Troponina: o que o exame mede e seus valores
A troponina mede lesão do músculo cardíaco — e lesão não é sinônimo de infarto. O que o número diz, por que a segunda coleta importa e quanto custa no SUS.
Esta página costuma ser aberta em duas situações opostas. Numa, a pessoa acabou de sair do pronto-socorro com um papel na mão e uma palavra que não conhecia. Na outra, fez um exame de rotina, viu um valor um pouco acima da referência e entrou em pânico. As duas merecem a mesma resposta honesta, e ela começa por uma distinção que quase todo texto sobre o assunto embaralha: a troponina mede lesão do músculo cardíaco, e lesão do músculo cardíaco não é sinônimo de infarto.
⚠️ Antes de tudo: se você está sentindo dor no peito agora, não dose nada e não pesquise nada — ligue para o SAMU (192) ou vá imediatamente a um pronto-socorro. Esta página é para ler depois, com o resultado já na mão.
Em resumo
- A troponina é uma proteína do aparelho contrátil do coração. A tabela oficial do Ministério da Saúde descreve o exame como "um teste imunoenzimático para detecção de troponinas cardíacas".1
- Existem duas: a I e a T. A Diretriz Brasileira de Dor Torácica de 2025 trata as duas como marcador de escolha, "tanto a troponina T cardíaca (TnTc) como a troponina I cardíaca (TnIc)".2 Os valores não são intercambiáveis entre elas nem entre fabricantes.
- 🔴 A troponina ultrassensível mudou a pergunta. Ela ganhou sensibilidade e perdeu especificidade: elevações passaram a aparecer em muita gente que não está infartando.3
- Todos nós temos troponina circulando. A SBPC/ML escreve: "Todos nós apresentamos concentrações de troponinas na corrente sanguínea, valores que passaram a ser detectados com a chegada dos ensaios de alta sensibilidade."4
- 🔴 O que decide não é o valor, é a variação entre coletas seriadas. A diretriz de 2025 separa injúria aguda (variação > 20% entre medidas) de injúria crônica (variação ≤ 20%) — e só a primeira abre a hipótese de infarto.2
- Não existe um "valor normal da troponina" brasileiro. A diretriz tabula nove ensaios diferentes, cada um com os seus próprios números.2 Vale o intervalo impresso no seu laudo.
- A doença renal é a elevação não coronariana mais bem documentada: no estudo CRIC, com 2 464 pessoas com doença renal crônica sem doença cardiovascular declarada, a troponina T ultrassensível era detectável em 81%.5
- No SUS:
0202031209 DOSAGEM DE TROPONINA, R$ 9,00.6 Um único código — sem distinção entre I e T, sem menção a "ultrassensível".
O que a troponina mede
A troponina é um complexo de três proteínas (I, T e C) que regula a contração muscular. As formas I e T do coração têm, nas palavras da SBPC/ML, "epítopos específicos para o músculo cardíaco" — daí ensaios que enxergam o coração e ignoram o resto da musculatura.4 Quando um cardiomiócito é danificado, por falta de oxigênio, inflamação, estiramento ou toxicidade, essas moléculas escapam para o sangue.
É o ponto que a diretriz de 2025 martela: "Troponina é um marcador de injúria miocárdica e, para definir a etiologia desse fenômeno (por exemplo, diagnóstico de IAM), devemos integrar informações clínicas e de outros exames."2 O exame responde "houve dano ao músculo cardíaco?". Ele não responde "por quê?".
Troponina I ou T? O que se dosa no Brasil
São duas proteínas distintas, dosadas por ensaios distintos, com escalas distintas. Um valor de troponina I não se compara com um de troponina T — e nem sequer dois ensaios de troponina I de fabricantes diferentes se comparam entre si: a diretriz de 2025 lista nove ensaios comerciais, com números próprios para cada um.2
E o laudo nem sempre diz qual foi. A tabela do SUS é ilustrativa por omissão: procuramos TROPONIN nas 5 023 linhas do arquivo oficial e o resultado é uma única linha, 0202031209 DOSAGEM DE TROPONINA, sem I, sem T e sem "ultrassensível".6 Quem paga a conta não distingue; quem interpreta o resultado precisa distinguir.
Na prática: procure no cabeçalho do laudo a sigla (cTnI, cTnT, hs-cTnI, hs-cTnT) e o método. Para comparar dois exames, repita no mesmo laboratório e com o mesmo ensaio — senão a "variação" só existe no papel.
