Eletroforese de proteínas: como se lê o traçado
O SUS paga R$ 4,42 por este exame. O gel de agarose separa cinco faixas, a eletroforese capilar separa seis — e o teste que confirma um pico não tem código.
A eletroforese de proteínas é um exame antigo, barato e mal explicado. Ele não devolve um número: devolve um traçado, uma linha com picos e vales, acompanhada da porcentagem de cada faixa. Você também pode encontrá-lo no pedido como eletroforese de proteínas séricas (abreviada EPS pelos laboratórios brasileiros) ou como proteínas totais e frações — que é um exame diferente, com outro código e outro preço, como se verá adiante.
Esta página trata de um exame com uma característica desconfortável: ele é pedido, muitas vezes, para procurar um câncer do sangue — e, na imensa maioria das vezes, não encontra nenhum. Vale começar por aí.
Em resumo
- O traçado tem cinco faixas no gel de agarose e seis na eletroforese capilar. Não é contradição, é método: a capilar separa a beta em beta-1 e beta-2.1
- A descrição oficial do procedimento no Ministério da Saúde lista as cinco: "ALBUMINA, ALFA 1 GLOBULINA, ALFA 2 GLOBULINA, BETAGLOBULINA E GAMAGLOBULINA".2
- No SUS, o exame é
0202010724 ELETROFORESE DE PROTEINAS, R$ 4,42 — o 280º entre os 497 procedimentos remunerados do grupo laboratorial.2 - O teste que confirma um pico não existe na tabela do SUS. A palavra
IMUNOFIXAÇÃOrende zero linha nas 5 023 procedimentos; o que o SUS paga é aIMUNOELETROFORESE DE PROTEINAS(0202030229, R$ 17,16), uma técnica anterior — e o protocolo nacional em vigor pede imunofixação.23 - Um pico não é um diagnóstico. As Diretrizes brasileiras definem a GMSI (gamopatia monoclonal de significado indeterminado) por proteína monoclonal abaixo de 3 g/dL e menos de 10% de plasmócitos clonais na medula, sem lesão de órgão-alvo.3
- Uma coisa que não aparece: em cerca de 15% dos mielomas, o componente monoclonal é só de cadeias leves e o traçado sérico pode mostrar apenas hipogamaglobulinemia.1
- O INCA não estima a incidência do mieloma no Brasil: a palavra não aparece uma única vez na síntese da Estimativa 2026-2028.4
Cinco faixas ou seis? Depende do gel
O capítulo brasileiro de referência sobre este exame é de Gustavo Loureiro, no manual de boas práticas da SBPC/ML, e ele começa exatamente por essa distinção. No gel de agarose, "é gerado um traçado de cinco zonas (albumina, alfa-1 globulinas, alfa-2 globulinas, betaglobulinas e gamaglobulinas)". Na eletroforese capilar, a leitura por luz ultravioleta gera "seis zonas identificáveis", porque a beta se desdobra em beta-1 e beta-2.1
Se o seu laudo de hoje tem seis faixas e o do ano passado tinha cinco, quase certamente mudou o equipamento, não você.
O que cada faixa carrega, em linhas gerais: a albumina é a maior de todas e tem página própria; as alfa e beta reúnem proteínas de transporte e de fase aguda — entre elas a transferrina e a haptoglobina —; e a gama é onde vivem os anticorpos. A soma de tudo é o que a dosagem de proteínas totais mede num único número — e as duas costumam vir no mesmo pedido que o hepatograma, já que é o fígado que fabrica quase todas elas.
Um pico estreito não é um diagnóstico
Esta é a parte que mais assusta e a que menos se explica.
As Diretrizes Diagnósticas e Terapêuticas do Mieloma Múltiplo, aprovadas pela Portaria Conjunta SAES/SECTICS nº 27, de 5 de dezembro de 2023, descrevem a condição mais comum diante de um pico. Chama-se, em português, GMSI — o documento nunca usa a sigla inglesa MGUS — e é definida por quatro critérios que precisam ser todos atendidos: proteína monoclonal sérica menor que 3 g/dL, plasmócitos clonais na medula óssea menores que 10%, ausência de outra doença proliferativa de células B, e ausência de lesão de órgão ou tecido alvo.3
O mesmo documento dá o número que interessa a quem acabou de receber o resultado. Indivíduos com GMSI e os dois fatores de risco — mais de 1,5 g/dL de proteína M e razão alterada de cadeias leves livres — "apresentam risco aumentado entre 20% e 30% de desenvolverem MM ativo em 20 anos".3 Ou seja: mesmo no grupo de maior risco, sete a oito pessoas em cada dez não evoluem em duas décadas.
