Guia de saúde · Atualizado em setembro de 2026

Exame de sangue: como ler os seus resultados

O que significam Hb, Ht, VCM, TGP, TGO, PCR, TSH ou a TFG no seu laudo, quais valores de referência foram realmente medidos em brasileiros e o que pode querer dizer um resultado alto ou baixo — explicado em português do Brasil, com um guia próprio para cada linha.

Fontes brasileiras e estudos revisados por pares (Ministério da Saúde, ANVISA, SBPC/ML, SBD, SBC, PubMed)Escrito para laudos brasileiros, não traduzidoGratuito, sem cadastro e sem publicidade
Blood Analysis em resumo
168guias em português do Brasil — um para cada linha do seu laudo
2.138referências científicas e oficiais, cada uma citada no ponto exato
1.152estudos indexados no PubMed, verificados um a um
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Entender

O que é um exame de sangue — e o que ele não vai te dizer

No Brasil, uma única coleta costuma gerar dois pedidos diferentes: o hemograma, que conta as células, e a bioquímica, que mede as moléculas do soro. Daí o mal-entendido mais comum: um hemograma não diz nada sobre colesterol, glicose, fígado, rim ou tireoide. Ele é um exame de orientação, não um diagnóstico — aponta onde olhar, não o que você tem.

Conta as células

Quantas hemácias, leucócitos e plaquetas há em cada mm³ de sangue. É colhido em tubo de EDTA, o de tampa roxa, nunca em soro.

Descreve como elas são

Os índices VCM e HCM/CHCM dizem se as hemácias são grandes ou pequenas, ricas ou pobres em hemoglobina. O VCM é a bússola de toda anemia.

Mede a resposta

Os reticulócitos respondem a uma única pergunta: a medula está reagindo? É o que separa uma anemia regenerativa de uma que não é.

Orienta a investigação

O leucograma — sobretudo os neutrófilos e os linfócitos — aponta para infecção bacteriana, viral, inflamação ou parasitose.

No Brasil, a porta de entrada é quase sempre a atenção primária: o seu médico da UBS pode pedir o mesmo hemograma que um especialista, e o exame é coberto pelo SUS mediante pedido médico.13 O que entra e o que não entra nele está detalhado no guia Hemograma completo.

Infográfico

Os quatro componentes do seu sangue

Cada linha do seu laudo pertence a uma família de células ou de moléculas. Este é o mapa — com os valores medidos em brasileiros pela Pesquisa Nacional de Saúde.1

Hemácias

4,3 – 5,8 (H) · 3,9 – 5,1 (M) milhões/mm³

Transportam o oxigênio ligado à hemoglobina. O número sozinho diz pouco: quem manda é o VCM. No laudo brasileiro está escrito «hemácias», não «glóbulos vermelhos».

Leucócitos

2.843 – 9.440 (H) · 2.883 – 9.969 (M) /mm³

A defesa contra as infecções. Mais importante que o total é o diferencial: neutrófilos e linfócitos marcam a direção da investigação.

Plaquetas

128.177 – 299.774 (H) · 135.606 – 343.044 (M) /mm³

Estancam os sangramentos. Um valor baixo sem sintoma nenhum costuma ser pseudoplaquetopenia do EDTA — as plaquetas se aglutinam no tubo e o aparelho conta menos do que existe.

Plasma

cerca de 55 % do volume

O líquido que transporta nutrientes, hormônios e proteínas. Plasma e soro não são a mesma coisa: o potássio sai mais alto no soro, e isso muda a leitura.

O laudo

As siglas do seu laudo, traduzidas

O laudo brasileiro abrevia e não explica. E algumas siglas não são as internacionais: o que em inglês se chama ALT e AST aqui aparece como TGP e TGO; a velocidade de sedimentação vira VHS; o tempo de protrombina vira TAP. Os índices do hemograma, ao contrário do que acontece na Itália, são portugueses — VCM, HCM, CHCM —, e só o RDW ficou em inglês. Linha a linha, com o guia correspondente ao lado.

No seu laudoO que há por trás
HbHemoglobina — o pigmento que carrega o oxigênio, em g/dL
Ht / HctHematócrito: a fração do volume de sangue ocupada por células, em %
Hemácias / RBCAs hemácias, contadas em milhões por mm³. O laudo brasileiro escreve «hemácias»
Leucócitos / WBCOs leucócitos, com o leucograma diferencial logo abaixo
Plaquetas / PLTEm milhares por mm³ ou em ×10⁹/L — é a mesma coisa: 230.000/mm³ = 230 ×10⁹/L
VCMVolume corpuscular médio: o tamanho da hemácia, a bússola de toda anemia
HCM / CHCMHemoglobina corpuscular média e sua concentração média
RDWA única sigla do hemograma que fica em inglês: amplitude de distribuição das hemácias
VPMVolume plaquetário médio, que nem todo laboratório informa
ReticReticulócitos, as hemácias jovens: dizem se a medula está respondendo
Segmentados / BastonetesOs neutrófilos maduros e os jovens. O que decide é o valor absoluto, não a porcentagem
TGP (ALT)A transaminase mais específica do fígado. A SBPC/ML imprime as duas formas juntas
TGO (AST)Transaminase do fígado, mas também do músculo e do coração
Gama GT (GGT)Gama-glutamil transferase: via biliar, álcool, medicamentos
FAFosfatase alcalina — fígado e osso quase meio a meio
BT / BD / BIBilirrubina total, direta e indireta
UreiaO resíduo do metabolismo das proteínas, filtrado pelo rim
CreatininaO resíduo muscular que o rim filtra — a base do cálculo da TFG
TFG / eTFGTaxa de filtração glomerular estimada, em mL/min/1,73 m²
RACRelação albumina/creatinina na urina, em mg/g — a microalbuminúria
PCRProteína C reativa. ⚠️ No Brasil a sigla é a mesma da reação em cadeia da polimerase dos vírus, e não são a mesma coisa
VHSVelocidade de hemossedimentação, em mm na primeira hora
TAP / INR (RNI)Tempo de atividade da protrombina e sua razão normalizada. A SBPC/ML normaliza «RNI»; o laudo costuma imprimir «INR»
TTPATempo de tromboplastina parcial ativada, em segundos
TSHTirotropina: o primeiro degrau da investigação da tireoide
T4LTiroxina livre, pedida só quando o TSH vem alterado
HbA1cHemoglobina glicada. O laudo brasileiro sai em %, não em mmol/mol
CT / LDL-c / HDL-c / não-HDLAs frações do colesterol. O LDL quase sempre é calculado, não medido
TGTriglicerídeos: o único parâmetro do lipidograma que muda de referência com o jejum
ISTÍndice de saturação da transferrina — não é uma dosagem, é uma conta
PSAAntígeno prostático específico, total e livre
CEAAntígeno carcinoembrionário. ⚠️ No Brasil é CEA, nunca ACE — a sigla francesa é invertida

Atenção a uma sigla em especial: PCR é proteína C reativa no seu laudo, e reação em cadeia da polimerase num teste de vírus. Em português são escritas igual, e não têm nada a ver uma com a outra. Todas as siglas, de A a Z, estão no glossário de exames de sangue.

Antes da coleta

Precisa de jejum? O que dizem as fontes brasileiras

O jejum não é uma regra única para tudo — e há uma mudança brasileira de 2016, confirmada em 2025, que quase ninguém passou ao paciente.

No mínimo 8, no máximo 12 h

Para a glicemia, as duas referências brasileiras convergem: 8 a 12 horas, só com água. O teto importa — a SBPC/ML recomenda evitar coletas depois de jejuns acima de 12 h.573

Água pode; café não

A água está liberada — as fontes dizem literalmente «só com água». Café e chá quebram o jejum, com ou sem açúcar. Tome depois da coleta, não antes.5

Álcool: 72 horas antes

A SBPC/ML recomenda abstinência de bebidas alcoólicas por 72 horas antes da coleta. O álcool altera a glicose plasmática de forma significativa e quase imediata.3

E se você comeu, avise

Não anula a coleta: é anotado no pedido. Esconder, sim, atrapalha a leitura. E nunca suspenda um medicamento por conta própria para ficar em jejum.

Aqui o jejum importa

  • A glicemia de jejum: o jejum faz parte da própria definição do limiar de pré-diabetes e de diabetes
  • O TTGO (teste oral de tolerância à glicose): jejum de 8 h e, nos três dias anteriores, pelo menos 150 g de carboidrato por dia
  • Os triglicerídeos, o único parâmetro do lipidograma que muda de valor de referência com o jejum
  • A insulina de jejum e o índice HOMA-IR, que só fazem sentido colhidos junto com a glicemia

Aqui o jejum não é necessário

  • O hemograma isolado: as amostras da Pesquisa Nacional de Saúde foram colhidas a qualquer hora do dia
  • O lipidograma na avaliação inicial do risco, por consenso brasileiro de 2016 confirmado pela diretriz de 2025
  • O TSH e o restante da investigação inicial da tireoide
  • A PCR e os marcadores de inflamação

O paradoxo brasileiro: o consenso de 2016 tirou o jejum de rotina do lipidograma, e os laboratórios continuam pedindo — porque, na prática, ele é colhido junto com a glicemia, que exige.98

Método

Ler o seu laudo, linha por linha

Antes de se preocupar com um número, vale entender a linha em que ele está escrito. É assim que se decifra um laudo brasileiro — e estes são os erros de raciocínio mais comuns.

