Fósforo no sangue: o que o exame mede e quando é pedido
O fósforo custa R$ 1,85 no SUS e entra no protocolo nacional a partir do estágio 3A da doença renal crônica. Como ler o resultado e o que o tubo altera.
Você abriu o laudo e encontrou FÓSFORO, quase sempre logo abaixo do cálcio. Não é exame de check-up: no Brasil, o documento que mais o pede é um protocolo de nefrologia, e ele só entra em cena a partir de certo estágio de perda de função renal. Esta página mostra o que dizem os textos oficiais brasileiros — e onde eles se calam.
Em resumo
- No SUS ele é dos mais baratos da tabela:
0202010430 DOSAGEM DE FOSFORO, R$ 1,85 — o mesmo valor do cálcio.1 - A descrição oficial do Ministério da Saúde diz para que serve: avaliar o "balanço cálcio/fósforo no organismo" e fazer "o monitoramento da insuficiência renal crônica".1
- O protocolo nacional da doença renal crônica pede fósforo a partir do estágio 3A (TFG entre 45 e 59), anualmente; semestralmente no estágio 4; mensalmente no estágio 5 não dialítico. Nos estágios 1 e 2, não pede.2
- Nenhuma instituição brasileira publica faixa de referência para o fósforo sérico — vale o intervalo impresso no seu laudo.3
- Um tubo hemolisado eleva o resultado, e a SBPC/ML dá nome ao fenômeno: pseudo-hiperfosfatemia.4 O mesmo sangue medido em soro dá cerca de 10,7% a mais do que em plasma.5
- Não há orientação brasileira de jejum nem de horário de coleta especificamente para o fósforo — demonstrado por enumeração em dois manuais da SBPC/ML.45
- Em diálise, cerca de um terço dos pacientes brasileiros tem fósforo acima de 5,5 mg/dL (Censo Brasileiro de Diálise 2024).6
- A tabela do SUS tem um segundo exame, quase desconhecido:
0202050033 CLEARANCE DE FOSFATO, R$ 3,51.1
Fósforo, fosfato ou fósforo inorgânico?
Antes de qualquer número, a grafia. Medimos em quatro textos brasileiros:
| Onde | Como está escrito |
|---|---|
| Tabela SIGTAP, exame de sangue | DOSAGEM DE FOSFORO (sem acento no rótulo)1 |
| Tabela SIGTAP, exame de urina | CLEARANCE DE FOSFATO1 |
| SBPC/ML, Boas Práticas, texto corrido | fósforo (analitos alterados pela hemólise)4 |
| SBPC/ML, mecanismo da hemólise | fosfato inorgânico e fosfato orgânico4 |
| SBPC/ML, Coleta de Sangue Venoso, Tabela 2 | fósforo inorgânico5 |
Ou seja: a mesma tabela do Ministério chama o elemento de "fósforo" no sangue e de "fosfato" na urina. Não é erro — é a diferença entre o elemento e o íon —, mas quem busca uma só grafia encontra metade do assunto. E no manual Boas Práticas a expressão "Fósforo Inorgânico" aparece uma única vez, dentro de um encarte publicitário de fabricante: a forma que soa mais técnica é, ali, a que menos autoridade tem.4
O que o Ministério da Saúde diz que o exame serve para
A tabela do SUS carrega, além do preço, um texto de intenção:
"A dosagem de fósforo é importante para a avaliação do balanço cálcio/fósforo no organismo e para o monitoramento da insuficiência renal crônica."1
Duas finalidades, ambas ligadas a outra coisa: ao cálcio e ao rim. O fósforo não se lê sozinho — e isso se confirma por enumeração. Entre as 4 324 descrições de tb_descricao.txt, apenas quatro o mencionam: cálcio, fósforo, clearance de fosfato e paratormônio, cujo texto diz que o hormônio "tem como principal função a manutenção da homeostase do fósforo e cálcio".1 O quarteto do metabolismo ósseo está desenhado no próprio arquivo do Ministério.