A coorte que sustenta esse tipo de estimativa é norte-americana e a citamos como recurso internacional declarado, porque não encontramos equivalente brasileiro: 1 384 pacientes de Minnesota, mediana de seguimento de 34,1 anos, progressão em 11%. Entre os que tinham GMSI não-IgM, o risco em 20 anos foi de 7% para quem não tinha nenhum fator de risco, 20% com um e 30% com os dois.5
⚠️ Uma advertência de leitura. A frase mais tranquilizadora que circula sobre o assunto — "a maioria dos pacientes que apresentam componentes monoclonais não são portadores de alguma doença maligna", com o estudo da Clínica Mayo de 2005 — está, no manual da SBPC/ML, dentro de um encarte publicitário de fabricante, não no texto assinado. Medimos: a palavra gamopatia aparece 15 vezes no manual e nenhuma delas fora da seção de anunciantes; mieloma aparece 48 vezes, das quais apenas 2 no capítulo técnico.1 Por isso o número desta página vem do protocolo do Ministério, não do manual.
O que imita um pico
O capítulo de Loureiro é, em boa parte, uma lista de armadilhas — e ela é a melhor razão para não tirar conclusões de um traçado isolado.1
| O que aparece | Por quê |
|---|---|
| Banda estreita entre beta e gama | Fibrinogênio, quando a amostra é plasma e não soro: "indistinguível de uma proteína-M pela EPS". A imunofixação não mostra nada, e repetir em amostra adequada resolve |
| Banda em alfa-2 | Complexos hemoglobina-haptoglobina de uma amostra hemolisada |
| Banda em beta | Transferrina alta em quem tem anemia por falta de ferro |
| Alfa-2 e beta elevadas, albumina e gama baixas | Síndrome nefrótica — vale olhar a função renal |
| Elevação de alfa-1 | Proteínas de fase aguda ou certas hiperlipoproteinemias |
| Banda no ponto de aplicação | Artefato do gel. A pista: a mesma banda em pacientes diferentes da mesma corrida |
Dois casos reais do mesmo capítulo fecham o quadro. Um homem de 65 anos, assintomático, em exames de rotina, apresentou dois picos na região da albumina — é a bisalbuminemia, condição hereditária que "não tem significado patológico", com incidência entre 1:1 000 e 1:10 000. E um homem de 52 anos internado com pneumonia mostrou três pequenos picos (0,12, 0,18 e 0,32 g/dL) na região de gamaglobulinas: uma expansão oligoclonal, vista em quadros infecciosos ou autoimunes em atividade, que tende a desaparecer resolvido o processo.1
É a diferença que o traçado torna visível: uma elevação larga da gama é uma reação — fígado, autoimunidade, inflamação, infecção são as categorias mais frequentes segundo a revisão internacional de referência —, enquanto um pico estreito é um clone.6 Marcadores como a proteína C reativa e a VHS ajudam a situar o primeiro caso; veja também os marcadores inflamatórios.
Ler esse traçado é trabalho de especialista, e não é fácil: num estudo com 159 969 eletroforeses, a concordância entre um algoritmo e os peritos (κ = 0,632) foi maior do que a concordância dos peritos entre si (κ = 0,624).7
O traçado normal não exclui tudo
O terceiro caso do capítulo é o mais importante para a segurança de quem lê. Uma mulher de 72 anos, com dor lombar forte e lesões líticas na coluna, tinha uma EPS sem componente monoclonal — apenas hipogamaglobulinemia (0,50 g/dL, para uma referência de 0,74 a 1,75). O componente estava na urina, como cadeia kappa livre.1
A explicação está no mesmo texto: "em cerca de 15% dos casos de mieloma múltiplo, o componente monoclonal é constituído apenas de cadeias leves livres". Nesses casos o soro pode não acusar nada enquanto a função renal estiver preservada. É por isso que o protocolo nacional pede eletroforese e imunofixação séricas e urinárias, não só do sangue.3
O que o protocolo pede e o que o SUS paga
Aqui está a divergência mais concreta desta página, e ela é entre dois documentos do próprio Estado brasileiro.