A anatomia de uma linha de resultado

Parâmetro Hemoglobina (Hb)
Resultado 13,4
Unidade g/dL
Referência 13,0 – 16,9
  1. O parâmetro. O nome do exame, quase sempre com a sigla ao lado (Hb, VCM, TGP, TTPA…).
  2. O seu resultado. O valor medido na sua amostra: o número a comparar, nunca a ler sozinho.
  3. A unidade. g/dL ou g/L, mg/dL ou mmol/L, /mm³ ou ×10⁹/L. Sem unidade, um número não significa nada — e dois laboratórios brasileiros podem usar unidades diferentes para a mesma medida.
  4. O intervalo de referência. A faixa em que cai cerca de 95% das pessoas saudáveis. Depende do equipamento, do método, da idade e do sexo: compare sempre com o que está impresso no seu laudo (aqui, o intervalo masculino medido pela PNS em adultos brasileiros).

E a marca de «alterado»? Não existe sinal único: conforme o laboratório, um valor fora da faixa aparece em negrito, em vermelho, com seta, com asterisco… ou sem marca nenhuma. Não confie no símbolo — compare você mesmo cada resultado com o intervalo ao lado. E lembre: a norma obriga o laboratório a imprimir esse intervalo.2

O método, em quatro passos

  1. 1
    Identifique os blocos. Hemograma, bioquímica, coagulograma, hormônios, sorologias: cada parte investiga uma função diferente.
  2. 2
    Olhe a unidade, depois o número. E situe-o no intervalo impresso ao lado, como no exemplo acima.
  3. 3
    Cruze os marcadores. Uma hemoglobina baixa se confirma e se explica com o VCM, a ferritina e os reticulócitos.
  4. 4
    Prepare a consulta. Anote as perguntas, leve os laudos anteriores e informe os medicamentos: a avaliação final é de quem pediu o exame.

Erros de raciocínio que vale evitar

«Fora da faixa é estar doente»

Por construção, cerca de 1 em cada 20 medidas em pessoas saudáveis cai fora do intervalo. Um valor isolado e pouco desviado raramente significa alguma coisa.

«Os valores normais são iguais em todo lugar»

Não são nem dentro do Brasil: a tabela mais difundida entre laboratórios é copiada de um manual britânico, enquanto a PNS mediu outros limites em brasileiros.121

«Quanto maior o desvio, mais grave»

Nem sempre: em alguns marcadores uma variação pequena conta muito e em outros quase nada. Só o contexto — sintomas, evolução, valores vizinhos — decide.

«O intervalo do laboratório é o limiar da doença»

São duas coisas diferentes. O intervalo descreve uma população; o limiar clínico diz quando agir. Na glicemia e na hemoglobina glicada essa distinção é tudo.

Referência

Valores de referência de um exame de sangue: as tabelas

Valores orientativos de adulto (H = homens, M = mulheres). Mudam com a idade, o sexo e sobretudo com o laboratório: vale sempre o intervalo impresso ao lado do seu resultado. Aqui não fazemos média de nada — publicamos as fontes brasileiras como elas são, inclusive quando se contradizem.

Hemograma: os valores medidos em adultos brasileiros

Valores da Pesquisa Nacional de Saúde (PNS, 2014-2015), financiada pelo Ministério da Saúde e calculada em 8.952 adultos brasileiros, nas unidades do laudo brasileiro.1 Até 2019 o Brasil usava valores estrangeiros — a própria PNS registra isso como o problema que veio resolver.

ParâmetroHomensMulheresUnidade
Hemácias4,3 – 5,83,9 – 5,1milhões/mm³
Hemoglobina (Hb)13,0 – 16,911,5 – 14,9g/dL
Hematócrito (Ht)39,7 – 52,035,3 – 46,1%
VCM81,8 – 100,681,0 – 100,2fL
HCM26,9 – 32,626,3 – 32,4pg
CHCM30,6 – 34,630,5 – 34,3g/dL
RDW12,0 – 15,311,9 – 15,5%
Leucócitos2.843 – 9.4402.883 – 9.969/mm³
Neutrófilos (absolutos)576 – 5.971612 – 6.474/mm³
Linfócitos (absolutos)720 – 3.370796 – 3.414/mm³
Monócitos (absolutos)11 – 81222 – 692/mm³
Eosinófilos (absolutos)0 – 6600 – 550/mm³
Basófilos (absolutos)0 – 620 – 72/mm³
Plaquetas128.177 – 299.774135.606 – 343.044/mm³
Volume plaquetário médio8,0 – 12,48,0 – 12,5fL

Uma ressalva de método, dita abertamente: a PNS calculou os limites como média ± 1,96 desvio-padrão, aproximação que supõe distribuição simétrica.1 Para células de distribuição assimétrica isso empurra o limite inferior para baixo demais — daí os 576/mm³ de neutrófilos e os zeros em eosinófilos e basófilos, artefatos do método e não um «normal» clínico. Os valores da série vermelha são bem mais robustos. E no leucograma o que conta é o valor absoluto, não a porcentagem.

Limiares de decisão: não são intervalos de laboratório

Os de baixo não descrevem uma população: são critérios diagnósticos ou metas terapêuticas brasileiros. É a distinção que quase nenhuma página explica — e a que faz um valor «dentro da faixa» ainda assim pedir conduta.

ParâmetroLimiarFonte
Glicemia de jejumNormal abaixo de 100 · pré-diabetes 100–125 · diabetes 126 mg/dL ou maisSBD · TelessaúdeRS
Glicemia de jejum — a divergênciaO Caderno de Atenção Básica nº 36 do Ministério da Saúde, ainda em circulação, usa 110 mg/dL como limite do normalMinistério da Saúde
TTGO 75 gA SBD adotou um critério que a maioria dos laudos ainda não traz: glicemia de 1 hora igual ou acima de 209 mg/dL também diagnostica diabetesSBD
Hemoglobina glicada (HbA1c)Normal abaixo de 5,7% · pré-diabetes 5,7–6,4% · diabetes 6,5% ou maisSBD, adotada pelo Ministério da Saúde
HbA1c e glicemia médiaA1c perto de 7% corresponde a uma glicemia média de cerca de 154 mg/dL (faixa de 122 a 184)SBD
TriglicerídeosDesejável abaixo de 150 em jejum de 12 h · abaixo de 175 sem jejum · repetir em jejum acima de 440 · risco de pancreatite a partir de 500 mg/dLSBC 2025
Colesterol LDL — metas por riscoBaixo abaixo de 115 · intermediário abaixo de 100 · alto abaixo de 70 · muito alto abaixo de 50 · extremo abaixo de 40 mg/dLSBC 2025
LDL e hipercolesterolemia familiar190 mg/dL ou mais de forma persistente no adulto levanta a suspeita — cerca de 1 em cada 263 brasileirosSBC 2025
Neutrófilos: urgênciaFebre com neutrófilos abaixo de 1.500/mm³ é motivo de atendimento de urgência; em paciente hematológico a ABHH define neutropenia abaixo de 500/µLTelessaúdeRS · ABHH
Diabetes gestacional (TTGO)Jejum 92 · 1 hora 180 · 2 horas 153 mg/dL — um único valor alterado já diagnosticaSBD · FEBRASGO · OPAS · Ministério da Saúde
Traço falciformeO hemograma NÃO identifica: quem confirma é a eletroforese de hemoglobina. O traço «não caracteriza anemia»PCDT Doença Falciforme, Ministério da Saúde

Estas faixas são orientativas e mudam com o método, a idade, o sexo e a situação. Na infância são diferentes em quase tudo, e na gestação também. Quem manda é o seu laudo e a avaliação do seu médico. Precisa converter uma unidade ou estimar a sua função renal? Use o conversor de unidades e a calculadora de TFG.

O caso brasileiro

Por que os valores brasileiros são diferentes

Esta é a particularidade do Brasil, e quase ninguém a conta ao paciente. Um intervalo de referência não se transporta de um país para outro: ele depende de quem foi medido. Numa população tão diversa quanto a brasileira, isso deixa de ser detalhe estatístico e vira consequência clínica — do fenótipo Duffy nulo ao traço falciforme, das arboviroses a duas fontes federais que não dão o mesmo número. Seis exemplos, todos com fonte primária.

A tabela do seu laudo pode ser britânica

A tabela de valores hematológicos mais distribuída aos laboratórios brasileiros declara na própria capa a sua fonte: Dacie and Lewis, Practical Haematology, 12ª edição — um manual britânico.12 Só em 2019 o Brasil ganhou os seus próprios números, com a Pesquisa Nacional de Saúde, financiada pelo Ministério da Saúde e medida em 8.952 adultos brasileiros.1 Eles não coincidem com os importados — e é a versão brasileira que este site publica.

Ler o guia Hemograma completo →

Duffy nulo: quase metade dos doadores paulistas

Um estudo com 311 doadores de sangue saudáveis de dois bancos de São Paulo encontrou o fenótipo Duffy nulo em 146 deles — 46,9%. Nesse grupo, a faixa de referência dos neutrófilos ficou em 1.180–4.800/µL, contra 2.200–7.250/µL nos demais.10 Não é doença nem carência: é variação normal. Os autores defendem explicitamente intervalos de referência específicos, para evitar classificar como neutropenia o que é constituição.

Ler o guia Neutrófilos →

O traço falciforme, que o hemograma não enxerga

O Ministério da Saúde estima o traço falciforme em 4% da população brasileira, com 6% a 10% no Norte e no Nordeste.4 O protocolo diz textualmente que o traço «não caracteriza anemia»: quem o carrega costuma ser assintomático e ter hemograma normal. Ou seja, um hemograma normal não descarta o traço falciforme — quem confirma é a eletroforese de hemoglobina, cuja porta de entrada habitual é o teste do pezinho.

Ler o guia Hemoglobina →

As arboviroses mudam o seu hemograma

Nenhum outro país precisa dizer isto ao paciente com esta frequência. A leucopenia integra a própria definição de caso suspeito de dengue do Ministério da Saúde. Na dengue, o que decide a conduta não são as plaquetas: são os sinais de alarme e o aumento progressivo do hematócrito, monitorado em série.11 E a chikungunya é a exceção do grupo: nela se espera linfopenia, não linfocitose.

