Perfil vitamínico: quais exames de vitaminas fazem sentido
Quais vitaminas o SUS realmente dosa, quanto custa cada uma, o que dizem a SBEM e a SBPC/ML sobre pedir vitamina D sem sintoma e o que a dosagem não diz.
Perfil vitamínico é o nome que o mercado deu a um pacote de exames que promete medir "suas vitaminas". Ele aparece em check-ups particulares e em anúncios de suplemento. Este guia explica o que há de verdade por trás do rótulo: quais vitaminas são realmente dosáveis no Brasil, quanto custam, e — a pergunta que quase nunca é feita — quando pedir esses exames muda alguma coisa.
Em resumo
- "Perfil vitamínico" não é um exame. É um agrupamento comercial. Na tabela de procedimentos do SUS não existe nenhum procedimento de painel de vitaminas: nas 5 023 linhas da tabela, "perfil" e "painel" aparecem, mas nunca aplicados a vitaminas.1
- O SUS dosa, com a palavra "vitamina" no nome, três exames: vitamina B12 (R$ 15,24), 25-hidroxivitamina D (R$ 15,24) e folato (R$ 15,65).1
- Há ainda duas dosagens antigas e baratas: ácido ascórbico (vitamina C, R$ 2,01) e caroteno (R$ 2,01).1
- Não existem no SUS dosagens de vitamina A (retinol), E (tocoferol), B1 (tiamina), B2, B6 (piridoxina), K, nem de homocisteína ou ácido metilmalônico.1
- A vitamina A tem no Brasil um programa nacional de suplementação desde 2005 — o que é uma coisa completamente diferente de dosá-la no sangue.21
- Sobre a vitamina D, a posição brasileira é explícita: "não existem evidências" para pedi-la na população adulta sem doença, e a "triagem populacional indiscriminada não está indicada".3 Em 2020 as mesmas sociedades registraram um número crescente de pedidos, "muitos deles questionáveis".4
- Duas fontes brasileiras divergem sobre o tamanho do problema, e as duas são sérias: as sociedades médicas partem de uma hipovitaminose D "elevada" no país;3 o ENANI-2019, que dosou sangue de milhares de crianças, encontrou 4,3% de insuficiência e concluiu que ela "não é um problema de saúde pública relevante".5
- O que o Brasil escolheu para os folatos não foi o exame, foi a fortificação obrigatória das farinhas — e entre 2010 e 2019 ela evitou 3 499 nascimentos com defeito do tubo neural.67
Por que "perfil vitamínico" não é um exame
O primeiro fato útil é de vocabulário. Um hemograma é um procedimento único com um código único. Um perfil vitamínico não é: é uma cesta que cada laboratório monta como quer, com três, cinco ou dez dosagens vendidas juntas.
Isso é verificável. A tabela oficial de procedimentos do SUS — o SIGTAP, competência 08/2026, 5 023 linhas — foi lida integralmente para este guia. A palavra "perfil" aparece seis vezes (radiografia em perfil, perfil de pressão uretral, perfil de acilcarnitinas…) e "painel" duas vezes (painel de hemácias, painel de reatividade de receptor). Nenhuma das oito se refere a vitaminas. "Vitamínico" não aparece nenhuma vez.1
Vale insistir no que essa contagem prova. Não apenas que a busca funcionou: prova que o vocabulário de agrupamento existe na tabela — o SUS sabe dizer "perfil" e "painel" — e que ele nunca foi aplicado a vitaminas. É o mesmo padrão da cinética do ferro, dos marcadores inflamatórios, da função renal, do hepatograma e dos exames da tireoide: o painel é uma ideia clínica e comercial, não uma linha de tabela. Cada dosagem é pedida, executada e paga separadamente.
