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T3 livre: para que serve o exame — e quando não serve

Por que o T3 é o exame de tireoide mais pedido sem necessidade, onde ele realmente decide o diagnóstico e o que a biotina faz com esse número.

Publicado em 5 de setembro de 202612 min de leituraEscrito pela Equipe Blood Analysis · Revisado e verificado por Julien Priour

O T3 livre é a fração ativa da tri-iodotironina, o hormônio que faz o trabalho da tireoide dentro das células. No laudo ele aparece como T3 livre, triiodotironina livre ou pela sigla inglesa FT3. Este guia explica o que quase nenhum pedido explica: o T3 é útil — mas numa situação estreita, e fora dela atrapalha mais do que ajuda.

Em resumo

  • Só 20% do T3 vem da tireoide. Os outros 80% nascem da conversão do T4 nos tecidos. O T3 mede, em boa parte, o que acontece fora da glândula.
  • 0,3% do T3 circula livre — dez vezes mais que o T4, do qual apenas 0,03% está livre.
  • ⚠️ A SBEM diz, com todas as letras, que na maioria das situações a dosagem de T3 não é recomendada na investigação do hipotireoidismo.
  • Ele não rastreia hipotireoidismo. No algoritmo ambulatorial da SBPC/ML, o T3 não aparece no ramo do TSH alto: só entra com TSH baixo e T4 livre normal.
  • Aí, sim, ele decide: é a T3-toxicose — tireotoxicose com T4 livre normal e T3 alto.
  • O SUS não tem código para "T3 livre". Em 5.023 procedimentos da tabela, "TRIIODOTIRONINA" aparece uma única vez, sem a palavra livre.
  • E o T3 é o mais barato de todos: R$ 8,71, abaixo do TSH (R$ 8,96) e do T4 total (R$ 8,76).
  • ⚠️ A biotina eleva falsamente o T3. Mecanismo competitivo: menos sinal, resultado maior. A SBPC/ML manda suspender 2 a 3 dias — outro capítulo do mesmo manual diz 48 horas.
  • O T3 despenca em quem não tem doença da tireoide: é a síndrome da doença não tireoidiana do paciente grave.
  • Não existe faixa de referência de T3 no manual da SBPC/ML — que publica uma para o TSH e uma para o T4 livre.
  • Nenhum número isolado fecha diagnóstico. O T3 se lê depois do TSH, com os seus sintomas e com o seu médico.

O que o T3 é — e por que ele não é "o T4 melhorado"

A tireoide secreta T4 (tiroxina) e T3 (tri-iodotironina). O ativo é o T3 — é ele que se liga ao receptor dentro do núcleo da célula. O T4 é o reservatório: precisa ser convertido em T3, por desiodação, para virar hormônio de verdade.1

Aqui está o número que muda tudo. Segundo a SBPC/ML, todo o T4 é produzido na tireoide, mas apenas 20% do T3 vem da secreção tireoidiana. Os 80% restantes vêm da conversão periférica, no fígado, no rim, no músculo.1

A consequência é direta: o T3 do seu sangue é, em grande parte, um retrato dos seus tecidos, não da sua glândula. Doença hepática, jejum, infecção, cirurgia — tudo mexe na conversão sem que a tireoide tenha mudado. Um T3 alterado costuma ser uma pergunta, não uma resposta.

Quanto à fração livre: mais de 99% dos hormônios tireoidianos circulam presos a proteínas, sobretudo à TBG. Apenas 0,03% do T4 e 0,3% do T3 estão livres.1 O T3 se prende com menos força.

O exame mais pedido sem necessidade

O que as fontes brasileiras dizem é mais duro do que se imagina.

O posicionamento do Departamento de Tireoide da SBEM2 sobre hipotireoidismo primário, de 2022, é explícito — a frase, no original em inglês, é: "na maioria das circunstâncias, a dosagem sérica de triiodotironina (T3) total não é recomendada".3 Não é ressalva escondida — está no parágrafo que descreve como investigar um TSH elevado.

