TGO alta: o que significa, e a diferença para a TGP
A TGO (AST) não vem só do fígado: vem também do músculo, do coração e das hemácias. O que a eleva, quanto custa no SUS e por que a TGP nem sempre sobe junto.
A TGO aparece no seu laudo como transaminase glutâmico-oxalacética, ou pela sigla internacional AST (às vezes SGOT). Quase nunca vem sozinha: vem colada à TGP, dentro do hepatograma. Mas há entre as duas uma diferença que muda tudo na hora de interpretar um resultado alterado, e que raramente é explicada: a TGO não é um exame do fígado.
Em resumo
- A TGO/AST é uma enzima presente no fígado, no músculo esquelético, no coração e dentro das hemácias. Uma TGO alta aponta lesão celular — mas não diz de qual célula.
- A TGP/ALT é bem mais concentrada no fígado. Por isso a leitura útil quase nunca é "a TGO está alta", e sim "a TGO está alta e a TGP está…".
- Exercício intenso eleva a TGO por 12 a 24 horas, junto com a creatinoquinase e a aldolase, segundo a SBPC/ML. Um treino pesado na véspera pode explicar o resultado.
- Um tubo hemolisado falseia a TGO muito antes de falsear a TGP: interferência a partir de 40 mg/dL de hemoglobina livre contra 90 mg/dL da TGP.
- A razão TGO/TGP ("De Ritis") não tem ponto de corte brasileiro. Varremos quatro documentos oficiais: o termo não aparece em nenhum, e nenhum atribui um valor de corte à razão.
- Existe uma causa benigna de TGO alta, isolada e persistente: a macro-AST, a enzima ligada a imunoglobulina. Confirma-se no laboratório, não na biópsia.
- A TGO já foi um marcador de infarto. No capítulo que a SBPC/ML dedica ao infarto agudo do miocárdio, o padrão de referência é a troponina — e a TGO não é citada uma única vez.
- No SUS, a TGO custa R$ 2,01, sob o código 0202010643.
- Nenhum valor isolado fecha diagnóstico: uma TGO alterada se lê com o resto do laudo, o seu histórico e o seu médico.
De onde vem a TGO — e por que isso importa
A TGO é uma enzima intracelular: o lugar dela é dentro da célula. Só chega ao sangue em quantidade quando células que a contêm são danificadas e vazam o conteúdo. Subir TGO significa lesão celular — não perda de função de órgão nenhum.
O problema é que essas células estão em vários lugares. O fígado é o mais conhecido, mas o músculo esquelético, o músculo cardíaco e as hemácias também são fontes importantes. É por isso que a SBPC/ML classifica a aspartato aminotransferase entre as enzimas que aumentam falsamente numa amostra hemolisada: hemácias rompidas no tubo liberam a enzima que estava dentro delas, sem que nada tenha acontecido com você.1
A TGP é muito mais concentrada no fígado. Daí a regra que organiza este guia: a TGO sozinha diz pouco; ao lado da TGP diz bastante.
O nome oficial no Brasil vem do Estado: na tabela SIGTAP do SUS o procedimento se chama, por extenso, "dosagem de transaminase glutâmico-oxalacética (TGO)".2 "AST" e "SGOT" são nomenclaturas internacionais que muitos laudos imprimem — é o mesmo exame.
A razão TGO/TGP: o que se ensina, e o que o Brasil não diz
A razão entre as duas — dividir a TGO pela TGP — é um clássico da leitura hepática, a razão de De Ritis. Você a encontra em livros e em quase toda página sobre o assunto, com cortes do tipo "acima de 2 sugere álcool".
Procuramos "De Ritis", "AST/ALT" e "TGO/TGP" nos quatro documentos brasileiros de referência deste guia: o manual Boas práticas em laboratório clínico da SBPC/ML, os PCDT de Hepatite B e C e a diretriz SBEM/SBH/Abeso sobre doença hepática esteatótica.1345 O resultado:
- "De Ritis": zero ocorrências nos quatro documentos.
