Índice

Gama glutamil transferase alta: causas e valores

Gama GT alta quase nunca é só bebida. Veja os valores por sexo usados no Brasil, o que mais eleva a enzima, o preparo da coleta e o preço no SUS.

Publicado em 4 de setembro de 202612 min de leituraEscrito pela Equipe Blood Analysis · Revisado e verificado por Julien Priour

A gama glutamil transferase é a linha do laudo que mais assusta. No papel ela aparece como gama GT, gama-GT ou GGT — e quase sempre com uma ideia colada: "subiu porque você bebe". Essa leitura existe, mas é incompleta a ponto de enganar. Esta página reúne o que as fontes brasileiras dizem: quanto vale um número alto, o que mais o faz subir, como ele se lê ao lado da fosfatase alcalina, e o que o SUS cobre.

Em resumo

  • ⚠️ Gama GT alta não é prova de consumo de álcool. Num rastreamento comunitário, um valor acima do limite superior teve valor preditivo positivo de 47,4%: menos da metade das pessoas com gama GT alta preenchia o critério de uso nocivo de bebida.1
  • O manual de um laboratório público universitário brasileiro é direto: a gama GT pode ser usada na comprovação do uso de álcool, mas "é importante descartar outras causas de sua elevação".2
  • Os valores de referência mudam com o sexo nesse mesmo manual: homens 11,0 a 50,0 U/L, mulheres 7,0 a 32,0 U/L.2
  • ⚠️ Não existe intervalo de referência nacional. A Pesquisa Nacional de Saúde dosou colesterol, hemoglobina glicada e creatinina em 8.952 adultos — a gama GT não estava na lista.3
  • A causa mais comum no Brasil provavelmente não é álcool: numa amostra de atenção primária brasileira, 62,1% dos pacientes tinham doença hepática esteatótica — e nenhum tinha o diagnóstico no prontuário.4
  • A gama GT é um dos quatro ingredientes do Fatty Liver Index, com IMC, circunferência abdominal e triglicérides.5 No ELSA-Brasil, 43,9% tinham índice ≥ 60.6
  • ⚠️ Estatina não é causa provável. A Diretriz Brasileira de Dislipidemias de 2025 registra "pouco ou nenhum efeito sobre a gama glutamil transferase".7
  • Antes da coleta, a SBPC/ML indica abstinência de bebidas alcoólicas por 72 horas.8
  • No SUS, a dosagem custa R$ 3,51 (código 0202010465) — a mais cara do hepatograma.9

O que a gama GT mede

A gama glutamil transferase é uma enzima ligada à membrana das células, muito concentrada no fígado e nas vias biliares. Ela não sinaliza morte de célula hepática — isso é papel das transaminases. Ela sobe quando o fluxo da bile encontra dificuldade e quando o fígado é submetido a estímulos que induzem suas enzimas.

A própria tabela do SUS resume as duas faces em uma frase oficial: a gama GT é "um marcador sensível de colestase hepatobiliar e de uso do álcool", que tende a se elevar em doenças hepáticas e pancreáticas.9 Guarde a palavra sensível: ela sobe com facilidade. É exatamente isso que a torna pouco específica.

As três grafias convivem oficialmente: a SBPC/ML trata GGT como abreviatura consagrada, e o SIGTAP registra "dosagem de gama-glutamil-transferase", com "(gama GT)" entre parênteses.89

"Gama GT alta quer dizer que eu bebo?"

É a pergunta que traz quase todo mundo aqui. A resposta honesta tem duas partes.

Sim, o álcool eleva a gama GT. A SBPC/ML descreve o mecanismo: o uso crônico de etanol provoca elevação da atividade da enzima, e por isso o manual indica abstinência antes da coleta.8 Isso não está em discussão.

Não, um valor alto não prova consumo. Aqui entram os números. Num rastreamento comunitário de 1.755 moradores, a gama GT acima do limite superior da normalidade, tendo o questionário AUDIT como referência de uso nocivo de bebida, teve sensibilidade de 62,5%, especificidade de 75,5%, valor preditivo positivo de 47,4% e valor preditivo negativo de 85,0%.1

Traduzindo: naquele grupo, menos da metade das pessoas com gama GT alta preenchia o critério de uso nocivo. E o estudo foi feito em comunidades de consumo muito alto — prevalência de 7,4% a 44% conforme a localidade. Quanto menos frequente for o consumo nocivo na população, pior fica o valor preditivo positivo: o mesmo resultado alto passa a apontar, ainda mais vezes, para outra coisa.

