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Teste de HIV: a janela, o resultado e onde fazer

Quanto tempo depois de uma exposição o teste detecta, por que um teste rápido reagente ainda não fecha o diagnóstico e como o SUS organiza a testagem.

Publicado em 6 de setembro de 202612 min de leituraEscrito pela Equipe Blood Analysis · Revisado e verificado por Julien Priour

Esta página é sobre o exame: quando ele detecta, o que cada resultado quer dizer, quantas etapas o Brasil exige antes de fechar um diagnóstico e onde a testagem é feita. Não é sobre a doença nem sobre o tratamento.

Quase tudo aqui vem de documentos oficiais brasileiros lidos na íntegra: o Manual Técnico para o Diagnóstico da Infecção pelo HIV em Adultos e Crianças, 4ª edição do Ministério da Saúde, aprovado pela Portaria SVS/MS nº 29/2013,12 e os protocolos clínicos do próprio Ministério. Onde a fonte brasileira é silenciosa, dizemos.

Duas frases resumem o serviço desta página, e as duas estão nos textos oficiais: um teste rápido reagente não é, sozinho, um diagnóstico — ele exige a etapa seguinte; e um teste não reagente feito fora da janela é confiável.

A janela: quanto tempo depois da exposição?

É a pergunta que mais chega aqui, e os prazos que circulam são contraditórios porque dependem do tipo de teste. O manual brasileiro dá um número para cada geração de imunoensaio, medido como média:1

TesteJanela média
Imunoensaio de 4ª geração (antígeno p24 + anticorpos)cerca de 15 dias
Imunoensaio de 3ª geração20 a 30 dias
Imunoensaio de 2ª geração25 a 35 dias
Imunoensaio de 1ª geração (fora de uso)35 a 45 dias

O manual acrescenta que o prazo depende do ensaio utilizado. E faz uma distinção que quase ninguém faz: janela imunológica é o tempo até o aparecimento de anticorpos; janela diagnóstica é o tempo até o aparecimento de qualquer marcador — RNA viral, DNA pró-viral, antígeno p24 ou anticorpo. É por isso que o número da 4ª geração é menor: ela procura duas coisas ao mesmo tempo.1

Um caso à parte: os testes rápidos feitos com fluido oral. O manual é explícito ao dizer que a janela deles pode variar de um a três meses, conforme o conjunto diagnóstico, e manda verificar o prazo na bula do teste em uso.1 Não é o mesmo prazo do exame de sangue.

Antes de tudo isso existe um período em que nenhum teste detecta nada. O manual reproduz a classificação de Fiebig: o estágio 0, ou fase de eclipse, dura em média dez dias (intervalo de 7 a 21), sem qualquer marcador no sangue. Depois, o RNA viral aparece; o antígeno p24, poucos dias mais tarde; os anticorpos, depois deles.13

O que fazer com um resultado não reagente

Todo laudo brasileiro de amostra não reagente carrega, por norma, a mesma ressalva: "Persistindo a suspeita de infecção pelo HIV, uma nova amostra deverá ser coletada 30 dias após a data da coleta desta amostra."1 Não é uma dúvida sobre o exame — é o modo de cobrir a janela. Se a exposição que preocupa você é antiga e o teste veio não reagente, o resultado vale. Se foi recente, o próprio Ministério diz quando repetir.

Por que um teste rápido reagente ainda não é o diagnóstico

O diagnóstico sorológico do HIV nunca se faz com um teste só. O manual explica a lógica: dois ou mais testes combinados formam um fluxograma, e o objetivo é aumentar o valor preditivo positivo de um resultado reagente. O primeiro teste é o mais sensível; o segundo, o mais específico, justamente para eliminar resultados falso-reagentes.1

Na prática, com testes rápidos: "A infecção pelo HIV é definida com dois resultados reagentes em testes rápidos (TR1 e TR2) contendo antígenos diferentes, usados sequencialmente." E ainda assim o manual recomenda a quantificação da carga viral logo em seguida — que descarta a hipótese de um duplo falso-reagente e já é o primeiro exame de acompanhamento.1

O número que fecha a conta é 5.000 cópias/mL: acima disso, a carga viral confirma a infecção; abaixo, o manual manda considerar a possibilidade de um duplo falso-reagente.1 Esse limiar vem de um estudo de coorte que mediu falso-positivos em testes de RNA e propôs tratar valores abaixo de 5.000 cópias/mL como indeterminados, a reexaminar.4

Autoteste e teste com fluido oral são triagem. O manual usa exatamente essa palavra: quem tem resultado reagente num autoteste precisa procurar um serviço de saúde para concluir o diagnóstico.1 Um autoteste reagente não é um diagnóstico; é um motivo para ir ao serviço.