- A razão TGO/TGP aparece uma única vez, na diretriz SBEM/SBH/Abeso, de passagem: "uma baixa razão aspartato aminotransferase (AST)/ALT na biópsia inicial associou-se ao desenvolvimento de fibrose progressiva numa metanálise".5 Nenhum número, nenhum ponto de corte.
- No PCDT de Hepatite C, a única "razão" com AST é outra: o APRI, que divide a AST pelas plaquetas, não pela ALT.4
Ou seja: nenhuma autoridade brasileira publica um valor de corte para a razão TGO/TGP. O que existe é literatura internacional, e ela é modesta. Num estudo iraniano com 205 pacientes com esteatose comparados à elastografia, a razão AST/ALT teve área sob a curva de 0,720 para distinguir fibrose avançada — contra 0,923 do APRI e 0,913 do FIB-4, ambos calculados com a mesma TGO.6 (Fonte internacional, declarada na ausência de equivalente brasileiro.)
Na prática: a razão é uma pista de raciocínio, não um teste. Quem decide conduta no Brasil são os escores que usam a TGO com as plaquetas, não a divisão pela TGP.
Quando a TGO alta não é o fígado
Três cenários em que a TGO sobe com o fígado íntegro.
Músculo
Lesão muscular libera TGO. Um estudo clássico acompanhou 16 pacientes com necrose muscular sem doença hepática — exercício extremo, polimiosite e crises convulsivas — e descreveu o padrão: na fase aguda, TGO e TGP sobem juntas e a razão TGO/TGP fica acima de 3; depois de alguns dias ela se aproxima de 1, porque a TGO cai mais rápido.7 (Fonte internacional, declarada.) Todos tinham creatinoquinase e desidrogenase láctica elevadas.
É aí que entra o exame que resolve a dúvida: a CPK (creatinofosfoquinase), que no SUS tem código próprio — 0202010325, R$ 3,68.2 TGO alta com CPK alta muda o endereço da investigação, do fígado para o músculo. Pela mesma lógica, uma injeção intramuscular recente é um dado relevante da consulta.
Exercício
Não é preciso rabdomiólise. A SBPC/ML é explícita: "o exercício físico mais intenso pode causar aumento na atividade sérica de algumas enzimas, como creatinoquinase, aldolase e aspartato aminotransferase, o qual pode persistir por 12 a 24 horas, de acordo com a intensidade do esforço físico".1
Ou seja: um treino pesado, uma corrida longa ou uma primeira aula de musculação na véspera podem elevar a sua TGO sem que exista doença alguma. A mesma fonte recomenda coletar o sangue em condições basais.
Hemácias
Hemólise dentro do organismo também libera TGO, ao lado de bilirrubina indireta alta, haptoglobina baixa e reticulócitos altos — o terreno da G6PD e das hemácias. Aí a TGO acompanha o hemograma completo, não o hepatograma.
O tubo hemolisado: a armadilha número um
Se a sua TGO veio alta e o laudo traz observação de hemólise, leia antes de se preocupar.
O manual da SBPC/ML publica uma tabela de interferências — creditada, no próprio documento, à Clínica Dávila, do Chile — com a concentração de hemoglobina livre a partir da qual cada analito é afetado:1
| Analito | Interferência a partir de |
|---|---|
| AST / TGO | ≥ 40 mg/dL de hemoglobina |
| ALT / TGP | ≥ 90 mg/dL de hemoglobina |
| Desidrogenase láctica (LDH) | ≥ 15 mg/dL |
| CK total | ≥ 100 mg/dL |
Depois da LDH e da bilirrubina direta, a TGO é um dos analitos mais sensíveis à hemólise de toda a tabela. A consequência é dupla: o tubo hemolisado eleva a TGO e, como não mexe na TGP com a mesma facilidade, distorce também a razão TGO/TGP. Uma coleta difícil, com garrote apertado por mais de dois minutos, é causa técnica plausível de "TGO alta isolada". A conduta padrão: nova coleta.
