Capacidade de ligação do ferro: o exame de 4 nomes
CTLF, capacidade de fixação, capacidade ferropéxica ou TIBC: o mesmo exame tem quatro nomes oficiais no Brasil. Entenda por que ela sobe quando falta ferro.
A capacidade de ligação do ferro mede quanto ferro caberia no seu sangue se todos os transportadores estivessem cheios. É a linha do laudo que mais confunde — por dois motivos. Primeiro, porque ela sobe quando o ferro falta, o contrário do que a intuição diz. Segundo, porque este exame tem quatro nomes oficiais diferentes no Brasil, e nenhum documento usa mais de um. Este guia mostra os quatro, com a fonte de cada um.
Em resumo
- A capacidade de ligação do ferro mede a capacidade de transporte do seu sangue, não o seu estoque. Quem mede estoque é a ferritina.
- ⚠️ Ela sobe quando falta ferro. Sem matéria-prima, o fígado fabrica mais transferrina — mais vagões vazios. O protocolo do Ministério da Saúde descreve na falta de ferro uma "capacidade ferropéxica sérica acima de 4 mg/L".1
- 🔴 Quatro nomes, quatro documentos, zero sobreposição. A tabela do SUS diz fixação; a ABHH diz ligação; o protocolo do Ministério diz ferropéxica; o laudo imprime CTLF ou TIBC.231
- No SUS ela é o código 0202010023, "Determinação de capacidade de fixação do ferro", a R$ 2,01 — a mais barata de todo o estudo do ferro.2
- Nos planos de saúde é o código TUSS 40301427, também escrito com "fixação".4
- Ela pode ser dosada na bancada ou calculada a partir da transferrina. ⚠️ O fator de conversão depende das unidades: ×25 só vale de g/L para µmol/L; de mg/dL para µg/dL o fator é ≈ 1,4.
- ⚠️ Não existe fator universal. Em 21 laboratórios auditados, 14 (66%) usavam fatores diferentes, de 0,74 a 1,44.5 Um estudo com 246 pacientes concluiu que "não é possível desenvolver um algoritmo universal".6
- Nenhum valor de referência brasileiro oficial existe. A literatura nacional cita 250 a 450 µg/dL.7
- Ela desce na inflamação, na doença do fígado, na desnutrição e na síndrome nefrótica.7
Quatro nomes para um único exame
Este é o problema prático número um desta página. Se você procurar o seu exame na tabela oficial do SUS pelo nome que o laboratório imprimiu, você não encontra.
Fizemos a verificação lendo diretamente a tabela tb_procedimento do SIGTAP, competência 08/2026, com 5 023 procedimentos.2 Veja o que cada instituição escreve:
| Quem escreve | Nome usado | Onde |
|---|---|---|
| DATASUS / SUS | capacidade de fixação do ferro | SIGTAP, código 02020100232 |
| ANS / planos de saúde | capacidade de fixação de ferro | TUSS, código 403014274 |
| ABHH (hematologistas) | capacidade total de ligação do ferro | Consenso PBM, 20233 |
| Ministério da Saúde | capacidade ferropéxica sérica | PCDT da anemia por deficiência de ferro1 |
| Laboratório / laudo | CTLF ou TIBC | uso corrente |
A separação é total. No consenso da ABHH, "fixação do ferro" aparece zero vez. Na tabela do SUS, a raiz "ligação" aplicada ao ferro retorna zero procedimento. E no protocolo do Ministério não aparece nem "ligação" nem "fixação": só "ferropéxica", uma única vez.
Um controle que vale a pena conhecer. Poderíamos suspeitar de um erro de busca. Mas a expressão "capacidade de ligação" existe na tabela dos planos de saúde — no código 40316670, "Capacidade de ligação da vitamina B12".4 O vocabulário está lá. Ele simplesmente nunca é aplicado ao ferro nas tabelas oficiais brasileiras.