A ultrassensível ganhou sensibilidade e perdeu especificidade
Os ensaios de alta sensibilidade — chamados no Brasil também de ultrassensíveis, e a diretriz de 2025 registra a equivalência dos dois termos2 — detectam concentrações mínimas. O benefício é real: descarta-se um infarto em uma hora, onde antes eram necessárias seis a nove.4 O preço também é real, e uma revisão dedicada ao tema o formula sem rodeios: "a melhora da sensibilidade analítica dos métodos de determinação de troponinas cardíacas levou a uma diminuição da especificidade, expressa por casos mais frequentes de troponina elevada na ausência de infarto do miocárdio".3
A demonstração mais límpida disso não vem de um hospital, mas de uma linha de chegada. Num estudo com 85 maratonistas, 86% ficaram acima do percentil 99 quando medidos pelo ensaio ultrassensível — contra apenas 45% dos mesmos corredores medidos pelo ensaio convencional.7 Mesmo sangue, mesma corrida: a diferença estava no limite de detecção do teste, não na saúde de ninguém.
É por isso que a SBPC/ML desenha uma escala contínua do jovem saudável ao idoso com doenças crônicas, daí à lesão miocárdica e só então ao infarto.4 Estar acima da referência coloca você em algum ponto dessa escala — não diz em qual.
Valores de referência: por que o número é o do seu laudo
Aqui a resposta honesta é incômoda, e é melhor dizê-la do que inventar um número.
Nenhuma fonte brasileira que consultamos publica uma faixa de referência universal para a troponina — e não por descuido. Nos nove ensaios que a diretriz de 2025 tabula, os valores que definem a mesma categoria clínica variam por mais de cinco vezes de um kit para outro, e o documento fecha a tabela com a instrução: "Médico deve sempre checar no seu laboratório qual o kit utilizado e quais os pontos de corte recomendados."2 A SBPC/ML diz o mesmo do lado do laboratório.4
O limiar conceitual é o percentil 99 de uma população de referência — o valor abaixo do qual estão 99 de cada 100 pessoas saudáveis. Sobre o sexo, a diretriz diz duas coisas que convivem, e vale publicá-las lado a lado: para o percentil 99, "há valores diferentes, de acordo com o sexo e a idade"; já a tabela de decisão que ela reproduz traz cortes que "se aplicam independentemente da idade, sexo e função renal".2 O percentil de referência é sexo-específico; os algoritmos rápidos usam cortes próprios, validados sem esse ajuste.
Conclusão prática: compare o seu número com o intervalo impresso no seu laudo, e com nada mais.
O que conta não é o valor, é a variação
Uma troponina levemente alta e estável e uma subindo são dois mundos diferentes.
A Diretriz Brasileira de 2025 define exatamente isso. Injúria miocárdica aguda: uma ascensão e/ou queda dos valores maior que 20% entre as medidas, com pelo menos um valor acima do percentil 99. Injúria miocárdica crônica: variação de até 20%, com pelo menos um valor acima do percentil 99.2 A segunda descreve um coração machucado de forma estável — comum em doença renal, insuficiência cardíaca, idade avançada. Só a primeira abre a hipótese de infarto, e nem a fecha: a injúria aguda ainda precisa vir com sintomas de isquemia, alterações novas no eletrocardiograma ou achados de imagem.2
Existem protocolos que organizam essas coletas — 0/1 hora (o preferencial), 0/2 horas, 0/3 horas.2 Nomeamos e paramos por aqui: são algoritmos de decisão médica, com números próprios de cada kit. O que interessa a você é entender por que pediram uma segunda coleta. Não foi erro de laboratório — foi o exame de verdade.
