FSH: valores de referência e o que o resultado indica
O FSH sobe quando a gônada responde mal: é a hipófise cobrando mais alto. O que dizem a Febrasgo e a SBPC/ML, e por que a menopausa não se dosa.
O FSH é uma das duas gonadotrofinas fabricadas pela hipófise. O nome completo — hormônio folículo-estimulante — aparece por extenso no pedido médico e na tabela do SUS, mas quase ninguém o usa. Este guia trata do exame de sangue e do erro de leitura que ele mais provoca: o FSH não mede o ovário nem o testículo. Ele mede o quanto a hipófise está tendo de gritar com eles. Faz parte do perfil hormonal.
Em resumo
- O FSH é um termostato, não um termômetro. Ele sobe quando a gônada responde mal e cai quando o comando falha — a mesma lógica invertida do TSH na tireoide.
- A Febrasgo põe isso numa frase: "a dosagem do FSH é o exame principal para identificar se a causa é central (FSH diminuído) ou ovariana (FSH aumentado)".1
- 🔴 A menopausa não se diagnostica pelo FSH. Para a Febrasgo, acima dos 45 anos com sintomas típicos o diagnóstico é clínico e "não necessita de confirmação por outros exames complementares"; a data da menopausa é definida retrospectivamente, após 12 meses sem menstruar.2
- Quando há dúvida, a Febrasgo aceita duas dosagens com 4 a 6 semanas de intervalo; acima de 25 mUI/mL indicam o início da transição — ressalvando que nessa fase as concentrações "podem ter grande variabilidade diária".2
- As réguas brasileiras não são uma só. Na amenorreia, FSH acima de 30 mUI/mL sugere causa gonadal; na insuficiência ovariana prematura, acima de 25 em duas ocasiões com 4 semanas de intervalo confirmam.3
- Na reserva ovariana o FSH foi destronado. Para a Febrasgo, o hormônio antimülleriano (HAM) "é atualmente a melhor medida disponível", e pode ser colhido em qualquer dia do ciclo.4 A SBPC/ML o chama de marcador mais fidedigno, junto com a contagem de folículos antrais.3
- ⚠️ E o HAM não existe na tabela do SUS. Nenhuma das 5.023 linhas o menciona — enquanto o FSH custa R$ 7,89.5
- No homem, FSH alto com espermograma alterado aponta o testículo, não a hipófise; é aí que entram cariótipo e pesquisa de microdeleção do cromossomo Y.6
- Nenhum valor isolado fecha diagnóstico. O FSH se lê com o LH, com o hormônio sexual, com os seus sintomas e com o seu médico.
O termostato: por que FSH alto é má notícia para a gônada
A descrição oficial do procedimento na tabela do SUS resume a função em uma linha: um teste "para detectar hormônio folículo estimulante, que na mulher, estimula os folículos ovarianos e, no homem, a espermatogênese".5 A SBPC/ML detalha: o FSH comanda o crescimento folicular e a proliferação das células da granulosa, é secretado em pulsos pela hipófise anterior e sofre retrocontrole do estradiol e da inibina.3
É esse retrocontrole que inverte a leitura. Quando o ovário ou o testículo produzem pouco, o freio some e a hipófise aumenta o FSH para cobrar produção. Um FSH alto, portanto, não descreve uma hipófise hiperativa: descreve uma gônada que não está respondendo. E um FSH baixo, acompanhado de hormônios sexuais baixos, aponta para o andar de cima — hipófise ou hipotálamo.
O protocolo Febrasgo de amenorreia organiza a investigação exatamente assim: com prolactina normal, "o FSH elevado sugere insuficiência ovariana; FSH supresso sugere doença central (disfunção hipotalâmica ou hipofisária); e FSH normal pode estar presente nas anovulações, como na síndrome de ovários policísticos".7 O mesmo texto acrescenta a armadilha: em algumas disfunções do hipotálamo, quando não há supressão completa dos pulsos de GnRH, o FSH pode vir normal, com diagnóstico difícil.7
As réguas: quatro números, quatro perguntas diferentes
Não existe "o valor normal do FSH". Existe o valor que responde à pergunta que foi feita.
