VHS alta: velocidade de hemossedimentação e valores
O que a VHS mede de verdade, os valores de referência por idade e sexo, o que eleva a velocidade de hemossedimentação sem doença e quanto custa no SUS.
A VHS — sigla de velocidade de hemossedimentação — é um dos exames de sangue mais pedidos do Brasil e um dos mais mal explicados. Ela não dosa proteína nenhuma: mede a velocidade com que as hemácias caem no fundo de um tubo fino, em uma hora, em milímetros por hora. Por ser uma medida física, e não uma dosagem, tudo o que muda o sangue muda o resultado — anemia, idade, gravidez, formato das hemácias. É essa característica, quase nunca explicada ao paciente, que responde por seus falsos positivos.
Em resumo
- A VHS mede a queda das hemácias em um tubo vertical em 60 minutos. Ela reflete, de forma indireta, o aumento de proteínas do plasma — sobretudo o fibrinogênio, seguido das globulinas.1
- No Brasil o exame continua em uso. O SUS paga a VHS sob o código 0202020150, "determinação de velocidade de hemossedimentação (VHS)", a R$ 2,73 — e é o único procedimento da tabela com esse nome.2
- O Protocolo Clínico do Ministério da Saúde para artrite reumatoide, aprovado em 19 de janeiro de 2026, usa a VHS em três lugares: nos critérios de classificação, entre os fatores de mau prognóstico e dentro da fórmula do DAS-28.3
- A Sociedade Brasileira de Reumatologia cita a VHS ao lado da proteína C reativa no diagnóstico da polimialgia reumática, lembrando que nenhuma das duas é específica.4
- Os valores de referência dependem da idade e do sexo: até 15 mm/h no homem e 20 mm/h na mulher abaixo dos 50 anos, subindo até 30 e 42 mm/h acima dos 85.5
- Anemia, gravidez, obesidade e anticoncepcionais elevam a VHS sem doença nenhuma; policitemia, doença falciforme e microcitose a reduzem.5
- Um valor isolado não fecha nada. A VHS se lê junto do hemograma completo, da proteína C reativa e da sua história clínica.
A VHS não é uma dosagem — é uma corrida de queda
As hemácias carregam carga elétrica negativa na superfície e tendem a se repelir: sozinhas, elas caem devagar. Quando proteínas grandes e assimétricas aumentam no plasma, essa repulsão é neutralizada e as hemácias se empilham como moedas — o rouleaux. O empilhamento é mais pesado que a célula isolada e desce mais rápido. Entre as proteínas do plasma, a de maior poder agregante é o fibrinogênio, seguida das globulinas e da albumina.1
Daí decorre tudo. A VHS não mede inflamação: mede uma consequência física de uma mudança nas proteínas do plasma — e também do número, do tamanho e do formato das hemácias. Hemácias grandes (macrocitose) sedimentam mais rápido; as irregulares, como na doença falciforme, não formam rouleaux e caem mais devagar. Na anemia, com menos células para o mesmo volume de plasma, a queda é facilitada — a ponto de a VHS ter "utilidade bastante limitada" nas anemias moderadas e graves, segundo uma revisão brasileira da UFMG dedicada ao exame.5
Valores de referência: idade, sexo e gravidez
Não existe um número único. A mesma revisão brasileira reúne os valores em uso, por faixa etária e sexo:5
| Faixa etária | Homens | Mulheres |
|---|---|---|
| Abaixo de 50 anos | até 15 mm/h | até 20 mm/h |
| Acima de 50 anos | até 20 mm/h | até 30 mm/h |
| Acima de 85 anos | até 30 mm/h | até 42 mm/h |
A subida com a idade é medida: cerca de 0,85 mm/h a cada cinco anos. Ela pode refletir o aumento do fibrinogênio ou a maior prevalência de doenças ocultas nos idosos — por isso alguns autores preferem não afrouxar a referência nessa faixa.5 Numa população adulta espanhola de 1.472 pessoas, a mediana das mulheres foi o dobro da dos homens, e a de quem tinha mais de 65 anos, o dobro da dos jovens adultos.6
Na gravidez, os valores são outros: até 46 mm/h antes das 20 semanas sem anemia e até 62 mm/h com anemia; depois das 20 semanas, até 70 e 90 mm/h.5 Uma VHS de 60 mm/h numa gestante anêmica, portanto, não é um achado alarmante — é o esperado.
