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Potássio alto ou baixo: o que o exame realmente diz

Potássio alto é, primeiro, um problema de coleta até prova em contrário. Potássio baixo pede olhar o magnésio. O que decide de verdade e o custo no SUS.

Publicado em 7 de setembro de 202612 min de leituraEscrito pela Equipe Blood Analysis · Revisado e verificado por Julien Priour

O potássio é um dos exames mais baratos do laboratório e um dos mais delicados de interpretar. Tem dois versantes que preocupam igualmente — alto e baixo — e, para o alto, uma pergunta vem antes de todas: esse potássio subiu em você ou dentro do tubo?

Em resumo

  • A SBPC/ML escreve que "as hipocalemias, assim como as hipercalemias, são emergências médicas", e que o potássio é o analito mais crítico diante de hemólise.1
  • Um potássio alto pode ser falso. A pseudo-hipercalemia vem do vazamento de potássio das células após a coleta: hemólise, punho cerrado, garrote demorado, demora no transporte, leucocitose ou trombocitose. Em três casos de trombocitose, o soro deu 6,1 a 7,7 mmol/L e o tubo de heparina, 4,4 a 4,6.23
  • O ECG não serve para descartar: sensibilidade média de 0,19 contra especificidade de 0,97. Ele confirma, não afasta.4
  • Os medicamentos são a primeira causa não renal. A bula brasileira da losartana potássica registra hipercalemia como reação comum: 9,9% contra 3,4% no placebo em nefropatia diabética.5
  • Do outro lado, os diuréticos o derrubam: "a hipopotassemia é o efeito metabólico mais comum" deles, dizem as Diretrizes Brasileiras de Hipertensão.6
  • Banana e laranja não são o inimigo: essas mesmas diretrizes recomendam aumentar o potássio da dieta com grau I e nível A, citando banana, laranja, feijão e beterraba pelo nome.6
  • No SUS: 0202010600 DOSAGEM DE POTASSIO, R$ 1,85 — o mesmo preço da creatinina e da ureia.7

Antes de tudo: o potássio subiu em você ou no tubo?

É a pergunta que a página existe para fazer, e é uma questão de segurança. Quase todo o potássio do corpo está dentro das células: qualquer célula que se rompa depois da coleta despeja potássio no soro que o aparelho vai medir, e o resultado não descreve o seu sangue circulante.

Uma revisão de 2022 lista os mecanismos com precisão: vazamento de potássio das células do antebraço pelo exercício do músculo ao fechar o punho, enquanto o garrote impede a lavagem desse potássio; hemólise; problemas de transporte, de pré-análise ou contaminação; dano celular; condições familiares que deixam as hemácias vazarem após a coleta; e leucocitose ou trombocitose.2

Vale medir o efeito. Uma tabela de interferentes do manual de boas práticas da SBPC/ML dá o limiar de hemoglobina livre a partir do qual cada exame erra: potássio ≥ 90 mg/dL, contra 1 000 para o sódio, a creatinina e a ureia.1 É, com folga, o mais frágil dos eletrólitos: uma hemólise leve demais para ser vista a olho nu já o desloca.

O caso da trombocitose é o mais didático. Três idosos com plaquetas entre 1 306 e 2 404 mil/mm³ e hipercalemia sem qualquer sintoma tiveram potássio sérico de 6,1 a 7,7 mmol/L; em tubo de heparina, o mesmo potássio voltou entre 4,4 e 4,6 mmol/L, e nenhum tratamento foi preciso.3 Potássio alto com plaquetas ou leucócitos muito elevados no hemograma é uma pista forte, que cabe ao seu médico interpretar.

A SBPC/ML acrescenta duas causas técnicas invisíveis no laudo: coletar o tubo de EDTA antes do tubo com ativador de coágulo "pode causar elevação nos níveis de potássio"; e a demora até a análise, sobretudo com a amostra resfriada, que inibe a bomba de sódio-potássio. Sobre o garrote, recomenda coletar sem garroteamento sempre que possível, nunca por mais de um minuto.1

A conduta prática é uma só: um potássio alto inesperado deve ser levado ao serviço de saúde, que decidirá se repete a coleta. Um potássio realmente muito alto é uma urgência cardíaca, e separar os dois casos é o trabalho de quem cuida de você.

