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Exame de vitamina B12 (cobalamina): valores e limites

O que o exame de vitamina B12 mede e o que ele não enxerga: valores, zona cinzenta, B12 alta, metformina e o que o SUS cobre — e o que não cobre.

Publicado em 5 de setembro de 202612 min de leituraEscrito pela Equipe Blood Analysis · Revisado e verificado por Julien Priour

A vitamina B12, ou cobalamina, aparece no laudo como uma linha e um número. Esta página explica por que esse número é mais frágil do que parece — a ponto de um resultado na faixa de referência não excluir uma deficiência — e o que o Brasil mede e cobre. Ela faz parte do perfil vitamínico, ao lado da vitamina D, do ácido fólico e da homocisteína.

Em resumo

  • O exame mede a cobalamina total. Só a ligada à transcobalamina entra nas células; a ligada à haptocorrina não conta — e é ela a maior parte do que se mede. Por isso a B12 sérica é um indicador tardio, e pode sair normal em quem está faltando.12
  • Os exames de segunda linha são o ácido metilmalônico (AMM) e a homocisteína.1 🔴 O AMM não tem código nem no SUS nem na TUSS; a homocisteína, só na TUSS.34
  • Dado nacional: o ENANI-2019 achou 14,2% de deficiência de B12 em crianças brasileiras — contra 1,0% de folato.5 O Brasil fortifica farinhas com ferro e ácido fólico, não com B12.6
  • A SBD recomenda avaliar a B12 de quem usa metformina.78
  • Nenhuma instituição brasileira publica um intervalo de referência de B12.9101112 No SUS, a dosagem custa R$ 15,24 (código 0202010708).3

O que a B12 faz, e por que ela falta

A cobalamina é cofator de duas reações, e cada uma deixa um rastro. Com a metilcobalamina, a metionina sintase converte homocisteína em metionina — faltando B12, a homocisteína sobe. Com a adenosilcobalamina, metilmalonil-CoA vira succinil-CoA — faltando, acumula-se ácido metilmalônico.1 São elas que se dosam quando o exame não basta.

O corpo não fabrica B12: ela vem quase só de carne, peixe, ovos e laticínios. Os fatores de risco são a omissão prolongada desses alimentos, a gastrite autoimune (anemia perniciosa), doenças e cirurgias intestinais, a gestação e a idade avançada.1 No sangue, a falta se traduz em hemácias grandes — mas a macrocitose é sinal tardio e inespecífico, e parte dos deficientes não tem alteração hematológica alguma. Pior: deficiência de ferro ou traço talassêmico podem mascará-la no hemograma completo,1 o que pesa num país com pelo menos 4% de alfa-talassemias e muita ferritina baixa.9

O ponto central: um resultado normal não exclui a deficiência

Todo exame de B12 dosa a concentração total: a cobalamina ligada à transcobalamina (a holotranscobalamina, holoTC) mais a ligada à haptocorrina. Só a primeira entra nas células, e não há evidência de que a B12 da haptocorrina contribua para o seu estado de B12. Como a meia-vida da holoTC no sangue é curta em comparação com a da outra, a maior parte do que o exame conta é a fração inativa. Por isso a B12 sérica "pode não refletir o estado metabólico de B12", e é um indicador tardio.1

falsos normais documentados: anticorpos antifator intrínseco em título alto, anticorpos heterofílicos, haptocorrina elevada, complexos macro-B12.1 E a deficiência funcional pode ocorrer em qualquer nível sérico.13

O que fazer, então. A conduta é sequencial: quando o exame cai numa faixa indeterminada e há sintomas, pede-se um exame de segunda linha — AMM (o teste índice mais usado) ou homocisteína. Um AMM acima de 280 nmol/L sugere estado subótimo abaixo dos 65 anos com função renal normal; acima de 750 nmol/L, deficiência "definida". A homocisteína só serve se o paciente estiver reposto de folato, B6 e B21 — condição curiosamente favorável no Brasil, como se verá.