Em qual estágio da doença renal o Brasil pede fósforo
O Protocolo Clínico e Diretrizes Terapêuticas das Estratégias para Atenuar a Progressão da Doença Renal Crônica (Portaria Conjunta SAES/SECTICS nº 11, de 16 de setembro de 2024) define o seguimento estágio por estágio:2
| Estágio | TFG (mL/min/1,73 m²) | Com que frequência o fósforo é pedido |
|---|---|---|
| 1 e 2 | ≥ 60 com lesão | Não é pedido — só TFG e EAS, anualmente |
| 3A | 45 – 59 | Anualmente, junto de cálcio, PTH, potássio e hemograma |
| 3B | 30 – 44 | Entre os "demais exames" das complicações crônicas, anualmente |
| 4 | 15 – 29 | Semestralmente, com cálcio, PTH, proteínas e bicarbonato |
| 5 não dialítico | < 15 | Mensalmente, com creatinina, ureia, cálcio, potássio |
O fósforo entra no estágio 3A e nunca mais sai — no mesmo momento em que entram cálcio e PTH, porque o protocolo os trata como um bloco, os "distúrbios do metabolismo mineral e ósseo".2 Curiosamente, no estágio 3B a redação é menos explícita que no 3A: ali o fósforo deixa de ser nomeado e passa a caber em "os demais exames relacionados às complicações crônicas". Publicamos o texto como ele é.
O protocolo dá também a única orientação alimentar quantificada do assunto: restrição de fósforo na presença de hiperfosfatemia, abaixo de 800 mg/dia.2 Note a condição: a restrição não é preventiva, ela responde a um exame alterado.
Valores de referência: o que existe e o que não existe
Não encontramos faixa de referência brasileira publicada para o fósforo sérico. Não é impressão: o protocolo nacional da doença renal crônica nomeia o fósforo seis vezes e prescreve quando dosá-lo em cada estágio — mas não imprime um único valor em mg/dL para ele; as duas únicas ocorrências de "mg/dL" nas 68 páginas tratam da creatinina.2 E uma busca no PubMed por intervalos de referência de fósforo no Brasil devolve 11 registros, todos inspecionados: questionário alimentar, cimento odontológico, farinha de milho — e dois trabalhos veterinários, sobre filhotes de papagaio-de-cara-roxa e tartarugas-verdes. Nenhum é um intervalo humano brasileiro.3
Portanto: vale o intervalo impresso no seu laudo, que depende do método do laboratório. Os dois únicos números brasileiros que lemos em texto primário não são faixas de normalidade:
- Acima de 5,5 mg/dL é o critério de hiperfosfatemia da Sociedade Brasileira de Nefrologia no censo nacional de diálise — alvo de tratamento em paciente dialítico, não limite superior da normalidade na população geral.6
- 1,90 ± 0,43 mg/dL foi o fósforo médio de adultos brasileiros com uma doença rara de perda renal de fosfato; subiu para 2,67 ± 0,52 mg/dL com terapia dirigida.7 É a ordem de grandeza de um fósforo francamente baixo.
Um fósforo alto que pode não ser seu
Antes de investigar um resultado elevado, desconfie do tubo: o fósforo é dos analitos mais sensíveis ao que acontece depois da picada.
Hemólise. A SBPC/ML descreve dois mecanismos. O primeiro: o fosfato inorgânico está "em maior abundância intracelular", e a ruptura das hemácias o despeja no soro. O segundo, mais sutil: o fosfato orgânico que também estava dentro das hemácias, uma vez liberado, "sofre ação das fosfatases séricas se transformando em fosfato inorgânico" — o laboratório mede como fósforo algo que, no seu sangue, não era fósforo livre. O manual dá nome ao resultado: pseudo-hiperfosfatemia.4 O fósforo consta ainda da lista de analitos que "podem sofrer alterações significativas" na hemólise acentuada, ao lado de potássio, sódio, cálcio e magnésio.4
Soro ou plasma. As Recomendações da SBPC/ML para Coleta de Sangue Venoso medem a diferença entre os dois materiais: o fósforo inorgânico é +10,7% mais alto no soro, pela mesma "liberação de elementos celulares", à frente do potássio (+6,2%).5 Dois laboratórios com materiais diferentes não devolvem o mesmo valor.
