Progesterona: o exame que comprova a ovulação
O exame de progesterona responde bem a uma única pergunta: houve ovulação? O que dizem a SBPC/ML e a Febrasgo sobre o dia da coleta — e onde elas divergem.
Quem procura "progesterona" quase sempre chega a um medicamento — progesterona micronizada, progestagênio de anticoncepcional, terapia da menopausa. Esta página é sobre outra coisa: o exame de sangue que mede o hormônio que o seu corpo produz, e o que está escrito no laudo. Ele faz parte do perfil hormonal e tem uma característica rara: responde muito bem a uma pergunta e muito mal a quase todas as outras. Saber qual é a pergunta poupa coleta e ansiedade.
Em resumo
- É um esteroide secretado pelo ovário, pelas suprarrenais e pela placenta. Na fase lútea ela atinge valores 10 a 20 vezes mais altos que na fase folicular.1
- 🔴 A aplicação clínica principal é uma só. Para a SBPC/ML, a dosagem serve ao "diagnóstico de ciclos anovulatórios" e "o encontro de níveis elevados do hormônio na segunda metade do ciclo indica que houve ovulação".1 É confirmação retrospectiva: não prevê nem programa nada.
- ⚠️ As duas referências brasileiras não marcam o mesmo dia. A SBPC/ML escreve que a coleta "deve ser feita após o 21º dia do ciclo";1 o protocolo da Febrasgo sobre infertilidade fala em "meio da fase lútea", com duas medidas em dias alternados.2
- O limiar do protocolo da Febrasgo é maior que 18 nmol/L (ou maior que 5 ng/mL) — e o próprio texto acrescenta que "a relação custo-benefício desse método não é favorável à prática clínica".2
- 🔴 O hormônio é pulsátil. Com coletas a cada 10 minutos por 24 horas, a progesterona da fase lútea média e tardia oscilou de 2,3 a 40,1 ng/mL, "frequentemente em questão de minutos".3
- 🔴 Na perda gestacional de repetição, o protocolo brasileiro coloca a dosagem de progesterona na coluna "NÃO".4
- ⚠️ Não serve para datar uma gravidez. As concentrações "são muito variáveis durante a gestação, motivo pelo qual não deve ser usada para estimar a idade gestacional".1
- A 17-hidroxiprogesterona é outro exame, de outra glândula e outra doença, e está no teste do pezinho por lei.5
- No SUS, a dosagem é o procedimento 0202060292, paga em R$ 10,22.6
- 🔴 Sangramento vaginal ou dor abdominal forte na gravidez não se resolvem com exame. Procure atendimento na hora — UBS, maternidade de referência ou Samu 192.
O remédio e o exame não são a mesma coisa
Progesterona como medicamento aparece em vários protocolos brasileiros. No da Febrasgo sobre síndrome dos ovários policísticos, a progesterona micronizada (100 a 200 mg/dia) figura entre as opções para regularizar o ciclo e proteger o endométrio, ao lado do acetato de medroxiprogesterona e do desogestrel.7 Nada disso se decide com uma dosagem no sangue.
Há ainda uma armadilha de nome: o "teste de progesterona" do protocolo de amenorreia não é um exame de sangue — é a administração oral por 5 a 10 dias para ver se ocorre sangramento. A Febrasgo registra que ele "tem sido utilizado com parcimônia": mais de 20% das mulheres com estrogênio presente podem não sangrar e 40% a 50% podem sangrar apesar de níveis baixos.8
Por fim, uma proibição em norma: a Resolução CFM nº 1.999/2012 veda os testes de saliva para progesterona (entre outros hormônios) usados para triagem, diagnóstico ou acompanhamento da menopausa e do envelhecimento. O detalhe está no perfil hormonal.
Para que serve de verdade: comprovar que houve ovulação
Depois da ovulação o folículo rompido vira corpo lúteo, e é ele que produz progesterona. Sem ovulação não há corpo lúteo — e, nas palavras da SBPC/ML, "os níveis de progesterona permanecem baixos durante todo o ciclo".1 Daí a lógica do exame: encontrar o hormônio alto na segunda metade do ciclo prova, depois do fato, que a ovulação aconteceu.
