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D-dímero (dímero D): para que serve o exame de sangue

O D-dímero é um exame para descartar trombose, não para confirmá-la: a diretriz da SBC de 2025 usa corte de 500 ng/mL e idade × 10 depois dos 50 anos.

Publicado em 7 de setembro de 202612 min de leituraEscrito pela Equipe Blood Analysis · Revisado e verificado por Julien Priour

O D-dímero é um dos poucos exames de sangue cuja utilidade está quase toda no resultado negativo. Ele mede um fragmento que sobra quando um coágulo se forma e depois é dissolvido — logo, sobe sempre que há trombo, mas também numa infecção, numa cirurgia recente, na gravidez ou simplesmente com a idade. É por isso que as duas diretrizes brasileiras que o descrevem o usam para afastar uma trombose em quem tem pouca chance de tê-la, e não para provar que ela existe.

Em resumo

  • O D-dímero é "um dos produtos da degradação da fibrina", presente "em qualquer situação na qual haja formação e degradação de um trombo, não sendo, portanto, um marcador específico" de trombose venosa profunda — palavras da diretriz da SBACV.1
  • A mesma diretriz resume a assimetria do exame: "alta sensibilidade, mas pouca especificidade".1
  • Corte da SBC (2025): positivo a partir de 500 ng/mL (µg/L), com valor ajustado pela idade — idade × 10 — para pacientes a partir dos 50 anos.2
  • Corte da SBACV: negativo < 350 ng/mL, intermediário 351–500 ng/mL, positivo > 500 ng/mL. Ela não prevê ajuste pela idade.1
  • ⚠️ Nenhum dos dois documentos diz se o número está em FEU ou em DDU — as duas escalas em circulação no mundo. Um corte sem a sua unidade não é transportável de um laboratório para outro (veja mais abaixo).123
  • Divergência brasileira a conhecer: a SBACV manda dosar "apenas em pacientes de baixa probabilidade clínica"; a SBC, dez anos mais nova, admite também a probabilidade intermediária.12
  • No SUS não existe código para o D-dímero: as 57 linhas do subgrupo de hematologia da tabela SIGTAP foram lidas uma a uma e nenhuma o menciona.4
  • Na saúde suplementar ele existe: a nomenclatura TUSS traz o código 40304906 – "Dímero D – pesquisa e/ou dosagem".5
  • Ele nunca se lê sozinho: é pedido ao lado do coagulograma — do qual não faz parte —, do hemograma completo, das plaquetas e do fibrinogênio, e na dor torácica entra ao lado da troponina.

Um exame feito para descartar

A lógica do D-dímero é ao contrário da de quase todos os outros exames. A SBACV — Sociedade Brasileira de Angiologia e de Cirurgia Vascular — escreve que ele "está presente em qualquer situação na qual haja formação e degradação de um trombo", e conclui: "a dosagem do DD deve ser utilizada apenas em pacientes de baixa probabilidade clínica para TVP, uma vez que não apresenta 100% de sensibilidade".1

O ganho está quantificado. Combinando o escore de Wells com o exame, a diretriz cita uma metanálise segundo a qual, "com escore de Wells ≤ 1 e DD negativo, a probabilidade de existência de TVP é menor que 2%" — com duas exceções nomeadas: câncer e TVP recorrente.1

A mesma diretriz delimita onde o valor preditivo negativo é realmente alto: "pacientes ambulatoriais, não recorrentes, adultos (não idosos) e com curta duração dos sintomas". E diz o que fazer do outro lado: "em pacientes com alta probabilidade pré-teste para TVP ou EP, a utilidade do DD é questionável" — aí se começa pelo eco Doppler colorido, não pelo sangue.1

A Diretriz Brasileira de Atendimento à Dor Torácica na Unidade de Emergência – 2025, da Sociedade Brasileira de Cardiologia, diz o mesmo em uma frase: "se suspeita de TEP, mas baixa probabilidade pré-teste, o D-dímero seria o exame indicado com finalidade de descartar o diagnóstico".2

Os números brasileiros, e onde eles divergem

FonteCorte publicadoAjuste pela idadeA quem se aplica
SBACV, diretriz de TVP1negativo < 350 · intermediário 351–500 · positivo > 500 ng/mLnão previstoapenas probabilidade baixa
SBC, dor torácica 20252positivo ≥ 500 ng/mL (µg/L)idade × 10 a partir dos 50 anosbaixa ou intermediária

As duas divergem em dois pontos, e nós não arbitramos: publicamos os dois lados. A SBC é dez anos mais recente e acrescenta duas coisas.

