Marcadores tumorais: para que eles servem mesmo
CA 125, CEA, alfafetoproteína, PSA: o INCA não recomenda rastrear câncer com esses exames. O uso estabelecido é acompanhar quem já tem diagnóstico.
Poucos resultados assustam tanto quanto um marcador tumoral um pouco acima do valor de referência. A palavra "tumoral" está impressa no laudo, o número está fora da faixa, e a conclusão parece se impor sozinha. Ela quase nunca está certa — e a razão é mais interessante do que um simples "fique tranquilo": esses exames não foram feitos para a pergunta que você está fazendo. Esta página explica para que eles servem de verdade no Brasil, o que dizem o INCA e o Ministério da Saúde, e por que um número isolado informa tão pouco.
Em resumo
- Um marcador tumoral é uma substância dosada no sangue que pode aumentar na presença de um tumor — mas também em dezenas de situações benignas. Ele não é um teste de câncer.
- 🔴 O INCA não recomenda rastrear câncer com exames de sangue. Nas páginas de ovário, fígado e testículo, o instituto repete a mesma frase: "Não há evidência científica de que o rastreamento do câncer de [ovário / fígado / testículo] traga mais benefícios do que riscos e, portanto, até o momento, ele não é recomendado".123
- E no mesmo texto o CA 125 aparece — mas na etapa de diagnóstico, para quem já tem sinais ou sintomas. Na versão para profissionais, a lista da avaliação inicial do câncer de ovário traz "Marcadores tumorais (CA 125, CEA, Beta-hCG, Alfa-fetoproteína)", e logo abaixo: "Diagnóstico definitivo é histopatológico".4
- Rastreamento e diagnóstico precoce não são a mesma coisa. O INCA define: rastreamento é examinar pessoas sem sinais nem sintomas; diagnóstico precoce é investigar quem já tem sintomas suspeitos.5 Os marcadores pertencem ao segundo grupo.
- ⚠️ Quanto mais raro o câncer na população examinada, mais falso-positivo o exame produz. É o valor preditivo positivo, e o INCA escreve isso com todas as letras.5
- A tendência vale mais que o número. A SBPC/ML é categórica: "um resultado isolado evidenciando níveis elevados de qualquer marcador tumoral tem um valor muito limitado".6
- No SUS, cinco marcadores têm código próprio, de R$ 7,85 a R$ 16,42. Não existe código de "painel de marcadores tumorais" — nenhuma das 5.023 linhas da tabela.7
- ⚠️ CA 19-9 e CA 15-3 não existem na tabela do SUS. Zero ocorrência, com controle positivo forte: a expressão "ANTÍGENO CA" está lá, aplicada só ao 125.7
- O PSA é o caso mais debatido e tem regras próprias; ele ganha um guia à parte neste site. O INCA resume: "embora o PSA e o toque retal sejam exames inadequados para o rastreamento, diretrizes nacionais e internacionais recomendam sua utilização para a investigação e a confirmação diagnóstica".5
Rastreamento não é diagnóstico precoce
Toda a confusão cabe nesta distinção, e ela é do INCA. A detecção precoce do câncer tem duas estratégias. O rastreamento aplica um exame a uma população assintomática, aparentemente saudável. O diagnóstico precoce investiga pessoas que já apresentam sinais e sintomas suspeitos.54
Quem pede um marcador tumoral "para ver se está tudo bem" está fazendo rastreamento por conta própria. E é justamente aí que os marcadores nunca foram validados. Na prática, o exame muda de sentido conforme a pessoa que o faz: o mesmo CA 125, num consultório de oncologia, acompanha um tratamento; num check-up de rotina, produz sobretudo susto.
O INCA lista os riscos do rastreamento fora de indicação com uma franqueza rara: "os resultados falso-positivos, que geram ansiedade e excesso de exames; os resultados falso-negativos, que resultam em falsa tranquilidade para o paciente; o sobrediagnóstico e o sobretratamento".4 Note o segundo item: um marcador normal também engana, no sentido oposto.
