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VHS alta: velocidade de hemossedimentação e valores

O que a VHS mede de verdade, os valores de referência por idade e sexo, o que eleva a velocidade de hemossedimentação sem doença e quanto custa no SUS.

Publicado em 5 de setembro de 202612 min de leituraEscrito pela Equipe Blood Analysis · Revisado e verificado por Julien Priour

A VHS — sigla de velocidade de hemossedimentação — é um dos exames de sangue mais pedidos do Brasil e um dos mais mal explicados. Ela não dosa proteína nenhuma: mede a velocidade com que as hemácias caem no fundo de um tubo fino, em uma hora, em milímetros por hora. Por ser uma medida física, e não uma dosagem, tudo o que muda o sangue muda o resultado — anemia, idade, gravidez, formato das hemácias. É essa característica, quase nunca explicada ao paciente, que responde por seus falsos positivos.

Em resumo

  • A VHS mede a queda das hemácias em um tubo vertical em 60 minutos. Ela reflete, de forma indireta, o aumento de proteínas do plasma — sobretudo o fibrinogênio, seguido das globulinas.1
  • No Brasil o exame continua em uso. O SUS paga a VHS sob o código 0202020150, "determinação de velocidade de hemossedimentação (VHS)", a R$ 2,73 — e é o único procedimento da tabela com esse nome.2
  • O Protocolo Clínico do Ministério da Saúde para artrite reumatoide, aprovado em 19 de janeiro de 2026, usa a VHS em três lugares: nos critérios de classificação, entre os fatores de mau prognóstico e dentro da fórmula do DAS-28.3
  • A Sociedade Brasileira de Reumatologia cita a VHS ao lado da proteína C reativa no diagnóstico da polimialgia reumática, lembrando que nenhuma das duas é específica.4
  • Os valores de referência dependem da idade e do sexo: até 15 mm/h no homem e 20 mm/h na mulher abaixo dos 50 anos, subindo até 30 e 42 mm/h acima dos 85.5
  • Anemia, gravidez, obesidade e anticoncepcionais elevam a VHS sem doença nenhuma; policitemia, doença falciforme e microcitose a reduzem.5
  • Um valor isolado não fecha nada. A VHS se lê junto do hemograma completo, da proteína C reativa e da sua história clínica.

A VHS não é uma dosagem — é uma corrida de queda

As hemácias carregam carga elétrica negativa na superfície e tendem a se repelir: sozinhas, elas caem devagar. Quando proteínas grandes e assimétricas aumentam no plasma, essa repulsão é neutralizada e as hemácias se empilham como moedas — o rouleaux. O empilhamento é mais pesado que a célula isolada e desce mais rápido. Entre as proteínas do plasma, a de maior poder agregante é o fibrinogênio, seguida das globulinas e da albumina.1

Daí decorre tudo. A VHS não mede inflamação: mede uma consequência física de uma mudança nas proteínas do plasma — e também do número, do tamanho e do formato das hemácias. Hemácias grandes (macrocitose) sedimentam mais rápido; as irregulares, como na doença falciforme, não formam rouleaux e caem mais devagar. Na anemia, com menos células para o mesmo volume de plasma, a queda é facilitada — a ponto de a VHS ter "utilidade bastante limitada" nas anemias moderadas e graves, segundo uma revisão brasileira da UFMG dedicada ao exame.5

Valores de referência: idade, sexo e gravidez

Não existe um número único. A mesma revisão brasileira reúne os valores em uso, por faixa etária e sexo:5

Faixa etáriaHomensMulheres
Abaixo de 50 anosaté 15 mm/haté 20 mm/h
Acima de 50 anosaté 20 mm/haté 30 mm/h
Acima de 85 anosaté 30 mm/haté 42 mm/h

A subida com a idade é medida: cerca de 0,85 mm/h a cada cinco anos. Ela pode refletir o aumento do fibrinogênio ou a maior prevalência de doenças ocultas nos idosos — por isso alguns autores preferem não afrouxar a referência nessa faixa.5 Numa população adulta espanhola de 1.472 pessoas, a mediana das mulheres foi o dobro da dos homens, e a de quem tinha mais de 65 anos, o dobro da dos jovens adultos.6

Na gravidez, os valores são outros: até 46 mm/h antes das 20 semanas sem anemia e até 62 mm/h com anemia; depois das 20 semanas, até 70 e 90 mm/h.5 Uma VHS de 60 mm/h numa gestante anêmica, portanto, não é um achado alarmante — é o esperado.