Os seis fluxogramas

O Brasil não tem um algoritmo único, e sim seis fluxogramas numerados, porque os cenários são diferentes. Os Fluxogramas 1, 2 e 3 são os preferenciais, por combinarem os testes mais ágeis.1

  • Fluxograma 1 — dois testes rápidos em sequência, com sangue de polpa digital ou punção venosa. Preferencialmente presencial, o que elimina a troca de amostra.
  • Fluxograma 2 — um teste rápido com fluido oral seguido de um segundo teste rápido com sangue.
  • Fluxograma 3 — imunoensaio de 4ª geração seguido de teste molecular. É o que permite o diagnóstico mais precoce.
  • Fluxogramas 4, 5 e 6 — variações de laboratório, com imunoensaio de 3ª ou 4ª geração seguido de teste molecular ou de western blot.

Nenhum deles serve para crianças de até 18 meses, por causa dos anticorpos maternos que atravessam a placenta e podem persistir até essa idade: nesses casos o diagnóstico é feito por teste molecular.1

Há ainda a infecção aguda, para a qual o manual reserva um item próprio: os marcadores sorológicos ainda não são detectáveis e a decisão passa pelo teste molecular.1 Um trabalho de um ambulatório de São Paulo, com o Instituto Adolfo Lutz, mostra como isso funciona na rotina: um roteiro simples — exposição de até seis semanas, sintomas compatíveis entre 7 e 30 dias depois, ou sorologia indeterminada — identificou doze casos, com rendimento de 2,4% entre pessoas sem sintomas e de 25% nas sorologias indeterminadas.5

Os falso-reagentes existem — e é por isso que a confirmação é obrigatória

A própria Portaria nº 29 diz, entre os seus considerandos, que não existem testes com 100% de sensibilidade e especificidade e que resultados falso-negativos, falso-positivos, indeterminados ou discrepantes podem ocorrer.2 O manual lista os fatores identificados na literatura para resultados falso-reagentes:1

  • doenças autoimunes — artrite reumatoide, lúpus, síndrome de Stevens-Johnson, tireoidite autoimune — com a ressalva, escrita no próprio manual, de que essas doenças atingem uma parcela mínima da população;
  • hepatopatias por medicamentos, álcool ou outras causas, e outras doenças crônicas do fígado (vale conferir o hepatograma do mesmo laudo);
  • pessoas em hemodiálise ou em terapia com interferon;
  • pessoas que receberam múltiplas transfusões;
  • vacinação recente contra influenza A-H1N1;
  • gravidez;
  • aquisição passiva de anticorpos da mãe pelo bebê.

E para falso-não reagentes: infecção aguda, teste feito antes da soroconversão, pessoas com imunidade comprometida, os raros "imunossilenciosos" — e o uso de terapia antirretroviral, razão pela qual o manual diz que o teste rápido não é indicado em quem está em tratamento.1

Falso-reagente não é falha do laboratório: é a razão de existirem duas etapas. A avaliação brasileira de sete testes rápidos comerciais encontrou sensibilidade clínica de 97,74% a 100% e especificidade de 99,43% a 100% — números altos que, ainda assim, não são 100%.6 Uma segunda avaliação, com 972 amostras, encontrou sensibilidade de 99,3% a 100% e especificidade de 100%, mas só três dos cinco testes cumpriram os pré-requisitos do Ministério.7 O padrão exigido hoje é sensibilidade mínima de 99,5% e especificidade mínima de 99,0%.1

CD4 e carga viral não são exames de rastreio

É uma confusão frequente. A contagem de linfócitos T CD4+ e a carga viral não servem para descobrir se alguém tem HIV. Elas entram depois do diagnóstico: a carga viral aparece nos fluxogramas como teste complementar e como primeiro exame de acompanhamento, e o CD4 é pedido junto, para avaliar o sistema imunológico.1 Quem procura saber se tem ou não a infecção faz um teste de anticorpos ou de antígeno — não uma carga viral.