O que o INCA escreve, câncer por câncer
O documento Detecção Precoce do Câncer (INCA, 2021) é o manual oficial da estratégia brasileira. Em suas 3.387 linhas de texto, a palavra "marcador" aparece três vezes — e nenhuma delas designa um marcador tumoral circulante: são marcadores inflamatórios, um marcador de exposição solar e uma referência bibliográfica.5 Um manual inteiro sobre encontrar câncer cedo, e nenhum exame de sangue oncológico recomendado para isso.
O que o INCA recomenda de fato para rastrear são exames de outra natureza: a mamografia para o câncer de mama e o exame citopatológico para o câncer do colo do útero.5 Para o câncer colorretal, o manual descreve os métodos em uso — testes de sangue oculto nas fezes, colonoscopia, retossigmoidoscopia —, atribuindo a recomendação à OMS e a forças-tarefa estrangeiras.5 Nenhum desses exames é um marcador tumoral no sangue.
E nas páginas por tipo de câncer, a mensagem se repete:
| Tipo de câncer | Rastreamento (pessoa sem sintomas) | Onde o marcador entra |
|---|---|---|
| Ovário | "não é recomendado"1 | CA 125 no diagnóstico, com ultrassom e exame ginecológico4 |
| Fígado | "não é recomendado"2 | O diagnóstico se apoia em imagem (tomografia, ressonância)2 |
| Testículo | "não é recomendado"3 | "dosagem de marcadores tumorais no sangue", junto do exame físico e do ultrassom3 |
| Próstata | "não é recomendado", decisão compartilhada5 | PSA na investigação, no prognóstico e na recorrência5 |
Por que um marcador rastreia mal
Aqui está o conceito que falta em quase toda página sobre o assunto, e ele explica tudo. Um exame não tem uma taxa de acerto fixa: o que ele significa depende de quão comum é a doença entre as pessoas examinadas.
O INCA escreve: "No rastreamento, a probabilidade de se confirmar o câncer em questão está muito reduzida quando comparada a indivíduos com sinais e sintomas suspeitos da doença. Nesse caso, o Valor Preditivo Positivo de um teste está naturalmente reduzido e os resultados falso-positivos aumentados. Esses problemas se agravam quanto menor for a prevalência de determinado câncer na população a ser rastreada".5
Em português simples: entre mil pessoas saudáveis, o número de resultados alterados por causas banais é muito maior que o número de cânceres existentes. O resultado alterado, então, é quase sempre um falso alarme — não porque o exame seja ruim, mas porque a doença é rara. O INCA dá nome ao remédio: prevenção quaternária, a prevenção dos danos causados pela própria medicina, e alerta para a "cascata iatrogênica de procedimentos e eventos que decorre da realização do rastreio".5
Há um número brasileiro que ilustra bem a mecânica, e ele vem do exame mais estudado. Segundo a SBPC/ML, com PSA total entre 4 e 10 ng/mL o valor preditivo positivo é de 25% a 35% — "o que significa que em 65 a 75% dos casos trata-se de resultado falso-positivo para esse diagnóstico".8 Dois em cada três homens biopsiados nessa faixa não têm câncer.
O maior teste dessa lógica já feito envolveu o CA 125. No ensaio britânico UKCTOCS, 202.562 mulheres foram sorteadas para rastreamento anual ou nenhum, e seguidas por uma mediana de 16,3 anos. O rastreamento encontrou mais tumores em estágio inicial — e mesmo assim não reduziu significativamente a mortalidade por câncer de ovário. A conclusão dos autores é seca: o rastreamento populacional "não pode ser recomendado".9
Um marcador pode subir sem nenhum câncer
Esta é a parte que muda a leitura de um laudo. A SBPC/ML resume o mecanismo: "a maioria dos marcadores tumorais é catabolizada no fígado e excretada via renal". Se um desses dois órgãos não vai bem, o marcador se acumula — sem qualquer tumor. É comum encontrar aumentos de 2 a 4 vezes o limite superior de referência em pessoas com cirrose hepática ou insuficiência renal crônica, e a sociedade cita explicitamente CEA, CA-125 e Cyfra 21-1.6
Daí a primeira coisa a olhar antes de se assustar: como estão o fígado e o rim? O hepatograma — TGO, TGP, gama-GT, fosfatase alcalina e bilirrubina — e a função renal, com creatinina, costumam explicar o que o marcador não explica. Uma hepatite B ou C crônica entra na mesma conta.
