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Tiamina (vitamina B1): exame de sangue e valores

A dosagem de tiamina não existe no SUS nem no Rol da ANS, e o beribéri se diagnostica pela clínica. O que os três métodos medem, e o que o Brasil mede.

Publicado em 9 de setembro de 202612 min de leituraEscrito pela Equipe Blood Analysis · Revisado e verificado por Julien Priour

A tiamina, ou vitamina B1, é uma das poucas vitaminas cuja falta tem nome próprio: beribéri. Esta página é sobre o exame de sangue — não sobre suplementos. E ela começa por um fato incômodo, escrito pelo próprio Ministério da Saúde: o diagnóstico não se faz pelo laudo. A B1 integra o perfil vitamínico, ao lado da vitamina B12, do ácido fólico e da vitamina D.

Em resumo

  • 🔴 A dosagem de tiamina não tem código no SUS nem no Rol da ANS. Verificamos as duas tabelas linha a linha, com controles positivos fortes: no mesmo arquivo estão vitamina A, C, D, E, B12, folato e zinco.12
  • O Ministério da Saúde escreve, desde 2012, que os exames de tiamina são "não disponíveis no Sistema Único de Saúde" e que "o diagnóstico do beribéri é fundamentalmente clínico, não sendo necessário realizar a confirmação laboratorial, na maioria dos casos".3
  • Existem três métodos, e eles não medem a mesma coisa: tiamina sérica, excreção urinária e atividade da transcetolase eritrocitária. Todos "sofrem influência da tiamina ingerida na dieta e podem encontrar-se alterados em indivíduos assintomáticos".3
  • Dado nacional inédito: o ENANI-2019 dosou a B1 (como tiamina pirofosfato) em 8 328 crianças — mediana 165,8 nmol/L — mas não publicou prevalência de deficiência, ao contrário do que fez para A, B12, folato e zinco.4
  • O Brasil teve surtos reais: 1 207 casos e 40 óbitos notificados no Maranhão entre 2006 e 2008.5
  • A ANVISA recusou isentar de prescrição o comprimido de tiamina 300 mg — justamente porque o quadro exige avaliação médica.6

O que a tiamina faz, e por que ela falta

A tiamina é o cofator de reações centrais do metabolismo energético. Faltando, "pode ocorrer diminuição na formação da acetilcolina e comprometimento da função neural e cardiovascular", com manifestações que vão de fraqueza nos membros inferiores, parestesias e anorexia até neuropatia periférica e insuficiência cardíaca com edema.3

O organismo estoca pouco: a carência leva dois a três meses para dar sinais.7 A necessidade diária, segundo o Ministério, é de 1,1 mg para adolescentes e adultas e 1,2 mg para adolescentes e adultos do sexo masculino; 1,4 mg para gestantes e 1,5 mg para nutrizes.3

O quadro tem duas faces clássicas. O beribéri seco é neurológico — polineuropatia sensitivo-motora simétrica, distal. O úmido é cardíaco, com edema e aumento da área cardíaca na radiografia. A forma fulminante, o beribéri shoshin, associa choque e acidose lática. E há a encefalopatia de Wernicke, com confusão mental, oftalmoplegia, nistagmo e ataxia, observada "principalmente em alcoolistas"; quando se soma a amnésia com confabulação, chama-se síndrome de Wernicke-Korsakoff.3

Uma advertência do guia é uma armadilha de pronto-socorro: "Em alcoolistas, a encefalopatia de Wernicke é frequentemente precipitada ao se infundir glicose sem administração prévia de tiamina".3 Outra desfaz um preconceito: "O beribéri, apesar de ser causado por déficit nutricional, não está relacionado necessariamente ao status antropométrico. Pessoas com sobrepeso ou obesidade podem apresentar beribéri".3

O ponto central: o exame não decide

Esta é a informação mais útil desta página. O Ministério da Saúde é explícito: pode-se "iniciar o tratamento com tiamina frente a todo caso suspeito, sendo que a regressão do quadro clínico confirma o diagnóstico (prova terapêutica)".3 O exame não é o árbitro — a resposta ao tratamento é.