O laboratório público da Faculdade de Ciências Farmacêuticas de Ribeirão Preto (USP) escreve a mesma cautela em uma linha: a gama GT "eventualmente" pode ser usada na comprovação do uso de álcool, "porém, é importante descartar outras causas de sua elevação".2

Há ainda um detalhe pouco conhecido. Quando o Fatty Liver Index foi criado, a ingestão de etanol era uma das treze variáveis candidatas. Ela não entrou. Os quatro escolhidos foram IMC, circunferência abdominal, triglicérides e gama GT, com acurácia de 0,84.5 A gama GT ficou; o álcool, não.

Esta página informa, não julga. Se o consumo de bebida é uma preocupação sua, isso se conversa com um médico — não se decide por uma linha de laudo.

O que mais eleva a gama GT

Esteatose hepática (fígado gorduroso). É provavelmente a primeira causa no Brasil, pelo peso numérico. Num estudo de atenção primária brasileira, entre 350 pacientes sorteados, 62,1% tinham doença hepática esteatótica; 39,4% tinham Fatty Liver Index ≥ 60, com IMC, circunferência abdominal, glicemia, triglicérides e gama GT mais altos. E o achado mais duro: nenhum dos 12.054 prontuários revisados trazia esse diagnóstico.4 No ELSA-Brasil, 43,9% dos 8.569 participantes da terceira onda tinham índice ≥ 60.6

Obesidade, diabetes e síndrome metabólica, que caminham com a esteatose e entram nos mesmos escores.

Doença das vias biliares. Cálculo, obstrução, colestase de qualquer origem — a indicação clássica, registrada no SIGTAP e no manual da USP, que cita a colestase intra ou extra-hepática.92

Medicamentos indutores enzimáticos. O exemplo mais documentado é a carbamazepina: num estudo com pacientes de epilepsia e gama GT alta, a troca por lacosamida derrubou a mediana de 141,5 para 63,5 UI/L em um mês.10

Hepatopatias e neoplasias. O manual da USP cita doenças hepáticas agudas e crônicas e neoplasias primárias ou metastáticas.2

⚠️ Uma causa que provavelmente não é a sua: estatina. A Diretriz Brasileira de Dislipidemias e Prevenção da Aterosclerose de 2025, da Sociedade Brasileira de Cardiologia, é explícita: uma pequena porcentagem de pacientes tem aumento de enzimas hepáticas, "particularmente ALT e AST, com pouco ou nenhum efeito sobre a gama glutamil transferase, a fosfatase alcalina ou as bilirrubinas".7 Se você toma estatina e a gama GT subiu, a explicação está provavelmente em outro lugar.

Valores de referência no Brasil

Comece pelo que não existe: o Brasil não tem intervalo de referência nacional para a gama GT. A subamostra laboratorial da Pesquisa Nacional de Saúde colheu sangue de 8.952 adultos e mediu hemoglobina glicada, colesterol total e frações, sorologia para dengue, hemograma, HPLC para hemoglobinopatias e creatinina. A gama GT não foi dosada.3

O que existe são as faixas de cada laboratório. A do Serviço de Análises Clínicas da Faculdade de Ciências Farmacêuticas de Ribeirão Preto (USP), publicada no portal da prefeitura, separa por sexo:

ItemGama-GT2Fosfatase alcalina (comparação)2
Valor de referênciaHomens 11,0–50,0 U/L · Mulheres 7,0–32,0 U/L65,0–300,0 U/L (sem separação por sexo)
Jejummínimo de 8 horas, todas as idades8 horas acima de 6 anos
Amostra1 mL de soro ou plasma1 mL de soro ou plasma
Conservação2–8 °C por 7 dias; −20 °C por 30 dias2–8 °C por 3 dias
Métodocinético colorimétricocinético otimizado

Duas leituras. Primeira: o teto masculino é mais de 50% maior que o feminino — comparar o seu número com a faixa do sexo errado produz susto ou falsa tranquilidade. Segunda: a faixa do seu laudo pode ser outra, porque depende do método e do equipamento. Leia sempre o intervalo impresso ao lado do seu resultado, não uma tabela da internet — esta inclusive.

Gama GT e fosfatase alcalina: fígado ou osso?

Essa é a função em que a gama GT é mais útil e menos discutida. A fosfatase alcalina não é uma enzima só: é uma família de isoenzimas que vem principalmente do fígado e do osso.2 Diante de uma fosfatase alta, a pergunta é sempre "de onde veio?".

