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CA 15-3: o que o exame mede e os valores

O CA 15-3 não rastreia câncer de mama e não consta da tabela do SUS. O protocolo brasileiro não o preconiza nem no acompanhamento de rotina após o tratamento.

Publicado em 9 de setembro de 202612 min de leituraEscrito pela Equipe Blood Analysis · Revisado e verificado por Julien Priour

Você tem um CA 15-3 no laudo, viu a palavra "marcador tumoral" e digitou o nome no buscador. Antes de qualquer número, vale saber onde este exame se encaixa: o Protocolo Clínico e Diretrizes Terapêuticas do Câncer de Mama, do Ministério da Saúde, lista os exames de estadiamento e de seguimento da doença — e o CA 15-3 não está em nenhuma das duas listas.1 Ele também não existe na tabela de procedimentos do SUS. Isso não significa que o exame seja inútil; significa que ele responde a uma pergunta bem mais estreita do que a que a maioria das pessoas tem em mente ao pedi-lo. Este guia explica qual é essa pergunta, com as fontes brasileiras lidas diretamente.

Em resumo

  • O CA 15-3 mede, no sangue, a forma circulante de uma glicoproteína chamada MUC1, presente em vários epitélios do corpo. Os ensaios clínicos atuais têm boa especificidade, mas sensibilidade limitada na doença em estágio inicial.2
  • 🔴 Ele não é exame de rastreamento. O rastreamento do câncer de mama no Brasil é feito com mamografia, e nenhuma das duas recomendações brasileiras vigentes menciona qualquer exame de sangue.34
  • O PCDT do Câncer de Mama (Portaria Conjunta SAES/SECTICS nº 17, de 25/11/2024) é explícito sobre o pós-tratamento: "Não é preconizado o uso de quaisquer exames como hemograma completo, dosagens bioquímicas séricas, cintilografia óssea, radiografia de tórax, ultrassonografia abdominal, TC, RM, PET-CT ou marcadores tumorais para acompanhamento de rotina de um paciente assintomático."1
  • O mesmo protocolo, sobre a resposta ao tratamento: "Marcadores tumorais não são preconizados para avaliação de resposta em pacientes com câncer de mama localizado, mas o benefício é incerto para doença metastática."1
  • A diretriz da ASCO diz o equivalente com outras palavras: CEA, CA 15-3 e CA 27-29 podem ser usados como avaliação adjunta, nunca isolada — e é igualmente razoável que o médico não os use.5
  • Um CA 15-3 normal não exclui doença. Num estudo de 154 pacientes investigadas por recidiva, a maioria das que tinham recidiva confirmada no PET/CT estava com o marcador dentro da faixa de referência.6
  • Um CA 15-3 alto não é sinônimo de câncer. Numa série clássica com 327 mulheres, o marcador estava elevado em 16% das controles saudáveis e em 29% das mulheres com doença mamária benigna.7
  • Cirrose hepática e insuficiência renal crônica elevam marcadores tumorais em geral, 2 a 4 vezes o limite superior, por redução do catabolismo e da excreção — a SBPC/ML pede que o laboratório lembre disso ao médico.8
  • Trocar de laboratório muda o número. Num levantamento com 5.492 resultados de controle externo, a diferença entre o método que mais mede e o que menos mede chegou a 107% para o CA 15-3.9
  • O SUS não cobre o exame. Ele não aparece na Tabela SIGTAP em nenhuma grafia — ao contrário do PSA, do CA 125 e da alfafetoproteína. Detalhamos abaixo.

O que o exame mede

O CA 15-3 é o nome comercial de um ensaio que detecta, no soro, a fração circulante da MUC1 — uma glicoproteína de superfície produzida por células epiteliais. Em tumores, a MUC1 costuma ser superexpressa e ganha padrões de glicosilação alterados, e fragmentos dela caem na corrente sanguínea. Como a MUC1 não é exclusiva da mama, o exame não é exclusivo do câncer de mama: essa é a origem de quase todas as confusões que ele gera.

Uma revisão de 2025 em química clínica resume a limitação central: os ensaios atualmente em uso alcançam alta especificidade, mas sensibilidade limitada na doença em estágio inicial.2 Traduzindo para o laudo que você tem na mão: quando o valor está muito alto, isso costuma significar alguma coisa; quando está normal, isso significa muito pouco. É o oposto do que a maioria espera de um exame de sangue. Para o enquadramento geral de toda essa família de exames, vale ler primeiro os marcadores tumorais.