Os valores: o que dá para afirmar

ReferênciaValorOrigem
Intervalo do seu laudoé ele que valevaria com o método do laboratório
Hipercalemia (definição de ensaio, em bula brasileira)> 5,5 mmol/Lbula da losartana5
Hipercalemia grave≥ 6,5 mEq/Lestudo de ECG4
Potássio em tubo de heparina, na pseudo-hipercalemia4,4 – 4,6 mmol/Lsérie de três casos3

Honestidade necessária: não localizamos intervalo de referência para o potássio sérico publicado por instituição brasileira. O manual da SBPC/ML trata do potássio em vários capítulos e não publica faixa; as Diretrizes Brasileiras de Hipertensão pedem a dosagem na rotina e também não imprimem uma. Vale o intervalo do seu laudo; mmol/L e mEq/L são equivalentes.

Potássio alto de verdade: quem decide é o rim

Quando a elevação é real, o eixo dominante é renal. O rim exporta potássio; quando a filtração cai, a exportação cai junto. Por isso a doença renal crônica é o terreno número um da hipercalemia, e por isso a função renal é a leitura que combina com esta. Um potássio alto com creatinina alta conta outra história; a cistatina C entra quando a creatinina não é confiável.

O Ministério da Saúde declara o uso pretendido do exame: a monitorização "é utilizada no acompanhamento de pacientes em terapia com diuréticos, em nefropatias, na cetoacidose diabética, no manejo da hidratação parenteral e na insuficiência hepática".7

Existe um protocolo brasileiro de vigilância? Nos três documentos brasileiros que lemos há regras, mas nenhuma periodicidade geral para a doença renal crônica. As Diretrizes Brasileiras de Hipertensão Arterial – 2020 colocam o "potássio plasmático" entre os exames de rotina de todo hipertenso, com grau I.6 A bula da losartana manda monitorar "cuidadosamente" o potássio e a depuração da creatinina na insuficiência cardíaca e com depuração "entre 30-50mL/min".5 E a SBPC/ML pede eletrólitos a cada 3 meses e depois anualmente sob espironolactona — mas no capítulo de hormonização, não como regra geral.1

Os medicamentos, que são muitos no Brasil

É a primeira causa não renal, e no Brasil é de massa: enalapril, losartana, espironolactona e diuréticos estão entre os mais dispensados do país.

IECA e BRA. As diretrizes são diretas sobre os bloqueadores do receptor da angiotensina: "Pelas mesmas razões dos IECA, podem causar hipercalemia, especialmente na presença de insuficiência renal".6 A bula da losartana quantifica: em diabetes tipo 2 com nefropatia, 9,9% dos tratados desenvolveram hipercalemia acima de 5,5 mmol/L, contra 3,4% no placebo — e ela desaconselha combinar o remédio com poupadores de potássio, suplementos e substitutos do sal que contenham potássio.5

Espironolactona. A lista de anti-hipertensivos anota, ao lado dela: "pode provocar hiperpotassemia, particularmente na IRC e quando associada a inibidores da ECA ou BRA".6

Uma correção que devemos ao leitor. Verificamos a hipótese de que os anti-inflamatórios elevem diretamente o potássio, e a bula brasileira não diz isso: descreve os AINEs causando "maior deterioração da função renal, incluindo possível insuficiência renal aguda" combinados a IECA ou BRA.5 O caminho existe, mas passa pelo rim.

Um ponto que contraria a intuição: diante de uma hipercalemia, suspender o bloqueador do sistema renina-angiotensina não é a resposta automática. Uma revisão de 2024 conclui que reduzir a dose ou suspendê-lo "deve ser desencorajado", porque esses medicamentos melhoram desfechos na insuficiência cardíaca e na doença renal proteinúrica.8

Potássio baixo: os diuréticos, as perdas e o magnésio

O outro versante pesa exatamente o mesmo nas buscas dos brasileiros, e tem causas mais prosaicas. As Diretrizes Brasileiras de Hipertensão descrevem a principal: "a hipopotassemia é o efeito metabólico mais comum [dos diuréticos] e, frequentemente acompanhada de hipomagnesemia, que podem provocar arritmias ventriculares".6 Vale para os tiazídicos (hidroclorotiazida, clortalidona, indapamida) e para os de alça (furosemida). Vômitos e diarreias prolongados fazem o mesmo pela via digestiva.