A literatura internacional chegou ao mesmo lugar por outro caminho. O protocolo de referência do ensaio de transcetolase eritrocitária, publicado em 2021, reconhece que o método é usado há mais de 50 anos e é sensível e específico, mas que "falta consenso sobre os pontos de corte para deficiência, em parte por falta de harmonização do ensaio".8 E um estudo prospectivo de 2024, com 287 crianças hospitalizadas e 228 da comunidade, comparou tiamina difosfato, transcetolase e tiamina do leite materno contra a resposta clínica ao tratamento: os marcadores diferiam entre os grupos, mas as distribuições se sobrepunham a ponto de nenhum deles identificar de forma confiável a criança individual que responderia à tiamina.9

Traduzindo para o seu laudo: mesmo onde o exame existe, ele descreve populações melhor do que pessoas.

Os três métodos — e o que cada um mede

O guia do Ministério lista as três vias de confirmação laboratorial:3

MétodoO que mede
Tiamina séricaA tiamina circulante livre — a fração menor e mais volátil
Excreção urinária de tiaminaO que está sendo eliminado, muito ligado à ingestão recente
Transcetolase eritrocitária estimulada com pirofosfato de tiaminaA função da enzima dentro da hemácia

Por que o terceiro é o mais informativo está no próprio texto: os eritrócitos "sofrem depleção de tiamina numa taxa semelhante a outros órgãos corporais" e 80% da tiamina de todo o sangue está neles, principalmente na forma de difosfato — de modo que "a medida de um coeficiente de ativação para transcetolase em eritrócitos reflete seu conteúdo de vitamina B1".3

E a ressalva vale para os três, sem exceção: todos "sofrem influência da tiamina ingerida na dieta e podem encontrar-se alterados em indivíduos assintomáticos".3 Uma refeição recente muda o número; um número alterado não é, sozinho, uma doença.

O que costuma aparecer no lugar. O guia lista os exames inespecíficos úteis: CPK, CK-MB, AST/TGO e DHL elevadas, indicando lesão muscular, com piruvato e lactato séricos altos.3 Nenhum é específico — mas todos existem no SUS, e é com eles que o hospital brasileiro trabalha.

Os valores: o que o Brasil mediu, e o que não publicou

Aqui está o achado nacional mais interessante — e ele é uma ausência.

O ENANI-2019, inquérito domiciliar coordenado pela UFRJ com financiamento do Ministério da Saúde, dosou a vitamina B1 "na forma tiamina pirofosfato, TPP" no sangue de 8 328 crianças de 6 a 59 meses. Resultado: mediana de 165,8 nmol/L, com 75% delas em 130,2 nmol/L ou mais. A curva é assimétrica, com cauda alongada à direita, e as diferenças entre macrorregiões são pequenas.4

Mas o relatório publica, para a B1, apenas a distribuição — não uma prevalência de deficiência. Os objetivos declarados listam prevalências para anemia, anemia ferropriva, vitamina A, vitamina B12, zinco, folato e vitamina D. A B1 não está nessa lista. Um inquérito que mediu 8 328 crianças e não separou "deficientes" de "não deficientes" está dizendo, sem dizer, que não havia ponto de corte consensual a aplicar — exatamente o problema do protocolo internacional do ensaio.8

O mesmo relatório registra o vazio anterior: antes dele "não existem informações nem mesmo de estudos populacionais locais sobre o perfil epidemiológico de vitamina E, vitamina B1, vitamina B6".4

E o intervalo de referência brasileiro? Não existe. Nas 23 533 linhas das Recomendações da SBPC/ML: boas práticas em laboratório clínico, "tiamina", "beribéri", "transcetolase" e "Wernicke" aparecem zero vezes — enquanto "vitamina" aparece 20 e "ferritina" 2.10 Se o seu laudo trouxer um intervalo, ele é do fabricante do ensaio, não de uma instituição nacional. Como sempre, vale o intervalo impresso ao lado do seu resultado — veja como ler um resultado de exame de sangue.