A gama GT responde, porque é praticamente hepatobiliar. As duas altas juntas apontam para fígado e vias biliares; fosfatase alta com gama GT normal desloca a suspeita para o esqueleto. Uma revisão de 2026 diz o mesmo em termos técnicos: a gama GT como adjunto aumenta a especificidade para a origem hepática de uma fosfatase elevada.11 No Brasil a régua tem um motivo prático adicional — o SUS não paga o fracionamento em isoenzimas da fosfatase alcalina. Veja fosfatase alcalina.

Existe um exame melhor para álcool? A CDT no Brasil

Sim, existe um marcador mais específico: a CDT (transferrina deficiente em carboidrato). No mesmo rastreamento citado acima, a CDT aplicada depois de uma gama GT alta teve valor preditivo positivo de 89,5% — quase o dobro do da gama GT isolada — mas valor preditivo negativo de apenas 43,9%.1 Ou seja: as duas se completam, uma para levantar a suspeita, outra para confirmá-la.

E no Brasil? Aqui vale a demonstração por enumeração, feita diretamente nas tabelas oficiais.

  • Na tabela de procedimentos do SUS (SIGTAP, agosto de 2026), as 5.023 linhas trazem exatamente duas com a palavra "transferrina": a dosagem de transferrina (0202010660, R$ 4,12) e a focalização isoelétrica da transferrina (0202100057). Esta última não é a CDT: a descrição oficial diz que se destina aos "defeitos congênitos da glicosilação tipo I".9 A CDT não tem código no SIGTAP — o SUS não a oferece.
  • Na TUSS, terminologia da saúde suplementar distribuída junto com o SIGTAP, a CDT existe: código 40321037, "Deficiente de carboidrato, transferrina". A gama GT é o 40301990.9
  • No Código de Trânsito Brasileiro, o exame toxicológico obrigatório (art. 148-A) exige janela mínima de 90 dias e delega ao Contran a definição das substâncias. O texto compilado da lei não contém nenhuma ocorrência de "gama", "glutamil", "transferrina" ou "carboidrato".12

Ou seja: no Brasil a CDT é exame da rede privada, e nenhuma norma do CTB a torna obrigatória.

Gama GT e risco cardiovascular

A gama GT aparece com frequência em coortes como marcador de risco cardiovascular. Uma metanálise de 2026 com 36 estudos encontrou associação positiva significativa em 89,3% dos trabalhos sobre gama GT, com razão de risco combinada de 1,28 (IC 95% 1,21–1,36) para eventos cardiovasculares não fatais — acima da consistência observada para ALT e AST.13

⚠️ Duas ressalvas honestas. Primeira: associação não é causa. A gama GT sobe junto com obesidade, esteatose, diabetes e consumo de álcool, que são eles próprios fatores de risco — separar os efeitos é difícil. Segunda: não existe coorte brasileira publicada sobre isso. A busca no PubMed cruzando ELSA-Brasil, Bambuí e Pró-Saúde com gama GT e desfechos cardiovasculares ou mortalidade devolve um único artigo, e ele trata de glicação na esteatose, não de risco cardiovascular. A gama GT não é usada para calcular risco cardiovascular no Brasil — para isso valem o lipidograma e a glicemia.

Como se preparar para a coleta

  • Álcool: 72 horas. Orientação da SBPC/ML, escrita justamente por causa da gama GT. Em outro capítulo o mesmo manual fala em "48 a 72 horas" para boa parte dos testes bioquímicos — as duas formulações convivem no documento; adote a mais longa.8
  • Jejum: depende do laboratório. A SBPC/ML não fixa um tempo para a gama GT; o manual da USP pede 8 horas para todas as idades.28 Como ela quase nunca vem sozinha, siga o exame mais exigente do pedido.
  • Durante o jejum, a SBPC/ML permite água e medicamentos de uso contínuo, e recomenda evitar mais de 12 horas.8
  • Biópsia hepática: o manual da USP pede que não tenha havido biópsia nos últimos 5 dias.2
  • Interferentes: hemólise a partir de 200 mg/dL de hemoglobina, lipemia a partir de 1.500 mg/dL de triglicérides, icterícia a partir de 20 mg/dL de bilirrubinas.8

Quanto custa

Pelo SUS o exame é gratuito para você. O que o Ministério da Saúde repassa ao serviço está no SIGTAP: a dosagem de gama-glutamil-transferase (gama GT), código 0202010465, vale R$ 3,51 na competência de agosto de 2026 — a mais cara das cinco linhas do hepatograma, já que TGO, TGP, fosfatase alcalina e bilirrubinas custam R$ 2,01 cada.9 Para comparar com a rede privada, veja quanto custa um exame de sangue.

