CPK (creatinoquinase): o que mede e valores de referência
A CPK é uma enzima do músculo. Por que ela aparece junto com a estatina, o que o exercício da véspera faz com ela, e quanto ela custa no SUS.
A CPK chega ao seu pedido por dois caminhos que não têm quase nada em comum. Ou o médico prescreveu uma estatina para o colesterol e você passou a sentir dor nas pernas — de longe o motivo mais frequente no consultório. Ou há uma pergunta sobre o músculo: um esforço fora do comum, uma fraqueza, uma suspeita de miopatia. O laudo é o mesmo; a leitura, não.
Há um terceiro caminho, baseado numa ideia desatualizada: muita gente encontra a CPK dentro de um "check-up cardíaco". Em 2026, no Brasil, ela não é o exame do infarto.
Em resumo
- A CPK (creatinofosfoquinase) e a CK (creatina quinase, ou creatinoquinase) são o mesmo exame.
- A enzima está concentrada no músculo esquelético, e também no coração e no cérebro. Sinaliza lesão de célula muscular, sem dizer qual músculo nem por quê.
- Antes de começar uma estatina, a Diretriz Brasileira de Dislipidemias de 2025 recomenda dosar a CK — mas com força CONDICIONAL e certeza BAIXA, não como obrigação.1
- Durante o tratamento, a mesma diretriz recomenda CONTRA dosagens de rotina sem sintomas, e essa é a recomendação FORTE, com certeza MODERADA.1
- Exercício intenso eleva a CPK, e muito. Em 81 corredores brasileiros da Maratona de São Paulo, a CK foi de 286 U/L antes a 2 070 U/L um dia depois, e só voltou ao basal 15 dias após a prova.2
- O hipotireoidismo não controlado é, sozinho, causa de miopatia e de CK alterada — a diretriz brasileira pede dosar o TSH antes de iniciar a estatina.1
- Não é exame de infarto. A Diretriz Brasileira de Dor Torácica na Unidade de Emergência de 2025 é classe III: havendo troponina quantitativa, não se deve solicitar CK-MB.3
- No SUS, a CPK total custa R$ 3,68 e a fração MB R$ 4,12.4
Um exame, quatro nomes
A tabela do SUS escreve DOSAGEM DE CREATINOFOSFOQUINASE (CPK); a Sociedade Brasileira de Cardiologia, CK, de "creatina quinase"; a SBPC/ML, creatinoquinase; o laboratório privado imprime CK total ou CK-NAC. É tudo a mesma dosagem.
Dentro da célula muscular, a enzima regenera o ATP, a moeda do esforço rápido. Quando a membrana de uma fibra se rompe, o conteúdo vaza para o sangue. A CPK é um marcador de vazamento, não de doença — descrito pelo Ministério da Saúde como "sensível, mas inespecífico".4
Motivo 1: a dor muscular sob estatina
Você toma uma estatina, sente dor, cãibra ou fraqueza, e o médico pede a CK. A Diretriz Brasileira de Dislipidemias e Prevenção da Aterosclerose – 2025, da Sociedade Brasileira de Cardiologia, trata o assunto a fundo: a sigla CK aparece 75 vezes. Três posições dela merecem leitura literal, porque contrariam o senso comum:1
- "Em pacientes nos quais se pretende iniciar estatina, recomenda-se a favor da dosagem basal de CK e de enzimas hepáticas (ALT e AST), especialmente em indivíduos de alto risco para eventos musculares." — força CONDICIONAL, certeza BAIXA.
- "Em pacientes recebendo estatinas, recomenda-se contra dosagens rotineiras de CK […] na ausência de sintomas musculares […] ou de alterações na terapia." — força FORTE, certeza MODERADA.
- "Em pacientes recebendo estatinas, recomenda-se a favor da dosagem de CK na presença de sintomas musculares graves." — força FORTE, certeza MODERADA.
Ou seja: dosar antes de começar é sugestão fraca; dosar de rotina depois, sem sintoma, é desaconselhado com força. Sob estatina, a CK é exame de pergunta, não de vigilância.