Beribéri no Brasil: um surto recente, e uma controvérsia

O beribéri não é história antiga aqui. O guia lembra que "há mais de oitenta anos não se tinha registro de surtos de beribéri no país" antes da retomada, e que os casos "têm acometido majoritariamente adultos jovens do sexo masculino".3

EpisódioO que foi documentado
Maranhão, 2006–20081 207 casos e 40 óbitos notificados; concentração de maio a agosto; homens de 20 a 40 anos; perfil de beribéri seco5
Brasil, 2013–2018414 casos notificados ao Ministério; todos os casos em população indígena ocorreram em estados da Amazônia Legal — Maranhão, Roraima e Tocantins11
Mesmo período, fatoresConsumo de álcool relatado por 71,6% dos pacientes não indígenas e 58,1% dos indígenas; esforço físico diário por 76,1% e 40,2%, respectivamente12

Sobre a causa do surto maranhense, duas equipes chegaram a conclusões diferentes, e é honesto dizê-lo. Um grupo encontrou Penicillium citreonigrum e a micotoxina citreoviridina em amostras de arroz e farelo da região, retomando a hipótese que explicou as epidemias japonesas do início do século XX.13 Outra investigação, do programa de epidemiologia de campo do Ministério da Saúde, confirmou a associação com o consumo de arroz de subsistência de má qualidade, mas registrou que "ao contrário de outros investigadores deste surto, não identificamos fungos produtores de citreoviridina no arroz implicado".14 A associação com o arroz é sólida; o mecanismo, não.

Hoje, a orientação de vigilância é notificar pela Ficha de Notificação Individual do SINAN-NET com o CID E51.1, já que não há ficha específica para o beribéri.7

Quem tem risco — e o que o guia realmente lista

O Ministério agrupa as situações por mecanismo, o que é mais útil do que uma lista solta:3

  • Demanda aumentada — gravidez e lactação, atividade física intensa, doença intercorrente (câncer, febre, hipertireoidismo) e dieta rica em carboidratos.
  • Metabolismo prejudicado — insuficiência hepática (veja o hepatograma).
  • Absorção reduzida — cirurgia ou doença gastrintestinal, diarreia, vômitos.
  • Eliminação aumentada — diálise e diuréticos de alça, como a furosemida.

Somam-se o alcoolismo crônico, a nutrição parenteral sem tiamina, as dietas restritas sem orientação nutricional e as emergências (enchentes, secas) que reduzem a diversidade alimentar.3 Note o que não está nomeado no guia brasileiro: a cirurgia bariátrica. O texto fala em cirurgia gastrintestinal em geral — o risco é real, mas não há aqui uma recomendação brasileira específica a citar.

Suplemento, remédio e exame: três coisas diferentes

Quem procura "tiamina" no Brasil quase sempre cai numa vitrine. Vale separar.

A ANVISA fez essa separação em um parecer técnico de 2022. Ela lembra que "no Brasil, produtos a base de tiamina são considerados como suplementos alimentares se atenderem aos limites máximos, conforme faixa etária, previstos na Instrução Normativa nº 28 de 26 de julho de 2018". Acima disso, viram medicamento.6

E então a agência recusou enquadrar o comprimido de cloridrato de tiamina 300 mg como isento de prescrição. O motivo, no texto: para as indicações "deficiência de vitamina B1 (ou beribéri)" e "síndrome de Wernicke-Korsakoff", "o uso de cloridrato de tiamina exige conduta clínica do prescritor para diagnóstico e tratamento, podendo também ser necessário monitoramento clínico e laboratorial", e tais doenças "podem apresentar evolução grave, com consequências sérias e potencialmente irreversíveis, inclusive com risco de morte".6 Não por acaso, o tratamento do beribéri descrito pelo Ministério é de 300 mg diários de tiamina por três meses, com acompanhamento.7

O pote do balcão e o comprimido que trata beribéri são coisas distintas — e nenhum substitui a consulta.