Uma observação sobre o termo mais antigo. "Capacidade ferropéxica" soa arcaico, e é — mas ele não está num documento revogado. Está no PCDT da anemia por deficiência de ferro, anexo da Portaria SAS/MS nº 1.247/2014, que continua sendo o protocolo em vigor.1
Ela é dosada ou calculada?
As duas coisas — e vale saber qual caminho o seu laboratório usou.
O caminho da bancada
O método clássico não mede a transferrina. Ele satura o soro: adiciona-se ferro em excesso até preencher todos os lugares vazios do transportador. O que foi preenchido é a capacidade latente (UIBC). Somando a capacidade latente ao ferro sérico já dosado, chega-se à capacidade total.7
As duas tabelas oficiais brasileiras tratam o exame como um ato de bancada: o SUS o chama de "determinação", e a TUSS de "pesquisa e/ou dosagem".24 Ele tem código e preço próprios — não é uma conta feita pelo software.
O caminho do cálculo
Mas ele também pode ser derivado: se o laboratório já dosou a transferrina, basta multiplicá-la por um fator.5 Muitos laboratórios fazem exatamente isso e imprimem as duas linhas, sem avisar que uma delas nasceu da outra.
⚠️ O fator só existe com a unidade junto
Aqui mora o erro mais caro desta página. A literatura brasileira registra que, "para a obtenção do valor de TIBC a partir da transferrina sérica, deve-se multiplicar o resultado da dosagem da transferrina por 25".7 A frase não traz as unidades — e sem elas o número é perigoso.
O ×25 só funciona de g/L (transferrina) para µmol/L (CTLF). A conta fecha porque cada molécula de transferrina carrega dois átomos de ferro: 1 g/L ÷ 79 570 g/mol × 2 ≈ 25 µmol/L.
Se o seu laudo estiver em mg/dL e µg/dL, que é o mais comum no Brasil, o fator é ≈ 1,4. Faça a conta com um valor realista:
| Transferrina | Fator correto (1,4) | Se você usar ×25 |
|---|---|---|
| 250 mg/dL | 349 µg/dL ✅ | 6 250 µg/dL ❌ |
| 300 mg/dL | 419 µg/dL ✅ | 7 500 µg/dL ❌ |
O resultado errado fica cerca de 18 vezes acima do certo, e mais de dez vezes acima do teto do intervalo normal. Se precisar converter valores, use o conversor de unidades — e confira sempre a unidade impressa ao lado do número.
Pior: não existe um fator único. Um levantamento de 2026 examinou 21 laboratórios certificados nos Estados Unidos e encontrou 14 (66%) usando fatores diferentes, de 0,74 a 1,44 para o limite inferior do intervalo de referência.5 Um estudo anterior, com 246 pacientes, foi direto: "não é possível desenvolver um algoritmo universal para a conversão".6 Como o Brasil não publicou fator nem intervalo próprios, cada laboratório resolve isso sozinho.
Por que ela sobe quando o ferro falta
Esta é a confusão número um, e a explicação é simples.
Pense num sistema de entrega. A transferrina é o caminhão que leva o ferro até a medula óssea, onde ele entra na hemoglobina das novas hemácias. A capacidade de ligação mede quantos lugares existem em toda a frota, cheios ou vazios.
Quando o ferro começa a faltar, o corpo aumenta a frota. O fígado fabrica mais transferrina, os lugares vazios se multiplicam, e a capacidade total sobe — justamente porque falta carga. O PCDT descreve esse quadro: "ferro sérico baixo, transferrina alta e uma saturação da transferrina baixa".1
É por isso que a capacidade de ligação, sozinha, engana. Ela conta os vagões, não a carga. Quem diz se há carga é a saturação da transferrina — a proporção dos lugares realmente ocupados.
Quando ela desce
O movimento contrário tem várias causas, e nenhuma delas é falta de ferro. A transferrina é uma proteína de fase aguda negativa: a produção cai quando o organismo está sob estresse.7
- Inflamação e infecção — a produção de transferrina diminui.
- Doença do fígado — a fábrica é o próprio fígado.
- Desnutrição — falta matéria-prima para fabricar a proteína.