⚠️ Uma nuance da própria diretriz: no texto corrido ela escreve que "a dosagem da CK deve ser solicitada antes do início da terapia com estatina". O verbo é imperativo; a recomendação graduada da tabela é condicional e de baixa certeza. Publicamos as duas lado a lado porque é assim que o documento está escrito.1
E nem toda dor sob estatina é da estatina. Numa série britânica de 200 ensaios n-of-1 com pacientes que já tinham relatado dor muscular grave, não houve diferença entre os períodos com atorvastatina e com placebo (−0,11; IC 95% −0,36 a 0,14).5 A diretriz brasileira dedica uma seção inteira ao efeito nocebo por essa razão. Numa metanálise com 4 143 517 pacientes, a intolerância à estatina foi de 9,1% — mas 4,9% nos ensaios randomizados contra 17% nas coortes.6
Se a dor for intolerável, a diretriz manda medir a CK imediatamente e, conforme o resultado, avaliar também "hormônios tireoidianos (TSH, T4 livre), velocidade de hemossedimentação (VHS) e fator antinuclear (FAN)" — ou seja, tireoide e marcadores inflamatórios.1 Não pare a estatina por conta própria.
Motivo 2: o músculo — e o treino de ontem
A primeira causa de CPK "alterada" em quem está bem é o exercício — e está no manual da SBPC/ML, que trata a atividade física como variável pré-analítica. "O exercício físico mais intenso […] pode causar aumento na atividade sérica de algumas enzimas, como creatinoquinase, aldolase e aspartato aminotransferase, o qual pode persistir por 12 a 24 horas, de acordo com a intensidade do esforço físico."7
Doze a vinte e quatro horas é a ordem de grandeza de um treino comum. Num esforço extremo a escala é outra, e há medida brasileira: um estudo com 81 corredores da Maratona Internacional de São Paulo dosou os marcadores em cinco momentos.2
| Momento | CK (U/L, média ± DP) |
|---|---|
| Antes da prova | 286 ± 735 |
| Logo após | 679 ± 1 151 |
| 1 dia depois | 2 070 ± 2 012 |
| 3 dias depois | 915 ± 1 670 |
| 15 dias depois | 461 ± 1 985 |
Três leituras importam. O pico não é logo após o esforço, é no dia seguinte. A CK só retornou ao basal 15 dias após a prova. E os desvios-padrão são enormes: a resposta varia muito entre pessoas.
⚠️ Divergência declarada: doze a vinte e quatro horas (SBPC/ML, exercício intenso genérico) e quinze dias (maratona, coorte brasileira) não descrevem o mesmo fenômeno, e nenhuma fonte anula a outra. Juntas dizem o que interessa: se você treinou forte antes da coleta, avise o laboratório e o seu médico. A mesma lógica vale para a TGO, que sobe junto com a CPK no mesmo esforço.
Não é um exame de infarto — e isso está escrito
A Diretriz Brasileira de Atendimento à Dor Torácica na Unidade de Emergência – 2025, da Sociedade Brasileira de Cardiologia, traz uma recomendação classe III, nível de evidência B:
"Se troponina quantitativa disponível, não se deve solicitar CK-MB para investigação de IAM."3
Classe III, na linguagem das diretrizes, quer dizer não fazer. A ressalva é explícita e limitada: "a dosagem de CKMB só deve ser considerada na ausência de troponina e deve-se dar preferência para CKMB massa."3
A contagem confirma o deslocamento. Nesse documento de 2025 dedicado à dor torácica, "troponina" aparece 155 vezes; "CK-MB" e "CKMB", cinco; e "CPK", "creatina quinase" e "mioglobina", zero vez. É o que separa a CPK dos verdadeiros marcadores cardíacos. No manual da SBPC/ML, o capítulo sobre o infarto agudo do miocárdio dá às troponinas "o teste-padrão de referência" — e não menciona a CK-MB uma única vez.7
⚠️ Mas a tabela do SUS ainda diz o contrário. A descrição oficial do código 0202010333 afirma que "a creatinofosfoquinase fração MB é considerada o marcador bioquímico de referência para o diagnóstico de lesão miocárdica".4 A frase descreve a medicina dos anos 1990, e o procedimento continua financiado: uma linha na tabela do SUS estabelece cobertura, nunca recomendação, e não garante que o escopo declarado ainda seja o atual.
