Bilirrubina alta: total, direta e indireta no laudo
Bilirrubina total, direta e indireta: os valores usados no Brasil, por que a indireta alta isolada costuma ser síndrome de Gilbert e o preço no SUS.
A bilirrubina é o pigmento amarelo que sobra quando uma hemácia chega ao fim da vida. No seu laudo ela quase nunca aparece sozinha: vem em três linhas — total, direta e indireta. Essa divisão não é detalhe de laboratório. É ela que decide para onde o médico vai olhar: a indireta aponta para o sangue, a direta aponta para o fígado e as vias biliares. Este guia reúne os valores usados no Brasil, o que faz cada fração subir e o que as fontes brasileiras realmente dizem — inclusive sobre a icterícia do recém-nascido.
Em resumo
- O laudo traz três números: bilirrubina total (BT), direta (BD) e indireta (BI). A indireta não é medida: ela é calculada pela subtração
BT − BD. - Num manual de laboratório público universitário brasileiro, os valores de referência são total até 1,00 mg/dL, indireta até 0,80 mg/dL e direta até 0,30 mg/dL.1
- Indireta alta com o resto normal orienta para hemólise ou para a síndrome de Gilbert, que é benigna. Direta alta orienta para o fígado ou para as vias biliares.1
- ⚠️ A síndrome de Gilbert é muito comum aqui: em 157 brasileiros genotipados, o alelo
(TA)7ligado a ela teve frequência de 0,324 em brancos, 0,407 em afrodescendentes e 0,328 em indígenas Parakanã.2 - ⚠️ O jejum prolongado aumenta a bilirrubina — o próprio Ministério da Saúde registra o mecanismo.3 E a SBPC/ML pede que se evitem coletas após mais de 12 horas de jejum.4
- A bilirrubina se destrói com a luz. O guia nacional do recém-nascido manda envolver o tubo em papel alumínio; o manual da USP pede soro protegido da luz.31
- ⚠️ A hemólise da amostra derruba a fração direta 32 vezes mais cedo que a total: interferência a partir de 25 mg/dL de hemoglobina livre contra 800 mg/dL.4
- No SUS existe um código só:
0202010201, "dosagem de bilirrubina total e frações", R$ 2,01. Não há código separado para a direta.5 - ⚠️ A icterícia neonatal é o grande tema brasileiro da bilirrubina — e o SUS não tem procedimento para o bilirrubinômetro transcutâneo, embora o guia do Ministério da Saúde descreva o aparelho.53
Total, direta e indireta: o que muda entre as três
A hemácia dura cerca de 120 dias. Quando ela se rompe, a hemoglobina vira bilirrubina indireta (não conjugada), que é insolúvel em água e viaja pelo sangue presa à albumina. Ao chegar ao fígado, ela se junta ao ácido glicurônico e vira bilirrubina direta (conjugada), agora solúvel, que desce pelas vias biliares até o intestino.4
Daí a lógica das três linhas:
- Indireta alta = está chegando bilirrubina demais ao fígado (hemólise), ou o fígado não está conjugando o que chega.
- Direta alta = a bilirrubina foi conjugada, mas não conseguiu sair — lesão do hepatócito ou obstrução da via biliar.
- Total = a soma. Sozinha, ela não distingue nada.
