Exame BNP e NT-proBNP: para que serve e valores
O exame BNP serve principalmente para afastar a insuficiência cardíaca. Veja os pontos de corte da SBC, o que o SUS cobre e o que muda o resultado.
Quase todo exame de sangue é pedido para encontrar alguma coisa. O BNP é a exceção mais útil da cardiologia: o seu maior valor está em descartar. Diante de uma falta de ar cuja causa não está clara, um BNP baixo torna a insuficiência cardíaca bastante improvável — e é por isso que ele foi incorporado ao SUS. Este guia explica o que o exame mede, por que BNP e NT-proBNP não são o mesmo exame, quais números as diretrizes brasileiras publicam, e o detalhe mais contraintuitivo: o que faz um resultado parecer normal quando não é.
Em resumo
- O BNP é um hormônio liberado pelos ventrículos do coração quando a parede cardíaca sofre estiramento ou trabalha sob pressão aumentada.1
- ⚠️ O ponto principal: ele serve mais para excluir do que para confirmar. A diretriz da SBC diz que os peptídeos natriuréticos contribuem "principalmente para excluir o diagnóstico quando este é incerto".2
- Em pacientes ambulatoriais, BNP < 35–50 pg/mL ou NT-proBNP < 125 pg/mL praticamente excluem insuficiência cardíaca, segundo a SBC.2
- Na emergência, a mesma diretriz publica BNP < 100 pg/mL e NT-proBNP < 300 pg/mL como faixa de "IC improvável".2
- ⚠️ BNP e NT-proBNP são exames diferentes, com pontos de corte que não se comparam. Confira no laudo qual dos dois foi dosado.
- ⚠️ A obesidade ABAIXA o resultado. É o interferente menos conhecido e o mais capaz de enganar.23
- Sobem o BNP sem que haja insuficiência cardíaca: idade avançada, doença renal crônica e anemia.2 A fibrilação atrial também, e exige pontos de corte mais altos.4
- ✅ O SUS cobre. Código 02.02.01.079-1, "dosagem de peptídeos natriuréticos tipo B (BNP e NT-proBNP)", R$ 27,00, a partir dos 18 anos.5
- Quem usa sacubitril/valsartana tem o BNP artificialmente elevado, mas não o NT-proBNP.26
O que o BNP mede
BNP é a sigla de peptídeo natriurético do tipo B. A descrição oficial do procedimento no SUS resume bem: BNP e a sua pró-molécula NT-proBNP "são membros de uma classe de hormônios que regulam a pressão arterial", e sobem "continuamente na medida em que a insuficiência cardíaca avança".1
O mecanismo é mecânico antes de ser bioquímico. Quando o ventrículo se enche além do confortável, a parede muscular estica, e as células respondem liberando o hormônio, que promove eliminação de sódio e água e relaxa os vasos. O exame, portanto, não mede "força do coração" nem entupimento de artéria — mede tensão de parede. Um valor alto diz que o coração está sob pressão; não diz por quê.
Essa é a razão de o exame quase nunca vir sozinho. A diretriz da SBC recomenda, na avaliação inicial de quem tem sinais e sintomas de insuficiência cardíaca, um conjunto de exames laboratoriais com classe I: hemograma, eletrólitos séricos, função renal, glicemia de jejum, hemoglobina glicada, perfil lipídico, função tireoidiana e função hepática.2
Por que o valor está em excluir
A ideia parece invertida, mas é bem estabelecida. Um exame com sensibilidade alta raramente deixa passar quem tem a doença; logo, quando ele dá baixo, a doença fica improvável. A SBC descreve exatamente assim: os peptídeos têm "alta capacidade de afastar o diagnóstico (alta sensibilidade)" quando o BNP está abaixo de 100 pg/mL.2
Segundo o PubMed, no estudo Breathing Not Properly, com 1.586 pessoas que chegaram ao pronto-socorro com falta de ar aguda, o valor preditivo negativo de um BNP abaixo de 50 pg/mL foi de 96%: entre quem tinha esse resultado, 96% não tinham insuficiência cardíaca. O BNP isolado foi mais preciso que qualquer dado da história, do exame físico ou dos demais exames.7 Para o NT-proBNP, o estudo ICON-RELOADED, com 1.461 pessoas em 19 prontos-socorros, mediu no corte de 300 pg/mL sensibilidade de 93,9% e valor preditivo negativo de 98,0%.8 São desse estudo os cortes por faixa etária que a tabela brasileira reproduz.
