Plasma sanguíneo: composição, funções e o soro
O soro é o plasma que já coagulou. A diferença é medida: na tabela da SBPC/ML a amônia sai 38% mais alta no soro, e a proteína total, 5,2% mais baixa.
Tire o sangue de um tubo, deixe as células descerem e sobra um líquido amarelo-palha. Esse líquido é o plasma — e ele não é "o que sobra". É mais da metade do volume do seu sangue, é onde quase todos os exames bioquímicos são medidos, e no Brasil é um produto regulado por norma federal, com prazo de validade, temperatura obrigatória e código no SUS.
Em resumo
- O plasma é ≈55% do volume do sangue e é composto de 90% a 92% de água; as proteínas somam 6 a 8 g/dL.1
- Soro não é plasma: o soro é o líquido que sobra depois que o sangue coagulou, sem fibrinogênio e sem os fatores consumidos no coágulo.12
- 🔴 E a diferença é medida. Na Tabela 2 da SBPC/ML, comparado ao plasma, o soro traz amônia +38%, lactato +22%, fósforo inorgânico +10,7%, potássio +6,2% e proteínas totais −5,2%.2
- No Brasil o plasma é um hemocomponente, e a Anvisa separa os termos: hemocomponente sai de processamento físico; hemoderivado, de processamento físico-químico ou biotecnológico.3
- A norma brasileira reconhece cinco produtos plasmáticos — PFC, PFC24, PIC, PC e crioprecipitado — e o PC não pode ser transfundido.4
- O SUS paga R$ 8,39 pela transfusão de plasma fresco (código
0306020106, valor hospitalar).5 - Dado brasileiro: num hospital público de ensino, 20% das transfusões de plasma fresco tinham indicação inadequada.6
- ⚠️ O plasma brasileiro ainda viaja: enquanto a fábrica de Goiana não fraciona, a Hemobrás exporta o plasma apto para fracionamento no exterior.7
O que é o plasma, e quanto dele é água
Uma definição que serve à prova de biologia e ao laudo. O plasma é a fase líquida do sangue, na qual ficam suspensas hemácias, leucócitos e plaquetas. Ele é obtido in vitro colhendo-se o sangue em um anticoagulante e centrifugando. Tem cor amarelo-palha, representa cerca de 55% do volume sanguíneo e corresponde ao compartimento intravascular do líquido extracelular. Há aproximadamente 3 litros dele num adulto.1
A composição, em ordem de massa:1
| Componente | Quanto há |
|---|---|
| Água | 90% a 92% do volume do plasma |
| Proteínas totais | 6 a 8 g/dL |
| Albumina | 50% a 60% da proteína plasmática |
| Globulinas | 2,5 a 3,5 g/dL (α1, α2, β, γ) |
| Fibrinogênio | 200 a 400 mg/dL |
| Sódio · potássio · cloro · bicarbonato | 136–145 · 3,5–5,2 · 96–106 · 22–26 mmol/L |
É essa hierarquia que a eletroforese de proteínas separa: albumina de um lado, as quatro frações de globulina do outro. ⚠️ Uma incoerência interna que registramos nesta fonte: ela escreve a osmolalidade plasmática como "275 a 295 mOsm/kg" num parágrafo e "285 a 295 mOsm/kg" em outro. Publicamos as duas em vez de escolher a que soa melhor.1
O que o plasma faz
Quatro funções, e todas caem em prova.1
Segura a água no lugar certo. As proteínas plasmáticas geram a pressão coloidosmótica que decide quanto líquido fica dentro do vaso e quanto vai para o tecido. A albumina responde por 70% a 80% dessa pressão, que gira em torno de 25 mmHg — a razão pela qual albumina baixa produz inchaço.
Transporta. Cada carga tem seu carregador: a albumina leva ácidos graxos livres, bilirrubina, cálcio e muitos medicamentos; as lipoproteínas, gorduras; a transferrina, ferro; a haptoglobina, hemoglobina livre.
Tampona. O pH do sangue fica entre 7,35 e 7,45, mantido sobretudo pelo sistema bicarbonato/ácido carbônico, em conjunto com pulmão e rim.
Coagula e defende. Os fatores de coagulação e o fibrinogênio circulam no plasma — é por isso que o coagulograma e o tempo de protrombina só podem ser feitos nele. As imunoglobulinas e o complemento também estão ali.