- Síndrome nefrótica — a proteína é perdida na urina.
- Sobrecarga de ferro, como na hemocromatose.7
Duas situações a aumentam sem que haja doença: a gravidez e o uso de anticoncepcional oral.7
Essa dupla causa é o que torna o exame difícil de ler isolado. Uma capacidade baixa pode significar inflamação, fígado, rim ou excesso de ferro — quatro caminhos completamente diferentes. E há uma armadilha clínica embutida: numa pessoa com falta de ferro e inflamação ao mesmo tempo, os dois efeitos se anulam. A capacidade sobe pela falta de ferro e desce pela inflamação, e o resultado final pode sair dentro da faixa normal mesmo com o estoque esgotado. Por isso a ABHH recomenda apoiar-se na saturação quando há inflamação em jogo.3
Os números — e o que o Brasil não publicou
Aqui é preciso ser franco: não existe intervalo de referência institucional brasileiro para este exame. Nem a Pesquisa Nacional de Saúde nem o ENANI-2019 dosaram a capacidade de ligação do ferro. A SBPC/ML, na sua obra de referência de 592 páginas, cita "TIBC" uma única vez — dentro de uma lista de menu de equipamento, sem nenhuma orientação clínica.8
O que existe é literatura. A revista da própria ABHH registra que, em 100 mL de soro, há transferrina suficiente para ligar 250 a 450 µg de ferro — ou seja, 250 a 450 µg/dL.7 E o protocolo do Ministério da Saúde aponta, na falta de ferro, uma capacidade ferropéxica acima de 4 mg/L.1 Repare na armadilha: 4 mg/L = 400 µg/dL. O Estado escreve o limiar numa unidade que nenhum laudo brasileiro imprime.
⚠️ Qualquer intervalo que apareça no seu laudo é uma convenção do laboratório, não uma norma nacional. Compare sempre com a faixa impressa na sua própria folha.
Vale lembrar que intervalos fixos são discutíveis por natureza. Uma análise de 7 990 adultos saudáveis mostrou que os biomarcadores do ferro variam de forma importante conforme idade, sexo, estado menopausal e etnia — o que os intervalos únicos não capturam.9
Capacidade total e capacidade latente
O seu laudo pode trazer duas linhas parecidas:
- Capacidade total (CTLF/TIBC) — todos os lugares, ocupados e vazios.
- Capacidade latente (UIBC) — só os lugares vazios.
A relação é aritmética: capacidade latente + ferro sérico = capacidade total.7 A ABHH cita as duas ao descrever o cálculo da saturação.3
Mas há um detalhe brasileiro: a capacidade latente não tem código próprio em lugar nenhum. Nem no SIGTAP, nem na TUSS. A busca por "latente" e por "UIBC" retorna zero nas duas tabelas.24 Ela é um passo intermediário do método — cobrado dentro da capacidade total.
Quanto custa
No SUS, o estudo do ferro é cobrado exame por exame. Não existe código de painel: as buscas por "cinética", "perfil" e "metabolismo" do ferro não retornam nenhum procedimento de laboratório.2
| Exame | Código SIGTAP | Valor |
|---|---|---|
| Capacidade de fixação do ferro | 0202010023 | R$ 2,01 |
| Ferro sérico | 0202010392 | R$ 3,51 |
| Transferrina | 0202010660 | R$ 4,12 |
| Ferritina | 0202010384 | R$ 15,59 |
A capacidade de fixação é a mais barata das quatro — quase oito vezes menos que a ferritina. Nos planos de saúde, a TUSS lista o mesmo exame como 40301427.4 Veja mais na página sobre quanto custa um exame de sangue.
Uma diferença curiosa entre as duas tabelas: a saturação da transferrina tem código na TUSS (40321231, "Índice de saturação de ferro"), mas nenhum no SIGTAP.42 No SUS ela é sempre uma conta, nunca um procedimento pago.
Ela ainda é útil?
Há divergência real, e ela merece ser mostrada dos dois lados.
