Marcadores inflamatórios: proteína C reativa e VHS
Quais exames medem a inflamação no sangue — proteína C reativa, VHS, fibrinogênio e procalcitonina —, o que cada um diz, o que não diz e o que o SUS cobre.
"Seus exames de inflamação estão alterados." A frase é comum na consulta e quase sempre vem sem explicação. Os marcadores inflamatórios são um pequeno grupo de exames de sangue que respondem a uma única pergunta: há um processo inflamatório acontecendo no seu corpo? Eles não dizem onde, não dizem por quê e não dizem se é grave. Esta página explica quais são esses exames no Brasil, como o Ministério da Saúde os usa hoje e quanto custam no SUS.
Em resumo
- Os marcadores usados na rotina brasileira são quatro: a proteína C reativa, a VHS (velocidade de hemossedimentação), o fibrinogênio e a procalcitonina.
- ⚠️ Escreva "proteína C reativa" por extenso. No Brasil, a sigla PCR designa também a reação em cadeia da polimerase — o teste molecular que o país conheceu na pandemia.1
- O Brasil não escolhe entre proteína C reativa e VHS. O protocolo oficial da artrite reumatoide, atualizado em janeiro de 2026, aceita as duas: "pelo menos 1 resultado é necessário".2
- E vai além: o mesmo protocolo traz três índices de atividade — um que usa a VHS (DAS28), um que usa a proteína C reativa (SDAI) e um que não usa nenhum marcador de sangue (CDAI).2
- Nenhum marcador diz a causa. A diretriz de dislipidemias da SBC (2025) usa a proteína C reativa ultrassensível ≥ 2,0 mg/L como agravante de risco cardiovascular — não como diagnóstico de nada.3
- O uso mais concreto no dia a dia é corrigir a leitura do ferro: a inflamação eleva a ferritina e pode mascarar uma falta de ferro real.45
- No SUS: VHS R$ 2,73, proteína C reativa R$ 2,83 ou R$ 9,25, fibrinogênio R$ 4,60. Não existe código de "painel de inflamação".6
- A procalcitonina não existe na tabela do SUS — só no rol dos planos, e com restrição de uso.671
O que um marcador inflamatório é — e o que ele não é
Quando um tecido é agredido — uma bactéria, um vírus, um trauma, uma cirurgia, uma doença autoimune —, as células de defesa liberam mensageiros químicos e o fígado responde fabricando um conjunto de proteínas em maior quantidade. Chamam-se proteínas de fase aguda, e é isso que os exames desta página medem: não a doença, mas a resposta do organismo a ela.
Daí vêm a força e a fraqueza desses exames. A força é a sensibilidade: alteram-se cedo, antes de muitos outros sinais, e são baratos e disponíveis. A fraqueza é a especificidade: como a resposta é a mesma para causas completamente diferentes, o número alto não distingue uma amigdalite de uma crise de artrite, de um pós-operatório normal ou de um câncer.
Vale dizer com todas as letras, porque é a pergunta que mais chega: uma proteína C reativa alta não é sinônimo de infecção grave. Ela sinaliza que algo está ativo — e convida a olhar o resto: o hemograma completo, os leucócitos, a história e o exame físico.
Cuidado com a sigla: "PCR" não é um exame só
Esta confusão é brasileira e recente. Desde 2020, a sigla PCR ficou popularmente associada à reação em cadeia da polimerase, o teste molecular que procura o material genético de um vírus. As duas convivem nos documentos oficiais: no Anexo II do rol da ANS, o item 127 é a procalcitonina e o 129 é o "PCR em tempo real para influenza A e B" — a reação em cadeia da polimerase, duas linhas abaixo.1
👉 Na prática: peça e procure "proteína C reativa" por extenso. Se o laudo trouxer a sigla, a unidade resolve: a proteína C reativa vem em mg/L ou mg/dL; um teste molecular vem como "detectável / não detectável".