Essa frase contém, quase de passagem, o cruzamento mais útil desta página. O mecanismo está descrito em detalhe: a queda do magnésio intracelular libera um canal renal chamado ROMK, que passa a excretar mais potássio — e a perda urinária aumenta justamente quando se tenta repor potássio.9 Resultado: uma hipocalemia que não corrige enquanto o magnésio não for corrigido. Por isso a página do magnésio é o complemento natural desta.

As diretrizes acrescentam uma consequência pouco lembrada: a hipopotassemia "reduz a liberação de insulina, aumentando a intolerância à glicose e o risco de desenvolver diabetes melito tipo 2" — um motivo a mais para quem acompanha glicemia e insulina sob diurético.6

O ECG não afasta o diagnóstico

Circula a ideia de que "o eletrocardiograma, e não o número, decide". A medida corrige essa frase pela metade.

Em 528 eletrocardiogramas de pacientes em diálise, com prevalência de hipercalemia em torno de 60%, a sensibilidade média dos médicos de emergência para detectá-la pelo traçado foi de 0,19 e a especificidade de 0,97; nos casos graves (K ≥ 6,5 mEq/L) a sensibilidade subiu só para 0,29. O ECG "não é um método sensível" e "não deve ser usado para excluir" hipercalemia — mas serve para confirmar.4

A SBPC/ML registra a mesma controvérsia, e vale publicá-la lado a lado: alguns autores propõem usar filtração glomerular acima de 60 mL/min/1,73 m² com um ECG normal como indicador de pseudo-hipercalemia, dispensando a repetição; o manual pondera que "há discordâncias quanto a isso, pois esse caminho pode impedir a identificação de pacientes com hipercalemia e ECG normal".1 Duas fontes independentes, a mesma prudência.

Banana, laranja: a dieta importa?

Boa parte de quem procura "potássio" está pensando em comida, e a pergunta merece respeito. Para quem tem rins saudáveis, a alimentação não produz hipercalemia: o rim exporta o excedente. E as Diretrizes Brasileiras de Hipertensão Arterial – 2020 vão além de tolerar o potássio da dieta — recomendam aumentá-lo com grau I e nível de evidência A. Uma ingestão adequada, "na ordem de 90 a 120 mEq/dia, pode acarretar uma diminuição de 5,3 mmHg" na pressão sistólica, e os alimentos são nomeados: "feijões, ervilha, vegetais de cor verde-escura, banana, melão, cenoura, beterraba, frutas secas, tomate, batata-inglesa e laranja", com meta de 3,5 a 5,0 g/dia.6

O contraste com o consumo real é o dado brasileiro mais interessante deste guia: no ELSA-Brasil, com 15 105 participantes, a ingestão medida por excreção urinária foi de 2,4 ± 1 g/dia — bem abaixo da meta.10 O problema brasileiro de potássio na dieta é de falta, não de excesso.

A cautela existe e é específica: "as dietas ricas em potássio devem ser incentivadas, porém convém ter maior cautela com o risco de hipercalemia, devido à presença frequente de doença renal crônica e do uso de fármacos que reduzem a excreção de potássio".6 A restrição é para quem tem rim doente ou toma esses medicamentos — e nem aí é simples. Uma conferência internacional de nefrologia registrou "uma mudança de paradigma, da ideia de restrição dietética" para padrões alimentares associados a melhores desfechos, e a escassez de dados de que mudar a dieta normalize um potássio alterado.11 A revisão de 2024 pede restrição "mais matizada", focada em fontes não vegetais.8

O que o SUS cobre

Na tabela SIGTAP da competência 08/2026, a dosagem de potássio tem o código 0202010600 e é financiada em R$ 1,85 — o mesmo valor da creatinina, da ureia, do ácido úrico, do sódio (0202010635) e do cloreto (0202010260). O hemograma completo sai por R$ 4,11. Curiosamente, o eletrocardiograma (0211020036) custa R$ 5,15, quase três vezes a dosagem.7

O potássio não integra nenhum painel de rotina: nem o hemograma, nem o hepatograma, nem o perfil hormonal. Consta dos painéis de pré-transplante — coração, fígado, rim, pâncreas, pulmão e doador vivo —, ao lado de sódio, magnésio, creatinina e glicemia.7 Compare preços em quanto custa um exame de sangue; as siglas estão no glossário.