As outras causas — e a tireoide
Sem estatina e sem maratona, resta uma lista com uma causa muito esquecida: o hipotireoidismo. A diretriz brasileira de dislipidemias é direta: "o hipotireoidismo não controlado é, por si só, uma causa de miopatia, com sintomas como dor muscular, cãibras e elevação da creatina quinase (CK)", e orienta "sempre dosar o TSH antes de iniciar a estatina e em pacientes que desenvolvem sintomas musculares durante o tratamento".1 Na metanálise citada acima, o hipotireoidismo foi fator associado à intolerância (OR 1,37).6 Um relato de caso de 2026 descreve o enredo: CK alterada num check-up, sem sintoma, que se revelou hipotireoidismo primário grave e normalizou com levotiroxina.8 Se for o seu caso, veja o TSH, o TSH alto e os exames da tireoide.
A mesma diretriz lista ainda álcool em excesso, doenças neuromusculares prévias, doença renal crônica e medicamentos que competem com a estatina.1 Há a via mecânica trivial — uma injeção intramuscular, uma queda, uma cirurgia. E a armadilha de laboratório: numa amostra hemolisada, a atividade da CK sobe falsamente, por interferência da adenilquinase das hemácias.7 Um resultado isolado e inesperado merece, antes de tudo, uma nova coleta.
Rabdomiólise: a urgência desta página
A rabdomiólise é a destruição maciça de fibras musculares, com liberação do conteúdo celular no sangue. A diretriz brasileira a chama de "o evento muscular adverso mais grave" associado às estatinas, capaz de gerar "necrose muscular, distúrbios hidroeletrolíticos graves, lesão renal aguda, coagulopatia, choque e morte".1 A mioglobina liberada pelo músculo é tóxica para o rim.9
Esta página não publica nenhum limiar de decisão nem nenhuma conduta: esses números só fazem sentido dentro de um fluxograma clínico. O que interessa a você é o gatilho — dor muscular intensa, fraqueza importante ou urina escura — sobretudo cor de refrigerante escuro — pedem avaliação médica sem esperar resultado de exame. Procure um serviço de saúde. A investigação inclui a função renal, a creatinina e o potássio; se a sua creatinina já veio alterada, veja creatinina alta.
Valores de referência: por que o seu laudo pode enganar
Uma revisão sistemática mundial de 2025, da Academia Europeia de Neurologia, examinou os estudos que definiram valores normais de CK em adultos saudáveis:10
- os valores não seguem distribuição normal — a média não descreve bem a população;
- os limites superiores para homens caucasianos e asiáticos vão de 227 a 440 U/L, e para homens negros, de 520 a 810 U/L;
- para mulheres, de 135 a 248 U/L, chegando a 354 U/L;
- "cada laboratório deveria idealmente determinar os seus valores de referência para a CK refletindo a sua população local."
Uma diretriz europeia de 2010 já registrava que até 20% de indivíduos "normais" têm CK sérica elevada pelos critérios dos fabricantes, e que por isso "pacientes podem ser desnecessariamente privados de tratamento com estatinas".11
⚠️ O que isso significa — e o que não significa — no Brasil. O manual da SBPC/ML lista, entre as características a considerar ao estabelecer intervalos de referência, "idade, gênero, etnia, fatores ambientais, estado nutricional, grau de atividade física".7 O princípio é brasileiro; os números acima não são: vêm de estudos internacionais com categorias raciais que não se transpõem à autodeclaração de cor do Brasil. Não encontramos, nas fontes brasileiras consultadas, valores de referência de CK específicos para a população brasileira. A leitura honesta é: um valor pouco acima do limite impresso no seu laudo, sem sintoma, é uma pergunta para o médico — não um diagnóstico.