O que eleva a troponina sem haver infarto
A diretriz de 2025 avisa que "várias condições clínicas, além do IAM do tipo 1, podem causar injúria miocárdica e elevar a troponina", e cria um guarda-chuva para os casos de coronárias limpas: TINOCA. Entre os pacientes com diagnóstico de infarto agudo que fazem cateterismo, 5 a 15% não têm obstrução significativa — grupo que se divide em infarto sem obstrução (MINOCA), outras causas cardíacas (miocardite, síndrome de Takotsubo) e causas extracardíacas.2
A lista das extracardíacas, revista fonte a fonte, inclui doença renal crônica, sepse — onde entram também os marcadores inflamatórios e o lactato —, embolia pulmonar, taquiarritmias, insuficiência cardíaca (avaliada pelo BNP) e esforço físico extremo.3 Dois exemplos brasileiros medem o fenômeno. No Registro Brasileiro de COVID-19, com 2 925 pacientes internados em 31 hospitais de 17 cidades, 27,3% tinham injúria miocárdica, e troponina alta dobrou o risco de morte (RR 2,03; IC 95% 1,60–2,58).8 E entre 2 230 pacientes em terapia intensiva após cirurgia não cardíaca no Rio de Janeiro, a injúria miocárdica pós-operatória apareceu em 9,4%.9 Em nenhum dos dois a palavra "infarto" era o ponto de partida.
Os rins, e o mal-entendido mais comum
Se você tem doença renal, este é o parágrafo mais importante da página.
No estudo CRIC, que acompanhou 2 464 pessoas com doença renal crônica sem doença cardiovascular autorrelatada, a troponina T ultrassensível era detectável em 81% dos participantes, com mediana de 9,4 pg/mL. E havia gradiente: quem tinha TFG abaixo de 30 mL/min/1,73 m² apresentava valores três vezes maiores do que quem estava acima de 60.5
⚠️ Aqui mora o mal-entendido. A explicação fácil — "o rim não elimina a troponina, então ela se acumula" — é apenas parte da história, e o próprio CRIC a desmonta: idade, sexo masculino, massa do ventrículo esquerdo, diabetes e pressão arterial mais alta tiveram associação independente com troponina mais alta.5 Ou seja: parte da elevação vem de filtração reduzida, e parte vem de um coração que, na doença renal, realmente sofre mais. Uma troponina alta em doença renal crônica não é um artefato para ignorar — é um sinal de risco que pede acompanhamento, não pânico.
Se este é o seu caso, as páginas sobre função renal, creatinina, creatinina alta e cistatina C explicam como a TFG é estimada — o número que dá contexto à sua troponina.
O que o SUS cobre
A tabela oficial do SUS, competência de agosto de 2026, rende um único código: 0202031209 DOSAGEM DE TROPONINA, R$ 9,00.6
Dois detalhes só aparecem lendo o arquivo inteiro. Primeiro, a troponina é uma das 24 entre 525 linhas de exames laboratoriais que carregam também um valor de serviço hospitalar (R$ 9,00) — quase todos os outros, do hemograma à proteína C reativa, só são remunerados em ambiente ambulatorial.6 O financiamento reconhece que ele se faz dentro do hospital.
Segundo: a descrição oficial da CK-MB (0202010333), fração da CPK, ainda afirma que ela "é considerada o marcador bioquímico de referência para o diagnóstico de lesão miocárdica".1 A diretriz de 2025 diz o contrário, com classe III — não fazer: "Se troponina quantitativa disponível, não se deve solicitar CK-MB para investigação de IAM."2 A tabela paga; a recomendação mudou. Uma linha no SIGTAP estabelece cobertura, nunca recomendação. Se alguma palavra do laudo não estiver clara, o glossário de exames ajuda.
Avanços recentes
Com base em publicações indexadas no PubMed:
- A troca sensibilidade/especificidade foi quantificada no cenário mais simples possível — corredores de maratona.7
- A elevação na doença renal foi caracterizada como fenômeno de população inteira, e não como exceção.5
- A variação passou a valer mais que o valor, com o limiar de 20% incorporado à diretriz brasileira de 2025.2
- Um estudo do Instituto Dante Pazzanese mostrou que valores acima do percentil 99, ainda abaixo do corte do kit, já carregam significado prognóstico.10
- Coortes brasileiras confirmaram o valor prognóstico da troponina fora da doença coronariana.89
Estes resultados dizem respeito ao diagnóstico e à pesquisa; não substituem a avaliação do seu médico.
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Uma troponina nunca se lê sozinha: o sentido dela depende do ensaio usado, do intervalo do seu laboratório, da sua função renal e do que aconteceu nas horas anteriores à coleta.
👉 O AI DiagMe interpreta os seus exames — de sangue, urina ou fezes — considerando todo o seu contexto, em linguagem clara. Serviço informativo que não faz diagnóstico e complementa, sem substituir, a avaliação do seu médico.
