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Amônia no sangue: valores, exame e o que interfere

Amônia sérica: os valores usados no Brasil, por que a coleta é a parte mais frágil do exame e por que a hepatologia brasileira não a usa para graduar casos.

Publicado em 9 de setembro de 202612 min de leituraEscrito pela Equipe Blood Analysis · Revisado e verificado por Julien Priour

A amônia (ou amoníaco, NH₃) é o resíduo tóxico que sobra quando o corpo quebra proteínas. O fígado a transforma em ureia, que sai pela urina. Quando o fígado falha — ou quando o sangue o contorna por vasos colaterais —, ela se acumula. Este guia reúne o que as fontes brasileiras dizem sobre o exame: os valores, o preço no SUS, o que atrapalha a coleta e, sobretudo, o que a Sociedade Brasileira de Hepatologia diz que este número não serve para fazer.

Em resumo

  • Amônia não é ureia. A ureia é o produto final, atóxico, medido no perfil renal. A amônia é o precursor tóxico. Uma normal não garante a outra.
  • ⚠️ A coleta é a parte mais frágil deste exame. A SBPC/ML põe a amônia entre os exames que "devem ser analisados no local de coleta" e é categórica: "para as coletas de amônia não está indicado o uso do torniquete".1
  • A amônia sobe dentro do tubo depois da coleta. Em voluntários saudáveis, o aumento medido foi de 0,09 µmol/L por minuto à temperatura ambiente — de 19 para 30 µmol/L em duas horas.2
  • ⚠️ Mas o gelo pode não ser o essencial. Um estudo de 2025 mostrou que o gelo não melhorou a estabilidade e ainda aumentou a hemólise. O que importa é o tempo até a centrifugação.34
  • ⚠️ A amônia não gradua a encefalopatia hepática. A SBH é explícita: "os níveis de amônia no sangue venoso não se relacionam diretamente com o grau de EH, tendo valor diagnóstico muito restrito". O diagnóstico é clínico e de exclusão, e nas três etapas que a SBH recomenda a amônia não aparece.5
  • Uma amônia normal, porém, tem valor. A diretriz europeia recomenda dosá-la justamente porque um valor normal põe o diagnóstico em dúvida.6
  • No recém-nascido a lógica se inverte: acima de 150 µmol/L é urgência e faz suspeitar de erro inato do metabolismo.7 E o teste do pezinho não dosa amônia.8
  • No SUS: procedimento 0202010198, "dosagem de amônia", R$ 3,51.9

Amônia não é ureia — e isso muda tudo

Toda proteína que você digere vira aminoácidos, e todo aminoácido usado como energia libera nitrogênio na forma de amônia. Ela é neurotóxica. O fígado a captura no ciclo da ureia, dentro dos hepatócitos periportais, e a converte em ureia — uma molécula inofensiva que os rins eliminam.5

Daí a confusão mais comum do laudo: ureia alta e amônia alta não significam a mesma coisa. A ureia sobe sobretudo quando o rim não a elimina bem — é um marcador de função renal e de hidratação. A amônia sobe quando o fígado não consegue converter, ou quando o sangue do intestino desvia do fígado por circulação colateral. Num cirrótico avançado, é comum ver ureia baixa (fígado que não produz) com amônia alta (fígado que não detoxifica).

Dois outros órgãos entram na conta: o rim excreta de 50% a 70% da amônia em acidose e só 18% em alcalose, e o músculo a consome — por isso a desnutrição do cirrótico piora o quadro. A circulação colateral pode reduzir em até 50% a detoxificação hepática, e em quem tem TIPS esse desvio chega a 93%.5

A fase pré-analítica: o ponto mais frágil do exame

Se o seu resultado veio "alto", esta é a seção mais útil da página. A amônia continua a aparecer dentro do tubo depois da punção — as hemácias a liberam. Quanto mais tempo o plasma fica em contato com as células, mais alto o número.