Avanços recentes

Com base em publicações indexadas no PubMed:

  • A pseudo-hipercalemia ganhou uma revisão de mecanismos em 2022.2
  • O ECG foi medido, e saiu mal como teste de exclusão: sensibilidade 0,19 contra especificidade 0,97.4
  • O paradigma da dieta mudou: a restrição indiscriminada perdeu suporte, em favor de padrões alimentares e do foco em fontes não vegetais.118
  • Suspender IECA e BRA por hipercalemia passou a ser desencorajado.8

Estes resultados dizem respeito ao diagnóstico e à pesquisa; não substituem a avaliação do seu médico.

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Um potássio nunca se lê sozinho: o seu sentido depende da função renal, dos medicamentos que você usa, do magnésio, das plaquetas e até de como o tubo foi coletado e transportado.

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Perguntas frequentes

Potássio alto sempre é grave? Não necessariamente, porque pode ser falso: a pseudo-hipercalemia por hemólise, punho cerrado, garrote, demora no transporte, leucocitose ou trombocitose é frequente.2 Mas um potássio realmente alto é uma emergência médica,1 e só o seu serviço de saúde separa os dois casos.

Meu laudo diz que a amostra estava hemolisada. Devo repetir? A decisão é do laboratório e do seu médico. Mas o potássio é o eletrólito mais sensível à hemólise: erra a partir de 90 mg/dL de hemoglobina livre, contra 1 000 para o sódio.1

Comer banana pode deixar meu potássio alto? Em pessoa com rins saudáveis, não. As Diretrizes Brasileiras de Hipertensão citam a banana e a laranja entre os alimentos recomendados, com grau I e nível A; a cautela vale para quem tem doença renal crônica ou usa medicamentos que reduzem a excreção.6

Tomo losartana. Preciso dosar potássio? A bula profissional brasileira manda monitorar cuidadosamente o potássio e a depuração da creatinina, sobretudo na insuficiência cardíaca e com depuração entre 30 e 50 mL/min.5

Meu potássio não sobe mesmo com reposição. É o cenário clássico da hipomagnesemia: o magnésio baixo aumenta a perda renal de potássio, e a reposição isolada tende a falhar.9 Veja a página do magnésio.

Para lembrar

Diante de um potássio alto, a primeira pergunta é técnica antes de ser clínica: o número descreve o seu sangue ou o tubo? Hemólise, punho cerrado, garrote, demora, plaquetas e leucócitos muito altos produzem valores falsos com regularidade. Diante de um potássio baixo, os suspeitos são o diurético, as perdas digestivas e — quando ele se recusa a corrigir — o magnésio. Nos dois casos o exame custa R$ 1,85 e vale pouco isolado: só faz sentido lido junto da função renal e dos medicamentos em uso.

Fontes

Fontes oficiais brasileiras e publicações científicas (PubMed) usadas neste guia:

Footnotes

  1. Sociedade Brasileira de Patologia Clínica / Medicina Laboratorial (SBPC/ML)Recomendações da SBPC/ML: Boas Práticas em Laboratório Clínico. PDF oficial de 16 055 655 bytes, extraído para stdout (1 512 420 caracteres; hífens condicionais U+00AD removidos; contagens por grep -o, nunca grep -c). Trechos citados verbatim: "Entre esses analitos, um dos mais críticos é o potássio, uma vez que as hipocalemias, assim como as hipercalemias, são emergências médicas" · "Coletar o tubo de ácido etilenodiamino tetra-acético (EDTA) antes do tubo com ativador de coágulo pode causar elevação nos níveis de potássio" · "O nível de potássio também pode se alterar em função da demora na análise, particularmente quando a amostra é resfriada. Nessa condição, ocorre a inibição da bomba de sódio-potássio" · "Recomendamos que a coleta seja realizada preferencialmente sem garroteamento […] não deve permanecer mais que 1 minuto" · e a controvérsia sobre o ECG: "há discordâncias quanto a isso, pois esse caminho pode impedir a identificação de pacientes com hipercalemia e ECG normal". ⚠️ Os limiares de hemólise (potássio ≥ 90 mg/dL, sódio ≥ 1 000) vêm da Tabela 1 do capítulo de interferentes, cuja fonte o próprio manual declara: "cortesia da Clínica Dávila, Chile" — é um exemplo institucional reproduzido, não uma norma brasileira, e assim o apresentamos. ⚠️ A recomendação de dosar eletrólitos a cada 3 meses sob espironolactona está no capítulo de hormonização, não em regra geral — escopo declarado. ⚠️ Duas armadilhas medidas neste documento: uma das 17 ocorrências de "potássio" é um encarte publicitário (cardápio de ensaios de fabricante), descartada; e AINE com âncora de palavra devolve 0 ocorrência (contra 85 como subcadeia dentro de outras palavras) — o manual não trata de anti-inflamatórios. PDF (controllab.com) · sbpc.org.br 2 3 4 5 6 7

  2. Saleh-Anaraki K, Jain A, Wilcox CS, Pourafshar N. Pseudohyperkalemia: Three Cases and a Review of Literature. Am J Med. 2022;135(7):e150-e154. Fonte da lista de mecanismos, citada do resumo: "excessive potassium leakage from cells of the forearm during blood collection due to release from exercising the muscle during fist clenching, while washout is prevented by tourniquet application, hemolysis, problems with sample transport, preanalysis or contamination, cell damage and metabolic changes, familial conditions that permit excessive potassium ion leak from erythrocytes after blood sampling, and leukocytosis or thrombocytosis". Sem errata (CommentsCorrections/@RefType="ErratumIn" ausente no XML efetch). PubMed · DOI 2 3 4

  3. Le Goff E, Jondeau K, Venon MD, Greffe S, Ronez E, Ngo S, Kahn JE, Hanslik T. [Pseudohyperkalemia and thrombocytosis]. Rev Med Interne. 2021;42(6):438-441. Série de três casos (78, 84 e 88 anos), plaquetas entre 1 306 e 2 404 G/L, hipercalemia não sintomática entre 6,1 e 7,7 mmol/L no soro e 4,4 a 4,6 mmol/L em tubo de heparina; nenhum tratamento específico foi necessário. Fonte internacional (França), usada por não haver série brasileira equivalente publicada. Sem errata declarada. PubMed · DOI 2 3

  4. Rafique Z, Aceves J, Espina I, Peacock F, Sheikh-Hamad D, Kuo D. Can physicians detect hyperkalemia based on the electrocardiogram? Am J Emerg Med. 2020;38(1):105-108. 528 eletrocardiogramas de pacientes em doença renal terminal, prevalência de hipercalemia ≈ 60%. Sensibilidade média 0,19 (± 0,16), especificidade 0,97 (± 0,04); na hipercalemia grave (K ≥ 6,5 mEq/L) a sensibilidade sobe a 0,29 e a especificidade cai a 0,95. Conclusão citada: "An ECG is not a sensitive method of detecting hyperkalemia and should not be relied upon to rule it out. However, the ECG has a high specificity […] and could be used as a rule in test." ⚠️ O ano citado é o do número (jan. 2020), não o da publicação eletrônica (2019). Sem errata declarada. PubMed · DOI 2 3 4