Plasma não é soro — e a diferença tem número
Aqui está a distinção que muda o tubo na sua veia. O soro é o plasma sem o fibrinogênio e sem a maior parte dos fatores consumidos durante a formação do coágulo.1
A SBPC/ML descreve o gesto: "Para obtenção de soro, o sangue é colhido em tubo sem anticoagulante e deixado coagular por um período de 30 a 60 minutos, à temperatura ambiente" — com gel separador e ativador da coagulação, "a espera pode ser de 30 a 45 minutos". Já "o plasma é obtido pela centrifugação do sangue total anticoagulado".2 É exatamente o que a cor da tampa anuncia: veja os tubos de coleta.
E então vem a tabela que quase nenhum site escolar reproduz. A Tabela 2 do mesmo guia, na página 13, mede a diferença percentual entre o resultado obtido no soro e a medida do mesmo analito no plasma:2
| Substância | Variação no soro | Causa declarada |
|---|---|---|
| Amônia | +38 | Trombocitólise, hidrólise |
| Lactato | +22 | Liberação de elementos celulares |
| Fósforo inorgânico | +10,7 | Liberação de elementos celulares |
| Potássio | +6,2 | Lise das células |
| Proteínas totais | −5,2 | Efeito do fibrinogênio |
Leia a última linha devagar: a proteína total sai 5,2% mais baixa no soro porque o fibrinogênio ficou no coágulo. É a prova aritmética de que soro é plasma menos fibrinogênio. E a primeira linha explica por que a amoniemia exige tubo com anticoagulante, gelo e pressa. ⚠️ A tabela declara a própria origem — "adaptado de Guder WG, Narayanan S, Wisser H, Zawta B, Samples: from the patient to the laboratory, 2001" — e nós não lemos esse livro alemão.2
O mesmo guia lista as vantagens do plasma — menos espera, mais volume, menor risco de hemólise, nenhuma pseudo-hipercalemia por plaquetas — e a desvantagem: na eletroforese, o fibrinogênio "se revela como um pico na região de gamaglobulinas, podendo mascarar ou simular um componente monoclonal".2
A literatura recente confirma que a escolha não é indiferente. Comparando soro e plasma de EDTA, um grupo norueguês achou boa concordância para cobalamina, TSH, fT4 e ferritina, mas um viés de 41% para a homocisteína.8 E ao comparar três tubos em 35 analitos, um serviço coreano mediu na LDH vieses de −10,29% e −9,86%, e concluiu que o intervalo de referência precisa ser mudado para os analitos fora do limite aceitável.9 Um valor de plasma e um valor de soro não são intercambiáveis.
No Brasil, o plasma é um produto regulado
Fora do laboratório, "plasma" deixa de ser uma matriz de exame e vira um hemocomponente. A Anvisa define os três termos que quase todo mundo confunde, no art. 3º da RDC nº 34/2014:3
- hemocomponentes: "produtos oriundos do sangue total ou do plasma, obtidos por meio de processamento físico";
- hemoderivados: "produtos oriundos do sangue total ou do plasma, obtidos por meio de processamento físico-químico ou biotecnológico";
- fracionamento industrial: "processo pelo qual o plasma é separado em frações protéicas para posterior purificação até obtenção de produtos farmacêuticos".
Ou seja: a bolsa de plasma congelado é hemocomponente; a albumina em frasco é hemoderivado. Uma centrífuga separa; uma fábrica purifica.
⚠️ Aviso de data, e ele é sério. A Portaria GM/MS nº 11.685/2026 altera a Portaria de Consolidação GM/MS nº 5/2017 e entra em vigor em 30 de setembro de 2026, 21 dias depois desta publicação; a Anvisa emitiu a Nota Técnica 42/2026 para orientar a transição e declara que a atualização da própria RDC 34/2014 está na fase final de Avaliação de Impacto Regulatório.10 Tudo o que segue foi lido no texto vigente hoje.
