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Proteína C reativa: o que mede e valores no Brasil

O que a proteína C reativa mede, por que a sigla PCR confunde três exames diferentes, os valores usados no Brasil e o que o resultado não diz.

Publicado em 5 de setembro de 202612 min de leituraEscrito pela Equipe Blood Analysis · Revisado e verificado por Julien Priour

A proteína C reativa é o exame de sangue que o médico pede quando quer saber, em poucas horas, se há inflamação acontecendo no corpo. Ela sobe rápido e desce rápido, custa pouco no SUS e aparece em quase toda investigação de febre, dor ou infecção. Mas ela tem duas armadilhas: a sigla, que no Brasil designa outras duas coisas completamente diferentes, e a interpretação, porque um número alto não diz por quê.

Em resumo

  • A proteína C reativa é uma proteína de fase aguda produzida pelo fígado sob estímulo da interleucina-6; seus níveis podem variar de 10 a 100 vezes em 6 a 72 horas após qualquer dano tecidual.1
  • ⚠️ A sigla "PCR" tem três significados na medicina brasileira — e dois deles aparecem no mesmo documento de uma sociedade médica nacional.2 Escreva e peça "proteína C reativa" por extenso.
  • Não existe um valor de referência nacional. A Pesquisa Nacional de Saúde não a dosou,3 e as Recomendações da SBPC/ML não fixam nenhum ponto de corte para ela.4
  • Os números publicados no Brasil vêm de usos específicos: > 5 mg/L como marca de inflamação no inquérito ENANI-2019,5 ≥ 2,0 mg/L como agravante de risco cardiovascular na diretriz da SBC.6
  • PCR comum e PCR ultrassensível são o mesmo analito, com sensibilidades e perguntas diferentes.67
  • No SUSdois códigos: dosagem por R$ 2,83 e determinação quantitativa por R$ 9,25.8
  • A relação mais concreta é com o ferro: inflamação eleva a ferritina e pode esconder uma falta de ferro real.5

Cuidado com a sigla: no Brasil, "PCR" são três exames

Esta é a parte que quase nenhuma página trata.

1. Proteína C reativa — o exame deste guia, um marcador de inflamação dosado no soro.

2. Reação em cadeia da polimerase (polymerase chain reaction) — um teste molecular, que procura o material genético de um vírus ou bactéria. É o "PCR" que o país inteiro aprendeu na pandemia. No guia de dengue do Ministério da Saúde, a sigla PCR aparece três vezes, e sempre como RT-PCR — detecção viral até o quinto dia de sintomas. A expressão "proteína C reativa" não aparece nenhuma vez no documento.9

3. Parada cardiorrespiratória — no consenso de Patient Blood Management da ABHH, a legenda da figura define "PCR: proteína C reativa"; algumas dezenas de páginas adiante, na tabela de determinantes hemodinâmicos, "pode evoluir até para PCR" significa parada cardiorrespiratória.2 O mesmo documento, a mesma sociedade, três letras, dois sentidos.

👉 Conclusão prática: escreva "proteína C reativa" no pedido e procure por esse nome. Se o resultado no laudo vier abreviado, confira a unidade — a proteína C reativa vem em mg/L ou mg/dL; um RT-PCR vem como "detectável / não detectável".

O que é a proteína C reativa

Quando um tecido é agredido — infecção, trauma, cirurgia, doença autoimune —, células de defesa liberam citocinas, entre elas a interleucina-6. O fígado responde fabricando um grupo de proteínas chamado de fase aguda. A proteína C reativa é a mais usada delas na clínica porque é estável, disponível e bem padronizada: a diretriz da SBC registra coeficientes de variação abaixo de 10% para o ensaio imunoquímico.7

O que torna essa proteína útil não é a precisão: é a velocidade. Ela responde em horas, enquanto marcadores lentos levam dias.

Por que o médico pede

Os motivos mais frequentes: investigar febre sem causa evidente; medir a intensidade de uma infecção conhecida; acompanhar uma doença inflamatória crônica; vigiar um pós-operatório; e completar a leitura de outros exames.