A primeira é o ajuste pela idade: a partir dos 50 anos, o corte passa a ser a idade multiplicada por 10 — 720 ng/mL aos 72 anos, por exemplo. A diretriz explica para que serve: "ajuda na especificidade do ponto de corte do exame".2 Isso responde à observação da SBACV de que o desempenho cai nos idosos.

A segunda é o escore PERC: quando a probabilidade pré-teste é baixa e o PERC é zero, "não seria obrigatória a realização do D-dímero".2 E há um terceiro corte, para quem usa os critérios YEARS: "500 ou 1.000 ng/mL de acordo, respectivamente, com a presença ou a ausência de critérios clínicos".2

Um uso que costuma passar despercebido: a mesma diretriz coloca o D-dímero também no fluxograma da síndrome aórtica aguda, na probabilidade pré-teste baixa.2 Não é só trombose.

A armadilha das unidades

Aqui está o ponto mais importante desta página, e ele é uma lacuna, não um número.

Existem duas escalas para reportar o D-dímero: as unidades de dímero D (DDU) e as unidades equivalentes de fibrinogênio (FEU). Elas não são a mesma coisa, e nenhum documento brasileiro consultado declara qual usa: procuramos FEU e DDU no texto integral da diretriz da SBACV, da diretriz da SBC de 2025 e do manual da SBPC/ML — zero ocorrência nos três.

Por que isso importa? Um trabalho italiano com um ensaio expresso em DDU publicou um corte convencional de 230 ng/mL — e uma regra ajustada pela idade de idade × 5, não × 10. É o mesmo raciocínio da SBC, com metade do multiplicador, porque a escala é outra.6 E uma avaliação externa da qualidade feita na China sobre 82 marcas de reagente mediu o tamanho do problema: 55 das 82 bulas não indicavam a unidade, e entre ensaios que declaravam a mesma unidade a razão entre o maior e o menor resultado na mesma amostra chegou a 7 vezes.3 Os dois estudos são internacionais e estão aqui declaradamente como recurso, por não existir equivalente brasileiro publicado.

O que fazer com isso, na prática: compare o seu número com o intervalo impresso no seu próprio laudo, e não com um valor lido na internet — nem com o desta página. Se você trocou de laboratório entre dois exames, os dois números podem não ser comparáveis. É o mesmo cuidado que vale para o fibrinogênio, cujo resultado também depende do método.

O que faz o D-dímero subir sem trombose

Como ele é um produto de degradação da fibrina, sobe em qualquer situação com formação e dissolução de coágulo — inclusive nas fisiológicas. Duas dessas situações foram medidas no Brasil.

Gravidez. Um estudo longitudinal da UFMG acompanhou 28 gestantes em quatro janelas (12–19, 20–29, 30–34 e 35–40 semanas) e mediu que o D-dímero aumenta ao longo de toda a gestação, nas mulheres que desenvolveram pré-eclâmpsia e também nas que não desenvolveram; a diferença entre os grupos foi o momento do pico, mais precoce em quem adoeceu.7 Ou seja: um D-dímero alto no terceiro trimestre é, por si só, esperado.

Infecção grave. Em 226 gestantes internadas em Belém (PA), o D-dímero foi significativamente mais alto entre as que tinham covid-19 (p = 0,0122), sobretudo nas internadas em UTI.8 E numa coorte de 517 pacientes internados com covid-19 em Salvador (BA), um D-dímero de pelo menos duas vezes o limite superior da normalidade identificou 94% dos 96 casos de tromboembolismo venoso confirmados.9 São dois usos diferentes: no primeiro, o exame informa gravidade; no segundo, seleciona quem investigar.