A SBPC/ML chega ao mesmo lugar publicando um algoritmo em que o T3 simplesmente não cabe na maior parte dos casos.1

  • TSH normal → nenhum teste adicional é necessário.
  • TSH alto → dosar o T4 livre, para separar hipotireoidismo subclínico de clínico. O T3 não aparece.
  • TSH baixo → dosar o T4 livre. Se o T4 livre for normal, então dosar o T3 total ou livre, para detectar T3-toxicose.

Leia o ramo do meio de novo. No hipotireoidismo — a disfunção mais comum — o T3 não tem lugar nenhum. O motivo é fisiológico: o organismo protege o T3. Diante de uma queda de produção, a conversão periférica aumenta, e o T3 permanece normal muito depois de o TSH ter disparado. Um T3 normal não exclui hipotireoidismo.

Não é problema só brasileiro. Um levantamento norte-americano de 28.597 pedidos — citado como referência internacional, por falta de equivalente publicado no Brasil — encontrou 3.039 pedidos de T3 livre isolado (10,63%).4 O panorama completo está no guia de exames da tireoide.

Onde o T3 realmente decide: a T3-toxicose

Existe uma situação em que nenhum outro exame substitui o T3, e o resumo do capítulo da SBPC/ML a define em uma frase: "O T3 total/livre é útil na detecção de T3-toxicose, principalmente quando o TSH está suprimido e o T4 livre normal."1

A T3-toxicose é uma tireotoxicose em que a glândula produz preferencialmente T3. O retrato laboratorial é este: TSH baixo, T4 livre ainda normal, T3 alto. Se o médico parar no T4 livre, o exame volta "normal" e o hipertireoidismo passa despercebido.

É esse — e praticamente só esse — o cenário que justifica o pedido, junto do acompanhamento de quem já tem hipertireoidismo conhecido. Se o seu TSH está baixo, o caminho passa antes pelo T4 livre e pelo anti-TPO.

T3 livre ou T3 total? A pergunta que ainda não tem resposta fechada

O laudo brasileiro costuma imprimir os dois, e eles não são a mesma coisa. O T3 total mede o hormônio inteiro, preso e livre; sobe e desce com a TBG, a proteína transportadora. Gravidez, anticoncepcional e hepatite viral aumentam a TBG; andrógenos, glicocorticoides, cirrose e síndrome nefrótica a diminuem.1 Em todas essas condições o T3 total muda sem que a tireoide tenha mudado, enquanto a fração livre, em geral, permanece normal.

Isso parece resolver a questão a favor do T3 livre. Não resolve — porque a fração livre é justamente a mais difícil de dosar.

Um estudo da Unicamp, de 2026, comparou os dois em 605 amostras de 465 pacientes dosadas em paralelo. A correlação foi forte. Mas entre os 41 pacientes com T3 elevado, 13 tinham elevação de apenas um dos dois — e, nesses casos discordantes, o T3 livre refletiu melhor o quadro clínico e os resultados de TSH e T4 livre.5 Os autores pedem validação em outras plataformas: a pergunta continua aberta.

O que a fábrica do resultado diz sobre esse número

O comitê internacional de padronização dos testes tireoidianos avaliou os ensaios comerciais, e o capítulo da SBPC/ML reproduz os números.1

  • T3 livre: dos 14 ensaios avaliados, 10 tinham viés médio fora do intervalo de ±10% frente ao método de referência — nove com viés negativo chegando a −30%, e um com viés positivo de +22%. O limite aceitável derivado da variação biológica é de 4,0%.
  • T3 total: todos os 12 ensaios apresentaram viés médio positivo, e em oito ele passou de +10%. Aqui o limite é de 4,4%.

Traduzindo: dois laboratórios podem devolver, da mesma amostra, valores separados por dezenas de por cento — e os dois estarão dentro do que o mercado entrega. Compare com a faixa impressa no seu laudo, nunca com a da internet. Para unidades, use o conversor de unidades.

