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Exame de zinco: o que o zinco no sangue mostra

O inquérito nacional brasileiro usou dois cortes para o mesmo exame — 65 µg/dL de manhã e 57 µg/dL à tarde. A hora da coleta muda a resposta.

Atualizado em 9 de setembro de 202612 min de leituraEscrito pela Equipe Blood Analysis · Revisado e verificado por Julien Priour

O zinco é um dos suplementos mais vendidos do país, e a pergunta que traz quase todo mundo até aqui é simples: dá para saber por um exame de sangue se me falta zinco? O exame existe e está na tabela do SUS — mas a resposta honesta está escrita no maior inquérito nutricional já feito com crianças brasileiras. Termos do laudo: veja o glossário de exames de sangue.

Em resumo

  • O mesmo exame tem dois cortes no Brasil, conforme a hora da coleta. O ENANI-2019 classificou como deficiência um zinco sérico < 65 µg/dL quando o sangue foi colhido pela manhã e < 57 µg/dL quando foi colhido à tarde.1
  • A deficiência de zinco medida em crianças brasileiras de 6 a 59 meses foi de 17,8%, sem diferença estatisticamente significativa entre as macrorregiões.1
  • Corrigido para inflamação, esse número cai para 13,8% — publicado em 2024 sobre 7 597 crianças do próprio inquérito.2
  • A mediana nacional foi de 76,5 µg/dL, com primeiro quartil de 65,0 e terceiro quartil de 90,0 µg/dL.1
  • O jejum também desloca o valor: no percentil 95, a diferença entre a coleta matinal com e sem jejum chegou a 20,3 µg/dL.2
  • A SBPC/ML não publica faixa de referência para o zinco: o capítulo dedicado aos elementos-traço declara a pergunta em aberto.3
  • O tubo comum não serve. O mesmo capítulo é categórico: a amostra deve ser colhida "obrigatoriamente" em recipientes livres de metal.3
  • No SUS o exame custa R$ 15,65 — mas está classificado entre os exames toxicológicos, e a descrição oficial diz que é "útil na avaliação de exposição e intoxicação".4
  • O Brasil tem uma política de zinco na diarreia infantil, e ela não pede exame nenhum: o Ministério da Saúde manda administrar zinco a toda criança menor de 5 anos com diarreia.5
  • Mais da metade das crianças brasileiras pequenas já usa algum suplemento de micronutriente (54,2%) — o que pesa na leitura do laudo.6

Onde o zinco realmente está

A SBPC/ML descreve o zinco como o segundo elemento-traço do organismo, depois do ferro, presente "como metaloenzima, em virtualmente todos os pontos do metabolismo", e localiza os estoques: o corpo guarda entre 2 e 2,5 g de zinco, dos quais 50% no músculo, 30% nos ossos e o restante nas hemácias e nas metaloproteínas.3

Note o que não aparece na lista: o soro. O tubo amostra uma fração pequena de um total guardado onde nenhuma agulha alcança — mesmo problema já descrito aqui para o magnésio, mesma consequência: um valor normal não descarta um estoque baixo.

As manifestações descritas são sóbrias: nos quadros graves, atraso do crescimento e da maturação esquelética, atrofia testicular e hepatoesplenomegalia; na forma moderada, atraso de crescimento, hipogonadismo em homens, redução das respostas imunológicas e alterações neurocomportamentais; e a acrodermatite enteropática, com diarreia e lesões de pele. O mesmo capítulo lembra que nem todo zinco baixo é falta de zinco: gravidez, anticoncepcional oral e as anemias hemolítica e falciforme também derrubam o valor.3

A hora da coleta muda o corte — e isso está num documento brasileiro

O dado vem do ENANI-2019, inquérito domiciliar que colheu sangue por punção venosa de 8 829 crianças de 6 a 59 meses em 123 municípios de todos os estados, dosando o zinco sérico por espectrometria de massa com plasma indutivamente acoplado.781 No quadro que define os indicadores, a linha do zinco tem duas entradas para o mesmo exame:

Momento da coletaCorte de deficiência
Coleta de sangue pela manhãzinco sérico < 65 µg/dL
Coleta de sangue à tardezinco sérico < 57 µg/dL

Fonte: ENANI-2019, adotando os critérios do IZiNCG de 2012.1

São 8 µg/dL de diferença entre dois horários do mesmo dia. Nenhum outro micronutriente do inquérito recebeu esse tratamento — vitamina D, B12 e folato têm corte único. O zinco tem dois porque a sua concentração no sangue cai ao longo do dia.