Que número é "alto"?

Não existe um limite único e universal, e isso é uma informação honesta, não uma evasiva. O resultado sai em unidades por mililitro (U/mL ou kU/L), e o valor de referência é o do método daquele laboratório — por isso ele vem impresso ao lado do seu resultado. Na literatura, o limiar mais empregado gira em torno de 30 kU/L, o corte usado no estudo com 894 pacientes citado adiante.10 Mas comparar o seu número com um limite lido na internet não funciona: a diferença entre métodos comerciais é grande o bastante para mudar a classificação de um mesmo soro.9 Use o intervalo do seu próprio laudo.

O que o Brasil usa para rastrear câncer de mama

Aqui está a informação mais útil desta página, e ela não envolve sangue.

O INCA, do Ministério da Saúde, registra que, em setembro de 2025, a recomendação brasileira de rastreamento foi atualizada: a faixa etária prioritária passou a ser de 50 a 74 anos, com periodicidade bienal, alinhada ao Código Latino-Americano e Caribenho contra o Câncer. O INCA acrescenta que mulheres entre 40 e 49 anos e acima de 74 que desejarem fazer a mamografia podem fazê-lo, desde que orientadas quanto aos riscos — falso-positivos, exames desnecessários e sobrediagnóstico.3

As sociedades de especialidade brasileiras recomendam algo diferente, e vale saber que essa divergência existe: o protocolo da Febrasgo sobre rastreamento e propedêutica registra que, "conforme as diretrizes do CBR, da SBM e da Febrasgo, no Brasil, recomenda-se o rastreamento mamográfico anual para as mulheres assintomáticas de risco habitual, dos 40 aos 74 anos".4 O argumento brasileiro para começar mais cedo é epidemiológico: 41,1% das mulheres diagnosticadas com câncer de mama no país têm menos de 50 anos, segundo o estudo AMAZONA.4

Repare no que os dois lados discutem: idade e intervalo da mamografia. Nenhum dos dois propõe um exame de sangue. O protocolo da Febrasgo percorre mamografia, tomossíntese, ultrassonografia, ressonância e biópsia — e não cita marcador tumoral nenhum.4 Se o seu objetivo é prevenção, o exame a marcar é a mamografia, não o CA 15-3.

Um valor normal não descarta nada

Esta é a parte que mais causa dano quando é mal compreendida.

Num estudo publicado no Journal of Nuclear Medicine com 154 pacientes avaliadas por suspeita de recidiva de câncer de mama, 62 tinham recidiva confirmada no PET/CT com FDG. Entre as que tinham o CA 15-3 elevado, a recidiva foi confirmada em 84,4% dos casos — o marcador alto, de fato, aponta para alguma coisa. Mas os autores registram o outro lado com clareza: a maior parte das pacientes com recidiva no PET/CT estava com CA 15-3 normal, e mais da metade das recidivas ocorreu com o marcador dentro da faixa de referência.6

A consequência prática é direta: um CA 15-3 normal não substitui exame clínico, mamografia nem a investigação de um sintoma novo. Nódulo endurecido, saída espontânea de líquido pelo mamilo, retração da pele, pele em casca de laranja ou aumento progressivo da mama são sinais de referência urgente para confirmação diagnóstica, independentemente de qualquer marcador.3

O que eleva o CA 15-3 sem ser câncer

O contraponto também precisa ser dito, e com números.

Num estudo com 327 mulheres — 81 controles saudáveis, 93 com doença mamária benigna, 46 com câncer recém-diagnosticado e 107 em seguimento —, o CA 15-3 estava elevado em 16% das controles, 29% das mulheres com doença mamária benigna e 65% das recém-diagnosticadas com câncer.7 Ou seja: quase uma em cada três mulheres com doença benigna da mama tinha o marcador acima do limite.

A SBPC/ML, no capítulo sobre marcadores tumorais das suas recomendações de boas práticas, dá o mecanismo geral: "Muitos marcadores tumorais podem apresentar elevações discretas ou moderadas em várias doenças benignas", e lembra que "uma elevação discreta pode ser decorrente de insuficiência renal crônica ou doença hepática". A explicação é de fisiologia simples: a maioria dos marcadores é catabolizada no fígado e excretada por via renal, de modo que qualquer perda funcional nesses órgãos causa acúmulo — tipicamente 2 a 4 vezes o limite superior de referência.8 Se esse é o seu caso, vale rever o hepatograma e a creatinina.

