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Cistatina C: valores de referência e TFG no Brasil

Cistatina C: 0,52 a 0,90 mg/L em mulheres e 0,56 a 0,98 em homens. Para que serve, quando ela vence a creatinina e por que nenhum sistema a paga aqui.

Publicado em 4 de setembro de 202612 min de leituraEscrito pela Equipe Blood Analysis · Revisado e verificado por Julien Priour

A cistatina C é o exame que as sociedades brasileiras recomendam justamente quando a creatinina engana: no idoso, no atleta, no amputado, no desnutrido, no cirrótico. Ela não vem do músculo, e é aí que está a sua utilidade. Mas há um detalhe que quase nenhuma página em português conta, e ele muda tudo para você: o SUS não tem código para esse exame, e os planos de saúde não são obrigados a cobri-lo. Este guia mostra o que a cistatina C mede, quais números são os brasileiros e onde exatamente o acesso trava.

Em resumo

  • A cistatina C é uma proteína pequena (12,8 kDa) produzida por praticamente todas as células nucleadas do corpo, filtrada livremente pelo glomérulo e depois reabsorvida e metabolizada no túbulo — por isso não existe clearance urinário de cistatina C.1
  • Intervalos de referência citados pelo consenso brasileiro: 0,52 a 0,90 mg/L em mulheres (média 0,71) e 0,56 a 0,98 mg/L em homens (média 0,77). O valor que vale é o impresso no seu laudo.1
  • Ela depende pouco de idade, sexo, etnia, dieta e massa muscular — o ponto cego da creatinina.1
  • ⚠️ Zero código no SUS. A tabela SIGTAP de agosto de 2026 traz 5.023 procedimentos e nenhum com a palavra "cistatina". A dosagem de creatinina, ao lado, custa R$ 1,85 ao SUS.2
  • ⚠️ Fora do Rol da ANS. O Anexo I do Rol lista 3.403 procedimentos e também não inclui a cistatina C — o plano não é obrigado a cobrir.3
  • A SBN e a SBPC/ML a recomendam como teste confirmatório, quando a TFG pela creatinina for menos confiável — e reconhecem que ela é "mais cara e nem sempre acessível" nos laboratórios do país.1
  • ⚠️ Ela tem os seus próprios fatores de erro: inflamação, doença neoplásica, disfunção da tireoide, tabagismo e uso de corticoides.1

O que a cistatina C mede

A cistatina C é um inibidor de cisteína-protease sintetizado de forma contínua e constante por quase todas as células com núcleo. Como é eliminada da circulação exclusivamente por filtração glomerular, a sua concentração no sangue é uma leitura direta da velocidade com que os seus rins filtram — a taxa de filtração glomerular (TFG).1

Depois de filtrada, ela é reabsorvida e destruída no túbulo proximal, sem ser secretada de volta. Consequência prática: não dá para medi-la na urina para calcular um clearance, como se faz com a creatinina.1

A diferença com a creatinina está na origem. A creatinina vem do músculo; quem tem muito músculo produz mais, quem tem pouco produz menos, e a TFG estimada erra nos dois extremos. A cistatina C vem de todas as células, e escapa dessa armadilha. Ela faz parte da avaliação da função renal, nunca sozinha: lê-se ao lado da creatinina, da ureia e da microalbuminúria.

Valores de referência

O posicionamento conjunto da Sociedade Brasileira de Nefrologia (SBN) e da Sociedade Brasileira de Patologia Clínica e Medicina Laboratorial (SBPC/ML) cita intervalos que variam pouco com sexo e idade:1

GrupoIntervaloMédia
Mulheres0,52 a 0,90 mg/L0,71 mg/L
Homens0,56 a 0,98 mg/L0,77 mg/L

Como a creatinina, os valores caem do nascimento até o primeiro ano de vida e depois ficam relativamente estáveis na vida adulta.1 A unidade é sempre mg/L — não confunda com os mg/dL da creatinina; se precisar converter algo do seu laudo, use o conversor de unidades.

Um número acima do intervalo aponta filtração glomerular reduzida. Mas o resultado isolado não é o objetivo: o que interessa é a TFG estimada calculada a partir dele.