Ler o guia Plaquetas →

Duas fontes federais, dois limites de glicemia

A Sociedade Brasileira de Diabetes e o TelessaúdeRS-UFRGS põem o normal abaixo de 100 mg/dL.57 O Caderno de Atenção Básica nº 36 do Ministério da Saúde, ainda em circulação, usa 110 mg/dL — dez unidades acima.6 Não é erro de ninguém: é um documento de 2013 que nunca foi retirado. Preferimos mostrar a divergência a escolher uma versão em silêncio.

Ler o guia Glicemia →

O que a norma obriga o seu laudo a trazer

Isto não é conselho, é regra. A RDC nº 786/2023 da ANVISA, no artigo 138, determina que o laudo contenha no mínimo o resultado e a unidade de medição e os valores de referência, limitações técnicas da metodologia e dados para interpretação.2 Consequência prática: o intervalo que vale para você é o impresso no seu laudo — nunca uma tabela da internet, nem mesmo a desta página.

Ler o guia Hemograma completo →

O que fazer com isso. Não é motivo para desconfiar do seu laboratório: é motivo para ler o seu laudo com o intervalo dele, e não contra uma tabela da internet. Duas consequências práticas. Primeira: não compare um resultado deste ano com um de outro laboratório sem olhar as duas unidades e as duas faixas. Segunda: se um valor está no terço baixo ou alto do intervalo e você tem sintomas, mostre — a ausência de asterisco não é alta.

Sem se alarmar

Um resultado fora da faixa é sempre um problema?

Quase nunca. Muitos resultados saem um pouco fora sem que nada esteja errado. Aqui está por que isso acontece — e quais situações realmente pedem uma consulta.

A hora da coleta

Não estar em jejum quando devia, um jantar pesado ou um horário incomum deslocam de forma apreciável a glicemia, os triglicerídeos, o ferro e o cortisol.

Como você estava naquele dia

Esforço, estresse, cigarro, gravidez e corticoide elevam os leucócitos sem doença nenhuma — a contagem pode dobrar em horas. E o tabagismo eleva também a hemoglobina e o VCM.3

Seus medicamentos e suplementos

Muitos tratamentos — e até alguns suplementos — mexem em um ou vários marcadores. Informe sempre, e não suspenda nada por conta própria.

O tubo, antes de você

Uma plaquetopenia isolada sem sintoma costuma ser a pseudoplaquetopenia do EDTA. E o garrote deixado mais de 1 minuto altera a amostra: a SBPC/ML manda colher preferencialmente sem ele.3

Mais tranquilizador

  • Um desvio pequeno, logo acima ou logo abaixo do limite
  • Uma única alteração enquanto o resto do laudo está normal
  • Um resultado estável, ou que melhorou em relação ao exame anterior
  • Nenhum sintoma associado

Melhor procurar avaliação

  • Um valor claramente desviado, ou várias alterações que combinam entre si
  • Um resultado que piora de um controle para outro
  • Mais de uma série do hemograma alterada ao mesmo tempo
  • Febre com neutrófilos abaixo de 1.500/mm³: é motivo de atendimento de urgência
  • Plaquetas muito baixas com sangramento, hematomas espontâneos ou pontinhos vermelhos na pele

O reflexo certo. Compare primeiro com os seus exames anteriores — a evolução diz mais do que um número isolado —, anote sintomas e medicamentos, e converse com quem pediu o exame. Um lembrete brasileiro: a maioria dos hemogramas «no limite» se resolve com uma repetição. E a leitura vale sempre em conjunto: uma alteração isolada numa única série raramente é o que decide.

Acesso e custo

SUS, plano de saúde e laboratório particular

O Brasil tem três caminhos para o mesmo tubo de sangue, e eles não custam o mesmo nem exigem o mesmo. No SUS o exame é gratuito no ponto de uso, mediante pedido médico, e a lista do que é coberto é pública: a tabela SIGTAP traz cada dosagem com o seu código e o seu valor de repasse.13 No plano de saúde e no particular a lógica muda — e é aí que aparecem os «check-ups completos» que ninguém pediu.

Coberto pelo SUS, com pedido médico

  • A coleta na unidade básica de saúde e os exames pedidos pelo seu médico de família
  • O hemograma completo, a glicemia, a hemoglobina glicada (SIGTAP 02.02.01.050-3, R$ 7,86) e as quatro dosagens do lipidograma (R$ 12,38 no total)
  • A eletroforese de hemoglobina, que confirma o traço falciforme e consta na tabela do SUS
  • O Programa Nacional de Triagem Neonatal — o teste do pezinho —, porta de entrada da investigação em recém-nascidos

Do seu bolso, ou fora da cobertura

  • Qualquer exame pedido por conta própria num laboratório particular: os preços são livres e variam muito entre operadores e cidades
  • Os «pacotes» de 40, 60 ou 80 parâmetros sem indicação clínica: quanto mais parâmetros, mais falsos positivos — e cada um puxa exames de confirmação
  • O teste de hemoglobina glicada de ponta de dedo, que a Conitec avaliou e não foi incorporado ao SUS
  • Dosagens que dependem de autorização ou de envio a laboratório de apoio, com prazo maior

Pedido médico, não «receita»

No Brasil o documento que autoriza o exame é o pedido médico (ou requisição); «receita» vale para medicamento. Sem ele, o laboratório particular costuma fazer mesmo assim — mas o que você recebe são números sem avaliação.

O laudo é seu, por norma

A RDC nº 786/2023 lista o conteúdo mínimo obrigatório do laudo: resultado, unidade, valores de referência, limitações do método e dados para interpretação.2 Pedir esses campos não é favor — é requisito.

Quanto custa de verdade

No SUS, o repasse de uma dosagem de colesterol total é de R$ 1,85 e o de triglicerídeos de R$ 3,51.13 No particular os preços são livres e não se parecem com esses números: as ordens de grandeza reais estão na página quanto custa um exame de sangue.

Doar sangue não é fazer check-up

Em cada doação são testados tipagem, anticorpos e marcadores infecciosos. Mas o que volta sistematicamente para você é o tipo sanguíneo — não é um exame de saúde. Está detalhado no guia Doação de sangue.

Os grandes painéis

O seu laudo se lê por blocos

Cada painel investiga uma função concreta do organismo. Isto é para que serve cada um — e quais dosagens o compõem.

Hemograma completo

Conta e descreve as células do sangue. É colhido em tubo de EDTA, o de tampa roxa, e não em soro — por isso não diz nada sobre colesterol, glicose, fígado ou tireoide.

Glicemia

O açúcar do sangue, em jejum, depois de uma sobrecarga ou como memória de semanas. É o único bloco do laudo em que duas fontes federais brasileiras não dão o mesmo limite de normalidade.

Lipidograma

As gorduras do sangue e o risco cardiovascular. Não existe um valor normal único de LDL: a meta depende da sua categoria de risco, e desde 2025 o cálculo mudou de fórmula.

Função renal

Como o rim filtra. A creatinina sozinha avisa tarde — é preciso perder mais da metade da função; a TFG estimada e a microalbuminúria avisam antes.

Hepatograma

O fígado. No laudo brasileiro está escrito TGP e TGO: são exatamente as mesmas enzimas que internacionalmente se chamam ALT e AST.

Exames da tireoide

Por degraus: primeiro o TSH sozinho. O T4 livre só se o TSH vier alterado, e os anticorpos depois — pedir tudo de uma vez costuma gerar mais dúvida do que resposta.

Cinética do ferro

A cinética do ferro. A ferritina é o estoque, mas também é uma proteína de fase aguda: qualquer inflamação a eleva e pode esconder uma carência real.

Marcadores inflamatórios

Dizem que algo está acontecendo, nunca o quê nem onde. A PCR reage em horas, o VHS em dias — e a sigla PCR, no Brasil, colide com a dos testes de vírus.

Perfil vitamínico

Não existe «check-up vitamínico». A vitamina D e a B12 fazem sentido em quem tem motivo para dosá-las; dosar tudo aumenta os falsos positivos, não as respostas.

Eletrólitos séricos

Os sais do plasma: sódio, potássio, cloro e bicarbonato. Um potássio alto isolado costuma vir do garrote ou da hemólise do tubo, não de doença.

Cálcio e fósforo

Cálcio, fósforo, PTH e vitamina D se leem juntos ou não se leem. Um cálcio no limite superior com PTH alta conta uma história que nenhum dos dois conta sozinho.

Coagulograma

O coagulograma tem duas vias distintas: o TAP com o seu INR e o TTPA. As plaquetas não entram no painel — elas vêm do hemograma.

Perfil hormonal

Ciclo, fertilidade, menopausa, ovário policístico, testosterona baixa: nenhum hormônio sexual se lê sem o dia do ciclo, e nenhum hormônio adrenal sem a hora da coleta.

Marcadores tumorais

Servem para acompanhar um câncer já diagnosticado, não para rastrear. Um valor alto isolado nunca é, sozinho, um diagnóstico.

Marcadores cardíacos

Duas coisas diferentes: a troponina da emergência e o risco a longo prazo. A troponina só faz sentido em série, comparada consigo mesma, e nunca fora do quadro clínico.

Enzimas pancreáticas

O pâncreas tem duas funções e não se exploram do mesmo jeito. A lipase é mais confiável que a amilase na pancreatite aguda.

Sorologias infecciosas

Anticorpos e detecção direta: HIV, hepatites B e C, sífilis, toxoplasmose, rubéola, citomegalovírus, mononucleose e doença de Lyme. No Brasil se escreve sorologia e HIV.