Os valores — e por que nenhum deles é brasileiro

Procuramos um intervalo brasileiro nos quatro documentos que costumam responder. Não existe. A SBPC/ML, em 23 815 linhas de suas Boas práticas em laboratório clínico, cita a B12 quatro vezes — nenhuma com número ("fibrinog", em comparação, aparece 47).9 A ABHH a menciona dezesseis vezes sem um corte numérico.10 O PNCQ é só hematológico: zero ocorrências de "vitamina".11 E o TelessaúdeRS manda solicitar B12 nove vezes, sem dizer a partir de qual valor ela é baixa.12 Restam referências internacionais, que divergem entre si:

ReferênciaValor
Ponto de decisão clínica usual200 ng/L (≈ 148 pmol/L)1
Faixa indeterminada (NICE NG239)180–350 ng/L (133–258 pmol/L)1
Corte do ENANI-2019 (Brasil, crianças)< 150 pmol/L (≈ 203 ng/L)5

Unidades. O laudo brasileiro imprime pg/mL ou ng/L — são a mesma coisa. Para pmol/L, multiplique por 0,738: 200 ng/L × 0,738 ≈ 148 pmol/L. Use o conversor.

Por que o seu laudo pode discordar do vizinho. O diagnóstico é "em parte dependente do laboratório e do fabricante": os ensaios não são harmonizados nem rastreáveis a um padrão internacional comum. Os equipamentos Beckman dão resultados mais baixos, os da Roche são levemente positivos, os da Abbott têm limites superiores mais altos.1 Vale o intervalo do seu laudo — e, na gestação, a B12 cai cerca de 50% por hemodiluição.1

O Brasil fortifica farinha com ácido fólico — não com B12

A RDC nº 604/2022 da ANVISA dispõe sobre o enriquecimento obrigatório do sal com iodo e das farinhas de trigo e de milho com ferro e ácido fólico. A B12 não está lá.6 E o efeito dessa assimetria foi medido: o ENANI-2019, inquérito domiciliar nacional da UFRJ, dosou biomarcadores em crianças de 6 a 59 meses.5

Deficiência (crianças de 6 a 59 meses)Prevalência no Brasil
Vitamina B12 (< 150 pmol/L)14,2%
Zinco17,8%
Folato (< 10 nmol/L)1,0%

A deficiência de B12 é catorze vezes mais frequente que a de folato em crianças brasileiras — uma política pública que funcionou para um nutriente e nunca existiu para o outro.

A distribuição é desigual: 28,5% no Norte contra 9,6% no Sul; 25,4% entre 6 e 23 meses contra 8,5% entre 24 e 59 meses; 39,4% no cruzamento mais desfavorável, 6 a 23 meses no Norte. A mediana nacional foi 301,8 pmol/L.5

Duas ressalvas. O ENANI mediu crianças menores de 5 anos: nada aqui se transporta para adultos. E não encontramos inquérito nacional que meça o vegetarianismo no Brasil — os números que circulam vêm de pesquisa de mercado, e não os reproduzimos.

Metformina: o que a SBD realmente diz

A metformina reduz a absorção de B12, e o Brasil tem muita gente tomando metformina. A Sociedade Brasileira de Diabetes trata disso em três capítulos:

  • No pré-diabetes: "Pacientes em uso de metformina apresentam risco aumentado para deficiência de Vitamina B12, devendo suas dosagens serem avaliadas periodicamente, e tratadas se necessário".8
  • Na pessoa idosa com DM2: "Rever anualmente, após quatro anos de uso do medicamento, dosagens de vitamina B12 e repor quando necessário".7
  • Na neuropatia periférica diabética, a B12 encabeça a lista de exames "recomendados para descartar outras neuropatias em todas as pessoas com DM"; o capítulo cita uma distribuição de causas em que a deficiência de B12 responde por 9,1% — atrás do diabetes (32,1%) e do álcool (23%).14

Quando rastrear, porém, a literatura diverge. Numa coorte de atenção primária com 592 pacientes com DM2, a deficiência estava presente em 27,7%, associada à dose diária de metformina (OR 2,79), à idade ≥ 80 anos e ao vegetarianismo (OR 21,61) — e 29,3% dos deficientes precisaram de mais de um exame até ela aparecer.15 Em sentido contrário, um estudo alemão em diabetes recém-diagnosticado não achou efeito da metformina sobre a holoTC nem sobre o folato.16 O que separa as duas leituras é o tempo de exposição — o que a SBD codifica ao falar em quatro anos.