Os linfócitos do hemograma completo também não respondem a essa pergunta: eles contam todas as subpopulações juntas, e o CD4 é medido por citometria, num exame próprio. Pela mesma razão, nenhuma outra linha do laudo de rotina — leucócitos baixos, plaquetas, função renal ou marcadores inflamatórios — serve para afirmar ou afastar a infecção. Um hemograma alterado é motivo para investigar, não para concluir.

Onde fazer, quanto custa e o que a lei diz sobre o anonimato

No SUS o teste é gratuito — o manual descreve a testagem feita fora dos muros do serviço como oferecida "de forma oportuna, voluntária, sigilosa e gratuita".1 O Ministério lista os locais em que recomenda a testagem rápida: unidades da Atenção Primária (as UBS), Centros de Testagem e Aconselhamento (CTA), Unidades de Testagem Móvel, maternidades, pronto-socorros, serviços sem estrutura laboratorial e regiões de difícil acesso.1 Testes rápidos imunocromatográficos têm leitura em no máximo 30 minutos e podem ser feitos com sangue de punção venosa ou de polpa digital, ou com fluido oral.8

Sobre o anonimato, o texto legal é curto e merece ser lido como está. A Portaria nº 29 exige, no art. 4º, a apresentação de um documento oficial no registro e na coleta — e, no parágrafo único do mesmo artigo, determina: "Fica assegurada a testagem anônima, entretanto o indivíduo deverá ser informado no momento da coleta que não será fornecido resultado por escrito."2 As duas coisas convivem: a testagem anônima está garantida, ao preço de não haver laudo escrito.

Na tabela do SUS (competência de agosto de 2026), a pesquisa laboratorial de antígenos de HIV e/ou anticorpos anti-HIV-1 ou anti-HIV-2 para população geral (código 0202031500) é financiada em R$ 10,00; o teste rápido (0214010058) soma R$ 1,00 de serviço hospitalar e R$ 1,00 de ambulatorial; a contagem de linfócitos CD4/CD8 (0202030024) está em R$ 15,00 e o western blot / imunoblot (0202030296) em R$ 85,00.9 Para comparação: veja quanto custa um exame de sangue e o glossário.

Na gestação

A Caderneta Brasileira da Gestante (edição de 2026) coloca o teste para HIV — rápido ou laboratorial — na primeira consulta de pré-natal, de novo no terceiro trimestre e outra vez no parto ou pós-parto imediato, ao lado dos exames de sífilis, hepatite B e toxoplasmose.10

Uma correção honesta: procuramos, e a Caderneta não usa a palavra "obrigatório" para esse exame. Em todo o documento, "obrigatório" aparece uma única vez, e é sobre o registro do quesito raça/cor. O teste é rotina do pré-natal e é oferecido em três momentos — o que não é a mesma coisa que uma obrigação legal, e preferimos dizer isso a repetir uma afirmação que a fonte não sustenta.

A gravidez está entre os fatores associados a falso-reagentes, e o manual trata disso: em gestantes com resultado reagente ou indeterminado ao fim do fluxograma, recomenda-se a quantificação imediata da carga viral.1 Sobre o desfecho, a Caderneta registra: "O Brasil é reconhecido pela OMS, desde 2025, como o maior país do mundo a ter eliminado o risco de transmissão do HIV da gestante para o bebê."10

Depois de uma exposição

Se a preocupação é uma exposição recente, o protocolo brasileiro trata isso como urgência: a profilaxia pós-exposição deve começar o mais cedo possível, com limite de 72 horas, e depois desse prazo não está mais indicada.11 Procure um serviço de saúde — não é uma decisão que se toma sozinho, nem que esta página possa orientar.

O mesmo protocolo define o calendário de exames de quem foi exposto. Para o HIV: teste no atendimento inicial, de novo entre quatro e seis semanas e mais uma vez aos três meses.11 Não há teste de HIV previsto aos seis meses nesse cronograma.

O ponto de esperança, e ele é oficial

O Protocolo Clínico e Diretrizes Terapêuticas para Manejo da Infecção pelo HIV em Adultos (Ministério da Saúde, 2024) traz o conceito com todas as letras, em seção própria — "Indetectável = Intransmissível (I = I)" — e escreve, num destaque: "Pessoas com carga viral indetectável têm risco zero de transmitir o HIV por via sexual."12 O protocolo acrescenta que divulgar esse conceito "é parte essencial do cuidado", porque combate estigma e preconceito.

