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Hepatite C: como ler o anti-HCV e a carga viral

Anti-HCV reagente não quer dizer infecção ativa: só a carga viral decide. O que o protocolo brasileiro de 2026 manda fazer e o que o SUS cobre de cada exame.

Publicado em 6 de setembro de 202612 min de leituraEscrito pela Equipe Blood Analysis · Revisado e verificado por Julien Priour

O laudo da hepatite C tem uma linha só: anti-HCV, seguida de reagente ou não reagente. É essa linha que quase todo mundo lê errado — porque a intuição diz "anticorpo é defesa, então estou protegido", e aqui é exatamente o contrário. O anti-HCV não informa se a infecção está ativa. Quem responde a essa pergunta é um segundo exame, a carga viral (HCV-RNA). Esta página explica os dois, na ordem em que o Brasil os usa. Faz parte das sorologias infecciosas.

Em resumo

  • Anti-HCV reagente = contato com o vírus, hoje ou há trinta anos. Não é diagnóstico de infecção ativa.
  • O anticorpo permanece depois da cura, então ele não serve para saber se você ainda tem o vírus.
  • Só a carga viral (HCV-RNA) separa infecção em curso de infecção passada.
  • Entre 15% e 45% das pessoas eliminam o vírus sozinhas, em até seis meses — e ficam com anti-HCV reagente para sempre.
  • O protocolo brasileiro em vigor recomenda testar todas as pessoas a partir de 18 anos, ao menos uma vez na vida.
  • Teste rápido reagente não precisa de repetição em laboratório: o próximo passo já é a carga viral.
  • Enzimas do fígado normais não descartam nada, e a genotipagem deixou de ser necessária.
  • O tratamento cura mais de 95% e é ofertado gratuitamente pelo SUS.

A diferença que muda tudo

Se você chegou aqui vindo da hepatite B, esqueça a lógica de lá. Naquele exame, o anticorpo (anti-HBs) significa proteção, e existe uma tabela de combinações que fecha o quadro. Na hepatite C não há vacina, não há anticorpo protetor e não há tabela: há uma sequência de dois exames.

O anti-HCV é o anticorpo que o corpo produz em resposta ao vírus. Segundo o protocolo nacional, ele aparece em média entre um e três meses após a exposição e "costuma persistir por toda a vida independentemente da cura da infecção".1 Sua função, escrita com todas as letras no Quadro 3 do protocolo, é rastreio — encontrar quem precisa do exame seguinte.

Esse exame seguinte é a quantificação do HCV-RNA, a carga viral. É ela que "confirma a infecção ativa (replicação viral)".1 E a combinação decisiva é curta:

Anti-HCVHCV-RNALeitura
Não reagenteSem contato detectado (atenção à janela)
ReagenteDetectávelInfecção ativa
ReagenteNão detectávelContato prévio ou infecção passada — inclusive curada

A terceira linha é o coração desta página. O protocolo a descreve assim: anti-HCV reagente com HCV-RNA não detectável "é considerado contato prévio ou infecção passada pelo HCV, sendo ainda possível uma infecção prévia curada por meio de tratamento".1

Por que tanta gente fica com o anticorpo sem ter o vírus

Por dois motivos, e os dois são medidos.

O primeiro: o corpo às vezes resolve sozinho. O protocolo registra que 15% a 45% das pessoas apresentam clareamento espontâneo do vírus em até seis meses; as outras 55% a 85% evoluem para a forma crônica.1 Quem eliminou o vírus continua com anti-HCV reagente.

O segundo: depois do tratamento, o anticorpo fica. O protocolo é explícito — alcançada a cura, "o HCV-RNA torna-se indetectável e o anti-HCV permanece reagente por tempo indeterminado". Daí a instrução prática que evita muito susto: para investigar uma reinfecção, "deve-se confirmar a viremia (HCV-RNA detectável), não se utilizando o imunoensaio que detecta anticorpos anti-HCV".1 Um estudo prospectivo com 166 pessoas curadas mostra a dinâmica real: os títulos caem ano a ano, mas apenas 1,2% chegaram a negativar o anti-HCV em quase cinco anos de seguimento.2

A distância entre os dois marcadores aparece nos números brasileiros. O primeiro inquérito nacional de base populacional, com 19.503 pessoas das 26 capitais e do Distrito Federal, mediu 1,38% de anti-HCV reagente.3 Já o protocolo de 2026 trabalha com uma prevalência estimada de 0,3% de hepatite C no país, apoiada num painel internacional de modelagem.1 Os dois números não se contradizem: um conta anticorpos, o outro conta infecções ativas. É a mesma diferença que separa as duas primeiras linhas da tabela acima.