Os cinco plasmas da norma brasileira
O art. 94 do Anexo IV da Portaria de Consolidação nº 5/2017 não fala em "plasma": fala em cinco produtos distintos.4
| Produto | Definição na norma | Validade | Uso |
|---|---|---|---|
| PFC | Congelado em até 8 h da coleta, a ≤ −30 °C | 12 meses (−20/−30 °C) · 24 meses (≤ −30 °C) | Reposição de fatores |
| PFC24 | Congelado entre 8 e 24 h da coleta | idem PFC | Reposição de fatores |
| PIC | Plasma do qual se retirou o crioprecipitado | 12 meses a ≤ −20 °C | Só púrpura trombocitopênica trombótica |
| PC | Congelamento fora da especificação, ou PFC vencido | 5 anos | Proibido transfundir — só hemoderivados |
| CRIO | Fração insolúvel em frio do PFC | — | Fator VIII, von Willebrand, XIII, fibrinogênio |
Três detalhes que valem a leitura. O prazo de separação do plasma do PFC é de 6 horas, mais curto que o de congelamento. O PIC tem uma única indicação clínica possível na norma: a PTT. E o PC tem cinco anos de validade justamente porque não vai para veia nenhuma.4
Quando o plasma é transfundido — e quando não deveria
A norma é econômica: PFC e PFC24 servem "com o objetivo de reposição de fatores de coagulação deficientes (deficiências múltiplas ou específicas na ausência do fator purificado)".4 A ABHH é ainda mais direta no consenso de Patient Blood Management: "não se deve indicar o uso de hemocomponentes (plasma fresco congelado ou crioprecipitado) para a correção de deficiências hereditárias de fatores da coagulação para as quais estejam disponíveis hemoderivados contendo os fatores específicos".11
Na prática mundial, a distância entre a regra e o uso é grande: uma revisão sistemática sobre cirurgia de adultos conclui que o uso de plasma para indicações sem evidência de eficácia prevalece, e que faltam ensaios randomizados — inclusive na hemorragia maciça.12
E há um número brasileiro. Num hospital público de ensino, um estudo prospectivo encontrou indicação inadequada em 20% das transfusões de plasma fresco, 15% das de concentrado de hemácias, 29,2% das de plaquetas e 36,4% das de crioprecipitado — com requisições mal preenchidas em 88,3% dos casos.6 Se você vai receber uma transfusão, a pergunta "por que este hemocomponente?" é legítima.
Quanto custa ao SUS? Lemos a tabela inteira. 0306020106 TRANSFUSÃO DE PLASMA FRESCO vale R$ 8,39 no serviço hospitalar; a 0306020017 AFERESE TERAPEUTICA, cuja descrição declara que "plasmaférese é o procedimento mais comumente realizado", vale R$ 17,04.5
Doar plasma: as regras brasileiras
Doar plasma por aférese existe no Brasil e tem regras próprias: intervalo mínimo de 48 horas entre duas plasmaféreses, no máximo 2 vezes em 7 dias e 4 vezes em 2 meses, com volume de até 10 mL por quilo de peso e teto de 600 mL.4 Compare com os dois a três meses da doação de sangue comum.
Essa cautela tem base. Uma revisão sistemática de 2024 sobre frequência de plasmaférese conclui que a doação de altíssima frequência — duas vezes por semana, permitida nos Estados Unidos — pode causar queda clinicamente relevante da ferritina e levar a IgG abaixo do limiar inferior de 6 g/L, ainda que a certeza da evidência seja baixa a muito baixa.13
E há uma regra brasileira sem equivalente óbvio: a plasmaférese para obter insumo industrial é atividade exclusiva dos serviços de hemoterapia públicos, e "somente plantas de produção de hemoderivados nacional de natureza pública receberão o plasma dos serviços de hemoterapia brasileiros obtido por plasmaférese".4 O plasma do doador brasileiro é, por lei, reservado ao Estado.
A Hemobrás, e o plasma que ainda viaja
Essa "planta nacional de natureza pública" tem nome e endereço: a Hemobrás, em Goiana, Pernambuco, a 63 km do Recife — 17 prédios em 48 mil m². O Bloco B01 estoca a −37 °C o plasma excedente das doações captadas nos hemocentros de todos os estados; o B02 é o do fracionamento.7
⚠️ E aqui está o fato nacional que a página escolar não tem. A própria Hemobrás escreve, na descrição dos seus medicamentos: "Enquanto a Hemobrás implementa os blocos responsáveis pela produção de hemoderivados na fábrica, o plasma apto é exportado para fracionamento no exterior por meio de contrato com laboratório internacional". Em pleno funcionamento, a fábrica "será capaz de fracionar até 650 mil litros de plasma por ano" e produzir seis hemoderivados: albumina, imunoglobulina, fatores VIII e IX, complexo protrombínico e fator de von Willebrand. Quatro deles já são entregues ao SUS — 1.447.707 frascos de albumina e 488.720 de imunoglobulina até junho de 2026.7
Por que isso importa para quem doa? O plasma é um insumo escasso: uma revisão de 2025 registra que muitos países dependem dos Estados Unidos, que fornecem cerca de 70% do plasma mundial, e que fabricar imunoglobulina leva de 7 a 12 meses.14 ⚠️ Declaração devida: dois autores desse artigo são empregados de uma farmacêutica e os demais receberam honorários de consultoria dela.