Há um segundo motivo para olhar a B12 se você faz glicemia e hemoglobina glicada de rotina: a SBPC/ML lista a deficiência de B12 entre as condições que elevam a HbA1c, por alterar a sobrevida dos eritrócitos.9 Uma HbA1c inesperadamente alta pode estar contando outra história.

Cirurgia bariátrica, gastrite autoimune e as outras causas

O SUS opera muita bariátrica e tem códigos de acompanhamento multiprofissional pré e pós-operatório (R$ 40,00 cada).3 Em dez anos de seguimento após bypass gástrico em Y de Roux na USP de Ribeirão Preto, a deficiência de B12 subiu de 4,2% para 11,1% e a de ferro de 9,2% para 18,5% — enquanto o ácido fólico aumentou, coerente com a fortificação das farinhas.17 No ensaio randomizado GATEWAY, em São Paulo, 13 pacientes do grupo operado desenvolveram hipovitaminose B12 em três anos.18 A bariátrica figura entre as causas irreversíveis, que impõem reposição vitalícia.1

O TelessaúdeRS-UFRGS manda avaliar "história de veganismo, desnutrição" e "história de cirurgia bariátrica" antes de pedir B12 e ácido fólico, e põe a B12 entre os primeiros exames da macrocitose (VCM > 100 fL), ao lado dos reticulócitos.12 A ABHH vai além: sugere avaliar B12 e folato mesmo sem anemia no pré-operatório, por serem "dois fatores de risco reversíveis" presentes em cerca de 10% dos casos.10

Para a anemia perniciosa (gastrite autoimune), o SUS cobre os anticorpos antiparietais (R$ 17,16); os antifator intrínseco, mais específicos, só existem no setor privado.34

Vitamina B12 alta: o que ela quer dizer

No Brasil, "vitamina B12 alta" é pesquisado mais que "vitamina B12 baixa" — e quase nunca é explicado.

Na maioria esmagadora das vezes, a causa é banal: suplementação recente. Resultados altos "frequentemente refletem tratamento com B12" — um exame colhido depois de começar a repor mede a reposição, não o estado metabólico.1

Fora isso, podem vir de doença do fígado — visível no hepatograma —, de doença hematológica ou renal.113 Uma revisão do tema chama a hipercobalaminemia de "frequente e subestimada" e pede que um valor alto inexplicado leve o médico a procurar a causa.13 Isso não significa que B12 alta indique câncer: significa que ela não deve ser ignorada em quem não toma suplemento.

Mais contraintuitivo ainda: uma B12 alta não garante que você esteja bem servido, porque os complexos macro-B12 elevam o resultado mascarando uma deficiência.1 Alta ou baixa, o número sozinho decide pouco.

Quanto custa no SUS — e o que o SUS não tem

A tabela do SUS (competência 08/2026, 5 023 linhas):3

ProcedimentoCódigoValor
Dosagem de vitamina B120202010708R$ 15,24
Dosagem de folato0202010406R$ 15,65
Pesquisa de anticorpos antiparietais0202030601R$ 17,16
(referência) Hemograma completo0202020380R$ 4,11

A B12 é, portanto, coberta e barata, menos que a ferritina (R$ 15,59). O que não está na tabela é mais revelador. Procuramos ácido metilmalônico em todas as grafias, dobrando acentos: zero. O controle positivo é forte — "ácido" aparece 29 vezes (úrico, ascórbico, valproico…) e "metil" oito: o vocabulário está lá, o exame não. A homocisteína também não existe no SUS — a única linha próxima é "pesquisa de homocistina na urina", que é outro exame. Nem o fator intrínseco, embora haja 50 procedimentos de "anticorpos anti-".3

E na tabela do setor privado (TUSS, 5 766 linhas)? Homocisteína (40302113), anticorpos antifator intrínseco (40308650) e transcobalamina (40322513) existem — mas o ácido metilmalônico continua ausente, com o mesmo controle positivo (57 linhas em "ácido").4 O teste índice da deficiência de B12 não tem código de faturamento em nenhuma das duas tabelas brasileiras. Isso não prova que seja impossível fazê-lo no país — laboratórios de referência podem oferecê-lo fora de tabela —, mas explica por que quase não é pedido. Veja também quanto custa um exame de sangue e o glossário.