As outras causas benignas, verificadas uma a uma:
- Inflamação e infecção. A SBPC/ML lembra que agressões não neoplásicas nos tecidos elevam substâncias usadas como marcadores — CEA na colite ulcerativa e na doença de Crohn, PSA na prostatite e na hiperplasia prostática benigna.6 Os marcadores inflamatórios — proteína C reativa e VHS — ajudam a situar esse pano de fundo.
- Menstruação. "Ocorre elevação discreta de CA125 durante a fase menstrual, não sendo indicada a coleta de amostra nesse período".6
- Endometriose e cistos. Num estudo sueco com 445 mulheres portadoras de doença ovariana benigna, 31% tinham um CA 125 falso-positivo, e a endometriose foi a única variável que previu de forma independente essa elevação (razão de chances 7,96).10
- Tabagismo e função renal reduzida. No mesmo estudo, esses dois fatores previram falsos-positivos — mas de outro marcador, o HE4, não do CA 125.10 A distinção importa: cada marcador tem seus próprios ruídos.
- Cálculo e obstrução das vias biliares. Elevações marcantes de CA 19-9 podem vir de pedra na vesícula: em quatro casos descritos, o valor normalizou depois de retirada a obstrução, com anatomia patológica benigna.11
- Gravidez. A própria descrição oficial do Ministério da Saúde diz que a alfafetoproteína é "utilizada como marcador tumoral e no acompanhamento da gestação".12 Já o beta hCG, que é sobretudo o exame da gravidez, funciona como marcador tumoral fora dela.
- Doença do pâncreas. Um quadro inflamatório pancreático mexe com vários exames ao mesmo tempo; as enzimas pancreáticas leem esse território melhor que qualquer marcador.
Vale desfazer aqui uma confusão frequente. Dois exames muito pedidos são tratados como se fossem marcadores tumorais e não são: a ferritina alta, que sobe com inflamação, álcool, sobrepeso e doença do fígado bem antes de sugerir qualquer tumor, e a fosfatase alcalina alta, que responde a fígado, vias biliares e osso. Nenhuma das duas foi criada para procurar câncer, e interpretá-las assim gera o mesmo susto sem fundamento.
Um alerta na direção contrária, para não cair no otimismo automático: a SBPC/ML observa que quanto maior a concentração, maior a probabilidade de tumor. Valores de CA 125 ou CA 19-9 acima de 1.000 UI/mL, ou de CEA acima de 25 ng/mL, sugerem processo neoplásico com probabilidade superior a 95%.6 Um pouco acima do normal e muito acima do normal são situações diferentes.
A tendência informa mais do que o número
Se há uma frase para levar desta página, é esta, e ela é da SBPC/ML: "Um resultado isolado evidenciando níveis elevados de qualquer marcador tumoral tem um valor muito limitado e deve ser interpretado com muito cuidado".6
O que informa é a sequência. A recomendação brasileira pede pelo menos duas, às vezes três medidas em intervalos maiores do que a meia-vida do marcador — na prática, 15 a 20 dias para a maioria. E o critério de leitura é claro: resultados em elevação progressiva sugerem fortemente neoplasia; ao contrário, "se os níveis séricos não se alterarem significativamente ou mostrarem tendência de queda, a causa da elevação, com elevado grau de segurança, não é de doença maligna".6
As meias-vidas explicam por que a espera de duas semanas não é burocracia: alfafetoproteína 5 dias, PSA total 3 dias, gonadotrofina coriônica 12 a 20 horas.6 Repetir antes disso mede o mesmo instante duas vezes.
