Procalcitonina: o que mede e os valores de referência
A procalcitonina não é a calcitonina. É o exame hospitalar que ajuda a decidir quando PARAR o antibiótico — e as diretrizes não a usam para começar.
A procalcitonina (PCT) quase nunca aparece num pedido de rotina. Ela surge no laudo de quem passou por um pronto-socorro ou por uma internação, ao lado do hemograma completo, do lactato e da proteína C reativa. É um dos quatro marcadores inflamatórios da rotina brasileira, e o único que o SUS não tem. Este guia explica o que ela mede, por que o nome confunde com outro exame, e o que as diretrizes autorizam fazer com o número.
Em resumo
- A procalcitonina é o pró-hormônio precursor da calcitonina. Fora de infecção, é a tireoide que a produz e a converte; em infecção bacteriana, praticamente todos os órgãos e os macrófagos passam a produzi-la.1
- ⚠️ Não confunda com a calcitonina: mesma origem química, exames sem relação clínica. Calcitonina é marcador de câncer de tireoide; procalcitonina, de infecção grave.
- Os valores normais tabelados por uma revisão de terapia intensiva ficam abaixo de 1 ng/mL (= 1 µg/L) — mas vale o intervalo do seu laudo.1
- ⚠️ Ela não separa bem infecção bacteriana de viral. A tabela da mesma revisão classifica esse desempenho como "pobre" — para a procalcitonina e para a proteína C reativa.1
- O uso respaldado é outro: ajudar a decidir quando descontinuar o antibiótico. Para começar, a diretriz internacional sugere não usá-la.23
- Ela sobe mais cedo que a proteína C reativa (3–4 h contra 4–6 h) e atinge o pico antes (~24 h contra 36–50 h) — mas a meia-vida é mais longa: 22–35 h contra 19 h.1
- Insuficiência renal eleva a procalcitonina; a diálise a reduz. Cirurgia, trauma, queimaduras, choque e alguns tumores também elevam, sem infecção bacteriana.14
- O SUS não cobre: nenhuma das 5.023 linhas da SIGTAP a menciona.5 Nos planos, o item 127 do Anexo II da ANS restringe a cobertura obrigatória ao hospital e à emergência.67
- ⚠️ Nenhum valor desta página é sinal verde ou vermelho para tomar ou parar antibiótico. Isso é decisão médica.
Calcitonina e procalcitonina: duas moléculas, dois exames
Esta é a dúvida mais frequente, e tem uma razão química legítima. A procalcitonina é, literalmente, a molécula que vem antes da calcitonina: o pró-hormônio que as células C da tireoide clivam para produzir o hormônio final.1 Daí o "pró". Só que os dois exames não se encontram em lugar nenhum da prática clínica:
| Calcitonina | Procalcitonina | |
|---|---|---|
| Pergunta clínica | Existe carcinoma medular de tireoide? | Este quadro grave é bacteriano? Posso encurtar o antibiótico? |
| Quem pede | Endocrinologista | Intensivista, emergencista, infectologista |
| Origem em doença | Células C da tireoide | Praticamente todos os tecidos e macrófagos1 |
| Unidade usual | pg/mL | ng/mL (= µg/L) |
| Está no SUS? | Sim — R$ 14,38, código 02.02.06.012-85 | Não5 |
Há um único ponto em que os dois se cruzam, e foi testado no Brasil. Como o carcinoma medular também eleva a procalcitonina, uma equipe da Faculdade Santa Casa de Belo Horizonte investigou se dosá-la resolveria a zona cinzenta da calcitonina — os valores entre 10 e 100 pg/mL que não confirmam nem descartam o tumor. Em 60 pacientes com nódulo tireoidiano nessa faixa, 9 (15%) tinham o carcinoma, e a conclusão é explícita: não encontraram superioridade da procalcitonina sobre a calcitonina.8 O tema pertence ao guia da calcitonina e ao dos exames da tireoide.