A base é uma revisão com 7.700 casais sorodiferentes de 25 países, que confirmou risco zero de transmissão sexual com carga viral inferior a 200 cópias/mL.12 O estudo PARTNER, com 782 casais e 76.088 relações sem preservativo registradas, encontrou zero transmissões ligadas geneticamente dentro do casal.13

Perguntas frequentes

Fiz o teste 15 dias depois. Posso confiar? Depende do teste. A janela média de um imunoensaio de 4ª geração é de cerca de 15 dias, e a de um teste rápido com fluido oral pode chegar a três meses.1 Pergunte no serviço qual teste foi usado — e siga a ressalva do laudo, que manda repetir 30 dias depois se a suspeita persistir.

Meu teste rápido deu reagente. Já é diagnóstico? Não. Falta a segunda etapa do fluxograma, com um teste de antígeno diferente, e depois a carga viral.1 Um resultado reagente isolado não fecha nada.

Preciso de pedido médico? O Ministério não condiciona o teste rápido a um pedido médico: tanto o manual quanto a página oficial dizem que qualquer pessoa capacitada pode executá-lo, nos locais listados acima.18 O laudo, porém, é assinado por profissional de nível superior habilitado pelo seu conselho.8

Preciso estar em jejum? Nenhuma norma brasileira que consultamos exige jejum para a sorologia de HIV. Se o mesmo tubo servir para glicemia ou colesterol, o jejum é exigência desses exames.

Um teste rápido serve para bebês? Não até os 18 meses: os anticorpos da mãe atravessam a placenta e podem persistir até essa idade, e o diagnóstico é feito por teste molecular.1

Meu VCM subiu depois de começar o tratamento. É normal? Alguns antirretrovirais, como a zidovudina, elevam o volume corpuscular médio — está documentado no protocolo brasileiro de hematologia e detalhado no guia de VCM alto. Nesses casos o achado é esperado, não é um problema novo.


Este guia é informativo e não substitui uma consulta médica. Um resultado de HIV se lê com o fluxograma completo, o histórico e o profissional que o acompanha — nunca com uma única linha do laudo. Veja também o guia das sorologias infecciosas. Para organizar o restante do seu laudo, comece pelo AI DiagMe.

Fontes

Fontes institucionais brasileiras e publicações científicas (PubMed) utilizadas neste guia:

Footnotes

  1. Ministério da Saúde / SVS — Departamento de Vigilância, Prevenção e Controle das IST, do HIV/Aids e das Hepatites Virais. Manual Técnico para o Diagnóstico da Infecção pelo HIV em Adultos e Crianças, 4ª edição, Brasília – DF, 2018 (148 páginas; PDF de 6.110.929 bytes; 6.354 linhas de texto extraído para stdout). A edição foi lida no próprio documento ("Tiragem: 4ª edição – 2018"), não no nome do arquivo. Versão em vigor verificada na página oficial do Ministério (Manuais técnicos para diagnóstico, gov.br/aids, modificada em 10/07/2026), que continua a indicar a aprovação pela Portaria nº 29/2013 e nenhuma edição posterior. ⚠️ Nota de acesso: o link do próprio Ministério para o manual aponta para saude.rj.gov.br, inacessível deste ambiente (timeout de 76 s), e a cópia em gov.br/aids/…/manual_tecnico_hiv_27_11_2018_web.pdf responde HTTP 401. O PDF foi obtido no espelho do Quali-TR / UFSC, programa de Avaliação Externa da Qualidade mantido em parceria com o DATHI/SVSA/MS (controle negativo no mesmo host: 404 de 27 bytes). Dados citados: janelas médias por geração de imunoensaio (1ª 35–45 dias; 2ª 25–35; 3ª 20–30; 4ª ≈ 15 dias, "dependendo do ensaio utilizado"); janela dos TR com fluido oral de 1 a 3 meses; distinção entre janela imunológica e janela diagnóstica (glossário, p. 136); classificação de Fiebig, Tabela 4 (estágio 0 = eclipse, 10 dias, IC 7–21; cumulativos 10/17/22/25/31/101 dias) — tabela relida com pdftotext -layout na p. 53; seis fluxogramas, com 1, 2 e 3 preferenciais; Fluxograma 3 "é o que permite o diagnóstico mais precoce"; limiar de 5.000 cópias/mL; Tabela 2 (sensibilidade clínica ≥ 99,5%, especificidade ≥ 99,0%); item 4.2.1 (locais recomendados; autoteste e fluido oral como triagem); item 6.1 (falso-reagentes) e 6.2 (falso-não reagentes); item 9 (crianças < 18 meses); item 10.3 (gestantes). PDF (espelho Quali-TR/UFSC) · página oficial 2 3 4 5 6 7 8 9 10 11 12 13 14 15 16 17 18 19 20 21 22 23 24