E não existe faixa de referência nacional

O capítulo tireoidiano do manual da SBPC/ML publica um intervalo de referência para o TSH (0,56 a 4,27 mUI/L, harmonizado) e um para o T4 livre (1,05 a 1,89 ng/dL, pelo método de referência). Para o T3, total ou livre, não há nenhum.1 A ausência é o dado.

A síndrome da doença não tireoidiana

É o fato mais útil desta página, e o menos conhecido: existe um quadro em que o T3 cai muito, cedo, em pessoas sem nenhuma doença da tireoide.

A SBPC/ML o chama de síndrome da doença não tireoidiana — e não de "síndrome do doente eutireoidiano", nome que circula em português mas que não aparece no manual. Em pacientes internados em estado grave, os testes exibem alterações transitórias: T3 total baixo, T3 reverso alto, T4 livre variável conforme o ensaio e a fase da doença, e TSH normal ou baixo, podendo subir na recuperação.1

Duas consequências. Um T3 baixo em alguém doente quase nunca significa hipotireoidismo. E o exame que orienta aí é o T4 total, que permanece normal na maioria desses pacientes e confirma a ausência de disfunção orgânica.1 A mesma cautela vale para desnutridos. Tratar esses pacientes com hormônio tireoidiano segue sem resposta consolidada.6

⚠️ Biotina: por que ela empurra o T3 para cima

A biotina — vitamina B7, a dos suplementos de cabelo e unha — é a interferência mais comum e a mais fácil de evitar. O mecanismo, no T3, é competitivo.1

Muitos imunoensaios usam o sistema biotina-estreptavidina para fixar o complexo na fase sólida. A biotina em excesso ocupa esses sítios, o complexo é lavado fora e o sinal cai. Nos ensaios de T4 e T3, total ou livre, o sinal é inversamente proporcional à concentração: menos sinal significa resultado falsamente mais alto. No TSH, que é imunométrico, é o contrário: TSH falsamente baixo.

Junte os dois — TSH baixo, T3 e T4 altos — e é o padrão de um hipertireoidismo que não existe.

Não é preciso megadose. Um estudo brasileiro da Unifesp com o Grupo Fleury mostrou que uma única dose oral de 10 mg já altera os testes.7

⚠️ As duas fontes brasileiras divergem no prazo, e as duas estão no mesmo livro. O capítulo tireoidiano das Recomendações da SBPC/ML manda suspender 2 a 3 dias; o capítulo sobre armadilhas na interpretação dos testes, no mesmo volume, orienta cerca de 48 horas.1 A SBEM pôs o tema na campanha de 2025, "Fatores externos que afetam a tireoide".8 Na dúvida, siga o prazo maior.

Os outros interferentes

Vários medicamentos deslocam o T3 sem qualquer doença tireoidiana.1

  • Amiodarona — inibe a conversão de T4 em T3: T3 normal baixo, T4 alto, TSH normal alto. Também inibem essa conversão o propiltiouracil, o propranolol, os glicocorticoides e os contrastes radiológicos.
  • Heparina e enoxaparina — liberam ácidos graxos que deslocam o T3 das proteínas: T3 livre falsamente alto.
  • Fenitoína, fenobarbital, carbamazepina, oxcarbazepina, AINEs, furosemida, salicilatos — T3 livre alto e TSH baixo, transitoriamente.
  • Autoanticorpos anti-T3 — em 1,8% da população, falseiam o resultado para cima ou para baixo.

Quanto custa no SUS

Aqui a tabela do Ministério da Saúde diz algo que vale ler duas vezes. Na tabela SIGTAP, competência 08/2026:9

ExameCódigoValor
Triiodotironina (T3)0202060390R$ 8,71
Tiroxina (T4) — o total0202060373R$ 8,76
Hormônio tireoestimulante (TSH)0202060250R$ 8,96
Tiroxina livre (T4 livre)0202060381R$ 11,60
Determinação de retenção de T30202060020R$ 12,54
Determinação de T3 reverso0202060039R$ 14,69

Duas leituras, ambas contra a intuição.

