Índice

Vitamina A: o exame de retinol sérico no Brasil

Não existe dosagem de retinol no SUS: zero código nas 5.023 linhas do SIGTAP. O que existe é um programa de megadoses para crianças de 6 a 59 meses.

Atualizado em 9 de setembro de 202612 min de leituraEscrito pela Equipe Blood Analysis · Revisado e verificado por Julien Priour

Se alguém lhe falou em vitamina A e você foi procurar o exame, a primeira surpresa é esta: no Brasil, quase ninguém dosa. O exame existe, chama-se retinol sérico e é a base de todas as estatísticas nacionais sobre o assunto — mas não está na tabela do SUS nem faz parte de nenhum perfil vitamínico de rotina. Em compensação, o país tem uma política de vitamina A que poucos países têm. Este guia explica o que o exame mede, o que o Brasil mediu com ele, e por que a resposta brasileira foi suplementar em vez de testar.

Em resumo

  • O exame se chama retinol sérico e é feito por cromatografia líquida (CLAE) com detecção ultravioleta — não por imunoensaio.1
  • O SUS não dosa retinol. Nas 5.023 linhas da tabela SIGTAP de agosto de 2026, "RETINOL" tem zero ocorrência; "VITAMINA A" aparece uma vez, e não é um exame.2
  • O que o Brasil tem é o Programa Nacional de Suplementação de Vitamina A, da Portaria nº 729, de 13 de maio de 2005: megadoses de 100.000 UI (6 a 11 meses) e 200.000 UI (12 a 59 meses, duas doses).34
  • A parte dirigida às puérperas foi encerrada em 2016 — mas a descrição do procedimento na tabela do SUS ainda a menciona, dez anos depois.52
  • O ENANI-2019 achou 6,0% de deficiência nas crianças de 6 a 59 meses, com 0,1% de deficiência grave — e o mapa não bate com o programa: Centro-Oeste 9,5%, Sul 8,9%, Norte 8,3%, Sudeste 4,3%.1
  • A inflamação puxa o retinol para baixo. O ENANI dosou proteína C reativa exatamente por isso — e uma análise posterior, corrigindo o retinol pela PCR, chega a 3,0%.16
  • Entre 2006 e 2019 a deficiência caiu de 17,2% para 6% nas crianças menores de cinco anos.7

O que o exame mede — e o que ele não mede

O retinol é a forma circulante da vitamina A. Dosá-lo no soro dá uma fotografia do que está no sangue naquele instante; não é a mesma coisa que saber quanto o fígado guardou. Por isso todo o vocabulário oficial é de saúde pública: os cortes usados no Brasil vêm da classificação da OMS adotada pelo ENANI-2019, e servem para descrever populações antes de servir para decidir sobre uma pessoa.1

Retinol séricoComo o ENANI-2019 classifica
< 0,7 µmol/LDeficiência de vitamina A
< 0,35 µmol/LDeficiência grave

Duas observações práticas. A primeira é de unidade: o inquérito publica tudo em µmol/L, e um laudo brasileiro pode imprimir µg/dL. A conta é direta — a massa molar do retinol é 286,45 g/mol, logo 1 µmol/L ≈ 28,6 µg/dL, e o corte de 0,7 µmol/L equivale a cerca de 20 µg/dL. (Essa conversão é nossa aritmética a partir da massa molar; o ENANI só publica a escala molar.) Confundir as duas escalas transforma um valor normal em alarme, como já acontece com a vitamina D.

A segunda é sobre a distribuição real. A mediana brasileira nas crianças de 6 a 59 meses foi de 1,1 µmol/L, e 75% delas tinham 0,9 µmol/L ou mais.1 Quase todo mundo se aglomera pouco acima do corte, e a faixa "deficiente" é uma cauda estreita — o que combina com a deficiência grave de apenas 0,1%. Um marcador que se comprime assim separa bem quem está muito mal de todo o resto, mas não é um termômetro fino de reserva individual.