Proteína monoclonal. Há uma causa de fósforo falsamente alto que vem do próprio sangue: no mieloma múltiplo, a paraproteína circulante interfere no ensaio colorimétrico de fosfato. Uma revisão sistemática de 2026 reuniu 19 pacientes com esse artefato e encontrou um único caso de hiperfosfatemia verdadeira.8 Fonte internacional: não localizamos equivalente brasileiro publicado.
Uma ressalva: o manual da SBPC/ML publica limiares numéricos de interferência que incluem o fósforo, mas credita a tabela a uma clínica chilena e a uma plataforma analítica específica. Não a reproduzimos.4
Jejum e horário: o que o Brasil não diz
O fósforo varia ao longo do dia e depois das refeições. Seria natural esperar uma orientação nacional de horário de coleta: ela não existe nos dois manuais de referência da SBPC/ML.
O manual Boas Práticas dedica uma seção à "variação cronobiológica" e explica os ciclos circadiano, circaceptano e circanual — mas, ao exemplificar analitos sensíveis ao horário, cita ferro e cortisol, que "podem variar em até 50% entre amostras coletadas às 8h e às 14h e às 8h e às 16h, respectivamente".4 O fósforo não está nessa lista. E no manual de coleta, entre 15 menções a jejum, nenhuma se refere a ele.5
Que o ritmo existe, a nefrologia brasileira mediu: um grupo de São Paulo publicou que o fósforo pré-diálise difere conforme o turno de diálise, concluindo que "o ritmo circadiano importa".9 É uma carta de pesquisa, não uma diretriz — e é essa distância que a seção registra. Na prática, siga o pedido médico e, ao repetir o exame, repita no mesmo horário: a comparação vale mais que o valor isolado.
Diálise: onde o fósforo brasileiro é um problema medido
O Censo Brasileiro de Diálise 2024, da Sociedade Brasileira de Nefrologia, estimou 172 585 pacientes em diálise no país. Cerca de um terço tinha fósforo acima de 5,5 mg/dL — taxa que os autores chamam de "persistentemente alta", indicando "dificuldades contínuas em alcançar o controle do fósforo apesar das opções terapêuticas".6
Existe intervenção brasileira testada. Um ensaio randomizado com 134 pacientes em hemodiálise substituiu alimentos processados com aditivos de fósforo por equivalentes sem esses aditivos. Em 90 dias o fósforo caiu de 7,2 para 5,0 mg/dL no grupo de intervenção, contra queda não significativa no controle, e 69,7% atingiram a meta de ≤ 5,5 mg/dL contra 18,5% — sem piora nutricional.10 O alvo não era comer menos: era o aditivo.
Quando o fósforo está baixo
O fósforo baixo tem uma causa hereditária que o Brasil documentou bem: a hipofosfatemia ligada ao X, forma mais comum de raquitismo hereditário, em que o rim perde fosfato. Um estudo com 19 adultos brasileiros tratados com anticorpo anti-FGF23 mostrou o fósforo subir de 1,90 para 2,67 mg/dL e a reabsorção tubular melhorar em paralelo — exatamente a grandeza que o CLEARANCE DE FOSFATO do SUS se propõe a medir, "a proporção de fósforo filtrado que não é reabsorvido pelo túbulo renal".71
Uma coorte brasileira de 41 pacientes seguidos entre 1971 e 2025 acrescenta o que interessa a quem lê um laudo de criança: a idade no diagnóstico associou-se de forma independente à estatura final — quanto mais tarde, pior, mesmo sob tratamento convencional.11 Um fósforo persistentemente baixo em criança com baixa estatura ou deformidade de membros não espera.
O que o SUS cobre, e por quanto
| Exame | Código SIGTAP | Valor |
|---|---|---|
| Dosagem de fósforo | 0202010430 | R$ 1,85 |
| Dosagem de cálcio | 0202010210 | R$ 1,85 |
| Clearance de fosfato | 0202050033 | R$ 3,51 |
| Dosagem de paratormônio | 0202060276 | R$ 43,13 |
| 25-hidroxivitamina D | 0202010767 | R$ 15,24 |
Valores lidos na tabela de agosto de 2026.1 Para comparar: o hemograma completo custa R$ 4,11 e a ferritina R$ 15,59.