  2. Ministério da Saúde / Secretaria de Vigilância em Saúde. Portaria nº 29, de 17 de dezembro de 2013 — aprova o Manual Técnico para o Diagnóstico da Infecção pelo HIV em Adultos e Crianças (PDF de 122.162 bytes, 2 páginas, servido por gov.br/aids; texto integral lido). Considerandos: "não existem testes laboratoriais que apresentem 100% de sensibilidade e de especificidade" e ocorrência maior de resultados indeterminados ou falso-positivos "particularmente em gestantes e/ou portadores de algumas enfermidades autoimunes". Art. 2º: amostras de soro, plasma, sangue total, sangue seco em papel filtro ou fluido oral; § 2º veda a mistura de amostras (pool). Art. 4º: exigência de documento oficial no registro e na coleta; parágrafo único: "Fica assegurada a testagem anônima, entretanto o indivíduo deverá ser informado no momento da coleta que não será fornecido resultado por escrito." Art. 6º revoga a Portaria SVS/MS nº 151/2009. PDF (gov.br) 2 3

  3. Fiebig EW, Wright DJ, Rawal BD, Garrett PE, Schumacher RT, Peddada L, Heldebrant C, Smith R, Conrad A, Kleinman SH, Busch MP. Dynamics of HIV viremia and antibody seroconversion in plasma donors: implications for diagnosis and staging of primary HIV infection. AIDS, 2003;17(13):1871-9. Fonte internacional, citada nominalmente pelo manual brasileiro, que reproduz sua classificação. Estudo retrospectivo com 435 amostras de 51 doadores e 145 de outros 44: definição de seis estágios sequenciais; um teste de RNA com sensibilidade de 50 cópias/mL detectaria a infecção cerca de 7 dias antes de um teste de antígeno p24 e 12 dias antes de um teste de anticorpos sensível. Published Erratum procurado via CommentsCorrections/@RefType="ErratumIn" no XML efetch: nenhum (controle positivo do método no PMID 32813765 → errata 33047906, no verde). PubMed · DOI

  4. Hecht FM, Busch MP, Rawal B, Webb M, Rosenberg E, Swanson M, Chesney M, Anderson J, Levy J, Kahn JO. Use of laboratory tests and clinical symptoms for identification of primary HIV infection. AIDS, 2002;16(8):1119-29. Fonte internacional, citada pelo manual brasileiro como origem do limiar de 5.000 cópias/mL. De 258 pessoas rastreadas, 40 tinham infecção primária/recente. Sensibilidade e especificidade na fase pré-soroconversão: antígeno p24 79% e 99%; imunoensaio de 3ª geração 79% e 97%; RNA por PCR 100% e 97%. Os falso-positivos de RNA não eram reprodutíveis e tinham valores < 3.000 cópias/mL; os autores propõem tratar resultados < 5.000 cópias/mL como indeterminados, exigindo testes adicionais. Sem errata registrada. PubMed · DOI

  5. Matsuda EM, Ahagon CM, Coelho LPO, Campos IB, Colpas DR, Campos NC, López-Lopes GIS, Silva VO, de Oliveira IP, Brígido LFM. A simple algorithm for selecting cases to investigate acute and early HIV infections in low- and middle-income countries. J Med Virol, 2022;94(2):791-794 (epub 19/10/2021). Estudo brasileiro (ambulatório de infectologia de Santo André, SP, com o Instituto Adolfo Lutz). Ao longo de dez anos, 119 testes de HIV-RNA realizados entre 2017 e 2020 identificaram 12 casos de infecção aguda ou precoce, com um algoritmo simples: exposição de até seis semanas, e/ou sintomas compatíveis com síndrome retroviral aguda 7 a 30 dias após a exposição, e/ou sorologia ou teste rápido de 3ª geração indeterminado. O rendimento variou de 2,4% entre assintomáticos a 25% nos casos de sorologia indeterminada. Sem errata registrada. PubMed · DOI