Tipo sanguíneo

A tipagem sanguínea — A, B, AB e O, mais o fator Rh — com tudo o que vem junto: herança, gravidez, transfusão e doação de sangue.

Os nomes que aparecem sem link correspondem a dosagens cujo guia em português do Brasil está em preparação: preferimos te mostrar o painel completo a esconder uma linha do seu laudo.

Guias por marcador

Comece pelo valor que te preocupa

Cada linha do seu laudo tem um guia próprio: o que mede, quais valores de referência foram medidos em brasileiros, o que pode significar um resultado alto ou baixo — e as perguntas que mais se fazem sobre ele.

Hemograma: as três séries

As hemácias, os leucócitos e as plaquetas, mais os índices que os descrevem. No laudo brasileiro as siglas são portuguesas — VCM, HCM, CHCM —, só o RDW vem em inglês.

Hemograma completo

As três séries, linha por linha. E por que a tabela de referência mais distribuída aos laboratórios brasileiros é britânica.

Ler o guia Hemograma completo

Hemoglobina

O intervalo brasileiro e o limiar de anemia não coincidem: 11,5 g/dL medido na população, 12 no critério da OMS.

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Hematócrito

É uma proporção, não uma quantidade. Na dengue, a subida progressiva é sinal de alarme — sem número fixo.

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Hemácias

Valores medidos em brasileiros, não importados. E o hemograma não dispensa jejum no Brasil.

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Leucócitos

O que conta é a fórmula, não o total. As arboviroses lideram as causas infecciosas de leucopenia.

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Neutrófilos

A neutropenia do fenótipo Duffy é uma variação normal, medida no Brasil: 1.180–4.800/µL em vez de 2.200–7.250.

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Plaquetas

A queda isolada costuma ser o tubo. E na dengue não são as plaquetas que definem a gravidade.

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VCM

Classifica a anemia em três famílias. O traço falciforme sozinho não baixa o VCM — quem baixa é a alfatalassemia.

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Reticulócitos

Respondem a uma só pergunta: a medula está reagindo? A porcentagem sozinha engana.

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Linfócitos

O limiar brasileiro de linfocitose é 4.000/mm³. E a chikungunya é a exceção: nela espera-se linfopenia, não linfocitose.

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Monócitos

Quase sempre reacional e passageira. Sobem antes dos neutrófilos na recuperação de uma infecção.

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Eosinófilos

No Brasil a primeira pergunta é parasitária. Mas um hemograma normal não exclui estrongiloidíase — só 15% tinham eosinofilia.

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Basófilos

Zero é normal, e dá para demonstrar: 29 − 1,96 × 17 dá menos que zero, truncado a zero pela própria PNS.

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HCM e CHCM

O SUS não fatura estes índices, e a descrição do hemograma explica por quê: eles já estão incluídos nos R$ 4,11. O CHCM é o parâmetro mais estreito do eritrograma.

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Glicemia e lipidograma

O bloco mais falado na consulta. E o único do laudo em que duas fontes federais brasileiras não dão o mesmo limite de normalidade.

Glicemia

O rastreio do diabetes gestacional tem algoritmo próprio, adaptado aos recursos de cada serviço. E o Ministério e a SBD divergem sobre o que é normal.

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Hemoglobina glicada

O Brasil imprime o resultado em %, não em mmol/mol. Um valor inesperadamente baixo é o verdadeiro sinal de alarme.

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Insulina

O corte HOMA-IR de 2,71 foi medido em brasileiros — e o brasileiro médio fica exatamente nele. Nenhuma sociedade nacional recomenda o exame de rotina.

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Peptídeo C

A SBD manda colher fora do jejum. O mesmo 0,6 ng/mL tem dois sentidos opostos: quem decide é a glicemia do mesmo momento.

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Frutosamina

A janela é de 2 a 3 semanas. O único intervalo medido em brasileiros é separado por sexo — e a interferência da HbS depende do método.

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Lipidograma

O jejum deixou de ser obrigatório desde 2016 — mas só os triglicerídeos mudam de referência. E o SUS não tem código para o painel: cobra os quatro exames separados.

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Colesterol total

A diretriz de 2025 lhe dá uma única linha sem categoria de risco, enquanto o LDL e o não-HDL recebem cinco. Ele não foi abandonado: veja para que serve ainda.

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Colesterol LDL

O SUS e a sociedade de cardiologia não calculam o seu LDL da mesma forma: Friedewald até 400 de um lado, Martin/Hopkins até 800 do outro.

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Colesterol HDL

A diretriz de 2025 não propõe nenhuma meta para o HDL e recomenda contra tratá-lo. A expressão “bom colesterol” não aparece uma única vez nas 110 páginas.

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Triglicérides

O único exame do lipidograma com dois valores de referência: menos de 150 em jejum, menos de 175 sem. Acima de 440 sem jejum, recoleta.

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Apolipoproteína B (ApoB)

Sem código no SUS, mas na cobertura obrigatória do plano de saúde. A SBC manda dosá-la quando os triglicérides passam de 150 mg/dL.

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Lipoproteína(a)

Geneticamente determinada: dosa-se uma vez na vida. E a SBC proíbe converter mg/dL em nmol/L — são dois limiares, não um número traduzido.

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Função hepática

No seu laudo está escrito TGP e TGO, não ALT e AST. E transaminases normais não descartam doença do fígado.

Hepatograma

O SUS não tem código para o painel: cobra os cinco exames separados, R$ 11,55. E as enzimas sozinhas não são recomendadas para rastrear esteatose.

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TGP (ALT)

O protocolo do Ministério adota 35 U/L nos homens e 25 nas mulheres — mais baixo que o laudo comum. Quem está em 38 é normal para o laboratório e alterado para o SUS.

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TGO (AST)

Não é só do fígado: vem também do músculo, do coração e das hemácias. Um tubo hemolisado já a eleva a partir de 40 mg/dL de hemoglobina livre.

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Gama GT (GGT)

Alta não quer dizer bebida: o valor preditivo positivo é de 47,4%. E as estatinas, ao contrário do que se diz, quase não a alteram.

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Bilirrubinas

Direta ou indireta muda tudo. O jejum prolongado eleva o valor — e o próprio Ministério diz por quê, o que torna o preparo contraintuitivo.

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Amônia

O gelo não estabiliza a amostra e ainda aumenta a hemólise: o que pesa é o tempo. E a SBPC/ML proíbe o garrote nesta coleta.

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Fosfatase alcalina

Vem do fígado e do osso. Entre 13 e 14 anos, o intervalo medido em brasileiros vai de 62 a 212 nas meninas e de 129 a 437 nos meninos.

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Função renal

A creatinina sozinha avisa tarde: o número que decide é a taxa de filtração glomerular estimada, lida junto com a microalbuminúria.

Função renal

As duas sociedades recomendam a equação sem raça desde 2024 — mas o protocolo do SUS ainda imprime os dois coeficientes, sem dizer o que os separa.

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Creatinina (TFG)

Ela depende da sua massa muscular, não só do rim. E a calculadora da própria SBN convive com versões antigas que ainda perguntam a cor da sua pele.

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Ureia

O laudo brasileiro imprime ureia, o americano imprime BUN — não é a mesma grandeza, e a razão é 2,14. Comparar sem converter erra por mais do dobro.

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Microalbuminúria (RAC)

O nome está oficialmente desaconselhado desde 2025, mas a tabela do SUS ainda o usa. Feita em menos de 5% de quem deveria fazê-la.

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Cistatina C

Recomendada como exame confirmatório pelas duas sociedades, e mesmo assim sem código no SUS e fora do Rol obrigatório da ANS.

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Ácido úrico

No ELSA-Brasil, 31,9% dos homens estão acima de 7 mg/dL. E na crise de gota o ácido úrico pode estar normal: os critérios mandam dosar 4 semanas depois.

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Tireoide e hormônios

Por degraus: primeiro o TSH sozinho; T4 livre só se o TSH vier alterado, e os anticorpos depois.

Exames da tireoide

A ordem importa: primeiro a função, depois a causa. E o SUS não tem código de painel — cada dosagem é cobrada em separado.

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TSH

O intervalo medido em 960 brasileiros saudáveis para no 3,24 — mais de um ponto abaixo do 4,5 que a sociedade brasileira recomenda.

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T4 livre

A posição de 2022 tirou a tabela por trimestre da gestação: lê-se contra a faixa do laboratório. E ele custa ao SUS mais que o T4 total e que o TSH.

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T3 livre

A sociedade brasileira desaconselha pedi-lo de rotina — e o SUS não tem código para ele, ao contrário do T4, que tem dois.

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Anti-TPO

Positivo não é doença: 57,9% de quem tem o anticorpo está com a tireoide normal. No SUS ele existe sob o nome antigo de antimicrossomas.

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Tireoglobulina

Não é exame de função: acompanha o câncer operado. Os anticorpos a derrubam falsamente — por isso os dois se dosam sempre juntos.

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TRAb

Separa a doença de Graves das outras causas com mais de 95% de sensibilidade. Na gravidez atravessa a placenta — inclusive em quem já operou a tireoide.

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Calcitonina

A tireoidite de Hashimoto não a eleva: 1 075 pessoas mediram isso no Brasil. E o consenso da SBEM desaconselha dosá-la em todo nódulo.

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Perfil hormonal

O SUS tem uma família chamada “Exames hormonais” com 47 procedimentos e nenhum pacote. E uma resolução do CFM proíbe alguns exames pela finalidade, não pelo exame.

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Cortisol

Varia até 50% entre as 8h e as 16h: sem a hora da coleta, o número não quer dizer nada. E a cortrosina não tem registro na Anvisa.

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Prolactina

A macroprolactina custa mais que a própria prolactina no SUS. E o repouso antes da coleta foi explicitamente abandonado pela SBEM.