Use sempre a faixa impressa no seu laudo. A RDC nº 786/2023 da ANVISA obriga o laboratório a informar a unidade e os valores de referência dele próprio, que dependem do método usado.7
O que eleva a VHS sem que exista doença
É a parte mais útil se você acabou de ver um número acima da faixa. Elevam a VHS, sem qualquer inflamação:51
- a idade avançada e o sexo feminino;
- a gravidez e o uso de anticoncepcionais orais ou heparina;
- a anemia e a macrocitose — motivo para olhar o hematócrito, a hemoglobina e o VCM na mesma folha;
- obesidade, hipercolesterolemia, diabetes, hipotireoidismo;
- a doença renal crônica em estágio final, em que a VHS é quase sempre alta e perde valor clínico — mais um motivo para olhar a função renal.
E reduzem a VHS: policitemia, microcitose, esferocitose, hemoglobinopatias, doença falciforme, hipofibrinogenemia, hipogamaglobulinemia, leucocitose extrema, além de corticoides e anti-inflamatórios em dose alta.5 Uma VHS baixa, por si só, "apresenta pouco ou nenhum valor diagnóstico".5
Método e pré-analítico: por que dois laboratórios discordam
O padrão é o método de Westergren: sangue venoso com citrato de sódio a 3,8% na proporção 4:1, tubo de vidro de 200 mm de comprimento e 2,5 mm de diâmetro interno, na vertical, leitura em uma hora.5 Três detalhes decidem o número:
- Inclinação do tubo. Bastam 3 graus para aumentar a VHS em até 30%.5
- Tempo até a análise. No método clássico, o exame deve ser feito em até duas horas após a coleta; a variante com EDTA K3, método de referência do ICSH desde 1993, estende esse prazo para 12 horas.5
- Temperatura ambiente, que deve ficar entre 20 °C e 25 °C: abaixo disso a VHS cai, acima ela sobe.5
Vale registrar o que não encontramos: as Recomendações da SBPC/ML — Boas Práticas em Laboratório Clínico não tratam da VHS. Em todo o manual não há uma única ocorrência de "VHS" nem de "hemossedimentação", enquanto "PCR" aparece 23 vezes.8 A orientação pré-analítica brasileira sobre o exame vem da literatura, não desse manual.
Que os métodos não são intercambiáveis é visível no mercado brasileiro: um provedor nacional de ensaios de proficiência divide o controle da VHS em cinco programas distintos, conforme o sistema analítico — a pipeta de vidro do Westergren clássico e a de plástico do Westergren modificado ficam em grupos diferentes.9 Internacionalmente, o levantamento do ICSH em mais de 6.000 laboratórios encontrou apenas 28% usando o Westergren sem modificação, com diferenças de até 142% em relação a ele e de até 42% entre os métodos alternativos.10 Na prática: duas VHS feitas em laboratórios diferentes não são comparáveis.
VHS ou proteína C reativa?
As duas exploram a inflamação em ritmos opostos — daí as discordâncias. A proteína C reativa sobe em horas e cai rápido: lê o presente. A VHS demora a subir e leva semanas para normalizar, mesmo com o quadro já resolvido.1
Num hospital universitário com 5.777 pacientes que fizeram os dois exames ao mesmo tempo, houve discordância em 33% dos casos — quase sempre no mesmo sentido: VHS alta com proteína C reativa normal (28%). Ao revisar prontuários desse grupo, um terço tinha inflamação em resolução, e outra parcela tinha um fator interferente na própria medida da VHS.11 Em adultos sem doença inflamatória conhecida, o padrão "VHS alta, proteína C reativa normal" associou-se sobretudo à idade, e o padrão inverso, ao índice de massa corporal.12
Nenhuma fonte brasileira arbitra a escolha em termos gerais. A revisão da Revista Brasileira de Reumatologia observa que a proteína C reativa é mais sensível a mudanças de curto prazo, mas registra que, na artrite reumatoide, o DAS-28 com VHS é tão útil quanto o DAS-28 com proteína C reativa.1 Onde a pergunta é "como está hoje?", a proteína C reativa responde melhor; onde é "como esta doença crônica evoluiu nos últimos meses?", a lentidão da VHS deixa de ser defeito.