Quanto custa no SUS
A tabela do SUS (SIGTAP), competência de agosto de 2026, tem dois códigos:4
| Código | Procedimento | Valor |
|---|---|---|
0202010325 | Dosagem de creatinofosfoquinase (CPK) | R$ 3,68 |
0202010333 | Dosagem de creatinofosfoquinase fração MB | R$ 4,12 |
Para comparar, a troponina (0202031209) é remunerada em R$ 9,00. Veja também quanto custa um exame de sangue.
Avanços recentes
Com base em publicações indexadas no PubMed:
- Os valores normais de CK foram revistos para cima, e variam de forma marcante entre populações.10
- O efeito da estatina sobre a dor muscular foi testado em desenho n-of-1, e não se distinguiu do placebo.5
- A intolerância à estatina foi estimada em 4 milhões de pacientes, com diferença de mais de três vezes entre ensaios e coortes.6
- A cinética da CK após uma maratona foi medida em corredores brasileiros: pico no dia seguinte, basal só duas semanas depois.2
Estes resultados dizem respeito à pesquisa; não substituem a avaliação do seu médico.
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Uma CPK nunca se lê sozinha: depende do que você tomou, do que fez na véspera, da sua tireoide e dos outros exames do mesmo pedido.
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Perguntas frequentes
O que é a CPK no sangue? É a creatinofosfoquinase, também chamada creatina quinase ou CK: uma enzima que vive dentro das células musculares e aparece no sangue quando elas sofrem.
Quando a CPK indica infarto? Em 2026, no Brasil, ela não é o exame usado para isso. A diretriz brasileira de dor torácica de 2025 é classe III: havendo troponina quantitativa, não se deve pedir CK-MB.3 A CPK total sequer é citada nesse documento.
Quem faz musculação tem CPK mais alta? Sim, muitas vezes acima do limite do laudo, sem doença nenhuma. A SBPC/ML fala em 12 a 24 horas após esforço intenso;7 numa maratona brasileira, o pico foi no dia seguinte e o basal só voltou em quinze dias.2 Colete em condições basais e informe o seu treino.
Preciso de jejum? Não existe regra brasileira de jejum específica para a CPK. A SBPC/ML recomenda evitar jejuns acima de 12 horas e coletar em condições basais: repouso e nada de esforço intenso na véspera.7 Siga o laboratório, que leva em conta os outros exames do pedido, como o lipidograma.
Faz sentido dosar CPK todo ano se eu tomo estatina? A diretriz brasileira recomenda contra dosagens de rotina sem sintomas, e com força.1 A CK entra quando surge queixa muscular, quando a dose muda ou quando entra um medicamento que interage.
O que levar deste guia
A CPK é uma enzima do músculo, não do coração. Ela responde a três perguntas úteis — a dor sob estatina, a lesão muscular, a tireoide não controlada — e a nenhuma pergunta cardíaca que a troponina não responda melhor. O contexto que você leva à consulta vale mais que o número.
Fontes
Fontes oficiais brasileiras e publicações científicas (PubMed) usadas neste guia:
Para o vocabulário do laudo, veja o glossário de exames de sangue.