O fenômeno é conhecido há quatro décadas. Em 1984, um estudo clássico mostrou que, em certas condições, as concentrações mais que dobraram, e identificou o fator dominante: a duração do contato entre o plasma e as células. A temperatura baixa teve efeito mínimo sobre o sangue total.4

Medições recentes deram o ritmo exato. Em 11 voluntários saudáveis, a amônia subiu 0,09 ± 0,02 µmol/L por minuto à temperatura ambiente, de 19 ± 6,6 para 30 ± 8,4 µmol/L em duas horas — sem que nenhum deles fosse erroneamente classificado como hiperamonêmico.2

⚠️ E aqui uma crença comum foi testada. Em 2025, um estudo com 19 pacientes hiperamonêmicos, dosados a cada 10 minutos por 2 horas, concluiu que o gelo não melhorou a estabilidade — e ainda aumentou a hemólise. O aumento máximo em 2 horas foi de 14,9%, abaixo do valor de mudança de referência do ensaio (40,8%). Recomendação dos autores: aceitar as amostras recebidas em até 2 horas.3

O que as sociedades brasileiras mandam fazer. A SBPC/ML coloca a amônia na lista curta dos exames "que devem ser analisados no local de coleta" — ao lado de renina, gasometria e ácido lático — e entre os que exigem armazenamento a frio. ⚠️ Mas atenção ao detalhe que quase todo mundo erra: a mesma SBPC/ML é explícita em que "as amostras não devem ficar em contato direto com gelo, para evitar hemólise".1 Banho de água gelada, sim; tubo encostado no gelo, não — exatamente o mecanismo que o estudo de 2025 mediu. O PNCQ/SBAC completa: centrifugar e separar o plasma em até duas horas.10 Em resumo, o relógio pesa mais do que o gelo.

E o garrote? Aqui a SBPC/ML é categórica: "Para as coletas de amônia não está indicado o uso do torniquete."1 ⚠️ Sobre o sentido do erro, porém, as fontes divergem — e é honesto dizer. A SBPC/ML atribui à estase prolongada "elevação do lactato, da amônia e queda do pH": o garrote aumentaria o valor.1 A literatura norte-americana argumenta o contrário — como o músculo consome amônia, a contração e a estase abaixariam o valor venoso, e a amônia é comprovadamente mais alta no sangue arterial que no venoso periférico.11 As duas concordam na conduta: não garrotear. Já sobre o punho cerrado, nenhuma sociedade brasileira que consultamos traz proibição — o PNCQ até pede que o paciente feche a mão para localizar a veia.10

Dois detalhes fecham o quadro: o soro não serve — a diferença entre soro e plasma chega a +38% — e a amônia sobe mais em amostras com atividade elevada de gama GT.1 Sobre jejum: refeição rica em proteínas eleva a amônia; confirme a regra com o seu laboratório.

Valores de referência e unidades

Não existe intervalo de referência nacional para a amônia no Brasil: cada laboratório publica o seu, conforme o método e o equipamento. Compare sempre com a coluna do próprio laudo. Dois pontos merecem atenção.

As unidades. No Brasil o resultado costuma vir em µg/dL; a unidade internacional é o µmol/L. Multiplique µg/dL por 0,587 para obter µmol/L (e por 1,70 no sentido inverso): 50 µmol/L são cerca de 85 µg/dL. Ler um laudo com a régua errada é o erro mais fácil de cometer — veja o conversor de unidades e como ler o resultado.

A ordem de grandeza na doença hepática. A SBH publica as faixas de amônia arterial no período pós-absortivo, e elas ajudam a dimensionar o problema:

SituaçãoAmônia arterial
Cirrose (elevação discreta)40 a 60 µmol/L
Lesão aguda em fígado crônico70 a 90 µmol/L
Falência hepática aguda200 a 240 µmol/L

Fonte: Sociedade Brasileira de Hepatologia, relatório da 1ª Reunião Monotemática sobre encefalopatia hepática.5 ⚠️ Atenção: são valores arteriais, e o seu laudo quase certamente é venoso — as duas amostras não são intercambiáveis.11

E o valor crítico. O PNCQ publica, em atendimento à RDC 978:2025 da Anvisa, a lista de resultados que o laboratório deve comunicar de imediato ao médico. Para a amônia, o gatilho é > 127 µmol/L (216 µg/dL).10 ⚠️ Isso não é valor de referência — é o ponto a partir do qual o laboratório telefona.

