Cinética do ferro: ferritina, ferro sérico e saturação
O que a cinética do ferro mede, os cortes de ferritina da ABHH, por que a inflamação mascara a falta de ferro e quanto cada dosagem custa no SUS.
A cinética do ferro é o conjunto de exames que avalia o seu estoque de ferro. No pedido médico ela também aparece como perfil de ferro, metabolismo do ferro ou estudo do ferro — e, no laudo, como três ou quatro linhas: ferritina, ferro sérico, capacidade de ligação do ferro e saturação da transferrina. Este guia explica o que cada uma mede e por que um único número — a ferritina — pode enganar.
Em resumo
- A cinética do ferro reúne a ferritina, o ferro sérico, a transferrina com a capacidade de ligação do ferro, e a saturação da transferrina.1
- A ferritina é, segundo a ABHH, "o teste mais específico e que melhor reflete o estoque corporal de ferro".1
- Mas ela é uma proteína de fase aguda: a inflamação a eleva e pode mascarar uma falta de ferro real. Por isso os cortes mudam conforme o contexto.1
- Os números da ABHH: ferritina < 15 mcg/L é confirmatória; < 30 mcg/L é o corte mais usado (sensibilidade 92%, especificidade 98%); < 100 mcg/L vale em inflamação crônica, em idosos e no pós-operatório.1
- Entre 100 e 300 mcg/L com inflamação, a ferritina sozinha não decide: usa-se a saturação da transferrina < 20%.1
- A saturação não é um exame dosado: é uma conta (ferro sérico ÷ capacidade total de ligação do ferro). Ela não existe como procedimento na tabela do SUS.12
- Não existe um código de "cinética do ferro" no SUS. As dosagens são cobradas uma a uma: ferritina R$ 15,59, ferro sérico R$ 3,51, capacidade de fixação R$ 2,01, transferrina R$ 4,12.2
- O Brasil fortifica farinhas com ferro por lei (ANVISA, RDC nº 604/2022) e suplementa pelo SUS — mas uma avaliação publicada concluiu que o impacto do programa sobre a ingestão de ferro é pequeno.345
O que é a cinética do ferro — e por que o nome muda
O ferro do seu corpo não circula solto. Ele é transportado por uma proteína (a transferrina) e armazenado por outra (a ferritina). A cinética do ferro fotografa esses dois compartimentos ao mesmo tempo: quanto ferro está guardado e quanto está em trânsito.
O nome do conjunto varia conforme quem escreve. O laboratório brasileiro costuma imprimir cinética do ferro; a ABHH, no seu consenso, chama de estudo do ferro; o pedido médico pode dizer perfil de ferro ou metabolismo do ferro.1 São o mesmo agrupamento.
Uma divergência de vocabulário que vale conhecer. O quarto exame tem dois nomes oficiais no mesmo país. A ABHH e a maioria dos laboratórios escrevem capacidade total de ligação do ferro (CTLF); a tabela do SUS registra "determinação de capacidade de fixação do ferro" — fixação, não ligação.12 O exame é o mesmo. Procure "ligação" na tabela do SUS e não encontra nada; procure "fixação" no consenso da ABHH e também não.
Os quatro exames — e o quinto, que ninguém dosa
Ferritina
A ferritina é a proteína que armazena o ferro, e a que circula no sangue reflete, em condições normais, o tamanho da sua reserva. Por isso ela cai antes de tudo quando o ferro começa a faltar — muito antes de a hemoglobina baixar e de a anemia aparecer no hemograma completo.16 É o exame mais informativo do conjunto — e o mais caro no SUS, como você verá adiante.
Ferro sérico
O ferro sérico dosa o ferro que está circulando naquele instante, ligado à transferrina. Sozinho, ele diz pouco: oscila ao longo do dia, sobe depois de uma refeição rica em ferro ou de um comprimido de sulfato ferroso, e cai na inflamação. Ele existe sobretudo para entrar numa conta — a da saturação.