Os quatro exames, lado a lado
| Exame | O que mede | Velocidade | Onde aparece no laudo |
|---|---|---|---|
| Proteína C reativa | proteína de fase aguda produzida pelo fígado | sobe e desce em horas | imunologia |
| VHS | a velocidade com que as hemácias se depositam no tubo | lenta: dias para subir e para normalizar | hematologia |
| Fibrinogênio | fator I da coagulação, também de fase aguda | intermediária | hematologia e hemostasia |
| Procalcitonina | precursor de hormônio que sobe em infecção bacteriana | horas | não faz parte da rotina no SUS |
Isso explica por que a VHS e a proteína C reativa costumam chegar em páginas diferentes do seu resultado: na tabela do SUS, a VHS e o fibrinogênio pertencem aos "exames hematológicos e hemostasia", e os dois códigos de proteína C reativa aos "exames sorológicos e imunológicos".6
Duas notas importantes. A VHS não dosa uma proteína: ela mede um efeito — quanto as hemácias afundam numa hora. Por isso depende de coisas que nada têm a ver com inflamação: o número de hemácias (uma anemia acelera a VHS), a idade, o sexo e as imunoglobulinas do plasma. E a proteína C reativa comum e a ultrassensível são o mesmo analito, medido com sensibilidades diferentes.
Proteína C reativa ou VHS? O que o Brasil realmente responde
A resposta brasileira é mais interessante do que um simples "escolha uma".
O documento que decide é o Protocolo Clínico e Diretrizes Terapêuticas da Artrite Reumatoide, aprovado pela Portaria Conjunta SAES/SCTIE nº 33, de 19 de janeiro de 2026 — que revogou a versão de 2021. É o texto mais recente e mais explícito do Ministério da Saúde sobre esses dois exames.2
Primeiro: o protocolo não escolhe. Nos critérios de classificação que ele adota, o item "provas de atividades inflamatórias" vale 1 ponto e traz a instrução literal "pelo menos 1 resultado é necessário": pontua-se 0 se "VHS e PCR normais" e 1 se "VHS ou PCR alterados".2 Pede-se um dos dois, não os dois.
Segundo: cada índice usa um marcador diferente. O protocolo descreve três instrumentos para medir a atividade da doença, e eles não usam o mesmo exame:2
| Índice | Marcador de sangue usado |
|---|---|
| DAS28 | VHS (entra na fórmula como 0,70 × ln(VHS)) |
| SDAI | proteína C reativa (de 0,1 a 10 mg/dL) |
| CDAI | nenhum — só contagem de articulações e escalas visuais |
O terceiro é o mais revelador: o CDAI é um índice oficial, recomendado no mesmo protocolo, que funciona sem nenhum exame de sangue. É a demonstração mais clara de que esses marcadores acompanham a doença, mas não a definem.
Terceiro: a VHS continua sendo pedida no Brasil. Não é só a reumatologia. A Diretriz Brasileira de Dislipidemias e Prevenção da Aterosclerose – 2025, da Sociedade Brasileira de Cardiologia, prescreve a VHS na investigação de dores musculares em quem usa estatina: diante de sintomas, avalia-se "CK sérica, função renal, TSH, T4 livre, VHS e FAN".3 Um exame do século XIX, num fluxograma de 2025.
⚠️ Uma advertência sobre o que você lê na internet. Diferentes países chegaram a conclusões diferentes sobre a utilidade da VHS, e recomendações estrangeiras circulam traduzidas sem aviso. Esta página descreve a posição brasileira, verificada nos documentos oficiais em vigor: no Brasil, em 2026, a VHS continua recomendada, disponível e paga pelo SUS.
Uma armadilha numérica
Os dois exames não são substituíveis como número. Um estudo em pacientes com artrite reumatoide ainda sem tratamento imunossupressor mostrou que os pontos de corte do DAS28 calculado com proteína C reativa são mais baixos do que os do DAS28 com VHS.8 Na prática: num acompanhamento crônico, mantenha o mesmo marcador ao longo do tempo — comparar uma VHS de janeiro com uma proteína C reativa de junho não é comparar nada.