Use sempre a faixa impressa no seu laudo. A RDC nº 786/2023 da ANVISA obriga o laboratório a informar a unidade e os valores de referência dele próprio, que dependem do método usado.7

O que eleva a VHS sem que exista doença

É a parte mais útil se você acabou de ver um número acima da faixa. Elevam a VHS, sem qualquer inflamação:51

  • a idade avançada e o sexo feminino;
  • a gravidez e o uso de anticoncepcionais orais ou heparina;
  • a anemia e a macrocitose — motivo para olhar o hematócrito, a hemoglobina e o VCM na mesma folha;
  • obesidade, hipercolesterolemia, diabetes, hipotireoidismo;
  • a doença renal crônica em estágio final, em que a VHS é quase sempre alta e perde valor clínico — mais um motivo para olhar a função renal.

E reduzem a VHS: policitemia, microcitose, esferocitose, hemoglobinopatias, doença falciforme, hipofibrinogenemia, hipogamaglobulinemia, leucocitose extrema, além de corticoides e anti-inflamatórios em dose alta.5 Uma VHS baixa, por si só, "apresenta pouco ou nenhum valor diagnóstico".5

Método e pré-analítico: por que dois laboratórios discordam

O padrão é o método de Westergren: sangue venoso com citrato de sódio a 3,8% na proporção 4:1, tubo de vidro de 200 mm de comprimento e 2,5 mm de diâmetro interno, na vertical, leitura em uma hora.5 Três detalhes decidem o número:

  • Inclinação do tubo. Bastam 3 graus para aumentar a VHS em até 30%.5
  • Tempo até a análise. No método clássico, o exame deve ser feito em até duas horas após a coleta; a variante com EDTA K3, método de referência do ICSH desde 1993, estende esse prazo para 12 horas.5
  • Temperatura ambiente, que deve ficar entre 20 °C e 25 °C: abaixo disso a VHS cai, acima ela sobe.5

Vale registrar o que não encontramos: as Recomendações da SBPC/ML — Boas Práticas em Laboratório Clínico não tratam da VHS. Em todo o manual não há uma única ocorrência de "VHS" nem de "hemossedimentação", enquanto "PCR" aparece 23 vezes.8 A orientação pré-analítica brasileira sobre o exame vem da literatura, não desse manual.

Que os métodos não são intercambiáveis é visível no mercado brasileiro: um provedor nacional de ensaios de proficiência divide o controle da VHS em cinco programas distintos, conforme o sistema analítico — a pipeta de vidro do Westergren clássico e a de plástico do Westergren modificado ficam em grupos diferentes.9 Internacionalmente, o levantamento do ICSH em mais de 6.000 laboratórios encontrou apenas 28% usando o Westergren sem modificação, com diferenças de até 142% em relação a ele e de até 42% entre os métodos alternativos.10 Na prática: duas VHS feitas em laboratórios diferentes não são comparáveis.

VHS ou proteína C reativa?

As duas exploram a inflamação em ritmos opostos — daí as discordâncias. A proteína C reativa sobe em horas e cai rápido: lê o presente. A VHS demora a subir e leva semanas para normalizar, mesmo com o quadro já resolvido.1

Num hospital universitário com 5.777 pacientes que fizeram os dois exames ao mesmo tempo, houve discordância em 33% dos casos — quase sempre no mesmo sentido: VHS alta com proteína C reativa normal (28%). Ao revisar prontuários desse grupo, um terço tinha inflamação em resolução, e outra parcela tinha um fator interferente na própria medida da VHS.11 Em adultos sem doença inflamatória conhecida, o padrão "VHS alta, proteína C reativa normal" associou-se sobretudo à idade, e o padrão inverso, ao índice de massa corporal.12

Nenhuma fonte brasileira arbitra a escolha em termos gerais. A revisão da Revista Brasileira de Reumatologia observa que a proteína C reativa é mais sensível a mudanças de curto prazo, mas registra que, na artrite reumatoide, o DAS-28 com VHS é tão útil quanto o DAS-28 com proteína C reativa.1 Onde a pergunta é "como está hoje?", a proteína C reativa responde melhor; onde é "como esta doença crônica evoluiu nos últimos meses?", a lentidão da VHS deixa de ser defeito.

