Calcitonina: o que o exame mede e os valores de referência
A calcitonina não é um exame de cálcio. É o marcador do carcinoma medular de tireoide — e o consenso da SBEM não manda dosá-la em todo nódulo.
A calcitonina é um hormônio produzido pelas células C da tireoide. Pelo nome, quase todo mundo supõe que o exame sirva para avaliar o cálcio do sangue. Não serve. No adulto, o papel da calcitonina na regulação do cálcio é tão modesto que a medicina a dosa por um motivo bem diferente: rastrear e acompanhar o carcinoma medular de tireoide (CMT), um tumor raro que nasce dessas células. Este guia explica o que o número do seu laudo significa e por que ele quase nunca aparece num pedido de rotina. Para o resto do painel, veja os exames da tireoide.
Em resumo
- Não é um exame de cálcio. Quem avalia o cálcio do sangue é a dosagem de cálcio junto com o paratormônio (PTH).
- O papel fisiológico da calcitonina no ser humano adulto permanece pouco claro: quem tem o hormônio altíssimo (CMT metastático) ou zerado (tireoidectomia total) não apresenta consequência clínica descrita por causa disso.1
- O uso consagrado é outro: o carcinoma medular de tireoide, que corresponde a 3% a 4% dos cânceres da glândula e é hereditário em 20% a 25% dos casos, por mutação no proto-oncogene RET.2
- ⚠️ O consenso brasileiro NÃO recomenda dosar calcitonina em todo nódulo. Por problemas de padronização dos valores de referência e custo-efetividade duvidosa, "não há indicação de dosar rotineiramente calcitonina na investigação do nódulo de tireoide".2
- O valor preditivo positivo depende muito da faixa: 8,3% entre 20 e 50 pg/mL, 25% entre 50 e 100 pg/mL e 100% acima de 100 pg/mL.2
- Um estudo brasileiro com 494 pessoas operadas da tireoide sem suspeita de CMT encontrou 2 casos do tumor — os dois tinham calcitonina alta; nenhum dos 482 com valor abaixo de 10 pg/mL tinha a doença.3
- Homens têm valores mais altos que mulheres, e por isso os laboratórios imprimem intervalos separados por sexo — vale o do seu laudo.
- Insuficiência renal crônica, omeprazol e similares, tabagismo e tumores neuroendócrinos elevam a calcitonina sem que exista CMT.1
- ⚠️ A tireoidite de Hashimoto não eleva a calcitonina: um estudo brasileiro de 1.075 pessoas derrubou essa crença.42
- O SUS cobre o exame por R$ 14,38, código 02.02.06.012-8.5
O que a calcitonina é — e o que ela quase não faz
A tireoide tem dois tipos de célula. As foliculares, maioria absoluta, fabricam T4 e T3 sob comando do TSH. E as células parafoliculares, ou células C, espalhadas entre elas, que produzem outra coisa: a calcitonina, um peptídeo de 32 aminoácidos.
Nos livros clássicos a calcitonina aparece como o hormônio que "baixa o cálcio", opondo-se ao PTH. É verdade no laboratório; na vida real de um adulto, é quase irrelevante. Uma revisão de 2022 é direta: a função da calcitonina no ser humano "permanece em grande parte elusiva", sua eficácia em regular o cálcio sérico é muito menor que a do PTH e do calcitriol, e — o dado que fecha a discussão — com calcitonina altíssima ou ausente, nenhuma consequência clínica foi descrita.1
É por isso que ninguém pede calcitonina para investigar uma cãibra, uma osteoporose ou uma alteração do metabolismo ósseo: para isso existem o cálcio, o fósforo, o PTH e a vitamina D.
Um esclarecimento rápido: existe também um medicamento chamado calcitonina, e a Tabela SUS lista os dois separadamente — as ampolas têm códigos do grupo de medicamentos, o exame de sangue tem o seu.5 Este guia trata do exame.
Uma pergunta só: o carcinoma medular de tireoide
O CMT é o tumor que nasce das células C. Segundo o consenso do Departamento de Tireoide da Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia (SBEM), ainda vigente,6 ele responde por 3% a 4% das neoplasias malignas da glândula e é hereditário em 20% a 25% dos casos, por mutações ativadoras no proto-oncogene RET.2
A forma hereditária faz parte da neoplasia endócrina múltipla tipo 2 (NEM 2). Na NEM 2A, o CMT aparece em 95% dos portadores, o feocromocitoma em 50% e o hiperparatireoidismo em 20%.2 Daí a nota do INCA: "os carcinomas medulares da tireoide devem ter uma investigação familiar".7
Como marcador, a calcitonina é boa: comparada à punção por agulha fina, tem sensibilidade de aproximadamente 100% e especificidade de 95% para o diagnóstico pré-operatório do CMT.2 E o tumor não é do mesmo mundo dos carcinomas papilífero e folicular — a tireoglobulina não serve para acompanhá-lo, e nem o iodo radioativo nem doses supressivas de levotiroxina estão indicados no seu tratamento.2 Doenças diferentes, marcadores tumorais diferentes.