É nesse uso — seguir uma curva em quem já tem diagnóstico — que os marcadores mostram valor mensurável. No ensaio britânico FACS, 1.202 pessoas operadas de câncer colorretal foram sorteadas para diferentes esquemas de seguimento. Com dosagens programadas de CEA, 6,7% puderam ser reoperadas com intenção curativa, contra 2,3% no acompanhamento mínimo. O ganho é real e modesto: a mortalidade total não diferiu de forma significativa entre os grupos.13
Quanto o SUS cobre — e o painel que não existe
A tabela SIGTAP do Ministério da Saúde, competência 08/2026, foi lida linha a linha para esta página (5.023 linhas, decodificação latin-1, colunas fixas; o parser foi conferido contra dois valores conhecidos, hemograma R$ 4,11 e ferritina R$ 15,59).7
| Marcador | Código | Valor SUS |
|---|---|---|
| Antígeno prostático específico (PSA) | 0202030105 | R$ 16,42 |
| Alfafetoproteína | 0202030091 | R$ 15,06 |
| Antígeno CA 125 | 0202031217 | R$ 13,35 |
| Antígeno carcinoembrionário (CEA) | 0202030962 | R$ 13,35 |
| Gonadotrofina coriônica (hCG, beta hCG) | 0202060217 | R$ 7,85 |
São cinco códigos, R$ 66,03 somados. Ao lado deles, o SUS ainda paga a calcitonina (0202060128, R$ 14,38), a tireoglobulina (0202060365, R$ 15,35) — ambas ligadas ao seguimento de cânceres de tireoide — e a beta-2-microglobulina (0202030113, R$ 13,55), cuja descrição oficial, curiosamente, não a apresenta como marcador tumoral, mas como exame de doenças autoimunes e linfoproliferativas.12
Não existe painel. Nenhuma linha da tabela reúne marcadores num pacote: as expressões "painel de marcador", "marcadores tumorais" e "perfil oncológico" rendem zero ocorrência em 5.023 linhas. O contraste com a prática privada é justamente o ponto — a bateria vendida como "check-up oncológico" não tem equivalente no serviço público.
E o CA 19-9? E o CA 15-3? Não estão lá. Também rendem zero, assim como CA 72-4, CYFRA, HE4, S-100 e o PSA livre. A busca é confiável porque o controle positivo é forte: a fórmula exata "ANTÍGENO CA" existe na tabela e vale apenas para o 125.7 O vocabulário está no arquivo; ele simplesmente nunca foi aplicado a esses outros exames.
Uma nuance que vale registrar: a descrição oficial do CA 125 delimita seu uso a "acompanhamento de doentes de neoplasia maligna epitelial de ovário [...] sob tratamento antineoplásico", e a do CEA fala em "estadiamento e monitorização, sendo o melhor marcador da resposta ao tratamento".12 O Ministério paga esses exames para seguir doentes, não para procurar doença. Ao mesmo tempo, o INCA lista o CA 125 na avaliação diagnóstica inicial de quem tem sintomas.4 As duas leituras convivem — e nenhuma das duas é "check-up".
Entenda seus marcadores com o AI DiagMe
Um marcador tumoral só significa alguma coisa junto do resultado anterior, do seu histórico e dos exames de fígado e rim. O AI DiagMe organiza seus laudos e explica cada linha em linguagem clara, como complemento — nunca substituto — da avaliação do seu médico.
O que atrapalha o resultado
Antes de interpretar um valor alterado, vale conferir o básico. A SBPC/ML orienta evitar a coleta de PSA total logo após ejaculação, toque retal ou durante infecção urinária, e evitar a coleta de CA 125 na fase menstrual.6
Duas armadilhas técnicas completam a lista. A primeira: kits de fabricantes diferentes não dão o mesmo número. A SBPC/ML avisa que repetir a medida na mesma amostra com métodos diferentes "pode gerar resultados muito diferentes" e recomenda que o laudo traga a técnica e o fabricante.6 Consequência prática: faça a série toda no mesmo laboratório. A segunda é o efeito gancho — concentrações altíssimas podem saturar o ensaio e devolver um valor falsamente baixo; a saída é repetir com duas diluições.6
Vale lembrar, por fim, que pedir marcadores em excesso não é um defeito brasileiro. Numa auditoria italiana de 5,8 milhões de pedidos ao longo de seis anos, 55,9% foram feitos sem um diagnóstico que os justificasse — chegando a 77% no caso do PSA.14 Em três hospitais de Xangai, entre 58% e 79% dos pedidos foram considerados inapropriados.15 E uma revisão em países de renda baixa e média aponta os marcadores tumorais entre os exames laboratoriais mais usados em excesso.16
Perguntas frequentes
Meu CA 125 deu um pouco alto. Tenho câncer? Provavelmente não. Entre mulheres com doença ovariana benigna, 31% tinham CA 125 falso-positivo.10 Menstruação, endometriose, cistos, cirrose e insuficiência renal elevam o marcador.6 Leve o resultado ao seu médico: a conduta habitual é repetir depois de 15 a 20 dias e olhar a tendência.