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Testosterona

Duas coletas não são pelo ritmo do dia: a variação entre duas manhãs é maior. E o SUS paga a fração livre, mas nenhum dos dois insumos do cálculo preferido.

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Beta-hCG

A SBPC/ML desaconselha tabelas por semana para estimar a idade gestacional. E metade das gestações ectópicas aparece abaixo do limiar clássico.

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Estradiol

Sem a data da última menstruação, o número não quer dizer quase nada. E a menopausa não se diagnostica com ele: a Febrasgo dosa o FSH na dúvida.

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Progesterona

A Febrasgo pede duas dosagens em dias alternados — e escreve que o custo-benefício não favorece a prática. Na perda gestacional, ela está na coluna NÃO.

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FSH

É um termostato: sobe quando o ovário responde mal. E o exame que as sociedades chamam de melhor marcador de reserva ovariana, o AMH, não tem código no SUS.

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Hormônio antimülleriano (AMH)

Nem SUS nem cobertura obrigatória do plano de saúde: sai do bolso. E AMH baixo não quer dizer não engravidar — a Febrasgo diz que a idade pesa mais.

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LH

O pico dura pouco e uma coleta ao acaso pode perdê-lo. A relação LH/FSH não é critério de SOP em nenhum dos três consensos tabelados pela Febrasgo.

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SDHEA (sulfato de DHEA)

Marcador de origem adrenal dos androgênios. A substância está na lista C5 da Anvisa, e o CFM veda o teste salivar quando a finalidade é rastrear o envelhecimento.

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Aldosterona

Onze instituições públicas do Rio financiam o exame e nenhuma o realiza no próprio laboratório. E a diretriz brasileira não publica nenhum corte da relação com a renina.

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Renina

Duas métodos, três unidades e um fator de conversão preso a um aparelho. A tabela do SUS tem um código só para os dois exames.

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ACTH

O protocolo do Ministério manda coletar em tubo com EDTA no gelo — e o manual da sociedade científica não fala do ACTH uma única vez.

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IGF-1 (somatomedina C)

Duas séries brasileiras publicam intervalos próprios e não acham diferença entre os sexos. E o SUS paga o IGF-1 mais caro que o próprio GH.

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SHBG

A diretriz brasileira recomenda calcular a testosterona livre — e o SUS não paga nenhum dos dois insumos do cálculo.

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Ferro, inflamação, vitaminas, eletrólitos e coagulação

O resto do laudo, marcador por marcador — da ferritina ao D-dímero, do sódio à vitamina D.

Haptoglobina

Cai em toda hemólise, inclusive a intramedular. E não diagnostica doença falciforme — não está no PCDT.

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G6PD

O teste virou obrigatório antes da primaquina e da tafenoquina. E a fava não é o gatilho principal no Brasil.

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Cinética do ferro

A avaliação da política de enriquecimento das farinhas conclui que o impacto é pequeno. E o SUS não tem código de painel: cobra cada dosagem à parte.

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Ferritina

É proteína de fase aguda: a inflamação a eleva e pode esconder uma falta real de ferro. Por isso o corte sobe de 30 para 100 quando há inflamação.

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Ferro sérico

O protocolo do Ministério diz que ele não é obrigatório no diagnóstico. Varia até 50% entre 8h e 14h — e o jejum longo o aumenta.

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Transferrina

Sobe quando falta ferro, ao contrário do que se espera. E não é melhor que a albumina como marcador de desnutrição: um estudo mostra o contrário.

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Saturação da transferrina (IST)

Não tem código no SUS porque é um cálculo, não uma dosagem. E os valores de referência do protocolo federal vêm do guia de um laboratório privado.

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Capacidade de ligação do ferro

O mesmo exame tem quatro nomes: quem procura “ligação” na tabela do SUS não acha, porque lá se chama “fixação”.

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Marcadores inflamatórios

O protocolo federal da artrite pede “VHS ou PCR”, nunca os dois — e oferece um índice, o CDAI, que dispensa qualquer exame de sangue.

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Procalcitonina

Não separa bactéria de vírus — a literatura classifica esse uso como fraco. Fora do SUS, mas coberta pelo plano com diretriz de utilização.

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Proteína C reativa (PCR)

A sigla também é a do teste molecular: as cinco vezes em que “PCR” aparece na tabela do SUS são todas a polimerase, nenhuma é este exame.

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VHS

Não é uma dosagem, é a queda das hemácias num tubo em uma hora — por isso anemia, idade e gravidez mudam o número sem que haja inflamação.

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Fibrinogênio

Está em dois exames ao mesmo tempo: é o fator I da coagulação e uma proteína de fase aguda. Das seis causas de alta, quatro não são doença.

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Perfil vitamínico

SBPC/ML e SBEM são explícitas: a triagem populacional indiscriminada não está indicada. E o SUS dosa cinco vitaminas, não o painel.

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Vitamina D

O consenso de 2020 tem uma tabela errada, corrigida numa errata à parte. E o SUS e as sociedades discordam: 15 ng/mL é deficiência para umas, insuficiência para o outro.

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Vitamina B12

Um resultado normal não exclui a falta: a maior parte do que o exame mede está ligada à haptocorrina, que não entra nas células.

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Vitamina B1 (tiamina)

O SUS não dosa: o guia do Ministério diz que o diagnóstico do beribéri é clínico. O Maranhão notificou 1 207 casos entre 2006 e 2008.

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Vitamina B6

A vitamina cujo EXCESSO intoxica. O manual da tuberculose prescreve piridoxina e nunca manda dosá-la — o Brasil suplementa sem medir.

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Ácido fólico

O laudo escreve “folato” e a tabela do SUS usa os dois nomes na mesma frase. Num país que fortifica a farinha, a falta ficou rara.

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Homocisteína

A diretriz de dislipidemias de 2025 não a cita nenhuma vez — a de 2017 citava. Não tem código no SUS, que paga as vitaminas mas não o seu marcador.

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Magnésio

O magnésio do sangue não mede os estoques do corpo: só 1% circula. Um resultado normal não descarta a falta — e o ENANI-2019 não o dosou.

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Enzimas pancreáticas

O SUS incorporou a elastase fecal em 2025, mas a descrição oficial ainda fala em fibrose cística. E não existe pacote: cada enzima é cobrada à parte.

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Lipase

A vantagem defensável não é a exatidão — é a janela de tempo. Na insuficiência renal, 80% têm lipase alta sem nenhuma dor abdominal.

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Amilase

Cerca de 60% da amilase do sangue é salivar: o pâncreas é minoritário. E no escorpionismo ela sobe sem pancreatite nenhuma.

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Eletrólitos séricos

Sódio, potássio e cloreto custam R$ 1,85 cada no SUS — e não existe pacote. O bicarbonato só vem com a gasometria, oito vezes mais caro.

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Potássio

Um potássio alto é primeiro um problema de coleta até prova em contrário. E o ECG confirma, mas não exclui: sensibilidade de 0,19.

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Sódio

Sódio baixo quase nunca é falta de sal: é excesso de água. E o sódio do sangue não mede o quanto você come — a PNS mediu na urina.

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Cloro (cloretos)

No SUS o exame chama-se cloreto, não cloro: quem procura pela palavra errada não acha. Custa R$ 1,85 — e R$ 150,00 no suor.

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Osmolalidade

No SIGTAP, osmolaridade é o exame de sangue e osmolalidade o de urina. E a fórmula da SBD divide a ureia por 2,8, que é o divisor do BUN.

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Bicarbonato

Não é o de cozinha. O SUS não cobre a dosagem venosa sob nenhum nome: ele só vem dentro da gasometria, e a TUSS o chama de reserva alcalina.

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Lactato

É marcador de gravidade, não exame de rotina — e o que vale é a queda em 2 a 4 horas, não o número isolado. O protocolo brasileiro não publica corte universal.

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Marcadores tumorais

Um manual inteiro do INCA sobre detecção precoce não cita um só exame de sangue. E o SUS paga cinco marcadores — todos descritos como exames de acompanhamento.

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PSA (próstata)

Nem o Ministério nem a SBU recomendam rastreamento universal: a divergência é sobre a idade e sobre convocar ou não. E o PSA livre não tem código no SUS.

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CA 125

O INCA não recomenda rastreamento de ovário, e a Febrasgo desaconselha dosá-lo para diagnosticar endometriose — mesmo sendo nela que ele sobe.

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Alfafetoproteína (AFP)

Desaconselhada na população geral, adequada em quem tem cirrose ou hepatite crônica. Três fontes brasileiras discordam sobre quem deve ser vigiado.

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CA 19-9

De 5% a 10% das pessoas não produzem este marcador: nelas, um resultado baixo não tranquiliza nada. E o SUS não o cobre — zero código em 5 023 linhas.

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CEA

Não serve para rastrear: 7,8% de sensibilidade no sangue, contra 85% a 92% do teste fecal que o SUS incorporou em agosto de 2026.

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CA 15-3

Zero código no SUS em 5 023 linhas. E os documentos brasileiros de rastreamento do câncer de mama sequer mencionam marcadores tumorais.

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Marcadores cardíacos

Não é um pacote: quatro exames que respondem a perguntas diferentes. E o SUS tem forfaits de cardiologia — nenhum deles com troponina dentro.

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Troponina

Mede lesão do músculo cardíaco, e lesão não é infarto. A tabela do SUS limita este exame a 2 por conta — a lógica da segunda coleta está no orçamento.

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CPK (creatinoquinase)

Chega ao pedido pela estatina ou pelo músculo. Três instituições brasileiras escrevem o nome deste exame de três maneiras diferentes.

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BNP e NT-proBNP

O valor dele está em descartar, não em encontrar. É o único marcador cardíaco cujo SUS escreve a finalidade — e ele está ligado ao CID da insuficiência cardíaca.