⚠️ Por que não se dosa calcitonina em todo nódulo
Nódulo de tireoide é banal: o INCA estima que 70% a 80% das pessoas tenham um sem saber, com chance de câncer em torno de 12%.8 Se a calcitonina detecta CMT com quase 100% de sensibilidade, por que não dosá-la em todo mundo com nódulo? Porque o tumor é raro demais. O consenso brasileiro cita uma prevalência de CMT entre nódulos de 0,42% a 2,85% e conclui, na Recomendação 3:
O uso da dosagem sérica da calcitonina no rastreamento de CMT em pacientes com nódulos de tireoide permanece controverso. Em decorrência de problemas de padronização dos valores de referência e da relação custo-efetividade duvidosa, não há indicação de dosar rotineiramente calcitonina na investigação do nódulo de tireoide (Recomendação B).2
O consenso brasileiro de nódulo tireoidiano, do mesmo departamento da SBEM, diz a mesma coisa por outras palavras: "exceto em pacientes com suspeita clínica ou história familiar de CMT ou NEM 2, a dosagem da calcitonina sérica não é necessária".9
O consenso reconhece o outro lado: pacientes com CMT descobertos por calcitonina têm sobrevida em 10 anos de 86,8%, contra 43,7% dos descobertos pela punção.2 A conclusão brasileira, ainda assim, é de não dosar de rotina. O que está indicado é dosar diante de história familiar de CMT ou RET, feocromocitoma, hiperparatireoidismo, líquen amiloide cutâneo ou aparência marfanoide.2
Vale lembrar que o INCA registra, de forma mais ampla, que "não há evidência científica de que o rastreamento do câncer de tireoide traga mais benefícios do que riscos".8
Os valores: o intervalo do seu laudo é o que manda
Não existe um número universal. A calcitonina é dosada por ensaios imunométricos diferentes, e o próprio consenso da SBEM aponta os "problemas de padronização dos valores de referência" como razão para não rastrear todo mundo.2 O intervalo que vale para você é o impresso ao lado do seu resultado, e depende do método e do equipamento daquele laboratório.
Dito isso, algumas ordens de grandeza ajudam. Na prática brasileira, um limite frequente é 10 pg/mL: no estudo de 494 pessoas de Belo Horizonte, 482 ficaram abaixo dele e nenhuma tinha CMT.3 Acima, a leitura é graduada — o valor preditivo positivo é de 8,3% entre 20 e 50 pg/mL, 25% entre 50 e 100 pg/mL, e 100% acima de 100 pg/mL.2
Homens costumam ter calcitonina mais alta que mulheres, e isso tem uma explicação anatômica: a hiperplasia de células C, achado benigno, é cerca de duas vezes mais comum em homens.1 A consequência prática é que bons laboratórios imprimem faixas separadas por sexo. Um trabalho brasileiro prospectivo com 1.023 pessoas testou pontos de corte de 30 pg/mL para mulheres e 60 pg/mL para homens e, com eles, identificou os dois casos de CMT da série sem nenhum falso-positivo.10 Uma revisão internacional propõe a zona cinzenta entre 8 e 100 pg/mL para homens adultos e 6 e 80 pg/mL para mulheres.1 São propostas, não normas: nenhuma substitui o intervalo do seu laudo.