Footnotes
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Rached FH, Miname MH, Rocha VZ, Zimerman A, Cesena FHY, Sposito AC, et al. — Sociedade Brasileira de Cardiologia (SBC). Diretriz Brasileira de Dislipidemias e Prevenção da Aterosclerose – 2025. Arq Bras Cardiol. 2025;122(9):e20250640. Documento lido no texto integral (548 082 caracteres). Contagem: a sigla CK ocorre 75 vezes como palavra isolada, "miopatia" 32, "rabdomiólise" 19, "sintomas musculares" 27 — para calibrar, "Lp(a)" 85, "apoB" 64, "PCR-us" 3, "homocisteína" 0. Verbatim usados: tabela de recomendações para sintomas musculares relacionados a estatinas (dosagem basal antes de iniciar — CONDICIONAL / BAIXA; contra dosagens rotineiras sem sintomas — FORTE / MODERADA; a favor da dosagem na presença de sintomas graves — FORTE / MODERADA); seção 8.7 ("A dosagem da CK deve ser solicitada antes do início da terapia com estatina, o que possibilitará referência do valor basal"); seção 8.5.1 ("Na presença de dor muscular intolerável, deve-se sempre medir a CK sérica imediatamente. Havendo níveis de CK > 7x LSN ou persistentemente > 3x LSN, deve-se também avaliar os níveis de hormônios tireoidianos (TSH, T4 livre), velocidade de hemossedimentação (VHS) e fator antinuclear (FAN)" — os múltiplos do LSN não foram reproduzidos na página, por serem limiares de decisão); seção 8.5.4 sobre rabdomiólise ("o evento muscular adverso mais grave… necrose muscular, distúrbios hidroeletrolíticos graves, lesão renal aguda, coagulopatia, choque e morte"); seção 8.4 sobre efeito nocebo; Tabela 8.1 de causas associadas à intolerância — item D. Hipotireoidismo ("O hipotireoidismo não controlado é, por si só, uma causa de miopatia, com sintomas como dor muscular, cãibras e elevação da creatina quinase (CK)… Sempre dosar o TSH antes de iniciar a estatina") e item I. Exercício físico excessivo ("A prática de exercícios extenuantes ou muito acima do nível de condicionamento do indivíduo causa microlesões musculares e elevação da CK"). ⚠️ Nenhum limiar dos fluxogramas 8.1 e 8.2 foi reproduzido: o PDF é de duas colunas e as caixas dos fluxogramas saem entrelaçadas na extração, o que basta para inverter uma conduta. "CK-MB" ocorre 0 vez neste documento. DOI: 10.36660/abc.20250640 ↩ ↩2 ↩3 ↩4 ↩5 ↩6 ↩7 ↩8 ↩9 ↩10
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Sierra APR, Lima GHO, da Silva ED, Maciel JFS, Benetti MP, de Oliveira RA, et al. Angiotensin-Converting Enzyme Related-Polymorphisms on Inflammation, Muscle and Myocardial Damage After a Marathon Race. Front Genet. 2019;10:984. Estudo brasileiro, verificado nas afiliações do texto integral: Escola de Educação Física e Esporte da Universidade de São Paulo, Departamento de Cardiologia do Esporte do Instituto Dante Pazzanese de Cardiologia e Departamento de Biofísica da Unifesp; 81 corredores brasileiros que completaram a Maratona Internacional de São Paulo. Tabela 2 (médias ± DP, 81 corredores), CK em U/L: antes 286 ± 735, logo após 679 ± 1 151, um dia depois 2 070 ± 2 012, três dias depois 915 ± 1 670, quinze dias depois 461 ± 1 985. Verbatim: "the marathon race induced an increase in myoglobin (22-fold), CK (7.2-fold), Pro-BNP (2.5-fold), troponin (4-fold), CK-MB (7.6-fold)… (p < 0.0001)"; "Troponin I concentration returned to baseline one day after race; myoglobin level three days after race; LDH, CK, AST and pro-BNP levels 15 days after race; and CK-MB and ALT remained elevated 15 days after race". Os autores classificaram como "high responders" os corredores com CK acima de 500 U/L. DOI: 10.3389/fgene.2019.00984 · PubMed 31708962 ↩ ↩2 ↩3 ↩4