  5. ANVISA — bula profissional (modelo aprovado)LOSARTANA POTÁSSICA, comprimido revestido 50 mg, Geolab Indústria Farmacêutica S/A, versão V.10_07/2025, "Modelo de bula para o profissional de saúde". PDF verificado (200 application/pdf, 766 459 bytes; 54 572 caracteres extraídos). ⚠️ Controle negativo no mesmo diretório: um nome de arquivo inventado devolve 404 text/html de 272 271 bytesmaior que um dos PDF verdadeiros; só o par código + tipo MIME discrimina. Trechos citados verbatim: "as concentrações plasmáticas de potássio, assim como os valores da depuração plasmática da creatinina, devem ser cuidadosamente monitoradas, especialmente em pacientes com insuficiência cardíaca e depuração plasmática da creatinina entre 30-50mL/min" · "O uso concomitante de losartana potássica e de agentes poupadores de potássio, suplementos de potássio e substitutos do sal que contenham potássio não é recomendado" · "9,9% dos pacientes tratados com losartana em comprimidos e 3,4% dos que receberam placebo desenvolveram hipercalemia > 5,5mmol/L" · na tabela de reações adversas, "Hipercalemia — Comum". ⚠️ Verificação negativa declarada no corpo do texto: a bula não atribui aos AINEs elevação direta do potássio; ela descreve atenuação do efeito anti-hipertensivo e "maior deterioração da função renal, incluindo possível insuficiência renal aguda" na combinação. PDF (geolab.com.br) 2 3 4 5 6

  6. Diretrizes Brasileiras de Hipertensão Arterial – 2020 (Departamento de Hipertensão Arterial da Sociedade Brasileira de Cardiologia, Sociedade Brasileira de Hipertensão e Sociedade Brasileira de Nefrologia). Barroso WKS, Rodrigues CIS, Bortolotto LA e cols. Arq Bras Cardiol. 2021;116(3):516-658. PDF em português verificado (200 application/pdf, 3 972 880 bytes; 703 636 caracteres de texto extraído; identidade confirmada por 831 ocorrências de "hipertens"). Controle negativo do domínio: um slug inventado em /article/ devolve 404, contra 200 para a página real. Trechos citados verbatim: Quadro 4.4, "Potássio plasmático (GR: I, NE: C)" entre os exames complementares de rotina · §9.4.1.1, "A hipopotassemia é o efeito metabólico mais comum e, frequentemente acompanhada de hipomagnesemia, que podem provocar arritmias ventriculares" e "reduz a liberação de insulina, aumentando a intolerância à glicose" · §9.4.4.1, "Pelas mesmas razões dos IECA, podem causar hipercalemia, especialmente na presença de insuficiência renal" · lista de anti-hipertensivos, espironolactona: "Pode provocar hiperpotassemia, particularmente na IRC e quando associada a inibidores da ECA ou BRA" · §1.5.5 Potássio (GR: I; NE: A), "na ordem de 90 a 120 mEq/dia, pode acarretar uma diminuição de 5,3 mmHg na PAS e 3,1 mmHg na PAD", com a lista de alimentos e a meta de "3,5 a 5,0 g/dia em dieta rica em potássio" (Quadro 1.1) · §14.4.1, "As dietas ricas em potássio devem ser incentivadas, porém convém ter maior cautela com o risco de hipercalemia, devido à presença frequente de doença renal crônica (DRC) e do uso de fármacos que reduzem a excreção de potássio". ⚠️ Nota de vocabulário: esta diretriz escreve hipo/hiperpotassemia onde a SBPC/ML escreve hipo/hipercalemia — duas instituições brasileiras, dois termos para a mesma coisa; buscar só um deles produz falsa ausência. PDF (abccardiol.org) · DOI 2 3 4 5 6 7 8 9 10