É esse último uso que costuma passar despercebido. No algoritmo pré-operatório da ABHH, há um nó explícito com a pergunta "presença de inflamação / PCR↑?": a resposta muda o corte de ferritina que o hematologista vai aplicar.2 A proteína C reativa aqui não é o exame principal — é o exame que autoriza a leitura do outro.

Ela costuma vir junto do hemograma completo, com atenção aos leucócitos e aos neutrófilos, e às vezes do hepatograma ou da função renal.

Valores: o que realmente existe no Brasil

⚠️ Não há um valor de referência brasileiro oficial para a proteína C reativa. Duas verificações sustentam essa frase:

  • A Pesquisa Nacional de Saúde, que deu as referências nacionais de hemograma, dosou hemoglobina glicada, colesterol, sorologia para dengue, eritrograma, leucograma e creatinina — e nenhuma proteína C reativa.3
  • Nas Recomendações da SBPC/ML, a expressão "proteína C reativa" não aparece escrita por extenso nenhuma vez, e nenhum ponto de corte é recomendado; ela figura apenas em listas de analitos de plataformas.4

Os números abaixo existem, mas cada um pertence a um uso preciso — e não são intercambiáveis.

CorteSignificadoFonte
> 5 mg/Lmarca de infecção/inflamação em crianças, para corrigir a leitura da ferritinaENANI-20195
≥ 2,0 mg/L (ultrassensível)agravante de risco cardiovascularSBC 20256
< 1 / 1–2 / > 2 / ≥ 10 mg/Lfaixas de risco cardiovascular, "quando excluídas causas inflamatórias, infecciosas ou imunes"SBC 20177
< 3 mg/Ldefinição de "nível normal" adotada em estudos brasileiros de população adultaELSA-Brasil1011

Repare na ressalva de 2017: as faixas de risco só valem depois de descartada inflamação. É a mesma proteína, lida com outra régua.

PCR comum e PCR ultrassensível: um analito, duas perguntas

A diferença não é de substância. É de sensibilidade do ensaio e de pergunta clínica.

  • A dosagem comum responde: "há inflamação aguda agora?". Trabalha na faixa que sobe em infecções.
  • A ultrassensível (PCR-us) mede com precisão a faixa baixa, entre 0 e 3 mg/L, onde a comum não discrimina. Responde: "esta pessoa tem inflamação de baixo grau persistente?".

A Diretriz Brasileira de Dislipidemias e Prevenção da Aterosclerose – 2025 da SBC lista a PCR-us ao lado da Lp(a) e da ApoB entre os biomarcadores de estratificação e recomenda considerar PCR-us ≥ 2,0 mg/L como agravante de risco, citando ganho de reclassificação no estudo Framingham Offspring (5,6% para evento cardiovascular, 11,8% para evento coronário).6 A atualização de 2017 já dava a essa dosagem grau de recomendação IIa, nível de evidência A, e desaconselhava usá-la em quem já tem doença aterosclerótica manifesta, em diabéticos e em pessoas de alto risco global.7

Um detalhe brasileiro mostra que a fronteira é fluida: o ENANI-2019 dosou justamente "proteína C reativa ultrassensível", por imunoturbidimetria, em 8.829 crianças — e usou o resultado para uma pergunta inflamatória, não cardiovascular.5 Mesmo ensaio, outra finalidade.

Esta página trata do versante inflamatório. O uso cardiovascular da PCR-us merece guia próprio, com lipidograma e glicemia ao lado.

O que a proteína C reativa NÃO diz

Esta é a seção mais útil da página.

Ela não diz a causa. Sobe em infecção bacteriana, em virose, em trauma, em cirurgia, em doença autoimune, em obesidade e em câncer. Um dado brasileiro ilustra bem: no ELSA-Brasil, entre 4.126 participantes, a proteína C reativa alta associou-se sobretudo à obesidade, enquanto outro marcador (GlycA) foi o que se associou à placa carotídea.11 Em outra análise da coorte, com 4.001 pessoas, as lipoproteínas ricas em triglicérides associaram-se ao GlycA, mas não à proteína C reativa.12

Ela não mede gravidade por si só. Um valor alto não significa infecção grave, e um valor pouco alterado não significa doença leve.

Ela não exclui doença. Uma proteína C reativa normal não afasta infecção, câncer nem doença autoimune.