Vale notar o que ele não é: não integra o hemograma, nem os eletrólitos séricos de rotina — sódio e potássio —, nem os painéis de função renal baseados em creatinina, ureia, cistatina C e microalbuminúria. Também não se confunde com a fosfatase alcalina, que é uma enzima. Precisa ser pedido de propósito.
Avanços recentes
Com base em publicações indexadas no PubMed:
- O controle do fósforo em diálise não melhorou no Brasil: o censo de 2024 registra piora dos indicadores metabólicos e mantém a hiperfosfatemia em cerca de um terço dos pacientes.6
- A via alimentar mais eficaz é a dos aditivos, demonstrada em ensaio randomizado brasileiro: queda de 2,2 mg/dL em 90 dias sem prejuízo nutricional.10
- O tratamento dirigido da hipofosfatemia ligada ao X tem dados brasileiros de vida real,7 e o atraso diagnóstico custa estatura: a idade ao diagnóstico previu de forma independente a altura final.11
- O artefato de laboratório está mais bem descrito: revisão sistemática de 2026 mostra que, no mieloma múltiplo, a hiperfosfatemia relatada é quase sempre interferência da paraproteína.8
Estes resultados dizem respeito ao diagnóstico e à pesquisa; não substituem a avaliação do seu médico.
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Um fósforo nunca se lê sozinho: o seu sentido depende do cálcio, do PTH, da vitamina D, da sua função renal e até de como o tubo foi coletado e transportado.
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Perguntas frequentes
Qual é o valor normal do fósforo no sangue? Vale o intervalo impresso no seu laudo. Não localizamos faixa de referência publicada por instituição brasileira, e a busca por intervalos de referência humanos brasileiros no PubMed não devolve nenhum.3 O que existe em texto brasileiro é um alvo de tratamento em diálise (acima de 5,5 mg/dL é hiperfosfatemia).6
Recebi "fósforo alto". É grave? Depende do contexto, e a primeira pergunta não é clínica: o laboratório sinalizou hemólise? Um tubo hemolisado eleva o fósforo por dois mecanismos, o que a SBPC/ML chama de pseudo-hiperfosfatemia.4 Fora daí, o fósforo alto é sobretudo marcador de perda de função renal — leve o resultado ao seu médico junto da creatinina e da TFG.
Preciso estar em jejum? Siga o que estiver escrito no seu pedido: não encontramos orientação brasileira de jejum ou de horário específica para o fósforo nos dois manuais da SBPC/ML.45 Ao repetir o exame, prefira o mesmo horário.
Tenho doença renal crônica. De quanto em quanto tempo dosar? Anualmente a partir do estágio 3A, semestralmente no estágio 4, mensalmente no estágio 5 não dialítico — junto do cálcio. O PTH não segue esse ritmo: a mesma frase do protocolo o pede trimestralmente.2
Devo cortar fósforo da alimentação por conta própria? Não. O protocolo do Ministério só prevê restrição — abaixo de 800 mg/dia — na presença de hiperfosfatemia, com orientação nutricional acompanhada.2 A evidência brasileira aponta para os aditivos dos processados, não para a comida em geral.10
Para lembrar
O fósforo é barato, disponível no SUS e tem indicação bem definida: acompanha o rim, ao lado do cálcio e do PTH, a partir do estágio 3A da doença renal crônica. Fora daí é pouco pedido — e o Brasil sequer publicou uma faixa de referência própria. Antes de se preocupar com um valor alto, cheque se o tubo hemolisou; antes de mudar a alimentação, converse com quem acompanha a sua função renal.