O que esses exames não dizem
Três limites que valem para todos eles.
1. Não dizem a causa. O mesmo valor alto pode vir de uma virose, de uma doença reumatológica, de uma cirurgia recente, da obesidade ou de um tumor.
2. Não dizem a gravidade. Um número muito alto numa pessoa que está bem pede investigação, não pânico; um número normal não exclui doença — a VHS, em especial, demora a subir e pode estar normal no começo de um quadro agudo.
3. Não têm um valor de referência nacional único. Os números que circulam no Brasil pertencem a usos específicos e não se transferem entre si: > 5 mg/L foi a marca de inflamação do inquérito ENANI-2019, para corrigir a leitura da ferritina em crianças;5 ≥ 2,0 mg/L, na forma ultrassensível, é o agravante de risco cardiovascular da SBC.3 Vale sempre o intervalo impresso no seu laudo.
O caso cardiovascular ilustra bem a distância entre "marcador" e "diagnóstico". A diretriz da SBC coloca a proteína C reativa ultrassensível ao lado da Lp(a) e da ApoB como fator agravante, capaz de deslocar alguém de risco intermediário para alto.3 Ela reclassifica; não diagnostica. E isso é comum: num levantamento em 13.475 pessoas com doença aterosclerótica, 28,3% a 39,3% tinham a proteína C reativa ultrassensível ≥ 2 mg/L.9
O cruzamento com o ferro: o uso mais concreto
Se há um motivo para pedir um marcador inflamatório junto com outros exames, é este.
A ferritina — o exame que melhor reflete o seu estoque de ferro — é também uma proteína de fase aguda. O consenso da ABHH escreve que "a presença de inflamação faz com que a ferritina aumente (proteína de fase aguda) interferindo na avaliação" da deficiência de ferro. A consequência é contraintuitiva: uma ferritina "normal" pode esconder uma falta de ferro real. Por isso a ABHH desloca o corte de 30 para < 100 mcg/L na inflamação crônica, e recorre à saturação da transferrina < 20% entre 100 e 300 mcg/L.4
O Brasil aplicou essa mesma lógica em escala nacional. No ENANI-2019, inquérito domiciliar que colheu sangue de 8.829 crianças, a proteína C reativa foi dosada explicitamente "para viabilizar a utilização dos pontos de corte referentes às concentrações séricas de ferritina": o critério publicado é ferritina < 12 µg/L se PCR ≤ 5 mg/L, mas < 30 µg/L se PCR > 5 mg/L.5 O mesmo 20 µg/L é normal numa criança sem inflamação e deficiente numa criança com inflamação.
O mecanismo tem nome — hepcidina, o hormônio que a inflamação estimula e que prende o ferro. Um estudo brasileiro de 2026 mediu isso: em 90 pacientes com anemia da inflamação contra 70 controles, VHS, ferritina e hepcidina estavam elevadas, com correlação positiva entre hepcidina e ferritina e negativa com a hemoglobina.10
👉 Na prática: se a sua ferritina veio normal ou alta e a suspeita de falta de ferro persiste, é o marcador inflamatório que permite ler o resultado. Os guias da cinética do ferro e da ferritina alta detalham o caminho.
Quanto custa no SUS
A tabela de procedimentos do SUS (competência agosto de 2026) responde de forma inequívoca a uma dúvida frequente: não existe um procedimento chamado "painel de inflamação", "provas de atividade inflamatória" ou equivalente. Cada exame é cobrado separadamente.6
| Procedimento na tabela do SUS | Código | Valor |
|---|---|---|
| Determinação de velocidade de hemossedimentação (VHS) | 0202020150 | R$ 2,73 |
| Dosagem de proteína C reativa | 0202030202 | R$ 2,83 |
| Determinação quantitativa de proteína C reativa | 0202030083 | R$ 9,25 |
| Dosagem de fibrinogênio | 0202020290 | R$ 4,60 |
| (referência) Hemograma completo | 0202020380 | R$ 4,11 |
Três leituras. A proteína C reativa tem dois códigos, e um custa mais do que o triplo do outro — a tabela distingue a "dosagem" da "determinação quantitativa" sem definir a diferença técnica no próprio texto. A VHS é o exame mais barato da lista: custa menos que um hemograma. E nenhum dos quatro tem limite mensal de execução.6
Esses valores são o que o SUS repassa ao laboratório; para você, o exame pelo SUS é gratuito. No privado a lógica é outra — o guia quanto custa um exame de sangue detalha.