No Brasil, a VHS continua sendo pedida — e paga

Esse ponto merece clareza, porque a conduta varia entre países. No Brasil, a VHS permanece plenamente incorporada:

  • Ministério da Saúde. Ela está na tabela do SUS sob o código 0202020150, "determinação de velocidade de hemossedimentação (VHS)", com valor ambulatorial de R$ 2,73 na competência de agosto de 2026 — perto do hemograma completo (R$ 4,11) e da proteína C reativa (R$ 2,83).2 Sobre custos de exames em geral, veja quanto custa um exame de sangue.
  • Protocolo Clínico e Diretrizes Terapêuticas da Artrite Reumatoide, aprovado pela Portaria Conjunta SAES/SCTIE nº 33, de 19 de janeiro de 2026. A VHS aparece nos critérios de classificação ("VHS ou PCR alterados", 1 ponto), entre os fatores de mau prognóstico e dentro da fórmula do DAS-28, em que entra como logaritmo natural. O mesmo documento a chama, alternativamente, de velocidade de sedimentação globular (VSG).3
  • Sociedade Brasileira de Reumatologia. Na página sobre polimialgia reumática, o diagnóstico é descrito como clínico somado a "uma alteração importante nos exames que indicam inflamação, como a velocidade de hemossedimentação (VHS) e a proteína C reativa" — com a ressalva expressa de que esses exames "não são específicos" e devem ser lidos no contexto clínico.4

Onde a literatura brasileira restringe a VHS é no rastreamento: ela "nunca deve ser usada para rastreamento de doenças em pacientes assintomáticos ou com sintomas inespecíficos", e o uso diagnóstico se limita a polimialgia reumática e arterite temporal.5 Mesmo nessas duas, o número não decide sozinho: até 22,5% dos pacientes com arterite temporal têm VHS dentro da faixa antes do tratamento, e de 7% a 20% dos casos de polimialgia reumática também.5 Uma meta-análise de 68 estudos e 14.037 pacientes confirma: nenhum achado isolado, VHS incluída, confirma ou afasta a arterite de células gigantes sozinho.13

Uma VHS acima de 100 mm/h

Valores muito altos são raros e mudam de significado. Segundo a revisão brasileira, uma VHS acima de 100 mm/h costuma associar-se a infecção, câncer ou doença inflamatória do tecido conjuntivo, nessa ordem, com taxa de falso-positivo muito pequena; em menos de 2% dos casos não se acha causa.5

Os dados internacionais confirmam. Numa série de 4.807 pacientes com VHS ≥ 100 mm/h, os diagnósticos associados foram infecção (40%), doença autoimune (38%) e neoplasia (36%) — e quase todos tinham uma causa identificável.14 Num estudo de 139 casos de febre de origem indeterminada com VHS ≥ 100 mm/h em 29 centros de 11 países, as infecções responderam por 53,2%, com tuberculose e HIV/aids no topo da lista — dado que fala diretamente à realidade brasileira.15

Isso não faz da VHS um exame de rastreamento: faz de um valor extremo um motivo para investigar com o médico, não para repetir o exame.

Quando procurar um médico

Procure atendimento sem esperar resultado nenhum se você tiver, com VHS alta ou não: depois dos 50 anos, dor de cabeça nova com dor na mandíbula ao mastigar ou alteração visual — a visão está em risco; emagrecimento sem explicação, suores noturnos ou dor óssea; febre que não passa. Diante de uma VHS elevada num laudo antigo, não refaça o exame por conta própria: leve-o ao médico.