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PCR ultrassensível

Mesmo analito, outra régua, outra pergunta. A diretriz de 2025 não a recomenda em quem está assintomático, mas sim em quem está sendo estratificado.

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Coagulograma

No SUS não existe código de coagulograma: cada tempo é cobrado à parte. E a ABHH não recomenda pedi-lo de rotina antes de uma cirurgia.

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Tempo de protrombina (TAP)

O Ministério paga o tempo e nunca a razão: o INR não aparece uma única vez nas 5 023 linhas da tabela do SUS.

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TTPA

Quatro instituições brasileiras escrevem este exame de seis maneiras — e a tabela do SUS o chama de TTP ativada.

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D-dímero

Serve para descartar, não para confirmar. O guia da dengue do Ministério o prescreve, e a tabela do mesmo Ministério não o paga.

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Metabolismo ósseo

Cálcio, fósforo, PTH e vitamina D se leem juntos: a SBN recomenda observar a tendência e não o valor isolado — e desaconselha o produto Ca × P.

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Cálcio

Total e iônico são dois exames, com códigos e preços próprios. E a nefrologia brasileira proíbe de CALCULAR o iônico, mesmo permitindo corrigir o total.

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Fósforo

O protocolo nacional diz quando dosar e nunca que valor esperar: seis menções ao fósforo, e mg/dL só aparece duas vezes, ambas sobre a creatinina.

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PTH (paratormônio)

Custa 23 vezes o cálcio sem o qual não quer dizer nada. Quatro laboratórios brasileiros publicam quatro faixas de referência diferentes.

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Albumina

O SUS não tem código para dosá-la no sangue: ela vem dentro de proteínas totais e frações. E ela mede inflamação antes de medir desnutrição.

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Proteínas totais e frações

R$ 1,85 no SUS, e o único caminho oficial até a albumina do sangue. Dois códigos vizinhos separados por 45 centavos.

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Eletroforese de proteínas

O gel separa cinco faixas, o capilar seis. E o exame que confirma um pico monoclonal não tem código no SUS — só no setor privado.

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Globulinas

Quase sempre uma subtração, não uma dosagem. O Ministério publica o limiar albumina/globulina que a sociedade científica nunca emprega.

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LDH

O analito mais sensível à hemólise do tubo: ele se altera antes que o soro pareça alterado. Três instituições escrevem o nome de três maneiras.

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Vitamina A

O programa nacional acabou com a megadose às puérperas em 2016 — e a tabela do SUS ainda descreve o procedimento como destinado a elas.

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Vitamina C

O SUS cobre o exame por R$ 2,01. Num surto de escorbuto, doze coletas não puderam ser testadas por falta de insumos nos laboratórios públicos.

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Vitamina E (alfa-tocoferol)

O protocolo nacional da fibrose cística manda dosar uma vez por ano — e nenhum código do SUS paga esse exame. A tabela do setor privado tem.

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Zinco

O inquérito nacional usa dois cortes para o mesmo exame conforme a hora da coleta. E o SUS classifica o zinco na toxicologia, não na nutrição.

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Ceruloplasmina

O protocolo da doença de Wilson escreve que não há exame padrão-ouro. E a descrição da tabela traz o alerta clínico que falta ao protocolo.

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Sorologias: infecções e anticorpos

Ler anticorpos é responder a duas perguntas: infecção antiga ou recente? Vacinado ou já teve?

Sorologias infecciosas

O SUS tem 146 procedimentos sorológicos e nenhum pacote — mas agrupa sorologias para doadores de sangue. A janela imunológica é o que quase ninguém explica.

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Toxoplasmose

IgM reagente não quer dizer infecção recente — mas o protocolo manda tratar primeiro e concluir depois. E o maior surto por água já descrito foi no Brasil.

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Doença de Lyme

Revisão de 2024 dos 199 casos brasileiros: a Borrelia nunca foi isolada no país. O SUS paga a internação e nenhuma sorologia.

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Hepatite B (HBsAg, anti-HBs)

Anti-HBs sozinho é vacina; com anti-HBc é cura. E um anti-HBs que caiu não significa perder a proteção — o protocolo diz isso com todas as letras.

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HIV

Um teste rápido reagente não é diagnóstico, e a Caderneta da gestante nunca usa a palavra “obrigatório”. Carga viral indetectável = risco zero de transmissão.

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VDRL (sífilis)

O título sobe e desce; o teste treponêmico fica positivo a vida toda em 85%. E excesso de anticorpo pode dar VDRL falsamente negativo.

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Mononucleose (EBV)

O monoteste falha em menores de 5 anos e na primeira semana. E o anti-EBNA só aparece depois de 4 semanas — é ele que separa recente de antiga.

Ler o guia Mononucleose (EBV)

Citomegalovírus (CMV)

É a maior causa não genética de surdez congênita, e não está no teste do pezinho: o papel-filtro só detecta 28% a 75% dos casos.

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Rubéola

O Ministério recomenda NÃO pedir sorologia de rotina na gestante sem sintomas. E num país onde o vírus não circula, um IgM isolado quase sempre é falso.

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Hepatite C (anti-HCV)

Ao contrário da hepatite B, o anticorpo não diz se a infecção está ativa — só a carga viral diz, e ela custa nove vezes mais no SUS.

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Tipo sanguíneo, doação e transfusão

Tipagem sanguínea, fator Rh, herança, gravidez e o que a doação realmente devolve para você.

Tipos sanguíneos

A pesquisa de D fraco já vem no preço do Rh no SUS. E a tabela do Ministério nomeia as duas metades da tipagem: direta e reversa.

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Fator Rh

O nome do exame no SUS inclui o D fraco. E a dose de imunoglobulina anti-D aparece em duas unidades diferentes em dois textos do mesmo ministério.

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Compatibilidade sanguínea

A norma exige quatro testes antes de hemácias, três antes de plaquetas, dois antes de plasma. E o preparo custa mais do que a transfusão.

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Doador universal

A expressão não existe em nenhum texto normativo brasileiro: zero ocorrência em quatro corpora. A norma manda transfundir isogrupo.

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Herança do tipo sanguíneo

Duas famílias brasileiras publicadas em 2025 quebram a tabela. E a lei brasileira de paternidade nunca fala em sangue: só em DNA.

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Eritroblastose fetal

Os documentos em vigor chamam a doença de outro nome, com três siglas diferentes. E a maior série brasileira atribui a queda dos casos à natalidade, não à profilaxia.

Ler o guia Eritroblastose fetal

Coombs indireto

A tabela do SUS não usa a palavra Coombs: ela diz teste indireto de antiglobulina humana. O termo que todo mundo procura vem da Caderneta da Gestante.

Ler o guia Coombs indireto

Transfusão de sangue

O regulamento que descreve o ato minuto a minuto não exige consentimento de quem recebe: as 12 menções são todas sobre o doador.

Ler o guia Transfusão de sangue

Doação de sangue

Hemoglobina alta demais também impede doar. E os resultados dos exames não são entregues de ofício: saem mediante solicitação.

Ler o guia Doação de sangue

Antes e depois da coleta

Jejum, tubos, prazos, crianças, preço e acesso sem pedido médico: o que cerca a picada e decide a qualidade do resultado.

Jejum para exame de sangue

A própria SBPC/ML publica três durações e dois tetos que não coincidem. E a água não quebra o jejum: está escrito em dois documentos.

Ler o guia Jejum para exame de sangue

Coleta de sangue

Três textos definem quem pode colher, com três vocabulários distintos — e o decreto que atribui a tarefa nunca escreve as palavras sangue nem punção.

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Tubos de coleta

O guia brasileiro escreve que não existe acordo internacional de cores: é uma convenção de fabricantes. E a Anvisa mudou o que vai escrito no seu tubo.

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Plasma sanguíneo

Soro é plasma sem fibrinogênio, e a diferença é medível: a proteína total sai 5,2% mais baixa no soro. O plasma do doador é da União.

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Exame sem pedido médico

A própria ANVISA escreve que não: o pedido médico não é requisito sanitário. Ele decide o pagamento, não a realização.

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Resultado de exame de sangue

A norma lista 14 itens obrigatórios do laudo e manda cada laboratório definir seus valores críticos — sem fixar um único número.

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Exame de sangue em crianças

A SBPC/ML admite que não existe procedimento que facilite uma coleta infantil. E o teste do pezinho tem três listas oficiais diferentes.

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Exames por motivo

Não a partir do valor, mas a partir da sua pergunta: «estou cansado, que exame me cabe?».

Cansaço: quais exames

Ferritina, não ferro sérico — o protocolo do Ministério escreve que os outros não são obrigatórios. E não existe protocolo brasileiro do cansaço.

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Anemia: quais exames

O tipo mais comum no adulto brasileiro é normocítico normocrômico (56%): na maioria dos casos o VCM não decide nada.

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Exames de rotina e check-up

A SBMFC escreve que não existe conjunto de exames a pedir de rotina para toda a população. E o SUS não conhece a palavra check-up: zero ocorrência.

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Calculadoras e recursos

Ferramentas gratuitas para o seu exame de sangue

Converter uma unidade, estimar um valor, procurar uma sigla — sem cadastro e sem publicidade.

Quanto custa um exame de sangue no Brasil — pelo SUS, pelo plano ou no particular — está na página quanto custa um exame de sangue. Quem somos e como escrevemos, em metodologia editorial e sobre nós.

Comparação · setembro de 2026

As melhores ferramentas de IA para interpretar um exame de sangue

Com este guia, ler o seu próprio laudo não custa nada. Quem quiser ir além — uma interpretação automática, personalizada e em linguagem simples, que cruze todos os seus valores — vai encontrar ferramentas de IA para exames de sangue. Avaliamos as mais usadas com três critérios: confiabilidade das respostas, proteção dos seus dados e personalização. Este é o nosso veredito.