Transferrina e capacidade de ligação do ferro
A transferrina é o transportador. A capacidade total de ligação do ferro mede o mesmo por outro caminho: quanto ferro caberia em todos os transportadores. Quando falta ferro, o corpo fabrica mais transportadores — as duas sobem enquanto o ferro sérico desce, na direção contrária à do problema. Na prática o laboratório dosa uma das duas: são redundantes.
Saturação da transferrina: uma conta, não um exame
A saturação da transferrina é a proporção dos transportadores que estão efetivamente carregados. A ABHH descreve o cálculo de forma explícita: quando o laboratório não fornece o valor diretamente, ele "pode ser calculado pela relação do Fe sérico / capacidade total de ligação do ferro", ou ainda Fe sérico ÷ (capacidade latente de ligação + Fe sérico).1
Isso explica um detalhe que confunde muita gente: a saturação não aparece como procedimento em lugar nenhum da tabela do SUS. Se o seu laudo a traz, foi o software do laboratório que a calculou.
Em que ordem ler os resultados
A ordem importa mais do que os números isolados.
- Comece pela ferritina — o marcador que melhor reflete o estoque, e o primeiro a cair.1
- Pergunte se há inflamação. É o passo que mais se esquece, e o que mais muda a leitura.
- Se houver, chame a saturação da transferrina, que a inflamação não eleva como eleva a ferritina.1
- Leia junto com o hemograma — VCM, hematócrito, hemácias e reticulócitos dizem se já virou anemia e se a medula responde.
Os números que a ABHH usa
O consenso brasileiro de Patient Blood Management traz os cortes de decisão — que não são intervalos de referência, e sim limiares diagnósticos:1
| Situação | Corte |
|---|---|
| Ferritina confirmatória de deficiência de ferro | < 15 mcg/L |
| Ferritina — corte mais utilizado (sens. 92%, espec. 98%) | < 30 mcg/L |
| Ferritina em inflamação crônica, idosos, pós-operatório | < 100 mcg/L |
| Ferritina 100–300 mcg/L com inflamação | decidir pela saturação < 20% |
| Saturação da transferrina — uso comum | < 16% |
| Saturação da transferrina — na presença de inflamação | < 20% |
| Contraindicação a ferro endovenoso | ferritina > 300–500 ng/mL e saturação > 50% |
Duas observações honestas. mcg/L e ng/mL são a mesma unidade — o próprio consenso alterna entre as grafias. E esses cortes vêm de um documento voltado ao paciente cirúrgico; o intervalo de referência do seu laudo depende do método do laboratório e pode ser outro. Para converter unidades, use o conversor.
A armadilha da inflamação
Este é o ponto central da página. A ferritina é uma proteína de fase aguda: qualquer inflamação — infecção, doença reumatológica, doença renal crônica, câncer, cirurgia recente, doença do fígado vista no hepatograma — a faz subir, independentemente do seu estoque.
A consequência é contraintuitiva: uma ferritina "normal" pode esconder uma falta de ferro real. A ABHH escreve que "a presença de inflamação faz com que a ferritina aumente (proteína de fase aguda) interferindo na avaliação" da deficiência, e que por isso níveis < 100 mcg/L são aceitos para diagnosticar deficiência em condições inflamatórias crônicas.1
O consenso desenha então duas situações distintas, que não se tratam igual:1
- Deficiência absoluta de ferro — ferritina < 30 mcg/L: falta ferro, ponto final.
- Anemia da inflamação com deficiência de ferro — ferritina < 100 mcg/L, ou entre 100 e 300 mcg/L com saturação < 20%: há ferro no corpo, mas a inflamação o prende e o organismo não consegue usá-lo.