Quando procurar um médico

Converse com seu médico se tem cansaço persistente, palidez, formigamento nas mãos e nos pés, desequilíbrio ou falhas de memória — sobretudo se for vegetariano ou vegano, tiver feito cirurgia bariátrica, usar metformina há anos ou tiver mais de 60 anos. Sintomas neurológicos não esperam: a demora aumenta a chance de dano permanente. E não comece a repor antes de colher o sangue: a reposição apaga o resultado.1

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Um valor de B12 nunca se lê sozinho: depende do seu hemograma, dos seus sintomas, dos seus medicamentos e da sua alimentação.

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Perguntas frequentes

Vitamina B12 normal exclui deficiência? Não. O exame mede a B12 total, e a maior parte dela está ligada à haptocorrina, que não entra nas células. É um indicador tardio, com falsos normais descritos. Havendo sintomas e resultado em faixa indeterminada, existem exames de segunda linha.1

Qual é o valor normal da vitamina B12? Depende do equipamento — Beckman, Roche e Abbott não dão os mesmos números —, e nenhuma instituição brasileira publica um intervalo próprio. O ponto de decisão mais usado fica em torno de 200 ng/L (148 pmol/L), com faixa indeterminada de 180 a 350 ng/L (NICE). Vale o intervalo do seu laudo.1

O SUS cobre o exame de vitamina B12? Sim: código 0202010708, R$ 15,24 repassados ao laboratório; para você é gratuito.3 Já o ácido metilmalônico não tem código nem no SUS nem na TUSS do setor privado — verificamos linha a linha nas duas. A homocisteína existe, mas só na tabela privada.4

Quem toma metformina precisa dosar B12? A SBD diz que sim: na pessoa idosa com DM2, rever a B12 anualmente após quatro anos de uso, e repor se necessário.7

Vitamina B12 alta é perigosa? Quase sempre é só suplementação. Um valor alto sem explicação merece que o médico procure a causa — fígado, rim ou doença hematológica —, mas não equivale a um diagnóstico grave.131

Para lembrar

A B12 sérica é imperfeita por construção: conta sobretudo a fração ligada à haptocorrina, que não entra nas células — por isso um "normal" não exclui a falta, e por isso existem o AMM e a homocisteína, de acesso desigual no Brasil. E um dado nacional muda a leitura: as farinhas são fortificadas com ácido fólico, não com B12 — e o ENANI-2019 mediu 14,2% de deficiência de B12 em crianças contra 1,0% de folato. Nenhum valor se lê sozinho: conta o conjunto dos seus marcadores e do seu contexto — o que o AI DiagMe oferece, como complemento à avaliação do seu médico.

Fontes

Fontes oficiais brasileiras e publicações científicas (PubMed) usadas neste guia:

Footnotes

  1. Harrington DJ, Stevenson E, Sobczyńska-Malefora A. The application and interpretation of laboratory biomarkers for the evaluation of vitamin B12 status. Ann Clin Biochem, 2025;62(1):22-33 (texto integral consultado: composição da B12 sérica em holoTC e holo-haptocorrina, "only the B12 bound to transcobalamin is transported into cells", predominância da holo-haptocorrina no que o ensaio mede, indicador tardio; faixa indeterminada NICE NG239 180–350 ng/L; AMM > 280 e > 750 nmol/L; holoTC < 25 pmol/L; falsos normais; variação entre fabricantes; queda de ~50% na gestação). PubMed · DOI 2 3 4 5 6 7 8 9 10 11 12 13 14 15 16 17 18 19 20

  2. Harrington DJ. Laboratory assessment of vitamin B12 status. J Clin Pathol, 2017;70(2):168-173 (ponto de decisão de ~148 pmol/L / 200 ng/L; homocisteína > 20 µmol/L em pacientes repostos de folato; AMM > 280 nmol/L). PubMed · DOI