Outro número do relatório fecha o raciocínio: a mediana nacional foi de 76,5 µg/dL e o primeiro quartil, de 65,0 µg/dL. Ou seja, uma em cada quatro crianças estava abaixo do corte da manhã — e a prevalência publicada foi de 17,8%, não 25%, porque parte delas foi colhida à tarde e julgada contra 57.1 O valor é o mesmo; o que muda é a régua.

Na prática: repita uma dosagem de zinco no mesmo turno da primeira — comparar manhã com tarde é comparar duas coisas diferentes. Sobre o preparo, veja o jejum para exame de sangue.

Inflamação: 17,8% ou 13,8%?

O ENANI-2019 dosou proteína C reativa em todas as crianças, como marcador de inflamação.7 Mas, no quadro de indicadores, esse marcador entra na definição de um analito: a ferritina, cujo corte sobe de 12 para 30 µg/L quando a PCR passa de 5 mg/L. A linha do zinco não tem ramo de inflamação.1

A correção veio depois, e é brasileira. Em 2024, a equipe do próprio inquérito reanalisou 7 597 crianças aplicando o método BRINDA de ajuste para inflamação, com PCR ultrassensível: as concentrações ficaram mais altas em todos os percentis e a deficiência caiu de 17,8% para 13,8%.2

Ou seja: uma inflamação em curso derruba o zinco do sangue sem que o corpo tenha perdido zinco — o padrão já descrito aqui para a albumina, que cai na fase aguda, e, em sentido inverso, para a ferritina, que sobe. Antes de interpretar um zinco baixo, olhe a proteína C reativa e os demais marcadores inflamatórios do mesmo dia.

O mesmo estudo mede o efeito clínico: crianças com diarreia, febre ou sintomas respiratórios nos 15 dias anteriores tiveram prevalência maior de deficiência (razão de prevalência 1,42; IC 95% 1,04–1,94).2 Um resfriado recente basta para mudar o resultado.

Valores de referência: o que o Brasil não publica

O capítulo da SBPC/ML dedicado às indicações para dosagem de elementos-traço — onde uma faixa brasileira estaria, se existisse — não publica nenhuma. Formula, em vez disso, perguntas abertas: "quais são os níveis de referência desses elementos na população normal e sadia? Qual a melhor forma de dosá-los? A partir de que níveis é possível afirmar sem sombra de dúvida que os níveis desses elementos estão baixos e devem ser repostos?"3

Não é descuido: é o estado do assunto. Os cortes que circulam nos laudos vêm de fora, e os do ENANI vêm declaradamente do IZiNCG.1 Vale o intervalo impresso no seu laudo, que varia com o método: a SBPC/ML recomenda os espectrofotométricos e registra que o colorimétrico "tem um desempenho inferior" e é "muito mais sujeito a interferentes".3

O tubo comum não serve para dosar zinco

É um detalhe pré-analítico que quase ninguém conta ao paciente. O manual brasileiro é categórico: as amostras para elementos-traço "devem ser colhidas, obrigatoriamente, em frascos e recipientes livres de metal", e "tubos comuns, mesmo sem conservantes ou gel separados, não podem, em hipótese alguma, ser utilizados", porque o ativador de coágulo pode estar contaminado com traços de metal.3

Acrescenta que as alíquotas devem ser evitadas, que os tubos só devem ser abertos no setor técnico e que até a cor da tampa de um coletor de urina importa — os pigmentos de algumas contêm metal.3 Isso não muda a convenção de cores descrita em tubos de coleta de sangue: é uma exigência adicional, de material do frasco. E vale a pergunta "o tubo era próprio para elemento-traço?" antes que um valor alterado vire diagnóstico — a contaminação puxa o resultado para cima.

