Hemoglobina glicada: valores de referência e HbA1c alta
Hemoglobina glicada (HbA1c): normal abaixo de 5,7% e diabetes a partir de 6,5%, a tabela de glicemia média estimada e o que falseia o exame no Brasil.
A hemoglobina glicada — também escrita hemoglobina glicosilada, abreviada HbA1c — mede a fração da sua hemoglobina que ficou ligada à glicose. Como a hemácia vive de 90 a 120 dias, o exame é uma memória do açúcar dos últimos meses, não a fotografia de um instante. É o que o Brasil usa para diagnosticar e acompanhar o diabetes, e não exige jejum. Aqui estão os valores da Sociedade Brasileira de Diabetes (SBD) e do Ministério da Saúde, a correspondência com a glicemia média, e um ponto que quase ninguém explica: por que uma variante de hemoglobina ou uma anemia pode tornar o seu resultado enganoso.
Em resumo
- Critérios brasileiros: normal abaixo de 5,7%, pré-diabetes de 5,7% a 6,4%, diabetes a partir de 6,5% — e o Ministério da Saúde adota exatamente a tabela da SBD.12
- O laudo brasileiro sai em porcentagem (%); o
mmol/molda IFCC quase não aparece nos documentos nacionais.13 - A1c perto de 7% ≈ glicemia média de 154 mg/dL (faixa de 122 a 184 mg/dL).45
- Variantes de hemoglobina, talassemias e anemias podem falsear o exame — e isso pesa aqui: a SBPC/ML estima 6 milhões de portadores do traço falcêmico e 4% da população com alfa-talassemia.3 Um valor inesperadamente baixo é o sinal de alarme.6
- No SUS é coberto (SIGTAP 02.02.01.050-3), mas o teste de ponta de dedo não foi incorporado.782
O que é a hemoglobina glicada
A hemoglobina é a proteína das hemácias que transporta oxigênio. Quando a glicose circula, parte dela se liga de forma estável e irreversível à valina N-terminal da cadeia beta — é a glicação, proporcional à glicose no sangue.3
Como a hemácia sobrevive de 90 a 120 dias, o valor é uma média ponderada: pela SBD, cerca de 50% da HbA1c vem do mês que precedeu a coleta, 25% do mês anterior e 25% do terceiro e quarto meses.4 Por isso uma semana de excessos quase não muda o número — e uma melhora real leva dois a três meses para aparecer.
A dosagem foi padronizada pela cromatografia líquida de alta eficiência (CLAE/HPLC), com certificação do NGSP, que ancora os resultados no estudo DCCT — é ela que dá sentido aos pontos de corte.13
Para que serve o exame
O médico pode pedir a hemoglobina glicada para rastrear e diagnosticar diabetes tipo 2 e pré-diabetes, acompanhar um diabetes conhecido, avaliar uma mudança de hábitos ou de tratamento e estimar o risco de complicações.12
A SBD recomenda a glicemia de jejum e/ou a HbA1c como primeiros testes de rastreamento, conforme a disponibilidade local. Mas há um limite: frente ao teste de tolerância à glicose, a HbA1c a partir de 6,5% tem especificidade alta (97% a 99%) e sensibilidade baixa (cerca de 50%) — confirma bem, deixa escapar casos. Daí a SBD tratar os dois exames como complementares.1
Precisa estar em jejum?
Não. A HbA1c sofre pouca influência de variações alimentares, estresse e doenças agudas, e não exige preparo.2 Se o laboratório pediu jejum, é porque a glicemia de jejum foi colhida na mesma amostra — a SBD recomenda essa medida simultânea, em jejum de 8 a 12 horas.1
Detalhe pré-analítico: a HbA1c é feita em sangue total, e a hemólise da amostra não interfere — ao contrário da haptoglobina e de boa parte do hemograma completo.3
Valores de referência no Brasil
Os critérios abaixo valem para adultos a partir de 18 anos e são idênticos nos dois documentos que mandam no país: o Ministério da Saúde declara que sua tabela vem das recomendações da SBD.12
| Situação | HbA1c |
|---|---|
| Normal | abaixo de 5,7% |
| Pré-diabetes | 5,7% a 6,4% |
| Diabetes | 6,5% ou mais |
Para métodos certificados pelo NGSP, a SBD descreve a faixa de normalidade como 4% a 5,7%.4 Se só um exame vier alterado, ele deve ser repetido; glicemia de jejum acima de 126 mg/dL e HbA1c acima de 6,5% na mesma amostra já fecham o diagnóstico.1 Compare sempre com a faixa impressa no seu laudo.