No Brasil, a VHS continua sendo pedida — e paga
Esse ponto merece clareza, porque a conduta varia entre países. No Brasil, a VHS permanece plenamente incorporada:
- Ministério da Saúde. Ela está na tabela do SUS sob o código 0202020150, "determinação de velocidade de hemossedimentação (VHS)", com valor ambulatorial de R$ 2,73 na competência de agosto de 2026 — perto do hemograma completo (R$ 4,11) e da proteína C reativa (R$ 2,83).2 Sobre custos de exames em geral, veja quanto custa um exame de sangue.
- Protocolo Clínico e Diretrizes Terapêuticas da Artrite Reumatoide, aprovado pela Portaria Conjunta SAES/SCTIE nº 33, de 19 de janeiro de 2026. A VHS aparece nos critérios de classificação ("VHS ou PCR alterados", 1 ponto), entre os fatores de mau prognóstico e dentro da fórmula do DAS-28, em que entra como logaritmo natural. O mesmo documento a chama, alternativamente, de velocidade de sedimentação globular (VSG).3
- Sociedade Brasileira de Reumatologia. Na página sobre polimialgia reumática, o diagnóstico é descrito como clínico somado a "uma alteração importante nos exames que indicam inflamação, como a velocidade de hemossedimentação (VHS) e a proteína C reativa" — com a ressalva expressa de que esses exames "não são específicos" e devem ser lidos no contexto clínico.4
Onde a literatura brasileira restringe a VHS é no rastreamento: ela "nunca deve ser usada para rastreamento de doenças em pacientes assintomáticos ou com sintomas inespecíficos", e o uso diagnóstico se limita a polimialgia reumática e arterite temporal.5 Mesmo nessas duas, o número não decide sozinho: até 22,5% dos pacientes com arterite temporal têm VHS dentro da faixa antes do tratamento, e de 7% a 20% dos casos de polimialgia reumática também.5 Uma meta-análise de 68 estudos e 14.037 pacientes confirma: nenhum achado isolado, VHS incluída, confirma ou afasta a arterite de células gigantes sozinho.13
Uma VHS acima de 100 mm/h
Valores muito altos são raros e mudam de significado. Segundo a revisão brasileira, uma VHS acima de 100 mm/h costuma associar-se a infecção, câncer ou doença inflamatória do tecido conjuntivo, nessa ordem, com taxa de falso-positivo muito pequena; em menos de 2% dos casos não se acha causa.5
Os dados internacionais confirmam. Numa série de 4.807 pacientes com VHS ≥ 100 mm/h, os diagnósticos associados foram infecção (40%), doença autoimune (38%) e neoplasia (36%) — e quase todos tinham uma causa identificável.14 Num estudo de 139 casos de febre de origem indeterminada com VHS ≥ 100 mm/h em 29 centros de 11 países, as infecções responderam por 53,2%, com tuberculose e HIV/aids no topo da lista — dado que fala diretamente à realidade brasileira.15
Isso não faz da VHS um exame de rastreamento: faz de um valor extremo um motivo para investigar com o médico, não para repetir o exame.
Quando procurar um médico
Procure atendimento sem esperar resultado nenhum se você tiver, com VHS alta ou não: depois dos 50 anos, dor de cabeça nova com dor na mandíbula ao mastigar ou alteração visual — a visão está em risco; emagrecimento sem explicação, suores noturnos ou dor óssea; febre que não passa. Diante de uma VHS elevada num laudo antigo, não refaça o exame por conta própria: leve-o ao médico.