Avanços recentes

A pesquisa recente sobre a VHS caminha em duas direções. A primeira é delimitar onde ela ainda decide alguma coisa: a meta-análise de 2020 sobre arterite de células gigantes quantificou o pouco poder discriminante de qualquer achado isolado, colocando a clínica, a imagem e a proteína C reativa no centro do diagnóstico.13 A segunda é o valor extremo: o estudo multicêntrico de 2025 sobre febre de origem indeterminada com VHS ≥ 100 mm/h é o primeiro a olhar especificamente esse subgrupo, e encontrou infecções em mais da metade dos casos, com a causa permanecendo indefinida em 20,8%.15

Em paralelo, a padronização segue aberta: as recomendações do ICSH sobre métodos modificados existem justamente porque os equipamentos automatizados não são intercambiáveis com o Westergren clássico.10

Estas informações são gerais, não autorizam automedicação e não substituem a avaliação do seu médico.

Perguntas frequentes

O que significa VHS alta? Que as hemácias sedimentaram mais rápido que o esperado. Isso ocorre em inflamações e infecções, mas também por anemia, gravidez, idade ou obesidade — sem nenhuma doença.5

Qual é o valor normal da VHS? Depende da idade e do sexo: até 15 mm/h em homens e 20 mm/h em mulheres abaixo de 50 anos; até 20 e 30 mm/h acima de 50; até 30 e 42 mm/h acima de 85 anos. Confira sempre a faixa do seu laudo.57

Preciso estar em jejum para fazer a VHS? Não. É uma coleta de sangue venoso comum. O que importa é o tempo até a análise, que é responsabilidade do laboratório.5

VHS e velocidade de hemossedimentação são a mesma coisa? Sim — e "velocidade de sedimentação globular (VSG)" também. O protocolo do Ministério da Saúde usa os três nomes para o mesmo exame.3

Minha VHS está alta e a proteína C reativa normal. O que isso quer dizer? É a discordância mais comum, presente em 28% dos pacientes que fazem os dois exames. Costuma indicar inflamação já em resolução, ou um fator que eleva a VHS por fora da inflamação — idade, anemia, gravidez.1112

A VHS serve para detectar câncer? Não. Ela fica dentro da faixa em muitos pacientes com câncer e não serve como rastreamento. Só valores acima de 100 mm/h ganham peso de orientação.514

A VHS ainda é usada no Brasil? Sim. O SUS a remunera sob o código 0202020150 e o protocolo do Ministério da Saúde para artrite reumatoide, de janeiro de 2026, a mantém dentro do cálculo do DAS-28.23

Para lembrar

A VHS é um exame barato, antigo e honesto sobre o que faz: mede a queda das hemácias, não a inflamação. Essa distinção explica seus falsos positivos e por que ela se lê junto da idade, do sexo, do hemograma e do quadro clínico. No Brasil, ela segue paga pelo SUS e presente nos protocolos oficiais — o que muda não é se ela vale, e sim para qual pergunta ela responde.

Para entender os outros exames do seu laudo, use o glossário de exames de sangue ou converse com um profissional em aidiagme.com/pt.

Fontes

Fontes institucionais brasileiras e publicações científicas (PubMed) utilizadas neste guia:

Footnotes

  1. Rosa Neto NS, Carvalho JF. O uso de provas de atividade inflamatória em reumatologia. Rev Bras Reumatol, 2009;49(4):413-30 (Serviço de Reumatologia do Hospital das Clínicas da FMUSP). Artigo brasileiro não indexado no PubMed, citado por sua URL SciELO. Trechos verificados por leitura direta: "A velocidade de hemossedimentação (VHS) reflete o aumento da concentração plasmática de proteínas de fase aguda, principalmente a de fibrinogênio. Avalia, portanto, uma resposta lenta por medida indireta" ; "Dentre as proteínas plasmáticas, a que tem maior efeito agregante é o fibrinogênio, seguido das globulinas e da albumina" ; interferentes analíticos "erro de diluição, a inclinação do tubo, a demora em realizar o exame após a coleta e a temperatura ambiente" ; "a VHS reflete a atividade de algumas semanas (elevação e declínio lentos) […] enquanto a PCR reflete mudanças de curto prazo" ; "pode haver grande discordância entre resultados de VHS e PCR em até 28% dos pacientes" ; "estudos mostram que o DAS28 […] com VHS é tão útil quanto o DAS28 com PCR no seguimento clínico" ; conclusão, "Mesmo testes simples, como a VHS, mantêm uma posição de destaque no cenário do cuidado do paciente reumatológico". ⚠️ O mesmo artigo afirma haver "menor VHS no sexo feminino", em contradição com a revisão da UFMG ("Os valores da VHS são mais altos no sexo feminino") e com a medição populacional citada nesta página; adotamos aqui a leitura concordante das outras duas fontes. SciELO 2 3 4 5

