Anti-TPO positivo: o que esse resultado significa
Anti-TPO positivo não é diagnóstico de doença: entre os brasileiros do ELSA-Brasil com o anticorpo, quase 6 em cada 10 tinham a tireoide normal.
O anti-TPO é o anticorpo contra a tireoperoxidase, a enzima que a sua tireoide usa para fabricar hormônio. No laudo ele aparece como anti-TPO, anticorpos antitireoperoxidase, aTPO, ATPO ou, em pedidos antigos, antimicrossomal. Este guia trata da confusão que assusta muita gente: um anti-TPO positivo não é, sozinho, o diagnóstico de uma doença. Ele é frequente em pessoas com a tireoide funcionando perfeitamente — e existe número brasileiro para isso.
Em resumo
- O anti-TPO é um autoanticorpo: marca de autoimunidade tireoidiana, não medida de função. Quem mede função é o TSH, acompanhado do T4 livre.
- No ELSA-Brasil, com 13.503 participantes, a prevalência de anti-TPO positivo foi de 12%. Entre os que tinham a tireoide normal, 8,2% eram positivos.1
- O número que desarma o susto: entre os brasileiros com anti-TPO positivo, 57,9% estavam eutireóideos — função tireoidiana normal.1
- O anticorpo fica mais frequente conforme a função piora: 27% no hipotireoidismo subclínico e 45,6% no hipotireoidismo franco.1
- Para a SBEM, o exame serve para duas coisas: identificar a causa autoimune de um hipotireoidismo subclínico e prever o risco de progressão para o hipotireoidismo franco.2
- A SBEM também define a ordem: o anticorpo é dosado depois que a disfunção foi confirmada, não antes.3
- Na gestação, o documento FEBRASGO/SBEM de 2022 diz em quadro explícito quando não solicitar o anti-TPO — na maior parte das faixas de TSH, "o resultado não modificará a conduta".4
- Anti-TPO, antitireoglobulina e TRAb são três exames diferentes. Só o TRAb acompanha a atividade da doença de Graves.5
- ⚠️ Biotina. A vitamina dos suplementos de cabelo e unha falseia imunoensaios. A SBPC/ML diverge de si mesma sobre o prazo de suspensão: 2 a 3 dias num capítulo, cerca de 48 horas em outro.5
- No SUS o exame existe, sob o nome antigo de antimicrossomas (02.02.03.055-5): R$ 17,16, quase o dobro do TSH.67
O que o anti-TPO mede
A tireoperoxidase (TPO) é a enzima que junta iodo à tireoglobulina para montar os hormônios T4 e T3 dentro da glândula. Em algumas pessoas, o sistema imune passa a produzir anticorpos contra ela. É isso que o exame detecta: anticorpos do seu sangue que reconhecem a sua própria tireoperoxidase.
Repare no que ele não faz. Não diz se a tireoide produz pouco ou muito hormônio. Não substitui o TSH. Não mede gravidade. Ele responde a uma pergunta só: existe autoimunidade contra a tireoide?
Vale notar como o principal manual de medicina laboratorial do país arruma isso. O capítulo da SBPC/ML sobre a tireoide percorre TSH, T4 livre, T4 total e T3 — e não inclui o anti-TPO, que aparece no capítulo de doenças autoimunes endócrinas. O algoritmo de função começa e muitas vezes termina no TSH: "TSH normal: nenhum teste adicional é necessário".5
Positivo não quer dizer doente
O ponto central desta página, com número brasileiro.
O ELSA-Brasil dosou o anti-TPO por eletroquimioluminescência em 13.503 servidores públicos, com positivo ≥ 34 UI/mL. A prevalência geral foi de 12%, e 69% dos positivos eram mulheres. O que surpreende é a distribuição por função tireoidiana.1
| Situação da tireoide | Anti-TPO positivo |
|---|---|
| Função normal (eutireoidismo) | 8,2% |
| Hipotireoidismo subclínico | 27% |
| Hipotireoidismo franco | 45,6% |
| Hipertireoidismo (subclínico + franco) | 20% |
E o número que mais importa para quem acabou de receber um laudo positivo: entre as pessoas com anti-TPO positivo, 57,9% tinham a tireoide funcionando normalmente. Quase seis em cada dez.1
Isso não torna o resultado irrelevante. Torna-o não diagnóstico. Anti-TPO positivo com TSH e T4 livre normais descreve um estado comum: autoimunidade presente, glândula funcionando.