Contra. Uma revisão em química clínica recomenda medir a transferrina, e não a CTLF. Os argumentos: os métodos de CTLF superestimam a capacidade, porque o ferro adicionado se liga também a outras proteínas do plasma, sobretudo à albumina; e não há valores de referência genéricos para a CTLF, enquanto a transferrina tem intervalos internacionais aceitos.10
A favor. O mesmo texto ressalva que, em populações com variação genética marcada da transferrina, a dosagem imunoquímica pode errar — e aí a CTLF é preferível.10 E há o argumento brasileiro: no SUS, a capacidade de fixação custa R$ 2,01 contra R$ 4,12 da transferrina, e a dosagem direta da transferrina é descrita na literatura nacional como técnica "pouco difundida entre os laboratórios clínicos".7
Na prática, o exame segue vivo porque alimenta a saturação — e a saturação segue central. Ela é usada, por exemplo, para avaliar ferro instável na doença hepática crônica, num estudo conduzido em serviços brasileiros;11 e o diagnóstico de deficiência de ferro na insuficiência cardíaca continua apoiado em ferritina e saturação.12
Quando este exame costuma ser pedido
Na prática brasileira, ele raramente é pedido sozinho. Aparece dentro de um conjunto, em três situações.
- Investigar uma anemia já vista no hemograma, sobretudo quando o VCM está baixo e a suspeita é de falta de ferro.
- Fechar a conta da saturação, quando o laboratório não dosou a transferrina diretamente.
- Investigar o excesso de ferro, em que a capacidade tende a estar baixa e a saturação alta.
Vale notar o que o protocolo do Ministério da Saúde efetivamente pede na suspeita de anemia ferropriva: hemograma completo e ferritina. Os demais são descritos como não obrigatórios, e a capacidade de fixação sequer é nomeada nesse item.1 Para o diagnóstico inicial, o Estado não a considera indispensável.
O que fazer com o resultado
Nunca leia esta linha sozinha. Ela só significa alguma coisa ao lado do ferro sérico e da ferritina — o conjunto que a cinética do ferro reúne, e que se lê junto com o hemograma completo e o VCM. Leve o laudo inteiro à consulta: quem interpreta é o seu médico, que conhece o seu contexto.
Precisa entender outros termos do seu laudo? Consulte o glossário de exames de sangue ou organize os seus resultados com a AiDiagMe.
Perguntas frequentes
Capacidade de fixação e capacidade de ligação são o mesmo exame? Sim. São traduções diferentes do mesmo termo. O SUS e a TUSS escrevem "fixação"; a ABHH e a maioria dos laboratórios escrevem "ligação".243
O que é CTLF no meu laudo? Capacidade Total de Ligação do Ferro. Em inglês, TIBC. É a mesma linha.
Minha capacidade está alta. Tenho excesso de ferro? É o contrário do que parece. Capacidade alta costuma acompanhar falta de ferro, porque o corpo fabrica mais transportadores vazios.1 Só o conjunto do laudo decide.
Preciso estar em jejum? Quem oscila muito ao longo do dia é o ferro sérico, e é ele que entra na conta da saturação. Siga a orientação impressa no seu pedido, que varia conforme o laboratório.