O outro lado dessa moeda merece ser dito com clareza: valor alto não fecha diagnóstico. A própria SBC observa que vários fatores clínicos elevam os peptídeos e reduzem a sua capacidade preditiva positiva, motivo pelo qual valores intermediários "necessitam da correlação clínica".2 O exame que serve para descartar não serve, sozinho, para confirmar.
Os pontos de corte publicados no Brasil
A Tabela 2.1 da diretriz da SBC traz os cortes por cenário. Eles não são intercambiáveis entre os dois exames nem entre os dois contextos:2
| Cenário | Biomarcador | IC improvável | IC possível | IC muito provável |
|---|---|---|---|---|
| Emergência | BNP | < 100 pg/mL | 100–400 | > 400 |
| Emergência | NT-proBNP, < 50 anos | < 300 pg/mL | 300–450 | > 450 |
| Emergência | NT-proBNP, 50–75 anos | < 300 pg/mL | 300–900 | > 900 |
| Emergência | NT-proBNP, > 75 anos | < 300 pg/mL | 300–1800 | > 1800 |
| Ambulatorial | BNP | < 35–50 pg/mL | — | — |
| Ambulatorial | NT-proBNP | < 125 pg/mL | — | — |
Três leituras importam. A primeira: o contexto muda tudo — o mesmo BNP de 120 pg/mL é "improvável" na emergência e já ultrapassa o corte ambulatorial. A segunda: para o NT-proBNP, o corte de exclusão é único, mas o de confirmação sobe com a idade, de 450 para 1800 pg/mL. A terceira: a faixa ambulatorial de BNP é uma faixa, e a diretriz explica por quê. O corte de 50 pg/mL, de especialistas canadenses, prioriza a especificidade e limita falso-positivos; o de 35 pg/mL, europeu, prioriza a sensibilidade e reduz falso-negativos, à custa de investigar muita gente que não tem a doença.2
⚠️ Uma divergência dentro do próprio documento. O capítulo de insuficiência cardíaca aguda da mesma diretriz descreve a faixa intermediária de BNP como 100 a 500 pg/mL e o valor de forte suspeita como > 500 pg/mL, enquanto a Tabela 2.1 imprime 100–400 e > 400.2 Os dois trechos concordam no que mais importa aqui — o corte de exclusão de 100 pg/mL — e divergem apenas no limite superior. Registramos a divergência em vez de arbitrá-la: o intervalo que vale para você é o impresso no seu laudo, que depende do método do laboratório.
BNP e NT-proBNP: dois exames, um nome parecido
Quando o coração produz o hormônio, ele libera uma molécula que se parte em duas: o BNP, ativo, e o NT-proBNP, o fragmento inativo que sobra. Ambos sobem juntos, mas em concentrações muito diferentes e com meias-vidas diferentes. Daí a regra prática: os números de um nunca se leem pela tabela do outro.
A confusão é agravada por um detalhe administrativo: no SUS os dois estão sob um único código — "dosagem de peptídeos natriuréticos tipo B (BNP e NT-proBNP)" —, de modo que o pedido nem sempre deixa claro qual foi dosado.5 Vale conferir no laudo, que traz o nome do exame e o intervalo de referência do método usado.
Há um caso em que a diferença deixa de ser detalhe. O medicamento sacubitril/valsartana inibe a neprilisina, a enzima que degrada o BNP. Com a enzima bloqueada, o BNP se acumula: a SBC afirma que o fármaco "promove elevação nos níveis séricos do BNP, mas não do NT-proBNP, interferindo na acurácia diagnóstica do BNP", e conclui que nesses pacientes "devemos utilizar o NT-proBNP".2 Segundo o PubMed, no ensaio PARADIGM-HF o BNP dobrou em 18% dos participantes e triplicou em 6% nas primeiras 8 a 10 semanas, enquanto altas assim no NT-proBNP foram raríssimas.6 Nada disso justifica mexer em tratamento por conta própria — é informação para levar a quem acompanha o caso.