Não existe "T3 livre" no SUS. Em 5.023 procedimentos, "TRIIODOTIRONINA" aparece em uma única linha, sem a palavra livre. Para o T4 é diferente: total e livre têm códigos e preços próprios. Quem pede "T3 livre" pelo SUS recebe o exame do código único.

E o T3 é o mais barato da mesa — menos que o TSH, menos que o T4 total, e quase 70% mais barato que o T3 reverso, que é justamente o que interessa no paciente grave. O exame de menor custo é o de menor rendimento em primeira linha. Veja quanto custa um exame de sangue.

Avanços recentes

O ELSA-Brasil, coorte de 15.105 adultos, mostrou em 2024 que a levotiroxina não devolve o T3 ao normal em todo mundo: ao iniciar o tratamento o T3 livre caiu 7%, e entre os usuários contínuos 38 (15,6%) tiveram ao menos um T3 livre abaixo da faixa, apesar de TSH normal.10 É a base do debate sobre associar T3 ao tratamento — debate que no Brasil tem resposta prática: a SBEM registra que a liotironina e o extrato tireoidiano não estão disponíveis comercialmente no país e recomenda evitar a combinação, sobretudo em idosos, gestantes e crianças.3

Perguntas frequentes

Meu T3 está normal. Posso descartar hipotireoidismo? Não. É exatamente o que o T3 não faz. Ele se mantém normal por muito tempo porque a conversão periférica compensa a queda. O exame que abre a investigação é o TSH.

Preciso de jejum para dosar T3? Nenhuma fonte brasileira consultada impõe jejum para o T3. Siga o laboratório: a orientação depende dos outros exames do mesmo pedido, como glicemia e lipidograma.

Tomo suplemento de cabelo. Devo avisar? Sim, e antes da coleta. Se contiver biotina, ela eleva o T3 medido. A SBPC/ML recomenda suspender 2 a 3 dias; outro capítulo do mesmo manual diz 48 horas.1

T3 livre e triiodotironina livre são a mesma coisa? São. "Tri-iodotironina" é o nome do hormônio — a SBPC/ML escreve com hífen —, "T3" a abreviação e "FT3" a sigla inglesa. Veja o glossário.

Meu T3 veio baixo depois de uma internação. É doença da tireoide? Provavelmente não: é o padrão da síndrome da doença não tireoidiana, que costuma se normalizar com a recuperação.

Por que pediram outros exames junto? Um T3 isolado raramente se interpreta sozinho. Costumam vir no mesmo pedido o hemograma completo, a creatinina com a função renal, o hepatograma — o fígado converte T4 em T3 — e o colesterol total, que sobe no hipotireoidismo.

Para lembrar

O T3 não é um exame ruim: é um exame específico, usado como se fosse geral. Guarde três coisas.

Ele não rastreia hipotireoidismo — a SBEM diz que na maioria das situações não se deve pedi-lo. Ele decide na T3-toxicose, com TSH baixo e T4 livre normal. E ele é frágil: dez de catorze ensaios de T3 livre erram mais de 10%, a biotina o empurra para cima e a doença grave o derruba sem que a tireoide tenha nada.

Para o resto do laudo, veja TSH, T4 livre, anti-TPO e o painel de exames da tireoide. E para uma leitura do conjunto dos seus resultados, o AI DiagMe é um complemento à avaliação do seu médico — nunca um substituto.