O mecanismo tem nome: a inflamação estimula a hepcidina, que inibe a absorção intestinal de ferro. É a razão pela qual, nesse cenário, o consenso recomenda preferencialmente o ferro endovenoso — o comprimido simplesmente não é absorvido.1
Na prática: uma cinética do ferro colhida durante uma infecção, ou logo depois de uma cirurgia, é difícil de interpretar. O consenso é explícito: "o diagnóstico de deficiência de ferro no pós-operatório é mais difícil, porque os níveis de ferritina podem estar elevados como parte da resposta inflamatória da fase aguda após a cirurgia".1
Quando a ABHH manda pedir o estudo do ferro. No pré-operatório, o consenso define um mínimo: todo protocolo deve incluir "no mínimo, hemograma e estudo do ferro (ferritina e saturação da transferrina)" para pacientes que serão submetidos a cirurgias com risco de transfusão > 10% e/ou perda estimada > 500 ml.1
O outro lado: a sobrecarga de ferro
Ferro a mais também adoece. A hemocromatose hereditária é a causa genética clássica, e a suspeita nasce de uma saturação da transferrina alta com ferritina elevada.
Mas no Brasil há um segundo caminho, mais frequente e menos lembrado: a sobrecarga transfusional. Cada bolsa de sangue traz ferro, e o corpo não tem como excretá-lo. Quem recebe transfusões repetidas — sobretudo na doença falciforme e nas talassemias, frequentes no país — acumula ferro ao longo dos anos.
Os números brasileiros são eloquentes. Numa coorte de 2 794 pacientes com doença falciforme em seis centros brasileiros, a sobrecarga de ferro apareceu em 65,6% dos tratados com terapia transfusional crônica, contra 17,0% dos controles.7 Como lembra o guia da hemoglobina, o país tem cerca de 6 milhões de portadores do traço falcêmico e pelo menos 4% da população com alfa-talassemias.8
A forma mais grave, o depósito de ferro no coração, é rara: uma revisão sistemática conduzida por autores brasileiros estimou a prevalência de sobrecarga miocárdica em 3% ou menos dos pacientes com doença falciforme cronicamente transfundidos, associada a alta carga transfusional e à baixa adesão à quelação.9
O SUS acompanha esse cenário na sua tabela: existem procedimentos para os três quelantes de ferro — desferroxamina injetável, deferiprona e deferasirox — e para a sangria terapêutica (R$ 4,69), o tratamento da sobrecarga não transfusional.2
O ferro como política pública brasileira
O Brasil trata a falta de ferro como problema de saúde pública, e não apenas como um exame de laboratório. São duas frentes:
- Fortificação obrigatória. A RDC nº 604/2022 da ANVISA mantém o enriquecimento obrigatório das farinhas de trigo e de milho com ferro e ácido fólico (e do sal com iodo), com relatórios periódicos de monitoramento.3
- Suplementação pelo SUS. O Programa Nacional de Suplementação de Ferro é universal — todos os municípios participam — e distribui sulfato ferroso preventivo a crianças e ferro com ácido fólico a gestantes.4 A própria dispensação tem código no SUS.2
O que a avaliação encontrou — e que raramente se diz. Uma avaliação da efetividade do programa de fortificação de farinhas, publicada em Public Health Nutrition, concluiu que o impacto do consumo de produtos fortificados é pequeno em relação à ingestão de ferro no Brasil, e que a quantidade de farinha efetivamente consumida não justifica as faixas atuais de fortificação obrigatória nem a forma de ferro usada (ferro eletrolítico, de baixa absorção).5 A política existe; a sua eficácia sobre o ferro é objeto de crítica publicada. É honesto apresentar as duas coisas juntas.
E o dado nacional de deficiência de ferro? A resposta é parcialmente uma ausência. O ENANI-2019, inquérito domiciliar da UFRJ, colheu sangue por venopunção de 8 829 crianças de 6 a 59 meses e mediu, segundo o seu artigo metodológico, os biomarcadores de "ferro (hemoglobina e ferritina)", zinco, selênio, ácido fólico e vitaminas A, B1, B6, B12, D e E — com a proteína C reativa como marcador de inflamação.10 Ou seja: o Brasil fez, em escala nacional, o que a ABHH recomenda no consultório — mediu a ferritina junto com um marcador de inflamação.