Ela não decide o tratamento sozinha. A revisão Cochrane de 2022 sobre testes rápidos em atenção primária reuniu 12 ensaios e 10.218 participantes: usar a proteína C reativa como apoio reduziu as prescrições de antibiótico de 516 para 397 por 1.000 pessoas (RR 0,77; IC 95% 0,69–0,86), sem mudar a recuperação (RR 1,03).13 Ou seja: ela ajuda a evitar antibiótico desnecessário — não a "provar" que existe uma bactéria.

Cinética: por que ela decide quando recontrolar

O argumento prático da proteína C reativa é temporal. Uma revisão sobre suas isoformas resume que os níveis séricos podem mudar de 10 a 100 vezes em 6 a 72 horas após um evento que danifica tecido.1 Isso significa que:

  • dosá-la cedo demais, nas primeiras horas de um sintoma, pode dar um valor ainda baixo;
  • repeti-la ao longo de dias mostra uma tendência — e a tendência informa mais que o número isolado.

⚠️ Não encontramos um documento brasileiro que fixe um intervalo padrão para repetir o exame. Quem define é o médico, conforme o quadro.

Uma diferença concreta com a velocidade de hemossedimentação (VHS) aparece já na coleta: segundo as recomendações da SBPC/ML, a VHS exige tubo de tampa preta com citrato trissódico na proporção 4:1, pelo método de Westergren, enquanto a proteína C reativa é dosada no soro, no mesmo tubo de vários outros exames bioquímicos.14

Proteína C reativa e ferro: a ligação mais concreta

Aqui a proteína C reativa deixa de ser um número solto e passa a mudar a leitura de outro exame.

A ferritina também é proteína de fase aguda: sobe com a inflamação sem que haja mais ferro disponível. O Brasil resolve isso de duas maneiras, e vale mostrar as duas lado a lado.

A ABHH eleva o corte de ferritina de 30 para < 100 mcg/L diante de inflamação crônica.2 E o ENANI-2019 define anemia ferropriva em crianças de 6 a 59 meses como hemoglobina < 11 g/dL e ferritina < 12 µg/L se a proteína C reativa for ≤ 5 mg/L, ou < 30 µg/L se ela for > 5 mg/L — o inquérito dosou a proteína C reativa expressamente para isso.5

O mesmo 20 µg/L de ferritina, portanto, é normal numa criança sem inflamação e deficiente numa criança com proteína C reativa alta. Veja também a cinética do ferro e a ferritina alta.

Quanto custa no SUS

A tabela SIGTAP (competência 08/2026, 5.023 procedimentos) traz dois códigos para este exame:

ProcedimentoCódigoValor
Dosagem de proteína C reativa0202030202R$ 2,83
Determinação quantitativa de proteína C reativa0202030083R$ 9,25
Determinação de velocidade de hemossedimentação (VHS)0202020150R$ 2,73
Dosagem de fibrinogênio0202020290R$ 4,60
Hemograma completo0202020380R$ 4,11

⚠️ A versão ultrassensível não tem código próprio no SUS. Varremos as 5.023 linhas da tabela com seis grafias — ULTRASSENS, ULTRA-SENS, ULTRA SENS, ALTA SENSIBILIDADE, HS-CRP, PCR-US —, com os acentos normalizados (2.483 linhas da tabela têm acentos). Todas deram zero. O controle positivo confirma que a busca funcionava: a palavra "SENSIBILIDADE" existe na tabela, em dois outros procedimentos.8 Veja também quanto custa um exame de sangue.

Preparo e o que interfere no resultado

Jejum não é exigido para este exame. O que costuma alterá-lo é fisiológico ou clínico: infecção recente, exercício intenso, cirurgia, gestação, obesidade, tabagismo.

Ela é, além disso, robusta às interferências pré-analíticas mais comuns. Na tabela de interferentes publicada nas Recomendações da SBPC/ML, ela só é afetada a partir de 1.000 mg/dL de hemoglobina livre (hemólise), 1.000 mg/dL de triglicérides (lipemia) e 60 mg/dL de bilirrubinas (icterícia) — enquanto a TGO sofre já com 40 mg/dL de hemoglobina livre e a LDH com 15.4 Um tubo levemente hemolisado costuma invalidar outros exames antes de invalidar este.

