Gama glutamil transferase alta: causas e valores
Gama GT alta quase nunca é só bebida. Veja os valores por sexo usados no Brasil, o que mais eleva a enzima, o preparo da coleta e o preço no SUS.
A gama glutamil transferase é a linha do laudo que mais assusta. No papel ela aparece como gama GT, gama-GT ou GGT — e quase sempre com uma ideia colada: "subiu porque você bebe". Essa leitura existe, mas é incompleta a ponto de enganar. Esta página reúne o que as fontes brasileiras dizem: quanto vale um número alto, o que mais o faz subir, como ele se lê ao lado da fosfatase alcalina, e o que o SUS cobre.
Em resumo
- ⚠️ Gama GT alta não é prova de consumo de álcool. Num rastreamento comunitário, um valor acima do limite superior teve valor preditivo positivo de 47,4%: menos da metade das pessoas com gama GT alta preenchia o critério de uso nocivo de bebida.1
- O manual de um laboratório público universitário brasileiro é direto: a gama GT pode ser usada na comprovação do uso de álcool, mas "é importante descartar outras causas de sua elevação".2
- Os valores de referência mudam com o sexo nesse mesmo manual: homens 11,0 a 50,0 U/L, mulheres 7,0 a 32,0 U/L.2
- ⚠️ Não existe intervalo de referência nacional. A Pesquisa Nacional de Saúde dosou colesterol, hemoglobina glicada e creatinina em 8.952 adultos — a gama GT não estava na lista.3
- A causa mais comum no Brasil provavelmente não é álcool: numa amostra de atenção primária brasileira, 62,1% dos pacientes tinham doença hepática esteatótica — e nenhum tinha o diagnóstico no prontuário.4
- A gama GT é um dos quatro ingredientes do Fatty Liver Index, com IMC, circunferência abdominal e triglicérides.5 No ELSA-Brasil, 43,9% tinham índice ≥ 60.6
- ⚠️ Estatina não é causa provável. A Diretriz Brasileira de Dislipidemias de 2025 registra "pouco ou nenhum efeito sobre a gama glutamil transferase".7
- Antes da coleta, a SBPC/ML indica abstinência de bebidas alcoólicas por 72 horas.8
- No SUS, a dosagem custa R$ 3,51 (código 0202010465) — a mais cara do hepatograma.9
O que a gama GT mede
A gama glutamil transferase é uma enzima ligada à membrana das células, muito concentrada no fígado e nas vias biliares. Ela não sinaliza morte de célula hepática — isso é papel das transaminases. Ela sobe quando o fluxo da bile encontra dificuldade e quando o fígado é submetido a estímulos que induzem suas enzimas.
A própria tabela do SUS resume as duas faces em uma frase oficial: a gama GT é "um marcador sensível de colestase hepatobiliar e de uso do álcool", que tende a se elevar em doenças hepáticas e pancreáticas.9 Guarde a palavra sensível: ela sobe com facilidade. É exatamente isso que a torna pouco específica.
As três grafias convivem oficialmente: a SBPC/ML trata GGT como abreviatura consagrada, e o SIGTAP registra "dosagem de gama-glutamil-transferase", com "(gama GT)" entre parênteses.89
"Gama GT alta quer dizer que eu bebo?"
É a pergunta que traz quase todo mundo aqui. A resposta honesta tem duas partes.
Sim, o álcool eleva a gama GT. A SBPC/ML descreve o mecanismo: o uso crônico de etanol provoca elevação da atividade da enzima, e por isso o manual indica abstinência antes da coleta.8 Isso não está em discussão.
Não, um valor alto não prova consumo. Aqui entram os números. Num rastreamento comunitário de 1.755 moradores, a gama GT acima do limite superior da normalidade, tendo o questionário AUDIT como referência de uso nocivo de bebida, teve sensibilidade de 62,5%, especificidade de 75,5%, valor preditivo positivo de 47,4% e valor preditivo negativo de 85,0%.1
Traduzindo: naquele grupo, menos da metade das pessoas com gama GT alta preenchia o critério de uso nocivo. E o estudo foi feito em comunidades de consumo muito alto — prevalência de 7,4% a 44% conforme a localidade. Quanto menos frequente for o consumo nocivo na população, pior fica o valor preditivo positivo: o mesmo resultado alto passa a apontar, ainda mais vezes, para outra coisa.