Perguntas frequentes
Qual é o valor normal da troponina? Não existe um número único. A diretriz brasileira de 2025 tabula nove ensaios diferentes e orienta o médico a checar o kit do seu laboratório.2 Vale o intervalo impresso no seu laudo.
Troponina levemente alta significa infarto? Não necessariamente. Uma elevação estável entre duas coletas caracteriza injúria crônica, não infarto.2 Doença renal, insuficiência cardíaca e idade avançada são causas frequentes.35 Leve o resultado ao seu médico.
Por que pediram troponina duas vezes? Porque a variação entre elas é a informação decisiva, mais do que qualquer valor isolado.2
Corri uma prova longa antes do exame. Conta? Conta. Depois de uma maratona, a maioria dos corredores fica acima do percentil 99 pelo ensaio ultrassensível.7 Informe o seu médico sobre esforços intensos recentes.
Preciso de jejum? Não. Uma ressalva técnica: amostras hemolisadas podem dar troponina falsamente reduzida, dependendo do ensaio — daí uma recoleta ser às vezes pedida.4
Faz sentido dosar troponina num check-up de rotina? Não é para isso que ela existe: é o pilar do protocolo de dor torácica em emergência,2 e fora daí um valor isolado gera mais angústia do que informação.
Para lembrar
A troponina é barata, disponível no SUS e extraordinariamente boa naquilo que faz: dizer se o músculo cardíaco sofreu. O que ela não faz — e nenhum ensaio, por mais sensível, fará — é dizer por quê. O ganho de sensibilidade da versão ultrassensível veio com um custo, e esse custo recai sobre quem lê um laudo sozinho: hoje é comum estar acima da referência sem estar infartando. O passo seguinte não é comparar com um número da internet — é levar o laudo inteiro ao seu médico, com a função renal e o risco cardiovascular (lipidograma, LDL, glicemia, PCR ultrassensível). E se houver dor no peito agora, o caminho não passa por exame nenhum: passa pelo 192.
Fontes
Fontes oficiais brasileiras e publicações científicas (PubMed) usadas neste guia:
Footnotes
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Ministério da Saúde / DATASUS — SIGTAP, arquivo
tb_descricao.txtdo mesmo pacote (4 324 linhas, competência 202608). Descrição do código0202031209, citada textualmente: "CONSISTE EM UM TESTE IMUNOENZIMÁTICO PARA DETECÇÃO DE TROPONINAS CARDÍACAS, QUE CONSTITUEM UM IMPORTANTE MARCADOR NO DIAGNÓSTICO,". ⚠️ O texto oficial termina aí, no meio da frase. Não é falha de extração: apenas 5 das 4 324 descrições terminam em vírgula seguida do marcador de quebra||, e esta é uma delas. Unicidade verificada antes do uso, conforme exige a quarta espécie de armadilha deste corpus (uma descrição pode pertencer a outro código): este texto aparece uma única vez no arquivo, e 63 descrições do arquivo são compartilhadas por dois ou mais códigos. Descrição citada em contraste, do código0202010333(CK-MB): "A CREATINOFOSFOQUINASE FRAÇÃO MB É CONSIDERADA O MARCADOR BIOQUÍMICO DE REFERÊNCIA PARA O DIAGNÓSTICO DE LESÃO MIOCÁRDICA E TEM SIDO A BASE PARA COMPARAÇÃO COM OUTROS MARCADORES" — posição contrariada pela diretriz brasileira de 2025 (classe III). É a armadilha "uma presença não é o seu alcance": o preço foi atualizado, o texto de intenção não. ↩ ↩2 -
Sociedade Brasileira de Cardiologia (SBC) — Diretriz Brasileira de Atendimento à Dor Torácica na Unidade de Emergência – 2025. Arq Bras Cardiol. 