Acima de 150 pg/mL a conversa muda de assunto: para o consenso, elevações discretas (abaixo de 150 pg/mL) costumam indicar doença locorregional, e valores acima disso levantam suspeita de metástase a distância, com pesquisa por imagem indicada a partir de 400 pg/mL.2
O que eleva a calcitonina sem ser tumor
Um valor alto não é sinônimo de câncer. As causas não tumorais documentadas são várias:
- Insuficiência renal crônica. A calcitonina é depurada pelo rim e se acumula quando ele falha. O consenso brasileiro cita a insuficiência renal e a cirrose como causas de valores persistentemente elevados, por aumento da meia-vida.21
- Medicamentos. Os inibidores da bomba de prótons (omeprazol, pantoprazol e afins) e antiácidos entram na lista, e o mecanismo é conhecido: a gastrina é um dos principais estimuladores da secreção de calcitonina. Betabloqueadores, glicocorticoides e glucagon também aparecem.1
- Tabagismo, consumo agudo de álcool e o simples fato de ser homem constam da mesma tabela de causas de hipercalcitoninemia.1
- Tumores neuroendócrinos de pulmão, pâncreas e laringe, além de câncer de próstata e hiperparatireoidismo.21
- Anticorpos heterófilos, que interferem no ensaio e produzem valores falsamente elevados — e, mais raramente, falsamente baixos.2
E uma causa que não está na lista, ao contrário do que muita página em português repete: a tireoidite de Hashimoto. Um estudo brasileiro comparou 1.075 pessoas com e sem tireoidite crônica autoimune e não achou diferença nos níveis nem na frequência de valores altos, em nenhum dos sexos — ninguém passou de 40 pg/mL. O carcinoma papilífero também não elevou o marcador.4 O consenso da SBEM incorporou o achado: "em estudo recente realizado no Brasil, nenhuma alteração nos níveis de calcitonina sérica foi observada em pacientes com a tireoidite de Hashimoto".2 Se você tem Hashimoto e o anti-TPO positivo, isso não explica uma calcitonina alta.
Calcitonina e procalcitonina não são a mesma coisa
São duas moléculas diferentes, ainda que a procalcitonina seja a precursora da calcitonina e as duas venham do mesmo gene. O que as separa é onde são produzidas. Na infecção bacteriana grave, a procalcitonina é fabricada por células neuroendócrinas do pulmão e do intestino sob estímulo de citocinas inflamatórias — e é por isso que ela virou marcador de sepse, ao lado dos outros marcadores inflamatórios. No CMT, quem produz é a célula C da tireoide, sob estímulo de cálcio e gastrina.1 Mesmo gene, contextos opostos.
Já se tentou usar a procalcitonina como alternativa no diagnóstico do CMT. Um estudo brasileiro com 60 pacientes na zona cinzenta (calcitonina entre 10 e 100 pg/mL) não encontrou superioridade da procalcitonina; ela teve excelente valor preditivo negativo, mas os dados sobre o positivo não são uniformes.11 Uma não substitui a outra.
O teste de estímulo: o que mudou
Durante décadas, uma calcitonina basal levemente alterada era seguida de um teste de estímulo com pentagastrina. Duas coisas mudaram.
A primeira é brasileira e prática: o consenso registra que a pentagastrina não está disponível no nosso meio, e a alternativa usada aqui é o estímulo com cálcio intravenoso.2
A segunda é que o teste perdeu terreno. O consenso reconhece que, "com a melhora da sensibilidade dos novos ensaios, a calcitonina basal e a estimulada apresentam similar acurácia, o que diminui a relevância do teste de estimulação".2 O estudo brasileiro dos cortes por sexo foi mais longe: entre 16 pessoas com calcitonina estimulada acima de 100 pg/mL, 14 eram falso-positivas.10 Nos casos duvidosos há uma terceira via, recomendada pelo consenso: dosar a calcitonina no lavado da agulha da punção.2
Depois da cirurgia: o marcador de seguimento
Retirada a tireoide, não deveria sobrar calcitonina. É aí que ela vira um marcador de precisão — e o consenso da SBEM é explícito: "a calcitonina sérica é o mais importante marcador no seguimento de pacientes com CMT".2
O protocolo: dosar calcitonina e CEA de 2 a 3 meses após a cirurgia; normalizando, repetir a cada 6 a 12 meses.2 Duas observações úteis nessa fase. A queda da calcitonina pode demorar de 24 horas a 4 semanas, às vezes meses.2 E o prognóstico depende menos de um valor isolado do que do tempo de duplicação da calcitonina e do CEA — fator prognóstico maior, ao lado da idade e do estádio ao diagnóstico.2
Quanto custa e o que o SUS cobre
Consultamos a Tabela SIGTAP do Ministério da Saúde, competência 08/2026. A calcitonina está lá:5
| Procedimento | Código SIGTAP | Valor SUS |
|---|---|---|
| Dosagem de calcitonina | 02.02.06.012-8 | R$ 14,38 |
| Pesquisa de antígeno carcinoembrionário (CEA) | 02.02.03.096-2 | R$ 13,35 |
| Dosagem de paratormônio | 02.02.06.027-6 | R$ 43,13 |
| Dosagem de cálcio | 02.02.01.021-0 | R$ 1,85 |
O par recomendado no seguimento do CMT — calcitonina mais CEA — custa R$ 27,73 ao SUS, menos que um hemograma completo somado a uma ferritina. Para comparar com o resto do pedido, veja quanto custa um exame de sangue. Nos laboratórios privados os preços variam entre redes e cidades, e não são referência oficial.