O manual da USP lista as causas de cada lado. Para a direta: lesão do hepatócito (viral, tóxica, medicamentosa, alcoólica), obstrução biliar (litíase, neoplasias) e as síndromes hereditárias de Dubin-Johnson e Rotor. Para a indireta: anemias hemolíticas, hemólise autoimune, transfusão de sangue, reabsorção de hematomas, eritropoiese ineficaz e as síndromes de Gilbert e Crigler-Najjar.1
Valores de referência das três frações
| Fração | Valor de referência (adulto) |
|---|---|
| Bilirrubina total | até 1,00 mg/dL |
| Bilirrubina indireta | até 0,80 mg/dL |
| Bilirrubina direta | até 0,30 mg/dL |
Fonte: manual de exames do Serviço de Análises Clínicas da Faculdade de Ciências Farmacêuticas de Ribeirão Preto (USP), método colorimétrico.1
Dois avisos honestos. Primeiro: não existe intervalo de referência nacional para a bilirrubina — cada laboratório publica o seu, e o número do seu laudo pode diferir. Compare sempre com a coluna do próprio laudo. Segundo: o corte de 1,0 mg/dL é unissex, e há evidência de que isso subestima a síndrome de Gilbert nas mulheres. Num estudo de 138.125 adultos do UK Biobank, usar percentis estratificados por sexo, idade e genótipo identificou 10% de mulheres com o perfil de Gilbert, contra 3,7% pelo corte histórico de ≥ 1 mg/dL.6
A icterícia — o amarelo dos olhos e da pele — só se torna clinicamente visível quando a bilirrubina total passa de cerca de 2,5 mg/dL.1 Ou seja: dá para ter o exame alterado sem ninguém notar nada.
Indireta alta e o resto normal: Gilbert ou hemólise
Este é o cenário mais frequente em adulto que se sente bem: bilirrubina indireta um pouco alta, direta normal, TGO, TGP, gama GT e fosfatase alcalina normais. Duas famílias de explicação disputam esse quadro.
A síndrome de Gilbert. É uma variante genética benigna da enzima que conjuga a bilirrubina. E ela é comum no Brasil: num estudo do Hemocentro da Unicamp com 157 pessoas — 71 brancos, 54 afrodescendentes e 32 indígenas Parakanã —, a frequência do alelo (TA)7 associado à síndrome foi de 0,324, 0,407 e 0,328, respectivamente.2 São frequências altas em todos os três grupos. ⚠️ Atenção à leitura: frequência de alelo não é prevalência de síndrome — carregar a variante não significa ter bilirrubina alta. Não encontramos uma estimativa brasileira publicada da prevalência clínica da síndrome de Gilbert.
O detalhe que interessa a quem vai ao laboratório: o jejum aumenta a bilirrubina nesse perfil. O guia do Ministério da Saúde descreve o mecanismo ao falar do recém-nascido pré-termo — "o jejum prolongado, que favorece a absorção da bilirrubina no nível intestinal e seu maior aporte para a circulação sanguínea".3 É por isso que uma coleta feita depois de uma noite longa sem comer pode devolver um número mais alto do que o habitual.
A hemólise. Se as hemácias estão se destruindo em excesso, a bilirrubina indireta sobe — mas nunca sozinha. O Ministério da Saúde, no protocolo nacional da doença falciforme, lista as variáveis hemolíticas em bloco: hemoglobina, LDH, reticulócitos, haptoglobina e bilirrubina indireta.7 É esse conjunto que se lê junto, ao lado do hemograma completo, da hemoglobina e, quando cabe, da G6PD.
Em resumo: bilirrubina indireta alta + haptoglobina baixa + reticulócitos altos desenha hemólise. Bilirrubina indireta alta com todo o resto normal desenha Gilbert. Quem decide é o médico.
Direta alta: fígado e vias biliares
Uma bilirrubina direta alta muda o problema de lugar. Ela é a fração que já foi processada pelo fígado, então uma elevação significa que algo trava a saída — hepatite, lesão tóxica ou medicamentosa, cálculo, tumor.1 Nesse caso, a bilirrubina não se lê sozinha: ela é uma das cinco linhas do hepatograma, e o padrão do conjunto é que orienta.
Vale um alerta técnico. A SBPC/ML publica uma tabela de interferências (creditada, no próprio documento, ao laboratório de especialidades da Clínica Dávila, no Chile) que mostra a fração direta como uma das mais frágeis de todo o painel bioquímico: ela sofre interferência a partir de 25 mg/dL de hemoglobina livre, contra 800 mg/dL para a total.4 Uma coleta difícil, com hemólise no tubo, pode portanto distorcer justamente a fração que mais importa. Se o resultado não bate com o quadro, repetir a coleta é razoável.