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de Barros e Silva PGM, Soeiro AM, Ornelas CE, Feitosa-Filho GS, Lopes RD, Lino DOC, et al. — Sociedade Brasileira de Cardiologia (SBC), GECETI/DCC e Federación Latinoamericana de Medicina de Emergencias (FLAME). Diretriz Brasileira de Atendimento à Dor Torácica na Unidade de Emergência – 2025. Arq Bras Cardiol. 2025;122(9):e20250620. PDF obtido em HTTP 200
application/pdf, 4 350 873 bytes (controle negativo com identificador inventado: 404text/html); texto extraído para stdout, 337 443 caracteres. Verbatim, recomendação classe III, nível B: "Se troponina quantitativa disponível, não se deve solicitar CK-MB para investigação de IAM", com a nota de rodapé "Na ausência de troponina cardíaca de alta sensibilidade, pode-se utilizar troponina convencional ou, na ausência desta, CKMB-massa", e no corpo do texto "A dosagem de CKMB só deve ser considerada na ausência de troponina e deve-se dar preferência para CKMB massa". ⚠️ Demonstração por enumeração no texto integral, com a regra de correspondência declarada: a cadeia "troponina" sem distinção de caixa e incluindo o plural rende 155 ocorrências (das quais 9 são "troponinas"; 146 contando só a palavra isolada no singular); "CK-MB"/"CKMB" 5; "CPK" 0, "creatina quinase" 0, "mioglobina" 0. ⚠️ Uma frase próxima ("Em locais que têm disponibilidade de troponina quantitativa, não é recomendada a dosagem de CK-MB…") sai cortada pelo entrelaçamento de colunas na extração e por isso não foi citada; a recomendação classe III acima está íntegra no mesmo fragmento que a sua classe. DOI: 10.36660/abc.20250620 ↩ ↩2 ↩3 ↩4 -
Ministério da Saúde / DATASUS — SIGTAP, Tabela de Procedimentos, Medicamentos e OPM do SUS, competência agosto de 2026 (
tb_procedimento.txt, 1 697 774 bytes, 5 023 linhas;tb_descricao.txt, 4 324 linhas). Parser de colunas fixas (VL_SH[282:294], VL_SA[294:306], VL_SP[306:318], decodificação latin-1) validado antes do uso contra valores já publicados neste site: hemograma completo0202020380R$ 4,11 e ferritina0202010384R$ 15,59; dobra de acentos ativa (2 483 das 5 023 linhas contêm acentos combinantes). Procedimentos encontrados:0202010325 DOSAGEM DE CREATINOFOSFOQUINASE (CPK)R$ 3,68,0202010333 DOSAGEM DE CREATINOFOSFOQUINASE FRACAO MBR$ 4,12,0202031209 DOSAGEM DE TROPONINAR$ 9,00,0202010147 DOSAGEM DE ALDOLASER$ 3,68. ⚠️ Falsas ausências medidas: as grafias de mercadoCREATINA QUINASE,CREATINOQUINASE,CK-MBeCKMBrendem 0 na tabela — só a nomenclatura antigaCREATINOFOSFOQUINASE(e a periféraseFRACAO MB) recuperam as linhas.MIOGLOBINAtambém rende 0. Descrições verificadas como únicas ao seu código antes do uso (174 das 4 324 descrições são partilhadas por dois ou mais códigos): CPK total — "A CREATINOFOSFOQUINASE É UMA ENZIMA ENCONTRADA PRINCIPALMENTE NA MUSCULATURA ESTRIADA, CÉREBRO E CORAÇÃO. É UM MARCADOR SENSÍVEL, MAS INESPECÍFICO, DE LESÃO MIOCÁRDICA. NÍVEIS ELEVADOS SÃO ENCONTRADOS, POR EXEMPLO, NO INFARTO AGUDO DO MIOCÁRDIO, NA DISTROFIA MUSCULAR E NO EXERCÍCIO FÍSICO"; fração MB — "É CONSIDERADA O MARCADOR BIOQUÍMICO DE REFERÊNCIA PARA O DIAGNÓSTICO DE LESÃO MIOCÁRDICA E TEM SIDO A BASE PARA COMPARAÇÃO COM OUTROS MARCADORES". ⚠️ Esta segunda descrição contradiz a diretriz clínica de 2025 citada abaixo: uma presença no SIGTAP estabelece cobertura, nunca recomendação, e o escopo declarado pode estar desatualizado. sigtap.datasus.gov.br ↩ ↩2 ↩3 ↩4 -