  2. Ministério da Saúde / DATASUSSIGTAP: Sistema de Gerenciamento da Tabela de Procedimentos, Medicamentos e OPM do SUS, competência 08/2026 (arquivo tb_procedimento.txt, 1.697.774 bytes, 5.023 procedimentos, campo DT_COMPETENCIA uniforme em 202608). Valor lido por decodificação de colunas fixas no campo VL_SA: 0202020150 "DETERMINAÇÃO DE VELOCIDADE DE HEMOSSEDIMENTAÇÃO (VHS)" R$ 2,73; comparações da mesma leitura: 0202020380 "HEMOGRAMA COMPLETO" R$ 4,11 e 0202030202 "DOSAGEM DE PROTEINA C REATIVA" R$ 2,83. Varredura completa da tabela: as raízes HEMOSSEDIMENT, VHS e VELOCIDADE devolvem exatamente 1 procedimento cada — sempre o 0202020150; ERITROSSEDIMENT devolve 0. Controle positivo com a expressão buscada em outro contexto: a raiz SEDIMENT devolve 2 linhas — a VHS e "ANALISE DE CARACTERES FISICOS, ELEMENTOS E SEDIMENTO DA URINA" (R$ 3,70) —, o que mostra que o vocabulário está no arquivo. Normalização de acentos ativa e medida em 2.483 das 5.023 linhas. Decodificação validada ao reencontrar nove valores já publicados de forma independente noutras fichas (ferritina 0202010384 = R$ 15,59; ferro sérico 0202010392 = R$ 3,51; transferrina 0202010660 = R$ 4,12; anticorpos antimicrossomas 0202030555 = R$ 17,16; TSH 0202060250 = R$ 8,96). Página oficial (DATASUS) 2 3

  3. Ministério da Saúde (SAES/SCTIE)Protocolo Clínico e Diretrizes Terapêuticas da Artrite Reumatoide, aprovado pela Portaria Conjunta SAES/SCTIE nº 33, de 19 de janeiro de 2026 (Registro de Deliberação nº 1019/2025 e Relatório de Recomendação nº 1021/2025 da CONITEC). Leitura direta do texto integral: critérios de classificação ACR/EULAR, linha "Provas de atividades inflamatórias (pelo menos 1 resultado é necessário) — VHS e PCR normais: 0 / VHS ou PCR alterados: 1", com a legenda "VHS: velocidade de hemossedimentação" ; fatores de mau prognóstico, "níveis elevados de proteína C reativa ou da velocidade de hemossedimentação" ; classificação da atividade da doença, "um marcador laboratorial de inflamação (VHS/PCR)" ; definição do DAS-28, "(3) velocidade de hemossedimentação (VHS) ou velocidade de sedimentação globular VSG em mm/h", com a fórmula "0,56 x raiz quadrada(dolorosas28) + 0,28 x raiz quadrada (edemaciadas28) + 0,70 x ln (VHS) + 0,014 x EVAp" ; seguimento após remissão, "exames como velocidade de hemossedimentação e proteína C reativa podem ser solicitados". PDF (gov.br/saude) 2 3 4

  4. Sociedade Brasileira de Reumatologia (SBR)Polimialgia reumática e arterite de células gigantes, página institucional, atualizada em 31 de agosto de 2022. Citação verificada por leitura direta: "O diagnóstico é feito quando há indícios na história e exame físico, e uma alteração importante nos exames que indicam inflamação, como a velocidade de hemossedimentação (VHS) e a proteína C reativa. Esses exames estão elevados em várias causas de inflamação, e não são específicos para PMR, devendo sempre serem interpretados no contexto clínico." reumatologia.org.br 2