Icterícia do recém-nascido: o que dizem as fontes brasileiras
Aqui está o maior uso da bilirrubina no Brasil. A descrição oficial do procedimento no SUS diz isso com todas as letras: a dosagem "é útil na avaliação de hepatopatias e de quadros hemolíticos, em particular, na avaliação da icterícia do recém-nascido".5
O guia nacional do Ministério da Saúde define hiperbilirrubinemia como bilirrubina indireta acima de 1,5 mg/dL, ou direta acima de 1,5 mg/dL desde que represente mais de 10% da total. E registra que 98% dos recém-nascidos têm bilirrubina indireta acima de 1 mg/dL na primeira semana — na maioria das vezes, a adaptação normal do bebê.3 O documento classifica a hiperbilirrubinemia em significante (BT > 15–17 mg/dL, de 1% a 8% dos nascidos vivos), grave (> 25 mg/dL, um caso em 500 a 5.000) e extrema (> 30 mg/dL, um em 15.000).3
Três pontos que o guia deixa explícitos e que valem para os pais:
- O olho engana. A avaliação clínica é subestimada em peles mais pigmentadas e depende da iluminação do ambiente. Acima de 12 mg/dL, a estimativa visual não basta.3
- O aparelho transcutâneo existe e tem limite. A medida é feita de preferência no esterno, com correlação de 0,91 a 0,93 com a dosagem sérica até valores de 13 a 15 mg/dL, independentemente da cor da pele — mas valores ≥ 13 mg/dL precisam ser confirmados no sangue.3 Um estudo brasileiro com 58 recém-nascidos a termo confirmou a preferência pelo esterno: a média transcutânea no esterno foi de 9,9 mg/dL contra 10,2 mg/dL no plasma, enquanto a medida na fronte deu 8,6 mg/dL, significativamente mais baixa.8
- Não há consenso sobre os limiares de fototerapia. O texto é do próprio Ministério da Saúde.3 A tabela nacional para bebês de 35 semanas ou mais vai de 8 a 10 mg/dL às 24 horas até 15 a 17 mg/dL entre o 5º e o 7º dia, conforme a idade gestacional.3 Esses números são de leitura médica: quem indica ou suspende fototerapia é o pediatra, sempre.
Sobre as causas: um protocolo de maternidade-escola federal orienta pedir bilirrubina total e frações, hemograma, tipagem sanguínea da mãe e do bebê e Coombs direto — e lembra que a dosagem de G6PD deve ser feita depois da resolução da hemólise, pelo risco de falso negativo.9 O guia nacional estima que a deficiência de G6PD atinja até 7% da população brasileira.3 Um protocolo municipal paulista usa gatilho ainda mais simples: pedir hemograma, reticulócitos e bilirrubinas quando o amarelo já passa da zona 3 de Kramer, ou seja, quando o amarelo alcança os joelhos e os cotovelos.10
⚠️ Mas o peso desses fatores no Brasil é menor do que se supõe. Numa coorte de 608 recém-nascidos brasileiros, nem a variante africana da deficiência de G6PD (presente em 6,1%) nem os polimorfismos do gene UGT1A1 (12,0%) foram fatores de risco para hiperbilirrubinemia moderada; os preditores independentes foram idade gestacional abaixo de 38 semanas e o percentil da curva de referência.11 E em 490 recém-nascidos ictéricos de Porto Alegre, a prevalência de deficiência de G6PD foi de 4,6%, sem associação com variantes do UGT1A1.12
A boa notícia é organizacional. Um programa brasileiro de monitoramento em maternidade, com 432 recém-nascidos de 35 semanas ou mais, encaminhou 12,3% para ambulatório após a alta, teve 83% de retorno, reinternou 2,7% para fototerapia, nenhuma exsanguineotransfusão — e reduziu o uso de fototerapia em três vezes.13
Preparo, luz e quanto custa
Jejum: o manual da USP pede jejum mínimo de 3 horas para todas as idades — bem menos do que as 8 a 12 horas que muita gente supõe. Em lactentes, a coleta deve ser feita antes da próxima mamada.1 A SBPC/ML recomenda evitar jejum acima de 12 horas em qualquer coleta de sangue.4 Como o jejum longo tende a elevar a bilirrubina indireta, exigir mais tempo não melhora o exame.