A procalcitonina: o exame que o SUS não tem
Aqui está a diferença mais concreta entre o público e o privado nesta família de exames. A procalcitonina — o marcador que melhor separa infecção bacteriana de outras causas — não consta da tabela do SUS: nenhuma das 5.023 linhas a menciona, em nenhuma grafia.6
No setor privado ela existe, mas com condição: o rol de cobertura obrigatória da ANS a lista como "PROCALCITONINA, DOSAGEM (com diretriz de utilização)", e essa diretriz — o item 127 do Anexo II — restringe a cobertura obrigatória à "avaliação hospitalar ou em unidades de emergência de pacientes com pneumonia ou síndrome respiratória aguda grave, com quadro suspeito ou confirmado de infecção pelo SARS-CoV-2".71 Para comparação, a proteína C reativa, a hemossedimentação (VHS) e o fibrinogênio estão no mesmo rol sem nenhuma restrição de uso.7
Isso não é um detalhe administrativo. Uma revisão Cochrane concluiu que iniciar e suspender antibióticos guiado por procalcitonina, em infecções respiratórias agudas, reduziu a mortalidade e a exposição a antibióticos.11 O exame é útil — e, na rede pública brasileira, não está lá. É por isso que uma equipe brasileira testou a alternativa acessível: um ensaio randomizado em hospital terciário avaliou um apoio à decisão que combina a proteína C reativa com critérios clínicos e microbiológicos para decidir quando parar o antibiótico.12
Como ler os resultados juntos
Eles quase nunca vêm sozinhos, e é o conjunto que informa.
- Comece pelo contexto, não pelo número. Uma cirurgia há dez dias, uma virose na semana passada ou uma doença reumatológica conhecida já explicam a maior parte das elevações discretas.
- Leia junto com o hemograma completo — os leucócitos, os neutrófilos e os linfócitos ajudam a orientar entre bacteriano, viral e inflamatório crônico. Ver também leucócitos altos.
- Verifique a hemoglobina antes de interpretar uma VHS: a anemia, por si só, acelera a sedimentação.
- Se o ferro estiver em jogo, use o marcador para corrigir a leitura da ferritina.4
- Repita no tempo certo. A proteína C reativa responde em horas; a VHS demora dias e não faz sentido repetir a cada 48 horas.
Preparo e o que interfere
- Jejum — em geral não é exigido; siga a orientação do laboratório para o conjunto do pedido.
- Infecção recente, vacina, cirurgia ou trauma — elevam qualquer um deles por dias a semanas.
- Obesidade — associa-se a elevação discreta e persistente da proteína C reativa.13
- Gravidez, anticoncepcionais e pós-menopausa — elevam o fibrinogênio, segundo a SBPC/ML.14
- Anemia, idade e sexo — alteram a VHS sem que haja mais inflamação.
- Corticoides e anti-inflamatórios — abaixam os marcadores sem tratar a causa. Informe o que você toma.
Quando procurar um médico
Procure avaliação se um marcador vier alterado junto com sintomas: febre persistente, perda de peso não explicada, dor articular com inchaço, sudorese noturna, cansaço importante. Procure com urgência diante de febre alta com falta de ar, confusão mental ou queda do estado geral — aí o quadro clínico decide, não o exame. E o contrário vale: um marcador levemente alterado, isolado, numa pessoa que está bem, com frequência é um processo banal em resolução. A conduta é do seu médico.