Escolha da redação

AI DiagMe

Ferramenta especializada em interpretar exames · paga
Para interpretar os seus exames

Uma ferramenta dedicada exclusivamente à interpretação de exames médicos. A IA é envolvida por uma camada de conhecimento médico construída sobre três anos de retorno de médicos, que enquadra cada resposta. O relatório é estruturado e ligado ao seu perfil, e os dados trafegam criptografados.

Pontos fortes

  • Uma camada de inteligência médica construída sobre 3 anos de retorno de médicos enquadra as respostas da IA: as alucinações ficam praticamente descartadas
  • Revisada por um comitê médico; cada marcador é cruzado com o seu perfil
  • Não é preciso saber «promptar»: perfil, contexto e exames anteriores entram por padrão
  • Relatório estruturado: síntese, plano de ação e perguntas para levar ao seu médico
  • Dados criptografados e pseudonimizados

A considerar

  • Serviço pago — com garantia de satisfação
  • Ferramenta informativa: não substitui a consulta médica
Nosso veredito: a solução mais confiável da comparação. Onde uma IA generalista produz uma resposta brilhante mas não verificada, o AI DiagMe enquadra a sua IA com três anos de experiência médica acumulada — o que limita de forma decisiva o risco de resposta errada.

ChatGPT · Gemini · Claude

IA generalistas (OpenAI, Google, Anthropic) · com versões gratuitas
Para perguntas gerais

Os três grandes assistentes estão muito próximos em temas de saúde: respostas completas, bem escritas e frequentemente corretas. Os modelos recentes erram menos, mas os limites são os mesmos — e são estruturais, porque nenhum foi desenhado para ler um laudo de laboratório.

Pontos fortes comuns

  • Respostas completas e detalhadas sobre a maioria dos marcadores
  • Conversa livre: dá para aprofundar cada pergunta
  • Versão gratuita disponível e resposta imediata

Limites comuns

  • As alucinações continuam: os estudos mostram que os modelos generalistas inventam uma parte nada desprezível das referências médicas que citam
  • A qualidade depende muito do prompt: perfil, contexto e histórico têm que ser fornecidos por você
  • Sem validação médica, sem relatório estruturado e sem acompanhamento ao longo do tempo — e os seus dados podem sair do Brasil
  • As particularidades brasileiras — TGP e TGO, a sigla PCR que também é a dos testes de vírus, os valores da PNS em vez dos importados, o fenótipo Duffy nulo — nem sempre são bem interpretadas
Nosso veredito: ótimos companheiros para explorar ou entender um tema de saúde, desde que você saiba perguntar e verifique cada resposta. Para ler os seus próprios resultados, a falta de garantia médica e a saída dos dados do país continuam sendo o limite decisivo.

Comparação feita pela nossa redação a partir de testes próprios e de critérios públicos (confiabilidade, personalização, clareza, confidencialidade). Estas ferramentas ajudam a compreender e em nenhum caso substituem a avaliação de um profissional de saúde.

Números para guardar

Seis números que explicam muita coisa

Referências verificadas para situar um exame de sangue brasileiro e os seus limiares.

8.952 adultos
brasileiros medidos pela Pesquisa Nacional de Saúde: os primeiros valores de referência do hemograma feitos aqui, e não importados1
46,9 %
dos doadores de sangue estudados em São Paulo tinham o fenótipo Duffy nulo, com neutrófilos normalmente mais baixos — variação, não doença10
4 %
da população brasileira carrega o traço falciforme (6 a 10% no Norte e no Nordeste) — e o hemograma não o identifica4
12 horas
é o teto do jejum, não a meta: a SBPC/ML recomenda evitar coletas depois de jejuns mais longos3
175 mg/dL
é o valor desejável de triglicerídeos sem jejum (150 em jejum de 12 h): o único parâmetro do lipidograma que muda com a alimentação8
R$ 12,38
é o que o SUS repassa pelas quatro dosagens do lipidograma — colesterol total, HDL, LDL e triglicerídeos13
Perguntas frequentes

As suas perguntas sobre exames de sangue

Precisa estar em jejum para o exame de sangue?

Depende do exame. Para a glicemia, as duas referências brasileiras convergem: no mínimo 8 e no máximo 12 horas, só com água.57 O teto não é detalhe — a SBPC/ML recomenda evitar coletas após jejuns acima de 12 horas.3 Para o hemograma isolado, não é preciso jejum: a melhor prova brasileira é metodológica, porque as amostras da Pesquisa Nacional de Saúde que geraram os valores nacionais foram colhidas a qualquer hora do dia.1 Na véspera, mantenha a alimentação habitual: cortar carboidratos falseia justamente o que o exame quer medir.

Posso beber água durante o jejum?

Sim. Estar em jejum significa não ingerir alimentos nem bebidas calóricas — a água está liberada, e as referências brasileiras dizem literalmente «só com água».57 Café e chá quebram o jejum, com ou sem açúcar. Duas ressalvas que quase nunca chegam ao paciente: o álcool altera a glicose plasmática de forma significativa e quase imediata, e a SBPC/ML recomenda abstinência de bebidas alcoólicas por 72 horas antes da coleta.3

O lipidograma precisa de jejum?

Não, e essa é uma decisão brasileira antiga que muita gente ainda não sabe. Desde 2016 um consenso assinado por cinco sociedades — SBPC/ML, SBAC, SBC, SBD e SBEM — flexibilizou o jejum para o perfil lipídico,9 e a Diretriz Brasileira de Dislipidemias de 2025 manteve a posição com recomendação FORTE.8um parâmetro muda de referência conforme o jejum: os triglicerídeos (abaixo de 150 mg/dL em jejum de 12 h, abaixo de 175 sem jejum). Colesterol total, LDL, HDL e não-HDL «não sofrem influência do estado alimentar». Acima de 440 mg/dL numa coleta sem jejum, a recomendação é repetir com jejum de 12 horas.

Por que o valor de referência muda de um laboratório para outro?

Porque um intervalo de referência pertence ao equipamento, ao método e à população daquele laboratório: descreve a faixa em que cai a maioria das pessoas saudáveis daquele grupo, e quem forma o grupo de outro jeito obtém outros limites. No Brasil a divergência é documentada e grande: a tabela mais difundida entre laboratórios é declaradamente copiada de um manual britânico,12 enquanto a Pesquisa Nacional de Saúde mediu, em 8.952 adultos brasileiros, um limite inferior de leucócitos perto de 2.850/mm³ — bem abaixo do clássico 4.000.1 Vale sempre o intervalo impresso ao lado do seu resultado, e a norma obriga o laboratório a imprimi-lo.2

Um resultado fora da faixa é sempre preocupante?

Na maioria das vezes, não. Um intervalo de referência cobre por construção cerca de 95% das pessoas saudáveis — a PNS o calculou como média ± 1,96 desvio-padrão.1 Ou seja, cerca de 1 em cada 20 resultados de gente saudável cai fora, sem que nada esteja errado. O que conta é a magnitude do desvio, a evolução em relação a exames anteriores e o conjunto do laudo. E há artefatos frequentes: a pseudoplaquetopenia do EDTA, em que as plaquetas se aglutinam no próprio tubo, é listada pelo Ministério da Saúde como a primeira causa comum de trombocitopenia.

O meu laudo é obrigado a trazer os valores de referência?

Sim, e isso é norma federal. A RDC nº 786/2023 da ANVISA, no artigo 138, determina que o laudo contenha no mínimo o resultado do exame e a unidade de medição e os valores de referência, limitações técnicas da metodologia e dados para interpretação.2 Se o seu laudo vier sem esses campos, você pode pedir ao laboratório — não é favor, é requisito técnico-sanitário. E é essa exigência que torna o intervalo do seu papel mais confiável do que qualquer tabela genérica.

O SUS cobre os exames de sangue?

Sim, mediante pedido médico, e a lista é pública: a tabela SIGTAP do Ministério da Saúde traz cada dosagem com o seu código e o seu valor de repasse.13 Alguns exemplos reais: colesterol total R$ 1,85, triglicerídeos R$ 3,51, hemoglobina glicada R$ 7,86 — e as quatro dosagens do lipidograma somam R$ 12,38. Repare que o SUS ainda codifica «dosagem de hemoglobina glicosilada» enquanto o laudo imprime «glicada»: são o mesmo exame. Nem tudo entra: o teste de HbA1c de ponta de dedo não foi incorporado ao SUS.14

O hemograma detecta o traço falciforme?

Não, e essa é uma das confusões mais comuns no Brasil. O Ministério da Saúde estima o traço falciforme em 4% da população — de 6% a 10% no Norte e no Nordeste — e o protocolo diz textualmente que o traço «não caracteriza anemia»: o portador costuma ser assintomático e ter hemograma normal.4 Quem confirma é a eletroforese de hemoglobina, por focalização isoelétrica ou HPLC, procedimento que consta na tabela do SUS; a porta de entrada habitual é o Programa Nacional de Triagem Neonatal, o teste do pezinho. Consequência prática: um VCM baixo no Brasil não é automaticamente falta de ferro.

Dá para interpretar o meu exame de sangue com inteligência artificial?

Dá, e ajuda a entender — com uma ressalva sobre confiabilidade. Uma IA generalista responde de forma completa e fluente, mas pode inventar fontes e valores de referência, e os seus dados podem sair do Brasil. Há ainda uma armadilha local: as particularidades brasileiras — TGP e TGO em vez de ALT e AST, a sigla PCR que também é a dos testes de vírus, os valores da PNS em vez dos importados — nem sempre são bem interpretadas. Uma ferramenta especializada e acompanhada por médicos enquadra as respostas. A nossa comparação detalha as diferenças. Em qualquer caso, essas ferramentas preparam a conversa com o seu médico; não a substituem.