O SUS paga o exame — como exame de toxicologia

O exame está na tabela do Ministério da Saúde: 0202070352 DOSAGEM DE ZINCO, financiado em R$ 15,65, única linha das 5 023 que corresponde ao zinco.4 Para comparar: o hemograma completo custa R$ 4,11, a ferritina R$ 15,59 e o magnésio R$ 2,01. O detalhe revelador é onde o código está. O subgrupo 02.02.07 é o da toxicologia: nas suas 35 linhas convivem chumbo, mercúrio, cádmio, alumínio, metabólitos da cocaína, anfetaminas, carbamazepina e ciclosporina. O zinco está ali — e não no subgrupo de bioquímica, onde vivem a ferritina, o cálcio e os eletrólitos.4

A descrição oficial confirma a intenção: "Consiste na dosagem de zinco. Útil na avaliação de exposição e intoxicação."4 Nenhuma palavra sobre nutrição. A SBPC/ML explica a origem: o interesse por essas dosagens "se restringia apenas aos aspectos toxicológicos", e só depois a nutrologia passou a usá-las, "em que a faixa de observação é diferente daquela observada pelos toxicologistas".3 O SUS financia o exame com a régua antiga.

Zinco na diarreia da criança: a política existe e não pede exame

O Brasil tem uma política de zinco, e ela prova que este exame não comanda a conduta. No quadro Manejo do paciente com diarreia da Secretaria de Vigilância em Saúde e Ambiente, o Plano A determina: "Administrar zinco 1 vez ao dia, durante 10 a 14 dias: até 6 meses de idade, 10 mg/dia; maiores de 6 meses a menores de 5 anos de idade, 20 mg/dia." E a seção de medicamentos repete: "Zinco: deve ser administrado, conforme descrito no Plano A, para crianças menores de 5 anos."5

Verificamos o documento inteiro: as palavras "exame", "dosagem" e "laboratório" não aparecem nenhuma vez.5 A conduta é populacional — toda criança menor de 5 anos com diarreia recebe zinco, tenha feito exames ou não. Sobre coleta na infância, veja exame de sangue em crianças.

Duas leituras internacionais completam o quadro, e declaramos que são fontes internacionais em recuo, por não haver revisão brasileira equivalente. Uma metanálise de 38 ensaios randomizados, encomendada pela OMS para revisar as suas diretrizes, confirma que o zinco encurta a diarreia (−13,27 horas; IC 95% −17,66 a −8,89; certeza moderada), mas registra mais vômitos e conclui que a dose deveria ser reduzida.9 E uma revisão Cochrane em lactentes de menos de 6 meses encontrou ganho de peso mas nenhuma redução da incidência de diarreia — tratar e prevenir não são a mesma coisa.10

Metade das crianças brasileiras já toma suplemento

Um dado do mesmo inquérito muda a leitura de qualquer zinco: 54,2% das crianças de 6 a 59 meses usavam algum suplemento de micronutriente, chegando a 80,2% na região Norte e a 69,5% entre 6 e 23 meses; multivitamínicos com ou sem minerais respondiam por 24,3%.6

Um suplemento tomado na véspera eleva o valor sérico. Some isso ao turno, ao jejum e à inflamação, e fica claro por que a mesma criança pode render dois laudos diferentes na mesma semana. Veja também o perfil vitamínico e a vitamina A, do mesmo painel nacional.

Avanços recentes

Com base em publicações indexadas no PubMed:

  • O Brasil quantificou o próprio viés do exame (2024): ajustar para inflamação leva a prevalência nacional de 17,8% a 13,8%, e o jejum move o percentil 95 em até 20,3 µg/dL — ignorá-los superestima a deficiência.2
  • A OMS reavaliou a dose na diarreia (2024): 38 ensaios confirmam o benefício e apontam para reduzir a dose, por causa dos vômitos.9
  • O ENANI-2019 é o primeiro retrato nacional de zinco sérico do país, com metodologia laboratorial publicada em detalhe.71

Estes resultados dizem respeito ao diagnóstico e à pesquisa; não substituem a avaliação do seu médico.

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Um zinco nunca se lê sozinho: o seu sentido depende da hora da coleta, do jejum, de uma inflamação em curso, dos suplementos que você toma e até do tubo usado.

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Perguntas frequentes

Qual é o valor normal do zinco no sangue? Não existe faixa brasileira publicada por sociedade médica: a SBPC/ML declara a pergunta em aberto.3 O inquérito nacional usou < 65 µg/dL (manhã) e < 57 µg/dL (tarde) em crianças, com mediana de 76,5 µg/dL.1 Vale o intervalo do seu laudo.