Para a atenção primária, a DDT define um painel mínimo notavelmente enxuto: "hemograma e eletroforese de proteínas, a fim de documentar os sinais de anemia e pico monoclonal".3 Dois exames — o hemograma completo e este. Confirmada a suspeita, a triagem se amplia para ureia e creatinina, cálcio, eletroforese e imunofixação séricas e urinárias, dosagem de imunoglobulinas, cadeias leves livres, albumina e DHL; depois, beta-2 microglobulina, PCR, VHS, mielograma e citogenética.3
Lendo a tabela de procedimentos do SUS linha a linha, o resultado é este:2
| Procedimento | Código | Valor |
|---|---|---|
| Eletroforese de proteínas | 0202010724 | R$ 4,42 |
| Imunoeletroforese de proteínas | 0202030229 | R$ 17,16 |
| Proteínas urinárias por eletroforese | 0202050300 | R$ 4,44 |
| Proteínas totais e frações | 0202010627 | R$ 1,85 |
| Pesquisa de cadeias leves kappa e lambda (urina) | 0202050181 | R$ 2,40 |
| Beta-2-microglobulina | 0202030113 | R$ 13,55 |
| FISH para mieloma múltiplo | 0202100243 | R$ 376,47 |
Confirmar um pico custa, portanto, quase quatro vezes o exame que o encontrou. E duas ausências saltam da leitura: IMUNOFIXAÇÃO não existe na tabela, e não há dosagem de cadeias leves livres no sangue — a única linha de cadeias leves é uma pesquisa no subgrupo de urina. A nomenclatura do setor privado, a TUSS, tem as duas: 40302725 Imunofixação - cada fração e 40324265 Cadeias leves livres Kappa/Lambda, dosagem, sangue.8 O protocolo pede; o financiamento público nomeia outra coisa.
Alfa-1 baixa: existe posição brasileira, e ela é precisa
Uma faixa alfa-1 muito baixa levanta a hipótese de deficiência de alfa-1-antitripsina. Procuramos um protocolo nacional dedicado e ele não existe: o índice de protocolos do Ministério lista quatro outras "deficiência de…" e nenhuma dessa.9
Mas a posição existe, dentro do PCDT da Doença Pulmonar Obstrutiva Crônica (Portaria Conjunta SAES/SCTIE nº 29, de 27 de novembro de 2025). Ele diz quem testar — "casos de enfisema pulmonar panlobular com predomínio basal de início precoce (antes da 4ª década), especialmente em não tabagistas" — e dá o corte: deficiência é nível sérico abaixo de 11 micromol/L (menor que 80 mg/dL). Quem tem a deficiência deve ser encaminhado à pneumologia.10 O SUS paga a dosagem: 0202010155, R$ 3,68.2
⚠️ Note o que não está escrito: nem o PCDT nem o capítulo da SBPC/ML transformam uma alfa-1 baixa no traçado em gatilho automático desse teste. O que o protocolo descreve é um perfil clínico.
Quanto o Brasil sabe sobre o mieloma
Pouco, e convém dizê-lo. O INCA publica páginas para 26 tipos de câncer — leucemia, linfoma de Hodgkin e não Hodgkin entre elas — e nenhuma para o mieloma múltiplo. Na síntese da Estimativa 2026-2028, com 78 673 caracteres de texto, "mieloma" aparece zero vez, contra 14 de "leucemia" e 23 de "linfoma".4
O que há é mortalidade. Um estudo do A.C.Camargo, da USP e da UFRN sobre 17 países registrou, no Brasil de 1996 a 2013, 16 018 óbitos em homens e 15 819 em mulheres, com tendência de alta de 1,4% ao ano entre eles e 0,9% entre elas — e de 1,8% e 1,2% acima dos 60 anos.11 E uma coorte de São Paulo mostra em que estágio a doença costuma ser encontrada: entre 167 pacientes, 44% já tinham filtração glomerular abaixo de 60 no diagnóstico, e cerca de 80% estavam em estádio 2 ou 3.12 No mundo, a estimativa GLOBOCAN 2022 é de 188 mil casos e 121 mil mortes.13
Nada disso muda a leitura do seu resultado. Muda o motivo pelo qual o exame é barato e disponível: ele é a porta de entrada de uma doença que, aqui, chega tarde.
Perguntas frequentes
Preciso estar em jejum? Nenhuma das fontes institucionais brasileiras consultadas — a tabela do Ministério, a DDT do mieloma e o capítulo da SBPC/ML — publica exigência de jejum para este exame. Siga a orientação do laboratório que fará a coleta.
Qual é o valor normal de cada faixa? Não há intervalo nacional publicado: o laudo traz a referência do método usado, e ela muda entre agarose e capilar. O único valor de referência que encontramos citado em fonte brasileira é o da gamaglobulina no caso 3 do capítulo da SBPC/ML, 0,74 a 1,75 g/dL.1 Vale o intervalo impresso ao lado do seu resultado.
Apareceu "pico monoclonal" no meu laudo. É câncer? Não é um diagnóstico. Pelo protocolo brasileiro, o quadro mais comum é a GMSI, definida por proteína monoclonal abaixo de 3 g/dL sem lesão de órgão-alvo; mesmo no subgrupo de maior risco, o risco de evoluir para mieloma ativo é de 20% a 30% em 20 anos.3 O passo seguinte é a confirmação por imunofixação e a avaliação de cálcio, função renal, hemoglobina e ossos — não uma conclusão.