Fontes

Fontes institucionais brasileiras e publicações científicas (PubMed) utilizadas neste guia:

Footnotes

  1. Sociedade Brasileira de Patologia Clínica/Medicina Laboratorial (SBPC/ML)Recomendações da SBPC/ML: Boas práticas em laboratório clínico. Organização de Nairo Massakazu Sumita. Barueri: Manole, 2020, 592 p. (ISBN 978-85-7868-395-5). Capítulo "Avaliação laboratorial da tireoide: atualização", de Marcelo Cidade Batista (p. 333-345), consultado no texto integral do PDF de 16.055.655 bytes. Trechos usados: fisiologia (todo o T4 é produzido na tireoide, apenas 20% do T3 vem da secreção tireoidiana e 80% da conversão periférica por desiodação; mais de 99% ligados à TBG, transtirretina e albumina; 0,03% do T4 e 0,3% do T3 sob forma livre; ligação do T3 ao receptor intranuclear); algoritmo ambulatorial (TSH normal → nenhum teste adicional; TSH alto → T4 livre; TSH baixo → T4 livre e, se normal, T3 total ou livre para detectar T3-toxicose); paciente internado em estado grave e síndrome da doença não tireoidiana (T3 total baixo, T3 reverso alto, T4 livre variável, TSH normal ou baixo; utilidade do T4 total); metodologia dos imunoensaios competitivos de T3 total e livre; padronização pelo C-STFT/IFCC (10 de 14 ensaios de T3 livre com viés fora de ±10%, nove negativos até −30% e um positivo de +22%, contra variação biológica de 4,0%; todos os 12 ensaios de T3 total com viés positivo, oito acima de +10%, contra 4,4%; intervalos de referência publicados apenas para TSH, 0,56-4,27 mUI/L, e T4 livre, 1,05-1,89 ng/dL); interferentes (TBG; autoanticorpos anti-T4/T3 em 1,8% da população; hipertri-iodotironinemia disalbuminêmica familiar; anticorpos antirrutênio; biotina, mecanismo competitivo com suspensão por 2 a 3 dias); drogas (amiodarona, propiltiouracil, propranolol, glicocorticoides, contrastes radiológicos, heparina/enoxaparina, fenitoína, fenobarbital, carbamazepina, oxcarbazepina, AINEs, furosemida, salicilatos); e o Resumo do capítulo ("O T3 total/livre é útil na detecção de T3-toxicose, principalmente quando o TSH está suprimido e o T4 livre normal"). ⚠️ Divergência interna do próprio manual, publicada lado a lado: o capítulo "Desafios e armadilhas na interpretação dos testes laboratoriais", seção Biotina, orienta interromper os complementos vitamínicos "cerca de 48 horas" antes das coletas, prazo diferente dos 2 a 3 dias do capítulo tireoidiano. Demonstração por enumeração, com controle positivo pelo mesmo comando: a expressão "eutireoidiano" tem 0 ocorrências no manual e "síndrome da doença não tireoidiana" tem 2 — o nome brasileiro do quadro é o segundo; controle positivo no mesmo arquivo: "biotina" → 12 ocorrências, "TSH" → 70. PDF (16 MB) · sbpc.org.br 2 3 4 5 6 7 8 9 10 11 12 13 14

  2. Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia (SBEM) — sociedade científica brasileira de referência em endocrinologia, responsável pelos posicionamentos do Departamento de Tireoide e editora dos Archives of Endocrinology and Metabolism. endocrino.org.br

  3. Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia (SBEM) — Departamento de Tireoide — da Silva Mazeto GMF, Sgarbi JA, Ramos HE, Villagelin DGP Neto, Nogueira CR, Vaisman M, Graf H, de Carvalho GA. Approach to adult patients with primary hypothyroidism in some special situations: a position statement from the Thyroid Department of the Brazilian Society of Endocrinology and Metabolism (SBEM). Archives of Endocrinology and Metabolism, 2022; 66(6): 871-882. Frase-chave desta página, na seção sobre a investigação do TSH elevado: "In most circumstances, measurement of serum total triiodothyronine (T3) is not recommended" — na maioria das circunstâncias, a dosagem sérica de T3 total não é recomendada; o documento manda repetir o TSH em 3 meses junto com o T4 livre, e lembra que o TSH pode estar transitoriamente elevado na fase de recuperação de doenças não tireoidianas, exigindo nova dosagem em 6 a 8 semanas. Também consultado: a Tabela 4, que registra que a liotironina (LT3) e o extrato tireoidiano não estão disponíveis comercialmente no Brasil, que os ensaios clínicos não mostraram benefício da associação LT4/LT3 sobre a LT4 isolada, e que a combinação deve ser evitada em crianças, gestantes e idosos; e a recomendação de não testar o polimorfismo Thr92Ala do gene DIO2. PubMed · DOI 2