  6. Ferreira Junior OC, Ferreira C, Riedel M, Widolin MR, Barbosa-Júnior A. Evaluation of rapid tests for anti-HIV detection in Brazil. AIDS, 2005;19 Suppl 4:S70-5. Estudo brasileiro, citado pelo manual do Ministério. Sete testes rápidos comerciais avaliados contra o padrão-ouro brasileiro (dois imunoensaios mais western blot), com amostras de sangue total de 400 pessoas em centros de testagem e aconselhamento, 500 em pré-natal e 200 controles: sensibilidade clínica de 97,74% a 100% e especificidade clínica de 99,43% a 100%; apenas quatro dos sete foram considerados aceitáveis após a avaliação completa. Sem errata registrada. PubMed · DOI

  7. da Motta LR, Vanni AC, Kato SK, Borges LG, Sperhacke RD, Ribeiro RMM, Inocêncio LA. Evaluation of five simple rapid HIV assays for potential use in the Brazilian national HIV testing algorithm. J Virol Methods, 2013;194(1-2):132-7. Estudo multicêntrico brasileiro (cinco centros, cinco regiões), citado pelo manual. 972 amostras de sangue total (143 reagentes, 829 não reagentes) comparadas ao algoritmo nacional então vigente: sensibilidade de 99,3% a 100% e especificidade de 100% nos cinco testes, mas apenas três cumpriram todos os pré-requisitos do Departamento (Bioeasy HIV-1/2 3.0, Rapid Check HIV 1 & 2 e VIKIA HIV-1/2). Sem errata registrada. PubMed · DOI

  8. Ministério da Saúde — gov.br/aids, página Testes rápidos (publicada em 24/10/2022, modificada em 10/08/2026; HTTP 200, 359.568 bytes; controle negativo em caminho irmão: 404 de 150.642 bytes em text/html). "Testes rápidos imunocromatográficos são aqueles cuja execução, leitura e interpretação dos resultados são feitas em, no máximo, 30 minutos"; "Podem ser feitos com amostra de sangue total obtida por punção venosa ou da polpa digital, ou com amostras de fluido oral"; "a emissão do laudo e a supervisão da equipe são de responsabilidade dos profissionais de saúde de nível superior habilitados pelos seus respectivos conselhos regionais". gov.br/aids 2 3

  9. Ministério da Saúde / DATASUS — SIGTAP, tabela de procedimentos do SUS, arquivo tb_procedimento (1.697.774 bytes, 5.023 linhas), competência 202608 em todas as linhas. Leitura direta por colunas fixas com decodificação latin-1; analisador validado contra valores já publicados (hemograma completo 0202020380 = R$ 4,11; ferritina 0202010384 = R$ 15,59), ambos reencontrados exatamente. Códigos citados: pesquisa laboratorial de antígenos de HIV e/ou anticorpos anti-HIV-1 ou anti-HIV-2 para população geral 0202031500 (R$ 10,00); teste rápido anti-HIV para população geral 0214010058 (SH R$ 1,00 + SA R$ 1,00); contagem de linfócitos CD4/CD8 0202030024 (R$ 15,00); contagem de linfócitos T totais 0202030032 (R$ 15,00); western blot/imunoblot anti-HIV-1 0202030296 (R$ 85,00); detecção de ácidos nucleicos do HIV-1 (qualitativo) 0202030040 (R$ 65,00). Demonstração por enumeração: "AUTOTESTE", "AUTO-TESTE" e "FLUIDO ORAL" rendem 0 ocorrência nas 5.023 linhas, com controle positivo forte no mesmo arquivo — a expressão "TESTE RÁPIDO" existe 23 vezes (inclusive para HIV, sífilis e hepatites), de modo que o vocabulário está na tabela, apenas nunca aplicado ao autoteste nem ao fluido oral; dobra de acentos medida ativa (2.483 das 5.023 linhas contêm acentos) e controle negativo (código inventado 0299999999) igual a zero. ⚠️ Uma presença no SIGTAP estabelece a cobertura, nunca a recomendação: as condutas desta página vêm dos textos clínicos citados acima. sigtap.datasus.gov.br