Somam-se as causas listadas nas próprias diretrizes: câncer, TVP recorrente, idade avançada e comorbidades que "possam estar associadas a altos níveis de DD" — a SBACV chega a recomendar começar direto pela imagem nesses pacientes.1 Por isso o D-dímero elevado não se lê sozinho: interpreta-se junto com a PCR, a VHS e os demais marcadores inflamatórios e, quando a dúvida é cardíaca, com o BNP e os marcadores cardíacos.

Gravidez: o que o Brasil publicou — e o que não publicou

Esta é uma ausência que vale mais que uma afirmação. Enumeramos os 91 protocolos da coleção Protocolos Febrasgo publicados na revista Femina: nenhum é dedicado ao tromboembolismo venoso, e o único de tema hematológico, "Doenças hematológicas e gravidez", contém zero ocorrência de "dímero" — contra 25 de "tromb", o que mostra que a busca funcionava.10 A Febrasgo, portanto, não publicou posição sobre o D-dímero na gravidez.

O que existe é a conduta da SBACV, e ela é clara: "em pacientes grávidas com suspeita de TVP de MMII, recomenda-se avaliação inicial com EDC" — eco Doppler, não sangue —, repetido em três a sete dias se negativo.1 Na gestante, a diretriz brasileira simplesmente não passa pelo D-dímero.

No SUS não existe; na saúde suplementar, existe

Lemos diretamente a tabela tb_procedimento do SIGTAP (competência 08/2026, 5 023 linhas, latin-1) e enumeramos as 57 linhas do subgrupo 02.02.02, "Hematologia", uma a uma. Nenhuma é o D-dímero. Doze grafias foram testadas com dobra de acentos comprovadamente ativa — DIMERO, D-DIMERO, DIMEROS, PRODUTOS DE DEGRADACAO, FIBRINA, PDF, FDP, XDP… — todas devolvem zero, enquanto os controles positivos respondem: FIBRINOGENIO → 1, PROTROMBINA → 3, FIBRINOLISE → 3.4

O contraste dentro do próprio subgrupo é revelador: o SUS paga o tempo de lise da euglobulina (0202020088, R$ 2,73) e a dosagem de plasminogênio (0202020347, R$ 4,11) — dois testes de fibrinólise bem mais antigos — e não paga o exame que as duas diretrizes citadas nesta página recomendam.4

Na saúde suplementar a situação se inverte: a nomenclatura TUSS traz 40304906 – "Dímero D – pesquisa e/ou dosagem" e dois códigos para os produtos de degradação da fibrina (40304493 e 40304779).5 É a mesma assimetria já vista em outros marcadores. Veja quanto custa um exame de sangue e o glossário.

O Ministério da Saúde, por sua vez, cita o exame uma única vez em todo o manual Dengue: diagnóstico e manejo clínico (6ª edição, 2024): entre os exames a investigar diante de sangramento, ao lado do TAP, do TTPa, da plaquetometria e do fibrinogênio.11 Não é exame de rotina da dengue.

Como as instituições brasileiras escrevem o nome

Se você digitou "dimero d" ou "d dimero" sem acento, chegou ao lugar certo — e a hesitação não é sua. Cinco documentos oficiais brasileiros escrevem esse exame de três maneiras diferentes: a SBACV e a SBC escrevem "D-dímero"; a nomenclatura TUSS e a tabela de interferências do manual da SBPC/ML escrevem "Dímero D"; e o Ministério da Saúde, no manual da dengue, escreve "dímeros-D", no plural.1251211 Não há grafia única a defender: todas designam o mesmo exame.

