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TGP (ALT): valores de referência e TGP alta

A TGP é a enzima mais específica do fígado. O Ministério da Saúde adota 35 U/L nos homens e 25 nas mulheres — abaixo do limite impresso na maioria dos laudos.

Publicado em 4 de setembro de 202612 min de leituraEscrito pela Equipe Blood Analysis · Revisado e verificado por Julien Priour

A TGP é a linha do seu laudo que fala mais diretamente do fígado. Ela aparece com quatro nomes para a mesma dosagem: TGP, ALT, transaminase glutâmico-pirúvica e alanina aminotransferase. E, no Brasil, ela carrega uma particularidade que o laudo raramente informa — o Ministério da Saúde já usa um limite de normalidade mais baixo do que o número impresso na maioria dos exames.

Em resumo

  • A TGP é a transaminase mais específica do fígado e o item de maior peso hepático do hepatograma.
  • Duas réguas convivem no Brasil. O protocolo do Ministério da Saúde para hepatite B adota 35 U/L em homens e 25 U/L em mulheres — e reconhece por escrito que "não há consenso geral" sobre esse valor.
  • TGP normal não significa fígado normal. Numa metanálise citada pela diretriz brasileira, 25% das pessoas com esteatose e 19% das com esteato-hepatite tinham TGP normal.
  • A diretriz brasileira é explícita: medir enzimas hepáticas isoladamente não é recomendado para rastrear esteatose — recomendação classe III.
  • TGP alta nem sempre é doença do fígado: medicamentos, suplementos e a qualidade da amostra entram na conta antes do diagnóstico.
  • Nenhuma fonte brasileira consultada dá ponto de corte para a razão TGO/TGP. A expressão "De Ritis" não aparece nos quatro textos primários deste guia.
  • Não existe regra de jejum específica para a TGP no Brasil.
  • No SUS, a TGP tem código próprio (0202010651) e custa R$ 2,01.
  • Nenhum número isolado fecha um diagnóstico: a TGP se lê com o seu histórico e os seus outros exames, com o seu médico.

O que a TGP mede

A TGP é uma enzima que fica dentro das células do fígado. Quando essas células são danificadas, ela vaza para o sangue. Por isso a TGP é um marcador de lesão, não de função: um fígado pode estar lesionado e ainda trabalhando, e pode estar funcionando mal com a enzima quase normal.

O que a torna especial é a distribuição no corpo. A TGO existe também no músculo, no coração e nas hemácias. A TGP é muito mais concentrada no fígado — daí ela ser a primeira consultada quando a suspeita é hepática. As enzimas de colestase, fosfatase alcalina e gama-glutamil transferase, respondem a outra pergunta: o fluxo da bile; e a bilirrubina a uma terceira.

Vale registrar uma ausência medida. No manual Boas práticas em laboratório clínico, da SBPC/ML, a sigla "TGP" aparece1 uma única vez, numa tabela de interferências, e nenhum intervalo de referência é publicado para a enzima.2 Quem publica um número é o Ministério da Saúde, e por outro motivo.

Valores de referência: as réguas não coincidem

O Protocolo Clínico e Diretrizes Terapêuticas de Hepatite B e Coinfecções, aprovado pela Portaria SECTICS/MS nº 25, de 18 de maio de 2023, enfrenta o assunto de frente. O texto reconhece que "não há consenso geral sobre o LSN [limite superior da normalidade] em pacientes com hepatites ou sobre o ponto de corte de ALT/TGP para indicação de tratamento nos principais guias internacionais". E decide: por causa do risco em quem tem valores normais ou limítrofes, o protocolo "preconiza que resultados de 35 U/L, para homens, e 25 U/L, para mulheres, sejam recomendados como Limite Superior de Normalidade".3

O trabalho que abriu a discussão internacionalmente foi um estudo italiano com 6.835 doadores de sangue de primeira vez, que propôs 30 U/L para homens e 19 U/L para mulheres contra os 40 e 30 então vigentes.4 (Fonte internacional, citada por não existir equivalente brasileiro.)

RéguaHomensMulheres
Limites clássicos descritos por Prati e cols. (2002)40 U/L30 U/L
Ministério da Saúde, PCDT Hepatite B (2023)35 U/L25 U/L
Proposta de Prati e cols. (2002)30 U/L19 U/L

A régua do Ministério da Saúde fica no meio. Na prática: uma TGP de 28 U/L costuma vir marcada como normal no laudo e está acima do limite que o Estado brasileiro adota para uma mulher. Não é motivo para alarme — é motivo para levar o resultado ao médico.