A mesma fonte oferece a regra de leitura mais útil: a magnitude importa. Concentrações moderadamente acima do limite são o território das causas benignas; valores muito altos mudam a probabilidade. E, para qualquer marcador tumoral, "um resultado isolado evidenciando níveis elevados tem um valor muito limitado" — o que informa é a tendência de duas ou três medidas sequenciais, em intervalos maiores que a meia-vida do marcador.8

Onde o exame tem alguma utilidade — e até onde

O uso real do CA 15-3 é o acompanhamento de quem já tem diagnóstico de doença avançada, e mesmo aí a força da recomendação é modesta.

A diretriz da ASCO sobre biomarcadores na doença metastática é literal: CEA, CA 15-3 e CA 27-29 "podem ser usados como avaliações adjuntas, mas não isoladamente", para contribuir com decisões de tratamento — e o painel acrescenta que "também é razoável que os clínicos não usem esses marcadores", porque as recomendações se baseiam em consenso, não em estudos desenhados para medir sua utilidade clínica.5 A atualização anterior da mesma sociedade já havia avaliado treze categorias de marcadores na mama e advertido que nem todas as aplicações de um marcador com utilidade demonstrada são sustentadas pela evidência.11

O PCDT brasileiro chega ao mesmo lugar por conta própria: marcadores tumorais "não são preconizados para avaliação de resposta em pacientes com câncer de mama localizado, mas o benefício é incerto para doença metastática".1 Vale sublinhar a palavra: incerto, não estabelecido.

Há um contexto em que o valor de base carrega informação. Num estudo retrospectivo com 894 pacientes com câncer de mama recém-diagnosticado e CA 15.3 acima de 30 kU/L, 38% tinham doença metastática já ao diagnóstico e 15% desenvolveram metástase depois, com mediana de 74 meses de seguimento; quanto maior o valor, maior o risco.10 É uma leitura de médico, feita junto com o estadiamento — não uma conta para fazer sozinha com o laudo.

Para efeito de comparação, o que o PCDT realmente pede no estadiamento inicial é bem mais prosaico: hemograma completo, glicose, ureia, creatinina, fosfatase alcalina, transaminases, eletrocardiograma e radiografia de tórax. A fosfatase alcalina aumentada é justamente um dos gatilhos para acrescentar cintilografia óssea.1

Trocar de laboratório muda o número

Marcadores tumorais não são padronizados entre fabricantes, e isso tem tamanho medido. Num levantamento longitudinal de controle externo da qualidade com 5.492 resultados de CA 15-3, entre 2019 e 2023, a diferença entre o método que mais mede e o que menos mede chegou a 107% — mais que o dobro. A precisão dentro de cada método era boa, com coeficientes de variação medianos abaixo de 10%; o problema está entre os métodos.9

Consequência prática, alinhada com a orientação da SBPC/ML: se o exame vai ser repetido, mantenha o mesmo laboratório e a mesma metodologia, e desconfie de uma "subida" que coincidiu com uma troca de laboratório. Qualquer mudança de método deveria ser sinalizada no laudo por pelo menos seis meses.8

O que o SUS cobre — e o que não cobre

Lendo diretamente os arquivos da Tabela SIGTAP, competência 08/2026 (5.023 procedimentos, 4.324 descrições):

ProcedimentoCódigoValor ambulatorial
Dosagem do CA 15-3não existe na tabela
Mamografia bilateral para rastreamento02.04.03.018-8R$ 45,00
Mamografia02.04.03.003-0R$ 22,50
Ultrassonografia mamária bilateral02.05.02.009-7R$ 24,20
Dosagem do antígeno CA 12502.02.03.121-7R$ 13,35
Dosagem de antígeno prostático específico (PSA)02.02.03.010-5R$ 16,42
Hemograma completo02.02.02.038-0R$ 4,11

A ausência do CA 15-3 foi verificada em nove grafias diferentes, nos arquivos de procedimentos e de descrições, com controles positivos no mesmo arquivo.12 Não é um detalhe burocrático: o SUS paga CA 125, CA 19-9, PSA e alfafetoproteína, e escolheu não incluir o marcador de mama. Na rede pública, o dinheiro do câncer de mama vai para a mamografia. Para comparar preços, veja quanto custa um exame de sangue.