Fontes
Fontes oficiais brasileiras e publicações científicas (PubMed) usadas neste guia:
Footnotes
-
Ministério da Saúde / DATASUS — SIGTAP, Tabela de Procedimentos, Medicamentos e OPM do SUS, competência agosto de 2026. Arquivo
TabelaUnificada_202608_v2608141139.zipbaixado por nós do FTPftp2.datasus.gov.br, diretóriopublic/sistemas/tup/downloads/— ⚠️ com ot, e nãopub/, contrariando uma das rotas que circulam.tb_procedimento.txt: 1 697 774 bytes, 5 023 linhas;tb_descricao.txt: 4 324 registros. Regra de correspondência declarada: busca por ocorrência de subcadeia no campo do rótulo, maiúsculas, acentos dobrados por NFD (2 483 das 5 023 linhas contêm acento combinante, o que prova que a normalização está ativa); controle positivoCREATININA= 3 linhas. A raiz curtaFOSFORrende 1 linha (0202010430 DOSAGEM DE FOSFORO, VL_SA R$ 1,85) e a raizFOSFATrende 7, das quais só uma é dosagem de fósforo em material biológico do doente por via urinária (0202050033 CLEARANCE DE FOSFATO, R$ 3,51) — as outras são fosfatases e a G6PD. ⚠️ A siglaPTHrende 0: o rótulo é0202060276 DOSAGEM DE PARATORMONIO(R$ 43,13). Também lidos:0202010210 DOSAGEM DE CALCIOR$ 1,85 e0202010767 DOSAGEM DE 25 HIDROXIVITAMINA DR$ 15,24. Descrições citadas textualmente detb_descricao.txt, ambas verificadas como únicas ao seu código (4,0% das descrições do arquivo são compartilhadas por mais de um procedimento). Parser de colunas de largura fixa (VL_SH[282:294], VL_SA[294:306], VL_SP[306:318], decodificação latin-1, conformetb_procedimento_layout.txtdo próprio pacote) validado antes do uso contra valores já publicados neste site: hemograma completo0202020380R$ 4,11 e ferritina0202010384R$ 15,59. sigtap.datasus.gov.br ↩ ↩2 ↩3 ↩4 ↩5 ↩6 ↩7 ↩8 ↩9 -
Ministério da Saúde (SAES/SECTICS) — Protocolo Clínico e Diretrizes Terapêuticas das Estratégias para Atenuar a Progressão da Doença Renal Crônica. Portaria Conjunta SAES/SECTICS nº 11, de 16 de setembro de 2024, 68 páginas. PDF baixado por nós (2 240 550 bytes,
application/pdf); controle negativo no mesmo caminho: slug inventado devolve 404application/jsonde 26 bytes. ⚠️ Armadilha de URL: o documento está arquivado na letra E ("Estratégias…"), não em D de "Doença Renal Crônica" — todas as rotas em/pcdt/d/que testamos devolveram 404. Seções citadas: 8.1 a 8.5 (monitoramento por estágio), 6.1 (restrição de fósforo < 800 mg/dia "na presença de hiperfosfatemia"), e a definição dos "distúrbios do metabolismo mineral e ósseo" como "distúrbios do cálcio, fósforo e paratormônio". Ausência demonstrada por enumeração no texto integral extraído para stdout (166 216 caracteres, sem-layout, hífens condicionais U+00AD removidos, espaços colapsados): "fósforo" 6 ocorrências, "hiperfosfatemia" 2, emg/dLapenas 2 ocorrências em todo o documento, ambas sobre a creatinina — o protocolo diz quando dosar o fósforo e nunca diz qual valor esperar. Controle positivo: "creatinina" 40, "estágio" 73,mg/dia6. PDF (gov.br/saude) ↩ ↩2 ↩3 ↩4 ↩5 ↩6 ↩7 -
Demonstração de ausência — faixa de referência brasileira do fósforo sérico. Busca no PubMed por
reference interval phosphorus Brazil: 11 registros, todos inspecionados um a um. Nenhum é um intervalo de referência humano brasileiro para o fósforo sérico; entre eles há validação de questionário alimentar em gestantes, cimento ionomérico odontológico, material de referência de farinha de milho e dois estudos veterinários (filhotes de Amazona brasiliensis na Ilha Rasa, PR; tartarugas-verdes juvenis no litoral paulista). ⚠️ Uma consulta mais longa (reference intervals phosphorus Brazilian children) devolveu 0 — um zero que não é ausência, porque a ferramenta decompõe consultas longas em conjunção de todos os termos; a consulta curta foi a que mediu. Verificação cruzada nas fontes institucionais: o manual Boas Práticas da SBPC/ML não publica faixa para o fósforo, e o PCDT da doença renal crônica não imprime nenhum valor em mg/dL para ele.42 ↩ ↩2 ↩3 -