E há um dado brasileiro que aponta na mesma direção. Num estudo do Rio de Janeiro com 83 pessoas com diabetes tipo 2 biopsiadas independentemente de terem exames alterados, o melhor ponto de corte da TGP para prever esteato-hepatite foi 33,5 (área sob a curva de 0,82) — um valor que a maioria dos laudos ainda imprime como normal.5 Confira sempre o intervalo do seu laudo: ele depende do método de cada laboratório.

TGO e TGP juntas: o que as fontes brasileiras não dizem

TGO e TGP quase nunca vêm sozinhas, e existe uma leitura clássica da relação entre as duas — a razão TGO/TGP, historicamente chamada razão de De Ritis.

Aqui vale ser direto sobre o que foi verificado. Procurando "De Ritis", "AST/ALT" e "TGO/TGP" nos quatro documentos brasileiros de referência deste guia — o manual da SBPC/ML, a diretriz conjunta SBEM/SBH/Abeso6 e os dois protocolos de hepatite do Ministério da Saúde —, "De Ritis" não aparece, a razão é citada uma vez (na diretriz, grafada "(AST)/ALT") e nenhum lhe atribui ponto de corte.2738 O que esses documentos fazem é outra coisa: colocam TGO e TGP dentro de escores. Detalhes da razão em si estão em TGO.

Há, porém, uma diferença entre as duas que é concreta e brasileira. Na tabela de interferentes do manual da SBPC/ML, a TGP só sofre interferência significativa a partir de 90 mg/dL de hemoglobina livre na amostra; a TGO já a partir de 40.2 Se o laudo traz uma observação de hemólise, é a TGO que merece mais desconfiança. A mesma tabela registra interferência na TGP com triglicérides a partir de 150 mg/dL (amostra lipêmica) e com bilirrubinas a partir de 60 mg/dL — com o limite de que ela descreve a plataforma de um laboratório específico.

TGP alta sem doença do fígado

Antes de atribuir uma TGP alta a uma doença hepática, o próprio protocolo da hepatite B manda considerar outras causas de lesão: esteatose hepática, doença hepática alcoólica e hepatite medicamentosa.3 A diretriz conjunta SBEM/SBH/Abeso vai além e publica, na recomendação 6 (classe I), a lista completa do que investigar diante de transaminases elevadas — hepatites A, B e C, hemocromatose, hepatite autoimune, colangite biliar primária, doença de Wilson, deficiência de alfa-1-antitripsina, doença celíaca — e fecha com uso de álcool e de medicamentos, os dois itens que não têm exame de sangue e dependem do que você contar na consulta.7

Medicamentos e suplementos merecem destaque. Um caso publicado por pesquisadores da Universidade Federal da Bahia descreve lesão hepática aguda grave, com elevação marcada das aminotransferases, após uso de um produto para emagrecer comprado pela internet: a análise química identificou substâncias sintéticas ativas não declaradas no rótulo em concentrações supraterapêuticas.9 É um relato de caso — um paciente, não uma estatística —, mas mostra por que a lista de tudo o que você toma, receita ou não, faz parte da consulta.

E o exercício? A SBPC/ML documenta que o esforço físico intenso eleva a atividade sérica de creatinoquinase, aldolase e aspartato aminotransferase por 12 a 24 horas.2 Repare: a fonte brasileira nomeia a TGO, não a TGP. Nenhum dos textos primários consultados atribui à TGP um efeito do exercício — o que não prova que ele não exista, apenas que não está documentado nas fontes brasileiras.