O que a amônia alta significa — e o que ela não prova

A encefalopatia hepática é um diagnóstico clínico e de exclusão. A SBH recomenda que o diagnóstico e a graduação em cirróticos se baseiem em três coisas: história clínica; exclusão de outras causas (uremia, infecções, lesões do sistema nervoso, distúrbios psiquiátricos, abstinência alcoólica); e os critérios de West Haven ou a escala de coma de Glasgow. A dosagem de amônia não está nessa lista — e o documento diz o motivo: "ela pode estar elevada em pacientes sem encefalopatia, e a correlação de seus níveis séricos com a gravidade da síndrome é pobre".5

A diretriz norte-americana resume: o aumento isolado da amônia "não acrescenta nenhum valor diagnóstico, de estadiamento ou prognóstico" na doença hepática crônica.11

⚠️ Uma ressalva honesta, porque a literatura não é unânime. Um estudo prospectivo com 121 cirróticos encontrou, sim, correlação entre amônia e gravidade — coeficientes de Spearman de 0,56 na amônia venosa e 0,61 na arterial.12 A correlação existe; é apenas moderada demais para decidir o caso de uma pessoa.

Onde a amônia normal vale ouro. A diretriz europeia de 2022 recomenda dosá-la em quem tem doença hepática e alteração do estado mental — não para confirmar, mas porque um valor normal coloca o diagnóstico em dúvida.6 Bom valor preditivo negativo, fraco valor preditivo positivo: serve melhor para excluir do que para provar.

E o inverso também é verdadeiro. Uma amônia normal não exclui doença do fígado: a maioria das hepatopatias crônicas cursa com amônia normal, e ela não faz parte do painel hepático de rotina. Os exames que avaliam o fígado são outros: o hepatograma, com TGO, TGP, gama GT, fosfatase alcalina e bilirrubina. Para medir a capacidade de trabalho do fígado, olham-se a albumina, as proteínas totais e o tempo de protrombina do coagulograma.

Na criança e no recém-nascido: aqui cada hora conta

No adulto, uma amônia alta costuma ser um dado a mais. No recém-nascido, é uma emergência. Um bebê de poucos dias que fica sonolento, vomita, perde o tônus, convulsiona ou entra em coma, sem infecção que explique, precisa de dosagem imediata.

A causa temida são os erros inatos do metabolismo, sobretudo os distúrbios do ciclo da ureia: falta uma das enzimas que converte amônia em ureia. Uma revisão brasileira publicada no Jornal de Pediatria, da Sociedade Brasileira de Pediatria, fixa os limiares: considera-se hiperamonemia acima de 150 µmol/L no período neonatal e acima de 80 µmol/L depois; o coma hiperamonêmico ocorre acima de 300 µmol/L.7

⚠️ E aqui o mal-entendido mais comum: o teste do pezinho não dosa amônia. A Lei nº 14.154/2021 ampliou o Programa Nacional de Triagem Neonatal para cinco etapas, e os "distúrbios do ciclo da ureia" estão nomeados na etapa 2.8 Mas a triagem é feita em gota de sangue seca em papel-filtro, e a amônia exige plasma fresco, resfriado e centrifugado em minutos: ela é, por construção, impossível como analito de triagem — rastreiam-se aminoácidos e acilcarnitinas por espectrometria de massas. E a etapa 2 ainda não é realidade nacional: pelo próprio Ministério da Saúde, só Distrito Federal e Minas Gerais fazem as cinco etapas, o Rio de Janeiro implantou a etapa 2, e a conclusão está prevista para 2030.8 Ou seja: um bebê pode ter feito o pezinho normal e ainda assim precisar da dosagem de amônia — veja exame de sangue em crianças.