Metas de tratamento: onde as duas autoridades divergem
Quem já tem diabetes não busca o valor "normal", e sim uma meta individualizada. E aqui há uma divergência brasileira real, que preferimos mostrar a arbitrar:
| Situação | SBD (Ed. 2026)4 | Ministério da Saúde (PCDT 2026)2 |
|---|---|---|
| Adulto com diabetes | abaixo de 7,0% | abaixo de 7,0% |
| Idoso saudável | abaixo de 7,5% | abaixo de 7,5% |
| Idoso comprometido | abaixo de 8,5% | abaixo de 8,0% |
| Idoso muito comprometido | sem meta definida | evitar sintomas |
| Criança e adolescente | abaixo de 7,0% | abaixo de 7,0% |
A meta é definida com o seu médico: a SBD frisa que o alvo abaixo de 7,0% só vale enquanto não custar hipoglicemias graves.4
Hemoglobina glicada e glicemia média estimada (GME)
A GME — que laboratórios brasileiros listam como sinônimo do exame — traduz a porcentagem em mg/dL.9 A tabela publicada pela SBD, do estudo ADAG:45
| HbA1c | Glicemia média estimada (IC 95%) |
|---|---|
| 6% | 126 mg/dL (100–152) |
| 7% | 154 mg/dL (123–185) |
| 8% | 183 mg/dL (147–217) |
| 9% | 212 mg/dL (170–249) |
| 10% | 240 mg/dL (193–282) |
Cada ponto a mais equivale a cerca de 29 mg/dL de glicemia média. Repare na largura do intervalo: duas pessoas com A1c de 7% podem ter médias reais entre 123 e 185 mg/dL.4
Como interpretar o seu resultado
HbA1c alta
Uma hemoglobina glicada alta indica glicemia elevada em média nos últimos meses. Acima de 6,5% aponta diabetes (a confirmar); entre 5,7% e 6,4%, pré-diabetes — quando mudanças de hábito ainda podem evitar a progressão. Quanto mais alta e duradoura, maior o risco de complicações nos olhos, rins, nervos e coração.
"HbA1c alta com glicemia de jejum normal" é frequente e não é contradição: os picos após as refeições entram na média de três meses que a glicemia de jejum não vê. A concordância entre os dois exames para o diagnóstico fica entre 29% e 39% nos estudos populacionais, inclusive no Brasil.1
HbA1c baixa — ou simplesmente enganosa
Um valor baixo pode significar bom controle — ou que o exame não está medindo o que você pensa. SBD e Ministério da Saúde listam as situações em que a correspondência entre HbA1c e glicemia real se quebra:12
- variantes de hemoglobina e hemoglobinopatias;
- anemias (agudas, hemolíticas, ferropriva) e transfusões recentes;
- deficiência de G6PD — citada pelo Ministério da Saúde, não pela SBD;
- gestação (2º e 3º trimestres) e puerpério;
- doença renal crônica e hemodiálise;
- uso de alfaepoetina e de antirretrovirais.
Nesses casos, o controle é confirmado por outra via: glicemias, sensores ou marcadores alternativos.
Variantes de hemoglobina e anemia: o ponto brasileiro
A SBPC/ML estima 6 milhões de portadores do traço falcêmico, pelo menos 40 mil doentes, e alfa-talassemias hereditárias em pelo menos 4% da população brasileira.3 Curiosamente, a Diretriz da SBD nunca escreve "falciforme" nem "falcêmico" — zero ocorrência nos 60 capítulos que conseguimos abrir: ela fala de "hemoglobinopatias" e "variantes de hemoglobina" de forma genérica.10
Existem duas interferências diferentes, e confundi-las gera erro.