Bactéria ou vírus: o que a tabela dos intensivistas diz
Esta é a promessa mais repetida sobre a procalcitonina, e é onde a fonte primária surpreende. Uma revisão de 2023 na Intensive Care Medicine, assinada por intensivistas europeus e brasileiros (UNESC, UFMG e IDOR), compara os dois marcadores de resposta do hospedeiro linha a linha. Na linha "infecções bacterianas versus virais", a avaliação é a mesma para os dois: "pobre" (poor).1
Não significa que o exame seja inútil — significa que ele não é um teste de "é bactéria ou é vírus". A mesma revisão explica onde está o valor real: "a cinética dos biomarcadores é mais útil do que valores isolados" para diagnosticar sepse e avaliar a resposta ao antibiótico.1 O que informa é a curva de duas ou três dosagens, não o número solto do primeiro dia. Para identificar o agente, o caminho segue sendo a cultura e as sorologias infecciosas.
Cinética: sobe mais cedo, mas não desce mais rápido
A mesma tabela corrige uma crença comum — a de que a procalcitonina "sobe e desce mais rápido" que a proteína C reativa. Metade disso é verdade:1
| Proteína C reativa | Procalcitonina | |
|---|---|---|
| Começa a subir após o estímulo | 4–6 h | 3–4 h |
| Pico | 36–50 h | ~24 h |
| Meia-vida | 19 h | 22–35 h |
| Corticoide, imunossupressão, neutropenia | sem efeito | falsos negativos frequentes |
| Insuficiência renal | sem efeito | eleva muito |
| Terapia renal substitutiva | sem efeito | reduz muito |
A procalcitonina de fato antecipa: sobe cerca de duas horas antes e chega ao pico com um dia de vantagem sobre a proteína C reativa. Mas a meia-vida dela é mais longa, não mais curta: a impressão de "queda rápida" vem do pico precoce, não de uma eliminação acelerada.
As últimas linhas explicam boa parte dos laudos que confundem. Quem tem doença renal crônica tende a ter procalcitonina alta sem infecção nenhuma — por isso ela precisa ser lida junto da função renal. E quem está em corticoide, quimioterapia ou com neutropenia pode tê-la baixa apesar de uma infecção real; aí os neutrófilos e os leucócitos seguem sendo a leitura de base.
Começar ou parar: as diretrizes separam as duas perguntas
Aqui está o coração do assunto, quase sempre resumido de forma errada. A Surviving Sepsis Campaign de 2021 — cujo painel inclui intensivistas brasileiros — traz duas recomendações opostas sobre o mesmo exame:2
- Recomendação 16 (começar): "para adultos com suspeita de sepse ou choque séptico, sugerimos contra o uso da procalcitonina somada à avaliação clínica para decidir quando iniciar antimicrobianos". Recomendação fraca, qualidade de evidência muito baixa.
- Recomendação 31 (parar): "para adultos com diagnóstico inicial de sepse ou choque séptico e controle adequado do foco, onde a duração ideal da terapia não é clara, sugerimos usar a procalcitonina e a avaliação clínica para decidir quando descontinuar os antimicrobianos". Recomendação fraca, qualidade de evidência baixa.
O Instituto Latino Americano de Sepse (ILAS) reproduz a segunda em português, no Quadro 5 do seu Guia Prático de Terapia Antimicrobiana na Sepse (3ª edição, 2024), atribuindo-a expressamente à diretriz de 2021.3 Vale notar o que o mesmo instituto não faz: o protocolo de sepse de beira de leito do ILAS não cita a procalcitonina em nenhuma linha.9
Um parecer técnico brasileiro chega à mesma separação por outro caminho. O Núcleo de Avaliação de Tecnologia em Saúde do Hospital Universitário da UFSCar avaliou a incorporação do exame em 2023 e concluiu que os estudos "sugerem que a procalcitonina não apresenta sensibilidade adequada para ser utilizada isoladamente como guia para iniciar ou não antibioticoterapia" — mas emitiu parecer favorável à incorporação para reduzir o tempo de tratamento.10
O ensaio que ancora essa recomendação, com 1.575 pacientes de UTI, encurtou o antibiótico de 7 para 5 dias medianos aconselhando a suspensão quando a procalcitonina caía ≥ 80% do pico ou para ≤ 0,5 µg/L — conselho que o próprio protocolo definia como não vinculante, num estudo financiado por um fabricante de ensaios de procalcitonina, o que registramos por transparência.11 Nenhum ponto de corte publicado autoriza você a suspender um antibiótico sozinho.