| Situação | Corte brasileiro | Fonte |
|---|---|---|
| Amenorreia, causa gonadal | > 30 mUI/mL | SBPC/ML3 |
| Insuficiência ovariana prematura | > 25 mUI/mL, duas vezes, 4 semanas de intervalo | SBPC/ML3 |
| Início da transição menopausal | > 25 mUI/mL, duas vezes, 4 a 6 semanas | Febrasgo2 |
| Prognóstico em reprodução assistida | ideal < 8; ruim 10–15; mau prognóstico > 15 mUI/mL | Febrasgo4 |
Repare que 25 mUI/mL aparece duas vezes com significados distintos, e que a faixa de 10 a 15 — que a SBPC/ML descreve como "mau prognóstico reprodutivo" — está muito abaixo de tudo o que se chamaria de "alterado" num laudo comum.3 O intervalo que vale para você é o impresso no seu laudo: ele depende do kit do laboratório. A SBPC/ML lembra ainda que radioimunoensaio e ELISA têm baixa sensibilidade para gonadotrofinas, e que os métodos imunométricos são os de escolha.3
O dia da coleta faz parte do resultado
Para a SBPC/ML, o FSH "deve ser avaliado na fase folicular precoce (1 a 3 dias do ciclo) sem uso concomitante de medicação"; no capítulo de variação, ela fixa a janela de reserva ovariana entre os dias 1 e 4.3 A Febrasgo colhe FSH e LH basais "no terceiro dia do fluxo menstrual natural" e situa a avaliação de reserva entre o 2º e o 5º dia.4 Um FSH colhido no dia 12 não está errado: está fora de contexto — ao contrário da progesterona, que só comprova ovulação depois do 21º dia.3
Duas medidas se contradizem aqui, e vale publicá-las lado a lado. A Febrasgo, falando da transição menopausal, adverte que as concentrações "podem ter grande variabilidade diária".2 Um estudo prospectivo com 50 mulheres eumenorreicas candidatas a reprodução assistida mediu o oposto no ciclo regular: o FSH do 3º dia não variou de forma significativa nem dentro do ciclo (dias 2 a 5) nem entre três ciclos consecutivos — ao contrário do estradiol, que variou.8 Não são resultados incompatíveis: descrevem populações diferentes. O FSH é estável enquanto o ovário ainda regula; deixa de ser quando ele começa a falhar.
E há o apagador: anticoncepcionais hormonais suprimem as gonadotrofinas. Para avaliar o eixo, a SBPC/ML orienta interromper por cerca de 3 meses.3
Menopausa: o exame que o diagnóstico não pede
Este é o motivo mais comum para pedir um FSH — e é o motivo em que ele menos serve.
O Position Statement nº 5 da Febrasgo, de maio de 2022, é explícito: para mulheres com mais de 45 anos e queixas sugestivas de hipoestrogenismo — fogachos, sangramento pouco frequente —, "o diagnóstico de síndrome do climatério é clínico e não necessita de confirmação por outros exames complementares".2 E a menopausa em si não é um exame nem um dia de consulta: é a data da última menstruação, definida retrospectivamente após 12 meses de amenorreia.2
O documento não abole o FSH: quando há dúvida sobre a origem dos sintomas, a dosagem na fase folicular inicial pode confirmar, com duas medidas de 4 a 6 semanas de intervalo e corte de 25 mUI/mL.2 A diferença é de papel: auxiliar uma dúvida, não fundar um diagnóstico. Para mulheres abaixo de 45 anos com sangramento irregular, o mesmo protocolo pede propedêutica complementar em vez de assumir climatério.2
Há ainda um exame que costuma vir junto e resolve confusões. O mesmo documento observa que os sintomas de disfunção tiroidiana se assemelham aos do hipoestrogenismo — ondas de calor, irregularidade menstrual, ganho de peso, depressão — e que mulheres na perimenopausa com essas queixas devem ter a função da tireoide avaliada.2 Se o seu pedido trouxe FSH e TSH na mesma folha, é por isso; o panorama está nos exames da tireoide.