Avanços recentes
A pesquisa recente sobre a VHS caminha em duas direções. A primeira é delimitar onde ela ainda decide alguma coisa: a meta-análise de 2020 sobre arterite de células gigantes quantificou o pouco poder discriminante de qualquer achado isolado, colocando a clínica, a imagem e a proteína C reativa no centro do diagnóstico.13 A segunda é o valor extremo: o estudo multicêntrico de 2025 sobre febre de origem indeterminada com VHS ≥ 100 mm/h é o primeiro a olhar especificamente esse subgrupo, e encontrou infecções em mais da metade dos casos, com a causa permanecendo indefinida em 20,8%.15
Em paralelo, a padronização segue aberta: as recomendações do ICSH sobre métodos modificados existem justamente porque os equipamentos automatizados não são intercambiáveis com o Westergren clássico.10
Estas informações são gerais, não autorizam automedicação e não substituem a avaliação do seu médico.
Perguntas frequentes
O que significa VHS alta? Que as hemácias sedimentaram mais rápido que o esperado. Isso ocorre em inflamações e infecções, mas também por anemia, gravidez, idade ou obesidade — sem nenhuma doença.5
Qual é o valor normal da VHS? Depende da idade e do sexo: até 15 mm/h em homens e 20 mm/h em mulheres abaixo de 50 anos; até 20 e 30 mm/h acima de 50; até 30 e 42 mm/h acima de 85 anos. Confira sempre a faixa do seu laudo.57
Preciso estar em jejum para fazer a VHS? Não. É uma coleta de sangue venoso comum. O que importa é o tempo até a análise, que é responsabilidade do laboratório.5
VHS e velocidade de hemossedimentação são a mesma coisa? Sim — e "velocidade de sedimentação globular (VSG)" também. O protocolo do Ministério da Saúde usa os três nomes para o mesmo exame.3
Minha VHS está alta e a proteína C reativa normal. O que isso quer dizer? É a discordância mais comum, presente em 28% dos pacientes que fazem os dois exames. Costuma indicar inflamação já em resolução, ou um fator que eleva a VHS por fora da inflamação — idade, anemia, gravidez.1112
A VHS serve para detectar câncer? Não. Ela fica dentro da faixa em muitos pacientes com câncer e não serve como rastreamento. Só valores acima de 100 mm/h ganham peso de orientação.514
A VHS ainda é usada no Brasil? Sim. O SUS a remunera sob o código 0202020150 e o protocolo do Ministério da Saúde para artrite reumatoide, de janeiro de 2026, a mantém dentro do cálculo do DAS-28.23
Para lembrar
A VHS é um exame barato, antigo e honesto sobre o que faz: mede a queda das hemácias, não a inflamação. Essa distinção explica seus falsos positivos e por que ela se lê junto da idade, do sexo, do hemograma e do quadro clínico. No Brasil, ela segue paga pelo SUS e presente nos protocolos oficiais — o que muda não é se ela vale, e sim para qual pergunta ela responde.
Para entender os outros exames do seu laudo, use o glossário de exames de sangue ou converse com um profissional em aidiagme.com/pt.
Fontes
Fontes institucionais brasileiras e publicações científicas (PubMed) utilizadas neste guia:
Footnotes
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Rosa Neto NS, Carvalho JF. O uso de provas de atividade inflamatória em reumatologia. Rev Bras Reumatol, 2009;49(4):413-30 (Serviço de Reumatologia do Hospital das Clínicas da FMUSP). Artigo brasileiro não indexado no PubMed, citado por sua URL SciELO. Trechos verificados por leitura direta: "A velocidade de hemossedimentação (VHS) reflete o aumento da concentração plasmática de proteínas de fase aguda, principalmente a de fibrinogênio. Avalia, portanto, uma resposta lenta por medida indireta" ; "Dentre as proteínas plasmáticas, a que tem maior efeito agregante é o fibrinogênio, seguido das globulinas e da albumina" ; interferentes analíticos "erro de diluição, a inclinação do tubo, a demora em realizar o exame