TGP normal não exclui doença do fígado

Este é o ponto que mais tranquiliza indevidamente. A diretriz brasileira de doença hepática esteatótica — assinada em conjunto pela SBEM, pela Sociedade Brasileira de Hepatologia e pela Abeso, com 48 recomendações — traz uma recomendação negativa:

Recomendação 5: em pacientes com sobrepeso/obesidade, a medida de enzimas hepáticas isoladamente não é recomendada para rastreamento de esteatose hepática (classe III, nível B).7

Os números que sustentam isso são desconfortáveis. A mesma diretriz cita a acurácia da TGP medida pela área sob a curva: 0,62 para detectar esteato-hepatite e 0,46 para fibrose avançada — abaixo do acaso. E uma metanálise com 4.094 pacientes, dos quais 1.023 com esteato-hepatite, encontrou 25% dos casos de esteatose e 19% dos de esteato-hepatite com TGP normal.7 O exame recomendado para rastrear esteatose é a ultrassonografia abdominal, e o rastreamento no Brasil começa em IMC acima de 23 kg/m² — adaptação feita pela diretriz por causa do peso da população de origem asiática no país.7

O tamanho do problema foi medido aqui. No ELSA-Brasil, entre 7.073 adultos de 35 a 74 anos avaliados por ultrassom, 33,9% tinham esteatose; ao longo de 9,4 anos, a incidência de diabetes tipo 2 foi 78% maior nesse grupo.10 Onde a TGP realmente contribui é dentro de um escore: no Steato-ELSA, construído com 9.857 participantes da mesma coorte, as transaminases entram junto com IMC, circunferência abdominal, resistência à insulina e triglicérides, com área sob a curva de 0,83 para esteatose moderada.11

Se a TGP vem alterada junto com glicemia ou hemoglobina glicada elevadas, o assunto muda de departamento: a Sociedade Brasileira de Diabetes recomenda rastrear risco de fibrose avançada em todos os adultos com pré-diabetes ou diabetes tipo 2.12 Veja também lipidograma e colesterol total.

Hepatites virais: onde a TGP decide o tratamento

É nas hepatites que a TGP deixa de ser informativa e vira critério.

Na hepatite B, o protocolo do Ministério da Saúde usa a TGP para nomear as fases da infecção crônica e para indicar tratamento. Com HBV-DNA acima de 2.000 UI/mL, o tratamento está indicado quando a TGP passa de 1,5 vez o limite superior da normalidade — ou seja, ≥ 52 U/L para homens e ≥ 37 U/L para mulheres. E não basta um exame: são necessárias duas dosagens alteradas consecutivas, com intervalo mínimo de 3 meses.3 O protocolo também define o que é uma exacerbação (flare): aumento rápido da TGP de três vezes ou mais em relação ao valor basal e acima de 100 U/L.3 E fixa um limite operacional: não se recomenda elastografia hepática com TGP acima de 5 vezes o limite superior — o preparo do exame exige jejum de pelo menos 2 horas e repouso de 10 minutos.3

Na hepatite C, o protocolo em vigor foi atualizado pela Portaria SCTIE/MS nº 39, de 20 de julho de 2026, que revogou a Portaria SCTIE/MS nº 84, de 2018.8 Ali a TGP tem três papéis, e nenhum é diagnóstico. Entra no FIB-4, o escore de fibrose: idade multiplicada pela TGO, dividida pela contagem de plaquetas vezes a raiz quadrada da TGP (o outro escore, o APRI, usa só a TGO). Deve ser monitorada mensalmente durante o tratamento antiviral em quem tem anti-HBc reagente, pelo risco de reativação da hepatite B. E o texto é explícito: os exames de lesão hepática "não são necessários para prescrição do tratamento na maioria dos casos".8 O acesso à testagem é amplo — o SUS tem códigos de sorologia e de teste rápido para hepatites destinados à população geral.13

Preciso de jejum para dosar a TGP?

Não existe, no Brasil, uma regra de jejum específica para a TGP. A SBPC/ML explica por que algum jejum costuma ser pedido — o soro turvo do período pós-prandial interfere em certas metodologias — e o único exemplo hepático que dá é a fosfatase alcalina, não a TGP.2 Na direção oposta, alerta que "devem ser evitadas coletas de sangue após períodos muito prolongados de jejum, acima de 12 horas".2

Três orientações apoiadas em texto primário: água é permitida, assim como medicamentos de uso contínuo não suspensos pelo médico; evite bebidas alcoólicas nas 48 a 72 horas anteriores; e, se a TGO também foi pedida, evite exercício intenso na véspera.2 Na dúvida, siga o laboratório: a orientação depende dos outros exames do mesmo pedido, como a glicemia.