Idades, para calibrar: a Febrasgo dá média de 51 anos, com 90% das mulheres entre 45 e 55; insuficiência ovariana prematura é a perda da atividade ovariana antes dos 40 e atinge cerca de 1%; a menopausa entre 40 e 45 anos atinge cerca de 5%.2 Duas medidas brasileiras discordam entre si e da média: o ELSI-Brasil, com 2.731 mulheres, achou mediana de 50 anos;9 o Brazilian Menopause Study, com 1.500 mulheres, achou 48.10
Reserva ovariana: destronado, não apagado
A pergunta "quantos óvulos ainda tenho" mudou de exame. A Febrasgo escreve que a dosagem do hormônio antimülleriano (HAM, o AMH internacional) "é atualmente a melhor medida disponível da reserva ovariana" e que ele "pode ser medido em qualquer dia do ciclo menstrual".4 A SBPC/ML concorda e explica por quê: o HAM é produzido pelos folículos pré-antrais e antrais pequenos, sofre pouca variação intraciclo e tem excelente correlação com o padrão de referência, a contagem de folículos antrais.3
O mesmo protocolo aposenta explicitamente dois testes antigos — o teste do clomifeno e a inibina basal do 3º dia: "não possuem aplicabilidade clínica, retardam o diagnóstico e o tratamento".4
Mas o FSH não saiu de cena. Numa série de 225 pacientes de fertilização com HAM e contagem de folículos normais, um FSH basal ≥ 10 ainda se associou a menos folículos (17 contra 22), menos oócitos (15 contra 18) e menos embriões (8 contra 10) — com taxas de gravidez clínica e nascido vivo semelhantes.11 Ou seja: o FSH continua informando sobre a resposta ao estímulo, mesmo quando os marcadores novos estão normais.
⚠️ E aqui a régua brasileira do papel encontra a régua do orçamento. O exame que as duas sociedades chamam de melhor não tem código na tabela do SUS. Procurando pelo radical "MULLER" com acentos rebatidos nas 5.023 linhas, a única ocorrência é uma esfera de Müller — uma prótese oftálmica.5 O vocabulário está na tabela; ele nunca foi aplicado a este hormônio.
No homem: o FSH mede a fábrica, não o hormônio
Do lado masculino o FSH sustenta a espermatogênese, e o raciocínio é o mesmo. Um FSH elevado com espermograma alterado aponta falha do próprio testículo; um FSH baixo com testosterona baixa aponta a hipófise. Uma revisão sobre azoospermia descreve a separação entre a forma obstrutiva e a não obstrutiva justamente por esse tripé: avaliação clínica (volume e consistência testicular), laboratório (FSH) e genética — cariótipo e microdeleção do cromossomo Y.6
Os parâmetros de referência do espermograma que a Febrasgo tabula, segundo a OMS: volume ≥ 1,5 mL, concentração > 15 milhões/mL, motilidade progressiva 32%, morfologia > 4% pelo critério estrito de Kruger.4 Nada disso se conduz sozinho: a decisão de investigar genética é do urologista ou do especialista em reprodução.
Na criança e no adolescente
Há uma divisão de trabalho entre as duas gonadotrofinas que quase nenhum laudo explica. Para a puberdade tardia, a Febrasgo diz que "a dosagem do FSH é o exame principal" para separar causa central de causa ovariana, com cariótipo indicado no ramo hipergonadotrófico.1 Para a puberdade precoce, o teste mais sensível é o LH, não o FSH.3 Num menino, a puberdade se marca clinicamente pelo volume testicular acima de 4 mL, em média aos 11,5 anos, e o atraso se define pela ausência desse aumento aos 14.12
Quanto o SUS paga — e o que ele não paga
Leitura direta da tabela do SUS, competência agosto de 2026:5
| Procedimento | Código | Valor |
|---|---|---|
| Dosagem de FSH | 0202060233 | R$ 7,89 |
| Dosagem de LH | 0202060241 | R$ 8,97 |
| Dosagem de estradiol | 0202060160 | R$ 10,15 |
| Espermograma | 0202090264 | R$ 4,80 |
| Teste de estímulo com GnRH ou agonista | 0202060420 | R$ 12,01 |
| Cariótipo em sangue periférico | 0202100030 | R$ 160,00 |
| Hormônio antimülleriano | — | não existe |
Três leituras. Primeiro: o teste de estímulo com GnRH está na tabela e no fluxograma da Febrasgo para puberdade tardia — é um caso em que cobertura e recomendação coincidem, ao contrário dos testes de estímulo da prolactina, que sobrevivem no financiamento sem constar dos protocolos. Segundo: a microdeleção do cromossomo Y não tem código, embora a tabela conheça bem o vocabulário genético — ela paga sequenciamento de exoma, FISH e pesquisa de mutações específicas. Terceiro: o par FSH + LH custa R$ 16,86 ao SUS. Pelo SUS o exame é gratuito para você; no privado a lógica é outra, e o guia quanto custa um exame de sangue detalha.