Perguntas frequentes

Gama GT alta significa cirrose? Não. A enzima é sensível e sobe em situações banais e reversíveis, como esteatose e uso de certos medicamentos. Cirrose é diagnóstico clínico e de imagem, não de uma linha de laudo.

Quanto tempo depois de parar de beber ela normaliza? Não há fonte brasileira com prazo. O que existe é a regra de 72 horas de abstinência antes da coleta.8 Como ordem de grandeza da lentidão: retirada uma causa medicamentosa, a queda observada levou cerca de um mês.10

Ela sozinha serve para rastrear doença do fígado? Não. Lê-se em conjunto — veja o hepatograma.

Meu resultado está pouco acima do teto. É grave? Um valor discretamente alto, isolado, num laudo sem outras alterações, é comum. Conta o conjunto e a repetição ao longo do tempo, com o seu médico.

Quanto de bebida já é considerado significativo? O consenso da Sociedade Brasileira de Hepatologia usa, para excluir a origem alcoólica de uma esteatose, mais de 140 g de álcool por semana nos homens (cerca de 21 doses) e 70 g por semana nas mulheres (cerca de 14 doses).14

A gama GT muda com o sexo? Sim. No manual da USP o teto é 50,0 U/L nos homens e 32,0 U/L nas mulheres.2

O essencial

A gama glutamil transferase é uma enzima sensível e pouco específica. Ela avisa que algo mexeu com o fígado ou com as vias biliares — e o álcool é apenas um dos motivos possíveis, num país onde a esteatose atinge boa parte dos adultos e quase nunca está escrita no prontuário. Um número alto é um convite a investigar, não um veredito sobre o seu comportamento. Leia-o com o intervalo do seu próprio laudo, ao lado da fosfatase alcalina, das transaminases e do seu histórico — o que a AI DiagMe ajuda a organizar, em complemento ao seu médico. Para os termos técnicos, veja o glossário de exames de sangue; para converter unidades, o conversor de unidades.

Fontes

Fontes institucionais brasileiras e publicações científicas (PubMed) usadas neste guia:

Footnotes

  1. Wang JH, Tien HM, Lien HC, Chou PL, Chen YL, Hsu NT, Lu SN. Usefulness of Gamma-Glutamyl Transferase and Sequential Carbohydrate-Deficient Transferrin for Unhealthy Alcohol Use Screening in Indigenous Communities. Kaohsiung J Med Sci. 2026;42(4):e70119. Fonte internacional, usada por falta de equivalente brasileiro. 1.755 moradores com GGT, AST, ALT e AUDIT; prevalência de uso nocivo de álcool de 7,4% a 44% conforme a comunidade. GGT acima do limite superior da normalidade: sensibilidade 62,5%, especificidade 75,5%, acurácia 72,1%, VPP 47,4%, VPN 85,0% (AUROC 0,767). %CDT sequencial com corte de 1,72: sensibilidade 59,6%, especificidade 81,8%, VPP 89,5%, VPN 43,9%. DOI: 10.1002/kjm2.70119 · PubMed 41090975 2 3

  2. Serviço de Análises Clínicas, Faculdade de Ciências Farmacêuticas de Ribeirão Preto, Universidade de São Paulo (USP)Manual de Exames, 55 páginas, publicado no portal da Prefeitura Municipal de Ribeirão Preto. Verbete "Gama-GT (Gama Glutamil Transferase)": jejum mínimo de 8 horas para todas as idades, sem biópsia hepática nos últimos 5 dias, 1 mL de soro ou plasma, conservação 2–8 °C por 7 dias e −20 °C por 30 dias, método cinético colorimétrico, valores de referência homens 11,0–50,0 U/L e mulheres 7,0–32,0 U/L, elevação na colestase intra ou extra-hepática, na doença hepática alcoólica e em neoplasias primárias ou metastáticas, e a ressalva de "descartar outras causas de sua elevação". Verbete "Fosfatase alcalina": 65,0–300,0 U/L, família de isoenzimas de origem principalmente hepática e óssea. PDF 2 3 4 5 6 7 8 9 10 11