O ritmo em que a autoimunidade aparece também foi medido no Brasil. Entre 8.922 eutireóideos negativos no início, apenas 130 ficaram positivos em quatro anos: 0,38% ao ano e 1,46% acumulados (0,43%/ano em mulheres, 0,32%/ano em homens).8
Então para que serve o exame?
Para duas coisas, e as fontes brasileiras são explícitas sobre ambas.
Explicar a causa. Diante de um TSH alterado, o anti-TPO diz se por trás existe uma tireoidite autoimune — a tireoidite de Hashimoto, para a qual a SBPC/ML atribui ao anticorpo sensibilidade de 90%. O consenso da SBEM sobre hipotireoidismo subclínico coloca isso na Recomendação 9: a dosagem de anti-TPO e a ultrassonografia "podem ser úteis na determinação da etiologia" do quadro.52
Estimar o risco de progressão. A mesma Recomendação 9 acrescenta a "predição do risco de progressão ao hipotireoidismo manifesto", citando um estudo brasileiro em que anti-TPO e achados ultrassonográficos de tireoidite se associaram a maior risco de evolução. A Recomendação 19 tira a consequência: em hipotireoidismo subclínico persistente com TSH abaixo de 10 mU/L, o tratamento pode ser considerado em mulheres com anti-TPO positivo e TSH em elevação progressiva.2
A ordem dos exames vem do posicionamento da SBEM de 2022: uma vez confirmado o diagnóstico de disfunção tireoidiana, o anti-TPO deve ser dosado para investigar tireoidite autoimune. Primeiro a função, depois a causa.3
Anti-TPO, antitireoglobulina e TRAb
São três exames diferentes, e o laudo raramente explica a diferença. A tabela resume o que cada um sinaliza, com as sensibilidades publicadas pela SBPC/ML.5
| Anticorpo | O que sinaliza | Sensibilidade |
|---|---|---|
| Anti-TPO | Tireoidite autoimune; marcador diagnóstico e prognóstico | Hashimoto 90%; Graves 80% |
| Antitireoglobulina (anti-Tg) | Autoimunidade tireoidiana, menos específico | Hashimoto 60 a 80%; Graves 25% |
| TRAb | Doença de Graves; correlaciona-se com a atividade da doença | Graves > 95% |
Duas observações da própria SBPC/ML. A antitireoglobulina "também ocorre em normais", além de câncer diferenciado de tireoide, anemia perniciosa, doença de Addison, diabetes tipo 1 e síndrome de Sjögren — por isso raramente decide algo sozinha. E, entre os três, só o TRAb acompanha a atividade da doença.5
O que "positivo" quer dizer no seu laudo
Não existe valor único. O corte depende do ensaio, e a unidade habitual é UI/mL. O ELSA-Brasil adotou ≥ 34 UI/mL; outros métodos usam cortes bem diferentes. A FEBRASGO define o positivo simplesmente como o valor acima do limite superior da referência informado pelo laboratório.14
Três consequências. Vale o intervalo impresso no seu laudo. Comparar títulos de laboratórios diferentes não faz sentido — "1.000 UI/mL" num método não é o dobro de "500 UI/mL" em outro. E o título não mede gravidade: nas recomendações brasileiras o anti-TPO entra como positivo ou negativo, não como escala. Em dúvida com algum termo, veja o glossário de exames de sangue.
Precisa repetir o anti-TPO?
Nos documentos brasileiros lidos para esta página, o exame que se repete é o TSH — não o anticorpo. A SBEM manda repetir o TSH em três meses para confirmar um hipotireoidismo subclínico persistente, porque boa parte dos TSH elevados normaliza sozinha. O anti-TPO é exame de etiologia e prognóstico, feito quando a dúvida se coloca.23
Ou seja: se ele já veio positivo, redosá-lo de rotina não muda a conduta descrita pela SBEM — o que muda é o acompanhamento do TSH, cuja frequência quem define é o seu médico.