2025;122(9):e20250620. ⚠️ Versão em vigor verificada: substitui a diretriz de dor torácica de 2002 (PMID 12386722), a única outra indexada com esse título na mesma revista. Texto integral lido a partir do XML do PMC (PMC12981354, 1 042 777 bytes brutos; 533 566 caracteres de texto extraído), documento bilíngue português/inglês. Trechos citados textualmente: marcador de escolha ("Atualmente, o marcador que melhor reúne essas características é a troponina, tanto a troponina T cardíaca (TnTc) como a troponina I cardíaca (TnIc)"); equivalência de termos ("As TCas (também conhecidas como ultrassensíveis)"); interpretação ("Troponina é um marcador de injúria miocárdica e, para definir a etiologia desse fenômeno… devemos integrar informações clínicas e de outros exames"; "várias condições clínicas, além do IAM do tipo 1, podem causar injúria miocárdica e elevar a troponina"); injúria aguda ("ascensão e/ou queda dos valores de troponina de alta sensibilidade > 20% entre as medidas, desde que pelo menos um desses valores esteja acima do percentil 99 do kit utilizado. Há valores diferentes, de acordo com o sexo e a idade") e crônica ("variação nos valores de troponina ≤ 20%"); a Tabela 26, que enumera nove ensaios comerciais e cujo rodapé diz "Os pontos de corte se aplicam independentemente da idade, sexo e função renal" e "Médico deve sempre checar no seu laboratório qual o kit utilizado e quais os pontos de corte recomendados"; CK-MB ("Se troponina quantitativa disponível, não se deve solicitar CK-MB para investigação de IAM. III B" — classe e verbo lidos no mesmo fragmento, e corroborados em segunda passagem do texto corrido); TINOCA ("Approximately 5 to 15% of patients diagnosed with acute MI who undergo coronary angiography are found not to have obstruction ≥ 50% stenosis", com os subgrupos MINOCA, outras causas cardíacas e causas extracardíacas). ⚠️ Nenhum algoritmo numérico foi reproduzido aqui, por serem decisões médicas. ⚠️ Artefato de extração registrado e não citado: numa passagem o marcador de referência bibliográfica colou-se ao texto, produzindo "acima do percentil 114" onde se lê, no original, o percentil 99 seguido da referência 114. PubMed · DOI ↩ ↩2 ↩3 ↩4 ↩5 ↩6 ↩7 ↩8 ↩9 ↩10 ↩11 ↩12 ↩13 ↩14 ↩15 ↩16 ↩17 ↩18
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Chaulin A. The Main Causes and Mechanisms of Increase in Cardiac Troponin Concentrations Other Than Acute Myocardial Infarction (Part 1): Physical Exertion, Inflammatory Heart Disease, Pulmonary Embolism, Renal Failure, Sepsis. Vasc Health Risk Manag. 2021;17:601-617. Revisão narrativa, texto integral lido no PMC (PMC8464585, 91 018 caracteres). Fonte das afirmações citadas: a perda de especificidade ("the improvement in analytical sensitivity of methods for determining cardiac troponins has led to a decrease in specificity, which is expressed by more frequent cases of elevated troponin levels in the absence of myocardial infarction") e a lista de causas não coronarianas (esforço físico, miocardite/pericardite/endocardite, embolia pulmonar, insuficiência renal crônica, sepse). ⚠️ Errata localizada e lida, pelo método
CommentsCorrections/@RefType="ErratumIn"no XMLefetch(PMID 34675523, PMC8519788): a correção é apenas nominal — o sobrenome do autor é Chaulin, e não "Chauin" como consta no registro PubMed do artigo original. Citamos aqui a forma corrigida; nenhum dado científico foi retificado. ⚠️ Números deste artigo NÃO foram reproduzidos: conferidos contra as fontes primárias, o texto atribui 81% aos maratonistas de Mingels (o artigo original diz 86%) e descreve como "elevada" a troponina de 81% da coorte CRIC (o artigo original diz detectável). Usamos aqui apenas as afirmações qualitativas da revisão; os números vêm das primárias. Fonte internacional, usada por não haver revisão brasileira equivalente sobre causas não coronarianas. PubMed · DOI ↩ ↩2 ↩3 ↩4 -
SBPC/ML — Sociedade Brasileira de Patologia Clínica / Medicina Laboratorial, Recomendações da SBPC/ML: Boas Práticas em Laboratório Clínico. PDF oficial de 16 055 655 bytes (1 512 420 caracteres de texto extraído para stdout, 23 815 linhas). Capítulo 28, "Vantagens da troponina ultrassensível no diagnóstico do infarto agudo do miocárdio", assinado por Carlos Eduardo dos Santos Ferreira e listado no sumário do manual. ⚠️ Contexto lido ocorrência por ocorrência, conforme exige este documento, que contém encartes publicitários de fabricantes indistinguíveis do texto científico por