Na urgência a amônia nunca vem sozinha: acompanham-na glicemia, gasometria, lactato, eletrólitos e cetonas. Quem conduz é a equipe médica.

Causas não hepáticas no adulto

A descrição oficial do procedimento no SUS registra que a amônia "pode estar elevada, por exemplo, no choque e na insuficiência cardíaca congestiva".9 Além disso:

  • Medicamentos. O caso mais documentado é o valproato (ácido valproico), usado em epilepsia e transtorno bipolar. Numa série de 247 adultos monitorados, 37 (15%) desenvolveram hiperamonemia acima de 150 µg/dL, e quase todos evoluíram para encefalopatia hiperamonêmica. Os fatores independentes foram epilepsia (OR 3,82), insuficiência cardíaca congestiva (OR 32,3) e uso concomitante de fenitoína (OR 6,4); a revisão da literatura acrescentou o topiramato.13 ⚠️ Não interrompa nenhum medicamento por conta própria.
  • Sangramento digestivo: sangue no intestino é proteína a ser digerida, e a amônia sobe.
  • Infecção urinária por bactérias produtoras de urease, e derivações urinárias cirúrgicas.
  • Diuréticos, pela via renal já descrita: a SBH lembra que a furosemida pode precipitar encefalopatia.5

Quanto custa no SUS

Na tabela do SIGTAP o exame tem código próprio: 0202010198 — "dosagem de amônia", valor ambulatorial de R$ 3,51, complexidade média, sem restrição de sexo ou idade.9 Para comparar: TGO e TGP a R$ 2,01 cada, ureia a R$ 1,85, tempo de protrombina a R$ 2,73.9 Demonstração por enumeração: nas 5.023 linhas da tabela, "amônia" aparece uma única vez — não há código para amônia arterial nem para dosagem seriada. Veja também quanto custa um exame de sangue.

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Perguntas frequentes

Preciso estar em jejum para dosar amônia? Depende do laboratório e do método. Refeições ricas em proteína elevam o valor. Confirme com o laboratório onde você vai coletar, e siga as instruções sobre o tubo de coleta.

Minha amônia deu alta. Estou com encefalopatia hepática? Não necessariamente. A SBH registra que a amônia pode estar elevada em pessoas sem encefalopatia e que sua correlação com a gravidade é pobre. O diagnóstico é clínico, feito pelo médico, com base no estado mental e na exclusão de outras causas.5

E se deu normal? Posso descartar problema no fígado? Não — a maioria das hepatopatias crônicas cursa com amônia normal. Ela é útil no sentido oposto: numa pessoa com doença do fígado e confusão mental, um valor normal põe em dúvida o diagnóstico de encefalopatia.6

Por que o laboratório insistiu em levar o tubo correndo? Porque a amônia sobe dentro do tubo: cerca de 0,09 µmol/L por minuto.2 O que mais pesa é o tempo de contato entre o plasma e as células.4 O gelo, pela evidência mais recente, importa menos do que se pensava.3

Amônia baixa é problema? Não. Os valores de referência da amônia têm, na prática, apenas limite superior.

Para o vocabulário do laudo, veja o glossário de exames de sangue. E para uma leitura do conjunto do seu resultado, o AI DiagMe é um complemento à avaliação do seu médico — nunca um substituto.

Fontes

Fontes institucionais brasileiras e publicações científicas (PubMed) usadas neste guia:

Footnotes

  1. Sociedade Brasileira de Patologia Clínica / Medicina Laboratorial (SBPC/ML), dois volumes. (1) Gestão da Fase Pré-Analítica: Recomendações da SBPC/ML, 2010. Capítulo de coleta em pediatria: "o torniquete deve ser colocado 10 cm acima do local a ser puncionado e sua aplicação não deve exceder 1 a 2 minutos. Após este tempo, ocorre aumento da pressão intravascular […] além de elevação do lactato, da amônia e queda do pH. Para as coletas de amônia não está indicado o uso do torniquete"; capítulo de transporte, lista de "testes que devem ser analisados no local de coleta": renina, pH/gases sanguíneos, ácido lático, amônia; e, sobre conservação à temperatura ambiente, "aumento da amônia em amostras com elevada atividade de γ-glutamil transferase". PDF(2) Recomendações da SBPC/ML para Coleta de Sangue Venoso, 2ª ed., 2010: Tabela 2, diferença soro-plasma para a amônia de +38%, atribuída a "trombocitólise, hidrólise"; "alguns parâmetros necessitam ser transportados e centrifugados sob refrigeração […] tais como: amônia, catecolaminas, paratormônio, ácido láctico, piruvato"; e, duas vezes, "as amostras não devem ficar em contato direto com gelo para evitar hemólise". ⚠️ Conflito de interesse declarado no próprio documento, registrado aqui por transparência: "Copyright © Editora Manole Ltda., 2009, por meio de coedição com a Becton Dickinson Indústrias Cirúrgicas Ltda.", e duas autoras da 2ª edição são identificadas como funcionárias da BD Diagnostics. PDF — ⚠️ Volume deliberadamente NÃO utilizado: nas Recomendações da SBPC/ML: boas práticas em laboratório clínico (Manole, 2020) a palavra "Amônia" aparece três vezes, e nenhuma é orientação pré-analítica brasileira: uma está numa tabela de interferências creditada no próprio texto ao laboratório da Clínica Dávila, no Chile, baseada no que "o provedor declara nas inserções de analito"; as outras duas estão em páginas de publicidade — um encarte da Merck Millipore e um catálogo de ensaios da Siemens Healthineers, ambos posicionados após o fim da numeração editorial do livro. 2 3 4 5

  2. Bowron A, Osgood V. Acceptability of plasma ammonia results when samples are not transported and processed under ideal conditions. Ann Clin Biochem. 2024;61(3):230-232. Onze voluntários saudáveis, 14 tubos de EDTA pediátrico cada, um imediatamente no gelo e os demais à temperatura ambiente, dosados a cada 10 minutos até 2 horas. Basal à temperatura ambiente 19 ± 6,6 µmol/L contra 18 ± 6,6 µmol/L na amostra resfriada; aumento de 0,09 ± 0,02 µmol/L por minuto, chegando a 30 ± 8,4 µmol/L em 2 horas. Nenhum resultado ultrapassou o limite de referência de 50 µmol/L: nenhum voluntário saudável seria erroneamente identificado como hiperamonêmico. PubMed 38298138 · DOI 2 3

  3. Mercer-Smith GW, Appleton M, Hanon ÉA, Bowron A. Blood samples for ammonia analysis do not require transport to the laboratory on ice: a study of ammonia stability and cause of ammonia increase in samples from patients with hyperammonaemia. Clin Chem Lab Med. 2025;63(6):1132-1138. Amostras de 19 pacientes hiperamonêmicos, mantidas no gelo ou à temperatura ambiente e dosadas a cada 10 minutos durante 2 horas. Aumento máximo de 14,9% (IC 95% 8,4-17,1), predominantemente de origem celular; o gelo não melhorou a estabilidade e aumentou o índice de hemólise; valor de mudança de referência (RCV) de 40,8%. Conclusão dos autores: o transporte no gelo não é necessário e os laboratórios devem aceitar amostras recebidas em até 2 horas da punção. PubMed 39753336 · DOI 2 3

  4. Howanitz JH, Howanitz PJ, Skrodzki CA, Iwanski JA. Influences of specimen processing and storage conditions on results for plasma ammonia. Clin Chem. 1984;30(6):906-908. Amostras replicadas de voluntários saudáveis. "Under some conditions, ammonia concentrations more than doubled" — em certas condições as concentrações mais que dobraram; o fator isolado mais importante foi a duração do contato entre o plasma e as células. Temperaturas mais baixas tiveram efeito mínimo sobre o armazenamento e a centrifugação do sangue total, mas retardaram o aumento no plasma já separado. PubMed 6723050 2 3