👉 O AI DiagMe interpreta os seus exames — de sangue, urina ou fezes — considerando todo o seu contexto, em linguagem clara. Serviço informativo que não faz diagnóstico e complementa, sem substituir, a avaliação do seu médico.
Perguntas frequentes
Plasma e soro são a mesma coisa? Não. O soro é o que sobra depois que o sangue coagulou: falta-lhe o fibrinogênio e a maior parte dos fatores de coagulação.1
Por que meu exame pediu um tubo específico? Porque o resultado muda com a matriz. A amônia sai 38% mais alta no soro e a proteína total, 5,2% mais baixa.2 Veja as cores das tampas.
O plasma é mesmo quase todo água? Sim: 90% a 92%. O resto é sobretudo proteína — 6 a 8 g/dL, metade dela albumina.1
"Plasma" no meu laudo significa doença? Não. Significa apenas que o laboratório dosou no plasma e não no soro. Leia o resultado inteiro, nunca uma linha só.
Posso doar só plasma? Sim, por aférese, com intervalo mínimo de 48 horas e teto de 600 mL por coleta.4
O Brasil produz seus hemoderivados? Ainda não integralmente: o plasma apto é hoje exportado para fracionamento no exterior enquanto a fábrica de Goiana entra em operação.7
Para lembrar
O plasma é a metade líquida do seu sangue: 90% a 92% de água, 6 a 8 g/dL de proteína, e o meio onde a maior parte da bioquímica é medida. O soro é esse mesmo plasma depois do coágulo — e a SBPC/ML publica a diferença em números, analito por analito. No Brasil, o plasma sai do laboratório e entra na regulação: cinco produtos definidos por portaria federal, um deles proibido de transfundir, um código de R$ 8,39 na tabela do SUS, e uma fábrica pública em Pernambuco que ainda manda o plasma brasileiro ao exterior para virar remédio. Veja também a composição do sangue e o glossário. Nenhuma linha isolada de um laudo diz algo sozinha: conta o conjunto dos seus resultados e do seu contexto, que é o que o AI DiagMe oferece, em complemento à avaliação do seu médico.
Fontes
Fontes oficiais brasileiras e publicações científicas (PubMed) usadas neste guia:
Footnotes
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Mahadevarao Premnath S, Sankar P, Khalil B. Physiology, Blood Plasma. In: StatPearls [Internet]. Treasure Island (FL): StatPearls Publishing; atualizado em 15 de julho de 2026. Bookshelf ID NBK531504. Página lida integralmente por nós (200
text/html, 85 487 bytes; controle negativo com um Bookshelf ID inventado: 404). Dados citados: plasma ≈ 55% do volume sanguíneo, ≈ 3 L num adulto, densidade 1,022-1,026, "water constitutes approximately 90% to 92% of plasma volume", proteínas 6-8 g/dL, albumina 50-60% da proteína total, globulinas 2,5-3,5 g/dL classificadas em α1/α2/β/γ, fibrinogênio 200-400 mg/dL, cátions e ânions maiores, albumina responsável por 70-80% da pressão coloidosmótica de ≈ 25 mmHg, pH 7,35-7,45 tamponado pelo sistema bicarbonato, e a definição "serum is the fluid remaining after blood coagulation. Serum resembles plasma but lacks fibrinogen and most clotting factors consumed during clot formation". ⚠️ Incoerência interna medida e publicada: a mesma página escreve "Plasma osmolality ranges from 275 to 295 mOsm/kg" na seção Cellular Level e "Plasma osmolality ranges from 285 to 295 mOsm/kg" na seção Function. ⚠️ Fonte internacional, em recurso declarado: não encontramos, em documento institucional brasileiro acessível, um texto primário que publique a proporção de água do plasma. NCBI Bookshelf · PubMed ↩ ↩2 ↩3 ↩4 ↩5 ↩6 ↩7 ↩8 ↩9 -
Sociedade Brasileira de Patologia Clínica/Medicina Laboratorial (SBPC/ML) — Recomendações da SBPC/ML para Coleta de Sangue Venoso, 2ª edição, Barueri: Minha Editora, 2010. PDF rebaixado por nós em 200