1. Interferência analítica (do método). As variantes mais comuns, HbS e HbC, costumam se separar bem nos cromatogramas e não atrapalham a dosagem.3 Mas depende do aparelho: um estudo com 15 métodos achou efeito significativo de ao menos uma variante em todos eles, e efeito clinicamente relevante em três — incluindo um analisador point-of-care, afetado pelos traços HbAE e HbAS.11 Na homozigose ou dupla heterozigose, a HbA1c nem pode ser dosada, por falta de HbA.3
2. Interferência fisiológica (da hemácia). Mesmo com método impecável, uma vida útil encurtada muda o resultado. Num estudo com 4.620 afro-americanos, os portadores de traço falciforme tinham HbA1c 0,29 ponto percentual mais baixa para a mesma glicemia de jejum, e a prevalência de diabetes definida pela A1c caía de 7,3% para 3,8%.12 Mas as fontes não concordam. Uma metanálise da UFRGS reuniu 11.176 pessoas sem diabetes e não achou diferença significativa ligada à HbS com métodos padronizados (−0,13%; IC 95% −0,51 a 0,26): o efeito ficaria "dentro da variação individual esperada".13 O desacordo é real — e nenhuma leitura dispensa avisar o laboratório sobre uma hemoglobinopatia conhecida.
O mesmo vale para a série vermelha inteira, e os sentidos diferem. A SBPC/ML resume: talassemia beta e antirretrovirais abaixam a A1c; deficiência de ferro, deficiência de B12 e hipertireoidismo a elevam.3 Uma revisão sistemática sustenta que a carência de ferro eleva falsamente a HbA1c sem que a glicose suba junto;14 a metanálise brasileira acha esse efeito inconclusivo — a diferença medida (0,79%) não foi significativa.13 Leia a HbA1c ao lado da sua hemoglobina, do VCM e dos reticulócitos.
Na prática: desconfie de um valor baixo demais. Um estudo do Hospital de Clínicas de Porto Alegre revisou 29.657 amostras e isolou 130 pacientes com glico-hemoglobina abaixo da faixa. Em 73 (56%) havia uma variante em heterozigose — HbS, HbC ou HbD; nos outros 57, a causa era sobretudo hematócrito e hemoglobina baixos.6 Dois ensinamentos: a anemia também empurra a A1c para baixo, e a cor da pele não é o genótipo — desses 73 portadores brasileiros, 52 eram brancos. A pergunta certa é se o número faz sentido com as suas glicemias.
E quando o exame não serve? A SBPC/ML orienta recorrer a proteínas plasmáticas glicadas ou à glicemia de jejum.3 A frutosamina aparece na Diretriz da SBD em só dois capítulos, com ressalva explícita: os ensaios não são padronizados, o que impede fixar um ponto de corte. A albumina glicada, que reflete duas a quatro semanas, é discutida no capítulo de doença renal, com limites próprios.10 Nenhuma é hoje conduta padronizada no Brasil: a decisão é do médico.
Fatores de influência
Dois pontos além das interferências acima. O tabagismo eleva a HbA1c mesmo em quem tem tolerância normal à glicose, diz o PCDT do Ministério da Saúde.2 E a HbA1c não enxerga a variabilidade glicêmica: quem oscila muito pode ter o mesmo valor de quem é estável — daí a SBD recomendar combiná-la com glicemias capilares ou sensores.4
O exame no SUS
O SUS cobre o exame sob o nome antigo — "Dosagem de hemoglobina glicosilada", código SIGTAP 02.02.01.050-3 —, pela Média e Alta Complexidade, a R$ 7,86 por procedimento na competência de agosto de 2026.7 O Ministério da Saúde ainda o transformou em indicador da Atenção Primária: ao menos um registro de HbA1c solicitada ou avaliada nos últimos 12 meses vale 15 dos 100 pontos da boa prática do cuidado ao diabetes.15
A frequência ideal diverge: a SBD recomenda a cada 3 meses para quem não atingiu a meta e no máximo a cada 6 meses para quem está estável;10 o PCDT indica "ao diagnóstico e a cada 6 meses";2 e o indicador da Atenção Primária se contenta com um registro por ano.15
E o teste de ponta de dedo? O point-of-care de HbA1c não foi incorporado ao SUS: a recomendação preliminar da Conitec, na 114ª Reunião Ordinária de 9 de novembro de 2022, foi desfavorável por elevado custo e impacto orçamentário, e o PCDT vigente registra a não incorporação.82
Avanços recentes da pesquisa
Segundo publicações indexadas no PubMed:
- A interferência depende do aparelho, não só da variante. Na avaliação de 15 métodos, nenhum ficou totalmente imune, e os efeitos clinicamente relevantes se concentraram em poucos equipamentos.11
- O peso do traço falciforme segue em debate. A metanálise brasileira com 11.176 pessoas sem diabetes não confirmou, com métodos padronizados, a queda de HbA1c descrita em coortes norte-americanas.1312
- Glicemia supera HbA1c no estadiamento do pré-diabetes. Na coorte ELSA-Brasil, esquemas com glicemia de jejum e de 1 hora previram melhor o diabetes.16
Estes resultados dizem respeito ao diagnóstico e ao acompanhamento; não autorizam automedicação nem substituem seu médico.