O protocolo da Febrasgo sobre infertilidade conjugal começa, porém, por uma frase que quase nenhum site repete: "Uma mulher com menstruação regular, provavelmente, está ovulando".2 Em ciclos regulares o exame confirma o que a menstruação já sugere. O texto continua: "talvez o método mais adequado para assegurar a presença de ciclos ovulatórios seja a medida seriada da progesterona no meio da fase lútea, obtendo no mínimo duas medidas em dias alternados e devendo essas medidas ser maiores que 18 nmol/L (ou maiores que 5 ng/mL). No entanto, a relação custo-benefício desse método não é favorável à prática clínica".2
Uma nota aritmética: o fator de conversão é 3,18 (1 ng/mL = 3,18 nmol/L), de modo que 18 nmol/L equivalem a 5,7 ng/mL — os dois números do protocolo não coincidem exatamente. Leve o laudo com a unidade impressa nele; não converta em casa.
Existe um uso claramente ativo. No protocolo da Febrasgo sobre SOP (2025), a indução da ovulação com clomifeno ou letrozol prevê "monitorização da resposta ovulatória: dosagem de progesterona duas semanas após o último comprimido", com acompanhamento ultrassonográfico do crescimento folicular.7 Aqui o exame responde a uma pergunta concreta: a dose funcionou?
"21º dia" não é uma data mágica
O apelido "progesterona do 21º dia" virou o nome do exame. Ele nasce de uma conta simples — e a conta só fecha para um ciclo de 28 dias.
| Fonte brasileira | Quando colher |
|---|---|
| SBPC/ML | "A dosagem de progesterona, para finalidade de comprovação da ovulação, deve ser feita após o 21º dia do ciclo."1 |
| Febrasgo, protocolo nº 46 (infertilidade) | "Medida seriada da progesterona no meio da fase lútea", no mínimo duas amostras em dias alternados.2 |
| Febrasgo, protocolo de SOP (indução) | "Duas semanas após o último comprimido" de clomifeno ou letrozol.7 |
As três não se contradizem: descrevem o mesmo momento fisiológico com réguas diferentes. E a própria SBPC/ML dá a chave para converter uma na outra: "a fase lútea dura, em média, 14 dias e é desencadeada pela ovulação".1 O meio da fase lútea fica, portanto, cerca de uma semana antes da próxima menstruação — o que cai no dia 21 apenas se o ciclo tem 28 dias. Num ciclo de 35 dias a ovulação acontece por volta do dia 21, e a coleta nesse dia pega o hormônio antes de ele subir: o resultado sai baixo sem que tenha faltado ovulação.
⚠️ Essa conta é nossa, feita sobre os números que a SBPC/ML publica. Nenhuma das fontes brasileiras que lemos escreve a regra "sete dias antes da menstruação" — elas dizem "após o 21º dia" ou "meio da fase lútea". Se o seu ciclo não tem 28 dias, cabe ao seu médico marcar a data.
Um valor isolado vale pouco: o hormônio é pulsátil
Este é o dado que mais muda a leitura de um laudo. Num estudo clássico com coletas a cada 10 minutos durante 24 horas, a progesterona plasmática da fase lútea média e tardia oscilou entre 2,3 e 40,1 ng/mL "frequentemente em questão de minutos", acompanhando os pulsos de LH com atraso de 25 a 55 minutos. A conclusão dos autores é literal: dosagens únicas de progesterona na fase lútea média e tardia não refletem com precisão a adequação do corpo lúteo.3
É exatamente por isso que a Febrasgo pede duas medidas em dias alternados, e não uma.2 E é por isso que um número "baixo" colhido uma vez não fecha diagnóstico nenhum.
Some-se um detalhe analítico que atinge justamente a faixa baixa: comparado à espectrometria de massas, o imunoensaio de progesterona mostrou viés positivo abaixo de 3,18 nmol/L (1 ng/mL).9 A região do laudo em que se julga "não houve ovulação" é a menos exata do método mais usado.