👉 O AI DiagMe interpreta os seus exames — de sangue, urina ou fezes — considerando todo o seu contexto, em linguagem clara. Serviço informativo que não faz diagnóstico e complementa, sem substituir, a avaliação do seu médico.

Perguntas frequentes

Meu CA 15-3 está alto. Tenho câncer? Um valor isolado não responde a isso — a SBPC/ML considera que um resultado único tem valor muito limitado e orienta duas ou três medidas sequenciais.8 Doença mamária benigna, hepatopatia e insuficiência renal elevam o marcador.78 Leve o laudo a quem pediu o exame.

Posso pedir CA 15-3 num check-up para prevenir? Não é o que as recomendações brasileiras preveem. O rastreamento do câncer de mama no Brasil é mamográfico, e nenhuma das duas recomendações vigentes inclui exame de sangue.34

Fiz tratamento de câncer de mama. Devo repetir o marcador todo ano? O PCDT diz que não é preconizado usar marcadores tumorais no acompanhamento de rotina de paciente assintomática sem achados sugestivos de recidiva. O seguimento preconizado é exame físico a cada três a seis meses nos primeiros três anos, a cada seis a doze meses nos dois seguintes, e mamografia anual.1

Meu CA 15-3 é normal. Estou segura? Ele não descarta doença: na série do PET/CT, a maioria das pacientes com recidiva confirmada tinha o marcador normal.6 Sintoma novo se investiga com exame clínico e imagem.

Preciso de jejum? Nenhuma das fontes brasileiras consultadas exige jejum para o CA 15-3. Se houver outros exames no mesmo tubo, o jejum é exigência deles — veja coleta de sangue.

Mudei de laboratório e o valor mudou muito. É esperado. A diferença entre métodos chegou a 107% num programa de controle externo.9 Compare apenas resultados do mesmo laboratório.

Homens fazem CA 15-3? O câncer de mama masculino existe, e o INCA lista tumoração palpável unilateral em homens entre os sinais de referência urgente.3 As limitações do marcador são as mesmas.


Este guia é informativo e não substitui uma consulta médica. O CA 15-3 é um exame de contexto muito estreito: ele não previne, não rastreia e não descarta câncer de mama, e as duas autoridades brasileiras que se pronunciam sobre o assunto — o Ministério da Saúde, no PCDT, e o INCA — o deixam fora tanto do rastreamento quanto do seguimento de rotina. Se você recebeu esse resultado sem explicação, a conversa é com quem pediu o exame. Para entender o restante do laudo, veja como ler um resultado de exame de sangue, os marcadores inflamatórios, o perfil hormonal ou comece pelo AIDIAGME.

Fontes

Footnotes

  1. Ministério da Saúde (Secretaria de Atenção Especializada à Saúde e SECTICS) / CONITECProtocolo Clínico e Diretrizes Terapêuticas do Câncer de Mama, aprovado pela Portaria Conjunta SAES/SECTICS nº 17, de 25 de novembro de 2024 (Registro de Deliberação nº 893/2024; Relatório de Recomendação nº 896, abril de 2024). PDF de 102 páginas lido integralmente em 09/09/2026. Seção 4.4 "Avaliação diagnóstica complementar" (exames de estadiamento: hemograma completo, glicose, ureia, creatinina, fosfatase alcalina, transaminases, ECG e radiografia de tórax; cintilografia óssea se FA aumentada ou a partir do estádio IIB). Seção 10.1: "Marcadores tumorais não são preconizados para avaliação de resposta em pacientes com câncer de mama localizado, mas o benefício é incerto para doença metastática." Seção 10.4: "Não é preconizado o uso de quaisquer exames como hemograma completo, dosagens bioquímicas séricas, cintilografia óssea, radiografia de tórax, ultrassonografia abdominal, TC, RM, PET-CT ou marcadores tumorais para acompanhamento de rotina de um paciente assintomático sem achados específicos que sugiram recidiva da doença na anamnese ou no exame clínico", com exame físico a cada 3-6 meses nos 3 primeiros anos e mamografia anual. ⚠️ Nenhuma menção a "CA 15-3" em todo o documento. gov.br/conitec 2 3 4 5 6