  5. Sociedade Brasileira de Hepatologia (SBH) — Bittencourt PL, Strauss E, Terra C, Alvares-da-Silva MR e membros do painel de experts. Encefalopatia Hepática: Relatório da 1ª Reunião Monotemática da Sociedade Brasileira de Hepatologia. GED — Gastroenterologia, Endoscopia Digestiva, 2011;30(Separata):10-34. ISSN 0101-7772. Trechos consultados, com localização: capítulo de fisiopatologia — "os níveis de amônia arterial no período pós-absortivo encontram-se discretamente elevados na cirrose (40 a 60 μmol/L), aumentados nos casos de lesão aguda em fígado crônico (70 a 90 μmol/L) e ainda mais na falência hepática aguda (200 a 240 μmol/L)"; "os níveis de amônia no sangue venoso não se relacionam diretamente com o grau de EH, tendo valor diagnóstico muito restrito"; seção "Inflamação e Amônia" — "ela pode estar elevada em pacientes sem EH, e a correlação de seus níveis séricos com a gravidade da síndrome é pobre"; seção "Papel dos rins" — 50% a 70% de excreção renal na acidose contra 18% na alcalose, furosemida e bloqueadores da angiotensina II; circulação colateral responsável por redução de até 50% da detoxificação hepática, e até 93% com TIPS; capítulo de diagnóstico — "o diagnóstico de EH é de exclusão" e as três bases recomendadas (história clínica; exclusão de outras causas; critérios de West Haven e/ou escala de coma de Glasgow), lista da qual a dosagem de amônia está ausente. ⚠️ Registro de leitura: no capítulo de insuficiência hepática aguda o documento imprime "amônia sérica maior que 150 mmol/L" entre os fatores de risco para hipertensão intracraniana — trata-se de erro tipográfico evidente por µmol/L; o número não foi usado neste guia. Verificação de conteúdo publicitário: a busca por marcas comerciais, posologias e apresentações farmacêuticas no texto extraído não encontrou encarte de fabricante; as passagens citadas estão no corpo científico do relatório. PDF (sbhepatologia.org.br) 2 3 4 5 6 7

  6. European Association for the Study of the Liver. EASL Clinical Practice Guidelines on the management of hepatic encephalopathy. J Hepatol. 2022;77(3):807-824. Recomendação forte (95% de consenso) de dosar a amônia plasmática em pacientes com doença hepática e delirium/encefalopatia, porque um valor normal coloca o diagnóstico de encefalopatia hepática em questão — a recomendação se apoia no elevado valor preditivo negativo de uma amônia normal, não em capacidade de confirmação. PubMed 35724930 · DOI 2 3

  7. Schwartz IV, Souza CF, Giugliani R (Serviço de Genética Médica, Hospital de Clínicas de Porto Alegre / UFRGS). Tratamento de erros inatos do metabolismo (Treatment of inborn errors of metabolism). J Pediatr (Rio J). 2008;84(4 Supl.):S8-S19 — periódico da Sociedade Brasileira de Pediatria. Trechos consultados, verbatim: "consideramos hiperamonemia o valor de amônia plasmática maior que 150 [µmol]/L durante o período neonatal e maior que 80 [µmol]/L, posteriormente"; "o coma hiperamonêmico ocorre quando a dosagem sérica de amônia é maior que 300 umol/L, sendo uma emergência médica"; reintrodução de proteínas quando a amônia cai abaixo de 100 µmol/L; meta de evitar elevações acima de 50 µmol/L. ⚠️ Registro de leitura: o artigo publicado imprime "mmol/L" na frase dos 150/80 e "umol/L" na frase seguinte, dos 300 — trata-se de erro tipográfico evidente, mil vezes fora da escala fisiológica. As unidades foram corrigidas para µmol/L neste guia, e a incoerência interna do próprio artigo é a prova do erro. PubMed 18758655 · DOI 2