O que eleva o BNP sem ser insuficiência cardíaca
A diretriz da SBC lista, numa única frase, as principais armadilhas: os peptídeos "podem elevar-se na presença de anemia, insuficiência renal crônica e idade avançada".2 A atualização de 2021 acrescenta a fibrilação atrial, e é explícita: na vigência dela "devemos considerar pontos de corte mais elevados".4
O rim merece destaque, por ser o confundidor mais frequente. Segundo o PubMed, no estudo PRIDE o NT-proBNP e a taxa de filtração glomerular mostraram-se inversa e independentemente relacionados: quanto pior a função renal, maior o peptídeo, mesmo sem piora cardíaca. Para quem tem TFG abaixo de 60 mL/min/1,73 m², os autores encontraram melhor desempenho com um corte bem mais alto, de 1.200 pg/mL — e concluem que o exame continua útil mesmo com função renal ruim: muda o número de referência, não a validade do teste.9 Se o seu resultado veio junto de creatinina alterada, a leitura conjunta está na função renal, na creatinina, na ureia e na cistatina C.
O interferente que engana ao contrário: a obesidade
Este é o ponto que quase nenhuma página em português destaca, e é o mais importante para não se tranquilizar cedo demais. A SBC afirma que os peptídeos natriuréticos apresentam "níveis mais baixos na presença de obesidade".2 A atualização de 2021 repete a obesidade entre "as condições que modificam sua acurácia".4
A consequência é desconfortável: um BNP dentro do normal numa pessoa com obesidade não exclui insuficiência cardíaca com a mesma segurança que excluiria em outra pessoa. Segundo o PubMed, uma análise do Breathing Not Properly quantificou o efeito. Entre quem tinha insuficiência cardíaca aguda, o BNP médio foi de 643 pg/mL nos magros, 462 nos com sobrepeso ou obesidade e apenas 247 nos casos de obesidade grave ou mórbida. Para manter 90% de sensibilidade, os cortes teriam de ser 170 pg/mL para magros, 110 para sobrepeso/obesidade e 54 pg/mL na obesidade grave.3
Ou seja: o mesmo número significa coisas diferentes conforme o corpo. Num país onde a obesidade avança, é uma limitação que precisa ser dita — e é assunto para a consulta, não para uma conclusão tirada do laudo em casa. Há ainda uma segunda causa de resultado "não elevado" apesar de doença: a SBC observa que "em situações clínicas de rápida instalação" os peptídeos podem não ter tido tempo de subir.2
O exame no SUS
O procedimento existe e é pago. Na tabela SIGTAP da competência de agosto de 2026 — 5.023 procedimentos — a busca pela raiz "natriurétic" devolve uma única linha: o código 02.02.01.079-1, "DOSAGEM DE PEPTÍDEOS NATRIURÉTICOS TIPO B (BNP E NT-PROBNP)", com valor ambulatorial de R$ 27,00 e idade mínima de 216 meses, isto é, 18 anos.5
A descrição oficial delimita o uso previsto, e ela é mais restrita do que se imagina: os exames devem ser feitos em quem tem suspeita clínica de insuficiência cardíaca "unicamente com a finalidade de diagnóstico ambulatorial em pacientes com baixo e médio risco clínico, na Atenção Primária à Saúde", e como critério para indicar tratamento com sacubitril/valsartana.1 É a confirmação administrativa do que a diretriz diz clinicamente: o financiamento público mira o uso de triagem e exclusão na porta de entrada do sistema.
O relatório da Conitec conta a história por trás dessa idade. O exame entrou no SUS em 2020 com mínimo de 45 anos; em 2021, a incorporação do sacubitril/valsartana — liberado a partir dos 18 — tornou necessário ampliar a faixa para 18 a 44 anos.10 Os 216 meses hoje na tabela mostram que a ampliação foi efetivada.