application/pdf, 1 256 297 bytes (SHA-256 idêntico ao exemplar já usado no site); controle negativo com nome inventado no mesmo diretório: 404text/html, 196 bytes. 🔴 Declaração devida, e ela muda a leitura: a página de copyright informa "coedição com a Becton Dickinson Indústrias Cirúrgicas Ltda.", fabricante de tubos, e dois dos nove autores da 2ª edição são funcionários da BD Diagnostics — verificação feita por nós na lista de autores. Conduta adotada: usamos deste documento apenas fatos analíticos, nenhuma escolha de marca ou de material; e cruzamos os dados de composição com uma fonte independente. Localização verificada da nossa citação principal: a Tabela 2, "Diferença percentual entre resultados obtidos no soro e no plasma", está na página impressa 13 (página 26 do PDF), dentro do capítulo Fase pré-analítica para exames de sangue — não num encarte publicitário; varremos as páginas 22 a 30 do PDF em busca dos marcadoresVacutainer,Becton,BD Diagnostics,LASC,Milli-Q,SiemenseMercke nenhum aparece na página da tabela. Valores reproduzidos tal como impressos, com a coluna declarada "% de variação em comparação à sua medida no plasma": Potássio +6,2 (lise das células) · Fósforo inorgânico +10,7 · Proteínas totais −5,2 (efeito do fibrinogênio) · Amônia +38 (trombocitólise, hidrólise) · Lactato +22. ⚠️ Origem declarada pela própria tabela, e que não verificamos: "Fonte: adaptado de Guder WG, Narayanan S, Wisser H, Zawta B. Samples: from the patient to the laboratory. 2nd edition. Darmstadt: Git Verlag, 2001". Demais trechos citados textualmente da mesma página: "Para obtenção de soro, o sangue é colhido em tubo sem anticoagulante e deixado coagular por um período de 30 a 60 minutos, à temperatura ambiente"; "Quando o tubo contiver gel separador, com ativador da coagulação, a espera pode ser de 30 a 45 minutos"; "O plasma é obtido pela centrifugação do sangue total anticoagulado"; a lista de vantagens do plasma; e a desvantagem de que o fibrinogênio "se revela como um pico na região de gamaglobulinas, podendo mascarar ou simular um componente monoclonal". PDF (controllab.com) ↩ ↩2 ↩3 ↩4 ↩5 ↩6 ↩7 -
Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) — Resolução da Diretoria Colegiada RDC nº 34, de 11 de junho de 2014, que "dispõe sobre as Boas Práticas no Ciclo do Sangue". PDF de 1 313 341 bytes, 79 páginas, 198 562 caracteres extraídos, lido por nós. Definições citadas textualmente do art. 3º: inciso XXIV, "fracionamento industrial: processo pelo qual o plasma é separado em frações protéicas para posterior purificação até obtenção de produtos farmacêuticos"; inciso XXVI, "hemocomponentes: produtos oriundos do sangue total ou do plasma, obtidos por meio de processamento físico"; inciso XXIX, "hemoderivados: produtos oriundos do sangue total ou do plasma, obtidos por meio de processamento físico-químico ou biotecnológico". Também lido: art. 116, que obriga o serviço de hemoterapia a garantir a conservação das unidades "desde a sua obtenção até a transfusão, ou o envio do plasma excedente para fracionamento industrial". Contagens declaradas (subcadeia, maiúsculas ignoradas):
plasma= 77,hemocomponente= 185,hemoderivado= 13,fracionamento industrial= 3. ⚠️ Norma em revisão: ver a nota seguinte. Servida em 200application/pdfpelo espelho do CEVS/RS. PDF (CEVS/RS) ↩ ↩2 -
Ministério da Saúde — Portaria de Consolidação GM/MS nº 5, de 28 de setembro de 2017, Anexo IV — Do sangue, componentes e derivados (redação de origem: PRT MS/GM 158/2016). PDF oficial lido por nós, 1 554 491 bytes, 423 107 caracteres extraídos. Dispositivos citados textualmente: art. 94 (os cinco componentes plasmáticos: PFC, PFC24, PIC, PC e CRIO); art. 95 (PFC "separado de uma unidade de sangue total por centrifugação ou por aférese e congelado completamente em até 8 (oito) horas depois da coleta, atingindo temperaturas iguais ou inferiores a -30ºC", § 1º separação em no máximo 6 horas, § 4º validade de 12 ou 24 meses conforme a temperatura); art. 96 (PFC24, congelamento entre 8 e 24 horas); art. 97 (PFC e PFC24 "podem ser utilizados em pacientes para fins terapêuticos com o objetivo de reposição de fatores de coagulação deficientes (deficiências múltiplas ou específicas na ausência do fator purificado)"); art. 98 (PIC, validade de 12 meses, § 2º "A Púrpura Trombocitopênica Trombótica (PTT) é a única indicação clínica possível para o PIC"); art. 99 (PC, validade de 5 anos, § 2º "O PC não pode ser utilizado para transfusão, devendo ser exclusivamente destinado à produção de hemoderivados"); art. 101 (plasma excedente destinado a fracionamento industrial armazenado a ≤ −20 °C); art. 102 (definição do crioprecipitado); art. 105 ("A realização de procedimento de plasmaférese para obtenção de insumos para indústria de hemoderivados é atividade exclusiva dos serviços de hemoterapia públicos" e § 4º "Somente plantas de produção de hemoderivados nacional de natureza pública receberão o plasma dos serviços de hemoterapia brasileiros obtido por plasmaférese"); art. 160 e 161 (doação de plasma por aférese: intervalo mínimo de 48 horas, máximo de 2 vezes em 7 dias e 4 vezes em 2 meses, "O volume de plasma por coleta não excederá 10 mL por Kg de peso até o máximo de 600 mL"). ⚠️ Alcance declarado:
Hemobrásdevolve 0 ocorrência neste Anexo — a norma fala em "plantas industriais nacionais de natureza pública" sem nomear a empresa; a identificação vem da fonte seguinte, não daqui. ⚠️ Texto em transição: ver a nota[^anvisa]. PDF (bvsms.saude.gov.br) ↩ ↩2 ↩3 ↩4 ↩5 ↩6 ↩7 -
Ministério da Saúde / DATASUS — SIGTAP, Sistema de Gerenciamento da Tabela de Procedimentos, Medicamentos e OPM do SUS, arquivos
tb_procedimento.txt(1 697 774 bytes, 5 023 linhas) etb_descricao.txt(4 324 linhas). Competência verificada por nós no próprio arquivo, campoDT_COMPETENCIA(posições 331-336 do layout): valor único202608nas 5 023 linhas — competência 08/2026. Leitura em colunas de largura fixa, decodificação latin-1 comnewline=''(arquivo CRLF; sem isso ele se dobra numa única linha). Offsets absolutos VL_SH=[282:294], VL_SA=[294:306], VL_SP=[306:318]. Parser validado ANTES de qualquer busca sobre dois valores conhecidos: hemograma completo0202020380= R$ 4,11 (VL_SA) e ferritina0202010384= R$ 15,59 (VL_SA). Resultados publicados, com dobra de acentos ativa:0306020106 TRANSFUSAO DE PLASMA FRESCO— VL_SH R$ 8,39, VL_SA R$ 8,09, VL_SP R$ 0,00 ;0306020114 TRANSFUSAO DE PLASMA ISENTO DE CRIOPRECIPITADO— idênticos ;0306020017 AFERESE TERAPEUTICA— VL_SH R$ 17,04, VL_SA R$ 180,00. ⚠️ Trata-se de procedimento hospitalar: publicamos o VL_SH, não o VL_SA. A descrição do código 0306020106 — "CONSISTE NA TRANSFUSAO DE PLASMA COMPOSTO PRINCIPALMENTE DAS PROTEINAS DA COAGULACAO SUBMETIDO A CONGELAMENTO ATE 8 HORAS APOS A COLETA DO SANGUE" — foi lida por inteiro e verificada como única entre as 4 324 descrições. A do código 0306020017 declara que "PLASMAFERESE E O PROCEDIMENTO MAIS COMUMENTE REALIZADO". Contagem declarada:HEMOCOMPONENTEdevolve 0 linha — a tabela do SUS não usa a palavra que a Anvisa define. sigtap.datasus.gov.br ↩ ↩2 -
Garcia J, Silva SS, Meneguci J, Moraes-Souza H. Profile of hemotherapy care and the safety of the transfusion process. Rev Assoc Med Bras (1992), 2022;68(6):770-774. Dado brasileiro: estudo prospectivo, descritivo e exploratório num hospital público de ensino, com autores da Universidade Federal do Triângulo Mineiro, Uberaba (MG). Resultados citados: indicação inadequada em 15% das transfusões de concentrado de hemácias, 20% das de plasma fresco, 29,2% das de concentrado de plaquetas e 36,4% das de crioprecipitado; preenchimento inadequado dos formulários de requisição, do checklist de enfermagem e do livro de registro em 88,3%, 92,8% e 69,5% dos procedimentos. PubMed · DOI ↩ ↩2
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Empresa Brasileira de Hemoderivados e Biotecnologia (Hemobrás), empresa pública federal — páginas institucionais Nossa Fábrica (200