Dois interferentes fecham a lista. O anticoncepcional hormonal suprime o eixo e derruba estradiol, progesterona e testosterona; para avaliar o eixo, a SBPC/ML orienta interromper por cerca de 3 meses.1 E a fase do ciclo importa também no sentido inverso: a progesterona do corpo lúteo interfere nas dosagens de 17-hidroxiprogesterona, motivo pelo qual os exames de função suprarrenal devem ser pedidos na fase folicular.1
O que o exame não faz
"Deficiência de progesterona" não é um diagnóstico laboratorial. Procuramos a expressão nas três fontes centrais desta página: zero ocorrência no manual da SBPC/ML, no protocolo nº 46 da Febrasgo e no de perda gestacional recorrente — com controle positivo forte, já que só o manual da SBPC/ML usa a palavra "deficiência" 73 vezes em outros contextos. O vocabulário está lá; nunca é aplicado à progesterona. Recorrendo a uma fonte internacional, declarada como tal, o posicionamento da Sociedade Americana de Medicina Reprodutiva é explícito: a deficiência de fase lútea "como entidade independente causadora de infertilidade não foi comprovada".10
Na perda gestacional de repetição, o Brasil já respondeu — e a resposta é não. O protocolo da Febrasgo sobre abortamento espontâneo (2025) traz um fluxograma de duas colunas para o abortamento de repetição. Na coluna SIM estão SAF, ultrassonografia transvaginal, tireoide, infecções e cariótipo. Na coluna NÃO estão, textualmente, "trombofilias hereditárias, dosagem de progesterona, biópsia de endométrio", seguidas de "não utilizar: hCG, imunoglobulinas, corticoides".4 O protocolo específico de perda gestacional recorrente vai na mesma direção pelo lado do tratamento: "as evidências são insuficientes para se indicar rotineiramente o uso de progesterona" (qualidade de evidência moderada, recomendação condicional) — e, no documento inteiro, a dosagem do hormônio não é mencionada uma única vez, embora ele detalhe cariótipo, TSH, anti-TPO, trombofilias e histerossalpingografia.11
Ainda em fonte internacional declarada, o maior ensaio sobre o assunto vai no mesmo sentido: em 4.153 mulheres com sangramento no início da gravidez, a progesterona vaginal resultou em 75% de nascidos vivos contra 72% com placebo (razão de taxas 1,03; IC 95% 1,00–1,07; P = 0,08).12
Na gravidez inicial, ele não substitui o beta hCG nem o ultrassom
Diante de dor ou sangramento no início da gestação, a progesterona às vezes é pedida junto do beta hCG. A SBPC/ML é direta sobre o limite: as concentrações "são muito variáveis durante a gestação, motivo pelo qual não deve ser usada para estimar a idade gestacional".1 Quem data uma gravidez é a ultrassonografia.
Sobre usar um ponto de corte para excluir uma gravidez viável: um estudo prospectivo multicêntrico com 2.507 mulheres com gravidez de localização indeterminada mediu progesterona em 2.248 delas. A mediana associada à viabilidade foi 59 nmol/L, mas gestações viáveis apareceram com valores tão baixos quanto 5 nmol/L — e a conclusão dos autores é que os pontos de corte de progesterona e de βhCG "não são seguros para uso clínico".13 A cinética do beta hCG em 48 horas, a zona discriminatória e a gravidez ectópica estão detalhadas na nossa página do beta hCG.
🔴 O ponto prático não muda: sangramento vaginal ou dor abdominal forte pedem atendimento imediato, não um exame agendado.
17-hidroxiprogesterona é outro exame
Os nomes se parecem; as moléculas, as glândulas e as doenças não. A 17-hidroxiprogesterona (17-OHP) é precursora da síntese do cortisol e serve ao rastreio da hiperplasia adrenal congênita, por deficiência de 21-hidroxilase — não à avaliação da ovulação.6
Ela entrou na triagem neonatal por lei: a Lei nº 14.154, de 26 de maio de 2021, escalona o teste do pezinho em cinco etapas e nomeia, na etapa 1, alínea "e", a hiperplasia adrenal congênita.5 Contraste com um caso vizinho: a mesma lei não nomeia a deficiência de G6PD, como mostramos na página da G6PD. No SUS o componente do pezinho é o código 0202110095, e a descrição oficial do Ministério da Saúde manda colher em papel-filtro "preferencialmente entre o 3º e o 5º dia de vida", no máximo um por recém-nascido.6
No adulto ela tem indicação própria: no protocolo da Febrasgo sobre SOP é o exame que exclui a forma tardia da hiperplasia adrenal congênita, colhido entre o primeiro e o quinto dia do ciclo.7
Quanto o SUS paga
Valores lidos no arquivo da tabela SIGTAP, competência 08/2026:6
| Procedimento | Código | Valor |
|---|---|---|
| Dosagem de progesterona | 02.02.06.029-2 | R$ 10,22 |
| Dosagem de 17-alfa-hidroxiprogesterona | 02.02.06.004-7 | R$ 10,20 |
| 17-hidroxiprogesterona em papel-filtro (teste do pezinho) | 02.02.11.009-5 | R$ 8,00 |
Um detalhe de método: buscar "hidroxiprogesterona" numa palavra só encontra um dos dois exames de 17-OHP, porque o do pezinho está grafado com espaços — 17 HIDROXI PROGESTERONA. Só a raiz curta "progesterona" devolve os três. Para comparar com o setor privado, veja quanto custa um exame de sangue.