Os exames que costumam vir junto
Além do bloco inicial já citado, duas associações merecem atenção por serem frequentes na insuficiência cardíaca.
Ferro. A SBC recomenda, com classe IIA, a "avaliação da cinética de ferro (ferritina, ferro sérico e saturação da transferrina)".2 A atualização de 2021 define a deficiência de ferro nesse contexto como ferritina < 100 ng/mL, ou entre 100 e 299 ng/mL com saturação de transferrina < 20% — e note que isso vale mesmo sem anemia.4 Os detalhes estão na cinética do ferro, na ferritina, no ferro sérico e na saturação de transferrina.
Anemia. Presente em cerca de um terço das pessoas com insuficiência cardíaca, com investigação por índices das hemácias, reticulócitos, esfregaço, ferro, vitamina B12 e ácido fólico.2 Comece pela hemoglobina.
Um terceiro par é frequente nos laudos: o sódio e o potássio. A hiponatremia da insuficiência cardíaca é problema de água retida, não de sal de menos — e a SBC pede monitoração seriada de função renal e eletrólitos ao longo do tratamento.2 Na admissão hospitalar, a diretriz acrescenta a troponina, na suspeita de doença arterial coronária, miocardite ou Takotsubo.2
👉 O AI DiagMe interpreta os seus exames — de sangue, urina ou fezes — considerando todo o seu contexto, em linguagem clara. Serviço informativo que não faz diagnóstico e complementa, sem substituir, a avaliação do seu médico.
Perguntas frequentes
Preciso de jejum? As diretrizes brasileiras consultadas não estabelecem exigência de jejum. Siga a orientação do seu pedido ou do laboratório, que varia conforme o método.
Meu laudo diz "pró-BNP". É o mesmo exame? Muito provavelmente é o NT-proBNP, que tem tabela de referência própria. Não compare esse número com os cortes de BNP: o corte ambulatorial de exclusão é 125 pg/mL para NT-proBNP e 35–50 pg/mL para BNP.2
BNP normal quer dizer coração saudável? Quer dizer que a insuficiência cardíaca ficou improvável — que é diferente. O exame não avalia entupimento de artérias, arritmias nem valvas. E, na obesidade, um valor normal perde parte do poder de exclusão.3
O SUS paga? Quanto custa? Paga: R$ 27,00 pela tabela SIGTAP, para maiores de 18 anos, com indicação voltada ao diagnóstico ambulatorial na atenção primária.51 Sobre preços em geral, veja quanto custa um exame de sangue.
Por que meu valor de referência difere do de um site? Depende do método do laboratório e de qual peptídeo foi dosado. Vale o intervalo do seu laudo.
Existe pesquisa brasileira sobre isso? Sim. Segundo o PubMed, o ensaio PARACHUTE-HF, conduzido a partir do InCor da USP com cerca de 900 participantes na América Latina, usa a variação do NT-proBNP entre os desfechos em pessoas com cardiomiopatia chagásica — uma causa de insuficiência cardíaca com peso próprio no Brasil.11
Para lembrar
O BNP é um exame de exclusão antes de ser de confirmação: valores baixos tornam a insuficiência cardíaca improvável, e é para esse uso, na atenção primária, que o SUS o financia a R$ 27,00.25 Três coisas para levar. Primeira: confira qual peptídeo foi dosado, porque BNP e NT-proBNP têm cortes que não se comparam. Segunda: rim, idade, anemia e fibrilação atrial elevam o resultado sem que haja doença cardíaca.24 Terceira, e a mais fácil de esquecer: a obesidade abaixa o resultado, e um valor normal pesa menos nesse caso.3 Nenhum número isolado fecha ou descarta diagnóstico — conta o conjunto dos seus exames e do seu contexto, o que a AI DiagMe ajuda a organizar. Veja também o glossário de exames de sangue.