Avanços recentes
O FSH pode importar para o osso. Um trabalho de 2026 sobre a coorte SWAN modelou a variância individual do FSH ao longo da transição menopausal e encontrou associação com a queda da densidade mineral óssea — sugerindo que a instabilidade do FSH, mais do que a do estradiol, prediz a perda de massa óssea nessa fase.13 É um resultado de método, ainda não uma conduta.
Marcadores de célula de Sertoli ganham espaço na pediatria. Uma revisão de 2025 nos Archives of Endocrinology and Metabolism propõe ler o eixo masculino também por HAM e inibina B, que refletem a função das células de Sertoli, ao lado de FSH e testosterona.12
👉 O AI DiagMe interpreta os seus exames — de sangue, urina ou fezes — considerando todo o seu contexto, em linguagem clara. Serviço informativo que não faz diagnóstico e complementa, sem substituir, a avaliação do seu médico.
Perguntas frequentes
Preciso estar em jejum? Nenhuma das fontes brasileiras consultadas aqui exige jejum para o FSH. O que decide é o dia do ciclo. Se o mesmo tubo servir para glicemia ou lipidograma, o jejum é exigência desses exames.
Meu FSH deu alto. Já é menopausa? Não por si só. Acima dos 45 anos com sintomas típicos, quem faz o diagnóstico é a clínica; a menopausa só se confirma 12 meses depois da última menstruação.2 Um valor único pode ser um ponto ruim de uma fase instável.
FSH e LH precisam ser pedidos juntos? Quase sempre. É a comparação entre as duas gonadotrofinas e o hormônio sexual que localiza o problema — gônada ou hipófise.7
Tomo pílula. O resultado vale? Para avaliar o eixo, não: a supressão é o efeito esperado do medicamento. A SBPC/ML orienta interromper por cerca de 3 meses.3
FSH normal exclui problema de fertilidade? Não. Um FSH normal convive com anovulação, com síndrome dos ovários policísticos e com disfunção hipotalâmica parcial.7 E com HAM e contagem de folículos normais, um FSH mais alto ainda prevê menos oócitos.11
Posso comparar laudos de dois laboratórios? Com cautela — os métodos diferem em sensibilidade e reatividade cruzada.3 Compare com o intervalo do seu próprio laudo; os termos estão no glossário de exames de sangue.
O que levar do seu laudo
Três reflexos. O FSH alto acusa a gônada, o baixo acusa a hipófise. O dia do ciclo faz parte do número. E a menopausa é um diagnóstico de calendário e sintomas, não de dosagem. Como no perfil hormonal inteiro, o valor sozinho não decide nada.
Se algum termo não fizer sentido, comece pelo glossário; para organizar o conjunto antes da consulta, a AI DiagMe ajuda a colocar os seus resultados em contexto.