  5. Collares GB, Vidigal PG. Recomendações para o uso da velocidade de hemossedimentação. Rev Med Minas Gerais, 2004;14(1):46-52 (autores do Hospital das Clínicas e da Faculdade de Medicina da UFMG). Artigo brasileiro não indexado no PubMed, citado por sua URL na revista. Dados verificados por leitura direta do texto integral: método de Westergren (citrato de sódio 3,8% na proporção 4:1, tubo de 200 mm × 2,5 mm, leitura em 1 h) ; "O exame deve ser feito até duas horas após a coleta e a uma temperatura entre 20ºC e 25ºC" ; variante com EDTA K3, método de referência do ICSH desde 1993, com prazo de 12 horas ; "Uma inclinação de apenas 3° pode provocar aumento de até 30% na VHS" ; Tabela 1 de valores de referência por idade e sexo ; Tabela 3 de valores na gravidez ; "aumento de VHS de cerca de 0,85mm/h a cada cinco anos de acréscimo na idade" ; "A VHS nunca deve ser usada para rastreamento de doenças em pacientes assintomáticos ou com sintomas inespecíficos" ; "o uso da VHS como auxílio diagnóstico está restrito à apenas duas doenças: polimialgia reumática e arterite temporal" ; "até 22,5% dos pacientes com arterite temporal podem apresentar VHS dentro dos valores de referência antes de iniciado o tratamento" ; "7% a 20% dos pacientes com polimialgia reumática apresentam VHS na faixa de referência" ; "Resultado de VHS maior que 100mm/h geralmente está associado a infecção, câncer ou doenças inflamatórias do tecido conjuntivo, nesta ordem […] Em menos de 2% dos pacientes com VHS muito elevada nenhuma causa é encontrada" ; "valores baixos de VHS apresentam pouco ou nenhum valor diagnóstico". PDF (rmmg.org) 2 3 4 5 6 7 8 9 10 11 12 13 14 15 16 17 18 19 20

  6. Alende-Castro V, Alonso-Sampedro M, Vazquez-Temprano N, et al. Factors influencing erythrocyte sedimentation rate in adults: New evidence for an old test. Medicine (Baltimore), 2019;98(34):e16816 (1.472 adultos de 18 a 91 anos ; mediana da VHS nas mulheres duas vezes a dos homens ; mediana acima dos 65 anos duas vezes a da faixa de 18 a 35 anos ; índice de massa corporal, síndrome metabólica e tabagismo associados a VHS mais alta). Fonte internacional (Espanha), citada por não existir medição populacional brasileira equivalente. PubMed · DOI

  7. ANVISA — Resolução da Diretoria Colegiada RDC nº 786, de 5 de maio de 2023, sobre os requisitos técnico-sanitários para o funcionamento dos serviços que realizam exames de análises clínicas. Artigo 138, conteúdo mínimo obrigatório do laudo, incluindo unidade de medição e valores de referência. Texto consultado na edição comentada publicada pelo PNCQ. PDF 2

  8. Sociedade Brasileira de Patologia Clínica/Medicina Laboratorial (SBPC/ML)Recomendações da SBPC/ML: boas práticas em laboratório clínico. Ausência verificada por varredura do texto integral (1.558.807 caracteres extraídos do PDF de 16.055.655 bytes): zero ocorrência de "VHS", de "hemossedimentação" e de "eritrossedimentação". Controles positivos na mesma varredura: "PCR" → 23 ocorrências ; "sedimentação" → 4 ocorrências, todas em outros sentidos (sedimentação da amostra em gasometria, métodos de Ritchie e de Hoffman no exame parasitológico de fezes) ; linhas com acentuação → 5.163, o que mostra que a normalização não é o motivo do zero. O sumário confirma o escopo: a seção "Hematologia e coagulação" contém os capítulos 35 a 38 (comparação entre microscopistas, exames de triagem para coagulopatias, citometria de fluxo, diagnóstico das hemoglobinopatias), nenhum sobre a VHS. PDF