  3. Szwarcwald CL, Malta DC, Souza Júnior PRB, et al. Exames laboratoriais da Pesquisa Nacional de Saúde: metodologia de amostragem, coleta e análise dos dados. Rev Bras Epidemiol. 2019;22(Supl. 2):E190004.SUPL.2. Coleta de material biológico em 8.952 indivíduos; enumeração dos exames de sangue realizados: hemoglobina glicada, colesterol total, LDL, HDL, sorologia para dengue (IgG), eritrograma, leucograma, HPLC para hemoglobinopatias e creatinina — a gama glutamil transferase não foi dosada. DOI: 10.1590/1980-549720190004.supl.2 · texto integral (SciELO) 2

  4. Álvares-da-Silva MR, Vargas MDS, Rabie SMS, et al. FLI and FIB-4 in diagnosing metabolic dysfunction-associated steatotic liver disease in primary care: High prevalence and risk of significant disease. Ann Hepatol. 2025;30(1):101584. Estudo brasileiro em atenção primária (UFRGS / Hospital de Clínicas de Porto Alegre): 12.054 prontuários revisados e 350 pacientes sorteados; prevalência de MASLD de 62,1% (FLI ≥ 30 com critérios cardiometabólicos), FLI ≥ 60 em 39,4% com IMC, circunferência abdominal, glicemia, triglicérides, AST, ALT e GGT mais altos; nenhum paciente tinha MASLD como hipótese diagnóstica. DOI: 10.1016/j.aohep.2024.101584 · PubMed 39395769 2

  5. Bedogni G, Bellentani S, Miglioli L, Masutti F, Passalacqua M, Castiglione A, Tiribelli C. The Fatty Liver Index: a simple and accurate predictor of hepatic steatosis in the general population. BMC Gastroenterol. 2006;6:33. Fonte internacional (estudo Dionysos), usada por ser o artigo de origem do escore. Treze variáveis candidatas, incluindo a ingestão de etanol, submetidas a regressão logística; o algoritmo final ficou com IMC, circunferência abdominal, triglicérides e GGT, acurácia de 0,84 (IC 95% 0,81–0,87); FLI < 30 afasta e FLI ≥ 60 aponta esteatose. DOI: 10.1186/1471-230X-6-33 · PubMed 17081293 2

  6. de Paula D, Feter N, Dos Reis RCP, Griep RH, Duncan BB, Schmidt MI. Associations of activity, sedentary and sleep behaviors with prevalent steatotic liver disease in middle-aged and older adults: the ELSA-Brasil study. J Act Sedentary Sleep Behav. 2024;3:16. Terceira onda do ELSA-Brasil (2017–2019), 8.569 participantes; 43,9% com Fatty Liver Index ≥ 60, escore composto por IMC, circunferência abdominal, GGT e triglicérides. DOI: 10.1186/s44167-024-00055-7 · PubMed 40217540 2

  7. Rached FH, Miname MH, Rocha VZ, et al. — Sociedade Brasileira de Cardiologia (SBC). Diretriz Brasileira de Dislipidemias e Prevenção da Aterosclerose – 2025. Arq Bras Cardiol. Trecho sobre segurança hepática das estatinas: aumento de enzimas hepáticas "particularmente ALT e AST, com pouco ou nenhum efeito sobre a gama glutamil transferase, a fosfatase alcalina ou as bilirrubinas"; elevações geralmente nos primeiros 6 meses, assintomáticas e reversíveis. DOI: 10.36660/abc.20250640 · texto integral 2

  8. Sociedade Brasileira de Patologia Clínica / Medicina Laboratorial (SBPC/ML)Recomendações da SBPC/ML: boas práticas em laboratório clínico. Capítulo de variáveis pré-analíticas: "o uso crônico [de etanol] provoca elevação da atividade da gama glutamiltransferase, entre outras alterações. Por essa razão, está indicada a abstinência do uso de bebidas alcoólicas por um período de 72 horas antes da coleta de sangue"; jejum com água e medicamentos de uso contínuo permitidos, evitando períodos acima de 12 horas. Capítulo de pedido laboratorial: 48 a 72 horas sem bebidas alcoólicas para boa parte dos testes bioquímicos; GGT e FA como abreviaturas consagradas. Tabela 1 de interferentes: GGT afetada por hemólise ≥ 200 mg/dL de hemoglobina, lipemia ≥ 1.500 mg/dL de triglicérides e icterícia ≥ 20 mg/dL de bilirrubinas. PDF 2 3 4 5 6 7 8