Luz: este é o ponto mais esquecido. A amostra deve ser protegida da luz — 1 mL de soro, conservado a 2–8 °C por 48 horas, sempre ao abrigo.1 No recém-nascido, o guia do Ministério da Saúde é direto: o frasco ou capilar deve ficar envolto em papel alumínio "para evitar o contato com a luz e a degradação da bilirrubina".3 ⚠️ Divergência verificada: as Recomendações da SBPC/ML não trazem essa instrução para a amostra de soro — em todo o documento, as menções à luz e à bilirrubina se referem apenas às fitas reagentes de urina.4
No pedido: a mesma SBPC/ML pede que se evitem nomes genéricos, e cita "bilirrubinas" como exemplo do que não escrever — o pedido deve especificar total e frações.4
No SUS: o procedimento 0202010201, "dosagem de bilirrubina total e frações", custa R$ 2,01, complexidade média, sem restrição de sexo ou idade.5 ⚠️ Demonstração por enumeração: nas 5.023 linhas da tabela do SIGTAP, essa é a única ocorrência de "bilirrubina" — não existe código separado para a fração direta, nem procedimento algum para o bilirrubinômetro transcutâneo. A fototerapia tem código próprio (0303080108, R$ 4,00 por sessão), assim como a exsanguineotransfusão (0306020130).5 Veja também quanto custa um exame de sangue.
Perguntas frequentes
Bilirrubina indireta alta é grave? Depende do resto. Isolada, com fígado e hemograma normais, a causa mais provável em adulto saudável é a síndrome de Gilbert, que é benigna e não exige tratamento. Acompanhada de haptoglobina baixa e reticulócitos altos, aponta hemólise e pede investigação. Só o médico fecha essa leitura.
Preciso estar em jejum? O manual da USP pede 3 horas.1 Jejuns muito longos são desaconselhados pela SBPC/ML4 e podem elevar a bilirrubina indireta.3 Confirme sempre com o laboratório onde você vai coletar.
Por que a indireta não aparece medida? Porque ela não é medida: o laboratório dosa a total e a direta, e obtém a indireta por subtração. É por isso que um erro na direta contamina a indireta.
A bilirrubina do meu bebê está alta. O que fazer? Procure o pediatra — este guia não substitui essa consulta. O que se pode dizer é o que o guia nacional registra: icterícia nas primeiras 24 a 36 horas de vida sempre pede dosagem, a avaliação a olho nu é insuficiente e a conduta depende da idade em horas, da idade gestacional e dos fatores de risco.3
Bilirrubina baixa é problema? Não. Os valores de referência da bilirrubina têm apenas limite superior.1 Alguns medicamentos que ativam o sistema microssomal hepático podem reduzir as bilirrubinas.1
Para o vocabulário do laudo, veja o glossário de exames de sangue; para converter mg/dL em µmol/L, o conversor de unidades. E para uma leitura do conjunto do seu resultado, o AI DiagMe é um complemento à avaliação do seu médico — nunca um substituto.
