩2 ↩3 ↩4 ↩5 ↩6 ↩7 ↩8 ↩9
-
Moreira CA, Ferreira CEDS, Madeira M, Silva BCC, Maeda SS, Batista MC, et al. Reference values of 25-hydroxyvitamin D revisited: a position statement from the Brazilian Society of Endocrinology and Metabolism (SBEM) and the Brazilian Society of Clinical Pathology/Laboratory Medicine (SBPC/ML) — documento brasileiro publicado em inglês, lido no texto integral do PMC; pedidos "many of which are questionable", dosagem recomendada nos grupos com condições de risco, 20-60 ng/mL para a população geral, meta acima de 30 ng/mL em condições específicas, até 20% de variação entre métodos. A errata publicada em separado (PMID 33047906) substitui, na Tabela 2, "anorexia nervosa" por "diabetes mellitus tipo 1". Arch Endocrinol Metab, 2020;64(4):462-78. PubMed · DOI ↩ ↩2 ↩3 ↩4 ↩5 ↩6 ↩7
-
Ministério da Saúde / DATASUS — SIGTAP, Sistema de Gerenciamento da Tabela de Procedimentos, Medicamentos e OPM do SUS, tabela
tb_procedimento, competência 08/2026 (1 697 774 bytes, 5 023 linhas). Regra de correspondência: busca no campo do nome do procedimento, acentos rebatidos (NFD), sem distinção de maiúsculas, contagem em linhas. Códigos e valores lidos diretamente: paratormônio 0202060276 (R$ 43,13), 25-hidroxivitamina D 0202010767 (R$ 15,24), cálcio ionizável 0202010228 (R$ 3,51), magnésio 0202010562 (R$ 2,01), fosfatase alcalina 0202010422 (R$ 2,01), cálcio 0202010210 (R$ 1,85), fósforo 0202010430 (R$ 1,85), proteínas totais e frações 0202010627 (R$ 1,85), hidroxiprolina 0202010511 (R$ 3,68), densitometria óssea 0204060028 (R$ 55,10). Ausências verificadas com controles positivos ("URINA" 32 linhas, "CREATININA" 3): nenhum código de painel, de cálcio urinário, de albumina sérica isolada, de osteocalcina ou de telopeptídeos. sigtap.datasus.gov.br ↩ ↩2 ↩3 -
Domiciano DS, Machado LG, Lopes JB, Figueiredo CP, Caparbo VF, Oliveira RM, et al. Bone Mineral Density and Parathyroid Hormone as Independent Risk Factors for Mortality in Community-Dwelling Older Adults: A Population-Based Prospective Cohort Study in Brazil. The São Paulo Ageing & Health (SPAH) Study — coorte prospectiva de base populacional com 839 idosos de São Paulo, seguimento médio de 4,06 anos. J Bone Miner Res, 2016;31(6):1146-57. PubMed · DOI ↩ ↩2
-
Sociedade Brasileira de Patologia Clínica/Medicina Laboratorial (SBPC/ML) — Recomendações da SBPC/ML: boas práticas em laboratório clínico. Capítulo sobre hemólise: lista de analitos que podem sofrer alterações significativas em amostra hemolisada, incluindo cálcio, magnésio, fósforo e fosfatase alcalina. PDF ↩
-
Associação Brasileira de Avaliação Óssea e Osteometabolismo (ABRASSO) — FRAX Brasil, ferramenta de cálculo do risco de fratura em dez anos, indicada nominalmente pelo PCDT da Osteoporose do Ministério da Saúde. abrasso.org.br ↩
-
Zerbini CA, Szejnfeld VL, Abergaria BH, McCloskey EV, Johansson H, Kanis JA. Incidence of hip fracture in Brazil and the development of a FRAX model — modelo FRAX específico para o país, construído sobre taxas regionais brasileiras de incidência de fratura de quadril a partir dos 40 anos. Arch Osteoporos, 2015;10:224. PubMed · DOI ↩
-
Pinheiro MM, Ciconelli RM, Jacques NO, Genaro PS, Martini LA, Ferraz MB. The burden of osteoporosis in Brazil: regional data from fractures in adult men and women — the Brazilian Osteoporosis Study (BRAZOS) — primeiro estudo epidemiológico de base populacional em amostra representativa de brasileiros com 40 anos ou mais, 2 420 participantes de 150 cidades das cinco regiões. Rev Bras Reumatol, 2010;50(2):113-27. PubMed ↩
-
Maeda SS, Saraiva GL, Kunii IS, Hayashi LF, Cendoroglo MS, Ramos LR, et al. Factors affecting vitamin D status in different populations in the city of São Paulo, Brazil: the São Paulo vitamin D Evaluation Study (SPADES) — 591 participantes de quatro grupos com hábitos distintos de exposição solar; cálcio iônico, PTH, 25(OH)D, creatinina e albumina dosados. BMC Endocr Disord, 2013;13:14. PubMed · DOI ↩