Quem deve ser testado

Aqui houve mudança recente. O protocolo em vigor foi atualizado pela Portaria SCTIE/MS nº 39, de 20 de julho de 2026, que revogou a portaria de 2018, e recomenda "que todas as pessoas a partir de 18 anos sejam testadas pelo menos uma vez na vida para o HCV" — expressão que não existe na versão anterior.1 Reforça ainda a busca ativa dos 40 anos em diante, pelo maior risco acumulado de exposição, e diz que quem manifestar o desejo de se testar deve ser testado, em qualquer idade.

Fora isso, o texto lista situações de exposição, não categorias de pessoas: uso de drogas injetáveis, pipadas ou inaladas; hemodiálise; ter nascido de mãe com hepatite C; privação de liberdade; transfusão de sangue antes de 1992; procedimentos estéticos como tatuagens e piercings; outras hepatopatias crônicas. Gestantes devem ser testadas em cada gestação, e profissionais expostos a material biológico, em toda situação de acidente.1 Quem mantém vulnerabilidade e tem anti-HCV não reagente repete o exame anualmente; quem usa PrEP para o HIV faz o anti-HCV em intervalo quadrimestral.1

E se der não reagente com suspeita persistente? O protocolo manda coletar nova amostra 30 dias depois.1 Para o calendário completo de repetição após uma exposição, veja a página das sorologias.

Fase aguda: aqui a ordem se inverte

Nos primeiros meses depois de uma exposição, o exame de rastreio é justamente o que menos serve. O anticorpo demora: o protocolo registra que ele se torna reagente "próximo do início das manifestações clínicas, em média entre um e três meses", e por isso os imunoensaios são "testes limitados para o diagnóstico da infecção aguda".1 O HCV-RNA, ao contrário, já pode ser detectado entre a primeira e a segunda semana.1 Diante de suspeita de infecção aguda, portanto, o Manual Técnico recomenda teste molecular, não sorologia.4

Isso importa porque a fase aguda é quase invisível: cerca de 80% das pessoas não têm sintoma nenhum, e nos 20% restantes eles são leves e inespecíficos — febre, fadiga, náusea, dor abdominal, urina escura, icterícia — entre duas e doze semanas após a exposição.1 O protocolo é claro sobre a consequência: o diagnóstico agudo "requer ações proativas dos profissionais de saúde", porque não virá de uma queixa.

Gestação e criança exposta

Toda gestante deve fazer o exame em cada gestação.1 O risco de transmissão vertical é de 3% a 5%, subindo para cerca de 19% quando há coinfecção pelo HIV; parto cesáreo não reduz esse risco, e não há evidência de transmissão pelo leite materno, de modo que a amamentação não está contraindicada por causa do vírus.1

No bebê, o anticorpo materno atravessa a placenta e torna o anti-HCV inútil antes dos 18 meses — um reagente aí pode ser apenas o anticorpo da mãe.4 Por isso o protocolo pede teste molecular entre 3 e 6 meses de idade e, aos 18 meses, um anti-HCV: não reagente descarta a infecção; reagente leva de volta à carga viral.1 O tratamento com antivirais de ação direta é contraindicado na gestação, razão pela qual o protocolo insiste que pessoas em idade fértil sejam testadas antes.1

O teste rápido resolve a primeira etapa

O anti-HCV pode ser feito por imunoensaio de laboratório ou por teste rápido, e o protocolo trata os dois como equivalentes. A consequência é direta e pouca gente sabe: "após a realização do TR anti-HCV, cujo resultado for reagente, não há necessidade de confirmação adicional com utilização de ensaio laboratorial".1 O próximo exame não é repetir o anticorpo — é a carga viral.

Num inquérito de Minas Gerais, 24.085 pessoas foram testadas por teste rápido em campo, com 0,76% de anti-HCV reagente;5 num município do Paraná, o mesmo tipo de teste teve sensibilidade de 100% e especificidade de 92,7%.6 O Manual Técnico para o Diagnóstico das Hepatites Virais, 2ª edição de 2018 — que o protocolo de 2026 continua citando como norma de diagnóstico —, dedica um fluxograma inteiro a essa investigação inicial com teste rápido em unidade de saúde.4

Fígado normal não descarta hepatite C

Esta é a segunda armadilha da página. O hepatograma não responde à pergunta da sorologia. O Manual Técnico é categórico sobre as transaminases: "níveis mais elevados de ALT/TGP, quando presentes, não guardam correlação direta com a gravidade da doença".4 E a hepatite C crônica é descrita pelo protocolo como uma condição de "evolução silenciosa", em que a maioria permanece assintomática ou oligossintomática — o que produz diagnóstico tardio.1 TGP e TGO em ordem são uma boa notícia sobre o fígado, não uma resposta sobre o vírus.