Onde fazer o exame: nem no SUS, nem no Rol da ANS

Fomos verificar as duas portas de entrada do sistema brasileiro. Nenhuma tem a tiamina.

Tabela"TIAMINA" / "VITAMINA B1"Controles positivos no mesmo arquivo
SIGTAP (SUS, competência 08/2026)0 linhasÁcido ascórbico 0202010112 (R$ 2,01); vitamina B12 0202010708 (R$ 15,24); 25-hidroxivitamina D 0202010767 (R$ 15,24); zinco 0202070352 (R$ 15,65)1
Rol da ANS (RN 465/2021, redação da RN 678/2026)0 ocorrênciasVitamina A; ácido ascórbico (vitamina C); vitamina B12; vitamina D3; vitamina E; ácido fólico (folato); zinco; homocisteína2

O contraste é o achado: todo o cluster vitamínico está coberto, menos a B1. A vitamina C, a vitamina A, a vitamina E, o zinco e a B12 têm código; a tiamina não tem em lugar nenhum. Isso confirma, catorze anos depois, o que o guia de 2012 já dizia: exames "não disponíveis no Sistema Único de Saúde".3 Alguns laboratórios privados oferecem a dosagem fora de tabela — é observação de mercado, não cobertura garantida.

Quando procurar um médico

Procure atendimento se tiver formigamento e fraqueza nas pernas, dificuldade para caminhar, dor na panturrilha, inchaço nos membros inferiores, falta de ar ou palpitações — sobretudo em contexto de consumo pesado de álcool, alimentação monótona, vômitos prolongados, uso contínuo de diurético ou esforço físico intenso. Confusão mental, visão dupla ou desequilíbrio são emergência: a encefalopatia de Wernicke não espera exame. E não comece a suplementar antes de ser avaliado — a tiamina ingerida altera os três métodos de dosagem.3

👉 O AI DiagMe interpreta os seus exames — de sangue, urina ou fezes — considerando todo o seu contexto, em linguagem clara. Serviço informativo que não faz diagnóstico e complementa, sem substituir, a avaliação do seu médico.

Perguntas frequentes

Existe exame de sangue para vitamina B1? Existe, em três formatos — tiamina sérica, excreção urinária e transcetolase eritrocitária —, mas o Ministério da Saúde os descreve como não disponíveis no SUS,3 e verificamos que a tiamina também não consta do Rol da ANS.2 Na prática, o diagnóstico é clínico.

O SUS cobre a dosagem de tiamina? Não. Não há código no SIGTAP, competência 08/2026 — enquanto vitamina C, B12, D e zinco têm.1

Qual é o valor normal da vitamina B1? Nenhuma instituição brasileira publica um intervalo: a SBPC/ML não menciona tiamina uma única vez.10 O ENANI-2019 achou mediana de 165,8 nmol/L de tiamina pirofosfato em crianças pequenas, mas não converteu isso em ponto de corte.4 Falta consenso internacional sobre os cortes.8

Tiamina normal exclui beribéri? Não, e o inverso também não vale: os três métodos "podem encontrar-se alterados em indivíduos assintomáticos".3 Quem decide é o quadro clínico e a resposta ao tratamento.

Beribéri ainda existe no Brasil? Sim. Foram 1 207 casos e 40 óbitos no Maranhão entre 2006 e 2008,5 e 414 casos notificados ao Ministério entre 2013 e 2018.11

Para lembrar

A vitamina B1 é o marcador em que o exame vale menos que a clínica — e isso não é uma opinião nossa: é o que o Ministério da Saúde escreve, é o que o ENANI-2019 demonstrou ao publicar a distribuição sem a prevalência, e é o que a literatura confirma ao não achar corte harmonizado. No Brasil, a dosagem não existe nem no SUS nem no Rol da ANS, num cluster em que todas as outras vitaminas estão cobertas. Se você tem sintomas compatíveis, o caminho não é comprar um exame: é ser avaliado. Nenhum valor se lê sozinho — conta o conjunto dos seus marcadores, do seu hemograma completo à sua glicemia, e do seu contexto: é isso que o AI DiagMe interpreta em linguagem clara, como complemento — e nunca substituto — da avaliação do seu médico.