O laboratório público da Faculdade de Ciências Farmacêuticas de Ribeirão Preto (USP) escreve a mesma cautela em uma linha: a gama GT "eventualmente" pode ser usada na comprovação do uso de álcool, "porém, é importante descartar outras causas de sua elevação".2
Há ainda um detalhe pouco conhecido. Quando o Fatty Liver Index foi criado, a ingestão de etanol era uma das treze variáveis candidatas. Ela não entrou. Os quatro escolhidos foram IMC, circunferência abdominal, triglicérides e gama GT, com acurácia de 0,84.5 A gama GT ficou; o álcool, não.
Esta página informa, não julga. Se o consumo de bebida é uma preocupação sua, isso se conversa com um médico — não se decide por uma linha de laudo.
O que mais eleva a gama GT
Esteatose hepática (fígado gorduroso). É provavelmente a primeira causa no Brasil, pelo peso numérico. Num estudo de atenção primária brasileira, entre 350 pacientes sorteados, 62,1% tinham doença hepática esteatótica; 39,4% tinham Fatty Liver Index ≥ 60, com IMC, circunferência abdominal, glicemia, triglicérides e gama GT mais altos. E o achado mais duro: nenhum dos 12.054 prontuários revisados trazia esse diagnóstico.4 No ELSA-Brasil, 43,9% dos 8.569 participantes da terceira onda tinham índice ≥ 60.6
Obesidade, diabetes e síndrome metabólica, que caminham com a esteatose e entram nos mesmos escores.
Doença das vias biliares. Cálculo, obstrução, colestase de qualquer origem — a indicação clássica, registrada no SIGTAP e no manual da USP, que cita a colestase intra ou extra-hepática.92
Medicamentos indutores enzimáticos. O exemplo mais documentado é a carbamazepina: num estudo com pacientes de epilepsia e gama GT alta, a troca por lacosamida derrubou a mediana de 141,5 para 63,5 UI/L em um mês.10
Hepatopatias e neoplasias. O manual da USP cita doenças hepáticas agudas e crônicas e neoplasias primárias ou metastáticas.2
⚠️ Uma causa que provavelmente não é a sua: estatina. A Diretriz Brasileira de Dislipidemias e Prevenção da Aterosclerose de 2025, da Sociedade Brasileira de Cardiologia, é explícita: uma pequena porcentagem de pacientes tem aumento de enzimas hepáticas, "particularmente ALT e AST, com pouco ou nenhum efeito sobre a gama glutamil transferase, a fosfatase alcalina ou as bilirrubinas".7 Se você toma estatina e a gama GT subiu, a explicação está provavelmente em outro lugar.
Valores de referência no Brasil
Comece pelo que não existe: o Brasil não tem intervalo de referência nacional para a gama GT. A subamostra laboratorial da Pesquisa Nacional de Saúde colheu sangue de 8.952 adultos e mediu hemoglobina glicada, colesterol total e frações, sorologia para dengue, hemograma, HPLC para hemoglobinopatias e creatinina. A gama GT não foi dosada.3
O que existe são as faixas de cada laboratório. A do Serviço de Análises Clínicas da Faculdade de Ciências Farmacêuticas de Ribeirão Preto (USP), publicada no portal da prefeitura, separa por sexo:
| Item | Gama-GT2 | Fosfatase alcalina (comparação)2 |
|---|---|---|
| Valor de referência | Homens 11,0–50,0 U/L · Mulheres 7,0–32,0 U/L | 65,0–300,0 U/L (sem separação por sexo) |
| Jejum | mínimo de 8 horas, todas as idades | 8 horas acima de 6 anos |
| Amostra | 1 mL de soro ou plasma | 1 mL de soro ou plasma |
| Conservação | 2–8 °C por 7 dias; −20 °C por 30 dias | 2–8 °C por 3 dias |
| Método | cinético colorimétrico | cinético otimizado |
Duas leituras. Primeira: o teto masculino é mais de 50% maior que o feminino — comparar o seu número com a faixa do sexo errado produz susto ou falsa tranquilidade. Segunda: a faixa do seu laudo pode ser outra, porque depende do método e do equipamento. Leia sempre o intervalo impresso ao lado do seu resultado, não uma tabela da internet — esta inclusive.
Gama GT e fosfatase alcalina: fígado ou osso?