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Uma HbA1c nunca se lê sozinha: depende das suas glicemias, da sua hemoglobina, do seu hemograma completo, dos seus medicamentos e do seu contexto.
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Perguntas frequentes
Qual é o valor normal da hemoglobina glicada? Abaixo de 5,7%. Entre 5,7% e 6,4% é pré-diabetes; 6,5% ou mais (confirmado) é diabetes — critérios da SBD, adotados pelo Ministério da Saúde.12
Hemoglobina glicada e hemoglobina glicosilada são a mesma coisa? Sim. "Glicosilada" é a forma antiga, ainda usada na tabela do SUS; "glicada" é a das diretrizes atuais.71
Qual a glicemia média correspondente à minha A1c? 6% ≈ 126 mg/dL, 7% ≈ 154 mg/dL, 8% ≈ 183 mg/dL. Cada ponto a mais equivale a cerca de 29 mg/dL de média.45
Dá para ter HbA1c alta com glicemia de jejum normal? Dá, e é comum: os picos depois das refeições entram na média de três meses que a HbA1c mede, e a glicemia de jejum não os vê.1
Precisa de jejum para o exame? Não. Se pediram jejum, foi para os exames colhidos junto — tipicamente a glicemia de jejum.12
Tenho traço falciforme ou talassemia. O exame vale? Na maioria dos casos sim, com leitura cuidadosa: as fontes divergem sobre o tamanho do efeito e algumas variantes interferem em certos aparelhos. Avise médico e laboratório.1213311
O resultado vem em % ou em mmol/mol?
No Brasil, em porcentagem. O mmol/mol da IFCC (48 mmol/mol = 6,5%) aparece em textos de medicina laboratorial, mas não nas tabelas diagnósticas da SBD nem do Ministério da Saúde.312
Como baixar a hemoglobina glicada? Melhorando o controle glicêmico ao longo do tempo: alimentação, atividade física, perda de peso quando indicada e tratamento ajustado pelo médico. Conte 2 a 3 meses para o número se mover.
Para lembrar
A hemoglobina glicada é a memória do seu açúcar nos últimos 2 a 3 meses, dosada sem jejum. Guarde os cortes brasileiros (abaixo de 5,7% normal, 6,5% diabetes), a meta habitual abaixo de 7,0% mas individualizada, e a correspondência (7% ≈ 154 mg/dL). E o alerta que importa neste país: anemias, talassemias e variantes de hemoglobina podem falsear o resultado, para mais ou para menos. Nenhum valor isolado fecha nada — conta o conjunto, o que a AI DiagMe ajuda a organizar, em complemento ao seu médico.
Fontes
Fontes institucionais brasileiras e publicações científicas (PubMed) utilizadas neste guia:
Footnotes
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Sociedade Brasileira de Diabetes (SBD) — Diagnóstico de diabetes mellitus, Diretriz da Sociedade Brasileira de Diabetes, Ed. 2026. Tabela 1 (critérios laboratoriais: HbA1c normal abaixo de 5,7%, pré-diabetes 5,7–6,4%, DM ≥ 6,5%), recomendações R1, R3 e R7, Tabela 2 (medida simultânea de glicemia e HbA1c em jejum de 8 a 12 horas), Quadro 3 (situações propensas a incongruências na HbA1c: variantes de hemoglobina, hemoglobinopatias, gestação e puerpério, anemias, transfusões, antirretrovirais, insuficiência renal crônica, eritropoetina recombinante) e Nota importante 2 (padronização por CLAE/HPLC com certificação NGSP). Sensibilidade de 47–67% e especificidade de 98–99% da HbA1c ≥ 6,5% frente ao TTGO-2h; concordância de 29–39% entre glicemia de jejum e HbA1c em revisão de 117 estudos de base populacional. diretriz.diabetes.org.br ↩ ↩2 ↩3 ↩4 ↩5 ↩6 ↩7 ↩8 ↩9 ↩10 ↩11 ↩12 ↩13 ↩14 ↩15
-