Biotina e outras interferências
A biotina (vitamina B7) é vendida no Brasil em doses altas para cabelo e unha. A SBPC/ML é direta: ela integra o sistema biotina-estreptavidina de mais de 50% dos imunoensaios comerciais, e a biotina ingerida compete com a do reagente. O sentido do erro depende do formato do teste: em ensaios competitivos sai falsamente alto; nos imunométricos, do tipo sanduíche, falsamente baixo. A ingestão alimentar é de cerca de 300 mcg/dia; os suplementos trazem 3 a 10 mg.5
⚠️ O manual diverge de si mesmo sobre o prazo. O capítulo da tireoide manda suspender a vitamina 2 a 3 dias antes da coleta; o de avaliação hormonal da mulher, no mesmo livro, fala em cerca de 48 horas. Os dois, lado a lado: na dúvida, o prazo mais longo.5
E o anti-TPO especificamente? Aqui é preciso ser honesto: a SBPC/ML descreve o mecanismo para T4, T3 e TSH, e não nomeia o anti-TPO. Como o sentido do erro depende do formato do ensaio, não dá para deduzir o que acontece com o anticorpo sem saber qual método o laboratório usa. Existe, porém, relato publicado de um caso em que anti-TPO e antitireoglobulina vieram falsamente alterados junto com T4 livre e TSH sob biotina, normalizando após a suspensão — literatura internacional, citada aqui como complemento, por não termos encontrado dado brasileiro específico.9
Outras duas interferências que a SBPC/ML documenta: autoanticorpos anti-T4/anti-T3, em 1,8% da população e mais frequentes em quem tem doença tireoidiana autoimune, e o macro-TSH, em 0,6 a 1,6%, que eleva falsamente o TSH.5
Gravidez: a única faixa em que ele muda a conduta
O documento que vale hoje no Brasil é o FEBRASGO Position Statement nº 10, de outubro de 2022, referendado pelo Departamento de Tireoide da SBEM. Ele é notável porque diz, em quadro, exatamente quando pedir e quando não pedir o anti-TPO.4
O rastreio é do TSH, não do anticorpo: universal onde há condições plenas, restrito a fatores de risco onde não há — e "positividade prévia para o ATPO" é um desses fatores. O corte diagnóstico é TSH > 4,0 mUI/L. Daí em diante:4
| TSH na gestante | Conduta quanto ao anti-TPO |
|---|---|
| ≤ 2,5 mUI/L | Não solicitar — "o resultado não modificará a conduta" |
| > 2,5 e ≤ 4,0 mUI/L | Solicitar. Se positivo, levotiroxina 50 mcg/dia |
| > 4,0 e ≤ 10,0 mUI/L | Não solicitar — a conduta no subclínico independe do anti-TPO |
| > 10,0 mUI/L | Não solicitar — trata-se de imediato |
Numa janela estreita de TSH o anticorpo decide um tratamento; fora dela, não muda nada. É a formulação brasileira mais clara do que este exame faz e do que não faz.
Três acréscimos do mesmo documento. Em 85% a 90% das tireoidites de Hashimoto há anticorpos antitireoidianos circulantes, o mais comum o anti-TPO. Mulheres com anti-TPO circulante, mesmo em eutireoidismo, têm risco aumentado de desfechos materno-fetais adversos — razão para quem já se sabe positiva conversar sobre isso antes de engravidar. E, no puerpério, a positividade aumenta o risco de tireoidite pós-parto.4
Onde as fontes brasileiras divergem
A Revista Brasileira de Ginecologia e Obstetrícia (RBGO), da FEBRASGO, hospeda as duas leituras.
- Em 2020, uma revisão narrativa afirma que "não se provou até o presente" que TSH alto e/ou positividade para anticorpos antitireoidianos estejam associados a redução de fertilidade, sobretudo com tiroxina normal.10
- Em 2025, uma metanálise de 8 ensaios randomizados (1.645 gestantes eutireóideas com anti-TPO positivo) encontrou redução do risco de aborto com levotiroxina (RR 0,78; IC95% 0,63–0,98), sem diferença em parto prematuro ou nascido vivo no conjunto — com benefício em nascido vivo restrito ao subgrupo com perda gestacional de repetição (RR 1,21).11
As duas coisas convivem: o anticorpo não é obstáculo comprovado à fertilidade, e ainda assim há sinal de benefício num subgrupo específico. Nada disso se decide sozinho — a conduta é do pré-natal. As réguas de TSH da gestação estão na página do TSH.