após a coleta e a temperatura ambiente" ; "a VHS reflete a atividade de algumas semanas (elevação e declínio lentos) […] enquanto a PCR reflete mudanças de curto prazo" ; "pode haver grande discordância entre resultados de VHS e PCR em até 28% dos pacientes" ; "estudos mostram que o DAS28 […] com VHS é tão útil quanto o DAS28 com PCR no seguimento clínico" ; conclusão, "Mesmo testes simples, como a VHS, mantêm uma posição de destaque no cenário do cuidado do paciente reumatológico". ⚠️ O mesmo artigo afirma haver "menor VHS no sexo feminino", em contradição com a revisão da UFMG ("Os valores da VHS são mais altos no sexo feminino") e com a medição populacional citada nesta página; adotamos aqui a leitura concordante das outras duas fontes. SciELO ↩ ↩2 ↩3 ↩4 ↩5
-
Ministério da Saúde / DATASUS — SIGTAP: Sistema de Gerenciamento da Tabela de Procedimentos, Medicamentos e OPM do SUS, competência 08/2026 (arquivo
tb_procedimento.txt, 1.697.774 bytes, 5.023 procedimentos, campo DT_COMPETENCIA uniforme em 202608). Valor lido por decodificação de colunas fixas no campo VL_SA: 0202020150 "DETERMINAÇÃO DE VELOCIDADE DE HEMOSSEDIMENTAÇÃO (VHS)" R$ 2,73; comparações da mesma leitura: 0202020380 "HEMOGRAMA COMPLETO" R$ 4,11 e 0202030202 "DOSAGEM DE PROTEINA C REATIVA" R$ 2,83. Varredura completa da tabela: as raízesHEMOSSEDIMENT,VHSeVELOCIDADEdevolvem exatamente 1 procedimento cada — sempre o 0202020150;ERITROSSEDIMENTdevolve 0. Controle positivo com a expressão buscada em outro contexto: a raizSEDIMENTdevolve 2 linhas — a VHS e "ANALISE DE CARACTERES FISICOS, ELEMENTOS E SEDIMENTO DA URINA" (R$ 3,70) —, o que mostra que o vocabulário está no arquivo. Normalização de acentos ativa e medida em 2.483 das 5.023 linhas. Decodificação validada ao reencontrar nove valores já publicados de forma independente noutras fichas (ferritina 0202010384 = R$ 15,59; ferro sérico 0202010392 = R$ 3,51; transferrina 0202010660 = R$ 4,12; anticorpos antimicrossomas 0202030555 = R$ 17,16; TSH 0202060250 = R$ 8,96). Página oficial (DATASUS) ↩ ↩2 ↩3 -
Ministério da Saúde (SAES/SCTIE) — Protocolo Clínico e Diretrizes Terapêuticas da Artrite Reumatoide, aprovado pela Portaria Conjunta SAES/SCTIE nº 33, de 19 de janeiro de 2026 (Registro de Deliberação nº 1019/2025 e Relatório de Recomendação nº 1021/2025 da CONITEC). Leitura direta do texto integral: critérios de classificação ACR/EULAR, linha "Provas de atividades inflamatórias (pelo menos 1 resultado é necessário) — VHS e PCR normais: 0 / VHS ou PCR alterados: 1", com a legenda "VHS: velocidade de hemossedimentação" ; fatores de mau prognóstico, "níveis elevados de proteína C reativa ou da velocidade de hemossedimentação" ; classificação da atividade da doença, "um marcador laboratorial de inflamação (VHS/PCR)" ; definição do DAS-28, "(3) velocidade de hemossedimentação (VHS) ou velocidade de sedimentação globular VSG em mm/h", com a fórmula "0,56 x raiz quadrada(dolorosas28) + 0,28 x raiz quadrada (edemaciadas28) + 0,70 x ln (VHS) + 0,014 x EVAp" ; seguimento após remissão, "exames como velocidade de hemossedimentação e proteína C reativa podem ser solicitados". PDF (gov.br/saude) ↩ ↩2 ↩3 ↩4
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Sociedade Brasileira de Reumatologia (SBR) — Polimialgia reumática e arterite de células gigantes, página institucional, atualizada em 31 de agosto de 2022. Citação verificada por leitura direta: "O diagnóstico é feito quando há indícios na história e exame físico, e uma alteração importante nos exames que indicam inflamação, como a velocidade de hemossedimentação (VHS) e a proteína C reativa. Esses exames estão elevados em várias causas de inflamação, e não são específicos para PMR, devendo sempre serem interpretados no contexto clínico." reumatologia.org.br ↩ ↩2