As vitaminas que o SUS realmente dosa
Aqui está a lista completa, lida diretamente da tabela. Os valores são o repasse federal por procedimento — não o preço de um laboratório particular.
| Procedimento | Código | Valor |
|---|---|---|
| Dosagem de vitamina B12 | 0202010708 | R$ 15,24 |
| Dosagem de 25-hidroxivitamina D | 0202010767 | R$ 15,24 |
| Dosagem de folato | 0202010406 | R$ 15,65 |
| Dosagem de ácido ascórbico (vitamina C) | 0202010112 | R$ 2,01 |
| Dosagem de caroteno | 0202010236 | R$ 2,01 |
São cinco dosagens, e a diferença de preço conta uma história. As três primeiras custam por volta de R$ 15 porque são imunoensaios modernos; as duas últimas custam R$ 2,01, valor típico das dosagens colorimétricas antigas que sobrevivem na tabela sem serem muito pedidas.1
Repare também no vocabulário. O SUS chama o exame dos folatos de "dosagem de folato" — não de "ácido fólico", que é a forma sintética, a dos comprimidos e da farinha fortificada. Na tabela, "ácido fólico" só aparece uma vez, e não como dosagem: é a dispensação do suplemento (0101040105).1 Quem procurar "ácido fólico" na lista de exames do SUS não encontra nada — e conclui, erradamente, que o exame não existe.
As que não existem
A lista do que não está na tabela é igualmente informativa, e foi verificada termo a termo, incluindo os nomes químicos que o SUS costuma usar:
- Vitamina A (retinol) — nenhuma dosagem. "Retinol": zero ocorrências.
- Vitamina E (tocoferol) — nenhuma. "Tocoferol": zero.
- Vitamina B1 (tiamina), B2 (riboflavina), B3 (niacina), B6 (piridoxina) — nenhuma.
- Vitamina K (filoquinona) — nenhuma.
- Homocisteína — nenhuma. Ácido metilmalônico — nenhuma.
- Selênio — nenhuma (mas zinco, R$ 15,65, e magnésio, R$ 2,01, existem).1
A ausência da homocisteína é a que mais confunde. A raiz "homocist" está na tabela — em "pesquisa de homocistina na urina" (0202050262, R$ 2,04). Mas homocistina na urina não é homocisteína no sangue: a primeira tria a homocistinúria, doença genética rara do metabolismo; a segunda é o marcador discutido como apoio ao diagnóstico de falta de B12. O vocabulário está no arquivo; ele nunca foi aplicado ao exame de sangue.1
Vitamina A: suplementar não é dosar
A vitamina A é o caso mais instrutivo da tabela, e é fácil ler errado. A palavra "vitamina A" aparece no SIGTAP — em "administração de vitamina A" (0101040059). Isso não é um exame. É o registro do Programa Nacional de Suplementação de Vitamina A, instituído pela Portaria nº 729, de 13 de maio de 2005, cujo objetivo é reduzir e controlar a hipovitaminose A e a mortalidade em crianças de 6 a 59 meses; a partir de 2012 ele foi expandido para todas as crianças dessa faixa nas Regiões Norte e Nordeste e em municípios das demais regiões.2
Ou seja: o Brasil decidiu dar vitamina A a milhões de crianças sem dosar vitamina A em ninguém. É uma escolha coerente — quando a deficiência é prevalente e o suplemento é barato e seguro, suplementar todo mundo custa menos e erra menos do que testar todo mundo. A mesma lógica vale para o ferro, com o Programa Nacional de Suplementação de Ferro.8 Uma ausência na tabela nem sempre é uma recusa; às vezes é uma política diferente.
A pergunta central: dosar vitaminas sem sintoma é recomendado no Brasil?
Sobre a vitamina D — de longe a mais pedida — o Brasil tem uma posição própria e explícita, e ela é negativa.
No posicionamento conjunto da Sociedade Brasileira de Patologia Clínica/Medicina Laboratorial (SBPC/ML) e da Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia (SBEM), a frase é literal:
"Não existem evidências para solicitação do nível sérico de 25(OH)D para a população adulta sem comorbidades, portanto, a triagem populacional indiscriminada não está indicada."3
Na revisão de 2020, publicada nos Archives of Endocrinology and Metabolism, as mesmas sociedades voltaram ao assunto com outra formulação, mais diplomática e igualmente clara: houve "um número crescente de pedidos de avaliação do estado de vitamina D, muitos deles questionáveis", e a dosagem "é recomendada em grupos com condições de risco".4
Quem são esses grupos de risco? A lista das sociedades inclui: pessoas acima de 60–65 anos, quem não se expõe ao sol, gestantes e lactantes, osteoporose, quedas ou fraturas recorrentes, raquitismo e osteomalácia, hiperparatireoidismo, doença renal crônica, doenças inflamatórias e autoimunes, obesidade, pele escura, síndromes de má absorção e pós-cirurgia bariátrica, além do uso de anticonvulsivantes, glicocorticoides, antirretrovirais ou orlistate.34
É aí que está a armadilha prática: a lista é longa o suficiente para que quase qualquer pessoa se reconheça em alguma linha. A leitura correta não é "eu me encaixo, logo devo pedir" — é que a indicação nasce de uma avaliação clínica, não de uma busca por um motivo.