Quando ela vence a creatinina

O consenso brasileiro reserva a cistatina C para confirmação de resultados ou para os casos em que a creatinina sofre interferências.1 As diretrizes internacionais KDIGO 2024 — citadas aqui como fonte internacional, por não existir lista brasileira equivalente — recomendam (grau 1C) usar a equação combinada creatinina + cistatina C sempre que a estimativa pela creatinina for menos exata e a TFG pesar na decisão clínica. A tabela de indicações inclui:4

  • transtornos alimentares e desnutrição;
  • esporte extremo e fisiculturismo (excesso de massa muscular);
  • amputação acima do joelho e lesão medular com paraplegia ou tetraplegia;
  • obesidade classe III;
  • cirrose, insuficiência cardíaca, câncer e doenças consumptivas;
  • dietas vegetarianas, cetogênicas, hiperproteicas ou com suplementação de creatina.

Repare no padrão: quase toda a lista é de situações em que o músculo — e não o rim — desloca a creatinina.

O consenso da SBN e da SBPC/ML reproduz as recomendações graduadas do KDIGO, e a hierarquia deixa claro o lugar de cada exame:1

  • usar a creatinina sérica, ou o seu clearance, para a investigação inicial — grau 1A;
  • usar exames adicionais, como a cistatina C, como teste confirmatório em circunstâncias específicas, quando a TFG baseada na creatinina for menos fidedigna — grau 2B;
  • usar sempre a equação de TFG estimada em vez da creatinina isolada — grau 1B.

Traduzindo: a cistatina C nunca é o primeiro exame. Ela é o segundo, e só quando o primeiro está sob suspeita.

Quem paga esse exame no Brasil

Aqui está a informação mais útil desta página, e ela é ruim.

No SUS: nada. A tabela SIGTAP do Ministério da Saúde, competência de agosto de 2026, contém 5.023 procedimentos. Procurando a palavra "cistatina" em todos eles, o resultado é zero. Existem "dosagem de creatinina" (02.02.01.031-7, R$ 1,85) e "clearance de creatinina" (02.02.05.002-5, R$ 3,51), mas nenhuma linha de cistatina C.2 Sem código na tabela, não há repasse — e sem repasse, o exame não é ofertado na rede pública.

Nos planos de saúde: também não é obrigatório. O Anexo I do Rol de Procedimentos e Eventos em Saúde da ANS (RN 465/2021, atualizado pela RN 678/2026) lista 3.403 procedimentos nomeados. Entre as entradas que começam por "cis" e "cit" aparecem "cistina, pesquisa e/ou dosagem" e "cistinúria, pesquisa" — mas cistatina C não está lá.3 Fora do Rol, a operadora não tem obrigação de cobrir.

E, ainda assim, o exame tem código. Na terminologia TUSS, usada para faturamento na saúde suplementar, existem dois: 40302962 ("Cistatina C") e 40322424 ("Cistatina C, dosagem no sangue"). No próprio arquivo de mapeamento TUSS × SIGTAP publicado pela ANS, as duas linhas ficam sem nenhum código SIGTAP correspondente.5 Ou seja: o exame é nomeável e faturável, mas ninguém é obrigado a pagá-lo. Na prática brasileira, isso quase sempre significa particular.

O próprio consenso da SBN e da SBPC/ML registra o problema com todas as letras: a medida de cistatina C "é mais cara e nem sempre tão fácil e acessível em muitos laboratórios quanto a de creatinina".1 Antes de sair procurando, veja o que costuma pesar num pedido em quanto custa um exame de sangue.

Duas perguntas valem a ligação antes de coletar: o laboratório devolve, junto, a TFG estimada pela equação combinada ou só o valor bruto em mg/L? E, se você tem plano, a operadora autoriza o código TUSS ou vai negar por ausência no Rol?

Não publicamos preço de laboratório aqui: as tabelas particulares dos grandes grupos brasileiros não são públicas de forma verificável, e um número inventado seria pior do que nenhum.

O fator raça, e por que isso é um assunto brasileiro

As equações antigas de TFG traziam um coeficiente para pessoas negras. A SBN e a SBPC/ML são categóricas: raça é um conceito social, não se correlaciona necessariamente com diferenças genotípicas, ignora quem se identifica como multirracial, e o seu uso na fórmula pode superestimar a TFG e subdiagnosticar doença renal em pessoas negras. Recomendam equações sem esse fator, com creatinina isolada ou creatinina + cistatina C.1

A pesquisa brasileira apoia essa direção, mas não é unânime, e vale conhecer os dois lados:

  • Em 100 pacientes (61% afro-brasileiros) com TFG medida por ⁵¹Cr-EDTA, a equação combinada creatinina + cistatina C sem ajuste racial foi a mais exata (P30 de 83%, contra 79% da creatinina isolada). No subgrupo afro-brasileiro, aplicar o ajuste racial piorou a exatidão, de 75,4% para 67,2%.6
  • Em 354 adultos de Porto Alegre, também com ⁵¹Cr-EDTA, nenhuma equação baseada em creatinina atingiu os 90% de P30 desejáveis, e os autores não recomendam trocar a CKD-EPI 2009 pela 2021 na população brasileira. Esse estudo, porém, não testou as equações com cistatina C.7

As duas leituras convivem na literatura brasileira. Nenhuma delas é o fim da conversa.

A equação combinada — e o que o nosso calculador faz

A CKD-EPI 2021 existe em duas versões: uma só com creatinina e outra com creatinina + cistatina C. A combinada é a mais exata, e é a que a SBN publica entre as suas calculadoras nefrológicas.8 O consenso brasileiro alerta para um obstáculo operacional: como os laboratórios já devolvem a TFG automaticamente ao lado da creatinina, a versão combinada exige que o médico peça explicitamente os dois exames.1

⚠️ Transparência sobre a nossa ferramenta. A nossa calculadora de TFG implementa a CKD-EPI 2021 apenas com creatinina, sem fator raça. Ela não aceita cistatina C. Para a equação combinada, use a calculadora da SBN.8

Uma nota para quem for conferir a fórmula na fonte: o consenso de 2024 recebeu uma errata em 2025, corrigindo o sinal de um expoente da CKD-EPI 2021. O documento em vigor é o consenso lido junto com a errata.9

O que atrapalha a cistatina C

Ela é mais estável que a creatinina, não imune. O consenso brasileiro lista como fatores que alteram o resultado sem que a filtração tenha mudado:1

  • inflamação;
  • processo neoplásico;
  • disfunção da tireoide;
  • tabagismo;
  • uso de corticoides.

A revisão brasileira de 2025 reforça inflamação e disfunção tireoidiana como os interferentes a ter em mente.10 O KDIGO acrescenta que a própria equação combinada perde exatidão em massa muscular muito baixa, inflamação muito alta, estados catabólicos e uso de esteroides exógenos.4

Uma observação sobre a obesidade: nas fontes que consultamos ela aparece como motivo para usar a equação combinada (porque distorce a creatinina), não como algo que falseia a cistatina C.4

Como o exame é feito

A cistatina C é medida no soro por imunoensaio, em duas técnicas: PENIA (nefelométrica com intensificação por partículas) ou PETIA (imunoturbidimétrica). Assim como a creatinina, ela é hoje rastreável a um material de referência internacional, o ERM-DA471/IFCC, e o consenso exige que as equações de TFG usem valores obtidos por metodologias validadas pelo IFCC.1 Se o seu laudo não diz o método, pergunte ao laboratório.

Não há exigência de jejum descrita no consenso brasileiro para a cistatina C — a orientação de preparo é a que o seu laboratório fornecer.

Avanços recentes

Segundo publicações recentes indexadas no PubMed:

  • A combinação é mais exata que qualquer marcador isolado. A análise crítica brasileira de 2025 confirma o ganho da dupla creatinina + cistatina C e aponta para fórmulas multibiomarcador no futuro — mas condiciona a adoção a validação e avaliação de custo-efetividade, exatamente o que falta no Brasil.10
  • Em pediatria, a evidência ainda é fraca. Uma revisão sistemática publicada em 2025 no periódico da SBN reuniu 11 estudos e 2.199 participantes sobre cistatina C na lesão renal de crianças e adolescentes com diabetes tipo 1: a metanálise não encontrou diferença estatisticamente significativa em relação aos controles.11
  • As equações de 2021 nasceram sem raça por construção. O trabalho original que as derivou mostrou que a combinação creatinina + cistatina C é mais exata que qualquer das duas sozinhas, sem precisar do coeficiente racial.12

Perguntas frequentes

Cistatina C alta é câncer? Não. É um teste de função renal, não um marcador tumoral. Um valor alto sugere filtração glomerular reduzida. Doença neoplásica está entre os fatores que podem elevá-la, mas o exame não serve para rastrear câncer.1

Preciso estar em jejum? O consenso brasileiro não descreve exigência de jejum para a cistatina C. Siga a orientação do seu laboratório.1

Posso pedir cistatina C no posto de saúde? Na prática, não. Não existe código de cistatina C na tabela SIGTAP do SUS, e sem código não há financiamento do procedimento.2

Meu plano é obrigado a cobrir? Não. O exame não consta do Anexo I do Rol de Procedimentos da ANS.3 Algumas operadoras cobrem por liberalidade ou por decisão individual — confirme com a sua antes de coletar.