Fontes

Fontes oficiais brasileiras e publicações científicas (PubMed) usadas neste guia:

Footnotes

  1. Ministério da Saúde / DATASUS — SIGTAP, Tabela de Procedimentos, Medicamentos e OPM do SUS, tabela tb_procedimento, competência 08/2026 (5 023 linhas, lidas diretamente do arquivo em latin-1, com newline='', colunas de posição fixa VL_SA em [294:306]). Leitor validado antes do uso sobre dois valores já publicados: hemograma completo 0202020380 = R$ 4,11; ferritina 0202010384 = R$ 15,59. Ausências verificadas (0 linhas, busca sem distinção de maiúsculas e com dobra de acentos NFD): TIAMINA, TRANSCETOLASE, RETINOL, TOCOFEROL, PIRIDOXINA, BERIBERI; a busca por VITAMINA B1 retorna apenas a linha da vitamina B12, por subcadeia. Presentes (controles positivos): dosagem de ácido ascórbico 0202010112 (R$ 2,01), dosagem de vitamina B12 0202010708 (R$ 15,24), dosagem de 25-hidroxivitamina D 0202010767 (R$ 15,24), dosagem de zinco 0202070352 (R$ 15,65), dosagem de magnésio 0202010562 (R$ 2,01); "ACIDO" = 29 linhas. sigtap.datasus.gov.br 2 3

  2. Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS) — Anexo I do Rol de Procedimentos e Eventos em Saúde, RN nº 465/2021 na redação da RN nº 678/2026, arquivo XLSX baixado do portal gov.br/ans em 09/09/2026 (612 057 bytes, 3 659 cadeias de texto lidas diretamente do sharedStrings.xml). Ausências verificadas (0 ocorrências, sem distinção de maiúsculas e com dobra de acentos): TIAMINA, TRANSCETOLASE, PIRIDOXINA, RETINOL, TOCOFEROL; VITAMINA B1 só retorna as duas linhas de vitamina B12. Controles positivos no mesmo arquivo: "VITAMINA A", "ÁCIDO ASCÓRBICO (VITAMINA C)", "VITAMINA B12", "TESTE DE ABSORÇÃO DE VITAMINA B12 COM COBALTO-57 (TESTE DE SCHILLING)", "VITAMINA D3 COLECALCIFEROL (25-OH-D3)", "1,25-DIIDROXIVITAMINA D3", "VITAMINA E, PESQUISA E/OU DOSAGEM (COM DIRETRIZ DE UTILIZAÇÃO)", "ÁCIDO FÓLICO (FOLATO)", "ZINCO", "FERRITINA", "HOMOCISTEÍNA - PESQUISA E/OU DOSAGEM". gov.br/ans 2 3

  3. Ministério da Saúde, Secretaria de Atenção à Saúde / Secretaria Especial de Saúde Indígena / Secretaria de Vigilância em Saúde — Guia de Consulta para Vigilância Epidemiológica, Assistência e Atenção Nutricional dos casos de Beribéri, Série A. Normas e Manuais Técnicos, Brasília-DF, 2012 (documento lido integralmente, 2 880 linhas de texto extraído; as citações estão no corpo editorial: p. 13 — diagnóstico clínico e "exames não disponíveis no Sistema Único de Saúde", necessidades diárias de tiamina; p. 10-11 — situações de risco por mecanismo, nutrição parenteral, "não está relacionado necessariamente ao status antropométrico"; p. 15-16 — beribéri seco, úmido, shoshin, Wernicke-Korsakoff e a advertência sobre infusão de glicose; p. 19 — "fundamentalmente clínico… prova terapêutica"; p. 23-24, seção 5.3 Exames complementares — os três métodos, a influência da dieta, os 80% de tiamina nos eritrócitos, CPK/CK-MB/AST/DHL, piruvato e lactato). PDF 2 3 4 5 6 7 8 9 10 11 12 13 14 15 16 17 18 19