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Collares GB, Vidigal PG. Recomendações para o uso da velocidade de hemossedimentação. Rev Med Minas Gerais, 2004;14(1):46-52 (autores do Hospital das Clínicas e da Faculdade de Medicina da UFMG). Artigo brasileiro não indexado no PubMed, citado por sua URL na revista. Dados verificados por leitura direta do texto integral: método de Westergren (citrato de sódio 3,8% na proporção 4:1, tubo de 200 mm × 2,5 mm, leitura em 1 h) ; "O exame deve ser feito até duas horas após a coleta e a uma temperatura entre 20ºC e 25ºC" ; variante com EDTA K3, método de referência do ICSH desde 1993, com prazo de 12 horas ; "Uma inclinação de apenas 3° pode provocar aumento de até 30% na VHS" ; Tabela 1 de valores de referência por idade e sexo ; Tabela 3 de valores na gravidez ; "aumento de VHS de cerca de 0,85mm/h a cada cinco anos de acréscimo na idade" ; "A VHS nunca deve ser usada para rastreamento de doenças em pacientes assintomáticos ou com sintomas inespecíficos" ; "o uso da VHS como auxílio diagnóstico está restrito à apenas duas doenças: polimialgia reumática e arterite temporal" ; "até 22,5% dos pacientes com arterite temporal podem apresentar VHS dentro dos valores de referência antes de iniciado o tratamento" ; "7% a 20% dos pacientes com polimialgia reumática apresentam VHS na faixa de referência" ; "Resultado de VHS maior que 100mm/h geralmente está associado a infecção, câncer ou doenças inflamatórias do tecido conjuntivo, nesta ordem […] Em menos de 2% dos pacientes com VHS muito elevada nenhuma causa é encontrada" ; "valores baixos de VHS apresentam pouco ou nenhum valor diagnóstico". PDF (rmmg.org) ↩ ↩2 ↩3 ↩4 ↩5 ↩6 ↩7 ↩8 ↩9 ↩10 ↩11 ↩12 ↩13 ↩14 ↩15 ↩16 ↩17 ↩18 ↩19 ↩20
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Alende-Castro V, Alonso-Sampedro M, Vazquez-Temprano N, et al. Factors influencing erythrocyte sedimentation rate in adults: New evidence for an old test. Medicine (Baltimore), 2019;98(34):e16816 (1.472 adultos de 18 a 91 anos ; mediana da VHS nas mulheres duas vezes a dos homens ; mediana acima dos 65 anos duas vezes a da faixa de 18 a 35 anos ; índice de massa corporal, síndrome metabólica e tabagismo associados a VHS mais alta). Fonte internacional (Espanha), citada por não existir medição populacional brasileira equivalente. PubMed · DOI ↩
-
ANVISA — Resolução da Diretoria Colegiada RDC nº 786, de 5 de maio de 2023, sobre os requisitos técnico-sanitários para o funcionamento dos serviços que realizam exames de análises clínicas. Artigo 138, conteúdo mínimo obrigatório do laudo, incluindo unidade de medição e valores de referência. Texto consultado na edição comentada publicada pelo PNCQ. PDF ↩ ↩2
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Sociedade Brasileira de Patologia Clínica/Medicina Laboratorial (SBPC/ML) — Recomendações da SBPC/ML: boas práticas em laboratório clínico. Ausência verificada por varredura do texto integral (1.558.807 caracteres extraídos do PDF de 16.055.655 bytes): zero ocorrência de "VHS", de "hemossedimentação" e de "eritrossedimentação". Controles positivos na mesma varredura: "PCR" → 23 ocorrências ; "sedimentação" → 4 ocorrências, todas em outros sentidos (sedimentação da amostra em gasometria, métodos de Ritchie e de Hoffman no exame parasitológico de fezes) ; linhas com acentuação → 5.163, o que mostra que a normalização não é o motivo do zero. O sumário confirma o escopo: a seção "Hematologia e coagulação" contém os capítulos 35 a 38 (comparação entre microscopistas, exames de triagem para coagulopatias, citometria de fluxo, diagnóstico das hemoglobinopatias), nenhum sobre a VHS. PDF ↩