⚠️ A advertência que vale para toda esta seção: estar na tabela do SUS estabelece a cobertura, nunca a recomendação. A descrição oficial do 0202060292 diz apenas que é "um teste imunoenzimático para detecção de progesterona, hormônio esteróide produzido pelo ovário, placenta e córtex adrenal" — não menciona ovulação nem indicação.6 Quem indica são os protocolos acima.
Perguntas frequentes
Preciso estar em jejum? Nenhuma das fontes brasileiras que lemos exige jejum para a progesterona. O que decide o resultado é o dia do ciclo, não a última refeição — confirme com o laboratório, que pode ter regras próprias.
Minha progesterona deu baixa. Não ovulei? Não necessariamente. Verifique três coisas com o seu médico: o dia da coleta em relação ao seu ciclo, se houve uma só amostra (a Febrasgo pede duas) e se você usa anticoncepcional hormonal, que suprime o eixo.12
Devo tomar progesterona para evitar aborto? Essa é uma decisão médica, e as evidências brasileiras e internacionais citadas acima não sustentam o uso de rotina.1112 Não inicie nem interrompa hormônio por conta própria.
Estou grávida. Meu valor está normal? Um número isolado não responde: a variação na gestação é grande, e a SBPC/ML desaconselha usar a progesterona para estimar a idade gestacional.1 O que orienta é o ultrassom e a evolução do beta hCG.
O que levar do seu laudo
- A data da coleta e o dia do seu ciclo naquele dia. Sem isso, o número não se interpreta.
- A unidade impressa (ng/mL ou nmol/L) e o método, no rodapé do laudo — os termos estão no glossário de exames.
- Se houve mais de uma amostra, leve as duas juntas.
- Seus medicamentos, sobretudo anticoncepcional e qualquer progestagênio.
- O motivo do pedido — se ninguém explicou, essa é a primeira pergunta a fazer.
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A progesterona só faz sentido junto do dia do ciclo, das outras dosagens hormonais e do seu histórico. O AI DiagMe organiza seus resultados e explica o que cada linha significa, como complemento — nunca substituto — da avaliação do seu médico.
Fontes
Footnotes
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Sociedade Brasileira de Patologia Clínica/Medicina Laboratorial (SBPC/ML) — Recomendações da SBPC/ML: boas práticas em laboratório clínico. Verificação feita no texto integral do PDF (16.055.655 bytes, 23.533 linhas de texto extraído). Capítulo "Avaliação hormonal da mulher em idade reprodutiva": seção PROGESTERONA ("esteroide secretado pelo ovário, suprarrenais e pela placenta"; "valores cerca de 10 a 20 vezes mais elevados que os da fase folicular"; "sua determinação tem como principal aplicação clínica o diagnóstico de ciclos anovulatórios"; "o encontro de níveis elevados do hormônio na segunda metade do ciclo indica que houve ovulação"; "as concentrações de progesterona são muito variáveis durante a gestação, motivo pelo qual não deve ser usada para estimar a idade gestacional"); duração média da fase lútea de 14 dias, desencadeada pela ovulação. Capítulo "Desafios e armadilhas na interpretação dos testes laboratoriais": "a dosagem de progesterona, para finalidade de comprovação da ovulação, deve ser feita após o 21º dia do ciclo"; interferência da progesterona lútea nas dosagens de 17-hidroxiprogesterona, com orientação de colher os testes suprarrenais na fase folicular; supressão do eixo pelo anticoncepcional hormonal e interrupção por cerca de 3 meses. PDF ↩ ↩2 ↩3 ↩4 ↩5 ↩6 ↩7 ↩8 ↩9 ↩10 ↩11 ↩12