Valores de referência da vitamina D — e uma divergência brasileira
Os cortes atualmente propostos pela SBEM e pela SBPC/ML, na revisão de 2020, são estes:4
| Faixa de 25(OH)D | Interpretação |
|---|---|
| < 20 ng/mL | Deficiência |
| 20–60 ng/mL | Adequado para a população geral abaixo de 65 anos |
| 30–60 ng/mL | Desejável em grupos vulneráveis |
| > 100 ng/mL | Risco de intoxicação |
A mudança em relação a 2017 é discreta mas real: o documento anterior falava em "acima de 20 ng/mL" para a população saudável até 60 anos; o de 2020 formaliza a faixa 20–60 ng/mL e desloca o limite etário para 65 anos.34 Se o seu laudo traz "insuficiência abaixo de 30 ng/mL", ele está usando um critério mais antigo e mais exigente, de origem norte-americana, que as sociedades brasileiras já não aplicam à população geral.
E aqui está a divergência que vale publicar inteira, sem arbitrar. Duas fontes brasileiras sérias descrevem realidades diferentes.
De um lado, o posicionamento das sociedades médicas parte da premissa de que "a prevalência da hipovitaminose D no nosso país é elevada".3
De outro, o ENANI-2019 — o inquérito nacional que efetivamente coletou sangue — mediu a 25(OH)D de 8 145 crianças de 6 a 59 meses e encontrou média de 98,6 nmol/L com apenas 4,3% abaixo de 50 nmol/L. Os autores concluem, textualmente, que a insuficiência de vitamina D nessas crianças "é baixa e não é um problema de saúde pública relevante" no Brasil.5
As duas afirmações não se contradizem tanto quanto parece, e a razão está nas unidades — motivo pelo qual vale refazer a conta. Para a 25(OH)D, 1 ng/mL ≈ 2,496 nmol/L. Logo o corte de 50 nmol/L do ENANI é exatamente 20,0 ng/mL, o mesmo limite de deficiência da SBEM; e a média de 98,6 nmol/L equivale a cerca de 39,5 ng/mL — bem dentro da faixa adequada. As populações também diferem: um inquérito em crianças pequenas não descreve idosos, gestantes ou pessoas acamadas. Mas a lição para quem lê um resultado é direta: num país tropical, o valor "baixo" é menos comum do que o marketing sugere.
O que o Brasil realmente mediu
Quando alguém pergunta "quais são os níveis de vitamina dos brasileiros?", a resposta honesta é que os dados nacionais com sangue coletado vêm sobretudo de um estudo, e ele é de crianças.
O ENANI-2019, conduzido pela UFRJ, visitou 193 212 domicílios, estudou 14 558 crianças menores de cinco anos e, das 12 598 elegíveis para coleta de sangue, obteve pelo menos um parâmetro laboratorial em 8 739 (69,3%). O painel de micronutrientes é notavelmente amplo: ferro (hemoglobina e ferritina), zinco, selênio e as vitaminas A, B1, B6, B12, D, E e ácido fólico.9
Vale sublinhar o contraste. O ENANI dosou em pesquisa exatamente as vitaminas que o SUS não dosa na assistência — B1, B6, A, E. Isso não é incoerência: medir um nutriente para descrever uma população e medi-lo para decidir sobre um paciente são atos diferentes, com exigências diferentes de precisão e de utilidade.