Fontes
Fontes institucionais brasileiras e publicações científicas (PubMed) usadas neste guia:
Footnotes
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Serviço de Análises Clínicas, Faculdade de Ciências Farmacêuticas de Ribeirão Preto, Universidade de São Paulo (USP) — Manual de Exames, 55 páginas, publicado no portal da Prefeitura Municipal de Ribeirão Preto. Verbete "Bilirrubinas": jejum mínimo de 3 horas para todas as idades, coleta em lactentes antes da próxima mamada, 1 mL de soro protegido da luz, conservação refrigerada de 2 a 8 °C por 48 horas protegido da luz, interferência por amostras intensamente hemolisadas, método colorimétrico; valores de referência total até 1,00 mg/dL, indireta até 0,80 mg/dL e direta até 0,30 mg/dL, e, em neonatos, < 8,80 mg/dL até 24 horas e 1,30 a 11,30 mg/dL até 48 horas; icterícia clinicamente manifesta acima de 2,5 mg/dL; listas de causas de aumento da fração direta e da fração indireta; redução das bilirrubinas por drogas que ativam o sistema microssomal hepático. PDF ↩ ↩2 ↩3 ↩4 ↩5 ↩6 ↩7 ↩8 ↩9 ↩10 ↩11 ↩12
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Fertrin KY, Gonçalves MS, Saad ST, Costa FF. Frequencies of UDP-glucuronosyltransferase 1 (UGT1A1) gene promoter polymorphisms among distinct ethnic groups from Brazil. Am J Med Genet. 2002;108(2):117-9. Estudo do Hemocentro da Unicamp com 157 brasileiros — 71 brancos, 54 afrodescendentes e 32 indígenas Parakanã. Frequências do alelo
(TA)7associado à síndrome de Gilbert: 0,324, 0,407 e 0,328, respectivamente; as frequências genotípicas diferiram significativamente entre brancos e afrodescendentes. PubMed 11857560 ↩ ↩2 -
Ministério da Saúde, Secretaria de Atenção à Saúde, Departamento de Ações Programáticas Estratégicas — Atenção à Saúde do Recém-Nascido: Guia para os Profissionais de Saúde. Volume 2 — Intervenções Comuns, Icterícia e Infecções. 2ª edição atualizada, Brasília, 2014, 167 páginas. Capítulo 13 (Icterícia), seções consultadas: definição de hiperbilirrubinemia (BI > 1,5 mg/dL ou BD > 1,5 mg/dL desde que > 10% da BT); 98% dos RN com BI > 1 mg/dL na primeira semana; classificação significante/grave/extrema com as respectivas frequências; kernicterus em 1 caso por 40.000 a 150.000 nascidos vivos nos países desenvolvidos nos anos 2000; zonas de Kramer; subestimação da icterícia em peles mais pigmentadas; 13.3 "Determinação da bilirrubina" (papel alumínio, micrométodo de 50 µL, bilirrubina transcutânea de preferência no esterno, correlação de 0,91 a 0,93 até 13–15 mg/dL, confirmação sérica acima de 13 mg/dL); estimativa de até 7% da população brasileira com deficiência de G-6-PD; jejum prolongado favorecendo a absorção intestinal da bilirrubina; "não há consenso quanto aos níveis séricos de BT para indicação de fototerapia"; Tabela 6 (35 semanas ou mais) e Tabela 7 (< 34 semanas); Figura 3 (roteiro de avaliação a cada 8–12 horas). Página oficial (gov.br/saude) ↩ ↩2 ↩3 ↩4 ↩5 ↩6 ↩7 ↩8 ↩9 ↩10 ↩11 ↩12 ↩13 ↩14
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Sociedade Brasileira de Patologia Clínica / Medicina Laboratorial (SBPC/ML) — Recomendações da SBPC/ML: boas práticas em laboratório clínico. Capítulos consultados: variáveis pré-analíticas (evitar coletas após jejum acima de 12 horas); pedido laboratorial ("deve-se evitar nomes genéricos do tipo: íons, função renal, bilirrubinas"); amostra hemolisada, com a Tabela 1 de interferências creditada no próprio documento ao laboratório de especialidades da Clínica Dávila, Chile (bilirrubina direta afetada a partir de 25 mg/dL de hemoglobina livre e de 750 mg/dL de triglicérides; bilirrubina total a partir de 800 mg/dL e 1.000 mg/dL); inibição da formação de cor pela hemoglobina livre na metodologia de Jendrassik-Grof; capítulo "Bilirrubina e urobilinogênio" da urinálise (fisiologia das duas frações e falso-negativo por exposição à luz nas fitas reagentes). Ausência verificada por enumeração: nenhuma recomendação de proteção da amostra de soro contra a luz — as 26 ocorrências da palavra "luz" no documento não incluem essa instrução. PDF ↩ ↩2 ↩3 ↩4 ↩5 ↩6 ↩7 ↩8