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Lamaita RM, Amaral MC, Cota AM, Ferreira MC — Propedêutica básica da infertilidade conjugal. Protocolo Febrasgo – Ginecologia nº 46, Comissão Nacional Especializada em Reprodução Humana. Femina 2020;48(5):311-5. Trechos citados na seção "Fator ovulatório": "uma mulher com menstruação regular, provavelmente, está ovulando"; "talvez o método mais adequado para assegurar a presença de ciclos ovulatórios seja a medida seriada da progesterona no meio da fase lútea, obtendo no mínimo duas medidas em dias alternados e devendo essas medidas ser maiores que 18 nmol/L (ou maiores que 5 ng/mL). No entanto, a relação custo-benefício desse método não é favorável à prática clínica". ⚠️ O bloco "Como citar" data o protocolo de 2018 enquanto o rodapé das páginas traz FEMINA 2020;48(5):311-5; citamos a referência do periódico. Verificação no PDF baixado (222.131 bytes) — a expressão "21º dia" não aparece no documento. PDF ↩ ↩2 ↩3 ↩4 ↩5 ↩6 ↩7
-
Filicori M, Butler JP, Crowley WF — Neuroendocrine regulation of the corpus luteum in the human. Evidence for pulsatile progesterone secretion. J Clin Invest. 1984;73(6):1638-47. Coletas a cada 10 minutos por 24 horas; na fase lútea média e tardia a progesterona plasmática oscilou "de níveis tão baixos quanto 2,3 até picos de 40,1 ng/mL, frequentemente em questão de minutos", acompanhando os pulsos de LH com atraso de 25 a 55 minutos; conclusão dos autores: "dosagens únicas de progesterona na fase lútea média e tardia não refletem com precisão a adequação do corpo lúteo". Fonte via PubMed, PMID 6427277. DOI ↩ ↩2
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Febrasgo, Comissão Nacional Especializada em Assistência Pré-natal — Abortamento espontâneo: classificação, diagnóstico e conduta. Protocolo Febrasgo. Femina 2025;53(1):47-52. Fluxograma "Abortamento de repetição" (p. 51): coluna SIM — SAF, US transvaginal, tireoide, infecções, cariótipo; coluna NÃO — "trombofilias hereditárias, dosagem de progesterona, biópsia de endométrio"; e "não utilizar: hCG, imunoglobulinas, corticoides". ⚠️ Leitura feita com extração
-layoutpara preservar as colunas do fluxograma: na extração linear as duas colunas se entrelaçam e a recomendação se lê invertida. PDF ↩ ↩2 -
Brasil — Lei nº 14.154, de 26 de maio de 2021, que altera a Lei nº 8.069/1990 (Estatuto da Criança e do Adolescente) e escalona o Programa Nacional de Triagem Neonatal em cinco etapas. Verificação no texto integral do Planalto (art. 1º, § 1º, inciso I): a etapa 1 lista "a) fenilcetonúria e outras hiperfenilalaninemias; b) hipotireoidismo congênito; c) doença falciforme e outras hemoglobinopatias; d) fibrose cística; e) hiperplasia adrenal congênita; f) deficiência de biotinidase; g) toxoplasmose congênita". Controle negativo: um slug inventado no mesmo diretório devolve 404. planalto.gov.br ↩ ↩2
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Ministério da Saúde / DATASUS — SIGTAP, tabela
tb_procedimento, competência 202608 (arquivo de 1.697.774 bytes, 5.023 linhas), lida por colunas fixas com decodificaçãolatin-1. Analisador validado contra valores já publicados neste site: hemograma completo0202020380= R$ 4,11 e ferritina0202010384= R$ 15,59, ambos reencontrados exatamente. Dobra de acentos medida ativa: 2.483 das 5.023 linhas contêm acentos combinantes. A raiz "PROGESTERONA" devolve 3 procedimentos —0202060292 DOSAGEM DE PROGESTERONA(R$ 10,22),0202060047 DOSAGEM DE 17-ALFA-HIDROXIPROGESTERONA(R$ 10,20) e0202110095 DOSAGEM DE 17 HIDROXI PROGESTERONA EM PAPEL DE FILTRO (COMPONENTE DO TESTE DO PEZINHO)(R$ 8,00). ⚠️ A busca por "HIDROXIPROGESTERONA" numa palavra só devolve 1 dos dois exames de 17-OHP: o rótulo oficial do componente do pezinho é grafado com espaços. Descrições citadas vêm detb_descricao(4.324 linhas), que traz o texto de intenção do Ministério para cada código. ⚠️ Uma presença no SIGTAP estabelece a cobertura, nunca a recomendação. sigtap.datasus.gov.br ↩ ↩2 ↩3 ↩4 ↩5 -