  2. Pandey SN, Babu MA, Ali H, et al. MUC1 as a diagnostic biomarker and siRNA-based therapeutic target in breast cancer: A clinical chemistry perspective. Clin Chim Acta. 2025;576:120387. Revisão: os ensaios clínicos atuais para MUC1 circulante (CA 15-3) alcançam alta especificidade, mas apresentam sensibilidade limitada na doença em estágio inicial. PMID 40425136 · DOI 10.1016/j.cca.2025.120387 2

  3. Instituto Nacional de Câncer (INCA) / Ministério da Saúde — Câncer de mama, aba "Versão para profissionais de saúde" (publicada em 04/06/2022, atualizada em 10/12/2025; consultada em 09/09/2026). Seção "Detecção precoce": atualização de setembro de 2025 da recomendação brasileira de rastreamento — faixa etária prioritária de 50 a 74 anos, periodicidade bienal, alinhada ao Código Latino-Americano e Caribenho contra o Câncer (IARC/OMS/OPAS, 2023); mulheres de 40 a 49 anos e acima de 74 podem realizar a mamografia se orientadas quanto a falso-positivos, exames desnecessários e sobrediagnóstico. Também: lista de sinais e sintomas de referência urgente, incluindo homens com tumoração palpável unilateral. ⚠️ A página não menciona marcadores tumorais em nenhum ponto. gov.br/inca 2 3 4 5

  4. Federação Brasileira das Associações de Ginecologia e Obstetrícia (Febrasgo), Comissão Nacional Especializada em Imaginologia Mamária. Rastreamento e propedêutica do câncer de mama. Protocolo Febrasgo. Femina. 2025;53(10):1181-8. "Conforme as diretrizes do CBR, da SBM e da Febrasgo, no Brasil, recomenda-se o rastreamento mamográfico anual para as mulheres assintomáticas de risco habitual, dos 40 aos 74 anos" (categoria A); 41,1% das brasileiras diagnosticadas com câncer de mama têm menos de 50 anos (estudo AMAZONA); redução de 22% a 30% na mortalidade com mamografia em mulheres de 40 a 74 anos; 17.725 óbitos por câncer de mama em 2020. ⚠️ O protocolo percorre mamografia, tomossíntese, ultrassonografia, ressonância e biópsia e não cita nenhum marcador tumoral sérico. PDF 2 3 4 5

  5. Van Poznak C, Somerfield MR, Bast RC, et al. Use of Biomarkers to Guide Decisions on Systemic Therapy for Women With Metastatic Breast Cancer: American Society of Clinical Oncology Clinical Practice Guideline. J Clin Oncol. 2015;33(24):2695-704. Antígeno carcinoembrionário, CA 15-3 e CA 27-29 podem ser usados como avaliações adjuntas, mas não isoladamente, para contribuir com decisões de tratamento; as recomendações sobre marcadores circulantes baseiam-se em consenso informal do painel, na ausência de estudos desenhados para avaliar sua utilidade clínica, sendo igualmente razoável não utilizá-los. PMID 26195705 · DOI 10.1200/JCO.2015.61.1459 2

  6. Mwania MM, Gitau SN, Shah J, Makhdomi K. Association Between CA 15-3 and ¹⁸F-FDG PET/CT Findings in Recurrent Breast Cancer Patients at a Tertiary Referral Hospital in Kenya. J Nucl Med. 2024;65(10):1521-1525. 154 pacientes, 62 com recidiva no PET/CT; 84,4% das que tinham CA 15-3 elevado apresentavam recidiva, mas a maioria das pacientes com recidiva tinha CA 15-3 normal — mais da metade das recidivas ocorreu com o marcador dentro da faixa de referência. PMID 39209543 · DOI 10.2967/jnumed.124.267851 2 3

  7. Barak M, Steiner M, Finkel B, et al. CA-15.3, TPA and MCA as markers for breast cancer. Eur J Cancer. 1990;26(5):577-80. 327 mulheres: 81 controles, 93 com doença mamária benigna, 46 com câncer recém-diagnosticado e 107 em seguimento. CA-15.3 elevado em 16% das controles, 29% das mulheres com doença mamária benigna, 65% das recém-diagnosticadas e 74% das em seguimento. ⚠️ Série antiga; os ensaios mudaram desde então, mas é uma das poucas fontes com percentuais explícitos para doença mamária benigna. PMID 2144745 · DOI 10.1016/0277-5379(90)90081-4 2 3