Os resultados desenham um país em transição. Entre 2006 e 2019, a prevalência de anemia em menores de cinco anos caiu de 20,5% para 10,1%, e a de deficiência de vitamina A de 17,2% para 6% — enquanto o excesso de peso subia de 6% para 10,1%.10 Sobre as vitaminas do complexo B, a análise de 6 520 crianças encontrou algo digno de nota: entre as de 36 a 59 meses, o quociente de desenvolvimento foi nitidamente menor nas com deficiência de B12 (< 150 pmol/L), e a concentração de B6 associou-se positivamente ao desenvolvimento — mas o folato não mostrou associação.11
Esse último "nada" é significativo, e leva ao tema seguinte.
Folatos: o Brasil escolheu a farinha, não o exame
Desde 2004 o Brasil fortifica obrigatoriamente as farinhas de trigo e de milho com ferro e ácido fólico — regra hoje na Resolução RDC nº 604/2022 da ANVISA, que trata do enriquecimento obrigatório do sal com iodo e das farinhas com ferro e ácido fólico.7
O efeito é mensurável. Um estudo de custo publicado sobre o período 2010–2019 estimou que a fortificação obrigatória evitou 3 499 nascidos vivos com defeito do tubo neural, com queda de 30% na prevalência desses defeitos e economia de R$ 20,38 milhões em custos hospitalares e ambulatoriais.6
A consequência prática para quem lê um exame é pouco intuitiva: num país que fortifica a farinha, o folato baixo ficou raro, e uma dosagem de folato numa pessoa sem sintoma tende a voltar normal. O ENANI, aliás, precisou classificar folato alto (> 45,3 nmol/L) entre as crianças — o problema mudou de lado.11 Continua havendo indicação clara para o exame: anemia macrocítica, com VCM elevado no hemograma completo, suspeita de má absorção, uso de metotrexato ou anticonvulsivantes. Fora disso, o rendimento é baixo.
Três níveis de utilidade
Um guia de orientação deve dizer o que raramente se diz. Com base nas fontes acima — e não no bom senso:
1. Uso estabelecido, quando há motivo clínico. A vitamina B12 e o folato são os exames com papel diagnóstico mais firme, sobretudo diante de anemia macrocítica ou de sintomas neurológicos. O consenso internacional de especialistas é explícito ao dar prioridade máxima ao reconhecimento dos sintomas clínicos para estabelecer o diagnóstico, tratando a B12 sérica como marcador de triagem que a homocisteína ou o ácido metilmalônico apenas apoiam.12 O dado brasileiro reforça: a deficiência de B12 associou-se a desenvolvimento infantil menor.11
2. Pedir diante de um risco definido. A 25-hidroxivitamina D só tem indicação nos grupos de risco listados pela SBEM e pela SBPC/ML.34 Pedida em adulto saudável, ela produz sobretudo achados sem consequência — e o próprio posicionamento de 2017 adverte que, para os efeitos da vitamina D fora do osso, "a suplementação visando estes outros efeitos ainda não se justifica".3
3. Quase nunca úteis. As dosagens de ácido ascórbico e de caroteno existem na tabela do SUS, custam R$ 2,01 e praticamente não são pedidas: escorbuto é diagnóstico clínico, e não há posicionamento brasileiro recomendando triagem de vitamina C. As demais vitaminas — A, E, B1, B2, B6, K — não têm dosagem no SUS, o que já diz que não fazem parte de nenhuma rotina.1
O que a dosagem não diz
Um número baixo no papel não é uma doença, e é aqui que o "perfil vitamínico" mais engana.
Primeiro, um nível sérico não é um estoque. A concentração no sangue de várias vitaminas oscila com a refeição, com a estação do ano e com um comprimido tomado na véspera. O próprio ENANI encontrou inverno e primavera entre os fatores mais associados à insuficiência de vitamina D — sazonalidade, não doença.5
Segundo, os métodos discordam entre si. As sociedades brasileiras dedicam uma seção inteira a isso: há "variação considerável entre os níveis de 25(OH)D obtidos nos diferentes métodos", e alguns especialistas chegam a sugerir intervalos de referência específicos por ensaio.3 Comparar um resultado de hoje com outro de dois anos atrás, feito em outro laboratório, pode comparar réguas diferentes.