O que essas enzimas fazem, no Brasil, é outra coisa: estadiar. O protocolo adota o escore APRI como método inicial, calculado a partir da TGO e da contagem de plaquetas do hemograma; o FIB-4 acrescenta a idade e a TGP. Com APRI menor que 1, exclui-se corretamente a cirrose em 91% das vezes, e o tratamento pode ser conduzido na atenção primária.1 A biópsia hepática é descrita como "método invasivo desnecessário e dispensável" para indicar tratamento.1

O que o SUS cobre

Na tabela SIGTAP, competência de agosto de 2026, os exames da hepatite C aparecem com códigos próprios:7

ExameCódigoValor
Anti-HCV laboratorial — população geral0202031470R$ 18,55
Anti-HCV laboratorial — gestante0202031489R$ 18,55
Anti-HCV laboratorial — parceria de gestante0202031497R$ 18,55
Teste rápido anti-HCV (três códigos)0214010295/309/317sem valor por ato
Detecção de RNA do HCV (qualitativo)0202030059R$ 96,00
Quantificação de RNA do HCV (carga viral)0202031080R$ 168,48
Genotipagem do HCV0213010542sem valor por ato
Elastografia hepática ultrassônica0205020224R$ 24,20

Três leituras. Primeira: a carga viral custa nove vezes o anticorpo — é o exame mais caro da linha de cuidado, e é justamente o que decide se há infecção. Segunda: como na hepatite B, os três testes rápidos aparecem com valor zero por serem financiados por outro bloco, e zero na tabela não é ausência de cobertura. Terceira, e é a mais instrutiva: a genotipagem está na tabela, e o protocolo diz para não pedir. O texto de 2026 é literal — os medicamentos atuais são pangenotípicos, portanto "não é necessário solicitar o exame de genotipagem do HCV para o tratamento inicial ou retratamento".1 Uma linha no SIGTAP prova cobertura, nunca recomendação.

Duas observações de método, medidas e não supostas. O protocolo descreve entre os métodos diagnósticos a pesquisa do antígeno do HCV (HCV-Ag), mas nenhum procedimento com esse nome existe na tabela: a expressão "antígeno central" está lá — aplicada aos marcadores da hepatite B — e nunca ao HCV.7 E existe um código de detecção rápida da carga viral do HCV (0213010801) que a seção de diagnóstico do protocolo não menciona. Veja também quanto custa um exame de sangue.

O tratamento, e por que ele muda a leitura do exame

A hepatite C tem cura, e no Brasil isso não é promessa: é política pública. Segundo o Ministério da Saúde, o acompanhamento e o tratamento são "ofertado gratuitamente pelo SUS, com medicamentos capazes de curar a infecção", com taxas de cura acima de 95% em 12 ou 24 semanas.8 O protocolo confirma: os antivirais de ação direta disponíveis no SUS conferem cura em mais de 95% dos casos, e todas as pessoas com infecção ativa têm indicação de tratamento, aguda ou crônica, com ou sem fibrose.1

A cura tem nome de exame: resposta virológica sustentada, definida como HCV-RNA indetectável a partir de 12 semanas do fim do tratamento.1 Confirmada, não são necessários novos testes diagnósticos, exceto se houver suspeita de reinfecção. Estudos brasileiros de mundo real acompanham o alcance disso: numa coorte de 130 pessoas com cirrose descompensada curadas, a sobrevida livre de transplante em três anos foi de 66%;9 e a Sociedade Brasileira de Nefrologia mantém um registro nacional para eliminar a hepatite C nas unidades de diálise.10

Perguntas frequentes

Meu anti-HCV deu reagente. Eu tenho hepatite C? Ainda não se sabe. Reagente significa contato com o vírus. É preciso a carga viral (HCV-RNA) para dizer se a infecção está ativa. Uma parte das pessoas eliminou o vírus sozinha, e outra parte já se tratou — as duas continuam com o anticorpo reagente.1

Fiz o teste rápido e deu reagente. Preciso repetir no laboratório? Não. O protocolo diz que teste rápido e imunoensaio laboratorial são equivalentes e dispensa a confirmação do anticorpo. O exame seguinte é a carga viral.1

Já me tratei e me curei. Por que o anti-HCV continua reagente? Porque ele é a memória do contato, não um sinal de doença. Permanece reagente por tempo indeterminado. Para investigar reinfecção, o exame é a carga viral, nunca o anticorpo.1

Preciso estar em jejum? Não. Nem o anti-HCV nem a carga viral mudam com a refeição. O jejum só entra se o mesmo pedido trouxer exames que o exijam, como a glicemia.