  3. Ministério da Saúde / DATASUS — SIGTAP, Sistema de Gerenciamento da Tabela de Procedimentos, Medicamentos e OPM do SUS, tabela tb_procedimento, competência 08/2026 (5 023 linhas, verificadas por leitura direta do arquivo, com dobra de acentos: 2 483 das 5 023 linhas contêm acentos). Códigos: dosagem de vitamina B12 0202010708 (R$ 15,24), dosagem de folato 0202010406 (R$ 15,65), pesquisa de anticorpos antiparietais 0202030601 (R$ 17,16), hemograma completo 0202020380 (R$ 4,11), dosagem de ferritina 0202010384 (R$ 15,59), acompanhamento pré e pós-cirurgia bariátrica 0301120080 e 0301120056 (R$ 40,00), gastroplastia com derivação intestinal 0407010173, gastrectomia vertical em manga 0407010360. Ausências verificadas (0 ocorrências, com controles positivos "ACIDO" = 29, "METIL" = 8, "ANTICORPOS ANTI" = 50): ácido metilmalônico, homocisteína (a única linha próxima é "pesquisa de homocistina na urina", 0202050262), fator intrínseco, cobalamina, cianocobalamina. sigtap.datasus.gov.br 2 3 4 5 6 7

  4. Ministério da Saúde / DATASUS — tabela tb_tuss (Terminologia Unificada da Saúde Suplementar, 5 766 linhas, leitura direta). Presentes: vitamina B12 40316572, homocisteína 40302113, anticorpos anti fator intrínseco 40308650, transcobalamina 40322513, capacidade de ligação da vitamina B12 40316670, teste de Schilling 40705064. Ausente: ácido metilmalônico (0 ocorrências; controle positivo "ácido" = 57 linhas). Analisador validado contra códigos já publicados a partir de leitura independente (índice de saturação de ferro 40321231, receptor solúvel de transferrina 40322246); controle negativo 40999999 = 0. 2 3 4

  5. Universidade Federal do Rio de Janeiro (coord. Gilberto Kac), em conjunto com UERJ, UFF e Fiocruz — ENANI-2019, Relatório 3: Biomarcadores do estado de micronutrientes. Prevalências de deficiências e curvas de distribuição de micronutrientes em crianças brasileiras menores de 5 anos, Rio de Janeiro, 156 p. (deficiência de vitamina B12 < 150 pmol/L: 14,2% no Brasil, 28,5% no Norte, 25,4% entre 6 e 23 meses, 39,4% em crianças de 6 a 23 meses do Norte; mediana 301,8 pmol/L; deficiência de folato 1,0%; anemia 10,0%; zinco 17,8%). PDF 2 3 4

  6. Agência Nacional de Vigilância Sanitária (ANVISA) — Monitoramento da Fortificação das Farinhas de Trigo e Milho com Ferro e Ácido Fólico; Resolução RDC nº 604/2022, que dispõe sobre o enriquecimento obrigatório do sal com iodo e das farinhas de trigo e de milho com ferro e ácido fólico (a vitamina B12 não consta). gov.br/anvisa 2

  7. Sociedade Brasileira de Diabetes — Diretriz da SBD, O paciente idoso com diabetes, Tabela 4 (uso de fármacos na pessoa idosa com DM2), metformina: "Rever anualmente, após quatro anos de uso do medicamento, dosagens de vitamina B12 e repor quando necessário". diretriz.diabetes.org.br 2 3

  8. Sociedade Brasileira de Diabetes — Diretriz da SBD, Tratamento farmacológico do pré-diabetes, Nota importante 1: "Pacientes em uso de metformina apresentam risco aumentado para deficiência de Vitamina B12, devendo suas dosagens serem avaliadas periodicamente, e tratadas se necessário". diretriz.diabetes.org.br 2

  9. Sociedade Brasileira de Patologia Clínica/Medicina Laboratorial (SBPC/ML) — Recomendações da SBPC/ML: boas práticas em laboratório clínico (deficiência de vitamina B12 entre as condições que elevam a HbA1c, Tabela 1 do capítulo de HbA1c; estimativa de alfa-talassemias em pelo menos 4% da população brasileira). Quatro ocorrências de "B12" em 23 815 linhas de texto extraído, nenhuma com intervalo de referência; "cobalamina", "haptocorrina", "transcobalamina" e "fator intrínseco" = 0. PDF 2 3 4