Herrett E, Williamson E, Brack K, Beaumont D, Perkins A, Thayne A, et al. Statin treatment and muscle symptoms: series of randomised, placebo controlled n-of-1 trials. BMJ. 2021;372:n135. Fonte internacional (StatinWISE, 50 unidades de atenção primária no Reino Unido), declarada como tal por falta de série brasileira equivalente. 200 participantes que tinham parado ou pensavam em parar a estatina por sintomas musculares, randomizados para seis períodos duplo-cegos de dois meses com atorvastatina 20 mg ou placebo; 151 entraram na análise primária. Verbatim: "no difference in muscle symptom scores was found between the statin and placebo periods (mean difference statin minus placebo −0.11, 95% confidence interval −0.36 to 0.14; P=0.40)"; retiradas por sintomas intoleráveis em 18 participantes (9%) sob estatina e 13 (7%) sob placebo; "Two thirds of those completing the trial reported restarting long term treatment with statins". DOI: 10.1136/bmj.n135 · PubMed 33627334 ↩ ↩2
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Bytyçi I, Penson PE, Mikhailidis DP, Wong ND, Hernandez AV, Sahebkar A, et al. Prevalence of statin intolerance: a meta-analysis. Eur Heart J. 2022;43(34):3213-3223. Fonte internacional, citada aqui porque é a referência 282 da própria Diretriz Brasileira de Dislipidemias de 2025. 176 estudos (112 ensaios randomizados, 64 coortes), 4 143 517 pacientes. Verbatim: "The overall prevalence of SI was 9.1% (95% confidence interval 8.0-10%)"; "The prevalence of SI in RCTs was significantly lower compared with cohort studies [4.9% (4.0-6.0%) vs. 17% (14-19%)]"; fatores associados na meta-regressão: idade (OR 1,33), sexo feminino (OR 1,47), "Asian and Black race (P < 0.05 for both)", obesidade (OR 1,30), diabetes (OR 1,26), hipotireoidismo (OR 1,37), insuficiência hepática e renal crônicas. DOI: 10.1093/eurheartj/ehac015 · PubMed 35169843 ↩ ↩2 ↩3
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Sociedade Brasileira de Patologia Clínica/Medicina Laboratorial (SBPC/ML) — Recomendações da SBPC/ML: Boas práticas em laboratório clínico. Barueri: Manole. PDF de 16 055 655 bytes, extração normal de 23 815 linhas / 1 512 420 caracteres. Verbatim usados: variação pré-analítica por atividade física ("O exercício físico mais intenso, por exemplo, pode causar aumento na atividade sérica de algumas enzimas, como creatinoquinase, aldolase e asparato aminotransferase, o qual pode persistir por 12 a 24 horas, de acordo com a intensidade do esforço físico", com recomendação de coleta "em condições basais" e limite de jejum de 12 horas); interferência química da hemólise ("o falso aumento da atividade de creatinoquinase (CK) em virtude da atividade da adenilquinase"); intervalos de referência ("devem ser consideradas… idade, gênero, etnia, fatores ambientais, estado nutricional, grau de atividade física"); capítulo 28, "Vantagens da troponina ultrassensível no diagnóstico do infarto agudo do miocárdio" ("as troponinas de alta sensibilidade, ou simplesmente troponinas, são consideradas o teste-padrão de referência para o diagnóstico do IAM"), no qual a CK-MB não é mencionada uma única vez. ⚠️ Duas advertências sobre este documento. A única ocorrência de "CK-MB" e a única de "mioglobina" em todo o manual estão dentro de um anúncio publicitário da Siemens Healthineers ("siemens-healthineers.com/br"), e não são posições da sociedade — foram descartadas. E a tabela de limiares de interferência por hemólise (que traz "CK total ≥ 100") é declarada no próprio manual como "cortesia da Clínica Dávila, Chile", válida para uma plataforma analítica específica: também descartada, e só o mecanismo descrito no texto corrente foi usado. PDF ↩ ↩2 ↩3 ↩4 ↩5 ↩6