  8. Brasil — Programa Nacional de Triagem Neonatal (PNTN), três documentos oficiais consultados. (1) Lei nº 14.154, de 26 de maio de 2021, que escalona a ampliação do teste do pezinho em cinco etapas: a etapa 2 é composta por "a) galactosemias; b) aminoacidopatias; c) distúrbios do ciclo da ureia; d) distúrbios da betaoxidação dos ácidos graxos" — texto no Planalto. (2) Portaria GM/MS nº 7.293, de 26 de junho de 2025, que regulamenta a lei e reproduz a mesma lista no novo art. 143, além de prever revisão do escopo a cada quatro anos e definir a coleta em "gota de sangue, preferencialmente do calcanhar do neonato, em papel-filtro"; a portaria não especifica método analítico — as palavras "amônia", "tandem" e "espectrometria" não aparecem nela. (3) Ofício nº 1111/2025/ASPAR/MS (08/09/2025), resposta do Ministério da Saúde ao Requerimento de Informação nº 3.918/2025 da Câmara dos Deputados, transmitindo as Notas Técnicas nº 268/2025-CGRAR/DAET/SAES/MS e nº 500/2025-CITEC/DGITS/SECTICS/MS: "o Distrito Federal e estado de Minas Gerais são as duas únicas UF que estão realizando as cinco etapas"; "o estado do Rio de Janeiro implantou a triagem neonatal para etapa II"; e, entre as "ações previstas para 2030", "finalizar as 5 etapas de ampliação de escopo do PNTN" — PDF na Câmara dos Deputados. Demonstrações por enumeração: "amônia" aparece zero vez no Manual Técnico de Triagem Neonatal Biológica do Ministério da Saúde (2016, o manual em vigor) e zero vez no Relatório de Recomendação nº 792/2022 da CONITEC sobre triagem por espectrometria de massas em tandem — confirmando que a amônia não é, e não pode ser, um analito de triagem em papel-filtro. 2 3

  9. Ministério da Saúde / DATASUSSIGTAP: Sistema de Gerenciamento da Tabela de Procedimentos, Medicamentos e OPM do SUS, competência 202608 (arquivo tb_procedimento, 5.023 procedimentos). Procedimento 0202010198 "DOSAGEM DE AMONIA": valor ambulatorial (VL_SA) R$ 3,51, complexidade média, sexo indiferente, sem restrição de idade (limite 1571, o valor padrão de 4.048 dos 5.023 procedimentos). Arquivo tb_descricao: "a amônia é utilizada na avaliação da insuficiência e do coma hepático. Pode estar elevada, por exemplo, no choque e na insuficiência cardíaca congestiva". Comparações verificadas na mesma tabela: TGO 0202010643 e TGP 0202010651 a R$ 2,01, ureia 0202010694 a R$ 1,85, gama GT 0202010465 a R$ 3,51, TAP 0202020142 a R$ 2,73. Controles de leitura do arquivo (latin-1, colunas fixas): hemograma completo 0202020380 = R$ 4,11 e ferritina 0202010384 = R$ 15,59, ambos conferidos. Demonstração por enumeração: a sequência "AMONI" aparece uma única vez nas 5.023 linhas; o subgrupo de bioquímica tem 79 procedimentos. Página oficial (DATASUS) 2 3 4