Posso pedir marcadores tumorais no check-up? O INCA não recomenda rastrear câncer com esses exames em quem não tem sintomas, porque o balanço entre benefícios e riscos é desfavorável.15 A decisão é do seu médico, com sua história na mão.
Marcador normal significa que não tenho câncer? Não. O próprio INCA cita a "falsa tranquilidade" do resultado falso-negativo como um dos riscos do rastreamento.4 Muitos tumores nunca elevam marcador algum.
Qual é o valor normal? O que vale é o intervalo impresso no seu laudo, porque ele depende do kit usado. Comparar com o valor de outro laboratório é comparar duas réguas diferentes.6 Para os nomes dos exames, veja o glossário.
Preciso de jejum? Para a maioria dos marcadores não há exigência de jejum.6 O que importa mais é evitar as situações que alteram o resultado — coleta menstrual para o CA 125, manipulação prostática para o PSA.
O SUS cobre? Quanto custa fora dele? O SUS cobre cinco marcadores, de R$ 7,85 a R$ 16,42.7 Fora dele, os preços variam bastante; veja quanto custa um exame de sangue.
E os marcadores que aparecem no meu laudo e não estão aqui? A calcitonina e a tireoglobulina servem sobretudo ao seguimento de cânceres de tireoide. O PSA livre é uma fração do PSA total, usada para refinar a indicação de biópsia — e não tem código no SUS.7 O beta hCG tem guia próprio.
Então o marcador serve para saber se o tratamento está funcionando? Sim — é justamente o uso estabelecido. A descrição oficial do CEA no SUS o chama de "o melhor marcador da resposta ao tratamento" nos adenocarcinomas gastrointestinais,12 e a SBPC/ML explica que uma meia-vida observada maior que a esperada sugere que o tratamento não removeu toda a massa tumoral.6
Existe exame de sangue que detecta câncer cedo? Nenhum recomendado hoje no Brasil para a população geral. Uma exceção parcial: a SBPC/ML considera a alfafetoproteína desaconselhada como triagem populacional de câncer de fígado, mas adequada em grupos de altíssimo risco, como portadores de hepatite viral crônica ou cirrose.6 Grupo de risco definido não é a mesma coisa que população geral.
Para lembrar
Um marcador tumoral responde bem a uma pergunta — "este tratamento está funcionando?" — e responde mal àquela que faz a pessoa pedir o exame: "eu tenho câncer?". O INCA é explícito ao não recomendar o rastreamento com esses exames, e ao mesmo tempo os coloca onde eles funcionam: no diagnóstico de quem tem sintomas e no seguimento de quem já tem diagnóstico. Se o seu resultado veio um pouco alterado, três perguntas ordenam a conversa com o médico: como estão o fígado e o rim? existe inflamação ou outra causa benigna em curso? e, sobretudo, qual era o valor anterior? A resposta útil quase nunca está num número isolado — está na curva. Organizar esses resultados lado a lado é o que o AI DiagMe faz, como complemento à consulta, nunca no lugar dela.