O SUS não dosa retinol — e isso é verificável

Lemos a tabela de procedimentos do SUS diretamente, na competência 08/2026: 1.697.774 bytes, 5.023 linhas. Com rebatimento de acentos ativo (2.483 das 5.023 linhas têm acento, o que prova que a normalização estava funcionando):2

  • "RETINOL"0 ocorrência, nos rótulos e também nas 4.324 descrições oficiais;
  • "HIPOVITAMINOSE", "XEROFTALMIA", "AVITAMINOSE"0 cada;
  • "VITAMINA A"1 — e é 0101040059 ADMINISTRAÇÃO DE VITAMINA A, um ato de suplementação, não um exame;
  • "CAROTENO"1, o código 0202010236 DOSAGEM DE CAROTENO, R$ 2,01.

O caroteno é fácil de confundir com uma dosagem de vitamina A. Ele é um precursor — e a descrição oficial do procedimento diz para que serve: "a dosagem de caroteno é utilizada no rastreamento da má absorção de gorduras e no diagnóstico de carotenodermia".2 Não é um exame de estado nutricional de vitamina A; é um exame de intestino, primo do que se investiga num hepatograma diante de gordura mal absorvida.

Há ainda uma ausência do outro lado. No manual de boas práticas da SBPC/ML, obra de referência do laboratório clínico brasileiro, "retinol", "vitamina A", "caroteno" e "hipervitaminose" aparecem zero vezes — enquanto "vitamina D" aparece 5 vezes, "zinco" 9, "selênio" 4 e "vitamina K" 3.8 O manual trata do domínio vizinho e não publica orientação nem intervalo de referência para o retinol.

O que o Brasil fez em vez de dosar

A Portaria nº 729, de 13 de maio de 2005 instituiu o Programa Nacional de Suplementação de Vitamina A. O texto é explícito sobre o motivo: "a deficiência de vitamina A é um problema de saúde pública, particularmente nas regiões e segmentos mais pobres da população do Brasil, com prevalência variando entre 14,6% e 33% em menores de cinco anos".3

O desenho é simples e barato: megadoses em cápsula líquida de 100.000 UI e 200.000 UI, diluídas em óleo de soja e acrescidas de vitamina E.3 Na prática, segundo a nota técnica do Ministério da Saúde: 100.000 UI dos 6 aos 11 meses e 200.000 UI dos 12 aos 59 meses, em duas doses ao longo do ano.4 O programa nasceu restrito ao Nordeste, ao Vale do Jequitinhonha (MG) e ao Vale do Ribeira (SP), e em 2012 foi expandido para todas as crianças dessa faixa no Norte e Nordeste, em municípios das demais regiões e nos 34 Distritos Sanitários Especiais Indígenas.49

O que a nota técnica mostra é uma cobertura desigual. Em 2017, a meta era suplementar 5.861.430 crianças; foram suplementadas 2.967.410, ou 50,63%. Sete estados ficaram abaixo de 50% — o Rio Grande do Sul em 10,96% —, enquanto Tocantins (81,66%) e Amapá (81,19%) lideravam.4 É a diferença entre ter uma política e ela chegar.

A megadose de puérpera acabou em 2016 — e a tabela do SUS ainda não sabe

A portaria de 2005 previa megadose também para as puérperas no pós-parto imediato, "somente antes da alta hospitalar", para repor as reservas maternas e enriquecer o leite.3 Essa parte acabou: na página de legislação do próprio programa, o Ministério da Saúde lista um Ofício Circular nº 017/2016-DAB/SAS/MS intitulado "Encerramento da suplementação de puérperas com megadoses de vitamina A no Programa Nacional de Suplementação de Vitamina A".5 E a página institucional atual descreve apenas o objetivo em crianças de 6 a 59 meses, sem menção a puérperas.9

A literatura brasileira explica por quê. Uma revisão sistemática da UFV concluiu que a megadose no puerpério eleva o retinol do soro e do leite a curto prazo, e que o efeito "foi relevante quando as concentrações prévias da mãe eram baixas"; quando o estado materno é adequado, "o conteúdo de retinol no leite não muda".10 E um ensaio randomizado em duas maternidades públicas do Recife, com 210 mães, comparou 400.000 UI contra 200.000 UI e não achou diferença no retinol do leite aos 2 e aos 4 meses.11

Agora o detalhe: a descrição oficial do procedimento 0101040059, na tabela SIGTAP de agosto de 2026, continua dizendo "administração de vitamina A via oral, destinada a crianças entre 6 meses a 59 meses e puérperas em pós-parto imediato".2 E os campos de idade do mesmo registro guardam a memória disso: idade mínima 6 meses, idade máxima 599 meses — quase 50 anos, que só faz sentido se o procedimento ainda contemplasse a mãe. A tabela de faturamento preservou, por dez anos, o alcance que o ofício encerrou. Uma linha na tabela do SUS prova que algo é pago; não prova que ainda é recomendado.