Sociedade Brasileira de Patologia Clínica / Medicina Laboratorial (SBPC/ML) — Recomendações da SBPC/ML: Boas Práticas em Laboratório Clínico. PDF oficial de 16 055 655 bytes, extraído por nós para stdout (1 357 819 caracteres, 23 533 linhas; controle positivo da extração: raiz "fibrinog" = 51 ocorrências). Trechos citados: os analitos "que se encontram em maior abundância intracelular" incluem "fosfato inorgânico"; "o fosfato orgânico também presente dentro das hemácias, quando liberado para o meio extracelular, sofre ação das fosfatases séricas se transformando em fosfato inorgânico, causando a pseudo-hiperfosfatemia"; e a lista de analitos alterados por hemólise acentuada ("potássio, sódio, cálcio, magnésio, bilirrubina, haptoglobina… fósforo, fosfatase alcalina…"). Variação cronobiológica: "as concentrações do ferro e do cortisol séricos, por exemplo, podem variar em até 50% entre amostras coletadas às 8h e às 14h e às 8h e às 16h, respectivamente" — o fósforo não figura entre os exemplos. Regra de correspondência declarada: ocorrências, sem distinção de maiúsculas, hífens condicionais removidos, extração sem
-layout. ⚠️ Duas ressalvas lidas no próprio documento: a tabela de limiares de interferência (hemólise, lipemia, icterícia) que inclui o fósforo é creditada a uma clínica do Chile e a uma plataforma analítica específica, e por isso não é reproduzida aqui; e a única ocorrência de "Fósforo Inorgânico" no manual está dentro de um encarte publicitário de fabricante ("Confira o nosso portfólio com + de 900 ensaios!"), não em texto da sociedade. PDF (controllab.com) · sbpc.org.br ↩ ↩2 ↩3 ↩4 ↩5 ↩6 ↩7 ↩8 ↩9 ↩10 ↩11 ↩12 -
SBPC/ML — Recomendações da Sociedade Brasileira de Patologia Clínica/Medicina Laboratorial para Coleta de Sangue Venoso, 2ª edição. PDF de 1 256 297 bytes (264 181 caracteres extraídos). Tabela 2, "Diferença percentual entre resultados obtidos no soro e no plasma", relida com extração por página em modo
-layoutpara evitar entrelaçamento de colunas: Fósforo inorgânico +10,7%, causa "Liberação de elementos celulares"; potássio +6,2%; proteínas totais −5,2%; amônia +38%; lactato +22%. ⚠️ Duas declarações de proveniência, ambas impressas no próprio documento: a tabela é "adaptado de Guder WG, Narayanan S, Wisser H, Zawta B. Samples: from the patient to the laboratory, 2ª ed., Darmstadt: Git Verlag, 2001" — ou seja, dado de origem alemã republicado por sociedade brasileira; e a obra é uma coedição da Editora Manole com a Becton Dickinson, o que aconselha cautela com qualquer recomendação de material. Ausência verificada no mesmo arquivo: "fósforo" 1 ocorrência (a da Tabela 2) e nenhuma das 15 menções a "jejum" se refere a ele. ↩ ↩2 ↩3 ↩4 ↩5 ↩6 -
Nerbass FB, Lima HN, Zawadzki B, Moura-Neto JA, Lugon JR, Sesso R. Brazilian Dialysis Survey 2024. Censo da Sociedade Brasileira de Nefrologia. J Bras Nefrol. 2026;48(1):e20250112. Estimativa de 172 585 pacientes em diálise em 1º de julho de 2024, prevalência 812 pmp, mortalidade bruta anual 16,5%. Trechos citados do texto integral: "one-third of the population had serum phosphate >5.5 mg/dL" e "rates of hyperphosphatemia remained persistently high, affecting approximately one-third of patients, indicating ongoing difficulties in achieving phosphorus control despite therapeutic options". Ano da citação = ano do fascículo (