Fontes
Footnotes
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Febrasgo, Comissão Nacional Especializada em Ginecologia na Infância e Adolescência — Puberdade tardia. Protocolo Febrasgo nº 37. Femina. 2025;53(9):1110-3. "A dosagem do FSH é o exame principal para identificar se a causa é central (FSH diminuído) ou ovariana (FSH aumentado)"; puberdade tardia definida como ausência de caracteres sexuais secundários aos 13 anos em meninas; distinção entre hipogonadismo hipogonadotrófico e hipergonadotrófico; cariótipo sugerido no hipogonadismo hipergonadotrófico; fluxograma com teste de estímulo com GnRH, teste olfatório e ressonância magnética no ramo central. ⚠️ Verificação: PDF baixado (122.164 bytes) e lido diretamente, não por relato de terceiros. PDF ↩ ↩2
-
Federação Brasileira das Associações de Ginecologia e Obstetrícia (Febrasgo), Comissão Nacional Especializada em Climatério — Propedêutica mínima no climatério. Febrasgo Position Statement nº 5, maio de 2022. Femina. 2022;50(5):263-71. Diagnóstico clínico da síndrome do climatério acima dos 45 anos, sem necessidade de confirmação por exames complementares; menopausa definida retrospectivamente após 12 meses de amenorreia; duas dosagens de FSH com 4 a 6 semanas de intervalo quando houver dúvida, com valores acima de 25 mUI/mL indicando o início da transição menopausal e ressalva de grande variabilidade diária nessa fase; média de 51 anos, com 90% das menopausas entre 45 e 55 anos; insuficiência ovariana prematura antes dos 40 anos atingindo cerca de 1%; menopausa entre 40 e 45 anos ("early menopause") em cerca de 5%; propedêutica complementar recomendada abaixo dos 45 anos; rastreamento tireoidiano com TSH. ⚠️ Verificação: PDF baixado (245.708 bytes,
application/pdf), com controle negativo em nome de arquivo inventado no mesmo diretório devolvendo 404; passagem-chave relida com extração-layoutpara descartar entrelaçamento de colunas. PDF ↩ ↩2 ↩3 ↩4 ↩5 ↩6 ↩7 ↩8 ↩9 ↩10 ↩11 -
Sociedade Brasileira de Patologia Clínica/Medicina Laboratorial (SBPC/ML) — Maciel GAR. Avaliação hormonal da mulher em idade reprodutiva. In: Recomendações da SBPC/ML: boas práticas em laboratório clínico, cap. 48. Seção Gonadotrofinas: FSH responsável pelo crescimento folicular e pela proliferação das células da granulosa, secretado em pulsos pela hipófise anterior sob retrocontrole do estradiol e da inibina, com padrão variável que dificulta a interpretação; avaliação na fase folicular precoce (1 a 3 dias do ciclo) sem medicação concomitante; insuficiência ovariana prematura confirmada com FSH acima de 25 mUI/mL em duas ocasiões com 4 semanas de intervalo; FSH acima de 30 mUI/mL sugerindo causa gonadal nas amenorreias; FSH de 10 a 15 mUI/mL indicando mau prognóstico reprodutivo em reprodução assistida; utilidade no diagnóstico de menopausa ou transição menopausal em pacientes histerectomizadas; métodos imunométricos como escolha, com baixa sensibilidade do RIE e do ELISA para gonadotrofinas; LH como teste de maior sensibilidade na puberdade precoce dependente de gonadotrofinas; HAM como marcador mais fidedigno de reserva ovariana junto com a contagem de folículos antrais, produzido pelas células da granulosa de folículos pré-antrais e antrais pequenos; FSH e estradiol colhidos na fase folicular precoce entre os dias 1 e 4; interrupção do anticoncepcional por cerca de 3 meses para avaliar o eixo. ⚠️ Verificação: leitura do texto integral do PDF (16.055.655 bytes, 23.815 linhas extraídas). PDF ↩ ↩2 ↩3 ↩4 ↩5 ↩6 ↩7 ↩8 ↩9 ↩10 ↩11 ↩12 ↩13 ↩14