Essa é a função em que a gama GT é mais útil e menos discutida. A fosfatase alcalina não é uma enzima só: é uma família de isoenzimas que vem principalmente do fígado e do osso.2 Diante de uma fosfatase alta, a pergunta é sempre "de onde veio?".
A gama GT responde, porque é praticamente hepatobiliar. As duas altas juntas apontam para fígado e vias biliares; fosfatase alta com gama GT normal desloca a suspeita para o esqueleto. Uma revisão de 2026 diz o mesmo em termos técnicos: a gama GT como adjunto aumenta a especificidade para a origem hepática de uma fosfatase elevada.11 No Brasil a régua tem um motivo prático adicional — o SUS não paga o fracionamento em isoenzimas da fosfatase alcalina. Veja fosfatase alcalina.
Existe um exame melhor para álcool? A CDT no Brasil
Sim, existe um marcador mais específico: a CDT (transferrina deficiente em carboidrato). No mesmo rastreamento citado acima, a CDT aplicada depois de uma gama GT alta teve valor preditivo positivo de 89,5% — quase o dobro do da gama GT isolada — mas valor preditivo negativo de apenas 43,9%.1 Ou seja: as duas se completam, uma para levantar a suspeita, outra para confirmá-la.
E no Brasil? Aqui vale a demonstração por enumeração, feita diretamente nas tabelas oficiais.
- Na tabela de procedimentos do SUS (SIGTAP, agosto de 2026), as 5.023 linhas trazem exatamente duas com a palavra "transferrina": a dosagem de transferrina (0202010660, R$ 4,12) e a focalização isoelétrica da transferrina (0202100057). Esta última não é a CDT: a descrição oficial diz que se destina aos "defeitos congênitos da glicosilação tipo I".9 A CDT não tem código no SIGTAP — o SUS não a oferece.
- Na TUSS, terminologia da saúde suplementar distribuída junto com o SIGTAP, a CDT existe: código 40321037, "Deficiente de carboidrato, transferrina". A gama GT é o 40301990.9
- No Código de Trânsito Brasileiro, o exame toxicológico obrigatório (art. 148-A) exige janela mínima de 90 dias e delega ao Contran a definição das substâncias. O texto compilado da lei não contém nenhuma ocorrência de "gama", "glutamil", "transferrina" ou "carboidrato".12
Ou seja: no Brasil a CDT é exame da rede privada, e nenhuma norma do CTB a torna obrigatória.
Gama GT e risco cardiovascular
A gama GT aparece com frequência em coortes como marcador de risco cardiovascular. Uma metanálise de 2026 com 36 estudos encontrou associação positiva significativa em 89,3% dos trabalhos sobre gama GT, com razão de risco combinada de 1,28 (IC 95% 1,21–1,36) para eventos cardiovasculares não fatais — acima da consistência observada para ALT e AST.13
⚠️ Duas ressalvas honestas. Primeira: associação não é causa. A gama GT sobe junto com obesidade, esteatose, diabetes e consumo de álcool, que são eles próprios fatores de risco — separar os efeitos é difícil. Segunda: não existe coorte brasileira publicada sobre isso. A busca no PubMed cruzando ELSA-Brasil, Bambuí e Pró-Saúde com gama GT e desfechos cardiovasculares ou mortalidade devolve um único artigo, e ele trata de glicação na esteatose, não de risco cardiovascular. A gama GT não é usada para calcular risco cardiovascular no Brasil — para isso valem o lipidograma e a glicemia.
Como se preparar para a coleta
- Álcool: 72 horas. Orientação da SBPC/ML, escrita justamente por causa da gama GT. Em outro capítulo o mesmo manual fala em "48 a 72 horas" para boa parte dos testes bioquímicos — as duas formulações convivem no documento; adote a mais longa.8
- Jejum: depende do laboratório. A SBPC/ML não fixa um tempo para a gama GT; o manual da USP pede 8 horas para todas as idades.28 Como ela quase nunca vem sozinha, siga o exame mais exigente do pedido.
- Durante o jejum, a SBPC/ML permite água e medicamentos de uso contínuo, e recomenda evitar mais de 12 horas.8
- Biópsia hepática: o manual da USP pede que não tenha havido biópsia nos últimos 5 dias.2
- Interferentes: hemólise a partir de 200 mg/dL de hemoglobina, lipemia a partir de 1.500 mg/dL de triglicérides, icterícia a partir de 20 mg/dL de bilirrubinas.8
Quanto custa
Pelo SUS o exame é gratuito para você. O que o Ministério da Saúde repassa ao serviço está no SIGTAP: a dosagem de gama-glutamil-transferase (gama GT), código 0202010465, vale R$ 3,51 na competência de agosto de 2026 — a mais cara das cinco linhas do hepatograma, já que TGO, TGP, fosfatase alcalina e bilirrubinas custam R$ 2,01 cada.9 Para comparar com a rede privada, veja quanto custa um exame de sangue.