Avanços recentes
Com base em publicações indexadas no PubMed:
- Proteína C reativa para encurtar antibióticos, no Brasil. Um ensaio randomizado brasileiro de 2026 testou um apoio digital à decisão que integra a proteína C reativa a critérios clínicos e microbiológicos para definir a duração do antibiótico em adultos hospitalizados — apresentando-a como alternativa mais acessível à procalcitonina.12
- Nem toda inflamação é a mesma inflamação. Na coorte brasileira ELSA-Brasil, com 4.126 participantes, a proteína C reativa e um marcador mais novo (GlycA) mostraram associações distintas com placa de carótida — quem tinha proteína C reativa alta se caracterizava sobretudo pela obesidade.13
- Inflamação e ferro, medidos juntos. Um estudo brasileiro de 2026 documentou a elevação simultânea de VHS, ferritina e hepcidina na anemia da inflamação.10
Estes resultados dizem respeito à pesquisa e ao manejo; não substituem a avaliação do seu médico.
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Um marcador inflamatório nunca se lê sozinho: o sentido dele depende do seu hemograma, do seu ferro, dos seus sintomas e do seu histórico.
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Perguntas frequentes
Quais são os exames de inflamação? Na rotina brasileira, quatro: a proteína C reativa, a VHS (velocidade de hemossedimentação), o fibrinogênio e a procalcitonina — esta última fora da tabela do SUS. O hemograma completo costuma acompanhá-los.
Proteína C reativa ou VHS: qual é melhor? O protocolo oficial brasileiro da artrite reumatoide não escolhe: aceita "pelo menos 1 resultado" dos dois. Na prática, a proteína C reativa sobe e desce em horas, o que a torna melhor para acompanhar de perto; a VHS é lenta e sofre influência de anemia, idade e sexo.2
Proteína C reativa alta significa infecção grave? Não. Ela indica que há um processo inflamatório ativo, sem dizer a causa nem a gravidade. Cirurgia recente, virose, doença reumatológica, obesidade e tumores elevam o mesmo número.
Qual é o valor normal? Não há um valor de referência nacional único. Os cortes brasileiros publicados pertencem a usos específicos: > 5 mg/L como marca de inflamação no ENANI-2019 e ≥ 2,0 mg/L, na forma ultrassensível, como agravante de risco cardiovascular na diretriz da SBC.53 Vale a faixa do seu laudo.
Por que pediram proteína C reativa junto com a ferritina? Porque a ferritina também é uma proteína de fase aguda. Sem saber se há inflamação, não dá para saber se uma ferritina "normal" está escondendo uma falta de ferro.45
A procalcitonina está disponível no SUS? Não. Ela não consta da tabela de procedimentos do SUS. Nos planos de saúde ela existe, mas com diretriz de utilização que restringe a cobertura obrigatória a situações hospitalares ou de emergência definidas.671
Para lembrar
Os marcadores inflamatórios medem a resposta do corpo, nunca a doença. Três coisas para levar. O Brasil não escolhe entre proteína C reativa e VHS: o protocolo do Ministério da Saúde de janeiro de 2026 aceita as duas, pede "pelo menos 1" e oferece até um índice que dispensa qualquer exame de sangue. Nenhum deles diz a causa nem a gravidade — os cortes que circulam (> 5 mg/L, ≥ 2,0 mg/L) pertencem a usos precisos e não se transferem entre si. E o uso mais concreto talvez seja o menos comentado: eles corrigem a leitura da ferritina, e sem eles uma falta de ferro pode passar despercebida. Nenhum valor se lê sozinho: conta o conjunto dos seus marcadores e do seu contexto — o que a AI DiagMe ajuda a organizar, como complemento à avaliação do seu médico. Os termos estão no glossário de exames de sangue.
Fontes
Fontes oficiais brasileiras e publicações científicas (PubMed) usadas neste guia.