Terceiro, a inflamação distorce — é o motivo pelo qual o próprio ENANI mediu proteína C reativa junto com os micronutrientes, o mesmo cuidado que já descrevemos para a ferritina.9
E, por fim, o dado mais simples: corrigir um número não é tratar uma pessoa. Se o cansaço é o sintoma, o hemograma completo, a hemoglobina, os exames da tireoide e a glicemia costumam responder mais do que um pacote de vitaminas.
Perguntas frequentes
O que é um perfil vitamínico? É um pacote comercial de dosagens de vitaminas, montado por cada laboratório. Não é um procedimento oficial: nas 5 023 linhas da tabela do SUS não existe nenhum código de painel ou perfil de vitaminas.
Quais vitaminas o SUS dosa? Cinco: vitamina B12 (R$ 15,24), 25-hidroxivitamina D (R$ 15,24), folato (R$ 15,65), ácido ascórbico (R$ 2,01) e caroteno (R$ 2,01). Não há dosagem de vitamina A, E, K, B1, B2 nem B6.
Preciso dosar vitamina D todo ano? Segundo a SBPC/ML e a SBEM, não para um adulto sem comorbidades: "a triagem populacional indiscriminada não está indicada". O exame é recomendado em grupos de risco — idosos, gestantes, osteoporose, doença renal crônica, má absorção, pós-bariátrica, uso de certos medicamentos. Quem decide é o seu médico.
Qual é o valor normal da vitamina D? Pela revisão de 2020 das sociedades brasileiras: deficiência abaixo de 20 ng/mL, 20–60 ng/mL adequado para a população geral abaixo de 65 anos, 30–60 ng/mL desejável em grupos vulneráveis e acima de 100 ng/mL risco de intoxicação. Vale sempre o intervalo impresso no seu laudo.
Meu laudo diz "insuficiência" abaixo de 30 ng/mL. Está errado? Não está errado, está desatualizado para a população geral. Esse corte vem de uma diretriz norte-americana anterior; as sociedades brasileiras consideram adequada a faixa de 20 a 60 ng/mL para adultos sem comorbidades, reservando os 30 ng/mL para grupos vulneráveis.
Por que "ácido fólico" não aparece na lista de exames? Porque o SUS chama o exame de "dosagem de folato". "Ácido fólico" aparece na tabela apenas como dispensação de suplemento. É o mesmo assunto com dois nomes.
Existe exame de homocisteína no SUS? Não. A tabela tem "pesquisa de homocistina na urina", que é a triagem de uma doença genética rara — a homocistinúria — e não a homocisteína sérica.
Se falta vitamina A no Brasil, por que não se dosa? Porque a resposta brasileira foi suplementar, não testar: o Programa Nacional de Suplementação de Vitamina A existe desde 2005 para crianças de 6 a 59 meses. Entre 2006 e 2019 a deficiência caiu de 17,2% para 6%. E avise sempre o laboratório se estiver tomando suplemento: isso muda a leitura.
Para lembrar
Três ideias bastam. Primeiro, "perfil vitamínico" é um rótulo comercial, não um exame: o SUS dosa cinco vitaminas, uma a uma, sem nenhum código de painel nas 5 023 linhas da sua tabela. Segundo, o Brasil já se pronunciou — a SBPC/ML e a SBEM dizem que não há evidência para pedir vitamina D em adulto sem comorbidade, e que a triagem indiscriminada não está indicada; e onde a carência era realmente prevalente, como na vitamina A e nos folatos, o país escolheu suplementar e fortificar em vez de testar, com resultados medidos. Terceiro, um valor não se lê sozinho: método, estação do ano, inflamação e contexto clínico mudam o que ele significa, e duas fontes brasileiras respeitáveis descrevem o problema em tamanhos diferentes. Conta o conjunto dos seus marcadores e do seu contexto — o que o AI DiagMe oferece, como complemento à avaliação do seu médico. Para o vocabulário dos laudos, veja o glossário de exames de sangue; para os preços fora do SUS, quanto custa um exame de sangue.