É gratuito interpretar aqui o meu exame de sangue?

Sim. Este guia, as tabelas de valores de referência, as calculadoras e todos os guias por marcador são totalmente gratuitos, sem cadastro e sem publicidade. Para uma interpretação automática e adaptada ao seu perfil existem ferramentas especializadas, normalmente pagas: veja a nossa comparação.

Nosso compromisso

Por que você pode confiar no BloodAnalysis

Conteúdo escrito com rigor, referenciado e atualizado com regularidade, para uma informação de saúde confiável e ao mesmo tempo compreensível. Aqui você vê quem escreve e quem revisa os nossos guias.

Competência

Cada guia se apoia em fontes primárias brasileiras — Ministério da Saúde, ANVISA, SBPC/ML, SBD, SBC, ABHH, TelessaúdeRS — e em pesquisa revisada por pares, explicada em linguagem simples.

Experiência

Partimos das perguntas que as pessoas realmente fazem diante do laudo, e respondemos com concretude em vez de generalidade.

Rastreabilidade

Um site de educação em saúde que cita sistematicamente as suas fontes, verifica cada referência uma a uma e nomeia as contradições entre elas em vez de suavizá-las.

Honestidade

Lembramos sempre que os nossos guias informam e não substituem uma consulta. E dizemos também o que não sabemos: se duas fontes brasileiras divergem, nós publicamos a divergência.

Fontes e transparência

Atualizado: setembro de 2026Escrito e revisado pela equipe Blood Analysis

Nos guias em português do Brasil, as nossas 2.138 referências vêm de fontes primárias brasileiras e da literatura revisada por pares — cada uma citada no ponto exato a que pertence:

  • PubMed1.198 ref.
  • ClinicalTrials.gov2 ref.
  • OMS2 ref.
  • CDC1 ref.
  • Sociedades científicas dos EUA24 ref.
  • Planalto (legislação federal)19 ref.
  • SISAPS7 ref.
  • Ministério da Saúde · ANVISA · CONITEC471 ref.
  • SBPC/ML139 ref.
  • ABHH22 ref.
  • AMB2 ref.
  • PNCQ22 ref.
  • TelessaúdeRS-UFRGS e universidades federais30 ref.
  • SciELO e revistas brasileiras87 ref.
  • Hemocentros2 ref.
  • Sociedades científicas brasileiras65 ref.
  • Inquéritos nutricionais (ENANI/UFRJ)14 ref.
  • KDIGO (internacional)2 ref.
  • BVS (OPAS/OMS · Ministério da Saúde)19 ref.
  • Conselhos profissionais (CFM · CFF · CRM)8 ref.
  • Legislação e jurisprudência (Câmara · STF)5 ref.
  • Bulas de medicamentos (fabricantes)3 ref.
  • Fiocruz3 ref.
  • Operadores privados (observação de mercado)19 ref.

Os números citados nesta página remetem, pela chamada em expoente, às fontes abaixo (links conferidos em setembro de 2026):

  1. 1

    Rosenfeld LG, Malta DC, Szwarcwald CL, Bacal NS, et al. — «Valores de referência para exames laboratoriais de hemograma da população adulta brasileira: Pesquisa Nacional de Saúde. Rev Bras Epidemiol, 2019; 22 (Supl. 2). Estudo financiado pela Secretaria de Vigilância em Saúde do Ministério da Saúde, com dados laboratoriais da PNS/IBGE 2014-2015 em 8.952 adultos» · scielo.br

  2. 2

    ANVISA — «Resolução da Diretoria Colegiada RDC nº 786, de 5 de maio de 2023 — requisitos técnico-sanitários dos serviços de análises clínicas; artigos 137 e 138, conteúdo obrigatório do laudo (unidade de medição, valores de referência, limitações da metodologia e dados para interpretação). Edição comentada publicada pelo PNCQ» · pncq.org.br (PDF)

  3. 3

    SBPC/ML — Sociedade Brasileira de Patologia Clínica/Medicina Laboratorial — «Recomendações da SBPC/ML: boas práticas em laboratório clínico. Barueri: Manole, 2020 — variação pré-analítica (tabagismo, álcool por 72 horas, atividade física, postura, garrote de no máximo 1 minuto), limite de 12 horas de jejum, sequência de coleta dos tubos e tabela de Rümke» · controllab.com (PDF)

  4. 4

    Ministério da Saúde — «Protocolo Clínico e Diretrizes Terapêuticas da Doença Falciforme, aprovado pela Portaria Conjunta SAES/SECTICS nº 16, de 1º de novembro de 2024 — traço falciforme em cerca de 4% da população (6 a 10% no Norte e Nordeste), «não caracteriza anemia», eletroforese de hemoglobina e Programa Nacional de Triagem Neonatal» · hemocentro.org.br (PDF)

  5. 5

    Sociedade Brasileira de Diabetes (SBD) — «Diagnóstico de diabetes mellitus, Diretriz da SBD, Ed. 2026 — critérios diagnósticos, glicemia de 1 hora no TTGO igual ou acima de 209 mg/dL, jejum de 8 a 12 horas e rastreamento a partir dos 35 anos» · diretriz.diabetes.org.br

  6. 6

    Ministério da Saúde, Departamento de Atenção Básica — «Estratégias para o cuidado da pessoa com doença crônica: diabetes mellitus. Cadernos de Atenção Básica nº 36, Brasília, 2013 — Tabela 3, com glicemia normal abaixo de 110 mg/dL, dez unidades acima do critério da SBD» · gov.br/conitec (PDF)

  7. 7

    TelessaúdeRS-UFRGS — «TeleCondutas: Diabetes mellitus, Porto Alegre, UFRGS, 2024 — valores diagnósticos, jejum de no mínimo 8 e no máximo 12 horas, conduta de rastreamento na atenção primária do SUS e febre com neutrófilos abaixo de 1.500/mm³ como urgência» · ufrgs.br (PDF)

  8. 8

    Sociedade Brasileira de Cardiologia (SBC) — «Diretriz Brasileira de Dislipidemias e Prevenção da Aterosclerose – 2025. Arq Bras Cardiol, 2025; 122(9): e20250640 — coleta sem jejum com recomendação forte, triglicerídeos abaixo de 150 mg/dL em jejum e 175 sem jejum, recoleta acima de 440, metas de LDL por categoria de risco e equação de Martin/Hopkins» · scielo.br

  9. 9

    SBPC/ML, SBAC, SBC, SBD e SBEM — «Consenso Brasileiro para a Normatização da Determinação Laboratorial do Perfil Lipídico (2016), publicado como Scartezini M, Ferreira CES, Izar MCO, et al. Posicionamento sobre a flexibilização do jejum para o perfil lipídico. Arq Bras Cardiol, 2017; 108(3): 195-197 — documento primário da flexibilização do jejum no Brasil, assinado por cinco sociedades» · pubmed.ncbi.nlm.nih.gov

  10. 10

    Velloso EDRP, Dos Santos AO, Dinardo CL, et al. — «Blood Cell Counts and the Duffy Null Phenotype: Beyond Neutropenia. Int J Lab Hematol, 2026 — 311 doadores de sangue brasileiros de dois bancos paulistas, 46,9% com fenótipo Duffy nulo, faixa de neutrófilos de 1.180-4.800/µL contra 2.200-7.250/µL nos demais» · pubmed.ncbi.nlm.nih.gov

  11. 11

    Ministério da Saúde, Secretaria de Vigilância em Saúde e Ambiente — «Dengue: diagnóstico e manejo clínico — adulto e criança, 6ª edição, Brasília, 2024 — leucopenia na definição de caso suspeito, sinais de alarme, monitorização seriada do hematócrito e notação das plaquetas» · gov.br/saude

  12. 12

    PNCQ — Programa Nacional de Controle de Qualidade (SBAC) — «Valores de referência hematológicos para adultos e crianças, 2019 — fonte declarada na própria capa do documento: Dacie and Lewis, Practical Haematology, 12ª edição, 2017 (manual britânico)» · pncq.org.br (PDF)

  13. 13

    Ministério da Saúde / DATASUS — «SIGTAP — Sistema de Gerenciamento da Tabela de Procedimentos, Medicamentos e OPM do SUS, competência 08/2026 — dosagem de colesterol total R$ 1,85 (0202010295), triglicerídeos R$ 3,51 (0202010678), hemoglobina glicosilada R$ 7,86 (0202010503)» · sigtap.datasus.gov.br

  14. 14

    Conitec / Ministério da Saúde — «Point-of-care testing de hemoglobina glicada para pacientes diabéticos, relatório para Consulta Pública nº 79/2022 — recomendação preliminar desfavorável à incorporação ao SUS, por elevado custo e impacto orçamentário» · gov.br/conitec (PDF)

  15. 15

    Pasricha SR, Rogers L, Branca F, Garcia-Casal MN — «Measuring haemoglobin concentration to define anaemia: WHO guidelines. The Lancet, 2024; 403(10440): 1963-1966 — o limiar de hemoglobina que define anemia é objeto de revisão ativa, e não uma constante» · pubmed.ncbi.nlm.nih.gov

Conteúdo revisado pelo nosso comitê de redação em saúdeConferência dos valores de referência e da terminologia médica · última revisão: setembro de 2026

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Aviso médico. Os conteúdos do BloodAnalysis têm finalidade informativa e de educação em saúde. Não constituem aconselhamento médico nem substituem a consulta com um profissional de saúde qualificado. Os valores de referência variam de um laboratório para outro. Consulte sempre o seu médico para a interpretação dos seus resultados e para qualquer decisão sobre a sua saúde.