O que eleva a procalcitonina sem infecção bacteriana
Uma revisão sistemática de 2026 reuniu 76 estudos sobre elevações não infecciosas e conclui em uma frase: "procalcitonina elevada não é sinônimo de infecção bacteriana".4 As situações documentadas incluem cirurgia de grande porte, trauma, queimaduras, choque de qualquer causa, pancreatite aguda, doenças renais e diálise, doenças autoimunes, transplante e alguns tumores com produção própria de procalcitonina — entre eles o carcinoma medular de tireoide, que fecha o círculo com a calcitonina. A recomendação dos autores é a mesma dos intensivistas: interpretar pelo contexto clínico, pelo momento da coleta e pela tendência em dosagens seriadas, nunca por um limiar isolado.4 É por isso que este guia não publica uma tabela de faixas com cores.
Quanto custa e quem cobre
O SUS não tem o exame. Lemos o arquivo tb_procedimento da tabela SIGTAP do Ministério da Saúde, competência 08/2026, 5.023 procedimentos: "procalcitonina", "pró-calcitonina" e "procalciton" retornam zero ocorrências. O controle positivo funciona — "calcitonin" retorna 4 entradas, uma delas o exame de calcitonina (02.02.06.012-8, R$ 14,38) e três apresentações do medicamento.5
O parecer da UFSCar registra a ausência de forma independente — "o teste diagnóstico procalcitonina não se encontra disponível na tabela de procedimentos do SUS" — e explica o motivo econômico com números de compras públicas federais (Painel de Preços, 30/07/2023):10
| Reagente | Valor unitário médio | Mínimo | Máximo |
|---|---|---|---|
| Procalcitonina | R$ 49,63 | R$ 45,00 | R$ 54,27 |
| Proteína C reativa | R$ 3,59 | R$ 3,20 | R$ 4,22 |
Cerca de catorze vezes mais caro por dosagem — por isso os hospitais públicos seguem acompanhando a resposta ao tratamento pela proteína C reativa alta e pela VHS.
Nos planos, a cobertura existe e é condicionada. Na planilha oficial do Rol da ANS (RN 465/2021, atualizada pela RN 678/2026), a entrada é "PROCALCITONINA, DOSAGEM (COM DIRETRIZ DE UTILIZAÇÃO)", com a coluna DUT preenchida com o número 127.6 E o item 127 do Anexo II diz, textualmente: "cobertura obrigatória para avaliação hospitalar ou em unidades de emergência de pacientes com pneumonia ou síndrome respiratória aguda grave, com quadro suspeito ou confirmado de infecção pelo SARS-CoV-2 (COVID-19)".7 Para comparação, a proteína C reativa está no mesmo Rol sem nenhuma diretriz de utilização.6
Um detalhe revela o lugar do exame no país: a Diretriz Nacional de Gerenciamento de Antimicrobianos da ANVISA (revisão de 2023, 75 páginas) não menciona a procalcitonina em nenhum parágrafo do corpo — a palavra aparece uma única vez, no título de uma referência. O que a agência faz é perguntar, no seu instrumento de autoavaliação hospitalar: "a instituição realiza gestão do uso de antimicrobianos com uso de biomarcadores? Se sim, qual?".12 O biomarcador é escolha do serviço, não padrão nacional.
Como é feito e o que interfere
É uma coleta de sangue venoso comum, sem jejum. Na prática hospitalar quase nunca é dosada uma vez só: o valor de interesse é a variação entre dosagens seriadas,1 e um laudo antigo e isolado diz muito pouco. Sobre a estrutura do documento em si, veja como ler um resultado de exame de sangue e o que muda conforme a coleta de sangue.