Minha eletroforese veio normal. Está descartado? Não inteiramente. Em cerca de 15% dos mielomas o componente é só de cadeias leves, e o traçado sérico pode mostrar apenas hipogamaglobulinemia.1 Se há sintomas ósseos, anemia ou alteração renal, o protocolo prevê a investigação urinária.3
Este exame serve para rastreamento? O protocolo brasileiro o coloca no painel mínimo de encaminhamento de casos suspeitos, não em check-up de pessoa sem sintomas.3 Sobre o que faz e o que não faz sentido nessa área, veja os marcadores tumorais.
É o mesmo que "proteínas totais e frações"? São códigos distintos no SUS, com preços distintos (R$ 1,85 e R$ 4,42).2 Só a eletroforese produz o traçado; a descrição oficial do outro exame espera "uma razão albumina/globulina maior ou igual a 1".2
Para lembrar
A eletroforese de proteínas é barata, amplamente disponível e frequentemente mal lida — inclusive por quem a pede. Ela mostra uma forma, não um número, e essa forma diz coisas diferentes conforme o método, a amostra e o contexto: fibrinogênio, hemólise, falta de ferro e síndrome nefrótica produzem bandas que parecem o que não são, e um traçado limpo não exclui um mieloma de cadeias leves. Se o seu laudo trouxe alguma anotação, três perguntas ordenam a conversa com o médico: foi soro ou plasma, como estão o cálcio, a creatinina e o hemograma, e qual era o traçado anterior. Organizar esses resultados lado a lado é o que o AI DiagMe ajuda a fazer, como complemento à consulta, nunca no lugar dela.
Fontes
Fontes oficiais brasileiras e publicações científicas (PubMed) usadas neste guia:
Footnotes
-
Sociedade Brasileira de Patologia Clínica / Medicina Laboratorial (SBPC/ML) — Recomendações da SBPC/ML: Boas Práticas em Laboratório Clínico. PDF oficial de 16 055 655 bytes, extraído por nós para stdout (1 357 819 caracteres, 23 533 linhas). Capítulo citado: 31 — "Dificuldades na interpretação dos resultados de eletroforese de proteínas", de Gustavo Loureiro, páginas 234-239, texto assinado. Trechos textuais: cinco zonas no gel de agarose e "seis zonas identificáveis (albumina, alfa-1 globulinas, alfa-2 globulinas, beta-1 globulinas, beta-2 globulinas e gamaglobulinas)" na capilar; caso 1 — bisalbuminemia, "condição hereditária", "não tem significado patológico", "incidência varia entre 1:1000 e 1:10.000 na população caucasiana"; caso 2 — "três pequenos picos monoclonais de baixa concentração (0,12, 0,18 e 0,32 g/dL)… expansão denominada oligoclonal… Uma vez resolvido o processo infeccioso/inflamatório, a tendência é o desaparecimento desses componentes"; caso 3 — "hipogamaglobulinemia (0,50 g/dL, VR: 0,74 a 1,75 g/dL)" e "Em cerca de 15% dos casos de mieloma múltiplo, o componente monoclonal é constituído apenas de cadeias leves livres (FLC)"; falsos positivos — "Fibrinogênio (no plasma) pode ser visualizado como uma banda restrita entre as regiões beta (ou beta 2) e gama… indistinguível de uma proteína-M pela EPS", complexos hemoglobina-haptoglobina em alfa-2, "altas concentrações de transferrina em pacientes com anemia ferropriva" em beta, síndrome nefrótica com alfa-2 e beta elevadas, e o artefato do ponto de aplicação. Do capítulo pré-analítico do mesmo manual: "A hemoglobina livre pode contribuir para aumentar a medida da proteína total no soro e, assim, afetar a eletroforese de proteínas (principalmente nas regiões alfa e betaglobulina)". 🔴 Separação entre texto assinado e publicidade, medida por nós (contagem por ocorrências, dobra de acentos ativa, hífens condicionais U+00AD removidos, extração sem
-layout, com leitura do contexto de cada ocorrência):gamopatia= 15 ocorrências, todas dentro dos encartes de patrocinadores (The Binding Site/Freelite®, e um publieditorial não assinado sobre eletroforese que segue um anúncio da Merck);mieloma= 48, das quais apenas 2 no capítulo 31 assinado;cadeias leves= 23, sendo 19 nos encartes. É por isso que a frase "a maioria dos pacientes que apresentam componentes monoclonais não são portadores de alguma doença maligna" e o dado "Clínica Mayo 2005, 1510 pacientes, 51% MGUS" não são atribuídos à SBPC/ML nesta página: são texto publicitário. Idem paraalfa-1-antitripsina, cuja única ocorrência no corpo assinado está no capítulo do PSA (proteínas ligantes), as outras duas estando num encarte Siemens que escreve "Alfa-1-Antitripisina". PDF (controllab.com) · sbpc.org.br ↩ ↩2 ↩3 ↩4 ↩5 ↩6 ↩7 ↩8 ↩9 -