Quando procurar um médico

Procure atendimento se houver febre há mais de dois ou três dias, dor intensa, falta de ar, confusão mental, ou sinais de alarme de arbovirose (dor abdominal intensa, vômitos repetidos, sangramento). Nunca interprete um resultado isolado sozinho: este guia é informativo e não substitui uma consulta.

Avanços recentes

A pesquisa recente vai em duas direções. A primeira é a estratificação combinada: a diretriz da SBC de 2025 destaca uma análise do Women's Health Study com cerca de 27.000 mulheres em que a medida única de PCR ultrassensível, LDL-c e Lp(a) previu eventos cardiovasculares ao longo de 30 anos de seguimento.6

A segunda é a especificidade. Estudos brasileiros do ELSA-Brasil mostram que a proteína C reativa e o GlycA capturam vias inflamatórias diferentes: o GlycA se associou à placa carotídea, e a proteína C reativa, à obesidade.11 Na prática, isso reforça que ela é um sinal, não um diagnóstico.

Um estudo brasileiro em 91 pacientes de UTI com covid-19 encontrou proteína C reativa e RDW mais altos na admissão entre os que não sobreviveram — coorte pequena e de terapia intensiva, que não se transporta para a população geral.15

Perguntas frequentes

Proteína C reativa alta significa infecção? Não necessariamente. Ela sobe em infecções, mas também em trauma, cirurgia, doenças autoimunes, obesidade e câncer. O valor indica que há inflamação, não de onde ela vem.1

Proteína C reativa normal descarta doença? Não. Um resultado normal reduz a probabilidade de inflamação importante no momento da coleta, mas não exclui infecção, câncer nem doença autoimune.

"PCR" no meu exame é o teste de covid? Confira a unidade: em mg/L ou mg/dL, é a proteína C reativa; em "detectável / não detectável", é a reação em cadeia da polimerase. São exames sem relação entre si.9

Preciso estar em jejum? Para a proteína C reativa, não. Se ela vier junto de glicemia ou lipidograma, siga a orientação do exame mais exigente.

Qual a diferença entre PCR e PCR ultrassensível? É o mesmo analito. A ultrassensível mede com precisão a faixa baixa (0–3 mg/L) usada na avaliação de risco cardiovascular; a comum basta para a faixa de inflamação aguda.6

Uma proteína C reativa alta explica a minha ferritina alta? Muitas vezes sim — e o inverso também importa: com proteína C reativa elevada, uma ferritina "normal" pode esconder falta de ferro.52

Para lembrar

A proteína C reativa é um dos exames mais baratos e rápidos do laboratório, e um dos mais mal lidos. Ela mede que há inflamação, com uma velocidade que nenhum outro marcador de rotina alcança — mas não mede a causa, a gravidade nem a ausência de doença. E, no Brasil, carrega uma sigla que designa outros dois exames: motivo suficiente para escrevê-la sempre por extenso.

Para entender os outros exames do seu laudo, use o glossário de exames de sangue ou converse com um profissional em aidiagme.com/pt.

Fontes

Fontes institucionais brasileiras e publicações científicas (PubMed) utilizadas neste guia:

Footnotes

  1. Rajab IM, Hart PC, Potempa LA. How C-Reactive Protein Structural Isoforms With Distinctive Bioactivities Affect Disease Progression. Frontiers in Immunology, 2020; 11: 2126. Revisão que descreve a síntese hepática da proteína C reativa sob estímulo da interleucina-6 e registra que os níveis séricos podem variar de 10 a 100 vezes em 6 a 72 horas após um evento que danifica tecido. Fonte internacional, citada em complemento aos documentos brasileiros. PubMed · DOI 2 3

  2. Associação Brasileira de Hematologia, Hemoterapia e Terapia Celular (ABHH)Consenso da ABHH sobre Patient Blood Management, 1ª edição, publicada em 26 de outubro de 2023. Seções consultadas: Figura 1 (algoritmo pré-operatório, nó "Presença de inflamação/PCR↑?"; corte de ferritina < 100 mcg/L em condição inflamatória crônica); legenda da mesma figura, que define "PCR: proteína C reativa"; e a tabela de correlação dos determinantes hemodinâmicos, no capítulo de transporte de oxigênio, em que "pode evoluir até para PCR" designa parada cardiorrespiratória — os dois sentidos coexistem no mesmo documento. PDF (abhh.com.br) 2 3 4 5