Ela substitui a creatinina? Não substitui: confirma. A primeira linha continua sendo a creatinina; a cistatina C entra quando a estimativa por creatinina é menos confiável.14

Existe cistatina C na urina? Não para calcular TFG. Ela é reabsorvida e metabolizada no túbulo, então não há clearance urinário de cistatina C.1

Faço musculação e uso creatina. Vale a pena? É justamente uma das situações listadas pelo KDIGO em que a creatinina engana e a cistatina C ajuda.4 A decisão é de quem pede o exame — leve a informação sobre o uso de creatina à consulta.

Cistatina C baixa é problema? Um valor abaixo do intervalo costuma apenas indicar filtração preservada. O que exige leitura cuidadosa é o oposto: o valor alto, e sempre junto do quadro clínico e dos demais exames.1

Por que o meu laudo traz mg/L e não mg/dL? Porque é a unidade da própria equação: nas fórmulas de TFG, a creatinina entra em mg/dL e a cistatina C em mg/L.1 Não converta uma na outra.

Para lembrar

A cistatina C resolve o maior defeito da creatinina: ela não depende do músculo. Por isso SBN, SBPC/ML e KDIGO a colocam como teste confirmatório quando a TFG pela creatinina é menos confiável, e apontam a equação combinada como a mais exata.14 Três coisas para levar: os números brasileiros são 0,52–0,90 mg/L (mulheres) e 0,56–0,98 mg/L (homens);1 o exame tem os seus próprios interferentes — inflamação, tireoide, tabagismo, corticoides;1 e, no Brasil de hoje, ele está fora do SUS e fora do Rol da ANS, o que na prática o empurra para o particular.23 Nenhum valor isolado fecha diagnóstico: conta o conjunto dos seus exames e do seu contexto — o que a AI DiagMe ajuda a organizar. Veja também o glossário de exames de sangue.

Fontes

Fontes oficiais brasileiras e publicações científicas (PubMed) usadas neste guia:

Footnotes

  1. Kirsztajn GM, da Silva GB Jr, da Silva AQB, et al. — Estimativa da taxa de filtração glomerular na prática clínica: posicionamento consensual da Sociedade Brasileira de Nefrologia (SBN) e Sociedade Brasileira de Patologia Clínica e Medicina Laboratorial (SBPC/ML). J Bras Nefrol, 2024;46(3):e20230193 — peso molecular, produção pelas células nucleadas, ausência de clearance urinário, intervalos de referência de 0,52–0,90 mg/L (mulheres) e 0,56–0,98 mg/L (homens), métodos PENIA e PETIA, rastreabilidade ao ERM-DA471/IFCC, interferentes, custo e acessibilidade, papel confirmatório e recomendação de equações sem fator raça. SciELO · PubMed · DOI 2 3 4 5 6 7 8 9 10 11 12 13 14 15 16 17 18 19 20 21 22 23 24 25

  2. Ministério da Saúde / DATASUS — Tabela de Procedimentos, Medicamentos e OPM do SUS (SIGTAP), competência 08/2026, arquivo tb_procedimento: 5.023 procedimentos, nenhuma ocorrência de "cistatina" em toda a tabela; dosagem de creatinina 02.02.01.031-7 com valor ambulatorial de R$ 1,85 e clearance de creatinina 02.02.05.002-5 a R$ 3,51 (verificação por enumeração do arquivo da competência, 04/09/2026). sigtap.datasus.gov.br 2 3 4

  3. Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS) — Anexo I: Rol de Procedimentos e Eventos em Saúde (RN nº 465/2021, atualizado pela RN nº 678/2026), planilha oficial: 3.403 procedimentos nomeados, incluindo "creatinina", "clearance de creatinina", "cistina, pesquisa e/ou dosagem" e "cistinúria, pesquisa"; nenhuma entrada de cistatina C (verificação por enumeração da planilha, 04/09/2026). Planilha XLSX (gov.br/ans) · página do Rol 2 3 4