Febrasgo, Comissão Nacional Especializada em Ginecologia Endócrina — Síndrome dos ovários policísticos. Protocolo Febrasgo. Femina 2025;53(12):1390-7. Fontes da progesterona micronizada 100–200 mg/dia entre as opções de regularização do ciclo; da Tabela 1 (17-α-hidroxiprogesterona para excluir a forma tardia da hiperplasia adrenal congênita, com exames hormonais colhidos entre o primeiro e o quinto dia do ciclo); e da "monitorização da resposta ovulatória: dosagem de progesterona duas semanas após o último comprimido do citrato de clomifeno ou letrozol". PDF ↩ ↩2 ↩3 ↩4
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Benetti-Pinto CL, Soares Júnior JM, Yela DA — Amenorreia. Protocolo Febrasgo. Femina 2020;48(6):363-8. Fonte do "teste de progesterona" (administração oral por 5 a 10 dias), hoje usado "com parcimônia": mais de 20% das mulheres com estrogênio presente podem não sangrar e 40% a 50% podem sangrar apesar de níveis baixos. PDF ↩
-
Ray JA, Kushnir MM, Yost RA, Rockwood AL, e cols. — Performance enhancement in the measurement of 5 endogenous steroids by LC-MS/MS combined with differential ion mobility spectrometry. Clin Chim Acta. 2015;438:330-6. Comparação com imunoensaio: a progesterona por imunoensaio mostrou viés positivo em amostras abaixo de 3,18 nmol/L. Fonte via PubMed, PMID 25110813. DOI ↩
-
Practice Committee of the American Society for Reproductive Medicine — Current clinical irrelevance of luteal phase deficiency: a committee opinion. Fertil Steril. 2015;103(4):e27-32. "A deficiência de fase lútea, como entidade independente causadora de infertilidade, não foi comprovada." ⚠️ Fonte internacional, usada aqui como recurso declarado por não termos encontrado posicionamento brasileiro sobre a entidade. Fonte via PubMed, PMID 25681857. DOI ↩
-
Ferriani RA, Reis RM, Navarro PA — Perda gestacional recorrente. Protocolo Febrasgo. Femina 2019;47(5):295-8. Recomendação citada: "as evidências são insuficientes para se indicar rotineiramente o uso de progesterona — qualidade de evidência moderada, recomendação condicional". Demonstração de ausência por enumeração: no texto integral (12.705 caracteres), "progesterona" aparece uma única vez, na recomendação de tratamento acima; "insuficiência lútea", "fase lútea" e "deficiência" retornam zero. Controle positivo no mesmo documento: cariótipo, anti-TPO, TSH (3 ocorrências), trombofilia e histerossalpingografia estão presentes — o documento discute investigação em detalhe e simplesmente não inclui a dosagem do hormônio. PDF ↩ ↩2
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Coomarasamy A, Devall AJ, Cheed V, Harb H, e cols. — A Randomized Trial of Progesterone in Women with Bleeding in Early Pregnancy (ensaio PRISM). N Engl J Med. 2019;380(19):1815-24. 4.153 mulheres em 48 hospitais do Reino Unido; nascidos vivos com ≥ 34 semanas em 75% (progesterona vaginal) contra 72% (placebo); razão de taxas 1,03 (IC 95% 1,00–1,07), P = 0,08. ⚠️ Fonte internacional, declarada como tal. Fonte via PubMed, PMID 31067371. DOI ↩ ↩2
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Bobdiwala S, Kyriacou C, Christodoulou E, e cols. — Evaluating cut-off levels for progesterone, β human chorionic gonadotropin and β human chorionic gonadotropin ratio to exclude pregnancy viability in women with a pregnancy of unknown location. Acta Obstet Gynecol Scand. 2022;101(1):46-55. 2.507 mulheres analisadas, progesterona disponível em 2.248; mediana de 59 nmol/L nas gestações viáveis, com gestações viáveis identificadas a partir de 5 nmol/L; conclusão: os pontos de corte "não são seguros para uso clínico" na exclusão da viabilidade. ⚠️ Fonte internacional, declarada como tal. Fonte via PubMed, PMID 34817062. DOI ↩