O que o ENANI-2019 mediu

O Estudo Nacional de Alimentação e Nutrição Infantil (ENANI-2019), da UFRJ, é o inquérito domiciliar que deu ao Brasil os seus próprios números. Das 12.598 crianças elegíveis, 8.829 coletaram sangue por punção venosa — 70% —, e a vitamina A é um dos parâmetros que o relatório chama de prioritários para o Ministério da Saúde, ao lado do hemograma completo e da ferritina.112

Resultado: 6,0% de deficiência no Brasil. E a distribuição regional contraria a geografia do programa: Centro-Oeste 9,5%, Sul 8,9%, Norte 8,3%, Sudeste 4,3% — com diferença estatisticamente significativa entre Centro-Oeste e Sudeste e entre Norte e Sudeste.1 A pobreza, essa sim, aparece na direção esperada: 9,0% no primeiro quinto do indicador econômico contra 3,7% no mais alto.1 Uma análise independente do mesmo inquérito, com 7.716 crianças, também encontra prevalências mais altas no Norte, no Sul e no Centro-Oeste entre as de 24 a 59 meses.13 Daí a conclusão de política do relatório — dele, não nossa: as prevalências "sugerem a necessidade de se repensarem as políticas de prevenção e controle deste agravo no sentido da focalização em grupos mais vulneráveis".1

Para dar escala: no mesmo inquérito, a deficiência de zinco foi de 17,8%, a de vitamina B12 de 14,2%, a anemia de 10,0% e a de folato de apenas 1,0%.1 A vitamina A não é hoje o maior problema de micronutriente do país.

A inflamação mexe no número

Este é o ponto que muda a leitura de um resultado isolado, e o Brasil o documentou. O ENANI-2019 dosou proteína C reativa ultrassensível em todas as crianças, e o relatório diz para que: para viabilizar os cortes de ferritina "e a interpretação de parâmetros que potencialmente pudessem ter seus resultados de prevalência influenciados pela ocorrência de processos infecciosos e/ou inflamatórios (zinco e vitamina A)".1 O reconhecimento é explícito.

Mas o relatório não aplicou a correção: o seu 6,0% usa o corte cru de 0,7 µmol/L, sem ajuste, ao contrário do que fez com a ferritina, que ganhou dois cortes conforme a PCR fosse ≤ 5 mg/L ou > 5 mg/L.1 Uma análise posterior dos mesmos dados, publicada em 2025 com 6.020 crianças, define a deficiência como "retinol corrigido pela proteína C reativa < 0,7 µmol/L" e chega a 3,0% (IC 95%: 2,5–3,6).6 Os números não descrevem exatamente a mesma amostra, e não os arbitramos — mas a direção é coerente: corrigir pela inflamação reduz a prevalência, porque parte dos retinóis baixos era inflamação, não carência.

Um estudo brasileiro independente, com 312 crianças de 6 a 59 meses no Rio de Janeiro, mediu a relação diretamente: o retinol sérico estava inversamente associado à PCR (β = −0,025; p < 0,001).14 É o mesmo mecanismo que já descrevemos na ferritina e na albumina, e o motivo pelo qual marcadores inflamatórios costumam vir junto num pedido bem feito.

Consequência prática: um retinol baixo colhido durante uma infecção não prova carência. Vale saber se havia PCR alterada no mesmo dia — como se faz na leitura da cinética do ferro.

Quando faz sentido dosar

Não há, no Brasil, recomendação institucional de dosar retinol na população geral — a política nacional foi construída no sentido oposto, o de suplementar sem testar. Na prática, o exame aparece em pesquisa populacional, na investigação de má absorção de gorduras (onde entra também o caroteno), em doença hepática ou colestática e em quadros oculares sugestivos. Fora disso o rendimento é baixo, e um valor isolado é sensível a uma infecção banal.