Uma observação para quem confere fontes: no manual da SBPC/ML o termo aparece cinco vezes e nenhuma delas é uma posição da sociedade — duas num anúncio de fabricante, uma numa tabela declarada "cortesia da Clínica Dávila, Chile", duas referentes a dímeros de imunoglobulina e de HLA. Ao contrário do que faz com o fibrinogênio, a SBPC/ML não dedica capítulo ao D-dímero.12 E a diretriz de tratamento do tromboembolismo pulmonar da SBPT, de 2025, também não o menciona — por um motivo declarado: ela trata do tratamento farmacológico, não do diagnóstico.13

Perguntas frequentes

Qual é o valor normal do D-dímero? Depende do ensaio e da unidade do seu laboratório. Os cortes publicados no Brasil são 500 ng/mL (µg/L) para a SBC e 350 ng/mL para o limite de negatividade da SBACV — mas nenhum dos dois declara se está em FEU ou em DDU. Vale o intervalo impresso no seu laudo.12

D-dímero alto quer dizer trombose? Não. A SBACV é explícita: ele "não é um marcador específico" e tem "pouca especificidade". Gravidez, infecção, cirurgia, câncer e idade avançada elevam o exame sem que haja trombo. Um valor alto pede investigação — habitualmente de imagem —, não um diagnóstico.1

E um D-dímero normal descarta trombose? Em quem tem baixa probabilidade clínica, praticamente sim: com escore de Wells ≤ 1 e D-dímero negativo, a chance de TVP fica abaixo de 2%. Em quem tem alta probabilidade, não: aí a diretriz manda ir direto ao eco Doppler.1

Preciso estar em jejum? Nenhuma das fontes brasileiras consultadas exige jejum para o D-dímero. Ele é dosado em plasma citratado, com proporção rigorosa entre sangue e anticoagulante — o mesmo tubo do fibrinogênio. Siga as orientações do seu laboratório.

Meu médico pediu junto uma angiotomografia. Por quê? Porque a imagem é que confirma. As diretrizes usam o D-dímero para decidir se vale a pena fazer a imagem. A SBACV lembra que o contraste é contraindicado na insuficiência renal — daí o interesse da creatinina e da avaliação da função renal antes do exame.1

Estou grávida e meu D-dímero deu alto. É o comportamento esperado: um estudo brasileiro mediu que ele sobe ao longo de toda a gestação, também em gravidezes que evoluíram bem.7 Na gestante com suspeita de trombose, a conduta brasileira começa pelo eco Doppler.1 Isso nada tem a ver com o beta hCG, que é o exame da gravidez em si.

O D-dímero serve para rastrear câncer ou trombofilia? Não. Nenhuma das fontes consultadas o indica para rastreamento. O câncer é, ao contrário, uma das duas situações em que a própria SBACV avisa que o exame negativo não basta para excluir a trombose.1

Para lembrar

O D-dímero é um exame de exclusão, e só funciona bem em quem já tinha pouca chance de ter uma trombose. As duas diretrizes brasileiras concordam nisso e divergem no resto: a SBACV o restringe à probabilidade baixa e usa 350/500 ng/mL sem ajuste; a SBC de 2025 aceita também a probabilidade intermediária, fixa o corte em 500 ng/mL e acrescenta o ajuste idade × 10 a partir dos 50 anos. Nenhuma das duas diz se o número está em FEU ou em DDU — por isso o único valor confiável para comparar o seu resultado é o intervalo do seu laudo. E no SUS o exame simplesmente não tem código. Nenhum marcador se lê sozinho: conta o conjunto dos seus resultados e do seu contexto — o que o AI DiagMe oferece, como complemento à avaliação do seu médico.

Fontes

Fontes oficiais brasileiras e publicações científicas (PubMed) usadas neste guia:

Footnotes

  1. Sociedade Brasileira de Angiologia e de Cirurgia Vascular (SBACV) — Projeto Diretrizes SBACV: Trombose venosa profunda — diagnóstico e tratamento. Documento com "Planejamento e elaboração – gestões 2012/2015" e "Elaboração final: novembro de 2015" na folha de rosto, servido pelo site da sociedade em pasta datada de 02/2018 (o nome do arquivo não data o documento). Citações verificadas por leitura direta do PDF (200, application/pdf, 442 933 bytes ; controle negativo com nome de arquivo inventado: 404 text/html): "D-dímero, um dos produtos da degradação da fibrina, está presente em qualquer situação na qual haja formação e degradação de um trombo, não sendo, portanto, um marcador específico de TVP" ; "Apresenta alta sensibilidade, mas pouca especificidade" ; "Seus resultados geralmente são divididos em grupos: negativo (<350 ng/mL), intermediário (351-500 ng/mL), e positivo (>500 ng/mL)" ; "A dosagem do DD deve ser utilizada apenas em pacientes de baixa probabilidade clínica para TVP, uma vez que não apresentam 100% de sensibilidade" ; "com escore de Wells ≤ 1 e DD negativo, a probabilidade de existência de TVP é menor que 2%… com exceção de condições como o câncer e TVP recorrente" ; "pacientes ambulatoriais, não recorrentes, adultos (não-idosos) e com curta duração dos sintomas" ; "Em pacientes com alta probabilidade pré-teste para TVP ou EP, a utilidade do DD é questionável" ; § 4.6, "em pacientes grávidas com suspeita de TVP de MMII, recomenda-se avaliação inicial com EDC". As siglas FEU e DDU devolvem zero ocorrência no texto integral, assim como qualquer menção a corte ajustado pela idade. PDF 2 3 4 5 6 7 8 9 10 11 12 13 14 15 16 17 18

  2. Barros e Silva PGM, Soeiro AM, Ornelas CE, et al. (Sociedade Brasileira de Cardiologia) — Diretriz Brasileira de Atendimento à Dor Torácica na Unidade de Emergência. Arq Bras Cardiol, 2025;122(9):e20250620. Citações verificadas no texto integral: "Caso seja indicada a dosagem de D-dímero, usar como ponto de corte para nível 'positivo' o valor ≥500 ng/mL (μg/L) ou usar valor ajustado por idade (idade x 10 para pacientes a partir dos 50 anos), o qual ajuda na especificidade do ponto de corte do exame (se utilizar os critérios YEARS, ponto de corte do D-dímero por ser 500 ou 1000 ng/mL…)" ; Figura 10, "Probabilidade pré-teste baixa e PERC zero: não seria obrigatório a realização do D-dímero ; Probabilidade pré-teste baixa (especialmente se PERC > 0) ou intermediária… realizar D-dímero" ; Figura 9, síndrome aórtica aguda, "Probabilidade pré-teste baixa: realizar D-dímero" ; "se suspeita de TEP, mas baixa probabilidade pré-teste, o D-dímero seria o exame indicado como finalidade de descartar o diagnóstico". Nenhuma ocorrência de FEU ou DDU. Sem errata registrada no NCBI. PubMed · DOI 2 3 4 5 6 7 8 9 10 11

  3. Li C, Xu C, Hu G, Peng M. The performance of quantitative D-dimer assays in Chinese clinical laboratories by analyzing data from National External quality Assessment Scheme. Avaliação externa da qualidade sobre dados recolhidos no período de 2014 a 2022, com 82 marcas de reagente e 1 766 laboratórios ; 55 das 82 bulas não indicavam a unidade de expressão (DDU ou FEU) ; entre ensaios com a mesma unidade, a razão entre a maior e a menor média sobre a mesma amostra chegou a 7 vezes ; prevalência de FEU (63,4%) sobre DDU (17,1%). Fonte internacional (China), citada aqui como recurso por não existir medição brasileira equivalente publicada. Clin Chim Acta, 2024;562:119880. PubMed · DOI 2