Ministério da Saúde / DATASUS — SIGTAP, Tabela de Procedimentos, Medicamentos e OPM do SUS, competência agosto de 2026. Arquivos lidos por nós:
tb_procedimento.txt, 1 697 774 bytes, 5 023 linhas;tb_descricao.txt, 4 324 registros. Regra de correspondência declarada: decodificação latin-1 sobre o arquivo bruto (converter para UTF-8 antes de fatiar desloca as colunas), dobra de acentos NFD, maiúsculas ignoradas, contagem por linhas. Prova de que a dobra de acentos estava ativa: 2 483 das 5 023 linhas trazem acentos combinantes no rótulo. Parser de colunas fixas (VL_SH[282:294],VL_SA[294:306],VL_SP[306:318], offsets confirmados notb_procedimento_layout.txtdo mesmo pacote) validado antes do uso contra dois valores já publicados neste site: hemograma completo0202020380= R$ 4,11 e ferritina0202010384= R$ 15,59. Controle positivo:CREATININA→ 3 linhas. Resultados:ELETROFORESE→ 8 linhas, entre elas0202010724 ELETROFORESE DE PROTEINASR$ 4,42 (280ª maior entre as 497 linhas com valor do grupo0202, que tem 525 linhas ao todo),0202030229 IMUNOELETROFORESE DE PROTEINASR$ 17,16 (80ª),0202050300 PESQUISA DE PROTEINAS URINARIAS (POR ELETROFORESE)R$ 4,44,0202090159no líquor R$ 5,23,0202010716 ELETROFORESE DE LIPOPROTEINASR$ 3,68 e0202020355 ELETROFORESE DE HEMOGLOBINAR$ 5,41. Demais códigos citados:0202010627 DOSAGEM DE PROTEINAS TOTAIS E FRACOESR$ 1,85 ·0202010619 DOSAGEM DE PROTEINAS TOTAISR$ 1,40 ·0202050181 PESQUISA DE CADEIAS LEVES KAPPA E LAMBDAR$ 2,40 (subgrupo020205, o mesmo das 31 outras análises de urina da tabela) ·0202030113 DOSAGEM DE BETA-2-MICROGLOBULINAR$ 13,55 ·0202010155 DOSAGEM DE ALFA-1-ANTITRIPSINAR$ 3,68 ·0202100243 TESTE CITOGENÈTICO POR HIBRIDIZAÇÃO IN SITU POR FLUORESCÊNCIA (FISH) PARA MIELOMA MÚLTIPLOR$ 376,47. Ausências demonstradas por enumeração, testadas soldadas, separadas e por radical curto:IMUNOFIXA→ 0,PROTEINOGRAMA→ 0,BENCE→ 0,JONES→ 0,GAMOPATIA/GAMAPATIAnos rótulos → 0; e nenhuma linha de dosagem de cadeias leves livres em soro. ⚠️ Buscas descartadas por ruído de subcadeia, registradas para quem repetir a medida:IGArende dezenas deLIGADURA,FIGADO,BEXIGAeINVESTIGAÇÃO;FIXACAOrende 20 linhas, quase todas de próteses ortopédicas. Descrições citadas e verificadas como únicas do seu código:0202010724— "ELETROFORESE É UMA TÉCNICA LABORATORIAL USADA PARA SEPARAR OS GRUPOS DE PROTEÍNAS DO SORO… AS PRINCIPAIS FRAÇÕES PROTEICAS… SÃO AS SEGUINTES: ALBUMINA, ALFA 1 GLOBULINA, ALFA 2 GLOBULINA, BETAGLOBULINA E GAMAGLOBULINA";0202010627— "ESPERA-SE ENCONTRAR UMA RAZÃO ALBUMINA/GLOBULINA MAIOR OU IGUAL A 1". 🔴 Coquilha oficial encontrada e não reproduzida no corpo: a descrição do0202030229escreve "GAMOPATIAS MUNICIONAIS BENIGNAS" onde se lê monoclonais —MUNICIONAISé a única ocorrência em 4 324 descrições, e por causa dela procurar "gamopatia monoclonal" nas descrições não devolve o código da imunoeletroforese (MONOCLONALdevolve apenas0214010180,0304030180e0304030198). sigtap.datasus.gov.br ↩ ↩2 ↩3 ↩4 ↩5 ↩6 ↩7 -
Ministério da Saúde — Diretrizes Diagnósticas e Terapêuticas do Mieloma Múltiplo, Portaria Conjunta SAES/SECTICS nº 27, de 05 de dezembro de 2023. PDF verificado por nós: 2 270 722 bytes, 100 páginas, 244 017 caracteres extraídos para stdout; identidade confirmada por grep do número e da data da portaria no próprio texto, não pelo nome do arquivo. ⚠️ Documento em vigor obtido por