  9. Brasil. Ministério da Saúde / DATASUSSistema de Gerenciamento da Tabela de Procedimentos, Medicamentos e OPM do SUS (SIGTAP), competência 202608. Arquivo tb_procedimento: procedimento 0202010465 "DOSAGEM DE GAMA-GLUTAMIL-TRANSFERASE (GAMA GT)", valor ambulatorial R$ 3,51, complexidade média, sexo indiferente; TGO (0202010643), TGP (0202010651), fosfatase alcalina (0202010422) e bilirrubina total e frações (0202010201) a R$ 2,01 cada. Arquivo tb_descricao: descrição oficial da gama GT ("marcador sensível de colestase hepatobiliar e de uso do álcool") e da focalização isoelétrica da transferrina ("detecção de todos os subtipos de defeitos congênitos da glicosilação tipo I"). Demonstração por enumeração: nas 5.023 linhas da tabela, as únicas duas ocorrências de "transferrina" são 0202010660 (dosagem, R$ 4,12) e 0202100057 (focalização isoelétrica) — não existe CDT no SUS. Arquivo tb_tuss distribuído no mesmo pacote: 40301990 (gama-glutamil transferase), 40321037 ("Deficiente de carboidrato, transferrina"), 40312151 (provas de função hepática) e 40502244 (defeitos congênitos da glicosilação). datasus.saude.gov.br 2 3 4 5 6 7

  10. Kubota Y, Prado M Jr. Switching carbamazepine to lacosamide improves gamma-glutamyl transpeptidase levels. Epilepsia Open. 2024;9(5):1956-61. Fonte internacional. 1.526 pacientes triados, 12 incluídos com epilepsia focal controlada e GGT elevada sob carbamazepina; após a troca por lacosamida, a GGT caiu de mediana 141,5 para 63,5 UI/L em um mês, e a proporção de valores anormais passou de 100% para 66,7%. DOI: 10.1002/epi4.13018 · PubMed 39141546 2

  11. Sikaris KA, Rankin K. Interpreting alkaline phosphatase in clinical practice: integrating analytical advances and physiological context. Pathology. 2026;58(2):172-80. Fonte internacional. Revisão sobre a interpretação da fosfatase alcalina: o método IFCC devolve resultados cerca de 10% mais altos que os ensaios anteriores, e "o uso da gama-glutamil transferase como adjunto diagnóstico aumenta a especificidade para as origens hepáticas de uma elevação da fosfatase alcalina". DOI: 10.1016/j.pathol.2025.11.005 · PubMed 41565488

  12. Brasil. Lei nº 9.503, de 23 de setembro de 1997 — Código de Trânsito Brasileiro, texto compilado. Art. 148-A: exame toxicológico obrigatório para as categorias C, D e E, com janela de detecção mínima de 90 dias, "nos termos das normas do Contran"; § 10 estende a exigência à primeira habilitação nas categorias A e B (Lei nº 15.153/2025). Demonstração por enumeração no texto compilado: nenhuma ocorrência das palavras "gama", "glutamil", "transferrina" ou "carboidrato". planalto.gov.br

  13. Gao Y, Qing C, Liu W. The relationship between liver enzymes in the blood test and non-fatal cardiovascular disease events: a systematic review and meta-analysis. Rev Invest Clin. 2026;78(2):100036. Fonte internacional, usada por falta de coorte brasileira sobre o tema. 36 artigos; associação positiva significativa entre GGT e eventos cardiovasculares não fatais em 89,3% dos estudos (contra 50,0% para ALT e 66,7% para AST); razão de risco combinada da GGT 1,28 (IC 95% 1,21–1,36). DOI: 10.1016/j.ric.2026.100036 · PubMed 41759253

  14. Cotrim HP, Parise ER, Figueiredo-Mendes C, Galizzi-Filho J, Porta G, Oliveira CP — Sociedade Brasileira de Hepatologia (SBH), Grupo Brasileiro de Estudos do NAFLD. Nonalcoholic fatty liver disease Brazilian Society of Hepatology consensus. Arq Gastroenterol. 2016;53(2):118-22. Critério de exclusão por consumo significativo de álcool: mais de 140 g/semana nos homens (± 21 doses) e 70 g/semana nas mulheres (± 14 doses). Verificação feita no texto integral: o documento não menciona a gama GT em nenhum ponto. DOI: 10.1590/S0004-28032016000200013 · texto integral (SciELO)

Aviso médico. Este guia tem finalidade informativa e educativa; não constitui aconselhamento médico e não substitui uma consulta. Os valores de referência variam conforme o laboratório e a técnica: só o seu médico pode interpretar os seus resultados no seu contexto.