  4. Ministério da Saúde / DATASUS — SIGTAP, Sistema de Gerenciamento da Tabela de Procedimentos, Medicamentos e OPM do SUS, tabela tb_procedimento, competência 08/2026 (1 697 774 bytes, 5 023 linhas, colunas fixas em latin-1). Parser validado antes do uso sobre dois valores conhecidos: hemograma completo 0202020380 = R$ 4,11 e dosagem de ferritina 0202010384 = R$ 15,59. Dobra de acentos comprovadamente ativa (2 483 das 5 023 linhas do campo de nome contêm acento combinante). Regra de correspondência: subcadeia, maiúsculas, acentos dobrados, sobre o campo do nome do procedimento. Resultado: DIMERO, D-DIMERO, DIMEROS, DIMER, D DIMER, DDIMER, PRODUTOS DE DEGRADACAO, FIBRINA, DEGRADACAO, PDF, FDP, XDP0 linha cada, com os controles positivos FIBRINOGENIO → 1, PROTROMBINA → 3, FIBRINOLISE → 3, EMBOLIA → 3. As 57 linhas do subgrupo 02.02.02 (Hematologia) foram enumeradas integralmente: incluem tempo de lise da euglobulina 0202020088 (R$ 2,73), dosagem de plasminogênio 0202020347 (R$ 4,11), TAP 0202020142 (R$ 2,73) e TTP ativada 0202020134 (R$ 5,77), e nenhuma delas é o D-dímero. A tabela tb_descricao.txt do mesmo pacote (4 324 linhas) também devolve 0. sigtap.datasus.gov.br 2 3

  5. Terminologia Unificada da Saúde Suplementar (TUSS) — tabela tb_tuss distribuída no pacote SIGTAP do DATASUS (2 663 892 bytes, 5 766 linhas, latin-1). Leitura direta, mesma regra de correspondência: 40304906 – "Dímero D – pesquisa e/ou dosagem" ; 40304493 – "Produtos de degradação da fibrina, qualitativo – pesquisa e/ou dosagem" ; 40304779 – idem, quantitativo ; 40304922 – "Coagulograma (TS, TC, prova do laço, retração do coágulo, contagem de plaquetas, tempo de protombina, tempo de tromboplastina, parcial ativado)" — a grafia "protombina", sem o r, é a do arquivo oficial. A presença de um código estabelece a existência de nomenclatura na saúde suplementar, e não uma obrigação de cobertura. 2 3

  6. Cini M, Legnani C, Frascaro M, et al. D-dimer use for deep venous thrombosis exclusion in elderly patients: a comparative analysis of three different approaches to establish cut-off values for an assay with results expressed in D-dimer units. 279 pacientes ambulatoriais com suspeita de TVP ; para um ensaio expresso em unidades de dímero D (D-DU), o corte convencional foi de 230 ng/mL e o corte ajustado pela idade, de idade × 5 ng/mL acima dos 50 anos — a comparar com o corte convencional de 500 µg/L em unidades equivalentes de fibrinogênio (FEU). Fonte internacional (Itália), citada aqui como recurso para documentar a diferença entre as duas escalas, sobre a qual nenhuma fonte brasileira consultada se pronuncia. Int J Lab Hematol, 2014;36(5):541-7. PubMed · DOI

  7. Lucena FC, Lage EM, Teixeira PG, et al. (Universidade Federal de Minas Gerais) Longitudinal assessment of D-dimer and plasminogen activator inhibitor type-1 plasma levels in pregnant women with risk factors for preeclampsia. Estudo longitudinal com 28 gestantes avaliadas em quatro janelas — 12-19, 20-29, 30-34 e 35-40 semanas ; o D-dímero aumentou ao longo da gestação nos dois grupos, com pico mais precoce nas mulheres que desenvolveram pré-eclâmpsia. Hypertens Pregnancy, 2019;38(1):58-63. PubMed · DOI 2

  8. Paixão JTR, Santos CJS, França APFM, et al. (Universidade Federal do Pará) Association of D-Dimer, C-Reactive Protein, and Ferritin with COVID-19 Severity in Pregnant Women: Important Findings of a Cross-Sectional Study in Northern Brazil. Estudo transversal com 226 gestantes internadas em Belém (PA), no período de abril de 2020 a julho de 2021 ; concentrações de D-dímero significativamente mais altas nas gestantes com covid-19 (p = 0,0122), sobretudo nas internadas em UTI. Int J Environ Res Public Health, 2023;20(14):6415. PubMed · DOI