gov.br/saude/…/pcdt/m/mieloma-multiplo-ddt. A CONITEC continua servindo, emmidias/protocolos/ddt_mieloma-multiplo.pdf, a versão de 2015 (Portaria SAS/MS nº 708, de 6 de agosto de 2015, 38 páginas) — que o art. 4º da portaria de 2023 revoga expressamente. Controle negativo do caminho: um nome de arquivo inventado devolve 404text/html(150 429 bytes) contra 200application/pdf(428 736) do real; a URL terminada em.pdfsem sufixo devolve a visionneuse Plone emtext/html, e o arquivo verdadeiro está em/@@download/file. Trechos citados textualmente: painel mínimo de encaminhamento — "O painel mínimo sugerido… inclui hemograma e eletroforese de proteínas, a fim de documentar os sinais de anemia e pico monoclonal"; triagem inicial — "hemograma completo (contagem celular e esfregaço), níveis séricos de ureia e creatinina, cálcio, eletroforese e imunofixação de proteínas séricas e urinárias, dosagem sérica de imunoglobulinas (IgA, IgM, IgG e IgE), dosagem de cadeias leves (kappa e lambda) livres, albumina e desidrogenase láctica (DHL)"; GMSI não-IgM (Quadro 3) — "(1) Proteína monoclonal sérica (não-IgM) menor que 3 g/dL. (2) Plasmócitos clonais na medula óssea menores que 10%. (3) Ausência de evidência de outra doença proliferativa de células B. (4) Ausência de lesão de órgão ou tecido alvo…"; risco — "Indivíduos com GMSI, com mais de 1,5 g/dL de proteína M e razão alterada de dosagem de cadeias kappa/lambda leves livres séricas, apresentam risco aumentado entre 20% e 30% de desenvolverem MM ativo em 20 anos"; monitoramento — dosagem da proteína-M "com frequência mensal no primeiro ano e bimensal a partir do segundo ano". Terminologia medida no texto integral:GMSI6 ocorrências,MGUS0. ⚠️ Discrepância de unidade declarada e não reproduzida: o Quadro 1 imprime o critério renal como "creatinina sérica maior que 177 mmol/L (2 mg/dL)" — 177 corresponde a µmol/L, não mmol/L; citamos apenas o valor em mg/dL. Demais dados citados: 73% dos pacientes com anemia ao diagnóstico, dores ósseas em 58%, perda de peso em 28%; mediana de idade de 63 anos (variação 18 a 100) segundo o Observatório de Oncologia. gov.br/saude — PCDT ↩ ↩2 ↩3 ↩4 ↩5 ↩6 ↩7 ↩8 ↩9 ↩10 -
Instituto Nacional de Câncer (INCA) — páginas institucionais consultadas por nós em 8 de setembro de 2026. (1) Tipos de câncer: 26 páginas de tipo enumeradas a partir dos
hrefda página-índice (200 / 159 873 bytes), incluindo leucemia, linfoma de Hodgkin e linfoma não Hodgkin — nenhuma dedicada ao mieloma múltiplo. Controle negativo limpo:…/tipos/mieloma-multiploe um slug inventado devolvem ambos 404application/jsonde 26 bytes. (2) Estimativa — Síntese de Resultados e Comentários (200 / 213 309 bytes; página publicada em 01/02/2023 e atualizada em 04/02/2026), triênio 2026 a 2028: 78 673 caracteres de texto extraído — logo não se trata do caso, documentado neste site, de aba que nunca carrega o conteúdo — nos quaismielomaaparece 0 vez, contraleucemia14 elinfoma23 como controles positivos. Valor citado do mesmo texto: "O número estimado de casos novos de leucemia para o Brasil, para cada ano do triênio de 2026 a 2028, é de 12.220 casos". ⚠️ Registramos também uma medida negativa que não foi usada: a busca interna da ABHH (abhh.org.br/?s=) devolve exatamente os mesmos 68 299 bytes e os mesmos 6 790 caracteres de texto para um termo real e para um termo inventado — ela não discrimina, portanto nada pôde ser concluído sobre o conteúdo dessa sociedade, e nada dela é citado aqui. gov.br/inca — Estimativa ↩ ↩2 -
Kyle RA, Larson DR, Therneau TM, Dispenzieri A, Kumar S, Cerhan JR, Rajkumar SV. Long-Term Follow-up of Monoclonal Gammopathy of Undetermined Significance. N Engl J Med. 2018;378(3):241-249. Fonte internacional, citada em recurso explicitamente declarado no corpo do texto, por não termos encontrado equivalente brasileiro (a busca