text/html, 286 409 bytes) e Nossos Medicamentos (200text/html, 259 891 bytes), lidas integralmente por nós; controle negativo com slug inventado: 404. Fatos citados textualmente: parque fabril "localizada na cidade de Goiana, na Zona da Mata Norte de Pernambuco, a 63 km de Recife", "com 17 prédios, distribuídos em 48 mil metros quadrados de área construída, em um terreno de 25 hectares"; Bloco B01 destinado a "recepcionar, avaliar, estocar e expedir para fracionamento o plasma excedente da doação de sangue, captado nos hemocentros de todos os estados do Brasil", com armazenamento "a -37ºC"; Bloco B02 "responsável pelo fracionamento do plasma"; e, na página de medicamentos, "Enquanto a Hemobrás implementa os blocos responsáveis pela produção de hemoderivados na fábrica, o plasma apto é exportado para fracionamento no exterior por meio de contrato com laboratório internacional", "nossa fábrica será capaz de fracionar até 650 mil litros de plasma por ano" e produzir "Albumina, Imunoglobulina, Fatores VIII e IX da Coagulação, Complexo Protrombínico e Fator de von Willebrand", com entregas declaradas até junho/2026: albumina 1.447.707 frascos, imunoglobulina 488.720, Fator IX 242.084, Fator VIII 141.504. ⚠️ Duas ressalvas honestas. (a) É a própria empresa falando de si: os números de capacidade e de entrega não foram auditados por nós. (b) Três notícias oficiais sobre a inauguração da fábrica não abriram para nós — a página do Ministério da Saúde devolveu "Conteúdo Restrito", a do Planalto devolveu 429 e a da OPAS/OMS devolveu 403. Um dado que circula em imprensa (capacidade de 500 mil litros/ano) contradiz o número da própria empresa (650 mil); publicamos apenas o da empresa, e registramos que não pudemos verificar a data de início da produção em nenhuma fonte primária acessível. Registramos ainda que a página Nossa Fábrica traz uma chamada de nota de rodapé "¹" sobre a exportação temporária do plasma cuja nota não existe no documento. hemobras.gov.br · Nossa Fábrica ↩ ↩2 ↩3 ↩4 -
Sithiravel C, Strand TA, Fauskrud IT, Granberg IK, et al. Converting waste into value. Stability of leftover EDTA whole blood: serum vs. plasma for nine clinical chemistry analyses. Scand J Clin Lab Invest, 2025;85(3):214-219. Vinte participantes, hospital universitário de Akershus, Noruega; viés pré-analítico avaliado segundo as especificações de Milão da EFLM. Resultados citados: boa concordância para cobalamina, fT4, fT3, TSH e ferritina entre soro e plasma de EDTA; para a homocisteína, "the calculated bias of 41% exceeded the set limit of 13% when comparing serum with EDTA plasma day 6". Sem conflitos de interesse declarados. Fonte internacional, recurso declarado. PubMed · DOI ↩
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Shin S, Oh J, Park HD. Comparison of Three Blood Collection Tubes for 35 Biochemical Analytes: The Becton Dickinson Barricor Tube, Serum Separating Tube, and Plasma Separating Tube. Ann Lab Med, 2021;41(1):114-119. Trinta voluntários sadios, Samsung Medical Center, Seul; comparação por regressão de Passing-Bablok e método de Bland-Altman. Resultados citados: viés acima do limite desejável em nove analitos contra o tubo de soro e quatro contra o de plasma; LDH com viés de −10,29% e −9,86%; conclusão de que "the reference range needs to be changed for some analytes that exceed the desirable bias limit". ⚠️ Declaração devida: os três tubos estudados são produtos da Becton Dickinson; o registro NCBI não traz declaração de conflito de interesses, e os autores são de um hospital universitário, não do fabricante. Citamos apenas a magnitude do viés entre matrizes, nunca uma preferência de produto. ⚠️ Ano do fascículo (
pubdate2021 Jan; epub 2020 Aug 25). Fonte internacional, recurso declarado. PubMed · DOI ↩ -
Anvisa — notícia institucional Ministério da Saúde atualiza procedimentos hemoterápicos e Anvisa orienta período de transição, publicada em 16/07/2026 14:42. Página relida por nós em 200