Quanto custa no SUS

Na tabela SIGTAP de agosto de 2026, com 5.023 procedimentos:13

ExameCódigoValor
Transaminase glutâmico-pirúvica (TGP)0202010651R$ 2,01
Transaminase glutâmico-oxalacética (TGO)0202010643R$ 2,01

Duas observações da varredura completa da tabela: a sigla ALT não aparece uma única vez entre os 5.023 procedimentos, e não existe procedimento chamado "hepatograma" — cada dosagem é cobrada separadamente, como na função renal. Veja quanto custa um exame de sangue.

Perguntas frequentes

TGP e ALT são a mesma coisa? Sim. "TGP" é o nome tradicional em português e o único usado na tabela do SUS; "ALT" é a sigla internacional, usada nos protocolos do Ministério da Saúde e no glossário.

Minha TGP está em 30 e o laudo diz normal. Está tudo bem? Está dentro da faixa impressa. Para uma mulher, porém, esse valor está acima dos 25 U/L que o Ministério da Saúde adota como limite superior no protocolo da hepatite B.3 A régua depende de quem está lendo — por isso o resultado vai ao médico.

Preciso repetir o exame se veio alterado? Com frequência, sim. O protocolo da hepatite B é explícito: elevações isoladas próximas aos pontos de corte "devem ser confirmadas com a repetição do teste", e para indicar tratamento exige duas dosagens com intervalo mínimo de 3 meses.3

Uma TGP muito alta significa doença grave? O número sozinho não estabelece gravidade. Nos protocolos brasileiros, gravidade se avalia por função — tempo de protrombina/RNI, bilirrubinas — e por fibrose, calculada com escores que juntam transaminases, idade e plaquetas do hemograma completo.8

Por que o médico pediu TGP se a bilirrubina está alta? Porque bilirrubina alta com TGP normal costuma apontar para fora do fígado — destruição de hemácias, o terreno da haptoglobina e da G6PD. Para unidades, use o conversor.

O que levar deste guia

Guarde três coisas. O "normal" da TGP está em disputa no Brasil, e o Ministério da Saúde já adotou 35 U/L para homens e 25 U/L para mulheres. TGP normal não é fígado normal: a diretriz brasileira desaconselha, em classe III, usar enzimas isoladas para rastrear esteatose. E TGP alta não é sempre o fígado: medicamentos, suplementos e a própria qualidade da amostra entram antes na conta.

Para uma leitura do conjunto do seu laudo, o AI DiagMe é um complemento à avaliação do seu médico — nunca um substituto.

Fontes

Fontes institucionais brasileiras e publicações científicas (PubMed) utilizadas neste guia:

Footnotes

  1. Sociedade Brasileira de Patologia Clínica/Medicina Laboratorial (SBPC/ML) — sociedade científica brasileira de referência em medicina laboratorial, responsável pela série Recomendações da SBPC/ML. sbpc.org.br

  2. Sociedade Brasileira de Patologia Clínica/Medicina Laboratorial (SBPC/ML)Recomendações da SBPC/ML: Boas práticas em laboratório clínico. Barueri: Manole. Capítulos consultados: variação pré-analítica (jejum, elevação pós-prandial da fosfatase alcalina intestinal, limite de 12 horas de jejum, elevação de creatinoquinase, aldolase e aspartato aminotransferase por 12 a 24 horas após exercício intenso); preparo do paciente (água e medicamentos de uso contínuo permitidos; bebidas alcoólicas evitadas por 48 a 72 horas); amostra hemolisada (Tabela 1 de interferentes, atribuída à plataforma de um laboratório específico: ALT/TGP a partir de 90 mg/dL de hemoglobina, 150 mg/dL de triglicérides e 60 mg/dL de bilirrubinas; AST/TGO a partir de 40 mg/dL de hemoglobina). Ausência verificada: a sigla "TGP" ocorre uma única vez em todo o manual, na referida tabela, e nenhum intervalo de referência é publicado para a enzima. PDF 2 3 4 5 6 7