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Ministério da Saúde / DATASUS — SIGTAP: Sistema de Gerenciamento da Tabela de Procedimentos, Medicamentos e OPM do SUS, competência 202608 (tabela
tb_procedimento, 5.023 procedimentos). Procedimento 0202010201 "DOSAGEM DE BILIRRUBINA TOTAL E FRACOES", valor ambulatorial R$ 2,01, complexidade média, sexo indiferente. Arquivotb_descricao: "a dosagem de bilirrubina total e frações é útil na avaliação de hepatopatias e de quadros hemolíticos, em particular, na avaliação da icterícia do recém-nascido". Também consultados: fototerapia por sessão (0303080108, R$ 4,00) e exsanguineotransfusão (0306020130). Demonstrações por enumeração: "bilirrubina" aparece uma única vez em todas as 5.023 linhas — não há código para a fração direta isolada, nem para bilirrubinômetro transcutâneo; o subgrupo de bioquímica tem 79 procedimentos; e o arquivorl_procedimento_tussnão traz correspondência TUSS para o código 0202010201. Página oficial (DATASUS) ↩ ↩2 ↩3 ↩4 ↩5 -
Fonte internacional, citada em complemento por não existir equivalente brasileiro. Poynard T, Deckmyn O, Peta V, Sakka M, Lebray P, Moussalli J, Pais R, Housset C, Ratziu V, Pasmant E, Thabut D; FibroFrance Group. Clinical and genetic definition of serum bilirubin levels for the diagnosis of Gilbert syndrome and hypobilirubinemia. Hepatol Commun. 2023;7(10):e0245. Análise de 138.125 participantes do UK Biobank com fígado aparentemente saudável. Com percentis estratificados por sexo, idade e genótipo UGT1A1*28, 10% das mulheres (7.741/76.809) foram classificadas com síndrome de Gilbert, contra 3,7% (2.819/76.809) pelo corte unissex histórico de bilirrubina total ≥ 1 mg/dL (17 µmol/L), p < 0,0001. Após ajuste e randomização mendeliana, apenas a colelitíase foi mais prevalente (OR 1,50; IC 95% 1,3–1,7) nos homens com a síndrome; nenhuma diferença de sobrevida foi associada à síndrome. PubMed 37738404 · DOI ↩
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Ministério da Saúde (SAES/SECTICS) — Protocolo Clínico e Diretrizes Terapêuticas da Doença Falciforme, aprovado pela Portaria Conjunta SAES/SECTICS nº 16, de 1º de novembro de 2024. Trechos consultados: enumeração das variáveis hemolíticas monitoradas — "variação na concentração de hemoglobina; lactato desidrogenase; número de reticulócitos; haptoglobina e bilirrubina indireta"; e a lista de exames do atendimento inicial à gestante com doença falciforme, que inclui hemograma, reticulócitos, ferritina, bilirrubinas, TGO, TGP, LDH e fosfatase alcalina. PDF (gov.br/saude) ↩
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Conceição CM, Dornaus MF, Portella MA, Deutsch AD, Rebello CM. Influence of assessment site in measuring transcutaneous bilirubin. Einstein (São Paulo). 2014;12(1):11-5. Coorte brasileira (Hospital Israelita Albert Einstein) com 58 recém-nascidos a termo sem doença hemolítica. Bilirrubina transcutânea no esterno 9,9 ± 2,2 mg/dL contra plasma 10,2 ± 1,7 mg/dL (valores correspondentes) e fronte 8,6 ± 2,0 mg/dL (p < 0,05); correlação com a bilirrubina sérica de r = 0,704 na fronte e r = 0,653 no esterno. PubMed 24728239 · DOI ↩