Sobre o excesso: a única posição brasileira escrita que conseguimos ler ao texto é a do próprio programa — doses e faixas etárias em portaria, e o encerramento do componente das puérperas. A ANVISA afirma, na sua página sobre suplementos, que crianças, gestantes e lactantes "podem consumir suplementos alimentares, mas com restrições", com ingredientes e limites diferentes para esses grupos, e recomenda orientação profissional antes de tomar.15 Os anexos com os limites numéricos não puderam ser abertos na fonte e, por isso, nenhuma dose de suplemento é publicada aqui. Quem está grávida ou planejando engravidar não deve tomar vitamina A por conta própria.

👉 O AI DiagMe interpreta os seus exames — de sangue, urina ou fezes — considerando todo o seu contexto, em linguagem clara. Serviço informativo que não faz diagnóstico e complementa, sem substituir, a avaliação do seu médico.

Perguntas frequentes

Tem exame de vitamina A no SUS? Não. A tabela de agosto de 2026 não tem nenhum código de dosagem de retinol — nem "vitamina A" como exame. Existe um código de administração de vitamina A e um de dosagem de caroteno (R$ 2,01), que serve para outra pergunta.2

Preciso estar em jejum? Não há regra brasileira publicada especificamente para o retinol. As regras gerais de preparo estão em jejum para exame de sangue, e o laboratório que fizer a coleta deve informar as suas.

Meu filho tomou a "gotinha" de vitamina A no posto. Preciso dosar depois? Não há recomendação brasileira de dosagem de controle. O programa é preventivo e populacional; a suplementação é registrada na Caderneta de Saúde da Criança.2 Veja também exame de sangue em crianças.

Vitamina A e vitamina C aparecem no mesmo pedido? Raramente. A vitamina C tem código no SUS (ácido ascórbico); a vitamina A, não.

Deficiência de vitamina A causa anemia? As duas andam juntas nos dados brasileiros, e o relatório do ENANI cita a vitamina A entre os micronutrientes antioxidantes ligados à anemia da inflamação.1 Mas anemia se investiga pelo hemograma e pelo ferro, não pelo retinol.

Para lembrar

Três ideias. Primeiro, o exame de vitamina A é o retinol sérico, e ele não existe no SUS — a ausência é demonstrável, não uma suposição. Segundo, o Brasil escolheu suplementar em vez de testar, e funcionou: a deficiência caiu de 17,2% para 6% entre 2006 e 2019, ainda que a cobertura seja desigual e o mapa da carência não coincida com o da distribuição. Terceiro, um retinol baixo pode ser inflamação. Nenhum valor se lê sozinho: conta o conjunto dos seus marcadores e do seu contexto — o que o AI DiagMe oferece, como complemento à avaliação do seu médico. Os termos estão no glossário de exames de sangue.

Fontes

Fontes institucionais brasileiras e publicações científicas (PubMed) utilizadas neste guia:

Footnotes

  1. Estudo Nacional de Alimentação e Nutrição Infantil (ENANI-2019), UFRJRelatório 3: Biomarcadores do Estado de Micronutrientes, Rio de Janeiro, 2021. PDF verificado (HTTP 200, application/pdf, 9.510.837 bytes; controle negativo com nome de arquivo inventado no mesmo diretório → 404 text/html); extração de 196.126 caracteres. Seções consultadas: 3.3.3 Análises laboratoriais e Apêndice de métodos — a vitamina A foi dosada no soro por cromatografia líquida de alta eficiência (CLAE) com detecção por ultravioleta, e "a concentração de proteína C reativa (PCR) também foi avaliada para viabilizar a utilização dos pontos de corte referentes às concentrações séricas de ferritina e a interpretação de parâmetros que potencialmente pudessem ter seus resultados de prevalência influenciados pela ocorrência de processos infecciosos e/ou inflamatórios (zinco e vitamina A)"; Quadro 1 (deficiência de vitamina A: retinol sérico < 0,7 µmol/L; deficiência grave: < 0,35 µmol/L; fonte declarada: WHO, 2009 — a ferritina, e apenas ela, recebe dois cortes conforme a PCR seja ≤ 5 mg/L ou > 5 mg/L); § 4.1.3 (mediana de retinol 1,1 µmol/L, 75% das crianças ≥ 0,9 µmol/L); § 4.2.4 (DVA 6,0% no Brasil; Centro-Oeste 9,5%, Sul 8,9%, Norte 8,3%, Sudeste 4,3%; 1º quinto do IEN 9,0% contra 4,8% no 4º e 3,7% no 5º; deficiência grave 0,1%); § 4.2 (zinco 17,8%, B12 14,2%, anemia 10,0%, anemia ferropriva 3,5%, folato 1,0%, insuficiência de vitamina D 4,3%); § 5, Considerações finais ("as prevalências de anemia e de DVA observadas no ENANI-2019 sugerem a necessidade de se repensarem as políticas de prevenção e controle deste agravo no sentido da focalização em grupos mais vulneráveis"; a vitamina A é citada entre os micronutrientes antioxidantes ligados à anemia da inflamação). ⚠️ A prevalência de 6,0% publicada neste relatório é a NÃO corrigida pela inflamação; ver a nota seguinte. PDF (enani.nutricao.ufrj.br) 2 3 4 5 6 7 8 9 10 11 12 13