Fontes
Fontes oficiais brasileiras e publicações científicas (PubMed) usadas neste guia:
Footnotes
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Ministério da Saúde / DATASUS — SIGTAP, Sistema de Gerenciamento da Tabela de Procedimentos, Medicamentos e OPM do SUS, tabela
tb_procedimento, competência 08/2026 (1 697 774 bytes, 5 023 linhas). Códigos e valores verificados por leitura direta da tabela, com normalização de acentos: vitamina B12 0202010708 (R$ 15,24), 25-hidroxivitamina D 0202010767 (R$ 15,24), folato 0202010406 (R$ 15,65), ácido ascórbico 0202010112 (R$ 2,01), caroteno 0202010236 (R$ 2,01), zinco 0202070352 (R$ 15,65), magnésio 0202010562 (R$ 2,01), administração de vitamina A 0101040059, dispensação de suplemento de ácido fólico 0101040105, pesquisa de homocistina na urina 0202050262 (R$ 2,04). Nenhum procedimento de painel ou perfil de vitaminas ("perfil": 6 ocorrências, nenhuma vitamínica; "painel": 2, nenhuma vitamínica; "vitamínico": 0) e nenhuma dosagem de retinol, tocoferol, tiamina, riboflavina, niacina, piridoxina, filoquinona, homocisteína, ácido metilmalônico ou selênio. sigtap.datasus.gov.br ↩ ↩2 ↩3 ↩4 ↩5 ↩6 ↩7 ↩8 ↩9 ↩10 ↩11 -
Ministério da Saúde — Programa Nacional de Suplementação de Vitamina A (PNSVA), instituído pela Portaria nº 729, de 13 de maio de 2005, com o objetivo de reduzir e controlar a hipovitaminose A, a mortalidade e a morbidade em crianças de 6 a 59 meses; a partir de 2012 expandido para todas as crianças dessa faixa etária nas Regiões Norte e Nordeste e em municípios das Regiões Centro-Oeste, Sul e Sudeste. gov.br/saude ↩ ↩2
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Sociedade Brasileira de Patologia Clínica/Medicina Laboratorial (SBPC/ML) e Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia (SBEM) — Posicionamento Oficial: Intervalos de Referência da Vitamina D – 25(OH)D (Ferreira CES, Maeda SS, Batista MC, Lazaretti-Castro M, Vasconcellos LS, Madeira M, Soares LM, Borba VZC, Moreira CA). Citações verificadas por extração direta do PDF: "não existem evidências para solicitação do nível sérico de 25(OH)D para a população adulta sem comorbidades, portanto, a triagem populacional indiscriminada não está indicada"; grupos de risco; variação entre métodos; "a suplementação visando estes outros efeitos ainda não se justifica". endocrino.org.br ↩ ↩2 ↩3 ↩4 ↩5 ↩6 ↩7 ↩8 ↩9
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Moreira CA, Ferreira CEDS, Madeira M, Silva BCC, Maeda SS, Batista MC, Bandeira F, Borba VZC, Lazaretti-Castro M. Reference values of 25-hydroxyvitamin D revisited: a position statement from the Brazilian Society of Endocrinology and Metabolism (SBEM) and the Brazilian Society of Clinical Pathology/Laboratory Medicine (SBPC). Arch Endocrinol Metab, 2020;64(4):462-478. Revisão que substitui o posicionamento de 2017: deficiência < 20 ng/mL, 20-60 ng/mL adequado para a população geral abaixo de 65 anos, 30-60 ng/mL desejável em condições vulneráveis, > 100 ng/mL risco de intoxicação; "an increasing number of requests for the assessment of vitamin D status, many of which are questionable". PubMed · DOI ↩ ↩2 ↩3 ↩4 ↩5 ↩6
-
Normando P, de Castro IRR, Bezerra FF, Berti TL, Bertoni N, Lacerda EMA, Alves-Santos NH, de Freitas MB, Kac G. Prevalence and predictors of vitamin D insufficiency in Brazilian children under 5 years of age: Brazilian National Survey on Child Nutrition (ENANI-2019). Br J Nutr, 2024;131(2):312-320 (8 145 crianças; 25(OH)D média de 98,6 ± 36,0 nmol/L; 4,3% com insuficiência definida por < 50 nmol/L; inverno e primavera entre os preditores; conclusão de que a insuficiência "é baixa e não é um problema de saúde pública relevante" no Brasil). PubMed · DOI ↩ ↩2 ↩3