  3. Szwarcwald CL, Malta DC, Souza Júnior PRB, Almeida WS, Damacena GN, Pereira CA, Rosenfeld LG. Exames laboratoriais da Pesquisa Nacional de Saúde: metodologia de amostragem, coleta e análise dos dados. Revista Brasileira de Epidemiologia, 2019; 22 (Supl. 2): e190004.supl.2. Citado aqui para uma ausência verificada: a lista completa de exames da PNS — hemoglobina glicada, colesterol total, LDL, HDL, sorologia para dengue, eritrograma, leucograma, HPLC para hemoglobinopatias e creatinina; na urina, potássio, sal, sódio e creatinina — não inclui a proteína C reativa (zero ocorrência de "reativa" no texto integral). Não existe, portanto, referência nacional de proteína C reativa em adultos vinda da PNS. DOI 2

  4. Sociedade Brasileira de Patologia Clínica/Medicina Laboratorial (SBPC/ML)Recomendações da SBPC/ML: boas práticas em laboratório clínico. Duas leituras: (1) ausência verificada — no documento integral, a expressão "proteína C reativa" não aparece escrita por extenso nenhuma vez e nenhum ponto de corte é recomendado para ela; a sigla PCR aparece 23 vezes, quase sempre como reação em cadeia da polimerase, e "PCR" e "PCR US" figuram apenas em listas de analitos de plataformas analíticas; (2) Tabela 1 do capítulo de interferentes (concentrações de hemoglobina, triglicérides e bilirrubinas que interferem na medição de analitos, cortesia da Clínica Dávila, Chile): PCR ≥ 1.000 mg/dL de hemoglobina, ≥ 1.000 mg/dL de triglicérides, ≥ 60 mg/dL de bilirrubinas — contra AST/TGO ≥ 40 e LDH ≥ 15 mg/dL de hemoglobina. PDF 2 3

  5. Estudo Nacional de Alimentação e Nutrição Infantil (ENANI-2019), UFRJRelatório 3: Biomarcadores do Estado de Micronutrientes. Inquérito domiciliar nacional; dos 12.598 elegíveis, 8.829 crianças de 6 a 59 meses coletaram sangue. Seções consultadas: 3.3.3 Análises laboratoriais ("A concentração de proteína C reativa (PCR) também foi avaliada para viabilizar a utilização dos pontos de corte referentes às concentrações séricas de ferritina"); nota metodológica ("Ausência de infecção/inflamação: Proteína C Reativa sérica ≤ 5 mg/L. Presença de infecção/inflamação: Proteína C Reativa sérica > 5 mg/L"); Quadro 1 (anemia ferropriva: hemoglobina < 11 g/dL e ferritina < 12 µg/L se PCR ≤ 5 mg/L, ou < 30 µg/L se PCR > 5 mg/L); Apêndice de métodos, que registra o ensaio como "Proteína C Reativa ultrassensível — soro — imunoturbidimetria — AU5800, Beckman Coulter"; a proteína C reativa consta entre os quatro "parâmetros prioritários para o Ministério da Saúde", ao lado de hemograma, ferritina e vitamina A. PDF (enani.nutricao.ufrj.br) 2 3 4 5 6

  6. Sociedade Brasileira de Cardiologia (SBC) — Rached FH, Miname MH, Rocha VZ, Zimerman A, Cesena FHY, Sposito AC, Santos RD, et al. Diretriz Brasileira de Dislipidemias e Prevenção da Aterosclerose – 2025. Arquivos Brasileiros de Cardiologia, 2025; 122(9): e20250640. Seções consultadas: item 4.4.2 Proteína C-Reativa Ultrassensível ("a diretriz recomenda considerar PCR ultrassensível ≥ 2,0 mg/L como agravante de risco"; melhora líquida de reclassificação de 5,6% para evento cardiovascular e 11,8% para evento coronário no Framingham Offspring; análise do Women's Health Study com cerca de 27.000 mulheres e 30 anos de seguimento); Quadro 1.1 e Figura 4.2, que listam a PCR-us entre os fatores agravantes de risco ao lado da Lp(a) e da ApoB. Documento vigente, que atualiza a versão de 2017. PubMed · DOI 2 3 4 5 6