Quando procurar um médico
A procalcitonina não é exame de acompanhamento domiciliar. Diante de febre persistente, falta de ar, confusão mental, queda de pressão ou piora rápida do estado geral, procure atendimento imediatamente — sem esperar por exame nenhum. Se recebeu alta com um laudo que não entendeu, leve-o ao médico que conduziu a internação: é ele quem sabe em que dia da doença cada dosagem foi colhida. Este guia é informativo e não substitui uma consulta.
Avanços recentes
A pesquisa recente deslocou-se do diagnóstico para a duração do tratamento. Uma meta-análise em rede de 2024, com 18 ensaios randomizados e 5.023 adultos com sepse em UTI, comparou as duas estratégias de suspensão guiada: a procalcitonina encurtou o tratamento em 1,89 dia (IC 95% 1,47–2,30) e a proteína C reativa em 2,56 dias (0,91–4,21); a redução de mortalidade apareceu apenas no braço da procalcitonina (27 mortes a menos por 1.000), e a recorrência de infecção não aumentou em nenhuma das duas. O benefício desaparece quando as dosagens são espaçadas demais.13
Do lado brasileiro, uma coorte de 1.395 adultos internados em UTI por COVID-19 grave testou se biomarcadores melhoram os escores prognósticos. Entre proteína C reativa, lactato, LDH e procalcitonina, apenas a procalcitonina manteve associação independente com mortalidade hospitalar; somada ao SOFA e à idade, elevou a área sob a curva para 0,837.14 Um marcador ruim para dizer "é bactéria" pode ser um bom marcador de gravidade.
Perguntas frequentes
Procalcitonina e calcitonina são o mesmo exame? Não. A procalcitonina é a molécula precursora da calcitonina, mas os exames respondem a perguntas sem relação: a calcitonina investiga carcinoma medular de tireoide; a procalcitonina avalia infecção grave.
A procalcitonina prova que minha infecção é bacteriana? Não. A tabela dos intensivistas classifica o desempenho dela nessa distinção como "pobre" — igual ao da proteína C reativa.1 O que orienta é a tendência em dosagens seriadas.
Posso parar o antibiótico se ela normalizou? Não por conta própria. A diretriz sugere usá-la junto da avaliação clínica, e a recomendação é fraca, com evidência de qualidade baixa.2 Quem decide é o médico assistente.
O SUS cobre a procalcitonina? Não. Nenhuma das 5.023 linhas da tabela SIGTAP a menciona.5 O reagente custa cerca de catorze vezes o da proteína C reativa nas compras públicas.10
Meu plano é obrigado a cobrir? Com condição. A cobertura obrigatória depende da diretriz nº 127 da ANS, restrita a avaliação hospitalar ou de emergência em pneumonia ou síndrome respiratória aguda grave com suspeita ou confirmação de COVID-19.7
Veio alta e eu não tenho infecção. É erro? Provavelmente não. Doença renal, cirurgia, trauma, queimadura, choque, pancreatite e alguns tumores elevam o valor sem infecção bacteriana.4 Leve o laudo, com a função renal da mesma data, a quem acompanha você.
Faz sentido pedir procalcitonina num check-up? Não. Ela não é recomendada como rastreamento em pessoas assintomáticas; a evidência é toda de pacientes internados ou em emergência.210
Para lembrar
A procalcitonina é um bom exame mal resumido. Não é a calcitonina, não é um teste de "bactéria ou vírus", e não desce mais rápido que a proteína C reativa — sua meia-vida é maior. O que ela faz bem, com respaldo de diretriz, é ajudar a equipe hospitalar a encurtar um antibiótico com segurança, pela curva de várias dosagens.
No Brasil isso vem com uma fronteira nítida: fora do SUS, nos planos só sob a diretriz nº 127, e ausente do corpo da diretriz nacional de antimicrobianos. Se o seu laudo trouxe leucócitos altos e uma procalcitonina que você não sabe ler, o próximo passo é uma conversa — não uma busca por faixas de referência. Comece pelos marcadores inflamatórios e, para organizar as suas dúvidas antes da consulta, converse com um profissional em aidiagme.com/pt.