Os resultados publicados, porém, saíram para a anemia (7,1% das crianças de 6 a 59 meses), a vitamina A, o zinco, a vitamina D e o complexo B.1112 A prevalência nacional de deficiência de ferro medida pela ferritina ainda não aparece na literatura indexada do inquérito. O dado foi colhido; a publicação sobre ele está por vir.
Quanto custa no SUS
A tabela de procedimentos do SUS (competência agosto de 2026) responde de forma inequívoca a uma pergunta comum: não existe um procedimento chamado "cinética do ferro", nem "perfil de ferro", nem "metabolismo do ferro". Não há código de painel. Cada dosagem é cobrada separadamente:2
| Procedimento na tabela do SUS | Código | Valor |
|---|---|---|
| Dosagem de ferritina | 0202010384 | R$ 15,59 |
| Dosagem de transferrina | 0202010660 | R$ 4,12 |
| Dosagem de ferro sérico | 0202010392 | R$ 3,51 |
| Determinação de capacidade de fixação do ferro | 0202010023 | R$ 2,01 |
| (referência) Hemograma completo | 0202020380 | R$ 4,11 |
Três leituras. A combinação mais habitual — ferritina + ferro sérico + capacidade de fixação — soma R$ 21,11. A ferritina sozinha custa mais do que os outros três juntos (R$ 15,59 contra R$ 9,64). E a saturação da transferrina não tem código nenhum, porque não é dosada, é calculada.
Esses valores são o que o SUS repassa ao laboratório; para você, o exame pelo SUS é gratuito. No privado a lógica é outra — o guia quanto custa um exame de sangue detalha.
Preparo e fatores que influenciam o resultado
- Jejum e horário — o ferro sérico varia ao longo do dia; siga a orientação do laboratório para o conjunto do pedido.
- Suplementos de ferro — um comprimido recente eleva o ferro sérico e distorce a saturação. Avise o médico se está tomando.
- Inflamação e infecção — elevam a ferritina e abaixam o ferro sérico. O fator mais importante desta lista.
- Cirurgia recente — a ferritina sobe pela resposta de fase aguda.1
- Transfusão recente — introduz ferro exógeno.
- Doença do fígado — o fígado armazena ferritina; a lesão hepatocelular a libera.
- Gestação — as necessidades de ferro aumentam muito, e o pré-natal segue critérios próprios.
- Método do laboratório — explica boa parte das diferenças entre dois laudos.
Quando procurar um médico
Converse com seu médico se a ferritina ou a saturação estiverem fora do intervalo do seu laudo — sobretudo com cansaço, palidez, falta de ar, queda de cabelo ou pernas inquietas. Uma ferritina baixa leva à procura da causa da perda, não apenas à reposição: em homens e em mulheres na pós-menopausa, uma deficiência sem explicação precisa ser investigada. Uma saturação alta com ferritina alta também merece explicação, sobretudo com história familiar ou transfusões repetidas.
Não se suplementa ferro "no escuro": quem tem ferro normal não precisa de ferro, e o excesso não é inofensivo. A conduta é do seu médico.
Avanços recentes
Com base em publicações indexadas no PubMed:
- A ferritina antes da anemia. Uma revisão de referência lembra que a deficiência absoluta de ferro progride de estoques baixos até a anemia ferropriva, e que sintomas como fadiga, dificuldade de concentração, síndrome das pernas inquietas (32–50%) e pica podem aparecer antes de a hemoglobina cair.6 Os percentuais de prevalência citados vêm majoritariamente de países de alta renda — é uma fonte internacional, usada aqui na falta de equivalente brasileiro.
- Ferro oral primeiro, com exceções. A mesma revisão mantém o ferro oral como tratamento inicial, reservando o endovenoso para intolerância, má absorção, inflamação crônica ou gestação avançada.6 O consenso da ABHH converge, acrescentando o argumento da hepcidina na inflamação.1
- Sobrecarga transfusional bem documentada no Brasil. A coorte multicêntrica brasileira quantificou a sobrecarga de ferro na terapia transfusional crônica da doença falciforme.7
Estes resultados dizem respeito ao diagnóstico e ao manejo; não substituem a avaliação do seu médico.