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Empresa Brasileira de Serviços Hospitalares (EBSERH) / Maternidade-Escola Assis Chateaubriand, Complexo Hospitalar da Universidade Federal do Ceará — Protocolo PRO.MED-NEO-MEAC.030 — Icterícia Neonatal, versão 3, emissão 09/03/2023, 14 páginas. Seções consultadas: critérios de icterícia patológica (surgimento antes de 24 horas, BT > 4 mg/dL no cordão, incremento de BI ≥ 0,5 mg/dL/hora, duração acima de 10 dias no termo e 21 no prematuro); exames iniciais (bilirrubina total e frações, hemograma, tipagem materna e do RN, Coombs direto, e G6PD "preferencialmente após resolução da hemólise pela possibilidade de falso negativo associado à reticulocitose"); ressalva de que, se a BD representar mais de 50% da BT, a indicação de fototerapia exige avaliação de profissional experiente; zonas de Kramer e quadros de fototerapia e exsanguineotransfusão. PDF (gov.br/hubrasil) ↩
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Secretaria Municipal de Saúde de Jundiaí (SP) — Atualização dos critérios laboratoriais na icterícia neonatal: protocolo singularizado para o Município de Jundiaí, versão I, 2021. Exames solicitados quando a icterícia atinge a zona 3 de Kramer: hemograma, reticulócitos e bilirrubinas totais e frações. Tabelas municipais de fototerapia e exsanguineotransfusão por idade gestacional e idade pós-natal. Citado também como registro de acesso: o protocolo referencia o documento científico do Departamento de Neonatologia da Sociedade Brasileira de Pediatria ("Icterícia no recém-nascido com idade gestacional > 35 semanas", elaborado em 11/11/2012), cujo texto não pôde ser consultado: o domínio
sbp.com.brdevolveu HTTP 403 em todas as tentativas, tanto na página inicial quanto nos PDF diretos. Nenhum dado da SBP foi usado neste guia. PDF ↩ -
Mezzacappa MA, Facchini FP, Pinto AC, Cassone AE, Souza DS, Bezerra MA, Albuquerque DM, Saad ST, Costa FF. Clinical and genetic risk factors for moderate hyperbilirubinemia in Brazilian newborn infants. J Perinatol. 2010;30(12):819-26. Coorte de 608 recém-nascidos brasileiros (Unicamp), desfecho bilirrubina total ≥ 12,9 mg/dL. A variante africana da deficiência de G6PD (6,1%) e os polimorfismos
(TA)7/(TA)7e(TA)7/(TA)8do UGT1A1 (12,0%) não foram fatores de risco; a coexpressão das duas ocorreu em 0,49%. Preditores clínicos independentes: idade gestacional < 38 semanas e percentil da curva de referência > P40. PubMed 20376058 · DOI ↩ -
Carvalho CG, Castro SM, Santin AP, Zaleski C, Carvalho FG, Giugliani R. Glucose-6-phosphate-dehydrogenase deficiency and its correlation with other risk factors in jaundiced newborns in Southern Brazil. Asian Pac J Trop Biomed. 2011;1(2):110-3. Estudo caso-controle prospectivo com 490 recém-nascidos de 35 semanas ou mais internados para fototerapia no Hospital de Clínicas de Porto Alegre. Prevalência de deficiência de G6PD de 4,6%, razão de 3 meninos para 1 menina, maior proporção em afrodescendentes, nenhuma mutação mediterrânea e nenhuma associação com variantes do UGT1A1. PubMed 23569738 · DOI ↩
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Grillo ALY, Marba STM, Caldas JPS. Hyperbilirubinemia monitoring program in infants ≥ 35 weeks: a Brazilian quality improvement study. J Pediatr (Rio J). 2026;102(2):101502. Estudo brasileiro de melhoria da qualidade (Unicamp) em alojamento conjunto de hospital secundário, com 432 recém-nascidos de 35 semanas ou mais e medida sistemática de bilirrubina transcutânea. 53 (12,3%) encaminhados a ambulatório específico, 83% de retorno, 12 (2,7%) reinternados para fototerapia por mediana de 36 horas, nenhuma exsanguineotransfusão; o programa reduziu a taxa de uso de fototerapia em três vezes. PubMed 41592746 · DOI ↩