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Controllab — Velocidade de Hemossedimentação (VHS), catálogo de ensaios de proficiência e controle interno. Observação de mercado, não autoridade sanitária. Leitura direta da página: "O EP VHS é dividido em 5 diferentes programas de acordo com os sistemas analíticos atendidos" — Hemossedimentação Alifax (sistema Alifax) ; Hemossedimentação I (pipetas e tubos de vidro) ; Hemossedimentação II (sistemas de automação e pipetas/tubos de plástico) ; Hemossedimentação III (pipetas de plástico Cralplast e determinados automatizados) ; Hemossedimentação IV (sistema Wiener e32). A lista de sistemas separa explicitamente "Westergren Clássico (Pipeta de Vidro)" de "Westergren Modificado (Pipeta de Plástico)". controllab.com ↩
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Kratz A, Plebani M, Peng M, Lee YK, McCafferty R, Machin SJ. ICSH recommendations for modified and alternate methods measuring the erythrocyte sedimentation rate. Int J Lab Hematol, 2017;39(5):448-457 (levantamento em mais de 6.000 laboratórios de quatro continentes ; apenas 28% usavam o método de Westergren sem modificação ; diferenças de até 142% em relação a ele e de até 42% entre métodos alternativos). PubMed · DOI ↩ ↩2
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Colombet I, Pouchot J, Kronz V, et al. Agreement between erythrocyte sedimentation rate and C-reactive protein in hospital practice. Am J Med, 2010;123(9):863.e7-13 (5.777 pacientes com os dois exames simultâneos ; discordância em 33%, sendo VHS alta com PCR normal em 28% ; kappa de 0,38 ; na revisão de prontuários dos discordantes, 32% tinham inflamação em resolução e 28% um fator interferente na medida da VHS). PubMed · DOI ↩ ↩2
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Alende-Castro V, Alonso-Sampedro M, Fernández-Merino C, et al. C-Reactive Protein versus Erythrocyte Sedimentation Rate: Implications Among Patients with No Known Inflammatory Conditions. J Am Board Fam Med, 2021;34(5):974-983 (1.472 adultos sem doença inflamatória conhecida ; padrão VHS alta com PCR normal em 4,8%, associado à idade ; padrão PCR alta com VHS normal em 13,8%, associado ao índice de massa corporal). PubMed · DOI ↩ ↩2
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van der Geest KSM, Sandovici M, Brouwer E, Mackie SL. Diagnostic Accuracy of Symptoms, Physical Signs, and Laboratory Tests for Giant Cell Arteritis: A Systematic Review and Meta-analysis. JAMA Intern Med, 2020;180(10):1295-1304 (68 estudos, 14.037 pacientes ; VHS > 100 mm/h com razão de verossimilhança positiva de 3,11 [IC 95% 1,43-6,78] ; ausência de VHS > 40 mm/h com razão de verossimilhança negativa de 0,18 [IC 95% 0,08-0,44] ; "no single feature was strong enough to confirm or refute the diagnosis if taken alone"). PubMed · DOI ↩ ↩2
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Daniels LM, Tosh PK, Fiala JA, Schleck CD, Mandrekar JN, Beckman TJ. Extremely Elevated Erythrocyte Sedimentation Rates: Associations With Patients' Diagnoses, Demographic Characteristics, and Comorbidities. Mayo Clin Proc, 2017;92(11):1636-1643 (4.807 pacientes com VHS ≥ 100 mm/h ; infecção em 40%, doença autoimune em 38% e neoplasia em 36% ; "almost all patients have an identifiable etiology for extreme ESR elevations"). PubMed · DOI ↩ ↩2
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Elbahr U, Erdem H, Ben Yahia W, et al. Diagnosis and outcomes of fever of unknown origin cases with an erythrocyte sedimentation rate of 100 mm/h or more: An International ID-IRI Observational Retrospective Cohort Study. Medicine (Baltimore), 2025;104(29):e43341 (139 pacientes de 29 centros em 11 países ; infecções em 53,2%, neoplasias em 10% e doenças inflamatórias não infecciosas em 9,3% ; tuberculose 10,8% e HIV/aids 9,3% no topo da lista ; causa não definida em 20,8%). PubMed · DOI ↩ ↩2