Meus exames de fígado estão normais. Posso descartar? Não. A forma crônica é descrita como silenciosa, e as transaminases não medem a gravidade. Bilirrubina e gama GT normais também não respondem a essa pergunta.4

Existe vacina? Não existe vacina contra a hepatite C.8 A prevenção passa por não compartilhar objetos que possam ter contato com sangue e pelo uso de preservativo — e, hoje, pelo diagnóstico e tratamento, que interrompem a transmissão.

O que levar deste guia

Uma frase resume a página: anti-HCV responde "houve contato?", carga viral responde "tem vírus agora?". Confundir as duas perguntas produz dois erros opostos e igualmente comuns — achar que um anticorpo reagente é uma sentença, ou achar que um fígado com enzimas normais é um álibi. O caminho brasileiro é curto e está escrito: teste rápido ou sorologia, carga viral se reagente, estadiamento pelo APRI e tratamento na atenção primária quando o risco de cirrose é baixo. E o desfecho, em mais de 95% dos casos, é a cura.

Para conferir o vocabulário do laudo, veja o glossário de exames de sangue; para o conjunto do seu resultado, o AI DiagMe é um complemento à avaliação do seu médico, nunca um substituto.

Fontes

Fontes institucionais brasileiras e publicações científicas (PubMed) utilizadas neste guia:

Footnotes

  1. Ministério da Saúde (SCTIE/MS) e ConitecProtocolo Clínico e Diretrizes Terapêuticas Hepatite C e Coinfecções, atualizado pela Portaria SCTIE/MS nº 39, de 20 de julho de 2026, que revogou a Portaria SCTIE/MS nº 84, de 19 de dezembro de 2018. PDF de 838.121 bytes lido na íntegra (177.004 caracteres de texto extraído); identidade e vigência verificadas pelo texto da portaria dentro do próprio documento, e não pelo nome do arquivo. Seções consultadas: 1.3.1 e 1.3.2 (clareamento espontâneo em 15% a 45% em até seis meses; forma crônica silenciosa e oligossintomática; anti-HCV permanece reagente após a RVS e a reinfecção se confirma por viremia, não por imunoensaio); 6 (transmissão); 8 – Populações prioritárias para rastreio (testagem de todas as pessoas a partir de 18 anos ao menos uma vez na vida, busca ativa a partir dos 40 anos, gestantes em cada gestação, testagem anual em situação de vulnerabilidade, anti-HCV quadrimestral em uso de PrEP, e a lista de exposições reproduzida neste guia; prevalência estimada de 0,3% no Brasil, cuja referência 25 é o painel Polaris da CDA Foundation — estimativa de modelagem internacional, não medição nacional); 9 – Diagnóstico laboratorial e Quadro 3 (anti-HCV indica contato prévio e persiste após a cura, função principal de rastreio; HCV-RNA confirma infecção ativa; HCV-Ag como teste complementar; anti-HCV detectável em média entre um e três meses; equivalência entre teste rápido e imunoensaio laboratorial, com dispensa de confirmação adicional; nova amostra 30 dias depois se a suspeita persistir); Quadros 4 e 5 (critérios de hepatite C aguda e crônica); 10.1 e 10.2 (tratamento indicado a todas as pessoas com infecção; RVS em mais de 95%; definição de cura como HCV-RNA indetectável a partir de 12 semanas do fim do tratamento); 10.3.2 (APRI como método inicial de estadiamento, APRI < 1 exclui cirrose em 91% das vezes, biópsia hepática "desnecessária e dispensável", fórmulas do APRI e do FIB-4); 10.4 e 10.5 (esquemas pangenotípicos: "não é necessário solicitar o exame de genotipagem do HCV para o tratamento inicial ou retratamento"). Verificação de versão: a expressão "vez na vida" aparece 0 vez na edição anterior do protocolo (PDF de 2019 servido por gov.br/aids, 68 páginas), com controles positivos no verde no mesmo arquivo ("anti-HCV" 15 ocorrências, "rastreamento" 6, "genotipagem" 5) — a recomendação de testagem universal a partir dos 18 anos é, portanto, própria da versão de 2026. PDF (gov.br/saude) 2 3 4 5 6 7 8 9 10 11 12 13 14 15 16 17 18 19 20 21 22 23 24 25 26 27