Ministério da Saúde / Conitec — Protocolo Clínico e Diretrizes Terapêuticas do Diabete Melito Tipo 2, anexo da Portaria SCTIE/MS nº 13, de 21 de fevereiro de 2026 (art. 3º revoga a Portaria SECTICS/MS nº 7/2024). Quadro 3 (situações suscetíveis à alteração da correspondência entre HbA1c e glicemia, incluindo deficiência de glicose-6-fosfato desidrogenase e hemodiálise), Quadro 4 (critérios diagnósticos, "elaboração própria com base nas recomendações da Sociedade Brasileira de Diabetes"), Quadro 6 (metas), Quadro 16 (periodicidade: glicemia de jejum e hemoglobina glicada ao diagnóstico e a cada 6 meses), efeito do tabagismo sobre a HbA1c e Apêndice 2 (point-of-care testing de hemoglobina glicada na coluna "Não incorporação ou não alteração no SUS", Portaria SECTICS/MS nº 45/2023, Relatório de Recomendação nº 834/2023). ⚠️ A versão servida pela Conitec sob
midias/protocolos/PCDTDM2.pdfainda é a de 2024. PDF vigente, gov.br/saude ↩ ↩2 ↩3 ↩4 ↩5 ↩6 ↩7 ↩8 ↩9 ↩10 ↩11 ↩12 ↩13 -
Sociedade Brasileira de Patologia Clínica/Medicina Laboratorial (SBPC/ML) — Recomendações da SBPC/ML: boas práticas em laboratório clínico. Barueri: Manole, 2020. Capítulo 49, "A interferência das variantes de hemoglobina e das talassemias na dosagem de hemoglobina glicada" (Ferraz Júnior e Novais Pinto, p. 353-358): metodologias, equivalência IFCC (6,5% = 48 mmol/mol), impossibilidade de dosar a HbA1c na homozigose ou dupla heterozigose, HbS e HbC geralmente bem separadas, e a Tabela 1 com o sentido do efeito (talassemia beta e antirretrovirais diminuem a A1c; deficiência de ferro, deficiência de B12 e hipertireoidismo a elevam). Capítulo sobre hemoglobinopatias (p. 283): estimativa de 6 milhões de portadores do traço falcêmico, pelo menos 40 mil doentes, e alfa-talassemias hereditárias em pelo menos 4% da população brasileira. Capítulo pré-analítico: a hemólise da amostra não exerce influência sobre a hemoglobina glicada, feita em sangue total. PDF ↩ ↩2 ↩3 ↩4 ↩5 ↩6 ↩7 ↩8 ↩9 ↩10 ↩11 ↩12
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Sociedade Brasileira de Diabetes (SBD) — Metas de controle glicêmico, Diretriz da Sociedade Brasileira de Diabetes, Ed. 2026. Tabela 1 (metas de HbA1c: adultos abaixo de 7,0%; idoso saudável abaixo de 7,5%; idoso comprometido abaixo de 8,5%; idoso muito comprometido sem meta; criança e adolescente abaixo de 7,0%), Tabela 3 (relação entre HbA1c e glicemia média estimada, com intervalos de confiança de 95%), recomendações R1 a R5, faixa de normalidade de 4 a 5,7% para métodos certificados pelo NGSP, e a repartição da HbA1c (50% do mês anterior à coleta, 25% do mês precedente, 25% do terceiro e quarto meses). diretriz.diabetes.org.br ↩ ↩2 ↩3 ↩4 ↩5 ↩6 ↩7 ↩8 ↩9
-
Nathan DM, Kuenen J, Borg R, et al. Translating the A1C assay into estimated average glucose values. Diabetes Care, 2008. PubMed · DOI ↩ ↩2 ↩3
-
Camargo JL, Gross JL. Conditions associated with very low values of glycohaemoglobin measured by an HPLC method. J Clin Pathol, 2004 (Hospital de Clínicas de Porto Alegre — 29.657 amostras analisadas entre agosto de 1996 e dezembro de 2001). PubMed · DOI ↩ ↩2
-
Ministério da Saúde / DATASUS — SIGTAP, Sistema de Gerenciamento da Tabela de Procedimentos, Medicamentos e OPM do SUS, tabela unificada da competência 08/2026. Procedimento 0202010503 – "Dosagem de hemoglobina glicosilada": complexidade média, financiamento 06 (Média e Alta Complexidade), valor de serviço ambulatorial de R$ 7,86, modalidades ambulatorial, hospitalar e hospital-dia. Leitura feita no arquivo