Por que meu laudo traz transferrina e capacidade juntas? Porque medem a mesma coisa por caminhos diferentes. Provavelmente uma foi dosada e a outra calculada a partir dela.5
A capacidade ferropéxica é outro exame? Não. É o nome usado pelo protocolo do Ministério da Saúde para a mesma medida.1
Fontes
Fontes institucionais brasileiras e publicações científicas (PubMed) usadas neste guia:
Footnotes
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Ministério da Saúde — Protocolo Clínico e Diretrizes Terapêuticas: Anemia por deficiência de ferro, anexo da Portaria SAS/MS nº 1.247, de 10 de novembro de 2014, versão em vigor na página oficial de PCDT. Item 4.2, Diagnóstico laboratorial: "deve-se solicitar um hemograma completo […] e dosagem de ferritina. Outras medidas, como ferro sérico, transferrina e a saturação da transferrina não são obrigatórios. Pacientes com ADF têm ferro sérico baixo, transferrina alta e uma saturação da transferrina baixa." Registre-se que a capacidade de fixação não figura nessa lista: o protocolo nomeia três exames como não obrigatórios e simplesmente não cita o quarto no item 4.2. Mais adiante, ao descrever a evolução laboratorial, o texto usa o termo "capacidade ferropéxica sérica acima de 4 mg/L" — única ocorrência do termo no documento, e única menção à medida em todo o protocolo. As grafias "ligação do ferro" e "fixação do ferro" retornam zero ocorrência no PCDT. gov.br/saude ↩ ↩2 ↩3 ↩4 ↩5 ↩6 ↩7 ↩8 ↩9
-
Ministério da Saúde / DATASUS — SIGTAP, Sistema de Gerenciamento da Tabela de Procedimentos, Medicamentos e OPM do SUS, tabela
tb_procedimento, competência 202608 (1 697 774 bytes, 5 023 procedimentos). Verificação por leitura direta do arquivo, decodificado em latin-1 e com normalização de acentos (2 483 das 5 023 linhas contêm acentos, o que confirma que a normalização está ativa). Resultados:FIXACAOretorna 0202010023 "Determinação de capacidade de fixação do ferro", R$ 2,01;FERRITretorna 0202010384 (R$ 15,59);FERRO SERICOretorna 0202010392 (R$ 3,51);TRANSFERRINAretorna 0202010660 (R$ 4,12) e 0202100057. Esses cinco são os únicos procedimentos do grupo 0202 (análises clínicas) contendo a raizFERR— dos quais quatro compõem o estudo do ferro, sendo o quinto (0202100057, focalização isoelétrica da transferrina) um exame alheio ao metabolismo do ferro. Retornam zero:LIGACAO,FERROPEX,TIBC,UIBC,LATENTE,INSATURAD,SATURA,CINETICA(laboratório),PERFIL DE FERROeMETABOLISMO DO FERRO. Ausências validadas por controles positivos na mesma execução:DOSAGEMretorna 210 procedimentos,DETERMINACAO42 eHEMOGLOBINA12. O leitor de colunas foi validado contra valores já publicados (R$ 15,59, R$ 4,12 e R$ 3,51). sigtap.datasus.gov.br ↩ ↩2 ↩3 ↩4 ↩5 ↩6 ↩7 ↩8 ↩9 -
Associação Brasileira de Hematologia, Hemoterapia e Terapia Celular (ABHH) — Consenso da ABHH sobre Patient Blood Management, 1ª edição, publicada em 26 de outubro de 2023. Verbete "Saturação da transferrina (ST)": a saturação "pode ser calculada pela relação do Fe sérico/capacidade total de ligação do ferro ou ainda Fe sérico/(capacidade latente de ligação do Fe+Fe sérico)". Verificação de nomenclatura no texto integral: o consenso escreve "ligação do ferro" e nunca "fixação do ferro" (0 ocorrências) nem "ferropéxica" (0 ocorrências). Observação registrada durante a leitura: das 11 ocorrências da palavra "capacidade" no consenso, apenas uma se refere à capacidade de ligação do ferro — a da fórmula da saturação; as demais tratam de capacidade de transporte de oxigênio, capacidade hemostática e afins. O consenso não trata a capacidade de ligação como exame a ser solicitado, apenas como denominador de um cálculo. abhh.com.br ↩ ↩2 ↩3 ↩4 ↩5
-
ANS — Terminologia Unificada da Saúde Suplementar (TUSS), tabela