Fontes
Footnotes
-
Póvoa P, Coelho L, Dal-Pizzol F, Ferrer R, Huttner A, Conway Morris A, Nobre V, et al. How to use biomarkers of infection or sepsis at the bedside: guide to clinicians. Intensive Care Med. 2023;49(2):142-153. Revisão narrativa com coautores brasileiros (UNESC, UFMG, IDOR). Tabela 2, comparação PCR × procalcitonina: valores normais (PCR 0,08 mg/dL mediana; PCT < 1 ng/mL), tempo até subir (4–6 h × 3–4 h), tempo até o pico (36–50 h × ~24 h), meia-vida (19 h × 22–35 h), corticoide/imunossupressão/neutropenia ("frequentes falsos negativos" só para a PCT), insuficiência renal (⬆⬆ só para a PCT), terapia renal substitutiva (⬇⬇ só para a PCT) e a linha "bacterial vs viral infections", classificada como "poor" para ambos. Texto: "PCT is a prohormone that is the precursor of calcitonin; PCT is produced by almost all organs and macrophages". PMID 36592205 · DOI 10.1007/s00134-022-06956-y ↩ ↩2 ↩3 ↩4 ↩5 ↩6 ↩7 ↩8 ↩9 ↩10 ↩11 ↩12
-
Evans L, Rhodes A, Alhazzani W, Antonelli M, Coopersmith CM, French C, Machado FR, et al. Surviving Sepsis Campaign: international guidelines for management of sepsis and septic shock 2021. Intensive Care Med. 2021;47(11):1181-1247. Painel com intensivistas brasileiros (Flávia R. Machado – UNIFESP; Suzana Lobo – FAMERP; Luciano Azevedo – USP). Recomendação 16: "we suggest against using procalcitonin plus clinical evaluation to decide when to start antimicrobials, as compared to clinical evaluation alone" (weak recommendation, very low quality of evidence). Recomendação 31: "we suggest using procalcitonin AND clinical evaluation to decide when to discontinue antimicrobials over clinical evaluation alone" (weak recommendation, low quality of evidence). Texto verificado no full text. PMID 34599691 · DOI 10.1007/s00134-021-06506-y ↩ ↩2 ↩3 ↩4
-
Instituto Latino Americano de Sepse (ILAS) — Guia Prático de Terapia Antimicrobiana na Sepse, 3ª edição, São Paulo, 2024 (ISBN 978-65-992258-3-3, catalogação CIP/Câmara Brasileira do Livro). Quadro 5, "Principais recomendações sobre descalonamento e suspensão de antimicrobianos no manejo da sepse – adulto", p. 29: "sugerimos o uso de procalcitonina e avaliação clínica para decidir quando descontinuar os antimicrobianos ao invés da avaliação clínica isolada", com a atribuição impressa "Fonte: Adaptação de Evans et al, 2021". Nota de verificação: localizamos a frase no corpo editorial do guia e varremos o documento inteiro em busca de marcas de fabricantes de reagentes ou automação (Thermo, BRAHMS, Roche, bioMérieux, Abbott, Siemens, Beckman) e de menções a patrocínio — zero ocorrências. ilas.org.br (PDF) ↩ ↩2
-
Popa SL, Incze V, Ismaiel A, Surdea-Blaga T, Grad S, Turtoi DC, et al. Non-Infectious Causes for Elevated Procalcitonin. Medicina (Kaunas). 2026;62(3):464. Revisão sistemática de 76 estudos: elevações não infecciosas documentadas em resposta inflamatória sistêmica, doenças cardiovasculares, doenças renais e terapia renal substitutiva, doenças pulmonares, gastrointestinais e hepatopancreáticas, autoimunes, oncohematológicas, cirurgia, traumatologia e transplante. Conclusão: "Elevated PCT is not synonymous with bacterial infection. Interpretation should emphasize clinical context, timing, and serial trends rather than isolated thresholds." PMID 41901546 · DOI 10.3390/medicina62030464 ↩ ↩2 ↩3 ↩4
-
Ministério da Saúde / DATASUS — SIGTAP: Sistema de Gerenciamento da Tabela de Procedimentos, Medicamentos e OPM do SUS, arquivo