👉 O AI DiagMe interpreta os seus exames — de sangue, urina ou fezes — considerando todo o seu contexto, em linguagem clara. Serviço informativo que não faz diagnóstico e complementa, sem substituir, a avaliação do seu médico.
Perguntas frequentes
Preciso estar em jejum? Nenhuma das fontes brasileiras consultadas exige jejum para a calcitonina. Se houver outros exames no mesmo tubo, como a glicemia, o jejum é exigência deles. Veja como funciona a coleta de sangue.
Minha calcitonina veio pouco acima do valor de referência. Tenho câncer? Provavelmente não. Na faixa entre 20 e 50 pg/mL, o valor preditivo positivo para CMT é de apenas 8,3%.2 Antes de qualquer conclusão, o médico vai considerar função renal, uso de omeprazol, tabagismo e o ultrassom do pescoço.
Meu médico não pediu calcitonina mesmo tendo eu um nódulo. Isso está certo? Está de acordo com o consenso brasileiro, que não indica a dosagem de rotina na investigação do nódulo.29 A avaliação inicial começa pelo TSH e pela ultrassonografia cervical.
Por que os valores de homens e mulheres são diferentes? Porque a hiperplasia de células C, achado benigno, é cerca de duas vezes mais frequente em homens.1 Use a faixa impressa no seu laudo.
A calcitonina serve para acompanhar câncer de tireoide em geral? Não: só o carcinoma medular. Nos papilíferos e foliculares, o marcador é a tireoglobulina. Saiba como ler um resultado de exame de sangue.
Fiz tireoidectomia total e a calcitonina ainda está detectável. É recidiva? Não necessariamente. A queda pode levar de 24 horas a semanas ou meses, e insuficiência renal ou cirrose prolongam a meia-vida do hormônio.2 É o seu endocrinologista quem interpreta.
Este guia é informativo e não substitui uma consulta médica. A calcitonina é um exame de indicação restrita, lido dentro de uma história clínica que só o seu médico conhece: nenhum valor isolado confirma nem exclui doença. Se você recebeu esse resultado sem contexto, converse com quem pediu o exame. Para o restante do seu laudo, veja o glossário de exames de sangue, ou comece pelo AIDIAGME.
Fontes
Footnotes
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Kiriakopoulos A, Giannakis P, Menenakos E. Calcitonin: current concepts and differential diagnosis. Ther Adv Endocrinol Metab. 2022;13:20420188221099344. Fisiologia ("its function in humans remains largely elusive"), tabela de causas de hipercalcitoninemia (inibidores da bomba de prótons, betabloqueadores, insuficiência renal, tabagismo, sexo masculino, tumores neuroendócrinos) e zonas cinzentas por sexo. PMID 35614985 · DOI 10.1177/20420188221099344 ↩ ↩2 ↩3 ↩4 ↩5 ↩6 ↩7 ↩8 ↩9 ↩10 ↩11
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Maia AL, Siqueira DR, Kulcsar MAV, Tincani AJ, Mazeto GMFS, Maciel LMZ. Diagnóstico, tratamento e seguimento do carcinoma medular de tireoide: recomendações do Departamento de Tireoide da Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia. Arq Bras Endocrinol Metabol. 2014;58(7):667-700. Parte I, Recomendações 1 a 4; Parte III, Recomendações 1, 2, 4, 5 e 6. PMID 25372577 · DOI 10.1590/0004-2730000003427 · SciELO ↩ ↩2 ↩3 ↩4 ↩5 ↩6 ↩7 ↩8 ↩9 ↩10 ↩11 ↩12 ↩13 ↩14 ↩15 ↩16 ↩17 ↩18 ↩19 ↩20 ↩21 ↩22 ↩23 ↩24 ↩25 ↩26 ↩27 ↩28
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Rosário PW, Penna GC, Brandão K, Souza BE. Usefulness of preoperative serum calcitonin in patients with nodular thyroid disease without suspicious history or cytology for medullary thyroid carcinoma. Arq Bras Endocrinol Metabol. 2013;57(4):312-6. Estudo brasileiro (Santa Casa de Belo Horizonte) com 494 pacientes operados: calcitonina basal abaixo de 10 pg/mL em 482, nenhum com CMT. PMID 23828436 · DOI 10.1590/s0004-27302013000400006 ↩ ↩2