monoclonal gammopathy Brazil prevalence blood donors elderlyno PubMed devolve um único registro, inspecionado, sobre fagocitose por neutrófilos em transplantados renais). Coorte de Olmsted County e sudeste de Minnesota, Mayo Clinic — 1 384 pacientes com GMSI diagnosticada entre 1960 e 1994, mediana de seguimento de 34,1 anos, 14 130 pessoas-ano. Valores citados: GMSI presente em cerca de 3% das pessoas com 50 anos ou mais; progressão em 147 pacientes (11%), taxa 6,5 vezes a da população-controle; risco de progressão de 10% em 10 anos, 18% em 20 anos, 28% em 30 anos; na GMSI não-IgM, risco em 20 anos de 30% com os dois fatores adversos, 20% com um e 7% com nenhum. Sem errata declarada (leitura deCommentsCorrections/@RefType="ErratumIn"no XMLefetch, método validado com controle positivo no PMID 32813765 → errata 33047906). PubMed · DOI ↩ -
Zhao EJ, Cheng CV, Mattman A, Chen LYC. Polyclonal hypergammaglobulinaemia: assessment, clinical interpretation, and management. Lancet Haematol. 2021;8(5):e365-e375. Revisão da University of British Columbia e do Vancouver General Hospital, Canadá — fonte internacional, citada em recurso declarado no corpo do texto, porque nenhuma fonte brasileira aberta encontrada organiza as causas do padrão policlonal. Citada apenas para o enunciado qualitativo reproduzido: a hipergamaglobulinemia policlonal "is most commonly caused by liver disease, immune dysregulation, or inflammation", e as causas se dividem em oito categorias (doença hepática, doença autoimune e vasculite, infecção e inflamação, neoplasia não hematológica, distúrbios hematológicos, doença relacionada a IgG4, síndromes de imunodeficiência e iatrogenia). Sem errata declarada. PubMed · DOI ↩
-
Chabrun F, Dieu X, Ferre M, e cols., Mirebeau-Prunier D. Achieving Expert-Level Interpretation of Serum Protein Electrophoresis through Deep Learning Driven by Human Reasoning. Clin Chem. 2021;67(10):1406-1414. Centro Hospitalar Universitário de Angers, França — fonte internacional declarada, citada apenas pela medida de concordância. Conjunto de treinamento anotado por peritos com 159 969 eletroforeses e validação externa independente com 70 362, confrontado com um painel de nove peritos de outros centros. Valores citados: concordância do algoritmo com os peritos κ = 0,632, superior à concordância dos peritos entre si, κ = 0,624; identificação de picos monoclonais com ROC-AUC ≥ 0,99. Sem errata declarada. PubMed · DOI ↩
-
Terminologia Unificada da Saúde Suplementar (TUSS) — arquivo
tb_tuss.txtdo mesmo pacote de tabelas, 2 663 892 bytes, 5 766 linhas, lido em latin-1 com colunas fixas (CO_TUSS[0:10],NO_TUSS[10:460]) conforme otb_tuss_layout.txtque o acompanha. Controle positivo:CREATININA→ 6 linhas. Códigos citados:40302717 Eletroforese de proteínas de alta resolução·40302725 Imunofixação - cada fração·40307336 Imunoeletroforese (estudo da gamopatia) - pesquisa e/ou dosagem·40324265 Cadeias leves livres Kappa/Lambda, dosagem, sangue(e40323978em urina,40324273em líquor) ·40311201 Proteínas de Bence Jones, pesquisa - na urina·40301249 Alfa-1-antitripsina, pesquisa e/ou dosagem no soro. Citado como nomenclatura do setor privado, que estabelece a existência de um código — nunca como autoridade sanitária nem como prova de que o exame seja coberto por um plano em particular. ↩ -
Ministério da Saúde — índice de Protocolos Clínicos e Diretrizes Terapêuticas, letras A (136 638 bytes) e D (148 814 bytes), consultados em 8 de setembro de 2026. Ausência demonstrada por enumeração: nenhuma entrada de
alfaouantitripsinanos dois índices, enquanto a expressão "deficiência de" aparece quatro vezes aplicada a outras doenças (biotinidase, hormônio de crescimento, deficiência intelectual, angioedema por deficiência de C1-esterase) — controle positivo que mostra que a forma gramatical está presente no índice e simplesmente não é usada para a alfa-1-antitripsina. As doenças raras com protocolo próprio (Gaucher, Fabry, Pompe, Niemann-Pick, Wilson) também estão listadas. gov.br/saude — PCDT letra A ↩ -
Ministério da Saúde — Protocolo Clínico e Diretrizes Terapêuticas da Doença Pulmonar Obstrutiva Crônica, Portaria Conjunta SAES/SCTIE nº 29, de 27 de novembro de 2025. PDF verificado por nós: 1 123 322 bytes, 68 páginas, 169 935 caracteres extraídos para stdout; identidade confirmada por grep da portaria no texto.