text/html, 465 269 bytes; controle negativo com slug inventado no mesmo diretório: 404, 151 067 bytes — a URL discrimina. Fatos citados: a Portaria GM/MS 11.685/2026 altera a Portaria de Consolidação GM/MS 5/2017 e, "conforme estabelecido no art. 4º, a nova Portaria entrará em vigor 90 dias após a data de sua publicação oficial, em 30 de setembro de 2026"; as atividades do Ciclo do Sangue são regidas "principalmente" pela Portaria de Consolidação GM/MS 5/2017, Anexo IV, e pela RDC 34/2014, que a Anvisa confirma vigente; a Anvisa emitiu a Nota Técnica 42/2026/SEI/GSTCO/GGBIO/DIRE2/ANVISA para orientar o período de transição; e "a Anvisa também está conduzindo a atualização da RDC 34/2014. O processo encontra-se na fase final de Avaliação de Impacto Regulatório (AIR)". ⚠️ É por isso que datamos esta página: as duas normas primárias citadas acima estão, uma em substituição parcial marcada para 21 dias depois desta publicação, a outra em revisão anunciada. Não lemos a Nota Técnica 42/2026 em si, apenas o que a notícia declara sobre ela. gov.br/anvisa ↩ -
Associação Brasileira de Hematologia, Hemoterapia e Terapia Celular (ABHH) — Consenso da ABHH sobre Patient Blood Management, 1ª edição, publicada em 26 de outubro de 2023. PDF rebaixado por nós em 200
application/pdf, 2 388 535 bytes; controle negativo com nome inventado no mesmo diretório: 404text/html, 355 bytes. Trecho citado textualmente: "É importante destacar que não se deve indicar o uso de hemocomponentes (plasma fresco congelado ou crioprecipitado) para a correção de deficiências hereditárias de fatores da coagulação para as quais estejam disponíveis hemoderivados contendo os fatores específicos (concentrado de Fator VIII, IX, XI, XIII, CP, CPA, Fator VIII+ Von Willebrand, fibrinogênio) ou ainda fatores recombinantes". Contagens declaradas no texto integral (392 091 caracteres extraídos):plasma fresco congelado= 4,PFC= 12,hemoderivados= 3. abhh.com.br ↩ -
Adam EH, Fischer D. Plasma Transfusion Practice in Adult Surgical Patients: Systematic Review of the Literature. Transfus Med Hemother, 2020;47(5):347-359. Revisão sistemática: "plasma usage for indications that lack evidence of efficacy prevail", com ampla variação internacional, interinstitucional e interindividual na adesão às diretrizes, e falta profunda de evidência de ensaios randomizados comparando o efeito da transfusão de plasma ao de outras intervenções terapêuticas, inclusive no sangramento maciço. Conflitos declarados pelos autores: bolsa de pesquisa da Deutsche Forschungsgemeinschaft para um autor; o outro declara ausência de conflito. Fonte internacional, recurso declarado. PubMed · DOI ↩
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D'aes T, van den Hurk K, Schroyens N, Mikkelsen S, et al. Balancing Donor Health and Plasma Collection: A Systematic Review of the Impact of Plasmapheresis Frequency. Transfus Med Rev, 2024;38(4):150851. Seis bases de dados, dois registros de ensaios e a PROSPERO; quatro estudos observacionais e dois experimentais incluídos. Conclusão citada: a doação de altíssima frequência (duas vezes por semana, permitida nos Estados Unidos) "may result in a clinically relevant decrease in ferritin and bring IgG levels below the lower threshold of 6 g/l", com evidência de certeza baixa a muito baixa. Declaração de interesses verificada por nós: os autores são empregados de serviços públicos de sangue (Cruz Vermelha da Bélgica-Flandres, Établissement Français du Sang, Sanquin) e declaram ausência de conflito. Fonte internacional, recurso declarado. PubMed · DOI ↩
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Belmonte M, Albiero A, Callewaert F, Patris J, et al. Understanding supply sustainability of plasma-derived medicinal products: Drivers and consequences of shortages. Vox Sang, 2025;120(8):754-764. Revisão de escopo. Dados citados: muitos países não têm autossuficiência em plasma e dependem dos Estados Unidos, "which supplies approximately 70% of the world's plasma"; a fabricação de imunoglobulina leva "7-12 months compared with 2-3 months for biologics"; a EMA previa desabastecimento em 14 países europeus em 2024. 🔴 Conflito de interesses declarado e verificado por nós no registro NCBI: dois autores são empregados da farmacêutica argenx, três receberam honorários de consultoria dela, e a afiliação principal é a Dolon Ltd., "a strategic pricing and market access consultancy". Usamos este artigo apenas para a escassez global de plasma, nunca para uma indicação terapêutica. PubMed · DOI ↩