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Luo X, Quan Y, Luo G. Health check revealed elevation of creatine kinase related to hypothyroidism. Endocrinol Diabetes Metab Case Rep. 2026;2026(1):EDM250123. Fonte internacional e relato de caso único — o nível de evidência mais baixo, declarado como tal, citado apenas porque descreve exatamente o enredo desta seção. Verbatim: "an asymptomatic elevation of serum CK was discovered incidentally during a routine health check… A comprehensive diagnostic workup… including cardiac injury, strenuous exercise, statin use, and inflammatory myopathies, all of which were excluded. Thyroid function tests revealed severe primary hypothyroidism with significantly elevated thyroid-stimulating hormone (TSH; >100 mIU/L)… Upon initiation of levothyroxine replacement therapy… a complete normalization of the serum CK level on subsequent follow-up". DOI: 10.1530/EDM-25-0123 · PubMed 41734457 ↩
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Cabral BMI, Edding SN, Portocarrero JP, Lerma EV. Rhabdomyolysis. Dis Mon. 2020;66(8):101015. Fonte internacional, declarada como tal; usada apenas para descrever por que a rabdomiólise é grave, e nenhum limiar nem conduta desta revisão foi reproduzido nesta página. Verbatim relevantes: "the destruction of the sarcolemmal membrane and release of intracellular components into the systemic circulation"; a apresentação varia "from an asymptomatic increase in serum levels of enzymes released from damaged muscles to worrisome conditions such as volume depletion, metabolic and electrolyte abnormalities, and acute kidney injury (AKI)". DOI: 10.1016/j.disamonth.2020.101015 · PubMed 32532456 ↩
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Aleksovska K, Kyriakides T, Angelini C, Argov Z, Claeys KG, de Visser M, et al. What Are the Normal Serum Creatine Kinase Values for Skeletal Muscle? A Worldwide Systematic Review. Eur J Neurol. 2025;32(6):e70240. Fonte internacional (European Academy of Neurology), declarada como tal. Revisão sistemática de estudos observacionais transversais em adultos saudáveis (> 18 anos) de qualquer etnia, com ao menos 100 participantes, em PubMed, Embase e Cochrane. Verbatim: "CK values typically exhibit a non-Gaussian distribution"; "Black individuals demonstrate significantly higher CK values compared to Caucasians and Asians"; "The upper reference limits for CK in Caucasian and Asian males range from 227-440 U/L, while for Black males, it is between 520-810 U/L. The upper reference limits for females range from 135-248 U/L and up to 354 U/L"; "Each laboratory should ideally determine its reference values for CK that reflect its local population". ⚠️ As categorias raciais deste trabalho são as dos estudos primários internacionais e não se transpõem à autodeclaração de cor usada no Brasil; nenhum valor de referência brasileiro específico para a CK foi encontrado nas fontes nacionais consultadas. Verificação de errata feita pelo XML
efetch(CommentsCorrectionscom@RefType="ErratumIn"): nenhuma. DOI: 10.1111/ene.70240 · PubMed 40511619 ↩ ↩2 -
Kyriakides T, Angelini C, Schaefer J, Sacconi S, Siciliano G, Vilchez JJ, et al. EFNS guidelines on the diagnostic approach to pauci- or asymptomatic hyperCKemia. Eur J Neurol. 2010;17(6):767-73. Fonte internacional e antiga (2010), declarada como tal e citada apenas pelo dado epidemiológico, que a revisão sistemática de 2025 acima confirma na mesma direção. Verbatim: "Recent epidemiologic studies show that up to 20% of 'normal' individuals have an elevated creatine kinase activity in the serum"; "The possibility of a subclinical myopathy is often raised, and patients may be unnecessarily denied treatment with statins"; "HyperCKemia needs to be redefined as values beyond 1.5 times the upper limit of normal (which itself needs to be appropriately defined)". As condutas de investigação deste documento (biópsia, eletromiografia, teste genético) não foram reproduzidas. DOI: 10.1111/j.1468-1331.2010.03012.x · PubMed 20402744 ↩