Iodo e autoimunidade no Brasil
Existe a suspeita, escrita nos próprios artigos do ELSA-Brasil, de que a ingestão de iodo no país seja alta — o que teoricamente aumentaria a autoimunidade tireoidiana. Os dados medidos não confirmam esse temor: prevalência e incidência de anti-TPO no Brasil são compatíveis com as de países de ingestão adequada de iodo.18
O anti-TPO no SUS
O SUS cobre o exame — sob o nome antigo, e é por isso que ele parece não existir: na tabela oficial, "tireoperoxidase", "peroxidase" e "TPO" não aparecem em procedimento nenhum. Ele está lá como pesquisa de anticorpos antimicrossomas — e não é outro exame: o antígeno microssomal da tireoide é a própria tireoperoxidase, identidade descrita desde 1985. Daí o nome nos pedidos antigos.67
| Código SIGTAP | Nome na tabela do SUS | Valor |
|---|---|---|
| 02.02.03.055-5 | Pesquisa de anticorpos antimicrossomas (anti-TPO) | R$ 17,16 |
| 02.02.03.062-8 | Pesquisa de anticorpos antitireoglobulina | R$ 17,16 |
| 02.02.06.025-0 | Dosagem de hormônio tireoestimulante (TSH) | R$ 8,96 |
| 02.02.06.038-1 | Dosagem de tiroxina livre (T4 livre) | R$ 11,60 |
Repare no preço: R$ 17,16 contra R$ 8,96 do TSH. O anticorpo custa quase o dobro do exame que de fato mede a função — mais um motivo para a ordem da SBEM: primeiro a função, depois a causa.6
A coleta é simples: sangue venoso, junto com TSH e T4 livre. Nenhum documento brasileiro consultado aqui exige jejum para o anticorpo — mas, se o pedido traz glicemia ou lipidograma junto, siga a orientação do laboratório. Para o setor privado, veja quanto custa um exame de sangue.
Perguntas frequentes
Anti-TPO positivo significa que eu tenho Hashimoto? Não por si só. Entre os brasileiros positivos no ELSA-Brasil, 57,9% tinham função tireoidiana normal. O diagnóstico depende do TSH, do T4 livre, do exame clínico e, às vezes, da ultrassonografia.1
Meu anti-TPO está muito alto. É pior? As recomendações brasileiras usam o anti-TPO como positivo ou negativo, não como escala. Títulos de métodos diferentes não são comparáveis.24
Anti-TPO negativo exclui doença da tireoide? Não. Ele é negativo em cerca de 10% dos casos de Hashimoto, pela sensibilidade citada pela SBPC/ML — e há doenças tireoidianas que não são autoimunes.5
Preciso fazer outros exames? Quem responde é o seu médico. Doenças autoimunes andam em grupo, e por isso é comum o pedido trazer hemograma completo, hemoglobina, VCM ou hemoglobina glicada junto.
Existe dieta ou suplemento que baixe o anti-TPO? Nenhuma fonte brasileira consultada aqui recomenda isso. Atenção ao caminho inverso: a biotina, muito vendida, pode falsear exames de tireoide.5
👉 A AI DiagMe interpreta seus exames — de sangue, urina ou fezes — levando em conta todo o seu contexto, em linguagem clara. É um serviço informativo que não faz diagnóstico e complementa, sem substituir, a avaliação do seu médico.
Guarde três ideias. Positivo não é doente: no maior estudo brasileiro, quase 6 em cada 10 portadores do anticorpo tinham a tireoide normal. O anti-TPO explica e prevê, não mede — quem mede função é o TSH, que é também o exame que se repete. Nenhum valor isolado fecha um diagnóstico: conta o conjunto do seu laudo e do seu contexto, o que a AI DiagMe ajuda a organizar, em complemento ao seu médico.