grep: das 33 ocorrências de "troponin", as do capítulo 28 estão em corpo de texto assinado, sem marca de fabricante nas páginas 220–222. Trechos citados: "As isoformas cTnI e cTnT apresentam epítopos específicos para o músculo cardíaco"; "Todos nós apresentamos concentrações de troponinas na corrente sanguínea, valores que passaram a ser detectados com a chegada dos ensaios de alta sensibilidade"; a Figura 1, que escalona as concentrações de "jovens saudáveis" a "idosos, doenças crônicas", "lesão miocárdica" e "infarto do miocárdio"; o ganho de tempo ("Antes da troponina de alta sensibilidade, esse processo levava cerca de 6 a 9 horas"); e os pontos obrigatórios do protocolo ("definição dos valores de referência de troponina que serão utilizados, definição dos deltas de variação entre as dosagens"). A hemólise é citada de outra secção do mesmo manual: "Amostras de soro hemolisadas fornecerão… resultados falsamente reduzidos de insulina e de troponinas, na dependência do conjunto diagnóstico utilizado". ⚠️ Tabela de limiares de interferência descartada: a tabela de hemólise/lipemia/icterícia do manual é declarada "cortesia da Clínica Dávila, Chile" e vale para uma plataforma analítica específica — não foi usada. Contagens porgrep -o, nunca porgrep -c. PDF (controllab.com) · sbpc.org.br ↩ ↩2 ↩3 ↩4 ↩5 ↩6 -
Dubin RF, Li Y, He J, et al. Predictors of high sensitivity cardiac troponin T in chronic kidney disease patients: a cross-sectional study in the chronic renal insufficiency cohort (CRIC). BMC Nephrol. 2013;14:229. Estudo transversal em 2 464 participantes da coorte multiétnica CRIC sem doença cardiovascular autorrelatada. Números citados, retirados do resumo do próprio artigo: hs-TnT detectável em 81%; mediana (IIQ) de 9,4 pg/mL (4,3–18,3); após ajuste por regressão de Tobit, participantes com TFGe < 30 mL/min/1,73 m² tinham hs-TnT esperada 3 vezes maior que aqueles com TFGe > 60. ⚠️ A nuance é do próprio artigo e desmonta a explicação simplista de "acúmulo por falta de filtração": "idade mais avançada, sexo masculino, raça negra, massa do VE, diabetes e pressão arterial mais alta tiveram todos associações fortes e independentes com hs-TnT esperada mais alta". Sem errata declarada (
@RefType="ErratumIn"ausente no XMLefetch). Fonte internacional, usada por não haver coorte brasileira equivalente publicada sobre troponina na doença renal crônica. PubMed · DOI ↩ ↩2 ↩3 ↩4 ↩5 -
Ministério da Saúde / DATASUS — SIGTAP, Tabela de Procedimentos, Medicamentos e OPM do SUS, competência agosto de 2026 (
tb_procedimento.txt, 1 697 774 bytes, 5 023 linhas). Parser de colunas fixas (VL_SH[282:294], VL_SA[294:306], VL_SP[306:318], decodificação latin-1) validado antes do uso contra três valores já publicados neste site: hemograma completo0202020380R$ 4,11, ferritina0202010384R$ 15,59 e lactato0202010538R$ 3,68. Busca com dobra de acentos (2 483 das 5 023 linhas contêm acentos combinantes). ⚠️ Demonstração de ausência por enumeração: a raizTROPONINrende uma única linha —0202031209 DOSAGEM DE TROPONINA, VL_SH R$ 9,00 / VL_SA R$ 9,00 / VL_SP R$ 0,00 — e as grafiasULTRASSENS,ULTRA-SENS,ALTA SENSIB,CK-MBeMIOGLOBINrendem 0 cada uma. O SUS não distingue troponina I de troponina T, nem convencional de ultrassensível. ⚠️ Falsa presença descartada: a raiz truncadaTROPOrende 5 linhas, das quais quatro sãoANTROPOMÉTRICAeANTROPOSOFIA— um radical curto não se busca nu. Controle positivo forte para o vocabulário cardíaco:MIOCARDIOrende 7 linhas eCARDIACA10, logo o vocabulário existe na tabela. Também medido: entre as 525 linhas do grupo0202(diagnóstico em laboratório clínico), apenas 24 têm VL_SH > 0, e a troponina é uma delas; CPK0202010325(R$ 3,68), CK-MB0202010333(R$ 4,12) e peptídeos natriuréticos0202010791(R$ 27,00) têm VL_SH = 0. Uma presença no SIGTAP estabelece cobertura, nunca recomendação. sigtap.datasus.gov.br ↩ ↩2 ↩3 ↩4 -