Footnotes
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Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS) — Anexo II: Diretrizes de Utilização para Cobertura de Procedimentos na Saúde Suplementar (RN nº 465/2021). Item 127. PROCALCITONINA, DOSAGEM: "Cobertura obrigatória para avaliação hospitalar ou em unidades de emergência de pacientes com pneumonia ou síndrome respiratória aguda grave, com quadro suspeito ou confirmado de infecção pelo SARS-CoV-2 (COVID-19)." O item 129 da mesma lista é "PCR EM TEMPO REAL PARA INFLUENZA A E B" — a reação em cadeia da polimerase, duas linhas abaixo da procalcitonina. Nota de verificação: a versão consolidada mais recente (RN 676/2026) está hospedada em
ans.gov.br, inacessível a partir deste ambiente (conexão recusada em HTTP e HTTPS); o texto acima foi lido no PDF oficial espelhado emgov.br/ans(2.136.162 bytes, versão RN 473/RN 477), e o Anexo I de 2026 citado acima confirma que a procalcitonina permanece "com diretriz de utilização". PDF (gov.br/ans) ↩ ↩2 ↩3 ↩4 ↩5 -
Ministério da Saúde — Secretaria de Atenção Especializada à Saúde / SCTIE — Protocolo Clínico e Diretrizes Terapêuticas da Artrite Reumatoide, aprovado pela Portaria Conjunta SAES/SCTIE nº 33, de 19 de janeiro de 2026 (art. 4º: revoga a Portaria Conjunta SAES-SCTIE/MS nº 16, de 3 de setembro de 2021). Documento de 180 páginas, lido integralmente. Trechos usados: critérios de classificação ACR/EULAR, item "Provas de atividades inflamatórias (pelo menos 1 resultado é necessário) — VHS e PCR normais = 0; VHS ou PCR alterados = 1"; legenda "PCR: proteína C reativa; VHS: velocidade de hemossedimentação"; quadro dos índices compostos de atividade de doença (ICADS), com a fórmula do DAS-28 = 0,56 × √(dolorosas28) + 0,28 × √(edemaciadas28) + 0,70 × ln(VHS) + 0,014 × EVAp, o SDAI = dolorosas28 + edemaciadas28 + PCR (0,1 a 10 mg/dL) + EVAp + EVAm, e o CDAI = dolorosas28 + edemaciadas28 + EVAp + EVAm (sem marcador laboratorial); fatores de mau prognóstico (níveis elevados de proteína C reativa ou de VHS); seguimento ("exames como velocidade de hemossedimentação e proteína C reativa podem ser solicitados"). PDF (gov.br/saude) ↩ ↩2 ↩3 ↩4 ↩5 ↩6
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Sociedade Brasileira de Cardiologia (SBC) — Rached FH, Miname MH, Rocha VZ, Zimerman A, Cesena FHY, Sposito AC, et al. Diretriz Brasileira de Dislipidemias e Prevenção da Aterosclerose – 2025. Arq Bras Cardiol. 2025;122(9):e20250640. Trechos usados: seção 4.4.2 "Proteína C-Reativa Ultrassensível" ("a diretriz recomenda considerar PCR ultrassensível ≥ 2,0 mg/L como agravante de risco"; melhora da estratificação em pessoas de risco intermediário); quadro de fatores agravantes de risco (Lp(a) ≥ 50 mg/dL ou ≥ 125 nmol/L; PCR-us ≥ 2,0 mg/L; condições inflamatórias crônicas); fluxogramas de sintomas musculares relacionados a estatina, que prescrevem "CK sérica, função renal, TSH, T4 livre, VHS e FAN". PDF (abccardiol.org) · SciELO ↩ ↩2 ↩3 ↩4 ↩5