  7. Sociedade Brasileira de Cardiologia (SBC) — Faludi AA, Izar MCO, Saraiva JFK, et al. Atualização da Diretriz Brasileira de Dislipidemias e Prevenção da Aterosclerose – 2017. Arquivos Brasileiros de Cardiologia, 2017; 109(2 Supl. 1): 1-76. Seções consultadas: 4.8 Biomarcadores inflamatórios e 4.8.1 Proteína C-Reativa ultrassensível — ensaio imunoquímico estável, disponível e com coeficientes de variação < 10%; recomendação de grau IIa, nível de evidência A; dosagem não recomendada para estratificação em doença aterosclerótica manifesta ou subclínica, em diabéticos e em pessoas de alto risco global; e a frase citada nesta página: "Interpretação dos valores, quando excluídas causas inflamatórias, infecciosas ou imunes de elevação de PCR-us: baixo risco < 1 mg/L; médio risco 1 a 2 mg/L; alto risco > 2 mg/L; muito alto risco ≥ 10 mg/L". Citada como documento anterior, por conter uma ressalva explícita ausente da redação de 2025; para a conduta atual, vale a diretriz de 2025. PDF (abccardiol.org) 2 3 4

  8. Ministério da Saúde / DATASUSSIGTAP: Sistema de Gerenciamento da Tabela de Procedimentos, Medicamentos e OPM do SUS, competência 08/2026 (arquivo tb_procedimento.txt, 1.697.774 bytes, 5.023 procedimentos, campo DT_COMPETENCIA uniforme em 202608). Valores lidos por decodificação de colunas fixas no campo VL_SA: 0202030202 "DOSAGEM DE PROTEINA C REATIVA" R$ 2,83; 0202030083 "DETERMINAÇÃO QUANTITATIVA DE PROTEÍNA C REATIVA" R$ 9,25; 0202020150 "DETERMINAÇÃO DE VELOCIDADE DE HEMOSSEDIMENTAÇÃO (VHS)" R$ 2,73; 0202020290 "DOSAGEM DE FIBRINOGENIO" R$ 4,60; 0202020380 "HEMOGRAMA COMPLETO" R$ 4,11. Ausência verificada por varredura completa: nenhuma ocorrência de ULTRASSENS, ULTRA-SENS, ULTRA SENS, ALTA SENSIBILIDADE, HS-CRP ou PCR-US — não há procedimento de PCR ultrassensível na tabela. Controles positivos da mesma varredura: raiz "REATIV" → 4 procedimentos; "SENSIBILIDADE" → 2 procedimentos (ambos de teste de sensibilidade a fármacos); normalização de acentos ativa e medida em 2.483 das 5.023 linhas; decodificação validada ao reencontrar valores já publicados de forma independente (ferritina 0202010384 = R$ 15,59; hemograma completo = R$ 4,11). Observação: a tabela não qualifica o procedimento 0202030202 como "qualitativo" — o rótulo oficial é apenas "dosagem". Página oficial (DATASUS) 2

  9. Ministério da Saúde (Secretaria de Vigilância em Saúde e Ambiente)Dengue: diagnóstico e manejo clínico — adulto e criança, 6ª edição, Brasília, 2024. Citado aqui para uma ausência verificada e para a homonímia: no texto integral, a expressão "proteína C reativa" aparece zero vez; a sigla "PCR" aparece três vezes, sempre como RT-PCR (detecção viral até o quinto dia de sintomas e critério de confirmação laboratorial). Controles positivos no mesmo arquivo: "hematócrito" → 39 ocorrências, "leucopenia" → 3. Seções consultadas: coleta e conservação de amostras; critérios de confirmação laboratorial. PDF (gov.br/saude) 2