  2. Ministério da Saúde / DATASUSSIGTAP: Sistema de Gerenciamento da Tabela de Procedimentos, Medicamentos e OPM do SUS, competência 08/2026. Leitura direta de tb_procedimento.txt (1.697.774 bytes, 5.023 linhas, CRLF, latin-1) e de tb_descricao.txt (17.373.832 bytes, 4.324 descrições), com colunas de largura fixa lidas pelos offsets absolutos do tb_procedimento_layout.txt do próprio pacote (VL_SA = [294:306], VL_IDADE_MINIMA = [274:278], VL_IDADE_MAXIMA = [278:282], idades em meses). Validação do leitor antes de qualquer consulta, contra dois valores conhecidos e já publicados por outras fichas deste site: hemograma completo 0202020380 = R$ 4,11 e ferritina 0202010384 = R$ 15,59. Regra de correspondência declarada: busca por subcadeia, maiúsculas, com rebatimento de acentos (NFD); prova de que o rebatimento estava ativo: 2.483 das 5.023 linhas contêm acento combinante. Resultados: RETINOL0 nos rótulos e 0 nas descrições; HIPOVITAMINOSE, XEROFTALMIA, AVITAMINOSE, ÁCIDO RETINOICO0 cada; VITAMINA A1 (0101040059 ADMINISTRAÇÃO DE VITAMINA A, VL_SA = 0,00, idade mínima 0006 e máxima 0599 meses); CAROTENO1 (0202010236 DOSAGEM DE CAROTENO, R$ 2,01, idades 0000–1571); VITAMINA3 no total (as duas acima mais B12 0202010708 e 25-hidroxivitamina D 0202010767). Controles positivos na mesma execução: CREATININA → 3 rótulos e 11 descrições, FERRITINA → 1, VITAMINA B12 → 1, ÁCIDO ASCÓRBICO → 1. As duas descrições citadas foram verificadas como únicas ao seu código (o pacote tem 174 descrições compartilhadas por mais de um código, e nenhuma destas é uma delas) e lidas por inteiro: 0101040059 — "ADMINISTRAÇÃO DE VITAMINA A VIA ORAL, DESTINADA A CRIANÇAS ENTRE 6 MESES A 59 MESES E PUÉRPERAS EM PÓS-PARTO IMEDIATO. AS SUPLEMENTAÇÕES DEVEM SER REGISTRADAS NA CADERNETA DE SAÚDE DA CRIANÇA E NO CARTÃO DA GESTANTE. PROGRAMA NACIONAL DE SUPLEMENTAÇÃO PREVENTIVA COM MEGADOSE DE VITAMINA A."; 0202010236 — "A DOSAGEM DE CAROTENO É UTILIZADA NO RASTREAMENTO DA MÁ ABSORÇÃO DE GORDURAS E NO DIAGNÓSTICO DE CAROTENODERMIA…". ⚠️ Discordância registrada, não arbitrada: essa descrição mantém as puérperas no alcance do procedimento, ao passo que o Ministério da Saúde encerrou esse componente em 2016 (ver nota seguinte) e a página institucional atual do programa não as menciona. sigtap.datasus.gov.br 2 3 4 5 6 7