Fontes
Footnotes
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Benseñor IM, Goulart AC, Molina MDCB, et al. Prevalence of antithyroperoxidase antibodies in a multiethnic Brazilian population: The ELSA-Brasil Study. Arch Endocrinol Metab (revista da SBEM), 2019;63(4):351-357. 13.503 participantes; anti-TPO por eletroquimioluminescência, positivo ≥ 34 UI/mL; prevalência global 12%, 69% mulheres; 8,2% entre eutireóideos, 27% no hipotireoidismo subclínico, 45,6% no franco, 20% no hipertireoidismo; na Tabela 1, 941 dos positivos (57,9%) eram eutireóideos. PubMed · DOI ↩ ↩2 ↩3 ↩4 ↩5 ↩6 ↩7 ↩8
-
Sgarbi JA, Teixeira PFS, Maciel LMZ, et al. — Departamento de Tireoide da Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia (SBEM). Consenso brasileiro para a abordagem clínica e tratamento do hipotireoidismo subclínico em adultos. Arq Bras Endocrinol Metabol, 2013;57(3):166-183. Recomendação 5 (repetir o TSH em três meses), Recomendação 9 (anti-TPO e ultrassom úteis na etiologia e na predição de progressão) e Recomendação 19 (tratamento pode ser considerado com anti-TPO positivo e TSH < 10 mU/L). ⚠️ A parte deste consenso sobre gestação foi superada pelo documento conjunto FEBRASGO/SBEM de 2022 citado abaixo. PubMed · DOI ↩ ↩2 ↩3 ↩4 ↩5
-
Mazeto GMFS, Sgarbi JA, Ramos HE, et al. — Departamento de Tireoide da SBEM. Approach to adult patients with primary hypothyroidism in some special situations: a position statement from the Thyroid Department of the Brazilian Society of Endocrinology and Metabolism (SBEM). Arch Endocrinol Metab, 2022;66(6):871-882. "Once the diagnosis of thyroid dysfunction is confirmed, thyroid peroxidase antibody (TPOAb), a marker of autoimmunity, should be measured to investigate the occurrence of autoimmune thyroiditis." PubMed · DOI ↩ ↩2 ↩3
-
Solha ST, Mattar R, Teixeira PF, Chiamolera MI, Maganha CA, Zaconeta AC, et al. — FEBRASGO, Comissão Nacional Especializada em Gestação de Alto Risco, com referendo do Departamento de Tireoide da SBEM. Rastreio, diagnóstico e manejo do hipotireoidismo na gestação. FEBRASGO Position Statement nº 10, outubro de 2022. Femina 2022;50(10):607-17. Rastreio universal de TSH onde há condições plenas; corte diagnóstico TSH > 4,0 mUI/L; Quadro 2 e Figura 3 com a conduta quanto ao ATPO por faixa de TSH ("não solicitar — resultado não modificará a conduta", exceto na faixa > 2,5 e ≤ 4,0 mUI/L, em que ATPO positivo indica levotiroxina 50 mcg/dia); anticorpos antitireoidianos em 85% a 90% das tireoidites de Hashimoto; risco aumentado de tireoidite pós-parto com ATPO positivo. ⚠️ As páginas
/protocolos-assistenciais/defebrasgo.org.brentregam apenas a casca do site (3.379 caracteres de menu, sem o texto), e os caminhos de PDF nesse domínio devolvem um 404 de 71.192 bytes idêntico ao de um endereço inventado: o documento verificado aqui é o PDF de 468.869 bytes hospedado na BVS. PDF ↩ ↩2 ↩3 ↩4 ↩5 ↩6 -
Sociedade Brasileira de Patologia Clínica/Medicina Laboratorial (SBPC/ML) — Recomendações da SBPC/ML: boas práticas em laboratório clínico. Barueri: Manole. Capítulo 47, "Avaliação laboratorial da tireoide: atualização" (algoritmo do TSH — "TSH normal: nenhum teste adicional é necessário"; biotina em mais de 50% dos imunoensaios comerciais, sentido do erro por formato de ensaio e suspensão 2 a 3 dias antes da coleta; autoanticorpos anti-T4/anti-T3 em 1,8% da população; macro-TSH em 0,6 a 1,6%); capítulo 48, "Avaliação hormonal da mulher em idade reprodutiva" (ingestão diária de cerca de 300 mcg, megadoses de 3 a 10 mg, interferência "particularmente marcante em ensaios de hormônios tireoidianos" e suspensão de cerca