Fontes
Fontes oficiais brasileiras e publicações científicas (PubMed) usadas neste guia:
Footnotes
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Ministério da Saúde / DATASUS — SIGTAP, competência 08/2026, arquivo
tb_descricao, descrição do procedimento 0202010791 (verificada como exclusiva deste código): "o biomarcador peptídeo natriurético tipo B (BNP) e sua pró-molécula (NT-proBNP) são membros de uma classe de hormônios que regulam a pressão arterial"; elevação contínua conforme a insuficiência cardíaca avança; uso "unicamente com a finalidade de diagnóstico ambulatorial em pacientes com baixo e médio risco clínico, na Atenção Primária à Saúde (APS) e para indicação de tratamento com sacubitril/valsartana, conforme diretrizes do Ministério da Saúde". sigtap.datasus.gov.br ↩ ↩2 ↩3 ↩4 -
Rohde LEP, Montera MW, Bocchi EA, et al. — Diretriz Brasileira de Insuficiência Cardíaca Crônica e Aguda. Sociedade Brasileira de Cardiologia. Arq Bras Cardiol, 2018;111(3):436-539 — versão em vigor, complementada pela atualização de 2021. Tabela 2.1 (pontos de corte por cenário e faixa etária); "contribuindo principalmente para excluir o diagnóstico quando este é incerto"; "alta capacidade de afastar o diagnóstico (alta sensibilidade)"; elevação por anemia, insuficiência renal crônica e idade avançada e "níveis mais baixos na presença de obesidade"; discussão dos cortes ambulatoriais de 35 e 50 pg/mL; efeito do sacubitril/valsartana sobre o BNP e não sobre o NT-proBNP; exames laboratoriais de classe I na avaliação inicial e cinética de ferro classe IIA; anemia em cerca de um terço dos pacientes. ⚠️ Divergência interna registrada no texto: o capítulo de IC aguda descreve BNP 100–500 e > 500 pg/mL onde a Tabela 2.1 imprime 100–400 e > 400. PDF oficial (publicacoes.cardiol.br) · ABC Cardiol ↩ ↩2 ↩3 ↩4 ↩5 ↩6 ↩7 ↩8 ↩9 ↩10 ↩11 ↩12 ↩13 ↩14 ↩15 ↩16 ↩17 ↩18 ↩19 ↩20 ↩21 ↩22 ↩23
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Daniels LB, Clopton P, Bhalla V, et al. How obesity affects the cut-points for B-type natriuretic peptide in the diagnosis of acute heart failure. Results from the Breathing Not Properly Multinational Study. Am Heart J, 2006;151(5):999-1005 — relação inversa entre BNP e índice de massa corporal; entre pacientes com IC aguda, BNP médio de 643 pg/mL (magros), 462 (sobrepeso/obesidade) e 247 pg/mL (obesidade grave ou mórbida); cortes para manter 90% de sensibilidade: 170, 110 e 54 pg/mL respectivamente. PubMed · DOI ↩ ↩2 ↩3 ↩4
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Marcondes-Braga FG, Moura LAZ, Issa VS, et al. — Atualização de Tópicos Emergentes da Diretriz Brasileira de Insuficiência Cardíaca – 2021. Sociedade Brasileira de Cardiologia — fibrilação atrial e obesidade citadas como "condições que modificam sua acurácia"; "na vigência de fibrilação atrial (FA), devemos considerar pontos de corte mais elevados"; definição de deficiência de ferro por ferritina < 100 ng/mL ou 100–299 ng/mL com saturação de transferrina < 20%, mesmo sem anemia. Consultada em texto integral no PMC. PMC8288520 · ABC Cardiol ↩ ↩2 ↩3 ↩4 ↩5
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Ministério da Saúde / DATASUS — Tabela de Procedimentos, Medicamentos e OPM do SUS (SIGTAP), competência 08/2026, arquivo
tb_procedimento(5.023 procedimentos): código 0202010791 — "DOSAGEM DE PEPTÍDEOS NATRIURÉTICOS TIPO B (BNP E NT-PROBNP)", valor ambulatorial R$ 27,00, idade mínima 216 meses (18 anos), sem idade máxima. Verificação por enumeração do arquivo da competência, 07/09/2026: a raiz "natriurétic" devolve exatamente uma linha em toda a tabela. sigtap.datasus.gov.br ↩ ↩2 ↩3 ↩4 ↩5 -