  4. Universidade Federal do Rio de Janeiro (coord. Gilberto Kac), com UERJ, UFF e Fiocruz, financiamento do Ministério da Saúde via CNPq — ENANI-2019, Relatório 3: Biomarcadores do estado de micronutrientes, Rio de Janeiro, 156 p. Vitamina B1 dosada "na forma tiamina pirofosfato, TPP" (seção 3.3.3); n = 8 328 crianças de 6 a 59 meses; seção 4.1.4: mediana de 165,8 nmol/L, 1º quartil 130,2 nmol/L, curva assimétrica com cauda à direita. Os objetivos declarados do relatório listam prevalências de deficiência apenas para anemia, anemia ferropriva, vitamina A, vitamina B12, zinco, folato e vitamina D — a vitamina B1 não consta. Registra ainda que antes do inquérito "não existem informações nem mesmo de estudos populacionais locais sobre o perfil epidemiológico de vitamina E, vitamina B1, vitamina B6". PDF 2 3 4

  5. Padilha EM, Fujimori E, Borges ALV, Sato APS, Gomes MN, Branco MRFC, Santos HJ, Lermen Junior N. Perfil epidemiológico dos casos notificados de beribéri no Estado do Maranhão, Brasil, 2006-2008. Cad Saude Publica, 2011;27(3):449-59 (1 207 casos e 40 óbitos notificados; concentração de maio a agosto; homens jovens de 20 a 40 anos; consumo regular de álcool e tabagismo entre os óbitos; perfil compatível com beribéri seco). PubMed · DOI 2 3

  6. Agência Nacional de Vigilância Sanitária (ANVISA), Gerência de Avaliação de Segurança e Eficácia — Parecer GESEF/GGMED/DIRE2/ANVISA: Parecer Técnico de Avaliação do Enquadramento de Medicamento como Isento de Prescrição — cloridrato de tiamina, comprimido revestido 300 mg (arquivo publicado no portal da ANVISA na seção "Medicamentos isentos de prescrição", 27/04/2022; 2 páginas, lidas integralmente). Conclui "haver impedimentos quanto ao enquadramento do medicamento cloridrato de tiamina, comprimido revestido a 300 mg, como isento de prescrição", pelas indicações "deficiência de vitamina B1 (ou beribéri)" e "síndrome de Wernicke-Korsakoff", que exigem "conduta clínica do prescritor para diagnóstico e tratamento, podendo também ser necessário monitoramento clínico e laboratorial". Cita o enquadramento como suplemento alimentar sob os limites máximos da Instrução Normativa nº 28, de 26 de julho de 2018, e a RDC nº 243/2018. PDF 2 3

  7. Ministério da Saúde, Secretaria de Atenção Primária à Saúde — página Deficiência de Vitamina B1 – Beribéri e respectivo FAQ (consultadas em 09/09/2026): carência leva "de dois a três meses" para dar sinais; grupos de risco (alcoolistas, gestantes, crianças, pessoas em atividade física extenuante); casos notificados desde 2006 no Maranhão, Roraima e Tocantins; tratamento com "doses diárias de Tiamina 300 mg por um período de três meses"; notificação pela Ficha de Notificação Individual do SINAN-NET com registro do CID E 51.1, por não haver ficha específica. gov.br/saude 2 3

  8. Jones KS, Parkington DA, Cox LJ, Koulman A. Erythrocyte transketolase activity coefficient (ETKAC) assay protocol for the assessment of thiamine status. Ann N Y Acad Sci, 2021;1498(1):77-84 (ensaio usado há mais de 50 anos como marcador funcional indireto; sensível e específico, mas "há falta de consenso sobre os pontos de corte para deficiência, em parte por falta de harmonização do ensaio"; recomenda materiais de controle de qualidade e um esquema de garantia da qualidade). PubMed · DOI 2 3