de 48 horas — divergência interna ao próprio manual); e capítulo sobre autoanticorpos, Tabela 3 – Autoanticorpos nas enfermidades autoimunes endócrinas (TPO: Hashimoto 90%, Graves 80%, "marcador diagnóstico e prognóstico"; tireoglobulina: 60 a 80% e 25%, "também ocorre em normais…"; TRAb: Graves > 95%, "correlação com atividade da doença"). ⚠️ Verificação feita no texto integral do PDF de 16.055.655 bytes: o capítulo 47, dedicado à tireoide, não menciona o anti-TPO — ele é tratado no capítulo de autoimunidade. PDF ↩ ↩2 ↩3 ↩4 ↩5 ↩6 ↩7 ↩8 ↩9 ↩10 ↩11
-
Ministério da Saúde / DATASUS — SIGTAP: Tabela de Procedimentos, Medicamentos e OPM do SUS, arquivo oficial da competência 202608. Leitura direta de
tb_procedimento.txt(5.023 registros, ISO-8859-1, colunas de largura fixa segundotb_procedimento_layout.txt: código 1-10, nome 11-260, VL_SA 295-306). Controle positivo: "CREATININA" devolve 3 ocorrências no mesmo arquivo, com o mesmo comando. Registros lidos: 0202030555 PESQUISA DE ANTICORPOS ANTIMICROSSOMAS, VL_SA 000000001716 → R$ 17,16; 0202030628 antitireoglobulina R$ 17,16; 0202060250 TSH R$ 8,96; 0202060381 tiroxina livre R$ 11,60; 0202060373 tiroxina (T4) R$ 8,76; 0202060365 tireoglobulina R$ 15,35. Busca pelas raízes curtas "PEROXIDASE" e "TPO": zero ocorrências — a tabela do SUS não usa a palavra tireoperoxidase. ⚠️ Correção registrada: uma primeira verificação, feita pela busca de tela da aplicação web, concluiu erradamente que o exame não constava; o termo procurado era "MICROSSOMAL" e a tabela escreve "MICROSSOMAS". Um controle positivo valida o comando, não a grafia do termo procurado. Página oficial (DATASUS) ↩ ↩2 ↩3 -
Portmann L, Hamada N, Heinrich G, DeGroot LJ. Anti-thyroid peroxidase antibody in patients with autoimmune thyroid disease: possible identity with anti-microsomal antibody. J Clin Endocrinol Metab, 1985;61(5):1001-3. Trabalho histórico que descreve a identidade entre o anticorpo antimicrossomal e o antitireoperoxidase — o que explica o nome ainda usado na tabela do SUS. Fonte internacional, citada como complemento por não termos encontrado documento brasileiro que faça a equivalência de forma explícita. PubMed · DOI ↩ ↩2
-
Bensenor IM, Santos IS, Goulart AC, et al. Incidence of TPOAb over a 4-year follow-up period: results from the Brazilian Longitudinal Study of Adult Health (ELSA-Brasil). Arch Endocrinol Metab, 2021;65(6):832-840. 8.922 eutireóideos negativos no início; 130 casos incidentes; 0,38%/ano e 1,46% em 4 anos; conclusão explícita de compatibilidade com país de ingestão adequada de iodo. PubMed · DOI ↩ ↩2
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Demiral M, Kiraz ZK, Alataş IO, Cetin N, Kirel B. Pseudo-hyperthyroidism: Biotin interference in a case with renal failure. Acta Endocrinol (Buchar), 2021;17(3):319-322. Relato de caso — T4 livre, T3 livre, anti-TPO e antitireoglobulina falsamente elevados e TSH falsamente baixo sob biotina, com normalização 12 dias após a suspensão. Fonte internacional, citada como complemento por não haver dado brasileiro específico sobre o anti-TPO. PubMed · DOI ↩
-
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Provinciatto H, Barbalho ME, da Câmara PM, Bertani MS, Marinho AD. Levothyroxine in euthyroid pregnant women with thyroid peroxidase antibody: a systematic review and meta-analysis of randomized controlled trials. Rev Bras Ginecol Obstet, 2025;47. Oito ensaios randomizados, 1.645 gestantes; aborto RR 0,78 (IC95% 0,63–0,98); parto prematuro RR 0,78 (0,55–1,13); nascido vivo RR 1,05 (0,99–1,12); subgrupo com perda gestacional de repetição RR 1,21 (1,03–1,42). PubMed · DOI ↩