pubdate2026; epub 16/02/2026). Sem errata (CommentsCorrections/@RefType="ErratumIn"ausente no XMLefetch). PubMed · DOI ↩ ↩2 ↩3 ↩4 ↩5 -
Vaisbich MH, de Cillo ACP, Silva BCC, et al. Real-world data of Brazilian adults with X-linked hypophosphatemia (XLH) treated with burosumab and comparison with other worldwide cohorts. Mol Genet Genomic Med. 2024;12(2):e2387. Estudo colaborativo brasileiro com 19 adultos não aparentados, seguimento de 16 ± 8,4 meses. Fósforo sérico de 1,90 ± 0,43 para 2,67 ± 0,52 mg/dL (p = 0,02) e TmP/TFG de 1,30 ± 0,46 para 2,27 ± 0,64 mg/dL (p = 0,0001); iPTH em queda de 86,8 ± 37,4 para 66,5 ± 31,1 pg/mL. Afiliações verificadas: USP, PUC-Campinas, Santa Casa de Belo Horizonte, UFC, UFPE, UFPR, UFRJ, UFCG — coorte brasileira, não apenas revista brasileira. Sem errata declarada. PubMed · DOI ↩ ↩2 ↩3
-
Dabir M, Mousavi MK, Mohamadi M, Maleki A. Pseudohyperphosphatemia in Multiple Myeloma: A Systematic Review of Case Reports and Case Series. J Clin Lab Anal. 2026;40(15):e70281. Revisão sistemática de 14 estudos com 19 pacientes: a paraproteína circulante interfere nos ensaios colorimétricos de fosfato (fosfomolibdato), o subtipo IgG-kappa foi o mais frequente (n = 16), os valores normalizaram após precipitação proteica, diluição ou métodos alternativos, e apenas um caso de hiperfosfatemia verdadeira foi confirmado, em contexto de disfunção renal. Fonte internacional (Irã), usada em recuo declarado por não haver equivalente brasileiro publicado sobre este artefato. Sem errata declarada. PubMed · DOI ↩ ↩2
-
Dario KA, Dalboni MA, da Silva BC, Steller Wagner Martins C, de Araújo LKRP, Elias RM, Moysés RMA. Predialysis serum phosphate levels according to hemodialysis shift: Circadian rhythm matters. Hemodial Int. 2021;25(1):134-136. Autores da UNINOVE e da Divisão de Nefrologia do HC-FMUSP, São Paulo. ⚠️ Tipo de publicação declarado pelo NCBI:
Letter— carta de pesquisa, não diretriz; citada aqui apenas pelo que o próprio título sustenta, isto é, que o fósforo pré-diálise varia com o turno de diálise. Ano do fascículo 2021 (epub 05/10/2020). Sem errata declarada. PubMed · DOI ↩ -
de Fornasari MLL, Dos Santos Sens YA. Replacing Phosphorus-Containing Food Additives With Foods Without Additives Reduces Phosphatemia in End-Stage Renal Disease Patients: A Randomized Clinical Trial. J Ren Nutr. 2017;27(2):97-105. Ensaio clínico randomizado brasileiro (Santa Casa de São Paulo) — 134 pacientes em hemodiálise há ≥ 6 meses com fósforo > 5,5 mg/dL, 67 por grupo, desfecho em 90 dias. Queda de 7,2 ± 1,4 para 5,0 ± 1,3 mg/dL no grupo de intervenção (p < 0,001) contra 7,1 ± 1,2 para 6,7 ± 1,2 no controle (p = 0,65); 69,7% contra 18,5% atingiram fósforo ≤ 5,5 mg/dL (p < 0,001), sem diferença de estado nutricional, ingestão energética ou proteica. ⚠️ Ano do fascículo 2017, embora o epub seja de outubro de 2016. Sem errata declarada. PubMed · DOI ↩ ↩2 ↩3
-
Borghi M, Moreira JPB, da Silva LM. Determinants of final height in X-linked hypophosphatemia: impact of diagnostic delay and baseline growth in a Brazilian cohort. Front Pediatr. 2026;14:1845607. Coorte retrospectiva de 41 pacientes com diagnóstico molecular confirmado, acompanhados em centro terciário brasileiro entre 1971 e 2025; análise de estatura final restrita a 20 pacientes tratados apenas com terapia convencional. Na regressão multivariável, a idade ao diagnóstico associou-se de forma independente ao escore Z de estatura final (β = −0,04; IC 95% −0,07 a −0,02; p = 0,007), assim como o escore Z de estatura ao diagnóstico e a estatura-alvo. Sem errata declarada. PubMed · DOI ↩ ↩2