Preciso estar em jejum para dosar zinco? O inquérito nacional colheu sem exigir jejum, e avisava as famílias disso.1 Mas o jejum desloca o valor — até 20,3 µg/dL no percentil 95 —, então siga a instrução do seu laboratório e repita nas mesmas condições.2 O padrão brasileiro está em jejum para exame de sangue.

Zinco normal significa que não me falta zinco? Não necessariamente: o sangue amostra uma fração mínima de um estoque que está sobretudo no músculo e no osso.3 Um valor normal é tranquilizador, não conclusivo.

Meu zinco veio baixo. É deficiência? Pode ser — ou pode ser o horário, o jejum, uma inflamação recente, a gravidez ou o anticoncepcional oral, todos citados como causas de valor baixo.32 Leve o resultado ao seu médico junto da proteína C reativa e do hemograma completo do mesmo dia.

O SUS cobre a dosagem de zinco? Sim: 0202070352, R$ 15,65 na tabela do Ministério da Saúde — classificado, porém, entre os exames de toxicologia, com finalidade declarada de avaliar "exposição e intoxicação".4

Devo dosar zinco antes de começar um suplemento? O exame não responde bem a essa pergunta, e a política pública brasileira mais consolidada sobre zinco — a da diarreia infantil — não pede exame algum antes de suplementar.5 Converse com o seu médico; sobre os demais micronutrientes, veja o perfil vitamínico e a vitamina C.

Qualquer tubo serve? Não. Para elementos-traço o manual brasileiro exige recipientes livres de metal e proíbe o tubo comum.3 Vale confirmar no momento da coleta de sangue.

Para lembrar

O exame de zinco é barato, disponível no SUS e legítimo — para perguntas mais estreitas do que "estou tomando zinco suficiente?". Ele mede uma fração pequena de um estoque guardado no músculo e no osso, e essa fração se move com a hora do dia, o jejum, uma inflamação e o suplemento da véspera. O melhor argumento é o do inquérito nacional, que precisou de duas réguas para o mesmo exame e viu a deficiência do país cair de 17,8% para 13,8% só ao descontar a inflamação. Um valor isolado não decide nada; conta o conjunto dos seus resultados e do seu contexto.

Fontes

Fontes oficiais brasileiras e publicações científicas (PubMed) usadas neste guia:

Footnotes

  1. Universidade Federal do Rio de Janeiro (coord. Gilberto Kac), com UERJ, UFF e Fiocruz — ENANI-2019, Relatório 3: Biomarcadores do estado de micronutrientes. Rio de Janeiro, 156 p. PDF verificado de 9 510 837 bytes, extraído para stdout e sem -layout (201 910 bytes de texto, 8 367 linhas não vazias); identidade do documento confirmada pela folha de rosto ("Prevalências de deficiências e curvas de distribuição de micronutrientes em crianças brasileiras menores de 5 anos"). Trechos citados textualmente: Quadro 1 — "Deficiência de zinco | Zinco sérico | Coleta de sangue pela manhã < 65 µg/dL | Coleta de sangue à tarde < 57 µg/dL | IZiNCG, 2012"; § 4.2.7 — "A prevalência de deficiência de zinco foi de 17,8% no Brasil. Não houve diferença estatisticamente significativa entre as macrorregiões"; § 4.1.11 e Tabela 13 — "A mediana das concentrações séricas de zinco de crianças brasileiras entre 6 e 59 meses foi de 76,5 µg/dL e 75% delas tiveram concentração de zinco maior ou igual a 65,0 µg/dL" (3º quartil nacional 90,0 µg/dL); § 3.3.2 — a família era orientada "como não ser necessário jejum, nem suspensão de medicamentos"; Quadro A2 — "Selênio e zinco | Soro | Espectrometria de massa com plasma indutivamente acoplado". Regra de correspondência das contagens (ocorrências por re.finditer, texto integral, dobra de acentos NFD, hífens condicionais U+00AD removidos, maiúsculas ignoradas): "zinco" = 81. ⚠️ Ausência verificada, com teste de perímetro: o ramo de inflamação do Quadro 1 (PCR ≤ 5 / > 5 mg/L) está atrelado apenas à ferritina; a linha do zinco não o tem, embora o relatório cite o método BRINDA de ajuste na sua referência 30. ⚠️ Não reproduzimos as prevalências por cor ou raça publicadas na Figura 47, nem os valores por macrorregião lidos em rótulos de figura, cuja ordem não pôde ser reconstruída com segurança a partir do texto extraído. PDF (enani.nutricao.ufrj.br) 2 3 4 5 6 7 8 9 10 11