  4. Kluesner JK, Beckman DJ, Tate JM, Beauvais AA, Kravchenko MI, Wardian JL, et al. Analysis of current thyroid function test ordering practices. Journal of Evaluation in Clinical Practice, 2018; 24(2): 347-352. ⚠️ Fonte internacional (Estados Unidos), citada em repli declarado: não foi localizada auditoria brasileira publicada sobre a frequência de pedidos de T3. Levantamento de 38.214 exames tireoidianos em 28.597 pedidos ao longo de três meses: TSH isolado 14.919 (52,14%), TSH + T4 livre 7.641 (26,72%), T3 livre isolado 3.039 (10,63%), T4 livre isolado 1.219 (4,26%) e TSH + T4 livre + T3 livre 783 (2,74%). Os hormônios livres representaram 36,0% dos exames e US$ 107.720 de um custo anual projetado de US$ 317.429. Conclusão: o pedido inadequado de hormônios livres é comum e raramente contribui para a avaliação ou o manejo da doença tireoidiana. PubMed · DOI

  5. Castilho RF, de Almeida RA, Lintz CHCP, Ribeiro-do-Valle CC, Zantut-Wittmann DE, et al. Comparative Analysis of Elevated Serum Total and Free Triiodothyronine Results Obtained by Immunoassays. Thyroid, 2026; 36(7): 795-799. Estudo brasileiro da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) — Departamento de Patologia da Faculdade de Ciências Médicas e Laboratório de Fisiologia Clínica do Hospital de Clínicas. Análise retrospectiva de 605 amostras de 465 pacientes com TSH, T4 livre, T3 total e T3 livre dosados em paralelo na mesma plataforma automatizada de eletroquimioluminescência. Correlação forte entre T3 total e T3 livre (T3 total ≤ 200 ng/dL: r = 0,841; > 200 ng/dL: r = 0,855). Entre os 41 pacientes com T3 elevado, 13 apresentaram elevação de apenas um dos dois, e nesses casos discordantes o T3 livre refletiu melhor o quadro clínico e os resultados de TSH e T4 livre. Conclusão dos autores: o T3 livre elevado teve desempenho superior ao T3 total elevado, mas os achados precisam ser validados em populações diversas, com intervalos de referência específicos e em múltiplas plataformas. PubMed · DOI

  6. Sciacchitano S, Capalbo C, Napoli C, Anibaldi P, Salvati V, De Vitis C, et al. Nonthyroidal Illness Syndrome: To Treat or Not to Treat? Have We Answered the Question? A Review of Metanalyses. Frontiers in Endocrinology, 2022; 13: 850328. ⚠️ Fonte internacional (Itália), citada em repli declarado, apenas para o ponto de que o tratamento da síndrome da doença não tireoidiana com hormônio tireoidiano permanece sem resposta consolidada; a descrição do quadro e sua nomenclatura brasileira vêm do manual da SBPC/ML. PubMed · DOI

  7. Biscolla RPM, Chiamolera MI, Kanashiro I, Maciel RMB, Vieira JGH. A Single 10 mg Oral Dose of Biotin Interferes with Thyroid Function Tests. Thyroid, 2017; 27(8): 1099-1100. Estudo brasileiro (Universidade Federal de São Paulo e Grupo Fleury) demonstrando que uma única dose oral de 10 mg de biotina — a dose corrente dos suplementos vendidos no Brasil — já altera os testes de função tireoidiana. É uma das referências do capítulo sobre biotina das Recomendações da SBPC/ML. PubMed · DOI