Perguntas frequentes
Gama GT alta significa cirrose? Não. A enzima é sensível e sobe em situações banais e reversíveis, como esteatose e uso de certos medicamentos. Cirrose é diagnóstico clínico e de imagem, não de uma linha de laudo.
Quanto tempo depois de parar de beber ela normaliza? Não há fonte brasileira com prazo. O que existe é a regra de 72 horas de abstinência antes da coleta.8 Como ordem de grandeza da lentidão: retirada uma causa medicamentosa, a queda observada levou cerca de um mês.10
Ela sozinha serve para rastrear doença do fígado? Não. Lê-se em conjunto — veja o hepatograma.
Meu resultado está pouco acima do teto. É grave? Um valor discretamente alto, isolado, num laudo sem outras alterações, é comum. Conta o conjunto e a repetição ao longo do tempo, com o seu médico.
Quanto de bebida já é considerado significativo? O consenso da Sociedade Brasileira de Hepatologia usa, para excluir a origem alcoólica de uma esteatose, mais de 140 g de álcool por semana nos homens (cerca de 21 doses) e 70 g por semana nas mulheres (cerca de 14 doses).14
A gama GT muda com o sexo? Sim. No manual da USP o teto é 50,0 U/L nos homens e 32,0 U/L nas mulheres.2
O essencial
A gama glutamil transferase é uma enzima sensível e pouco específica. Ela avisa que algo mexeu com o fígado ou com as vias biliares — e o álcool é apenas um dos motivos possíveis, num país onde a esteatose atinge boa parte dos adultos e quase nunca está escrita no prontuário. Um número alto é um convite a investigar, não um veredito sobre o seu comportamento. Leia-o com o intervalo do seu próprio laudo, ao lado da fosfatase alcalina, das transaminases e do seu histórico — o que a AI DiagMe ajuda a organizar, em complemento ao seu médico. Para os termos técnicos, veja o glossário de exames de sangue; para converter unidades, o conversor de unidades.
Fontes
Fontes institucionais brasileiras e publicações científicas (PubMed) usadas neste guia:
Footnotes
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Wang JH, Tien HM, Lien HC, Chou PL, Chen YL, Hsu NT, Lu SN. Usefulness of Gamma-Glutamyl Transferase and Sequential Carbohydrate-Deficient Transferrin for Unhealthy Alcohol Use Screening in Indigenous Communities. Kaohsiung J Med Sci. 2026;42(4):e70119. Fonte internacional, usada por falta de equivalente brasileiro. 1.755 moradores com GGT, AST, ALT e AUDIT; prevalência de uso nocivo de álcool de 7,4% a 44% conforme a comunidade. GGT acima do limite superior da normalidade: sensibilidade 62,5%, especificidade 75,5%, acurácia 72,1%, VPP 47,4%, VPN 85,0% (AUROC 0,767). %CDT sequencial com corte de 1,72: sensibilidade 59,6%, especificidade 81,8%, VPP 89,5%, VPN 43,9%. DOI: 10.1002/kjm2.70119 · PubMed 41090975 ↩ ↩2 ↩3
-
Serviço de Análises Clínicas, Faculdade de Ciências Farmacêuticas de Ribeirão Preto, Universidade de São Paulo (USP) — Manual de Exames, 55 páginas, publicado no portal da Prefeitura Municipal de Ribeirão Preto. Verbete "Gama-GT (Gama Glutamil Transferase)": jejum mínimo de 8 horas para todas as idades, sem biópsia hepática nos últimos 5 dias, 1 mL de soro ou plasma, conservação 2–8 °C por 7 dias e −20 °C por 30 dias, método cinético colorimétrico, valores de referência homens 11,0–50,0 U/L e mulheres 7,0–32,0 U/L, elevação na colestase intra ou extra-hepática, na doença hepática alcoólica e em neoplasias primárias ou metastáticas, e a ressalva de "descartar outras causas de sua elevação". Verbete "Fosfatase alcalina": 65,0–300,0 U/L, família de isoenzimas de origem principalmente hepática e óssea. PDF ↩ ↩2 ↩3 ↩4 ↩5 ↩6 ↩7 ↩8 ↩9 ↩10 ↩11
-