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A ferritina nunca se lê sozinha: o seu sentido depende da saturação da transferrina, do seu hemograma, da presença de inflamação e do seu contexto.
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Perguntas frequentes
O que é a cinética do ferro? É o conjunto de exames que avalia o seu estoque de ferro: ferritina, ferro sérico, transferrina ou capacidade de ligação do ferro, e a saturação da transferrina. Também aparece como perfil de ferro, metabolismo do ferro ou estudo do ferro.
Qual o valor normal da ferritina? Depende do contexto, e é aí que está a armadilha. A ABHH considera < 15 mcg/L confirmatória de deficiência e < 30 mcg/L o corte mais usado — mas em inflamação crônica, em idosos ou no pós-operatório o corte sobe para < 100 mcg/L. Vale o intervalo do seu laudo, lido pelo seu médico.
Ferritina normal exclui falta de ferro? Não necessariamente. A ferritina é uma proteína de fase aguda: uma inflamação pode elevá-la e mascarar uma deficiência real. É por isso que, entre 100 e 300 mcg/L com inflamação, a ABHH recomenda decidir pela saturação da transferrina < 20%.
Preciso de jejum para a cinética do ferro? Não há uma regra única. O ferro sérico oscila ao longo do dia e sobe após um comprimido de ferro, então siga a orientação do seu laboratório — e avise se está tomando suplemento.
Por que a saturação da transferrina não aparece na lista de exames do SUS? Porque ela não é dosada: é calculada a partir do ferro sérico e da capacidade total de ligação do ferro. Por isso não existe procedimento com esse nome na tabela do SUS.
Qual a diferença entre transferrina e capacidade de ligação do ferro? Medem a mesma coisa por caminhos diferentes — o transportador, ou o espaço total disponível para o ferro. O laboratório costuma fazer uma das duas. Atenção ao vocabulário: o SUS chama de "capacidade de fixação do ferro".
Ferritina alta significa excesso de ferro? Nem sempre. Ela sobe também por inflamação, doença do fígado, consumo de álcool ou obesidade. O que aponta para uma verdadeira sobrecarga é a saturação da transferrina alta junto com a ferritina — e a investigação é do médico.
Quem recebe transfusões precisa vigiar o ferro? Sim. Cada bolsa traz ferro que o corpo não excreta. Numa coorte brasileira de doença falciforme, a sobrecarga apareceu em 65,6% dos pacientes em terapia transfusional crônica. O SUS cobre os quelantes de ferro.
Para lembrar
A cinética do ferro não se lê linha a linha. Três pontos. A ferritina é o melhor espelho do estoque e o primeiro marcador a cair — mas é uma proteína de fase aguda, e a inflamação pode fazê-la parecer normal quando o ferro falta: nesse caso a ABHH desloca o corte para < 100 mcg/L e chama a saturação da transferrina < 20%. A saturação não é um exame, é uma conta — e por isso não tem código no SUS, onde as dosagens são cobradas uma a uma, sem código de painel. E a sobrecarga tem no Brasil um endereço concreto: as transfusões repetidas da doença falciforme e das talassemias. Nenhum valor se lê sozinho: conta o conjunto dos seus marcadores e do seu contexto — o que o AI DiagMe oferece, como complemento à avaliação do seu médico.