  10. Associação Brasileira de Hematologia, Hemoterapia e Terapia Celular (ABHH) — Consenso da ABHH sobre Patient Blood Management, 1ª edição, 2023 (avaliação de deficiência de B12 e ácido fólico mesmo na ausência de anemia, prevalência de cerca de 10%, "dois fatores de risco reversíveis"; dosagem de vitamina B12 e ácido fólico em pacientes com fator de risco — dietas restritas, gastrite atrófica, doenças inflamatórias intestinais. Nenhum corte numérico de B12 em 16 menções). abhh.com.br 2 3

  11. Programa Nacional de Controle de Qualidade (PNCQ) — Valores de referência hematológicos para adultos e crianças (fonte declarada: Dacie and Lewis, Practical Haematology, 12ª ed., 2017). Zero ocorrências de "vitamina" ou "B12": a tabela não cobre vitaminas. PDF 2

  12. TelessaúdeRS-UFRGS — Hematologia Adulto, versão digital 2023, material de apoio à atenção primária no SUS (investigação de anemia macrocítica, VCM > 100 fL: reticulócitos, vitamina B12, ácido fólico; avaliação de "história de veganismo, desnutrição" e de "história de cirurgia bariátrica"). PDF (⚠️ o nome do arquivo é de 2016, mas o PDF servido é a versão digital de 2023) 2 3

  13. Andrès E, Serraj K, Zhu J, Vermorken AJM. The pathophysiology of elevated vitamin B12 in clinical practice. QJM, 2013;106(6):505-15 (hipercobalaminemia "frequente e subestimada"; deficiência funcional pode ocorrer em qualquer nível sérico; um valor alto anormal como sinal de alerta). PubMed · DOI 2 3 4

  14. Sociedade Brasileira de Diabetes — Diretriz da SBD, Diagnóstico e tratamento da neuropatia periférica diabética, Ed. 2026, Nota importante 1 (exames recomendados para descartar outras neuropatias em todas as pessoas com DM: vitamina B12, vitamina D3, magnésio, eletroforese de proteínas com imunofixação, hemograma completo, creatinina sérica, TSH, T4 livre) e distribuição de causas de polineuropatia sensitiva na população geral (deficiência de vitamina B12: 9,1%). diretriz.diabetes.org.br

  15. Wee AKH, Sultana R. Determinants of vitamin B12 deficiency in patients with type-2 diabetes mellitus — A primary-care retrospective cohort study. BMC Prim Care, 2023;24(1):102 (592 pacientes; deficiência em 27,7%; dose diária de metformina OR 2,79; vegetarianismo OR 21,61; 29,3% dos deficientes precisaram de mais de um exame). Coorte de Singapura. PubMed · DOI

  16. Kanti G, Anadol-Schmitz E, Bobrov P, et al. Vitamin B12 and Folate Concentrations in Recent-onset Type 2 Diabetes and the Effect of Metformin Treatment. J Clin Endocrinol Metab, 2020;105(6) (249 pacientes com diabetes de início recente; sem efeito da metformina sobre holoTC e folato; monitorização dispensável "pelo menos nos primeiros seis meses"). PubMed · DOI

  17. Nonino CB, Oliveira BAP, Chaves RCP, et al. Is there any change in phenotypic characteristics comparing 5 to 10 years of follow-up in obese patients undergoing Roux-en-Y gastric bypass? Arq Bras Cir Dig, 2019;32(3):e1453 (coorte brasileira, USP Ribeirão Preto; deficiência de vitamina B12 de 4,2% para 11,1% em dez anos; ferro de 9,2% para 18,5%; aumento das concentrações de ácido fólico). PubMed · DOI

  18. Schiavon CA, Bhatt DL, Ikeoka D, et al. Three-Year Outcomes of Bariatric Surgery in Patients With Obesity and Hypertension: A Randomized Clinical Trial (GATEWAY). Ann Intern Med, 2020;173(9):685-693 (ensaio randomizado brasileiro, HCor São Paulo, 100 pacientes; 13 pacientes do grupo submetido a bypass gástrico desenvolveram hipovitaminose B12). PubMed · DOI

Aviso médico. Este guia tem finalidade informativa e educativa; não constitui aconselhamento médico e não substitui uma consulta. Os valores de referência variam conforme o laboratório e a técnica: só o seu médico pode interpretar os seus resultados no seu contexto.