Szwarcwald CL, Malta DC, Souza Júnior PRB, et al. Exames laboratoriais da Pesquisa Nacional de Saúde: metodologia de amostragem, coleta e análise dos dados. Rev Bras Epidemiol. 2019;22(Supl. 2):E190004.SUPL.2. Coleta de material biológico em 8.952 indivíduos; enumeração dos exames de sangue realizados: hemoglobina glicada, colesterol total, LDL, HDL, sorologia para dengue (IgG), eritrograma, leucograma, HPLC para hemoglobinopatias e creatinina — a gama glutamil transferase não foi dosada. DOI: 10.1590/1980-549720190004.supl.2 · texto integral (SciELO) ↩ ↩2
-
Álvares-da-Silva MR, Vargas MDS, Rabie SMS, et al. FLI and FIB-4 in diagnosing metabolic dysfunction-associated steatotic liver disease in primary care: High prevalence and risk of significant disease. Ann Hepatol. 2025;30(1):101584. Estudo brasileiro em atenção primária (UFRGS / Hospital de Clínicas de Porto Alegre): 12.054 prontuários revisados e 350 pacientes sorteados; prevalência de MASLD de 62,1% (FLI ≥ 30 com critérios cardiometabólicos), FLI ≥ 60 em 39,4% com IMC, circunferência abdominal, glicemia, triglicérides, AST, ALT e GGT mais altos; nenhum paciente tinha MASLD como hipótese diagnóstica. DOI: 10.1016/j.aohep.2024.101584 · PubMed 39395769 ↩ ↩2
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Bedogni G, Bellentani S, Miglioli L, Masutti F, Passalacqua M, Castiglione A, Tiribelli C. The Fatty Liver Index: a simple and accurate predictor of hepatic steatosis in the general population. BMC Gastroenterol. 2006;6:33. Fonte internacional (estudo Dionysos), usada por ser o artigo de origem do escore. Treze variáveis candidatas, incluindo a ingestão de etanol, submetidas a regressão logística; o algoritmo final ficou com IMC, circunferência abdominal, triglicérides e GGT, acurácia de 0,84 (IC 95% 0,81–0,87); FLI < 30 afasta e FLI ≥ 60 aponta esteatose. DOI: 10.1186/1471-230X-6-33 · PubMed 17081293 ↩ ↩2
-
de Paula D, Feter N, Dos Reis RCP, Griep RH, Duncan BB, Schmidt MI. Associations of activity, sedentary and sleep behaviors with prevalent steatotic liver disease in middle-aged and older adults: the ELSA-Brasil study. J Act Sedentary Sleep Behav. 2024;3:16. Terceira onda do ELSA-Brasil (2017–2019), 8.569 participantes; 43,9% com Fatty Liver Index ≥ 60, escore composto por IMC, circunferência abdominal, GGT e triglicérides. DOI: 10.1186/s44167-024-00055-7 · PubMed 40217540 ↩ ↩2
-
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-
Sociedade Brasileira de Patologia Clínica / Medicina Laboratorial (SBPC/ML) — Recomendações da SBPC/ML: boas práticas em laboratório clínico. Capítulo de variáveis pré-analíticas: "o uso crônico [de etanol] provoca elevação da atividade da gama glutamiltransferase, entre outras alterações. Por essa razão, está indicada a abstinência do uso de bebidas alcoólicas por um período de 72 horas antes da coleta de sangue"; jejum com água e medicamentos de uso contínuo permitidos, evitando períodos acima de 12 horas. Capítulo de pedido laboratorial: 48 a 72 horas sem bebidas alcoólicas para boa parte dos testes bioquímicos; GGT e FA como abreviaturas consagradas. Tabela 1 de interferentes: GGT afetada por hemólise ≥ 200 mg/dL de hemoglobina, lipemia ≥ 1.500 mg/dL de triglicérides e icterícia ≥ 20 mg/dL de bilirrubinas. PDF ↩ ↩2 ↩3 ↩4 ↩5 ↩6 ↩7 ↩8
-
Brasil. Ministério da Saúde / DATASUS — Sistema de Gerenciamento da Tabela de Procedimentos, Medicamentos e OPM do SUS (SIGTAP), competência 202608. Arquivo