  8. Andriolo A. A utilidade e os cuidados na medida e interpretação dos resultados de marcadores tumorais bioquímicos circulantes. In: Sociedade Brasileira de Patologia Clínica/Medicina Laboratorial (SBPC/ML), Recomendações da SBPC/ML: Boas práticas em laboratório clínico, cap. 39, p. 289-292. Requisitos pós-analíticos: "Muitos marcadores tumorais podem apresentar elevações discretas ou moderadas em várias doenças benignas" e "uma elevação discreta pode ser decorrente de insuficiência renal crônica ou doença hepática"; catabolismo hepático e excreção renal da maioria dos marcadores, com aumento de 2 a 4 vezes o limite superior na cirrose e na insuficiência renal crônica; "um resultado isolado evidenciando níveis elevados de qualquer marcador tumoral tem um valor muito limitado", exigindo duas ou três medidas sequenciais; recomendação do EGTM de indicar técnica e fabricante no laudo e de sinalizar mudança de método por ao menos 6 meses. PDF 2 3 4 5 6

  9. Kremser M, Weiss N, Kaufmann-Stoeck A, et al. Longitudinal evaluation of external quality assessment results for CA 15-3, CA 19-9, and CA 125. Front Mol Biosci. 2024;11:1401619. 5.492 resultados de CA 15-3 em 14 programas de controle externo INSTAND entre 2019 e 2023; diferença mediana de até 107% entre o método que mais mede e o que menos mede; variabilidade intramétodo baixa, com coeficientes de variação medianos abaixo de 10%. PMID 38966130 · DOI 10.3389/fmolb.2024.1401619 2 3 4

  10. Heylen J, Punie K, Smeets A, et al. Elevated CA 15.3 in Newly Diagnosed Breast Cancer: A Retrospective Study. Clin Breast Cancer. 2022;22(6):579-587. 894 pacientes com câncer de mama recém-diagnosticado e CA 15.3 basal > 30 kU/L: 38% com doença metastática primária e 15% com metástase secundária, mediana de seguimento de 74 meses; quanto maior o valor, maior o risco. PMID 35668001 · DOI 10.1016/j.clbc.2022.04.007 2

  11. Harris L, Fritsche H, Mennel R, et al. American Society of Clinical Oncology 2007 update of recommendations for the use of tumor markers in breast cancer. J Clin Oncol. 2007;25(33):5287-312. Treze categorias de marcadores avaliadas; CA 15-3 entre as que demonstraram utilidade clínica, com a ressalva expressa de que nem todas as aplicações desses marcadores são sustentadas pela evidência. PMID 17954709 · DOI 10.1200/JCO.2007.14.2364

  12. Ministério da Saúde / DATASUS — Tabela de Procedimentos, Medicamentos e OPM do SUS (SIGTAP), competência 08/2026, arquivos tb_procedimento (5.023 procedimentos) e tb_descricao (4.324 descrições), lidos diretamente em 09/09/2026. Ausência do CA 15-3 verificada em nove grafias ("CA 15-3", "CA15-3", "CA 15.3", "CA15.3", "CA 15,3", "CA-15", "15-3", "MUC1", "MUC-1"), nos dois arquivos, sem nenhuma ocorrência. Controles positivos reproduzidos no mesmo arquivo: hemograma completo 02.02.02.038-0 = R$ 4,11 e dosagem de ferritina 02.02.01.038-4 = R$ 15,59. Valores citados (coluna VL_SA, exame ambulatorial): 02.04.03.018-8 "MAMOGRAFIA BILATERAL PARA RASTREAMENTO" R$ 45,00; 02.04.03.003-0 "MAMOGRAFIA" R$ 22,50; 02.05.02.009-7 "ULTRASSONOGRAFIA MAMARIA BILATERAL" R$ 24,20; 02.02.03.121-7 "DOSAGEM DO ANTÍGENO CA 125" R$ 13,35; 02.02.03.010-5 "DOSAGEM DE ANTIGENO PROSTATICO ESPECIFICO (PSA)" R$ 16,42. sigtap.datasus.gov.br

Aviso médico. Este guia tem finalidade informativa e educativa; não constitui aconselhamento médico e não substitui uma consulta. Os valores de referência variam conforme o laboratório e a técnica: só o seu médico pode interpretar os seus resultados no seu contexto.