  2. Berti TL, de Castro IRR, Pedrosa LFC, Normando P, Farias DR, Lacerda EMA, Oliveira N, Alves-Santos NH, Kac G. Serum Zinc Concentrations by Inflammation Status, Time of Day, and Fasting Status for Estimating Zinc Deficiency in 6-59-Mo-Old Children: Results from the Brazilian National Survey on Child Nutrition (ENANI-2019). J Nutr. 2024;154(3):994-1003. Estudo de base populacional brasileiro com 7 597 crianças de 6 a 59 meses; autores da UFRJ, UERJ, UFRN e UFPA — dado brasileiro, não apenas revista brasileira. Ajuste do zinco sérico para inflamação pelo método BRINDA, com proteína C reativa ultrassensível, estratificado por turno de coleta (manhã/tarde) e por jejum (< 8 h e ≥ 8 h). Resultados citados: após o ajuste, o zinco sérico ficou "higher in all percentiles"; a maior diferença absoluta foi de 20,3 µg/dL no percentil 95, entre coleta matinal em jejum e sem jejum; a prevalência de deficiência foi de 17,8% sem ajuste e 13,8% com ajuste; diarreia, febre ou sintomas respiratórios nos 15 dias anteriores associaram-se a maior prevalência (razão de prevalência 1,42; IC 95% 1,04-1,94). Ano confirmado no esummary do NCBI (pubdate do número: março). Tipo de artigo verificado: Journal Article, sem errata declarada (CommentsCorrections/@RefType="ErratumIn" ausente no XML efetch). PubMed · DOI 2 3 4 5 6 7

  3. Sociedade Brasileira de Patologia Clínica / Medicina Laboratorial (SBPC/ML)Recomendações da SBPC/ML: Boas Práticas em Laboratório Clínico, capítulo 57, "As indicações para dosagem de elementos-traço", assinado por Alvaro Pulchinelli Junior (p. 414-418). PDF oficial de 16 055 655 bytes, extraído para stdout e sem -layout (1 404 206 bytes de texto). ⚠️ Controle de publicidade feito, porque este manual contém encartes de anunciantes: as 9 ocorrências de "zinco" foram lidas uma a uma no contexto; o capítulo citado consta do sumário (item 57, p. 414) e do índice remissivo ("elementos-traço 414", "oligoelementos 414", "metal 415", "contaminação da amostra 415"), tem autor nominal e não é encarte. Trechos citados textualmente: "O zinco é um elemento-traço essencial […] é o segundo elemento-traço depois do ferro […] O zinco total do organismo varia entre 2 e 2,5 g, está presente no músculo (50%), nos ossos (30%) e o restante está nas hemácias e nas metaloproteínas"; "A deficiência de zinco condiciona o indivíduo a apresentar retardo do crescimento corporal e da maturação esquelética, atrofia testicular e hepatoesplenomegalia"; "A acrodermatite entérica caracterizada por diarreia e lesões na pele em crianças é outra manifestação bem conhecida"; "há ainda outras causas de valores baixos, como gravidez, anticoncepcional oral e as anemias hemolítica e falciforme"; "As amostras devem ser colhidas, obrigatoriamente, em frascos e recipientes livres de metal. Tubos comuns, mesmo sem conservantes ou gel separados[sic] não podem, em hipótese alguma, ser utilizados"; "quais são os níveis de referência desses elementos na população normal e sadia? Qual a melhor forma de dosá-los?"; "o interesse por essas dosagens se restringia apenas aos aspectos toxicológicos […] a faixa de observação é diferente daquela observada pelos toxicologistas"; método colorimétrico "tem um desempenho inferior" e é "muito mais sujeito a interferentes". ⚠️ Ausência verificada com teste de perímetro: neste capítulo, que é exatamente o dedicado às indicações do exame, não há nenhum valor numérico com unidade de concentração associado ao zinco — o manual não publica faixa de referência para o zinco. PDF (controllab.com) · sbpc.org.br 2 3 4 5 6 7 8 9 10 11 12 13