tb_procedimento: procedimento 0202010465 "DOSAGEM DE GAMA-GLUTAMIL-TRANSFERASE (GAMA GT)", valor ambulatorial R$ 3,51, complexidade média, sexo indiferente; TGO (0202010643), TGP (0202010651), fosfatase alcalina (0202010422) e bilirrubina total e frações (0202010201) a R$ 2,01 cada. Arquivotb_descricao: descrição oficial da gama GT ("marcador sensível de colestase hepatobiliar e de uso do álcool") e da focalização isoelétrica da transferrina ("detecção de todos os subtipos de defeitos congênitos da glicosilação tipo I"). Demonstração por enumeração: nas 5.023 linhas da tabela, as únicas duas ocorrências de "transferrina" são 0202010660 (dosagem, R$ 4,12) e 0202100057 (focalização isoelétrica) — não existe CDT no SUS. Arquivotb_tussdistribuído no mesmo pacote: 40301990 (gama-glutamil transferase), 40321037 ("Deficiente de carboidrato, transferrina"), 40312151 (provas de função hepática) e 40502244 (defeitos congênitos da glicosilação). datasus.saude.gov.br ↩ ↩2 ↩3 ↩4 ↩5 ↩6 ↩7 -
Kubota Y, Prado M Jr. Switching carbamazepine to lacosamide improves gamma-glutamyl transpeptidase levels. Epilepsia Open. 2024;9(5):1956-61. Fonte internacional. 1.526 pacientes triados, 12 incluídos com epilepsia focal controlada e GGT elevada sob carbamazepina; após a troca por lacosamida, a GGT caiu de mediana 141,5 para 63,5 UI/L em um mês, e a proporção de valores anormais passou de 100% para 66,7%. DOI: 10.1002/epi4.13018 · PubMed 39141546 ↩ ↩2
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Sikaris KA, Rankin K. Interpreting alkaline phosphatase in clinical practice: integrating analytical advances and physiological context. Pathology. 2026;58(2):172-80. Fonte internacional. Revisão sobre a interpretação da fosfatase alcalina: o método IFCC devolve resultados cerca de 10% mais altos que os ensaios anteriores, e "o uso da gama-glutamil transferase como adjunto diagnóstico aumenta a especificidade para as origens hepáticas de uma elevação da fosfatase alcalina". DOI: 10.1016/j.pathol.2025.11.005 · PubMed 41565488 ↩
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Brasil. Lei nº 9.503, de 23 de setembro de 1997 — Código de Trânsito Brasileiro, texto compilado. Art. 148-A: exame toxicológico obrigatório para as categorias C, D e E, com janela de detecção mínima de 90 dias, "nos termos das normas do Contran"; § 10 estende a exigência à primeira habilitação nas categorias A e B (Lei nº 15.153/2025). Demonstração por enumeração no texto compilado: nenhuma ocorrência das palavras "gama", "glutamil", "transferrina" ou "carboidrato". planalto.gov.br ↩
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Gao Y, Qing C, Liu W. The relationship between liver enzymes in the blood test and non-fatal cardiovascular disease events: a systematic review and meta-analysis. Rev Invest Clin. 2026;78(2):100036. Fonte internacional, usada por falta de coorte brasileira sobre o tema. 36 artigos; associação positiva significativa entre GGT e eventos cardiovasculares não fatais em 89,3% dos estudos (contra 50,0% para ALT e 66,7% para AST); razão de risco combinada da GGT 1,28 (IC 95% 1,21–1,36). DOI: 10.1016/j.ric.2026.100036 · PubMed 41759253 ↩
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Cotrim HP, Parise ER, Figueiredo-Mendes C, Galizzi-Filho J, Porta G, Oliveira CP — Sociedade Brasileira de Hepatologia (SBH), Grupo Brasileiro de Estudos do NAFLD. Nonalcoholic fatty liver disease Brazilian Society of Hepatology consensus. Arq Gastroenterol. 2016;53(2):118-22. Critério de exclusão por consumo significativo de álcool: mais de 140 g/semana nos homens (± 21 doses) e 70 g/semana nas mulheres (± 14 doses). Verificação feita no texto integral: o documento não menciona a gama GT em nenhum ponto. DOI: 10.1590/S0004-28032016000200013 · texto integral (SciELO) ↩