  7. Ministério da Saúde / DATASUS — SIGTAP, Tabela de Procedimentos, Medicamentos e OPM do SUS, competência agosto de 2026 (tb_procedimento.txt, 1 697 774 bytes, 5 023 linhas; tb_descricao.txt, 4 324 linhas). Parser de colunas fixas com decodificação latin-1 e offsets absolutos (VL_SH [282:294], VL_SA [294:306], VL_SP [306:318]), validado antes do uso contra valores já publicados neste site: hemograma completo 0202020380 R$ 4,11 e ferritina 0202010384 R$ 15,59. Busca com dobra de acentos (mensurada: 2 483 das 5 023 linhas contêm acentos combinantes). Resultado: a raiz POTASSI devolve uma única linha em todo o arquivo0202010600 DOSAGEM DE POTASSIO, R$ 1,85 (VL_SA). ⚠️ Contra o esperado, nenhum sal nem medicamento de potássio consta da tabela: CLORETO DE POTASSIO devolve 0, coerente com o fato de SIGTAP ser tabela de procedimentos. ⚠️ A falsa presença veio da sigla: o padrão \bK\b captura 0212010042 FENOTIPAGEM K, FYA, FYB, JKA, JKB EM GEL, que nada tem a ver com o eletrólito. Outros códigos citados, todos lidos na mesma linha: sódio 0202010635 R$ 1,85, cloreto 0202010260 R$ 1,85, cálcio 0202010210 R$ 1,85, gasometria 0202010732 R$ 15,65, eletrocardiograma 0211020036 R$ 5,15. Em tb_descricao.txt, "POTÁSSIO" aparece em 11 registros: a descrição do próprio exame (citada no texto, verbatim), a da osmolaridade, três de diálise e seis painéis regulamentados de pré-transplante. sigtap.datasus.gov.br 2 3 4

  8. Palmer BF, Clegg DJ. Hyperkalemia treatment standard. Nephrol Dial Transplant. 2024;39(7):1097-1104. Fonte das duas posições citadas: "The practice of restricting foods high in K+ to manage hyperkalemia is being reassessed since the evidence supporting the effectiveness of this strategy is lacking. Rather, dietary restriction should be more nuanced, focusing on reducing the intake of nonplant sources of K+" e "Down-titration and/or discontinuation of renin-angiotensin-aldosterone inhibitors should be discouraged since these drugs improve outcomes in patients with heart failure and proteinuric kidney disease". Fonte internacional, em complemento às brasileiras. Sem errata declarada. PubMed · DOI 2 3 4

  9. Huang CL, Kuo E. Mechanism of hypokalemia in magnesium deficiency. J Am Soc Nephrol. 2007;18(10):2649-52. Trecho citado: "A decrease in intracellular magnesium, caused by magnesium deficiency, releases the magnesium-mediated inhibition of ROMK channels and increases potassium secretion." Nuance registrada pelos próprios autores: "Magnesium deficiency alone, however, does not necessarily cause hypokalemia. An increase in distal sodium delivery or elevated aldosterone levels may be required." Revisão de referência do domínio; antiguidade não equivale a obsolescência. Sem errata declarada. PubMed · DOI 2

  10. Pereira TSS, Benseñor IJM, Meléndez JGV, Faria CP, Cade NV, Mill JG, Molina MCB. Sodium and potassium intake estimated using two methods in the Brazilian Longitudinal Study of Adult Health (ELSA-Brasil). Sao Paulo Med J. 2015;133(6):510-6. Estudo transversal com 15 105 participantes brasileiros. Ingestão de potássio por questionário de frequência alimentar de 114 itens: 4,7 ± 1,8 g; por excreção urinária de 12 horas noturnas: 2,4 ± 1 g. A concordância entre os dois métodos foi fraca (kappa ponderado 0,16) — citamos a medida por excreção urinária, o método biológico, e declaramos a divergência. Estudo brasileiro conduzido no Brasil (afiliações verificadas: UFES, USP, UFMG). PubMed · DOI

  11. Clase CM, Carrero JJ, Ellison DH e cols. (KDIGO) Potassium homeostasis and management of dyskalemia in kidney diseases: conclusions from a Kidney Disease: Improving Global Outcomes (KDIGO) Controversies Conference. Kidney Int. 2020;97(1):42-61. Conferência de consenso com participação brasileira (R. Pecoits-Filho). Trecho citado: "increasing evidence showing beneficial associations with plant-based diet and data to suggest a paradigm shift from the idea of dietary restriction toward fostering patterns of eating that are associated with better outcomes; the paucity of data on the effect of dietary modification in restoring abnormal serum potassium to the normal range". ⚠️ Ano do número (jan. 2020), não da publicação eletrônica (2019). Sem errata declarada. PubMed · DOI 2

Aviso médico. Este guia tem finalidade informativa e educativa; não constitui aconselhamento médico e não substitui uma consulta. Os valores de referência variam conforme o laboratório e a técnica: só o seu médico pode interpretar os seus resultados no seu contexto.