  4. Ministério da Saúde / DATASUS — SIGTAP, Tabela de Procedimentos, Medicamentos e OPM do SUS, competência agosto de 2026 (tb_procedimento.txt, 1 697 774 bytes, 5 023 linhas; tb_descricao.txt, 4 324 registros). Leitura direta em colunas de largura fixa, decodificação latin-1 com newline='' (o arquivo é CRLF), parser validado antes do uso contra dois valores já publicados neste site: hemograma completo 0202020380 = R$ 4,11 e ferritina 0202010384 = R$ 15,59. Busca com dobra de acentos, cuja atividade foi medida (2 483 das 5 023 linhas contêm acentos combinantes). Resultado: a raiz ZINC rende uma única linha em tb_procedimento.txt0202070352 DOSAGEM DE ZINCO, R$ 15,65 no campo VL_SA. Descrição correspondente em tb_descricao.txt, verificada como única a esse código: "CONSISTE NA DOSAGEM DE ZINCO. ÚTIL NA AVALIAÇÃO DE EXPOSIÇÃO E INTOXICAÇÃO." Subgrupo 02.02.07 enumerado integralmente: 35 procedimentos, entre os quais chumbo (R$ 8,83), mercúrio (R$ 2,04), cádmio (R$ 6,55), alumínio (R$ 27,50), metabólitos da cocaína, anfetaminas, carbamazepina, ciclosporina e cobre (0202070190, R$ 3,51). Comparativos citados: magnésio 0202010562 R$ 2,01, ceruloplasmina 0202010252 R$ 3,68. ⚠️ Ausência com teste de perímetro: entre os códigos de dispensação da atenção primária existem 0101040113 (suplemento de ferro), 0101040105 (ácido fólico), 0101040059 (administração de vitamina A) e 0101040091 (micronutrientes em pó — NutriSUS), e nenhum de zinco; como os medicamentos têm circuito de financiamento próprio, isso não prova que o SUS não distribua zinco — apenas que a tabela de procedimentos não paga o ato de dispensá-lo. sigtap.datasus.gov.br 2 3 4 5

  5. Ministério da Saúde — Secretaria de Vigilância em Saúde e Ambiente (SVSA), Manejo do paciente com diarreia: avaliação do estado do paciente. Quadro de uma página em formato A3, servido na coleção "Doenças Diarreicas Agudas" das Centrais de Conteúdo do Ministério (página da coleção publicada em 10/10/2024 e atualizada em 10/07/2026, com a atribuição "Secretaria de Vigilância em Saúde e Ambiente | SVSA"). Verificação de acesso: HTTP 200 application/pdf, 733 465 bytes; controle negativo com slug inventado no mesmo caminho → 404 application/json de 26 bytes — o par discrimina. Trechos citados textualmente: "A.5 ADMINISTRAR ZINCO 1 vez ao dia, DURANTE 10 A 14 DIAS: A.5.1 Até 6 meses de idade: 10 mg/dia. A.5.2 Maiores de 6 meses a menores de 5 anos de idade: 20 mg/dia" (Plano A) e "Zinco: Deve ser administrado, conforme descrito no PLANO A, para crianças menores de 5 anos". ⚠️ Ausência verificada por enumeração no texto integral (12 362 bytes extraídos, dobra de acentos, maiúsculas ignoradas): "exame" = 0, "dosagem" = 0, "laborator" = 0; controle positivo no mesmo documento: "zinco" = 2, "Plano A" = 5, "SRO" = 9. O perímetro é adequado porque este é o documento que define toda a conduta clínica da diarreia, medicamentos incluídos. ⚠️ O quadro não traz data impressa; os metadados do PDF registram criação em 06/07/2023. PDF (gov.br) 2 3 4

  6. Freitas MB, Castro IRR, Schincaglia RM, Carneiro LBV, Alves-Santos NH, Normando P, Andrade PG, Kac G. Characterization of micronutrient supplements use by Brazilian children 6-59 months of age: Brazilian National Survey on Child Nutrition (ENANI-2019). Cad Saude Publica. 2023;39(Suppl 2):e00085222. Amostra de 12 598 crianças. Resultados citados: prevalência de uso de suplemento de micronutriente no Brasil 54,2% (IC 95% 50,5-57,8), maior na região Norte (80,2%; IC 95% 74,9-85,6) e entre crianças de 6 a 23 meses (69,5%; IC 95% 65,7-73,3); multivitamínicos com ou sem minerais 24,3% (IC 95% 21,4-27,2). PubMed · DOI 2