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Associação Brasileira de Hematologia, Hemoterapia e Terapia Celular (ABHH) — Consenso da ABHH sobre Patient Blood Management, 1ª edição, 2023. Trechos usados: verbete "Ferritina" ("A presença de inflamação faz com que a ferritina aumente (proteína de fase aguda) interferindo na avaliação da DF"; < 15 mcg/L confirmatória; < 30 mcg/L com sensibilidade 92% e especificidade 98%; < 100 mcg/L aceito em condições inflamatórias crônicas; faixa 100–300 mcg/L decidida pela saturação da transferrina < 20%) e algoritmo pré-operatório, cujo nó "Presença de inflamação/PCR↑?" orienta o corte de ferritina a aplicar. PDF (abhh.com.br) ↩ ↩2 ↩3 ↩4
-
Estudo Nacional de Alimentação e Nutrição Infantil (ENANI-2019), UFRJ — Relatório 3: Biomarcadores do Estado de Micronutrientes. Inquérito domiciliar nacional; 8.829 crianças de 6 a 59 meses realizaram coleta de sangue. Trechos usados: "A concentração de proteína C reativa (PCR) também foi avaliada para viabilizar a utilização dos pontos de corte referentes às concentrações séricas de ferritina"; definição de anemia ferropriva — hemoglobina < 11 g/dL e ferritina < 12 µg/L se PCR ≤ 5 mg/L, ou < 30 µg/L se PCR > 5 mg/L. PDF (enani.nutricao.ufrj.br) ↩ ↩2 ↩3 ↩4 ↩5
-
Ministério da Saúde / DATASUS — SIGTAP: Sistema de Gerenciamento da Tabela de Procedimentos, Medicamentos e OPM do SUS, arquivo
tb_procedimento.txt, 1.697.774 bytes, 5.023 linhas, todas com DT_COMPETENCIA 202608. Valores lidos no campo VL_SA por decodificação de colunas fixas (parser validado por reprodução de um valor já publicado, ferritina 0202010384 = R$ 15,59): VHS 0202020150 (R$ 2,73), dosagem de proteína C reativa 0202030202 (R$ 2,83), determinação quantitativa de proteína C reativa 0202030083 (R$ 9,25), fibrinogênio 0202020290 (R$ 4,60), hemograma completo 0202020380 (R$ 4,11); QT_MAXIMA_EXECUCAO = 9999 nos quatro. Formas de organização: 020202 "Exames hematológicos e hemostasia" (VHS, fibrinogênio) e 020203 "Exames sorológicos e imunológicos" (proteína C reativa). Ausências verificadas por enumeração, com dobra de acentos ativa (2.483 das 5.023 linhas contêm acentos): nenhum procedimento de painel — "inflama" retorna apenas dois tratamentos clínicos, e "fase aguda", "atividade inflamatória" e "provas de atividade" retornam 0, embora o vocabulário exista na tabela ("prova" 26 ocorrências, "painel" 2, "perfil" 6, "aguda" 27, "provas de" 1); nenhuma procalcitonina — 0 ocorrências para "procalcitonina", "pró-calcitonina" e "procalciton", enquanto "calcitonina" retorna 4 entradas, o que prova que a raiz está no arquivo; nenhuma proteína C reativa ultrassensível — "ultrassens" retorna 0 contra 26 ocorrências de "ultrass". Nota adicional: as 5 ocorrências da sigla "PCR" na tabela designam todas a reação em cadeia da polimerase. Página oficial (DATASUS) ↩ ↩2 ↩3 ↩4 ↩5 ↩6 ↩7 -
Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS) — Anexo I: Rol de Procedimentos e Eventos em Saúde (RN nº 465/2021, atualizado pela RN nº 678/2026), planilha oficial, 3.407 linhas na aba "Anexo I_Rol de Procedimentos". Entradas verificadas por enumeração: "PROTEÍNA C REATIVA" (segmento Imunologia), "HEMOSSEDIMENTAÇÃO, (VHS)" (Hematologia laboratorial) e "FIBRINOGÊNIO", todas sem diretriz de utilização; "PROCALCITONINA, DOSAGEM (COM DIRETRIZ DE UTILIZAÇÃO)", com referência à DUT nº 127. Ausência verificada: nenhuma entrada de proteína C reativa "ultrassensível" — 0 ocorrências de "ultrassensível" contra 45 de "ultrass" e 1 de "alta sensibilidade" (aplicada à doença de Chagas), o que prova que a expressão existiria no vocabulário da planilha. Planilha XLSX (gov.br/ans) · página do Rol ↩ ↩2 ↩3 ↩4