tb_procedimento.txtda tabela oficial. sigtap.datasus.gov.br ↩ ↩2 ↩3 -
Conitec / Ministério da Saúde — Point-of-care testing de hemoglobina glicada para pacientes diabéticos, relatório para Consulta Pública nº 79/2022, elaborado pelo Núcleo de Avaliação de Tecnologias em Saúde do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto (USP), novembro de 2022: "o Plenário da Conitec, em sua 114ª Reunião Ordinária, realizada no dia 09 de novembro de 2022, deliberou que a matéria fosse disponibilizada em Consulta Pública com recomendação preliminar desfavorável à incorporação… sendo considerado de elevado custo e impacto orçamentário". gov.br/conitec ↩ ↩2
-
Observação de mercado — catálogo de exames da Rede D'Or São Luiz, verbete "Hemoglobina Glicada": sinônimos listados incluem A1c, Hba1c, Glicohemoglobina e Glicemia Média Estimada; coleta de sangue venoso; "geralmente, o exame não exige jejum ou preparo especial". Fonte comercial, citada apenas como prática de mercado. rededorsaoluiz.com.br ↩
-
Sociedade Brasileira de Diabetes (SBD) — Manejo do DM2, Manejo da hiperglicemia hospitalar em pacientes não críticos e Manejo da hiperglicemia no paciente com doença renal do diabetes em diálise, Diretriz da Sociedade Brasileira de Diabetes, Ed. 2026. Frequência de dosagem ("medir a HbA1c a cada 3 meses em pessoas que não atingiram o alvo… e, no máximo a cada 6 meses, em indivíduos assintomáticos e dentro da meta"); frutosamina como alternativa ("entretanto os ensaios não são padronizados, dificultando a estipulação de um valor de corte para diagnóstico"); albumina glicada refletindo um período de 2 a 4 semanas, com utilidade limitada pela hipoalbuminemia e albuminúria. Enumeração feita nos 60 capítulos da Diretriz que responderam com conteúdo: a frutosamina aparece em apenas 2 deles, e os termos "falciforme" e "falcêmico" em nenhum. Manejo do DM2 · Hiperglicemia hospitalar · Doença renal em diálise ↩ ↩2 ↩3
-
Rohlfing C, Hanson S, Estey MP, et al. Evaluation of interference from hemoglobin C, D, E and S traits on measurements of hemoglobin A1c by fifteen methods. Clin Chim Acta, 2021. PubMed · DOI ↩ ↩2 ↩3
-
Lacy ME, Wellenius GA, Sumner AE, et al. Association of Sickle Cell Trait With Hemoglobin A1c in African Americans. JAMA, 2017. PubMed · DOI ↩ ↩2 ↩3
-
Cavagnolli G, Pimentel AL, Freitas PAC, Gross JL, Camargo JL. Factors affecting A1C in non-diabetic individuals: Review and meta-analysis. Clin Chim Acta, 2015 (Universidade Federal do Rio Grande do Sul e Hospital de Clínicas de Porto Alegre — 10 estudos, 11.176 participantes sem diabetes). PubMed · DOI ↩ ↩2 ↩3 ↩4
-
English E, Idris I, Smith G, et al. The effect of anaemia and abnormalities of erythrocyte indices on HbA1c analysis: a systematic review. Diabetologia, 2015. PubMed · DOI ↩
-
Ministério da Saúde, Secretaria de Atenção Primária à Saúde — Nota Metodológica C4 – Cuidado da pessoa com diabetes, assinada em junho de 2026 (regras da Nota Técnica nº 30/2025-CGESCO/DESCO/SAPS/MS). Boa prática (E): "ter pelo menos 01 (um) registro de Hemoglobina Glicada, solicitada ou avaliada, nos últimos 12 meses", valendo 15 dos 100 pontos; Quadro 06 identifica o procedimento como SIGTAP 02.02.01.050-3 e ABEX008. gov.br/saude ↩ ↩2
-
Bracco PA, Schmidt MI, de Paula D, et al. Staging intermediate hyperglycaemia for type 2 diabetes prevention: the ELSA-Brasil study. Diabetologia, 2026. PubMed · DOI ↩