Fontes
Fontes institucionais brasileiras e publicações científicas (PubMed) usadas neste guia:
Footnotes
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INCA — Câncer de ovário, versão para a população. Fonte da frase "Não há evidência científica de que o rastreamento do câncer de ovário traga mais benefícios do que riscos e, portanto, até o momento, ele não é recomendado" e da presença do CA-125 na etapa de diagnóstico. gov.br/inca ↩ ↩2 ↩3
-
INCA — Câncer de fígado, versão para a população. Mesma formulação sobre o rastreamento não recomendado; o diagnóstico descrito apoia-se em tomografia, ressonância e laparoscopia. gov.br/inca ↩ ↩2 ↩3
-
INCA — Câncer de testículo, versão para a população. Fonte do rastreamento não recomendado e da frase "O diagnóstico se faz pelo exame físico criterioso, exame de ultrassonografia da bolsa escrotal e pela dosagem de marcadores tumorais no sangue". gov.br/inca ↩ ↩2 ↩3
-
INCA — Câncer de ovário, versão para profissionais de saúde. Fonte da definição de rastreamento ("população assintomática, aparentemente saudável"), da lista de riscos do rastreamento (falso-positivo, falso-negativo com "falsa tranquilidade", sobrediagnóstico e sobretratamento), da lista "Marcadores tumorais (CA 125, CEA, Beta-hCG, Alfa-fetoproteína)" na avaliação inicial e da frase "Diagnóstico definitivo é histopatológico". gov.br/inca ↩ ↩2 ↩3 ↩4 ↩5 ↩6
-
Instituto Nacional de Câncer José Alencar Gomes da Silva (INCA) / Ministério da Saúde — Detecção Precoce do Câncer. Rio de Janeiro: INCA, 2021. Fonte da distinção entre rastreamento e diagnóstico precoce, da explicação do valor preditivo positivo ("quanto menor for a prevalência..."), da prevenção quaternária e da cascata iatrogênica, da posição sobre o rastreamento do câncer de próstata ("não é recomendado", decisão compartilhada) e da taxa de falsos-positivos do PSA (11,3% com limiar de 4,0 ng/mL a 19,8% com limiar de 3,0). Documento lido integralmente: a palavra "marcador" aparece 3 vezes em 3.387 linhas de texto, nenhuma delas designando um marcador tumoral circulante. PDF ↩ ↩2 ↩3 ↩4 ↩5 ↩6 ↩7 ↩8 ↩9 ↩10 ↩11 ↩12
-
Andriolo A. A utilidade e os cuidados na medida e interpretação dos resultados de marcadores tumorais bioquímicos circulantes. In: Sociedade Brasileira de Patologia Clínica/Medicina Laboratorial (SBPC/ML), Recomendações da SBPC/ML: boas práticas em laboratório clínico, cap. 39. São Paulo: Manole, 2020. Fonte do catabolismo hepático e da excreção renal dos marcadores, do aumento de 2 a 4 vezes na cirrose e na insuficiência renal crônica, das elevações de CEA na colite ulcerativa e na doença de Crohn e de PSA na prostatite e na hiperplasia benigna, da elevação do CA 125 na fase menstrual, dos limiares de alta probabilidade (CA 125 e CA 19-9 > 1.000 UI/mL, CEA > 25 ng/mL), das medidas seriadas em intervalos de 15 a 20 dias, das meias-vidas (alfafetoproteína 5 dias, PSA total 3 dias, hCG 12 a 20 horas), do efeito gancho, da não equivalência entre kits de fabricantes diferentes e da posição sobre a alfafetoproteína como triagem populacional. ⚠️ O manual contém encartes publicitários de fabricantes de reagentes, descartados nesta leitura; as citações acima vêm do texto assinado do capítulo. PDF ↩ ↩2 ↩3 ↩4 ↩5 ↩6 ↩7 ↩8 ↩9 ↩10 ↩11 ↩12 ↩13 ↩14 ↩15 ↩16
-
Ministério da Saúde / DATASUS — SIGTAP, Sistema de Gerenciamento da Tabela de Procedimentos, Medicamentos e OPM do SUS, tabela
tb_procedimento, competência 08/2026 (1.697.774 bytes, 5.023 linhas). Leitura direta em colunas fixas, decodificação latin-1, campo VL_SA; parser validado contra hemograma completo 0202020380 (R$ 4,11) e dosagem de ferritina 0202010384 (R$ 15,59). Códigos citados: PSA 0202030105 (R$ 16,42), alfa-fetoproteína 0202030091 (R$ 15,06), antígeno CA 125 0202031217 (R$ 13,35), antígeno carcinoembrionário 0202030962 (R$ 13,35), gonadotrofina coriônica 0202060217 (R$ 7,85), calcitonina 0202060128 (R$ 14,38), tireoglobulina 0202060365 (R$ 15,35), beta-2-microglobulina 0202030113 (R$ 13,55). Ausências verificadas com repli de acentos ativo (2.483 linhas acentuadas) e controle positivo "ANTÍGENO CA" (presente, aplicado apenas ao CA 125): CA 19-9, CA 15-3, CA 72-4, CYFRA, HE4, S-100, PSA livre e qualquer painel de marcadores rendem zero ocorrência. sigtap.datasus.gov.br ↩ ↩2 ↩3 ↩4 ↩5 ↩6 -