Fontes
Fontes oficiais brasileiras e publicações científicas (PubMed) usadas neste guia:
Footnotes
-
Associação Brasileira de Hematologia, Hemoterapia e Terapia Celular (ABHH) — Consenso da ABHH sobre Patient Blood Management, 1ª edição, 2023 (cortes de ferritina < 15, < 30 e < 100 mcg/L; ferritina como proteína de fase aguda; saturação da transferrina < 16% e < 20%; cálculo da saturação; estudo do ferro no pré-operatório; hepcidina e ferro endovenoso). abhh.com.br ↩ ↩2 ↩3 ↩4 ↩5 ↩6 ↩7 ↩8 ↩9 ↩10 ↩11 ↩12 ↩13 ↩14 ↩15 ↩16 ↩17 ↩18 ↩19 ↩20
-
Ministério da Saúde / DATASUS — SIGTAP, Sistema de Gerenciamento da Tabela de Procedimentos, Medicamentos e OPM do SUS, tabela
tb_procedimento, competência 08/2026. Códigos e valores verificados por leitura direta da tabela: ferritina 0202010384 (R$ 15,59), transferrina 0202010660 (R$ 4,12), ferro sérico 0202010392 (R$ 3,51), capacidade de fixação do ferro 0202010023 (R$ 2,01), hemograma completo 0202020380 (R$ 4,11), sangria terapêutica 0306020041 (R$ 4,69), quelantes desferroxamina/deferiprona/deferasirox (grupo 060402), dispensação de suplemento de ferro 0101040113. Nenhum procedimento de painel ("cinética", "perfil" ou "metabolismo" do ferro) e nenhum procedimento de saturação da transferrina constam das 5 023 linhas da tabela. sigtap.datasus.gov.br ↩ ↩2 ↩3 ↩4 ↩5 ↩6 -
Agência Nacional de Vigilância Sanitária (ANVISA) — Fortificação das farinhas de trigo e milho com ferro e ácido fólico; Resolução RDC nº 604/2022, que dispõe sobre o enriquecimento obrigatório do sal com iodo e das farinhas de trigo e de milho com ferro e ácido fólico, e relatórios de monitoramento. gov.br/anvisa ↩ ↩2
-
Ministério da Saúde — Programa Nacional de Suplementação de Ferro (PNSF), instrutivo do Sistema de Micronutrientes: programa universal, sulfato ferroso para crianças e ferro com ácido fólico para gestantes; Portaria nº 1.555, de 30 de julho de 2013. sisaps.saude.gov.br ↩ ↩2
-
dos Santos Q, Nilson EA, Verly Junior E, Sichieri R. An evaluation of the effectiveness of the flour iron fortification programme in Brazil. Public Health Nutr, 2015;18(9):1670-4. PubMed · DOI ↩ ↩2
-
Auerbach M, DeLoughery TG, Tirnauer JS. Iron Deficiency in Adults: A Review. JAMA, 2025;333(20):1813-1823. PubMed · DOI ↩ ↩2 ↩3
-
Kelly S, Belisário AR, Werneck Rodrigues DO, et al. Blood utilization and characteristics of patients treated with chronic transfusion therapy in a large cohort of Brazilian patients with sickle cell disease. Transfusion, 2020;60(8):1713-1722 (coorte brasileira de 2 794 pacientes; sobrecarga de ferro em 65,6% dos tratados com terapia transfusional crônica contra 17,0% dos controles). PubMed · DOI ↩ ↩2
-
Sociedade Brasileira de Patologia Clínica/Medicina Laboratorial (SBPC/ML) — Recomendações da SBPC/ML: boas práticas em laboratório clínico (estimativa de portadores do traço falcêmico e de alfa-talassemias no Brasil). PDF ↩
-
Tavares AHJ, Benites BD, Fertrin KY. Myocardial Iron Overload in Sickle Cell Disease: A Rare But Potentially Fatal Complication of Transfusion. Transfus Med Rev, 2019;33(3):170-175 (revisão sistemática; prevalência de sobrecarga miocárdica estimada em 3% ou menos nos pacientes cronicamente transfundidos). PubMed · DOI ↩
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Castro IRR, Normando P, Alves-Santos NH, et al. Methodological aspects of the micronutrient assessment in the Brazilian National Survey on Child Nutrition (ENANI-2019): a population-based household survey. Cad Saude Publica, 2021;37:e00301120 (coleta de sangue em 8 829 crianças; biomarcadores de ferro — hemoglobina e ferritina — e proteína C reativa como marcador de inflamação). PubMed · DOI ↩
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