  3. Ministério da Saúde, Gabinete do MinistroPortaria nº 729, de 13 de maio de 2005, publicada no Diário Oficial da União, edição nº 92, de 16/05/2005: "Institui o Programa Nacional de Suplementação de Vitamina A e dá outras providências". PDF lido ao texto (100.687 bytes, application/pdf; controle negativo com nome inventado no mesmo diretório → 404 application/json de 26 bytes). Trechos verificados: considerando que "a deficiência de vitamina A é um problema de saúde pública, particularmente nas regiões e segmentos mais pobres da população do Brasil, com prevalência variando entre 14,6% e 33% em menores de cinco anos"; Art. 1º (suplementação com megadoses "em crianças de seis a cinquenta e nove meses de idade e puérperas no pós-parto imediato", inicialmente na Região Nordeste, no Vale do Jequitinhonha em Minas Gerais e no Vale do Ribeira em São Paulo); § 2º ("o produto utilizado na suplementação de crianças e puérperas é a vitamina A na forma líquida, nas concentrações de 100.000 UI e 200.000 UI, diluída em óleo de soja e acrescida de vitamina E"); § 3º (a suplementação da puérpera "é recomendada somente antes da alta hospitalar"). PDF (gov.br/saude) 2 3 4

  4. Ministério da Saúde (CGAN/DAB/SAS)Nota Técnica nº 175/2018-CGAN/DAB/SAS/MS: Divulgação dos resultados do Programa Nacional de Suplementação de Vitamina A em 2017. PDF lido ao texto (555.722 bytes; 37.746 caracteres extraídos). Dados verificados: objetivo do programa e expansão de 2012 ("todas as crianças na faixa etária residentes nas Regiões Norte e Nordeste e em diversos municípios das Regiões Centro-Oeste, Sul e Sudeste, além dos 34 Distritos Sanitários Especiais Indígenas"); esquema de doses (6 a 11 meses – 100.000 UI; 12 a 59 meses – 200.000 UI, 1ª e 2ª dose); implantação em 3.573 municípios, dos quais 3.058 (85,6%) registraram doses e 515 não registraram nada; meta de 5.861.430 crianças e 2.967.410 suplementadas, 50,63%; estados abaixo de 50% (RS 10,96%, RJ 12,18%, SP 20,99%, PR 24,93%, PA 38,24%, BA 43,61%, RR 49,10%) e acima de 70% (TO 81,66%, AP 81,19%, MT 79,60%, MG 79,08%, DF 79,08%, SE 73,11%); 72.015 crianças indígenas suplementadas (71,19% da meta). Percentuais recalculados a partir dos efetivos publicados: 3.058/3.573 = 85,6% ✓ e 2.967.410/5.861.430 = 50,63% ✓. PDF (gov.br/saude) 2 3 4

  5. Ministério da Saúde (DAB/SAS)Ofício Circular nº 017/2016-DAB/SAS/MS, listado na página oficial de legislação do Programa Nacional de Suplementação de Vitamina A com o título "Encerramento da suplementação de puérperas com megadoses de vitamina A no Programa Nacional de Suplementação de Vitamina A" (publicado no portal em 06/06/2023). ⚠️ Limite declarado: o PDF é servido em HTTP 200 application/pdf (575.255 bytes), mas é um documento digitalizado — a extração de texto rende 6 bytes, de modo que o corpo do ofício não pôde ser lido. O que esta página afirma vem do título arrolado pelo próprio Ministério na sua página de legislação, verificado por leitura direta do HTML (controle negativo no mesmo diretório: nome de arquivo inventado → HTTP 404 application/json de 26 bytes), e é corroborado pela ausência de qualquer menção a puérperas na página institucional atual do programa. Nenhuma data de vigência nem nenhum trecho do ofício é reproduzido aqui. Legislação do PNSVA (gov.br/saude) 2

  6. Silva LRD, Normando P, Schincaglia RM, Castro IRR, Andrade PG, Berti TL, Lacerda EMA, Alves-Santos NH, Carneiro LBV, Kac G. Food Insecurity, Anemia and Vitamin A Deficiency in Brazilian Children Aged between 6 and 59 Months of Age: Brazilian National Survey on Child Nutrition (ENANI-2019). Curr Dev Nutr, 2025;9(3):104567. Análise de 6.020 crianças do ENANI-2019 em que a deficiência de vitamina A é definida como "retinol corrected by C-reactive protein < 0,7 µmol/L": prevalência de 3,0% (IC 95%: 2,5–3,6), contra anemia de 7,1% (IC 95%: 5,9–8,3). Nenhuma associação entre insegurança alimentar e deficiência de vitamina A foi observada; a associação significativa foi com a anemia (insegurança grave, RP 1,82). ⚠️ Amostra e definição diferentes das do Relatório 3 do inquérito — os dois números são publicados aqui lado a lado, sem arbitragem. PubMed · DOI 2