-
Rosário PW, Calsolari MR. Influence of chronic autoimmune thyroiditis and papillary thyroid cancer on serum calcitonin levels. Thyroid. 2013;23(6):671-4. Comparação de 1.075 pessoas com e sem tireoidite de Hashimoto: nenhuma diferença nos níveis de calcitonina; nenhum participante ultrapassou 40 pg/mL. PMID 23327335 · DOI 10.1089/thy.2012.0564 ↩ ↩2
-
Ministério da Saúde / DATASUS — Tabela de Procedimentos, Medicamentos e OPM do SUS (SIGTAP), competência 08/2026, arquivo
tb_procedimento(5.023 procedimentos). Verificação por leitura direta do arquivo em 09/09/2026: 02.02.06.012-8 "DOSAGEM DE CALCITONINA" com valor ambulatorial de R$ 14,38; 02.02.03.096-2 "PESQUISA DE ANTIGENO CARCINOEMBRIONARIO (CEA)" a R$ 13,35; 02.02.06.027-6 "DOSAGEM DE PARATORMONIO" a R$ 43,13; 02.02.01.021-0 "DOSAGEM DE CALCIO" a R$ 1,85. O medicamento homônimo aparece à parte, no grupo 06: 06.04.57.001-5 "CALCITONINA 50 UI INJETAVEL (POR AMPOLA)" e 06.04.57.002-3 (100 UI). Controles de integridade da leitura: hemograma completo (02.02.02.038-0) a R$ 4,11 e ferritina (02.02.01.038-4) a R$ 15,59. sigtap.datasus.gov.br ↩ ↩2 ↩3 -
Departamento de Tireoide da SBEM — Consensos em Tireoide. Página oficial que lista os consensos vigentes do departamento, entre eles o do carcinoma medular de tireoide (consultada em 09/09/2026). tireoide.org.br ↩
-
INCA / Ministério da Saúde — Câncer de tireoide, versão para profissionais de saúde. Publicada em 05/06/2022, atualizada em 16/08/2023: prevalência de nódulos tireoidianos entre 4% e 50%; "devemos fazer uma observação em relação aos carcinomas medulares da tireoide que devem ter uma investigação familiar" (consultada em 09/09/2026). gov.br/inca ↩
-
Instituto Nacional de Câncer (INCA), Ministério da Saúde — Câncer de tireoide, versão para população. Estimativa 2026-2028: 16.450 casos novos por ano (3.140 homens e 13.310 mulheres); 1.011 óbitos por C73 em 2024 (Atlas de Mortalidade por Câncer/SIM); "não há evidência científica de que o rastreamento do câncer de tireoide traga mais benefícios do que riscos"; nódulos presentes em 70% a 80% das pessoas (consultada em 09/09/2026). gov.br/inca ↩ ↩2
-
Rosário PW, Ward LS, Carvalho GA, Graf H, Maciel RMB, Maciel LMZ, Maia AL, Vaisman M. Nódulo tireoidiano e câncer diferenciado de tireoide: atualização do consenso brasileiro (Departamento de Tireoide da SBEM). Arq Bras Endocrinol Metabol. 2013;57(4):240-64. Recomendação 3: "Exceto em pacientes com suspeita clínica ou história familiar de CMT ou NEM 2, a dosagem da calcitonina sérica não é necessária (Recomendação C)." PMID 23828432 · DOI 10.1590/s0004-27302013000400002 ↩ ↩2
-
Rosário PW, Calsolari MR. Usefulness of Serum Calcitonin in Patients Without a Suspicious History of Medullary Thyroid Carcinoma and with Thyroid Nodules Without an Indication for Fine-Needle Aspiration or with Benign Cytology. Horm Metab Res. 2016;48(6):372-6. Estudo prospectivo brasileiro com 1.023 pacientes; pontos de corte de 30 pg/mL (mulheres) e 60 pg/mL (homens); 14 de 16 calcitoninas estimuladas acima de 100 pg/mL eram falso-positivas. PMID 27203410 · DOI 10.1055/s-0042-107246 ↩ ↩2
-
Rosário PW, Mourão GF. Diagnostic Utility of Procalcitonin for Sporadic Medullary Thyroid Carcinoma in Patients with Nodular Disease and Mild or Moderate Hypercalcitoninemia. Horm Metab Res. 2022;54(4):220-3. Estudo brasileiro com 60 pacientes: sem superioridade da procalcitonina sobre a calcitonina. PMID 35413742 · DOI 10.1055/a-1773-1127 ↩