  10. Ministério da Saúde / Secretaria de Atenção Primária à Saúde. Caderneta Brasileira da Gestante, Brasília – DF, 2026 (PDF de 9.439.119 bytes, criado em 10/06/2026, servido por gov.br/saude em application/pdf; controle negativo no mesmo diretório: 404 de 26 bytes em application/json). ⚠️ O caminho …/composicao/saps/publicacoes/cadernetas-e-cartoes/caderneta-brasileira-da-gestante.pdf, listado pela própria página do Ministério, responde 404 — o arquivo está sob …/assuntos/saude-de-a-a-z/s/saude-da-mulher/publicacoes/. Quadro de exames de rotina: "Teste rápido para HIV ou exame Anti-HIV tipos I e II" na primeira consulta de pré-natal, no 3º trimestre e "no parto ou pós-parto imediato". Demonstração por enumeração: a raiz "obrigat" aparece uma única vez em todo o documento (6.394 linhas de texto extraído) e refere-se ao registro do quesito raça/cor — a Caderneta não qualifica o teste de HIV como obrigatório. Citação sobre transmissão vertical relida com pdftotext -layout na p. 42. PDF (gov.br) 2

  11. Ministério da Saúde / DATHI-SVSA. Protocolo Clínico e Diretrizes Terapêuticas para Profilaxia Pós-Exposição de Risco (PEP) à Infecção pelo HIV, ISTs e Hepatites Virais (PDF de 1.136.620 bytes, servido por gov.br/aids). "O primeiro atendimento após a exposição de risco ao HIV é uma urgência. A PEP deve ser iniciada o mais precocemente possível, tendo como limite as 72 horas subsequentes à exposição de risco"; "Nos casos em que o atendimento ocorrer após 72 horas da exposição, não está mais indicada a PEP". Apêndice B – Cronograma de exames laboratoriais (p. 78, relido com pdftotext -layout para evitar erro de leitura de tabela): para a pessoa exposta, teste de HIV no atendimento inicial, em 4 a 6 semanas e aos 3 meses; NA aos 6 meses. PDF (gov.br) 2

  12. Ministério da Saúde / DATHI-SVSA. Protocolo Clínico e Diretrizes Terapêuticas para Manejo da Infecção pelo HIV em Adultos — Módulo I: Tratamento, Brasília, 2024 (PDF de 2.178.744 bytes, 116 páginas, servido por gov.br/aids em application/pdf). Seção 4.1 "Tarv como prevenção": título em destaque "INDETECTÁVEL = INTRANSMISSÍVEL (I = I)"; a lista de siglas registra "I = I Indetectável = Intransmissível". Texto citado: "Pessoas com carga viral indetectável têm risco zero de transmitir o HIV por via sexual"; "O esclarecimento e a divulgação do conceito 'Indetectável = Intransmissível' (I = I) é parte essencial do cuidado às pessoas vivendo com HIV ou aids. Essa definição combate estigma e preconceito, afirma os direitos sexuais e reprodutivos e melhora a qualidade de vida"; revisão sistemática com 7.700 casais sorodiferentes de 25 países, risco zero abaixo de 200 cópias/mL. PDF (gov.br) 2

  13. Rodger AJ, Cambiano V, Bruun T, Vernazza P, Collins S, Degen O, et al. Risk of HIV transmission through condomless sex in serodifferent gay couples with the HIV-positive partner taking suppressive antiretroviral therapy (PARTNER): final results of a multicentre, prospective, observational study. Lancet, 2019;393(10189):2428-2438. Fonte internacional, coerente com a revisão citada pelo PCDT brasileiro. 972 casais recrutados em 75 centros de 14 países europeus; 782 casais contribuíram com 1.593 casal-anos elegíveis e 76.088 relações sem preservativo registradas. Ocorreram 15 novas infecções no período, mas nenhuma era filogeneticamente ligada ao parceiro do casal: taxa de transmissão zero (limite superior do IC 95%: 0,23 por 100 casal-anos). Sem errata registrada. PubMed · DOI

Aviso médico. Este guia tem finalidade informativa e educativa; não constitui aconselhamento médico e não substitui uma consulta. Os valores de referência variam conforme o laboratório e a técnica: só o seu médico pode interpretar os seus resultados no seu contexto.