  2. Kee KM, Wang JH, Hung CH, Chen CH, Lee CM, Changchien CS, et al. Decreased anti-hepatitis C virus titer and associated factors in chronic hepatitis C patients after sustained virological response: a prospective study. J Gastroenterol Hepatol, 2012. Coorte prospectiva de 166 pessoas com resposta virológica sustentada, seguimento médio de 4,7 anos: os títulos de anti-HCV caem significativamente ano a ano, mas somente 2 pessoas (1,2%) chegaram à soronegativação. (Fonte internacional, usada por ausência de equivalente brasileiro; concorda com o PCDT, que descreve a persistência do anticorpo após a cura.) PubMed · DOI

  3. Pereira LM, Martelli CM, Moreira RC, Merchan-Hamman E, Stein AT, Cardoso MR, et al. Prevalence and risk factors of Hepatitis C virus infection in Brazil, 2005 through 2009: a cross-sectional study. BMC Infect Dis, 2013. Primeiro inquérito nacional de base populacional: amostra estratificada por conglomerados de 19.503 habitantes de 10 a 69 anos nas 26 capitais e no Distrito Federal; prevalência ponderada de anticorpos anti-HCV de 1,38% (IC95% 1,12–1,64), com estimativa de cerca de 1,3 milhão de pessoas anti-HCV positivas no país. (Mede anticorpos, não infecção ativa — é essa a diferença comentada no texto.) PubMed · DOI

  4. Ministério da Saúde (SVS/DIAHV)Manual Técnico para o Diagnóstico das Hepatites Virais, 2ª edição, Brasília-DF, 2018 (PDF de 3.139.858 bytes). Edição verificada na página de expediente do próprio PDF ("Tiragem: 2ª edição – 2018"). Continua em vigor como norma de diagnóstico: é a referência 29 do PCDT de 2026, que remete a ele para as diretrizes diagnósticas da infecção pelo HCV. Trechos utilizados: seção 5 (aminotransferases são "marcadores sensíveis para detecção de lesão do parênquima hepático, porém não são específicas para nenhum tipo de hepatite"; "níveis mais elevados de ALT/TGP, quando presentes, não guardam correlação direta com a gravidade da doença"); capítulo 10 (transmissão, cronificação em 70% a 85% dos casos); 10.6 (o anti-HCV indica contato com o vírus; o antígeno core é indicador de infecção ativa); 10.8 – Fluxograma 4, investigação inicial da infecção pelo HCV com teste rápido em unidade de saúde; 10.10 (diagnóstico em menores de 18 meses por teste molecular, por causa do anticorpo materno transferido pela placenta). PDF (gov.br/saude) 2 3 4 5

  5. Gomide GPM, Melo CB, Santos VDS, Salge VD, Camargo FC, Pereira GA, et al. Epidemiological survey of hepatitis C in a region considered to have high prevalence: the state of Minas Gerais, Brazil. Rev Soc Bras Med Trop, 2019. Inquérito de campo com testes rápidos imunocromatográficos em 24.085 pessoas da macrorregião do Triângulo Sul: 184 anti-HCV reagentes (0,76%), 79,3% deles nascidos entre 1951 e 1980. PubMed · DOI

  6. Ivantes CA, Silva D, Messias-Reason I. High prevalence of hepatitis C associated with familial history of hepatitis in a small town of south Brazil: efficiency of the rapid test for epidemiological survey. Braz J Infect Dis, 2010. Inquérito transversal em Tamboara (PR) com 816 moradores: prevalência de anti-HCV de 4,28% pelo teste rápido, com sensibilidade de 100% e especificidade de 92,7% (acurácia 95,8%) frente à sorologia convencional. (Artigo sem DOI declarado pelo NCBI; citado por PMID.) PubMed