  7. Castro IRR, Normando P, Alves-Santos NH, Bezerra FF, Citelli M, Pedrosa LFC, Jordão Junior AA, Lira PIC, Kurscheidt FA, Silva PRP, Salvatte K, Lacerda EMA, Anjos LAD, Boccolini CS, Kac G. Methodological aspects of the micronutrient assessment in the Brazilian National Survey on Child Nutrition (ENANI-2019): a population-based household survey. Cad Saude Publica. 2021;37:e00301120. Inquérito domiciliar em amostra probabilística de crianças menores de cinco anos de 123 municípios brasileiros, em todos os 26 estados e no Distrito Federal; coleta de sangue por punção venosa no domicílio. Das 12 598 crianças elegíveis, 8 829 (70,1%) tiveram amostra colhida. Lista textual dos analitos: "iron (hemoglobin and ferritin), zinc, selenium, folic acid, and vitamins A, B1, B6, B12, D, and E. C-reactive protein was analyzed as a marker of inflammation". ⚠️ O campo volume do registro NCBI traz "3737", visivelmente um defeito do registro; citamos o volume 37, coerente com o fascículo 8 de 2021 do mesmo periódico. PubMed · DOI 2 3

  8. Alves-Santos NH, Castro IRR, Anjos LAD, Lacerda EMA, Normando P, Freitas MB, Farias DR, Boccolini CS, Vasconcellos MTL, Silva PLDN, Kac G. General methodological aspects in the Brazilian National Survey on Child Nutrition (ENANI-2019): a population-based household survey. Cad Saude Publica. 2021;37(8):e00300020. 193 212 domicílios visitados e 14 558 crianças estudadas; das 12 598 elegíveis para coleta de sangue, 8 739 (69,3%) com ao menos um parâmetro laboratorial. Confirma, no mesmo pacote metodológico, que o zinco integra o painel de micronutrientes do inquérito, ao lado de ferro, selênio e das vitaminas A, B1, B6, B12, D, E e ácido fólico. PubMed · DOI

  9. Ali AA, Naqvi SK, Hasnain Z, Zubairi MBA, Sharif A, Salam RA, Soofi S, Ariff S, Nisar YB, Das JK. Zinc supplementation for acute and persistent watery diarrhoea in children: A systematic review and meta-analysis. J Glob Health. 2024;14:04212. Fonte internacional, usada em recuo explicitamente declarado no corpo, por não termos encontrado revisão sistemática brasileira equivalente. Revisão encomendada pela OMS para a revisão das suas diretrizes de diarreia infantil; 38 ensaios randomizados. Resultados citados: maior proporção de crianças recuperadas (RR 1,07; IC 95% 1,03-1,1; certeza moderada) e redução da duração da diarreia (diferença média −13,27 horas; IC 95% −17,66 a −8,89; certeza moderada); mais vômitos com zinco (RR 1,46; IC 95% 1,22-1,76) e menos episódios de vômito na dose baixa que na alta (RR 0,80; IC 95% 0,72-0,89); conclusão textual de que o zinco deve continuar recomendado, mas que "the dose of zinc should be reduced". PubMed · DOI 2

  10. Lassi ZS, Kurji J, de Oliveira CS, Moin A, Bhutta ZA. Zinc supplementation for the promotion of growth and prevention of infections in infants less than six months of age. Cochrane Database Syst Rev. 2020;4(4):CD010205. Fonte internacional, recuo declarado. Oito estudos, 85 629 lactentes. Resultados citados: melhora dos escores z de peso para idade (DMP 0,16; IC 95% 0,03-0,29) e de peso para comprimento (DMP 0,15; IC 95% 0,02-0,28) aos seis meses de intervenção; "A single study reported no difference in the incidence of diarrhoea and lower respiratory tract infection with zinc supplementation"; sem efeito sobre a mortalidade abaixo de 12 meses. PubMed · DOI

Aviso médico. Este guia tem finalidade informativa e educativa; não constitui aconselhamento médico e não substitui uma consulta. Os valores de referência variam conforme o laboratório e a técnica: só o seu médico pode interpretar os seus resultados no seu contexto.