Macro-AST: a TGO alta que não é doença
Há uma explicação para o cenário mais angustiante — TGO alta, isolada, persistente, com TGP normal e nenhum sintoma: a macro-AST.
Trata-se da enzima ligada a uma imunoglobulina, formando um complexo grande demais para ser depurado na velocidade normal. Nada está lesionado; a enzima apenas fica mais tempo circulando. Uma revisão mediu isso: a meia-vida da AST normal é de cerca de 0,7 dia, enquanto os casos de macro-AST se distribuem em dois grupos, com meias-vidas estimadas de 3,3 dias (60% dos casos, abaixo de 200 U/L) e 19,8 dias (40%, acima de 200 U/L).8 (Fontes internacionais, declaradas.)
O que importa é o custo do desconhecimento: a literatura registra que a macro-AST "raramente é considerada pelos clínicos, levando a um grande número de exames desnecessários e até invasivos antes do diagnóstico" — incluindo biópsia hepática evitável.910
Como se confirma? No laboratório, não na imagem: o método de primeira linha é a precipitação com polietilenoglicol (PEG), complementada por ultracentrifugação ou filtração em gel.9 Um estudo belga fixou em 48% o limite da atividade da AST precipitável por PEG, ressaltando que cada laboratório deve estabelecer o seu.11 Há ainda um sinal barato: nos complexos instáveis, a atividade da AST cai quando o soro é guardado a 4 °C.9
Não encontramos publicação clínica brasileira sobre macro-AST. É uma lacuna real da literatura nacional — o que não impede o seu laboratório de pesquisá-la, mas explica por que o assunto é pouco lembrado por aqui.
A TGO já foi um exame de infarto
Historicamente, a TGO foi um dos primeiros marcadores de necrose do miocárdio. Isso acabou.
O manual da SBPC/ML dedica um capítulo ao diagnóstico do infarto agudo do miocárdio e conclui que "as troponinas de alta sensibilidade, ou simplesmente troponinas, são consideradas o teste-padrão de referência", com algoritmos de 0/1 hora em uso em centros brasileiros desde 2019.1 Em todo o capítulo, a TGO não é mencionada uma única vez.
No SUS, a troponina tem procedimento próprio (0202031209, R$ 9,00).2 Se o assunto é dor torácica, o exame não é a TGO.
O que a TGO realmente decide no Brasil
Onde a sua TGO muda conduta é no cálculo da fibrose hepática. O PCDT de Hepatite C publica duas fórmulas oficiais, e ambas usam a AST:4
- APRI = (AST ÷ limite superior da normalidade da AST) ÷ contagem de plaquetas × 100
- FIB-4 = (idade × AST) ÷ (plaquetas × √ALT)
Repare no detalhe do APRI: ele não usa a sua TGO em bruto, e sim a sua TGO dividida pelo limite superior de normalidade do seu próprio laboratório. É por isso que a faixa impressa no laudo importa tanto — ela entra na conta.
O protocolo adota APRI < 1,0 como baixa probabilidade de cirrose, 1,0 a 1,49 como zona cinzenta e ≥ 2,0 como alta; e traz um cálculo feito para o Brasil: dada a prevalência de 23% de cirróticos entre os portadores de hepatite C crônica no país, um APRI < 1 exclui cirrose corretamente em 91% das vezes.4
Um estudo do Hospital das Clínicas da USP com 301 pacientes com hepatite C crônica, comparados à biópsia, mostra a TGO subindo em degraus conforme a fibrose avança: mediana de 28 U/L sem fibrose (F0), 34 em F1, 47,5 em F2, 65 em F3 e 77 U/L na cirrose (F4).12 Progressão clara, mas com faixas que se sobrepõem — por isso a enzima entra num escore, e não é lida sozinha.