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Greenmyer JR, Stacy JM, Sahmoun AE, Beal JR, Diri E. DAS28-CRP Cutoffs for High Disease Activity and Remission Are Lower Than DAS28-ESR in Rheumatoid Arthritis. ACR Open Rheumatol. 2020;2(9):507-511. Estudo em pacientes com artrite reumatoide virgens de tratamento imunossupressor: os pontos de corte do DAS28 calculado com proteína C reativa são mais baixos do que os do DAS28 com VHS, com discordância de classificação. Fonte internacional, citada em complemento. PubMed · DOI ↩
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Navar AM, Bai L, Højen JF, Ivanes F, Kristensen SL, Lam CSP, et al. Global prevalence of elevated high-sensitivity C-reactive protein in patients with atherosclerotic cardiovascular disease, with and without chronic kidney disease: findings from the POSEIDON study. Atherosclerosis. 2026;419:120816. Estudo em 13.475 pacientes com doença aterosclerótica em 317 centros de 18 países (2023-2025), com participação brasileira: 39,3% dos pacientes com doença renal crônica e 28,3% dos sem doença renal crônica tinham proteína C reativa ultrassensível ≥ 2 mg/L. PubMed · DOI ↩
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Maciel RO, Mendonça PDS, Mota AGM, Wong DVT, Lima Júnior RCP, Pinheiro RF, et al. Serum hepcidin measurement is related to clinical parameters and interferon-gamma in anemia of inflammation. Einstein (Sao Paulo). 2026;24:eAO1756. Estudo transversal brasileiro com 90 pacientes com anemia da inflamação e 70 controles: VHS, ferritina e hepcidina elevadas no grupo com anemia; correlação positiva entre hepcidina e ferritina (r = 0,372) e entre hepcidina e IFN-γ; correlação negativa entre hepcidina e hemoglobina (r = −0,355). PubMed · DOI ↩ ↩2
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Tebar WR, Meneghini V, Goulart AC, Santos IS, Santos RD, Bittencourt MS, et al. Combined Association of Novel and Traditional Inflammatory Biomarkers With Carotid Artery Plaque: GlycA Versus C-Reactive Protein (ELSA-Brasil). Am J Cardiol. 2023;204:140-150. Coorte brasileira ELSA-Brasil; 4.126 participantes com mediana de 50 anos, 54,2% mulheres, prevalência de placa de carótida de 36,1%; proteína C reativa alta definida como > 3 mg/L, com exclusão de PCR > 10 mg/L; participantes com proteína C reativa alta tinham a maior frequência de obesidade. PubMed · DOI ↩ ↩2
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Sociedade Brasileira de Patologia Clínica/Medicina Laboratorial (SBPC/ML) — Recomendações da SBPC/ML: boas práticas em laboratório clínico (PDF de 16.055.655 bytes). Trecho usado: "Aumentos nos níveis de fibrinogênio são encontrados em idosos, na gravidez, em pacientes usando anticoncepcionais, pacientes na pós-menopausa, em reações de fase aguda e nas neoplasias." Observação de verificação, relevante para esta página: as expressões "proteína C reativa", "VHS" e "hemossedimentação" não aparecem uma única vez no manual (busca com dobra de acentos sobre o texto integral; controles positivos: "fase aguda" 4 ocorrências, "hemograma" 7, "ultrassensível" 2 — esta última aplicada à troponina). O manual de boas práticas laboratoriais brasileiro não fixa ponto de corte para os marcadores inflamatórios. PDF ↩