tb_procedimento.txt, competência 08/2026, 5.023 linhas, 1.697.774 bytes. Leitura por decodificação de colunas fixas (campo VL_SA), com dobra de acentos ativa, em 09/09/2026. Ausência verificada por enumeração: "procalcitonina", "pró-calcitonina" e "procalciton" retornam 0 ocorrências. Controle positivo: "calcitonin" retorna 4 entradas — 02.02.06.012-8 "DOSAGEM DE CALCITONINA" (R$ 14,38) e três apresentações do medicamento calcitonina (06.04.57.001-5, 06.04.57.002-3, 06.04.57.003-1), o que prova que a raiz existe no arquivo. Controles de integridade da leitura: hemograma completo 02.02.02.038-0 = R$ 4,11 e ferritina 02.02.01.038-4 = R$ 15,59. sigtap.datasus.gov.br ↩ ↩2 ↩3 ↩4 ↩5 -
Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS) — Anexo I: Rol de Procedimentos e Eventos em Saúde (RN nº 465/2021, atualizado pela RN nº 678/2026), planilha XLSX oficial, aba "Anexo I_Rol de Procedimentos", 3.406 linhas. Leitura célula a célula em 09/09/2026: linha 2266, coluna A = "PROCALCITONINA, DOSAGEM (COM DIRETRIZ DE UTILIZAÇÃO)", coluna D (DUT) = 127, subgrupo "BIOQUÍMICA (SANGUE, URINA E OUTROS MATERIAIS)", segmentações AMB/HCO/HSO/REF assinaladas. Comparação verificada na mesma planilha: linha 2607, "PROTEÍNA C REATIVA" (subgrupo Imunologia), coluna DUT vazia. Planilha XLSX (gov.br/ans) ↩ ↩2 ↩3
-
Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS) — Anexo II: Diretrizes de Utilização para Cobertura de Procedimentos na Saúde Suplementar (RN nº 465/2021, versão RN 473/RN 477), PDF oficial de 2.136.162 bytes. Item 127. PROCALCITONINA, DOSAGEM, lido na página 177 do documento: "1. Cobertura obrigatória para avaliação hospitalar ou em unidades de emergência de pacientes com pneumonia ou síndrome respiratória aguda grave, com quadro suspeito ou confirmado de infecção pelo SARS-CoV-2 (COVID-19)." Verificado em 09/09/2026; o Anexo I de 2026 confirma que o exame permanece "com diretriz de utilização". PDF (gov.br/ans) ↩ ↩2 ↩3
-
Rosário PW, Mourão GF. Diagnostic Utility of Procalcitonin for Sporadic Medullary Thyroid Carcinoma in Patients with Nodular Disease and Mild or Moderate Hypercalcitoninemia. Horm Metab Res. 2022;54(4):220-223. Estudo brasileiro (Faculdade Santa Casa de Belo Horizonte) com 60 pacientes com doença nodular e calcitonina basal entre 10 e 100 pg/mL, dos quais 9 (15%) tinham carcinoma medular. Conclusão dos autores: "we did not find superiority of pro-Ctn over Ctn for the diagnosis of sporadic MTC in patients with nodular disease and mild or moderate hypercalcitoninemia". PMID 35413742 · DOI 10.1055/a-1773-1127 ↩
-
Instituto Latino Americano de Sepse (ILAS) — Protocolo de tratamento da sepse e choque séptico (adulto), revisado em agosto de 2018, 14 páginas. Ausência verificada por enumeração: zero ocorrências de "procalcitonin" em todo o documento. Consultado em 09/09/2026. ilas.org.br (PDF) ↩
-
Núcleo de Avaliação de Tecnologia em Saúde do Hospital Universitário da UFSCar (NATS-HU-UFSCar / EBSERH, Ministério da Educação) — Nota Técnica 02/2023: Incorporação de teste diagnóstico procalcitonina, 16/08/2023, processo SEI 23763.0009931/2023-98. Seção 8: os estudos "sugerem que a procalcitonina não apresenta sensibilidade adequada para ser utilizada isoladamente como guia para iniciar ou não antibioticoterapia". Seção 9: "o teste diagnóstico procalcitonina não se encontra disponível na tabela de procedimentos do SUS"; Tabela 1, preços de compras públicas federais homologadas (Painel de Preços, consulta em 30/07/2023): reagente procalcitonina CATMAT 437084 = R$ 49,63 médio (mínimo R$ 45,00; máximo R$ 54,27) e reagente proteína C reativa CATMAT 333328 = R$ 3,59 médio (R$ 3,20–R$ 4,22). Seção 10: parecer favorável à incorporação "com o objetivo de redução do tempo de tratamento com antimicrobianos". gov.br/hubrasil (PDF) ↩ ↩2 ↩3 ↩4