  10. Queiroz CO, Pitanga F, Lotufo PA, Molina MDCB, Aquino EML, Almeida MCC. Amount of physical activity necessary for a normal level of high-sensitivity C-reactive protein in ELSA-Brasil: a cross-sectional study. São Paulo Medical Journal, 2020; 138(1): 19-26. Estudo brasileiro com 10.231 adultos de 35 a 74 anos da coorte ELSA-Brasil; adota PCR ultrassensível < 3 mg/L como "nível normal" e identifica 200 minutos semanais de atividade física (lazer + deslocamento) como melhor ponto de corte associado a esse nível. PubMed · DOI

  11. Tebar WR, Meneghini V, Goulart AC, Santos IS, Santos RD, Bittencourt MS, Generoso G, et al. Combined Association of Novel and Traditional Inflammatory Biomarkers With Carotid Artery Plaque: GlycA Versus C-Reactive Protein (ELSA-Brasil). The American Journal of Cardiology, 2023; 204: 140-150. 4.126 participantes da coorte brasileira, mediana de 50 anos; PCR alta definida como > 3 mg/L, com exclusão dos participantes com PCR > 10 mg/L; GlycA alto associou-se à placa carotídea (OR ajustada 1,37; IC 95% 1,02-1,83), enquanto a PCR alta associou-se sobretudo à obesidade. PubMed · DOI 2 3

  12. Cesena FY, Generoso G, Santos RD, Pereira AC, Blaha MJ, Jones SR, Toth PP, Lotufo PA, Bittencourt MS, Bensenor IM. The association between triglyceride-rich lipoproteins, circulating leukocytes, and low-grade inflammation: The Brazilian Longitudinal Study of Adult Health (ELSA-Brasil). Journal of Clinical Lipidology, 2023; 17(2): 261-271. 4.001 indivíduos (54% mulheres, 50 ± 9 anos): as lipoproteínas ricas em triglicérides associaram-se ao GlycA e aos leucócitos, mas não à PCR ultrassensível (beta 0,022; IC 95% -0,011 a 0,056; p = 0,190). PubMed · DOI

  13. Smedemark SA, Aabenhus R, Llor C, Fournaise A, Olsen O, Jørgensen KJ. Biomarkers as point-of-care tests to guide prescription of antibiotics in people with acute respiratory infections in primary care. Cochrane Database of Systematic Reviews, 2022; 10(10): CD010130. Treze ensaios incluídos; 12 ensaios e 10.218 participantes avaliaram o teste rápido de proteína C reativa: redução de 516 para 397 prescrições de antibiótico por 1.000 participantes (RR 0,77; IC 95% 0,69-0,86; evidência de certeza moderada), sem diferença na recuperação em sete dias (RR 1,03; IC 95% 0,96-1,12). Fonte internacional, citada em complemento. PubMed · DOI

  14. Sociedade Brasileira de Patologia Clínica/Medicina Laboratorial (SBPC/ML)Recomendações da SBPC/ML para coleta de sangue venoso, 2ª edição. Seções consultadas: tabela de tubos e aditivos (tubo de tampa preta, citrato trissódico 4:1, destinado à velocidade de hemossedimentação pelo método de Westergren; tubos de tampa vermelha ou amarela com ativador de coágulo para obtenção de soro, usados nos exames bioquímicos em geral) e número de inversões por tipo de tubo. PDF (controllab.com)

  15. Andretta ME, Frizzo MN, Goettems-Fiorin PB, Heck TG, Sulzbacher LM, Sulzbacher MM, Ludwig MS, et al. Prognostic Value of Erythrogram Indicators and C-Reactive Protein Levels in Predicting Outcomes of Patients with Coronavirus Disease 2019. International Journal of Molecular Sciences, 2025; 26(9): 4135. Estudo brasileiro (UNIJUÍ, Rio Grande do Sul) em 91 pacientes internados em UTI por covid-19: RDW e proteína C reativa mais elevados entre os que não sobreviveram. Citado com a ressalva metodológica: coorte pequena e de terapia intensiva, cujos achados não se transportam para uma elevação isolada na população geral. PubMed · DOI

Aviso médico. Este guia tem finalidade informativa e educativa; não constitui aconselhamento médico e não substitui uma consulta. Os valores de referência variam conforme o laboratório e a técnica: só o seu médico pode interpretar os seus resultados no seu contexto.