  7. Castro IRR, Anjos LAD, Lacerda EMA, Boccolini CS, Farias DR, Alves-Santos NH, Normando P, Freitas MB, Andrade PG, Bertoni N, Schincaglia RM, Berti TL, Carneiro LBV, Kac G. Nutrition transition in Brazilian children under 5 years old from 2006 to 2019. Cad Saude Publica, 2023;39(Suppl 2):e00216622. Comparação dos microdados da PNDS-2006 com os do ENANI-2019: a prevalência de anemia caiu de 20,5% para 10,1% e a de deficiência de vitamina A de 17,2% para 6%, enquanto o excesso de peso subiu de 6% para 10,1% e a baixa estatura permaneceu em 7%. PubMed · DOI

  8. Sociedade Brasileira de Patologia Clínica/Medicina Laboratorial (SBPC/ML)Recomendações da SBPC/ML: boas práticas em laboratório clínico. Verificação de identidade do arquivo: 16.055.655 bytes exatos, extração de 23.533 linhas / 1.357.819 caracteres — as impressões digitais documentadas para esta obra. Ausência demonstrada por enumeração, com rebatimento de acentos e busca por subcadeia sobre o texto integral: "retinol" → 0, "vitamina A" → 0, "caroteno"/"carotenoide" → 0, "hipervitaminose" → 0, "lipossolúvel" → 0. Controles positivos na mesma execução, que provam que o documento trata do domínio vizinho: "vitamina" → 20, "vitamina D" → 5, "zinco" → 9, "ácido ascórbico" → 5, "selênio" → 4, "vitamina K" → 3, "ceruloplasmina" → 3, "vitamina B12" → 2, "ferritina" → 2. Ou seja: o manual dedica passagens a outros oligoelementos e vitaminas e nenhuma ao retinol — a sociedade brasileira de medicina laboratorial não publica orientação nem intervalo de referência para este analito. PDF

  9. Ministério da Saúde (SAPS) — página institucional do Programa Nacional de Suplementação de Vitamina A (PNSVA). Objetivo declarado: "reduzir e controlar a hipovitaminose A, a mortalidade e morbidade em crianças de 6 a 59 meses de idade", com a expansão de 2012 para o Norte e o Nordeste, municípios das demais regiões e os 34 DSEI; registra a implantação, em outubro de 2017, do Sistema de Micronutrientes – módulo Vitamina A para o monitoramento. ⚠️ Observação de leitura: a página não menciona puérperas em nenhum ponto, ao contrário da portaria de 2005 e da descrição do procedimento na tabela SIGTAP. gov.br/saude 2

  10. Soares MM, Silva MA, Garcia PPC, Silva LSD, Costa GDD, Araújo RMA, Cotta RMM. Efect of vitamin A suplementation: a systematic review. Cien Saude Colet, 2019;24(3):827-838. Revisão sistemática brasileira (UFV, Viçosa) de 8 estudos sobre o efeito da suplementação de vitamina A no puerpério sobre o retinol do soro e do leite materno: o efeito existe a curto prazo e "foi relevante quando as concentrações prévias da mãe eram baixas"; quando as concentrações maternas são adequadas, "o conteúdo de retinol no leite não muda, com pouca relevância para as crianças". Tipo de artigo confirmado no NCBI: Systematic Review. PubMed · DOI

  11. Tomiya MTO, de Arruda IKG, da Silva Diniz A, Santana RA, da Silveira KC, Andreto LM. The effect of vitamin A supplementation with 400 000 IU vs 200 000 IU on retinol concentrations in the breast milk: a randomized clinical trial. Clin Nutr, 2017;36(1):100-106. Ensaio randomizado, controlado e triplo-cego em duas maternidades públicas do Recife, com 210 mães acompanhadas por 4 meses: nenhuma diferença nas concentrações de retinol do leite entre 400.000 UI e 200.000 UI aos 2 meses (p = 0,790) e aos 4 meses (p = 0,279), com queda progressiva em ambos os grupos. Registro ClinicalTrials.gov NCT00742937. ⚠️ Ano do fascículo: 2017 (a publicação eletrônica é de dezembro de 2015 — é o ano do número que se cita). PubMed · DOI