Myhre PL, Vaduganathan M, Claggett B, et al. B-Type Natriuretic Peptide During Treatment With Sacubitril/Valsartan: The PARADIGM-HF Trial. J Am Coll Cardiol, 2019;73(11):1264-1272 — o BNP dobrou em 18% e triplicou em 6% dos pacientes nas primeiras 8 a 10 semanas de sacubitril/valsartana, enquanto elevações desse porte no NT-proBNP foram extremamente raras, por não ser este um substrato da neprilisina. PubMed · DOI ↩ ↩2
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Maisel AS, Krishnaswamy P, Nowak RM, et al. Rapid measurement of B-type natriuretic peptide in the emergency diagnosis of heart failure. N Engl J Med, 2002;347(3):161-7 — estudo Breathing Not Properly, 1.586 pacientes com dispneia aguda no pronto-socorro: valor preditivo negativo de 96% para BNP < 50 pg/mL, acurácia diagnóstica de 83,4% no corte de 100 pg/mL, e desempenho superior ao de qualquer achado de história, exame físico ou laboratório isolado. PubMed · DOI ↩
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Januzzi JL, Chen-Tournoux AA, Christenson RH, et al. N-Terminal Pro-B-Type Natriuretic Peptide in the Emergency Department: The ICON-RELOADED Study. J Am Coll Cardiol, 2018;71(11):1191-1200 — 1.461 pacientes com dispneia em 19 prontos-socorros: corte de exclusão de 300 pg/mL com sensibilidade de 93,9% e valor preditivo negativo de 98,0%; validação dos cortes por faixa etária de 450, 900 e 1.800 pg/mL reproduzidos na tabela brasileira. PubMed · DOI ↩
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Anwaruddin S, Lloyd-Jones DM, Baggish A, et al. Renal function, congestive heart failure, and amino-terminal pro-brain natriuretic peptide measurement: results from the ProBNP Investigation of Dyspnea in the Emergency Department (PRIDE) Study. J Am Coll Cardiol, 2006;47(1):91-7 — 599 pacientes com dispneia: NT-proBNP e taxa de filtração glomerular inversa e independentemente relacionados; corte de 1.200 pg/mL para TFG < 60 mL/min/1,73 m² (sensibilidade 89%, especificidade 72%); o exame permanece válido independentemente da função renal. PubMed · DOI ↩
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Comissão Nacional de Incorporação de Tecnologias no SUS (Conitec) / Ministério da Saúde — Peptídeos Natriuréticos tipo B (BNP e NT-ProBNP) para pacientes de 18 a 44 anos com insuficiência cardíaca, relatório de recomendação, dezembro de 2022 (consulta pública nº 02/2023) — histórico da incorporação: procedimento incorporado ao SUS em 2020 pela Portaria (retificação) nº 296, de 03/04/2020, da SAES, com idade mínima de 45 anos; incorporação do sacubitril/valsartana pela Portaria nº 78, de 27/01/2021, da SAES, com limite inferior de 18 anos; necessidade consequente de ampliar a faixa etária do exame para 18 a 44 anos. ⚠️ Documento lido na versão de consulta pública, que traz em rodapé "esta é uma versão preliminar e poderá sofrer alteração após a consulta pública"; a efetivação da ampliação é atestada de forma independente pela idade mínima de 216 meses na tabela SIGTAP vigente. PDF (gov.br/conitec) ↩
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Bocchi EA, Echeverria LE, Demacq C, et al. Sacubitril/Valsartan Versus Enalapril in Chronic Chagas Cardiomyopathy: Rationale and Design of the PARACHUTE-HF Trial. JACC Heart Fail, 2024;12(8):1473-1486 — protocolo de ensaio fase IV liderado a partir do Instituto do Coração (InCor) da Faculdade de Medicina da USP, com cerca de 900 participantes em aproximadamente 100 centros da América Latina; a variação do NT-proBNP em 12 semanas integra o desfecho primário hierárquico. Citado como protocolo, sem resultados publicados. PubMed · DOI ↩