  7. Ministério da Saúde / DATASUSSIGTAP: Sistema de Gerenciamento da Tabela de Procedimentos, Medicamentos e OPM do SUS, arquivo tb_procedimento.txt, 1.697.774 bytes, 5.023 linhas, competência 202608. Valores lidos no campo VL_SA por decodificação de colunas fixas com decodificação latin-1 explícita; parser validado contra dois valores já publicados (hemograma completo 0202020380 = R$ 4,11; ferritina 0202010384 = R$ 15,59). Dobra de acentos ativa e medida: 2.483 das 5.023 linhas têm acentos combinantes (2.510 se forem contados também ordinais e espaços especiais). Códigos citados: anti-HCV 0202031470 / 0202031489 / 0202031497 (R$ 18,55 cada), detecção de RNA do HCV qualitativa 0202030059 (R$ 96,00), quantificação de RNA do HCV 0202031080 (R$ 168,48), genotipagem do HCV 0213010542, detecção rápida da carga viral do HCV 0213010801, testes rápidos anti-HCV 0214010295 / 0214010309 / 0214010317, elastografia hepática ultrassônica 0205020224 (R$ 24,20). Medida repetida nesta fiche: o subgrupo 0214 "Diagnóstico por teste rápido" contém 27 procedimentos, todos na forma de organização 021401, dos quais 12 para HIV, sífilis, hepatite B e hepatite C em três versões cada. Ausência verificada por enumeração: nenhum procedimento de antígeno do HCV (HCV-Ag) — 0 ocorrência de "HCV-AG", "ANTIGENO DO HCV", "ANTIGENO DO CORE" e "CORE DO HCV" nas 5.023 linhas, com controle positivo forte: a expressão "ANTIGENO CENTRAL" existe na tabela, 2 vezes, aplicada ao anti-HBc da hepatite B — o vocabulário está no arquivo, só nunca é aplicado ao HCV. (Armadilha registrada: buscar apenas "CORE" devolve 2 linhas que são "TESTE DE VISÃO DE CORES" e "COREIA AGUDA", subcadeias sem relação.) ⚠️ Lembrete metodológico, exemplificado nesta página pela genotipagem: uma linha no SIGTAP estabelece cobertura, nunca recomendação clínica. Página oficial (DATASUS) 2

  8. Ministério da SaúdeHepatite C, página de informação ao público (Saúde de A a Z). Consultada em 6 de setembro de 2026; texto do corpo da página extraído e lido (13.5 mil caracteres úteis), com controle negativo de slug inexistente respondendo 404 em 26 bytes de JSON. Trechos utilizados, citados literalmente: o diagnóstico se faz por teste rápido ou sorológico e, se o anti-HCV for positivo, "é necessário realizar um exame de carga viral (HCV-RNA) para confirmar a infecção ativa pelo vírus", após o que o paciente inicia "seu acompanhamento e tratamento, ofertado gratuitamente pelo SUS, com medicamentos capazes de curar a infecção"; os antivirais de ação direta "apresentam taxas de cura de mais 95% e são realizados, geralmente, por 12 ou 24 semanas"; DAA disponíveis no SUS a partir dos 3 anos de idade; pacientes em fase inicial podem ser tratados nas unidades básicas de saúde; "não existe vacina contra a hepatite C". gov.br/saude 2

  9. Pereira GH, Peixoto HR, Giusti ML, Souza ML, Victor LB, Fernandes F, et al. Long-term survival and clinical outcomes following direct-acting antiviral (DAA) treatment in HCV decompensated cirrhosis in Brazil: a real-world study. Braz J Infect Dis, 2022. Estudo prospectivo brasileiro com 130 pacientes com cirrose descompensada que alcançaram resposta virológica sustentada com DAA: melhora dos escores Child-Pugh e MELD, menor prevalência de ascite e probabilidade de sobrevida livre de transplante de 93% em um ano e 66% em três anos. PubMed · DOI

  10. Moura-Neto JA, Ferraz MLG, Bittencourt PL, Vieira Neto OM, et al. Brazilian registry for the elimination of hepatitis C in dialysis units: a call to action for Nephrology. J Bras Nefrol, 2022. Registro nacional criado pela Sociedade Brasileira de Nefrologia com a Sociedade Brasileira de Hepatologia e o Instituto Brasileiro do Fígado, para identificar, tratar e monitorar a resposta ao tratamento das pessoas em diálise crônica infectadas pelo HCV — a prevalência é maior nessa população do que na população geral brasileira, e o tratamento é descrito como "amplamente disponível no Brasil". PubMed · DOI

Aviso médico. Este guia tem finalidade informativa e educativa; não constitui aconselhamento médico e não substitui uma consulta. Os valores de referência variam conforme o laboratório e a técnica: só o seu médico pode interpretar os seus resultados no seu contexto.