  3. Ministério da Saúde (SECTICS/MS) e ConitecProtocolo Clínico e Diretrizes Terapêuticas Hepatite B e Coinfecções, aprovado pela Portaria SECTICS/MS nº 25, de 18 de maio de 2023, que revogou a Portaria SAS/MS nº 469, de 23/07/2002, e a Portaria SCTIE/MS nº 43, de 07/12/2016. Seções consultadas no texto integral: item 8 (história natural e Quadro 1, com as fases definidas por ALT normal < 35 U/L em homens e < 25 U/L em mulheres; necessidade de considerar esteatose, doença hepática alcoólica e hepatite medicamentosa antes de atribuir a elevação ao HBV); item 9.2 (ausência de consenso sobre o LSN; adoção de 35 e 25 U/L; indicação de tratamento a partir de 1,5x o LSN, ou seja ≥ 52 U/L em homens e ≥ 37 U/L em mulheres; exigência de duas dosagens consecutivas com intervalo mínimo de 3 meses); Quadro 4 (elastografia hepática, restrição a transaminases < 5x o LSN, jejum de 2 horas e repouso de 10 minutos); definição de flare (aumento de 3 vezes ou mais sobre o basal e acima de 100 U/L). PDF (gov.br/saude) 2 3 4 5 6 7 8

  4. Fonte internacional, citada em complemento por não existir equivalente brasileiro. Prati D, Taioli E, Zanella A, Della Torre E, Butelli S, Del Vecchio E, Vianello L, et al. Updated definitions of healthy ranges for serum alanine aminotransferase levels. Annals of Internal Medicine, 2002; 137(1): 1-10. Estudo com 6.835 doadores de sangue de primeira vez; propõe limites superiores de 30 U/L para homens e 19 U/L para mulheres, contra os 40 e 30 então vigentes. Trabalho de referência da discussão internacional sobre o limite superior da normalidade da ALT. PubMed · DOI

  5. Machado-Silva L, Terra C, Campos CF, Lanzoni V, Miguez M, Perazzo H, Gomes MB, Perez RM. The use of simple tests to predict biopsy-proven steatohepatitis in people with type 2 diabetes. European Journal of Gastroenterology & Hepatology, 2025; 37(3): 320-326. Estudo brasileiro (UERJ, UFRJ, Unifesp, Fiocruz e Hospital Central da Aeronáutica, Rio de Janeiro): 85 participantes com diabetes tipo 2 recrutados sem seleção por exames alterados, 83 submetidos a biópsia hepática; prevalência de esteatose de 92%, com 42% de esteato-hepatite; melhor ponto de corte da ALT para prever esteato-hepatite igual a 33,5, com área sob a curva de 0,82. (O resumo publicado imprime a unidade "mg/dl" para a ALT; a atividade da enzima é medida em U/L.) PubMed · DOI

  6. Sociedade Brasileira de Hepatologia (SBH) — sociedade científica brasileira de referência em doenças do fígado, cossignatária da diretriz de 2023 sobre doença hepática esteatótica citada neste guia. sbhepatologia.org.br

  7. Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia (SBEM), Sociedade Brasileira de Hepatologia (SBH) e Associação Brasileira para o Estudo da Obesidade e da Síndrome Metabólica (Abeso) — Moreira RO, Valerio CM, Villela-Nogueira CA, Cercato C, Gerchman F, Lottenberg AMP, Godoy-Matos AF, et al. Brazilian evidence-based guideline for screening, diagnosis, treatment, and follow-up of metabolic dysfunction-associated steatotic liver disease (MASLD) in adult individuals with overweight or obesity: A joint position statement. Archives of Endocrinology and Metabolism, 2023; 67(6): e230123. Posicionamento conjunto com 48 recomendações. Seções consultadas no texto integral: Recomendação 1 (IMC > 23 kg/m² como corte de rastreamento adaptado à população brasileira), Recomendação 2 (ultrassonografia abdominal), Recomendação 5 e discussão (enzimas hepáticas isoladas não recomendadas, classe III, nível B; áreas sob a curva de 0,62 e 0,46 para a ALT; metanálise com 4.094 pacientes, 1.023 com esteato-hepatite, 25% e 19% com ALT normal), Recomendação 6 e Tabela 3 (doenças a excluir diante de transaminases elevadas, classe I), Recomendação 7 (FIB-4 e elastografia). PubMed · DOI 2 3 4 5