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Febrasgo — Lamaita RM, Amaral MC, Cota AM, Ferreira MC. Propedêutica básica da infertilidade conjugal. Protocolo Febrasgo. Femina. 2020;48(5):311-5. FSH e LH basais colhidos no 3º dia do fluxo menstrual natural; reserva ovariana avaliada por FSH, estradiol, HAM e contagem ultrassonográfica de folículos antrais entre o 2º e o 5º dia; HAM como "a melhor medida disponível da reserva ovariana", mensurável em qualquer dia do ciclo; valores de referência de FSH (ideal < 8 mUI/mL, ruim entre 10 e 15, mau prognóstico > 15), estradiol (< 50 a 70 pg/mL), HAM (baixa resposta < 0,5 a 1,0 ng/mL; normal 1,0 a 2,8; risco de hiper-resposta > 2,8) e CFA (baixa resposta abaixo de 4 folículos); teste do clomifeno e inibina basal declarados sem aplicabilidade clínica; parâmetros do espermograma segundo a OMS. ⚠️ Verificação: PDF baixado (222.131 bytes) e conferido. PDF ↩ ↩2 ↩3 ↩4 ↩5 ↩6
-
Ministério da Saúde / DATASUS — SIGTAP: Tabela de Procedimentos, Medicamentos e OPM do SUS, competência 202608. Leitura direta de
tb_procedimento.txt(1.697.774 bytes, 5.023 linhas) etb_descricao.txt(4.324 linhas), com decodificação latin-1 e colunas de posição fixa. ⚠️ Os campos monetários têm 12 caracteres e começam na posição 283 do registro (VL_SH 283-294, VL_SA 295-306, VL_SP 307-318), conforme otb_procedimento_layout.txtdo próprio pacote. Parser validado contra dois valores publicados de forma independente: hemograma completo 0202020380 = R$ 4,11 e ferritina 0202010384 = R$ 15,59 — 2 acertos em 2. Rebatimento de acentos ativo e medido: 2.483 das 5.023 linhas carregam acento combinante. Ausências demonstradas com controle positivo forte: "MULLER"/"MÜLLER" retorna 1 linha, e é a esfera de Müller (prótese oftálmica, 0702070041) — o vocábulo existe na tabela, apenas nunca aplicado ao hormônio; "HORMONIO" retorna 19 linhas. "MICRODELECAO" e "DELECAO" retornam 0, numa tabela que paga sequenciamento completo do exoma (0202100200), FISH (0202100090) e pesquisa de mutação do gene da protrombina (0202100235) — o vocabulário genético está presente. Descrição oficial do FSH emtb_descricao.txt(0202060233): "consiste em um teste imunoenzimático para detectar hormônio folículo estimulante, que na mulher, estimula os folículos ovarianos e, no homem, a espermatogênese" — note a grafia sem hífen na descrição e com hífen no nome do procedimento. Para 0202060420: "teste de estímulo utilizando gonadorelina (LH-RH)… útil na investigação da integridade do eixo gonadal-pituitário". sigtap.datasus.gov.br ↩ ↩2 ↩3 ↩4 -
Wosnitzer M, Goldstein M, Hardy MP. Review of Azoospermia. Spermatogenesis. 2014;4:e28218. Revisão da etiologia, do diagnóstico e do manejo da azoospermia: a separação entre azoospermia obstrutiva e não obstrutiva apoia-se em avaliação clínica (consistência e volume testicular), laboratorial (FSH) e genética — cariótipo, microdeleção do cromossomo Y e testes específicos para hipogonadismo hipogonadotrófico. ⚠️ Fonte internacional, usada na falta de protocolo brasileiro equivalente publicado por sociedade de urologia acessível. DOI: 10.4161/spmg.28218 · PubMed 25105055 ↩ ↩2
-
Febrasgo — Benetti-Pinto CL, Soares Júnior JM, Yela DA. Amenorreia. Protocolo Febrasgo. Femina. 2020;48(6):363-8. Avaliação laboratorial inicial com FSH e prolactina; FSH elevado sugerindo insuficiência ovariana, FSH supresso sugerindo doença central e FSH normal compatível com anovulação; ressalva de FSH normal em disfunções hipotalâmicas sem supressão completa dos pulsos de GnRH; nível sérico de FSH como um dos três marcadores da conduta investigativa, ao lado do desenvolvimento mamário e da presença de útero; cariótipo indicado nas amenorreias hipergonadotróficas. ⚠️ Verificação: PDF baixado (219.800 bytes) e relido com
-layout; o protocolo está na revista da sociedade (femina.org.br), não no site institucional. PDF ↩ ↩2 ↩3 ↩4 -
Peñarrubia J, Fábregues F, Manau D, Creus M, Casamitjana R, Carmona F, Vanrell JA, Balasch J. Initial analysis of variability among basal hormone biomarkers of ovarian reserve. Reprod Biomed Online. 2004;8(2):191-5. Cinquenta mulheres eumenorreicas candidatas a reprodução assistida, com coleta nos dias 2, 3, 4 e 5 do primeiro ciclo e no dia 3 de três ciclos consecutivos: nem o FSH nem a relação FSH/LH variaram de forma significativa dentro do ciclo ou entre ciclos, ao contrário do estradiol e da inibina B. ⚠️ Fonte internacional, publicada em contraponto declarado à ressalva de variabilidade da Febrasgo, que se refere à transição menopausal e não ao ciclo regular. DOI: 10.1016/s1472-6483(10)60515-9 · PubMed 14989797 ↩