No acompanhamento da hepatite B, o Ministério da Saúde define o ritmo: TGO e TGP a cada 3 a 6 meses no primeiro ano de tratamento, a cada 6 a 12 meses depois.3
Preciso de jejum para a TGO?
Não existe, no Brasil, regra de jejum específica para a TGO. A SBPC/ML trata o jejum como princípio geral e alerta na direção contrária: "devem ser evitadas coletas de sangue após períodos muito prolongados de jejum, acima de 12 horas".1
Três orientações de texto primário e mais relevantes que o jejum, no caso da TGO: evite exercício intenso nas 24 horas anteriores, evite álcool por 72 horas e fique em repouso antes da punção.1 Na dúvida, siga o laboratório — a orientação depende dos outros exames do mesmo pedido, como a glicemia em jejum ou o lipidograma.
Quanto custa no SUS
Valores da tabela SIGTAP, competência de agosto de 2026:2
| Exame | Código | Valor |
|---|---|---|
| Transaminase glutâmico-oxalacética (TGO) | 0202010643 | R$ 2,01 |
| Transaminase glutâmico-pirúvica (TGP) | 0202010651 | R$ 2,01 |
| Creatinofosfoquinase (CPK) | 0202010325 | R$ 3,68 |
| Troponina | 0202031209 | R$ 9,00 |
A TGO custa menos da metade da CPK que muitas vezes a acompanha. Veja também quanto custa um exame de sangue.
Perguntas frequentes
Minha TGO está alta e a TGP normal. O que isso sugere? É o padrão que abre as portas deste guia: músculo, exercício recente, hemólise (no organismo ou no tubo) e macro-AST entram na lista, ao lado das causas hepáticas. A CPK costuma ser o próximo passo lógico para separar músculo de fígado — quem define é o médico.710
TGO e TGP são a mesma coisa? Não. São enzimas diferentes: a TGP é mais específica do fígado, a TGO também vem de músculo, coração e hemácias. Vêm juntas no pedido porque a comparação entre as duas informa mais do que qualquer uma isolada.
Treinei pesado ontem. Devo remarcar o exame? A SBPC/ML documenta elevação de TGO por 12 a 24 horas após esforço intenso.1 Vale mencionar o treino ao laboratório: às vezes é mais simples remarcar do que interpretar um resultado com um fator de confusão conhecido.
A TGO serve para detectar gordura no fígado? Não como rastreamento isolado. A diretriz brasileira de doença hepática esteatótica recomenda contra o uso de enzimas hepáticas isoladas para rastrear esteatose em pessoas com sobrepeso ou obesidade — o exame indicado é a ultrassonografia abdominal.5
Existe um valor de TGO "perigoso"? Não há número mágico, e este guia não substitui uma consulta. O que existe é contexto: quanto a TGP acompanha, se há CPK alta, se o tubo estava hemolisado, se a elevação é persistente e isolada, e o que dizem plaquetas e idade nos escores de fibrose.
O que levar deste guia
Três coisas. A TGO não é um exame do fígado: mede lesão celular, e a célula pode estar no músculo, no coração ou dentro de uma hemácia. A razão TGO/TGP não tem corte oficial no Brasil, e mesmo lá fora rende menos que o APRI e o FIB-4. E uma TGO alta, isolada e persistente merece que se pense em macro-AST antes de qualquer exame invasivo.
Para o vocabulário do laudo, veja o glossário de exames de sangue e a composição do sangue; para unidades, o conversor de unidades. E para uma leitura do conjunto do seu laudo, o AI DiagMe é um complemento à avaliação do seu médico — nunca um substituto.