  8. Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia (SBEM)SBEM Faz Campanha Educativa pelo Dia Internacional da Tireoide. Campanha do Departamento de Tireoide para o Dia Internacional da Tireoide de 2025, com o tema definido pela SBEM "Fatores externos que afetam a tireoide". Entre os conteúdos anunciados na página: esclarecimentos sobre suplementos e possíveis interferências nos exames laboratoriais e, nominalmente, "a interferência da biotina nos resultados dos exames e que está presente em muitos suplementos"; medicamentos que interferem na função da tireoide, como o lítio e a amiodarona; e causas de TSH persistentemente elevado. Página verificada em 5 de setembro de 2026 (HTTP 200, 165.179 bytes) contra controle negativo com slug inventado no mesmo domínio (HTTP 404). endocrino.org.br

  9. Ministério da Saúde / DATASUSSIGTAP: Sistema de Gerenciamento da Tabela de Procedimentos, Medicamentos e OPM do SUS, competência 08/2026. Verificado por duas vias independentes em 5 de setembro de 2026, com resultados coincidentes ao centavo. (1) Leitura direta do arquivo tb_procedimento.txt da tabela unificada TabelaUnificada_202608_v2608141139 (5.023 procedimentos, ISO-8859-1, colunas de largura fixa, campo VL_SA nas posições 295 a 306): 0202060390 = 871, 0202060373 = 876, 0202060250 = 896, 0202060381 = 1160, 0202060020 = 1254, 0202060039 = 1469. (2) Tela de detalhe do procedimento 02.02.06.039-0 na aplicação oficial (acesso público), que devolveu Serviço Ambulatorial R$ 8,71 e Total Ambulatorial R$ 8,71, com a descrição oficial "consiste em um teste imunoenzimático para detecção de triiodotironina, hormônio produzido primariamente pela desiodação do T4, e também secretado diretamente pela glândula tireóide". Demonstração por enumeração de que o SUS não tem um código de T3 livre, cada contagem obtida com o mesmo comando sobre o mesmo arquivo: "TRIIODOTIRONINA" aparece em 1 das 5.023 linhas; "T3 LIVRE" aparece em 0. Controles positivos, indispensáveis porque o arquivo é latin-1 e uma busca mal configurada devolve silêncio em vez de zero: "T4 LIVRE" → 2 linhas, "TIROXINA" → 4, "CREATININA" → 3, "TIREOESTIMULANTE" → 1, "LIVRE" → 7. O T3 aparece ainda em outras duas linhas, como retenção de T3 (0202060020) e T3 reverso (0202060039), nenhuma delas uma dosagem de fração livre. Para o T4, ao contrário, total e livre têm códigos e preços distintos. Página oficial (DATASUS) · Tabela unificada (FTP)

  10. Penna GC, Bensenor IM, Bianco AC, Ettleson MD. Thyroid Hormone Homeostasis in Levothyroxine-treated Patients: Findings From ELSA-Brasil. The Journal of Clinical Endocrinology and Metabolism, 2024; 109(10): 2504-2512. Coorte brasileira (Estudo Longitudinal de Saúde do Adulto) de 15.105 adultos de 35 a 74 anos acompanhados por 8,2 anos; 186 participantes que iniciaram levotiroxina e 243 em uso contínuo. Ao iniciar o tratamento: TSH −11% a −19%, T4 livre +19% e T3 livre −7%. Em uso contínuo, 38 participantes (15,6%) tiveram ao menos um T3 livre abaixo da faixa de referência (< 0,23 ng/dL) apesar de TSH normal, e 115 (47,3%) ao menos um T4 livre acima. PubMed · DOI

Aviso médico. Este guia tem finalidade informativa e educativa; não constitui aconselhamento médico e não substitui uma consulta. Os valores de referência variam conforme o laboratório e a técnica: só o seu médico pode interpretar os seus resultados no seu contexto.