-
Rodrigues VB, Silva END, Dos Santos AM, Santos LMP. Prevented cases of neural tube defects and cost savings after folic acid fortification of flour in Brazil. PLoS One, 2023;18(2):e0281077 (2010-2019: 3 499 nascidos vivos com defeito do tubo neural evitados; queda de 30% na prevalência; economia de R$ 20 381 586,40 em custos hospitalares e ambulatoriais; custo total dos agravos de R$ 92 530 810,63 em 10 anos, 84,92% atribuíveis à espinha bífida). PubMed · DOI ↩ ↩2
-
Agência Nacional de Vigilância Sanitária (ANVISA) — Monitoramento da Fortificação das Farinhas de Trigo e Milho com Ferro e Ácido Fólico; Resolução RDC nº 604/2022, que dispõe sobre o enriquecimento obrigatório do sal com iodo e das farinhas de trigo e de milho com ferro e ácido fólico destinados ao consumo humano, com os relatórios anuais de monitoramento. gov.br/anvisa ↩ ↩2
-
Ministério da Saúde — Programa Nacional de Suplementação de Ferro (PNSF), instrutivo do Sistema de Micronutrientes: programa universal, sulfato ferroso para crianças e ferro com ácido fólico para gestantes; Portaria nº 1.555, de 30 de julho de 2013. sisaps.saude.gov.br ↩
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Alves-Santos NH, Castro IRR, Anjos LAD, Lacerda EMA, Normando P, Freitas MB, Farias DR, Boccolini CS, Vasconcellos MTL, Silva PLDN, Kac G. General methodological aspects in the Brazilian National Survey on Child Nutrition (ENANI-2019): a population-based household survey. Cad Saude Publica, 2021;37(8):e00300020 (193 212 domicílios visitados; 14 558 crianças estudadas; das 12 598 elegíveis para coleta de sangue, 8 739 — 69,3% — com pelo menos um parâmetro laboratorial; micronutrientes dosados: ferro (hemoglobina e ferritina), zinco, selênio e vitaminas A, B1, B6, B12, D, E e ácido fólico). PubMed · DOI ↩ ↩2
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Castro IRR, Anjos LAD, Lacerda EMA, Boccolini CS, Farias DR, Alves-Santos NH, Normando P, Freitas MB, Andrade PG, Bertoni N, Schincaglia RM, Berti TL, Carneiro LBV, Kac G. Nutrition transition in Brazilian children under 5 years old from 2006 to 2019. Cad Saude Publica, 2023;39(Suppl 2):e00216622 (entre PNDS-2006 e ENANI-2019, a anemia caiu de 20,5% para 10,1% e a deficiência de vitamina A de 17,2% para 6%; o excesso de peso subiu de 6% para 10,1%). PubMed · DOI ↩
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Freitas-Costa NC, Andrade PG, Normando P, Nunes KSS, Raymundo CE, Castro IRR, Lacerda EMA, Farias DR, Kac G. Association of development quotient with nutritional status of vitamins B6, B12, and folate in 6-59-month-old children: Results from the Brazilian National Survey on Child Nutrition (ENANI-2019). Am J Clin Nutr, 2023;118(1):162-173 (6 520 crianças; deficiência de B12 definida por < 150 pmol/L; folato > 45,3 nmol/L classificado como alto; quociente de desenvolvimento menor nas crianças de 36-59 meses com deficiência de B12; B6 associada positivamente; sem associação com o folato). PubMed · DOI ↩ ↩2 ↩3
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Obeid R, Andrès E, Češka R, Hooshmand B, Guéant-Rodriguez RM, Prada GI, Sławek J, Traykov L, Ta Van B, Várkonyi T, Reiners K. Diagnosis, Treatment and Long-Term Management of Vitamin B12 Deficiency in Adults: A Delphi Expert Consensus. J Clin Med, 2024;13(8):2176. Consenso internacional, citado aqui como complemento na ausência de posicionamento brasileiro específico sobre a dosagem de B12: o reconhecimento dos sintomas clínicos deve receber a prioridade mais alta no diagnóstico; a B12 sérica é útil como marcador de triagem, e o ácido metilmalônico ou a homocisteína podem apoiar o diagnóstico. PubMed · DOI ↩