Mingels A, Jacobs L, Michielsen E, Swaanenburg J, Wodzig W, van Dieijen-Visser M. Reference population and marathon runner sera assessed by highly sensitive cardiac troponin T and commercial cardiac troponin T and I assays. Clin Chem. 2009;55(1):101-8. População de referência de 546 indivíduos e coorte de 85 maratonistas, com três ensaios comparados na mesma amostra. Números citados, do resumo do artigo original: após a maratona, 86% dos corredores ficaram acima do percentil 99 pelo ensaio hs-cTnT, contra 45% pelo ensaio cTnT convencional; as concentrações permaneciam elevadas no dia seguinte; experiência de maratona e idade foram preditores significativos. Escolhido por ser a demonstração mais limpa do custo em especificidade: mesma amostra, mesmos indivíduos, ensaios diferentes. ⚠️ Ano citado é o do número (2009), não o do epub (nov. 2008). Sem errata declarada no XML
efetch. PubMed · DOI ↩ ↩2 ↩3 -
Barbosa HC, Martins MAP, Jesus JC, et al. Myocardial Injury and Prognosis in Hospitalized COVID-19 Patients in Brazil: Results From The Brazilian COVID-19 Registry. Arq Bras Cardiol. 2023;120(2):e20220151. Estudo brasileiro — afiliações verificadas uma a uma no registro PubMed: Hospital das Clínicas da UFMG, UFRN, UFPE, Hospital Universitário de Santa Maria, Hospital Moinhos de Vento e dezenas de outros serviços nacionais. Coorte de 2 925 pacientes internados em 31 hospitais brasileiros de 17 cidades, março–setembro de 2020. Números citados: 27,3% apresentaram injúria miocárdica; troponina alta associou-se a maior risco de morte (RR 2,03; IC 95% 1,60–2,58) e de ventilação mecânica invasiva (RR 1,87; IC 95% 1,57–2,23). Sem errata declarada no XML
efetch. PubMed · DOI ↩ ↩2 -
Gomes BFO, Silva TMB, Dutra GP, et al. Addition of High-Sensitivity Troponin to Perioperative Risk Assessment Improves the Predictive Ability of Death in Non-Cardiac Surgery Patients. Arq Bras Cardiol. 2024;121(4):e20230623. Estudo brasileiro — afiliações verificadas: Hospital Barra D'Or e Instituto de Cardiologia Edson Saad da UFRJ, Rio de Janeiro. 2 230 pacientes admitidos em terapia intensiva após cirurgia não cardíaca. Número citado: prevalência de injúria miocárdica após cirurgia não cardíaca (MINS) de 9,4%, maior nos pacientes de alto risco cardiovascular (40,1% × 24,8%; p < 0,001), mas "não desprezível" nos de baixo risco. Citado aqui apenas para dimensionar a elevação de troponina fora do contexto coronariano; a discussão de estratificação perioperatória foge ao escopo desta página. Sem errata declarada no XML
efetch. PubMed · DOI ↩ ↩2 -
Tapias Filho AH, Oliveira GBF, França JID, Ramos RF. Universal Definition of Myocardial Infarction 99th Percentile versus Diagnostic Cut-off Value of Troponin I for Acute Coronary Syndromes. Arq Bras Cardiol. 2022;118(6):1006-1015. Estudo brasileiro — afiliação verificada: Instituto Dante Pazzanese de Cardiologia, São Paulo. Coorte transversal de 494 pacientes com síndrome coronariana aguda, com pico de troponina I, escore de risco e desfechos em 30 dias. Conclusão citada: valores acima do percentil 99 definido pela definição universal, ainda que abaixo do ponto de corte diagnóstico do kit, associaram-se a maior incidência do desfecho composto e a mais procedimentos de revascularização (p < 0,01), "identificando os pacientes que mais se beneficiariam da estratificação de risco invasiva". ⚠️ Os pontos de corte numéricos do kit usado nesse estudo não foram reproduzidos aqui: são específicos de um ensaio e de um serviço. Sem errata declarada no XML
efetch. PubMed · DOI ↩