Andriolo A. Novos marcadores no diagnóstico e acompanhamento do câncer de próstata. In: SBPC/ML, Boas práticas em laboratório clínico, cap. 40. São Paulo: Manole, 2020. Fonte do valor preditivo positivo de 25% a 35% para PSA total entre 4 e 10 ng/mL — "em 65 a 75% dos casos trata-se de resultado falso-positivo" — e da probabilidade de 42% a 64% acima de 10 ng/mL. As condições de coleta do PSA citadas nesta página vêm do capítulo 39. PDF ↩
-
Menon U, Gentry-Maharaj A, Burnell M, et al. Ovarian cancer population screening and mortality after long-term follow-up in the UK Collaborative Trial of Ovarian Cancer Screening (UKCTOCS): a randomised controlled trial. Lancet. 2021;397(10290):2182-2193 (202.562 mulheres, mediana de 16,3 anos de seguimento; sem redução significativa da mortalidade; "general population screening cannot be recommended"). Estudo britânico, citado aqui como referência internacional. PubMed · DOI ↩
-
Lycke M, Ulfenborg B, Malchau Lauesgaard J, Kristjansdottir B, Sundfeldt K. Consideration should be given to smoking, endometriosis, renal function (eGFR) and age when interpreting CA125 and HE4 in ovarian tumor diagnostics. Clin Chem Lab Med. 2021;59(12):1954-1962 (445 mulheres com doença ovariana benigna; 31% de falsos-positivos de CA 125; endometriose como única preditora independente, OR 7,96, IC95% 4,53-14,39; tabagismo e eGFR reduzido preditores para o HE4). Estudo sueco. PubMed · DOI ↩ ↩2 ↩3
-
Helling TS. Caution in interpretation of the tumor marker CA 19.9 in patients with obstructive jaundice: illustrative case reports. J Miss State Med Assoc. 2013;54(4):96-9 (quatro pacientes com CA 19.9 muito elevado por doença calculosa benigna; normalização após a desobstrução). Série de casos, nível de evidência limitado; sem DOI registrado no NCBI. PubMed ↩
-
Ministério da Saúde / DATASUS — SIGTAP, tabela
tb_descricao(4.324 descrições), mesma competência. Texto de intenção do CA 125: "dosagem sérica do marcador CA 125 para acompanhamento de doentes de neoplasia maligna epitelial de ovário ou de trompa uterina ou de carcinomatose peritoneal sob tratamento antineoplásico"; do CEA: "utilizado para auxiliar no estadiamento e monitorização, sendo o melhor marcador da resposta ao tratamento de adenocarcinomas gastrointestinais"; da alfafetoproteína: "utilizada como marcador tumoral e no acompanhamento da gestação"; da beta-2-microglobulina: "utilizado na avaliação das doenças autoimunes, inflamatórias crônicas, doenças infecciosas e doenças linfoproliferativas e mieloproliferativas". Unicidade de cada descrição verificada (nenhuma delas é compartilhada com outro código). ↩ ↩2 ↩3 ↩4 -
Primrose JN, Perera R, Gray A, et al. Effect of 3 to 5 years of scheduled CEA and CT follow-up to detect recurrence of colorectal cancer: the FACS randomized clinical trial. JAMA. 2014;311(3):263-70 (1.202 participantes; reoperação com intenção curativa em 6,7% no grupo CEA contra 2,3% no acompanhamento mínimo; mortalidade sem diferença significativa). Ensaio britânico. PubMed · DOI ↩
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Gion M, De Gobbi R, Zorzi M, et al. Overordering of tumor marker for outpatients revealed by performance indicators and the impact of a health policy intervention: An observational study using administrative records. Int J Biol Markers. 2023;38(1):61-71 (5.821.251 pedidos em 4.382.159 pacientes ao longo de 6 anos na região do Vêneto; 55,9% sem código de doença apropriado, de 77,0% para o PSA a 17,5% para o CA 15-3). Estudo italiano. PubMed · DOI ↩
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