  4. Kidney Disease: Improving Global Outcomes (KDIGO) CKD Work Group — KDIGO 2024 Clinical Practice Guideline for the Evaluation and Management of Chronic Kidney Disease. Kidney Int, 2024;105(4S):S117-S314 — fonte internacional, usada por não existir lista brasileira equivalente de indicações: Recomendação 1.2.2.1 (1C) para o uso da TFGe combinada creatinina + cistatina C, e Tabela 8 com as indicações clínicas (distúrbios alimentares, esporte extremo, amputação, lesão medular, obesidade classe III, câncer, insuficiência cardíaca, cirrose, doenças consumptivas e dietas). PDF oficial · DOI 2 3 4 5 6

  5. Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS) — Mapeamento TUSS × SIGTAP, planilha do padrão TISS: os códigos TUSS 40302962 ("Cistatina C") e 40322424 ("Cistatina C, dosagem no sangue") constam da terminologia, e ambas as linhas ficam sem código SIGTAP correspondente na coluna de mapeamento. ZIP (gov.br/ans)

  6. Rocha AD, Garcia S, Santos AB, et al. No Race-Ethnicity Adjustment in CKD-EPI Equations Is Required for Estimating Glomerular Filtration Rate in the Brazilian Population. Int J Nephrol, 2020;2020:2141038 — 100 pacientes brasileiros (61% afro-brasileiros) com TFG medida por ⁵¹Cr-EDTA na Universidade Federal Fluminense: P30 de 83,0% para a equação creatinina + cistatina C sem ajuste racial contra 79,0% para a creatinina isolada; no subgrupo afro-brasileiro, o ajuste racial reduziu o P30 de 75,4% para 67,2%. PubMed · DOI

  7. Escott GM, Zingano CP, Ferlin E, et al. Is race adjustment necessary to estimate glomerular filtration rate in South Brazilians? J Nephrol, 2024;37(9):2635-2645 — 306 brancos e 48 negros com TFG medida por ⁵¹Cr-EDTA no Hospital de Clínicas de Porto Alegre; nenhuma equação atingiu P30 de 90% e os autores não recomendam substituir a CKD-EPI 2009 pela 2021 na população brasileira. O estudo avaliou apenas equações baseadas em creatinina. PubMed · DOI

  8. Sociedade Brasileira de Nefrologia — Calculadoras Nefrológicas: entre as calculadoras publicadas pela SBN está a "CKD-EPI – 2021 – Creatinina + Cistatina C" (consultado em 04/09/2026). sbn.org.br 2

  9. Errata: Estimated glomerular filtration rate in clinical practice: consensus positioning of the Brazilian Society of Nephrology (SBN) and Brazilian Society of Clinical Pathology and Laboratory Medicine (SBPC/ML). J Bras Nefrol, 2025;47(2):e20230193er — correção do sinal de um expoente da CKD-EPI 2021 publicada no consenso de 2024. PubMed · DOI

  10. Kirsztajn GM, Samaan F, Calice-Silva V, Pecoits-Filho R. Critical analysis of the estimated glomerular filtration rate. J Bras Nefrol, 2025;47(4):e20250107 — análise crítica brasileira: ganho de exatidão da combinação creatinina + cistatina C, influência da inflamação e da disfunção tireoidiana sobre a cistatina C, e necessidade de validação e de avaliação de custo-efetividade antes da adoção ampla. PubMed · DOI 2

  11. Gkiourtzis N, Stoimeni A, Michou P, et al. The role of cystatin C in kidney injury in children and adolescents with type 1 diabetes mellitus: a systematic review. J Bras Nefrol, 2025;47(4):e20240236 — revisão sistemática publicada no periódico da SBN, com 11 estudos e 2.199 participantes; a metanálise não encontrou diferença estatisticamente significativa nos níveis séricos de cistatina C entre pacientes com diabetes tipo 1 e controles. PubMed · DOI

  12. Inker LA, Eneanya ND, Coresh J, et al. New Creatinine- and Cystatin C-Based Equations to Estimate GFR without Race. N Engl J Med, 2021;385(19):1737-1749 — derivação das equações CKD-EPI 2021, com e sem cistatina C, sem coeficiente racial. PubMed · DOI

Aviso médico. Este guia tem finalidade informativa e educativa; não constitui aconselhamento médico e não substitui uma consulta. Os valores de referência variam conforme o laboratório e a técnica: só o seu médico pode interpretar os seus resultados no seu contexto.