  9. Ferreira RA, Zanatta L, Oliveira JB, et al. Evaluation of the IMPROVE-DD score in COVID-19 patients submitted to venous thromboembolism investigation at a hospital in Brazil. Coorte retrospectiva de 517 pacientes internados com covid-19 e suspeita de tromboembolismo venoso num hospital privado de Salvador (BA), no período de março de 2020 a setembro de 2021 ; incidência intra-hospitalar de TEV de 18,6% (96 eventos) ; um D-dímero de pelo menos duas vezes o limite superior da normalidade identificou 94% dos 96 casos (p < 0,0001) ; mortalidade de 24% com TEV contra 11,9% sem. J Bras Pneumol, 2025;51(1):e20240042. PubMed · DOI

  10. Federação Brasileira das Associações de Ginecologia e Obstetrícia (Febrasgo) — coleção Protocolos Febrasgo, publicada na revista Femina. Enumeração completa da coleção feita página a página (páginas 1 a 12 do índice ; as páginas seguintes devolvem o mesmo invólucro vazio de 98 379 bytes): 91 protocolos distintos, nenhum dedicado ao tromboembolismo venoso. O único protocolo de tema hematológico — Febrasgo. Doenças hematológicas e gravidez. Protocolo Febrasgo de Obstetrícia nº 6, período de vigência declarado no próprio documento, Femina 2025;53(7):933-40 — contém 0 ocorrência de "dímero" contra 25 de "tromb" (controle positivo). Os protocolos Rastreamento de doenças por exames laboratoriais em obstetrícia e Cardiopatia e gravidez também devolvem 0. femina.org.br

  11. Ministério da Saúde, Secretaria de Vigilância em Saúde e Ambiente — Dengue: diagnóstico e manejo clínico — adulto e criança, 6ª edição, Brasília, 2024. Capítulo 6.7, "Distúrbios de coagulação": "Devem ser investigados clínica e laboratorialmente tempo de atividade de protrombina (TAP), tempo de tromboplastina parcial (TTPa), plaquetometria, produtos de degradação da fibrina (PDF), fibrinogênio e exame de dímeros-D". Contagem verificada por leitura direta do texto integral: "dímero" = 1 ocorrência, contra 196 de "dengue" (controle positivo). PDF 2

  12. Sociedade Brasileira de Patologia Clínica/Medicina Laboratorial (SBPC/ML) — Recomendações da SBPC/ML: boas práticas em laboratório clínico (PDF de 16 055 655 bytes). Contagem verificada por leitura direta do texto extraído (busca sem distinção de maiúsculas, subcadeia, texto integral): "dímero" = 5 ocorrências, nenhuma delas uma posição da sociedade — duas num encarte publicitário da Siemens Healthineers ("Trombose D-Dímero, INNOVANCE D-Dimer… Confira o nosso portfólio com + de 900 ensaios!"), uma numa tabela de interferências declarada "Fonte: cortesia da Clínica Dávila, Chile", e duas referentes a dímeros de IgM e a "dímeros HLA-DQ2", sem relação com o exame. FEU e DDU: 0 ocorrência (a única correspondência aparente era o sobrenome "Feucherolles" numa referência). Ao contrário do fibrinogênio, que tem capítulo próprio, o D-dímero não é objeto de recomendação no manual. PDF 2

  13. Amado VM, Fernandes CJCS, Salibe-Filho W, et al. — Brazilian guidelines for the pharmacological treatment of pulmonary embolism. Official document of the Brazilian Thoracic Association based on the GRADE methodology. J Bras Pneumol, 2025;51(2):e20240314. Documento oficial da Sociedade Brasileira de Pneumologia e Tisiologia. Contagem verificada por leitura direta do texto integral: "dimer"/"dímero" = 0 ocorrência, contra 5 de "Sociedade Brasileira de Pneumologia" (controle positivo). A ausência é explicada pelo escopo declarado do documento, que é o tratamento farmacológico do tromboembolismo pulmonar e não o seu diagnóstico. PubMed · DOI

Aviso médico. Este guia tem finalidade informativa e educativa; não constitui aconselhamento médico e não substitui uma consulta. Os valores de referência variam conforme o laboratório e a técnica: só o seu médico pode interpretar os seus resultados no seu contexto.