  8. Ministério da Saúde (SCTIE/MS) e ConitecProtocolo Clínico e Diretrizes Terapêuticas Hepatite C e Coinfecções, atualizado pela Portaria SCTIE/MS nº 39, de 20 de julho de 2026, publicada no anexo do próprio protocolo, que revogou a Portaria SCTIE/MS nº 84, de 19 de dezembro de 2018. Seções consultadas: Quadro 7 (exames complementares pré-tratamento, incluindo ALT, e a observação de que "não são necessários para prescrição do tratamento na maioria dos casos"); item 10.3.2 e Quadro 8 (fórmulas do APRI, que usa apenas a AST, e do FIB-4, em que a ALT entra sob raiz quadrada no denominador; pontos de corte do FIB-4 de 1,45 e 3,25); item 11.3 (monitoramento mensal de ALT durante o uso de antivirais de ação direta em pessoas com anti-HBc reagente). PDF (gov.br/saude) 2 3 4

  9. Góis FL, Júnior FN, de Oliveira DC, Nunes VS, Filho RPF, Júnior GOS, do Vale AE. Acute liver injury linked to an adulterated weight-loss product: integrated clinical, chemical, and toxicological evidence supporting a highly probable causality as assessed by updated RUCAM (2016). Toxicology Reports, 2026; 16: 102273. Relato de caso da Universidade Federal da Bahia (Salvador): lesão hepatocelular aguda com elevação marcada das aminotransferases após uso de produto para emagrecer comprado pela internet; causalidade altamente provável pelo RUCAM atualizado; identificação, por cromatografia gasosa e espectrometria, de substâncias sintéticas ativas não declaradas em concentrações supraterapêuticas. PubMed · DOI

  10. Lopes GW, Canhada SL, Reis RCPD, Diniz MFHS, Goulart AC, Faria LC, Griep RH, Perazzo H, Duncan BB, Schmidt MI. Comparing diabetes prediction based on metabolic dysfunction-associated steatotic liver disease and nonalcoholic fatty liver disease: the ELSA-Brasil study. Cadernos de Saúde Pública, 2024; 40(11): e00009924. Coorte brasileira de 7.073 servidores públicos de 35 a 74 anos, esteatose definida por ultrassonografia: prevalência de 33,9%; ao longo de 9,4 anos de seguimento, incidência de diabetes tipo 2 78% maior (HR 1,78; IC95% 1,58-2,01). PubMed · DOI

  11. Perazzo H, Benseñor I, Mill JG, Pacheco AG, da Fonseca MJM, Griep RH, Lotufo P, Chor D. Prediction of Liver Steatosis Applying a New Score in Subjects from the Brazilian Longitudinal Study of Adult Health. Journal of Clinical Gastroenterology, 2020; 54(1): e1-e10. Escore Steato-ELSA desenvolvido e validado em 9.857 participantes do ELSA-Brasil; as transaminases figuram entre as variáveis independentemente associadas à esteatose, ao lado de IMC, circunferência abdominal, HOMA-IR e triglicérides; área sob a curva de 0,829 (IC95% 0,810-0,848) para esteatose moderada na coorte de validação. PubMed · DOI

  12. Sociedade Brasileira de Diabetes (SBD) — Godoy-Matos AF, Valério CM, Silva Júnior WS, de Araujo-Neto JM, Bertoluci MC. 2024 UPDATE: the Brazilian Diabetes Society position on the management of metabolic dysfunction-associated steatotic liver disease (MASLD) in people with prediabetes or type 2 diabetes. Diabetology & Metabolic Syndrome, 2024; 16(1): 23. Nove recomendações; rastreamento do risco de fibrose avançada indicado em todos os adultos com pré-diabetes ou diabetes tipo 2. PubMed · DOI

  13. Ministério da Saúde / DATASUSSIGTAP: Sistema de Gerenciamento da Tabela de Procedimentos, Medicamentos e OPM do SUS, competência 08/2026 (arquivo TabelaUnificada_202608, tabela tb_procedimento, 5.023 procedimentos). Código e valor da dosagem de transaminase glutâmico-pirúvica (0202010651, R$ 2,01) e da glutâmico-oxalacética (0202010643, R$ 2,01); códigos de sorologia e de teste rápido para hepatites destinados à população geral. Ausências verificadas por varredura completa dos 5.023 registros: nenhum procedimento denominado "hepatograma" e nenhuma ocorrência da sigla "ALT" nos nomes de procedimento. Página oficial (DATASUS) 2

Aviso médico. Este guia tem finalidade informativa e educativa; não constitui aconselhamento médico e não substitui uma consulta. Os valores de referência variam conforme o laboratório e a técnica: só o seu médico pode interpretar os seus resultados no seu contexto.