Fontes
Fontes institucionais brasileiras e publicações científicas (PubMed) utilizadas neste guia:
Footnotes
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Sociedade Brasileira de Patologia Clínica/Medicina Laboratorial (SBPC/ML) — Recomendações da SBPC/ML: Boas práticas em laboratório clínico. Barueri: Manole. Seções consultadas no texto integral: variação pré-analítica — atividade física (aumento de creatinoquinase, aldolase e aspartato aminotransferase persistindo por 12 a 24 horas conforme a intensidade do esforço), jejum (limite de 12 horas), álcool (abstinência de 72 horas), posição do paciente, torniquete e procedimentos diagnósticos; hemólise (enzimas falsamente elevadas em soro hemolisado: aldolase, aspartato aminotransferase, fosfatase alcalina e desidrogenase láctica; troponinas e insulina falsamente reduzidas); Tabela 1 de interferências — AST/TGO a partir de 40 mg/dL de hemoglobina livre e ALT/TGP a partir de 90 mg/dL, tabela creditada no próprio documento à Clínica Dávila (Chile); capítulo 28, "Vantagens da troponina ultrassensível no diagnóstico do infarto agudo do miocárdio" (troponina como teste-padrão de referência, algoritmos de 0/1 hora). Ausência verificada por varredura do texto integral: os termos "De Ritis", "AST/ALT" e "TGO/TGP" não ocorrem no documento. PDF ↩ ↩2 ↩3 ↩4 ↩5 ↩6 ↩7 ↩8
-
Ministério da Saúde / DATASUS — SIGTAP: Sistema de Gerenciamento da Tabela de Procedimentos, Medicamentos e OPM do SUS, competência 08/2026 (tabela
tb_procedimento, 5.023 procedimentos). Códigos e valores verificados: dosagem de transaminase glutâmico-oxalacética (TGO) 0202010643 e glutâmico-pirúvica (TGP) 0202010651, ambas R$ 2,01; creatinofosfoquinase (CPK) 0202010325, R$ 3,68; creatinofosfoquinase fração MB 0202010333, R$ 4,12; aldolase 0202010147, R$ 3,68; desidrogenase láctica 0202010368, R$ 3,68; troponina 0202031209, R$ 9,00. Página oficial (DATASUS) ↩ ↩2 ↩3 ↩4 -
Ministério da Saúde (SECTICS/MS) e Conitec — Protocolo Clínico e Diretrizes Terapêuticas Hepatite B e Coinfecções, aprovado pela Portaria SECTICS/MS nº 25, de 18 de maio de 2023. Seções consultadas: parâmetros bioquímicos hepáticos para avaliação de atividade e gravidade da doença (ALT, AST, GGT, bilirrubinas, albumina e proteínas séricas, TP/INR); quadro de monitoramento laboratorial durante o tratamento — AST/TGO e ALT/TGP a cada 3 a 6 meses no primeiro ano e a cada 6 a 12 meses após o primeiro ano. Ausência verificada: "De Ritis", "AST/ALT" e "TGO/TGP" não ocorrem no documento. PDF (gov.br/saude) ↩ ↩2
-
Ministério da Saúde (SCTIE/MS) e Conitec — Protocolo Clínico e Diretrizes Terapêuticas Hepatite C e Coinfecções, atualizado pela Portaria SCTIE/MS nº 39, de 20 de julho de 2026, que revogou a Portaria SCTIE/MS nº 84, de 19 de dezembro de 2018. Seções consultadas: 10.3.2 — estadiamento não invasivo, fórmulas do APRI (AST dividida pelo seu próprio limite superior de normalidade, sobre a contagem de plaquetas) e do FIB-4; Quadro 8, com os pontos de corte de APRI (< 1,0; 1,0–1,49; ≥ 2,0) e de FIB-4; sensibilidade de 89% e especificidade de 75% do APRI ≥ 1 para cirrose, prevalência de 23% de cirróticos por hepatite C crônica na população brasileira e valor preditivo negativo de 91%; indicação de calculadora do APRI mantida pela Sociedade Brasileira de Hepatologia. Ausência verificada: os termos "De Ritis", "AST/ALT" e "TGO/TGP" não ocorrem no documento; a única razão com AST é o APRI (AST sobre plaquetas). PDF (gov.br/saude) ↩ ↩2 ↩3 ↩4