  9. Hess SY, Smith TJ, Arnold CD, et al. Assessment of Erythrocyte Transketolase, Whole Blood Thiamine Diphosphate, and Human Milk Thiamine Concentrations to Identify Infants and Young Children Responding Favorably to Therapeutic Thiamine Administration. Curr Dev Nutr, 2024;8(6):103786 (coorte prospectiva; 287 crianças hospitalizadas e 228 da comunidade; tiamina difosfato e coeficiente de ativação da transcetolase diferiram entre quem respondeu e quem não respondeu à tiamina, mas as distribuições sobrepostas inviabilizaram a previsão da resposta individual; nenhum dos marcadores identificou de forma confiável a criança com distúrbio responsivo à tiamina). PubMed · DOI

  10. Sociedade Brasileira de Patologia Clínica/Medicina Laboratorial (SBPC/ML) — Recomendações da SBPC/ML: boas práticas em laboratório clínico. Ausência verificada por leitura direta do texto extraído (23 533 linhas): "tiamina" = 0, "beriberi" = 0, "Wernicke" = 0, "transcetolase" = 0; controles positivos no mesmo arquivo: "vitamina" = 20, "ferritina" = 2, "vitamina B1" = 2 (ambas parte de "vitamina B12"). Nenhum intervalo de referência de tiamina é publicado. PDF 2

  11. Assunção AKM, Branco MRFC, Santos TS, et al. Beriberi in Brazil: A Disease That Affects Indigenous People. Food Nutr Bull, 2021;42(3):427-436 (414 casos notificados ao Ministério da Saúde via FormSUS entre julho de 2013 e setembro de 2018, dos quais 210 — 50,7% — em população indígena; todos os casos indígenas ocorreram em estados da Amazônia Legal: Maranhão, Roraima e Tocantins; primeiro estudo de âmbito nacional sobre casos notificados). PubMed · DOI 2

  12. Assunção AKM, Branco MRFC, Santos TS, et al. Comparison of beriberi cases in indigenous and non-indigenous people, Brazil, 2013 to 2018. Cien Saude Colet, 2023;28(7):1993-2002 (mesma base de 414 casos; consumo de álcool relatado por 58,1% dos pacientes indígenas e 71,6% dos não indígenas, p = 0,004; 71,0% dos indígenas referiram consumo de caxiri; esforço físico diário em 76,1% dos indígenas contra 40,2% dos não indígenas, p < 0,001). PubMed · DOI

  13. Rosa CAR, Keller KM, Oliveira AA, et al. Production of citreoviridin by Penicillium citreonigrum strains associated with rice consumption and beriberi cases in the Maranhão State, Brazil. Food Addit Contam Part A, 2010;27(2):241-8 (420 amostras de 21 tipos de arroz do Maranhão; 10 de 11 cepas de P. citreonigrum produziram citreoviridina; três amostras de arroz com 12 a 96,7 ng/g e duas de farelo com 128 e 254 ng/g; registra 32 óbitos, 7% dos casos notificados em 2006). PubMed · DOI

  14. Lima HCAV, Porto EAS, Marins JRP, et al. Outbreak of beriberi in the state of Maranhão, Brazil: revisiting the mycotoxin aetiologic hypothesis. Trop Doct, 2010;40(2):95-7 (investigação conduzida pelo Programa de Treinamento em Epidemiologia de Campo da Secretaria de Vigilância em Saúde do Ministério da Saúde; associação do beribéri ao consumo de arroz de subsistência de má qualidade; "ao contrário de outros investigadores deste surto, não identificamos fungos produtores de citreoviridina no arroz implicado"). PubMed · DOI

Aviso médico. Este guia tem finalidade informativa e educativa; não constitui aconselhamento médico e não substitui uma consulta. Os valores de referência variam conforme o laboratório e a técnica: só o seu médico pode interpretar os seus resultados no seu contexto.