alfa-1-antitripsina= 8 ocorrências. Trechos citados textualmente: "Dosagem de alfa-1-antitripsina: deve ser considerada para casos de enfisema pulmonar panlobular com predomínio basal de início precoce (antes da 4ª década), especialmente em não tabagistas. A deficiência da atividade de alfa-1-antitripsina (AAT) é definida por nível sérico inferior a 11 micromol/L (menor que 80 mg/dL)"; "pacientes com deficiência de alfa-1-antitripsina devem ser encaminhados para avaliação/acompanhamento em serviço especializado em pneumologia"; e, sobre a reposição da proteína, "Estudos de fase III… tiveram limitações metodológicas importantes… Não houve diferença na qualidade de vida comparativamente ao placebo". gov.br/saude — PCDT ↩ -
Curado MP, Oliveira MM, Silva DRM, Souza DLB. Epidemiology of multiple myeloma in 17 Latin American countries: an update. Cancer Med. 2018;7(5):2101-2108. Dado brasileiro: autores do A.C.Camargo Cancer Center e da Faculdade de Saúde Pública da USP (São Paulo) e da UFRN (Natal), com dados de mortalidade do Brasil no período de 1996 a 2013. Valores citados textualmente da tabela do país: 16 018 óbitos em homens e 15 819 em mulheres; variação percentual anual média da mortalidade de 1,4% (IC 95% 1,3; 1,5) em homens e 0,9% (0,8; 1,0) em mulheres; na faixa de 60 anos ou mais, 1,8% (1,7; 1,9) e 1,2% (1,1; 1,3). ⚠️ O Brasil aparece na análise de mortalidade, não na de incidência — esta última se restringe, no artigo, a registros de base populacional (Cali, Quito, Costa Rica), o que é coerente com a ausência de estimativa de incidência do mieloma no INCA. Sem errata declarada. PubMed · DOI ↩
-
Dias Junior MS, Cesar BN, Braga WMT, Hamerschlak N, e cols. Kidney function in newly diagnosed myeloma patients: factors associated with kidney impairment and recovery. BMC Nephrol. 2024;25:337. Coorte brasileira — Divisão de Nefrologia e Departamento de Oncologia Clínica e Experimental da Universidade Federal de São Paulo (UNIFESP) e Hematologia e Transplante de Medula Óssea do Hospital Israelita Albert Einstein, São Paulo; afiliações e local de recrutamento verificados no registro, e não deduzidos da revista. Estudo retrospectivo com 167 pacientes admitidos consecutivamente nos ambulatórios de dois hospitais no período de janeiro de 2009 a janeiro de 2019. Valores citados: idade mediana de 66 anos; 74 pacientes (44%) com filtração glomerular estimada abaixo de 60 mL/min/1,73 m² no momento do diagnóstico; estádio ISS 3 em 43,7% e ISS 2 em 35,9%; 31% submetidos a transplante de células-tronco. Sem errata declarada. PubMed · DOI ↩
-
Mafra A, Laversanne M, Marcos-Gragera R, e cols., Znaor A. The global multiple myeloma incidence and mortality burden in 2022 and predictions for 2045. J Natl Cancer Inst. 2025;117(5):907-914. Luxembourg Institute of Health e Agência Internacional de Pesquisa sobre o Câncer (IARC), Lyon — estimativa global declarada como tal, usada apenas para dar ordem de grandeza onde o INCA não publica estimativa nacional. Valores citados: 188 000 casos e 121 000 óbitos por mieloma múltiplo estimados no mundo em 2022 a partir da base GLOBOCAN 2022 (185 países); aumento projetado de 71% na incidência e 79% na mortalidade até 2045, mantidas as taxas atuais. Sem errata declarada. PubMed · DOI ↩