-
Ygnatios NTM, Mambrini JVM, Torres JL, Detomi LMD, Braga LS, Lima-Costa MF, Moreira BS. Age at natural menopause and its associated characteristics among Brazilian women: cross-sectional results from ELSI-Brazil. Menopause. 2024;31(8):693-701. Estudo transversal com 2.731 brasileiras de 50 anos ou mais, da linha de base do Estudo Longitudinal da Saúde dos Idosos Brasileiros: mediana de idade da menopausa natural de 50 anos; tabagismo atual e baixo peso associados a menopausa mais precoce, atividade física recomendada, sobrepeso e marcadores de alimentação saudável associados a menopausa mais tardia. DOI: 10.1097/GME.0000000000002385 · PubMed 38954496 ↩
-
Pompei LM, Bonassi-Machado R, Steiner ML, Pompei IM, de Melo NR, Nappi RE, Fernandes CE. Profile of Brazilian climacteric women: results from the Brazilian Menopause Study. Climacteric. 2022;25(5):523-9. Estudo nacional transversal com 1.500 brasileiras de 45 a 65 anos: mediana da idade da menopausa de 48 anos, sem diferença entre classes socioeconômicas; irregularidade menstrual iniciada aos 46 anos e fogachos aos 47; prevalência de qualquer sintoma climatérico de 87,9%. DOI: 10.1080/13697137.2022.2088276 · PubMed 35801642 ↩
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Miller CM, Melikian REM, Jones TL, Purdy MP, Khan Z, Bleess JL, Stewart EA, Coddington CC, Shenoy CC. Follicle Stimulating Hormone (FSH) as a Predictor of Decreased Oocyte Yield in Patients with Normal Anti-Müllerian Hormone (AMH) and Antral Follicle Count (AFC). J Reprod Infertil. 2023;24(3):181-7. Revisão retrospectiva de 225 pacientes com HAM entre 1 e 9 e contagem de folículos antrais entre 10 e 29: FSH basal ≥ 10 associou-se a menos folículos (17 contra 22), menos oócitos (15 contra 18) e menos embriões (8 contra 10), apesar de doses maiores de gonadotrofinas, com taxas de gravidez clínica e de nascido vivo semelhantes. ⚠️ Fonte internacional. DOI: 10.18502/jri.v24i3.13274 · PubMed 37663421 ↩ ↩2
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Rey RA, Grinspon RP, Castro S. Clinical approach to the male with delayed puberty. Arch Endocrinol Metab. 2025;70:e250428. Revisão publicada nos Archives of Endocrinology and Metabolism, periódico oficial da Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia (autores argentinos): o eixo hipotálamo-hipófise-testículo passa pela produção fetal de andrógenos, pela "minipuberdade" pós-natal e pela reativação na adolescência, com HAM, inibina B, testosterona e INSL3 como biomarcadores ao lado das gonadotrofinas; puberdade marcada clinicamente pelo aumento testicular acima de 4 mL, em média aos 11,5 anos; puberdade tardia definida como ausência desse aumento aos 14 anos. DOI: 10.20945/2359-4292-2025-0428 · PubMed 41312956 ↩ ↩2
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Chen I, Wu Z, Harlow SD, Karvonen-Gutierrez CA, Hood MM, Elliott MR. Using subject-level variability to predict time-varying outcomes: investigating the association between hormone variability and BMD trajectories over the menopausal transition. J Appl Stat. 2026;53(11):2137-61 (publicação eletrônica em 26/11/2025). Modelo conjunto aplicado à coorte SWAN: uma variância individual maior do FSH associou-se a declínio da densidade mineral óssea ao longo da transição menopausal — no período menstrual final, previu queda média de 0,26% —, sugerindo que a média e a variância do FSH, mais do que as do estradiol, predizem a saúde óssea da menopausa. ⚠️ Fonte internacional e trabalho metodológico; não estabelece conduta clínica. DOI: 10.1080/02664763.2025.2589991 · PubMed 42688826 ↩