-
Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia (SBEM), Sociedade Brasileira de Hepatologia (SBH) e Associação Brasileira para o Estudo da Obesidade e da Síndrome Metabólica (Abeso) — Moreira RO, Valerio CM, Villela-Nogueira CA, Cercato C, Gerchman F, Lottenberg AMP, Godoy-Matos AF, et al. Brazilian evidence-based guideline for screening, diagnosis, treatment, and follow-up of metabolic dysfunction-associated steatotic liver disease (MASLD) in adult individuals with overweight or obesity: A joint position statement. Archives of Endocrinology and Metabolism, 2023; 67(6): e230123. Seções consultadas: Recomendação 2 (ultrassonografia abdominal), Recomendação 5 (enzimas hepáticas isoladamente não recomendadas para rastreamento de esteatose, classe III), discussão das Recomendações 9 a 11 (única menção à razão AST/ALT em todo o documento — "a low aspartate aminotransferase (AST)/ALT ratio at the time of baseline biopsy was associated with the development of progressive fibrosis in a meta-analysis" — sem ponto de corte). PubMed · DOI ↩ ↩2 ↩3
-
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-
Nathwani RA, Pais S, Reynolds TB, Kaplowitz N. Serum alanine aminotransferase in skeletal muscle diseases. Hepatology, 2005; 41(2): 380-2. Série de 16 pacientes com necrose muscular sem doença hepática (exercício extremo, polimiosite, crises convulsivas): na fase aguda a razão AST/ALT foi superior a 3 e se aproximou de 1 após alguns dias, pela queda mais rápida da AST. PubMed · DOI ↩ ↩2
-
Rubin AS, Sass DA, Stickle DF. Distribution of serum concentrations reported for macroenzyme aspartate aminotransferase (macro-AST). Practical Laboratory Medicine, 2017; 8: 65-9. Compilação de 51 valores da literatura, com distribuição bimodal (60% abaixo de 200 U/L, 40% acima) compatível com meias-vidas circulatórias estimadas de 3,3 e 19,8 dias, contra cerca de 0,7 dia da AST normal. PubMed · DOI ↩
-
González Raya A, Coca Zúñiga R, Martín Salido E. Isolated elevation of aspartate aminotransferase (AST) in an asymptomatic patient due to macro-AST. Journal of Clinical Laboratory Analysis, 2019; 33(2): e22690. Descreve os métodos de detecção de macroenzimas (precipitação com polietilenoglicol, ultracentrifugação e cromatografia de filtração em gel), a queda da atividade da AST em soro conservado a 4 °C como triagem, e o argumento de que a macro-AST deve ser considerada antes de exames invasivos, incluindo biópsia hepática. PubMed · DOI ↩ ↩2 ↩3
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Lee M, Vajro P, Keeffe EB. Isolated aspartate aminotransferase elevation: think macro-AST. Digestive Diseases and Sciences, 2011; 56(2): 311-3. Citado como registro de que a elevação isolada e persistente de AST deve levantar a hipótese de macroenzima. PubMed · DOI ↩ ↩2
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-
Dantas BP, Magri MC, Manchiero C, Nunes AKDS, Prata TVG, Tengan FM (Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo, LIM-47). Aspartate Aminotransferase to Platelet Ratio Index (APRI), Göteborg University Cirrhosis Index (GUCI), and Fibrosis 4 Score (FIB-4) proved to be the optimal biomarkers for the assessment of liver fibrosis in patients chronically infected with hepatitis C virus in Brazil. Revista da Associação Médica Brasileira, 2025; 71(8): e20250241. Estudo retrospectivo com 301 pacientes; medianas de AST por estádio METAVIR: F0 28 U/L, F1 34 U/L, F2 47,5 U/L, F3 65 U/L, F4 77 U/L. PubMed · DOI ↩