  12. Alves-Santos NH, Castro IRR, Anjos LAD, Lacerda EMA, Normando P, Freitas MB, Farias DR, Boccolini CS, Vasconcellos MTL, Silva PLDN, Kac G. General methodological aspects in the Brazilian National Survey on Child Nutrition (ENANI-2019): a population-based household survey. Cad Saude Publica, 2021;37(8):e00300020. Desenho do inquérito domiciliar de base populacional; painel de micronutrientes que inclui as vitaminas A, B1, B6, B12, D e E, ferro (hemoglobina e ferritina), zinco, selênio e ácido fólico, com a proteína C reativa como marcador de inflamação. PubMed · DOI

  13. Castro IRR, Normando P, Farias DR, Berti TL, Schincaglia RM, Andrade PG, Bertoni N, Lacerda EMA, Anjos LAD, Boccolini CS, Reis MCD, Bezerra FF, Pedrosa LFC, Jordão Junior AA, Lira PIC, Kac G. Factors associated with anemia and vitamin A deficiency in Brazilian children under 5 years old: Brazilian National Survey on Child Nutrition (ENANI-2019). Cad Saude Publica, 2023;39(Suppl 2):e00194922. 7.716 crianças de 6 a 59 meses, abordagem hierárquica em três níveis. Entre as de 24 a 59 meses, razões de prevalência mais altas de deficiência de vitamina A no Norte (RP 1,96; IC 95% 1,16–3,30), no Sul (RP 3,07; 1,89–5,01) e no Centro-Oeste (RP 1,91; 1,12–3,25); entre as de 6 a 23 meses, no Centro-Oeste (RP 2,32; 1,33–4,05). ⚠️ O artigo também publica estratificações por cor/raça materna; esta página não as reproduz e usa apenas os resultados por região e faixa etária. PubMed · DOI

  14. Silva AP, Pereira ADS, Simões BFT, Omena J, Cople-Rodrigues CDS, de Castro IRR, Citelli M. Association of vitamin A with anemia and serum hepcidin levels in children aged 6 to 59 mo. Nutrition, 2021;91-92:111463. Estudo transversal com 312 crianças de 6 a 59 meses do Rio de Janeiro: 14,6% com anemia, 9,6% com deficiência de vitamina A; o retinol sérico associou-se inversamente à proteína C reativa (β = −0,025; p < 0,001), e os autores concluem que a associação entre retinol e hepcidina "parece depender da inflamação". Afiliações verificadas: UERJ e UNIRIO — estudo brasileiro, população brasileira. PubMed · DOI

  15. Agência Nacional de Vigilância Sanitária (ANVISA) — página Suplementos alimentares: orientações para crianças, gestantes e lactantes. Texto verificado por leitura direta do HTML: "Crianças, gestantes e lactantes (mulheres que amamentam) podem consumir suplementos alimentares, mas com restrições. Os ingredientes autorizados e os limites de consumo são diferentes para esses grupos, por serem considerados mais vulneráveis. Pelo mesmo motivo, é recomedado [sic] que crianças, gestantes e lactantes procurem a orientação de um profissional de saúde antes de tomar suplementos." Verificação: HTTP 200, text/html, 445.906 bytes, 2.641 caracteres de texto real; controle negativo com slug inventado no mesmo diretório → 404, 510 caracteres de texto — o domínio discrimina. ⚠️ Limite declarado: esta página não cita a vitamina A (0 ocorrências) e não traz números; as listas de constituintes e os limites máximos por grupo populacional não puderam ser abertos ao texto a partir do portal, e por isso nenhum limite numérico de suplemento é publicado nesta ficha. gov.br/anvisa

Aviso médico. Este guia tem finalidade informativa e educativa; não constitui aconselhamento médico e não substitui uma consulta. Os valores de referência variam conforme o laboratório e a técnica: só o seu médico pode interpretar os seus resultados no seu contexto.