-
de Jong E, van Oers JA, Beishuizen A, Vos P, Vermeijden WJ, Haas LE, et al. Efficacy and safety of procalcitonin guidance in reducing the duration of antibiotic treatment in critically ill patients: a randomised, controlled, open-label trial. Lancet Infect Dis. 2016;16(7):819-827. Ensaio SAPS, 15 hospitais holandeses, 1.575 pacientes de UTI: duração mediana do antibiótico 5 dias (IQR 3–9) no braço guiado por procalcitonina contra 7 dias (4–11) no cuidado padrão; mortalidade em 28 dias 20% contra 25%. O algoritmo aconselhava — de forma não vinculante — considerar a suspensão quando a procalcitonina caía ≥ 80% do pico ou para ≤ 0,5 µg/L. Declaração de financiamento registrada no próprio artigo: Thermo Fisher Scientific, fabricante de ensaios de procalcitonina; citamos o estudo com essa ressalva explícita. PMID 26947523 · DOI 10.1016/S1473-3099(16)00053-0 ↩
-
Agência Nacional de Vigilância Sanitária (ANVISA), GVIMS/GGTES — Diretriz Nacional para Elaboração de Programa de Gerenciamento de Antimicrobianos em Serviços de Saúde, revisão de 13 de junho de 2023, 75 páginas. Verificação por enumeração do texto integral: a palavra "procalcitonin" aparece uma única vez em todo o documento, e no título de uma referência bibliográfica (ref. 61, Branche et al., J Infect Dis 2015) — nunca no corpo da diretriz. O corpo trata o tema de forma genérica, no instrumento de autoavaliação institucional: "a instituição realiza gestão do uso de antimicrobianos com uso de biomarcadores? Se sim, qual?". gov.br/anvisa (PDF) ↩
-
Kubo K, Sakuraya M, Sugimoto H, Takahashi N, Kano KI, Yoshimura J, Egi M, Kondo Y. Benefits and Harms of Procalcitonin- or C-Reactive Protein-Guided Antimicrobial Discontinuation in Critically Ill Adults With Sepsis: A Systematic Review and Network Meta-Analysis. Crit Care Med. 2024;52(10):e522-e534. 18 ensaios randomizados, 5.023 participantes: procalcitonina −1,89 dia (IC 95% −2,30 a −1,47) e proteína C reativa −2,56 dias (−4,21 a −0,91) de antibiótico; mortalidade −27 por 1.000 participantes (−45 a −7) apenas com procalcitonina; sem aumento significativo de recorrência com nenhuma das estratégias; "no benefit was observed when monitoring frequency was less than half of the initial 10 days". PMID 38949476 · DOI 10.1097/CCM.0000000000006366 ↩
-
Roepke RML, Janzantti HBL, Cantamessa MB, Machado LF, Luckemeyer GD, Gandolfi JV, Besen BAMP, Lobo SM. Predictive Performance of SAPS-3, SOFA Score, and Procalcitonin for Hospital Mortality in COVID-19 Viral Sepsis: A Cohort Study. Life (Basel). 2025;15(8):1161. Coorte brasileira (HC-FMUSP e Hospital de Base/FAMERP) com 1.395 adultos em UTI, 66% em ventilação mecânica e mortalidade hospitalar de 39,7%: entre PCR, procalcitonina, lactato e LDH, apenas a procalcitonina manteve associação independente com mortalidade na análise multivariável; modelo SOFA + idade + procalcitonina com AUROC 0,837 (IC 95% 0,816–0,859). PMID 40868809 · DOI 10.3390/life15081161 ↩