  10. PNCQ / SBAC — Programa Nacional de Controle de Qualidade, Sociedade Brasileira de Análises Clínicas, dois documentos. (1) Fleury MK (coord.). Manual de Coleta em Laboratório Clínico, 3ª edição, Rio de Janeiro, 2019. Capítulo IV, "Procedimentos de Coleta", item 7 — "a aplicação do torniquete não deve ultrapassar a 1 minuto com o risco de provocar estase vascular. Isto pode resultar no aumento dos níveis séricos de todos os analitos ligados a proteínas, hematócrito e outros elementos celulares"; o mesmo item pede "aplicar o torniquete, pedir ao paciente que feche a mão" e, no item 10.1, "uma vez que o sangue comece a fluir para o tubo solicitar ao paciente para abrir a mão"; item 17 (p. 20) — tabela "necessidades especiais de manuseio", coluna Resfriamento: gastrina, amônia, ácido lático, catecolaminas, piruvato, paratormônio (PTH); capítulo IX — "a centrifugação e a separação do soro ou do plasma dentro de duas horas após a coleta é o procedimento recomendado". Demonstração por enumeração: "amônia" aparece uma única vez em todo o manual, nessa tabela. ⚠️ Localização do trecho citado: o item 17 encerra o capítulo IV, antes do capítulo V ("Materiais para coleta", p. 19-26), que é um catálogo de agulhas, tubos e adaptadores com texto de características técnicas de produto; nenhuma citação deste guia vem desse catálogo. PDF(2) Valores críticos de exames laboratoriais que necessitam de imediata tomada de decisão, em atendimento à RDC 978:2025 da Anvisa, atualizado em agosto de 2025. Tabela 1 (adultos e crianças), verbete "Amoníaco": "> 127 µmol/L (216 µg/dL) — perigo de encefalopatia hepática. Os estados comatosos iniciam habitualmente a partir de 300 µg/dL (176 µmol/L)". Ausência verificada: a Tabela 2, de valores críticos em recém-nascidos, não inclui a amônia. PDF 2 3

  11. American Association for the Study of Liver Diseases (AASLD) e European Association for the Study of the Liver (EASL) — Vilstrup H, Amodio P, Bajaj J, Cordoba J, Ferenci P, Mullen KD, Weissenborn K, Wong P. Hepatic Encephalopathy in Chronic Liver Disease: 2014 Practice Guideline. Recomendação nº 9: "increased blood ammonia alone does not add any diagnostic, staging, or prognostic value for HE in patients with CLD" — o aumento isolado da amônia não acrescenta valor diagnóstico, de estadiamento ou prognóstico. Texto do corpo: "however, in case an ammonia level is checked in a patient with OHE and it is normal, the diagnosis of HE is in question"; e "ammonia is reported either in venous, arterial blood, or plasma ammonia, so the relevant normal should be used". PDF verificado e lido integralmente. PDF (aasld.org) 2 3

  12. Ong JP, Aggarwal A, Krieger D, Easley KA, Karafa MT, Van Lente F, Arroliga AC, Mullen KD. Correlation between ammonia levels and the severity of hepatic encephalopathy. Am J Med. 2003;114(3):188-193. Estudo prospectivo com 121 cirróticos consecutivos, graduados pelos critérios de West Haven (30 no grau 0, 27 no grau 1, 23 no grau 2, 28 no grau 3, 13 no grau 4). Correlações de Spearman: amônia arterial total 0,61, venosa total 0,56, pressão parcial arterial 0,55 e venosa 0,52 (todas p ≤ 0,001). Os autores concluem que a amostra venosa é adequada e que não há vantagem em medir a pressão parcial. Citado neste guia como contraponto: a correlação existe, mas é moderada, e por isso as diretrizes não a usam para graduar casos individuais. PubMed 12637132 · DOI

  13. Huang TK, Su YC, Shih CS. Valproic acid-induced hyperammonemia with encephalopathy in adults: A meta-analysis. Int J Clin Pharmacol Ther. 2025;63(3):105-113. Estudo retrospectivo com 247 adultos em monitoramento de ácido valproico entre 2019 e 2021, somado a revisão sistemática da literatura. 37 pacientes (15%) com hiperamonemia (amônia sérica > 150 µg/dL), quase todos evoluindo para encefalopatia hiperamonêmica. Regressão logística multivariável: epilepsia OR 3,82 (IC 95% 1,52-9,62), insuficiência cardíaca congestiva OR 32,3 (IC 95% 4,09-255,4) e uso concomitante de fenitoína OR 6,4 (IC 95% 1,07-38,12); associação também documentada com o topiramato, e correlação positiva entre a concentração sérica de valproato e a de amônia. PubMed 39873559 · DOI

Aviso médico. Este guia tem finalidade informativa e educativa; não constitui aconselhamento médico e não substitui uma consulta. Os valores de referência variam conforme o laboratório e a técnica: só o seu médico pode interpretar os seus resultados no seu contexto.