  9. ControllabVelocidade de Hemossedimentação (VHS), catálogo de ensaios de proficiência e controle interno. Observação de mercado, não autoridade sanitária. Leitura direta da página: "O EP VHS é dividido em 5 diferentes programas de acordo com os sistemas analíticos atendidos" — Hemossedimentação Alifax (sistema Alifax) ; Hemossedimentação I (pipetas e tubos de vidro) ; Hemossedimentação II (sistemas de automação e pipetas/tubos de plástico) ; Hemossedimentação III (pipetas de plástico Cralplast e determinados automatizados) ; Hemossedimentação IV (sistema Wiener e32). A lista de sistemas separa explicitamente "Westergren Clássico (Pipeta de Vidro)" de "Westergren Modificado (Pipeta de Plástico)". controllab.com

  10. Kratz A, Plebani M, Peng M, Lee YK, McCafferty R, Machin SJ. ICSH recommendations for modified and alternate methods measuring the erythrocyte sedimentation rate. Int J Lab Hematol, 2017;39(5):448-457 (levantamento em mais de 6.000 laboratórios de quatro continentes ; apenas 28% usavam o método de Westergren sem modificação ; diferenças de até 142% em relação a ele e de até 42% entre métodos alternativos). PubMed · DOI 2

  11. Colombet I, Pouchot J, Kronz V, et al. Agreement between erythrocyte sedimentation rate and C-reactive protein in hospital practice. Am J Med, 2010;123(9):863.e7-13 (5.777 pacientes com os dois exames simultâneos ; discordância em 33%, sendo VHS alta com PCR normal em 28% ; kappa de 0,38 ; na revisão de prontuários dos discordantes, 32% tinham inflamação em resolução e 28% um fator interferente na medida da VHS). PubMed · DOI 2

  12. Alende-Castro V, Alonso-Sampedro M, Fernández-Merino C, et al. C-Reactive Protein versus Erythrocyte Sedimentation Rate: Implications Among Patients with No Known Inflammatory Conditions. J Am Board Fam Med, 2021;34(5):974-983 (1.472 adultos sem doença inflamatória conhecida ; padrão VHS alta com PCR normal em 4,8%, associado à idade ; padrão PCR alta com VHS normal em 13,8%, associado ao índice de massa corporal). PubMed · DOI 2

  13. van der Geest KSM, Sandovici M, Brouwer E, Mackie SL. Diagnostic Accuracy of Symptoms, Physical Signs, and Laboratory Tests for Giant Cell Arteritis: A Systematic Review and Meta-analysis. JAMA Intern Med, 2020;180(10):1295-1304 (68 estudos, 14.037 pacientes ; VHS > 100 mm/h com razão de verossimilhança positiva de 3,11 [IC 95% 1,43-6,78] ; ausência de VHS > 40 mm/h com razão de verossimilhança negativa de 0,18 [IC 95% 0,08-0,44] ; "no single feature was strong enough to confirm or refute the diagnosis if taken alone"). PubMed · DOI 2

  14. Daniels LM, Tosh PK, Fiala JA, Schleck CD, Mandrekar JN, Beckman TJ. Extremely Elevated Erythrocyte Sedimentation Rates: Associations With Patients' Diagnoses, Demographic Characteristics, and Comorbidities. Mayo Clin Proc, 2017;92(11):1636-1643 (4.807 pacientes com VHS ≥ 100 mm/h ; infecção em 40%, doença autoimune em 38% e neoplasia em 36% ; "almost all patients have an identifiable etiology for extreme ESR elevations"). PubMed · DOI 2

  15. Elbahr U, Erdem H, Ben Yahia W, et al. Diagnosis and outcomes of fever of unknown origin cases with an erythrocyte sedimentation rate of 100 mm/h or more: An International ID-IRI Observational Retrospective Cohort Study. Medicine (Baltimore), 2025;104(29):e43341 (139 pacientes de 29 centros em 11 países ; infecções em 53,2%, neoplasias em 10% e doenças inflamatórias não infecciosas em 9,3% ; tuberculose 10,8% e HIV/aids 9,3% no topo da lista ; causa não definida em 20,8%). PubMed · DOI 2

Aviso médico. Este guia tem finalidade informativa e educativa; não constitui aconselhamento médico e não substitui uma consulta. Os valores de referência variam conforme o laboratório e a técnica: só o seu médico pode interpretar os seus resultados no seu contexto.