tb_tussdistribuída com o SIGTAP (competência 202608, 5 766 itens, 4 043 com acentos). Códigos verificados por leitura direta: 40301427 "Capacidade de fixação de ferro - pesquisa e/ou dosagem"; 40301842 "Ferro sérico"; 40321231 "Índice de saturação de ferro". As buscasFERROPEX,TIBC,UIBCeLATENTEretornam zero. Controle positivo decisivo da nomenclatura: a expressão "capacidade de ligação" existe na TUSS, mas aplicada a outro analito — 40316670 "Capacidade de ligação da vitamina B12" —, o que confirma que a ausência de "ligação do ferro" é real e não um artefato de busca. gov.br/ans ↩ ↩2 ↩3 ↩4 ↩5 ↩6 ↩7 ↩8 -
Safran M, Corines J, Elkins M, Nasr MR, Banki K, Cao ZT. Transferrin-derived TIBC, a flagged but normal result. Clin Chim Acta, 2026;593:121254. Dos 21 laboratórios certificados CLIA examinados, 14 (66%) usavam fatores de conversão diferentes: 0,74–1,44 para o limite inferior e 1,07–1,42 para o limite superior do intervalo de referência da CTLF. PubMed · DOI ↩ ↩2 ↩3 ↩4
-
Gottschalk R, Wigand R, Dietrich CF, Oremek G, Liebisch F, Hoelzer D, Kaltwasser JP. Total iron-binding capacity and serum transferrin determination under the influence of several clinical conditions. Clin Chim Acta, 2000;293(1-2):127-38. Estudo com 246 pacientes (deficiência de ferro, sobrecarga de ferro, inflamação crônica e voluntários sadios): "não é possível desenvolver um algoritmo universal para a conversão de valores de transferrina em TIBC". PubMed · DOI ↩ ↩2
-
Grotto HZW (Faculdade de Ciências Médicas, UNICAMP) — Diagnóstico laboratorial da deficiência de ferro. Rev. Bras. Hematol. Hemoter. (revista da ABHH), v. 32, supl. 2, 2010. Fonte de: CTLF como "medida indireta da transferrina circulante"; UIBC + ferro sérico = TIBC; "em 100 mL de soro há transferrina suficiente para se ligar a 250 a 450 µg de ferro"; obtenção do TIBC multiplicando a transferrina por 25 (sem indicação de unidades no texto original); TIBC reduzido na inflamação e na hemocromatose; aumento na gravidez e com anticoncepcionais orais; dosagem direta da transferrina por imunonefelometria "pouco difundida entre os laboratórios clínicos". Artigo não indexado no PubMed (a revista só passou a ser indexada depois de 2010). scielo.br ↩ ↩2 ↩3 ↩4 ↩5 ↩6 ↩7 ↩8 ↩9 ↩10
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Sociedade Brasileira de Patologia Clínica/Medicina Laboratorial (SBPC/ML) — Recomendações da SBPC/ML: boas práticas em laboratório clínico. Barueri: Manole, 2020, 592 p. Verificação de ausência feita no texto integral do PDF (16 055 655 bytes): "capacidade de fixação", "capacidade total de ligação" e "ferropéxica" retornam zero ocorrência; "TIBC" retorna uma ocorrência, dentro de uma lista de menu de analisador, sem orientação clínica. Ausência validada por controle positivo no mesmo arquivo: "hemoglobina" retorna 130 ocorrências. PDF ↩
-
Zeidan RS, Yang JJ, He R, Cenko E, Mohr AM, Picca A, Anton SD, Cacciatore S. Population Heterogeneity in Iron Biomarkers by Age, Sex, Menopausal Status, and Race in Healthy U.S. Adults: A Cross-Sectional Analysis from the All of Us Research Program. Nutrients, 2026;18(10):1522. Análise transversal de 7 990 adultos saudáveis: os biomarcadores do ferro variam conforme idade, sexo, estado menopausal e etnia, o que os intervalos de referência fixos não capturam. Fonte internacional usada como complemento declarado, na ausência de dados populacionais brasileiros para este exame. PubMed · DOI ↩
-
Kasvosve I, Delanghe J. Total iron binding capacity and transferrin concentration in the assessment of iron status. Clin Chem Lab Med, 2002;40(10):1014-8. Os métodos de CTLF superestimam a capacidade de ligação da transferrina por causa da ligação do ferro a outras proteínas plasmáticas, sobretudo à albumina; não há valores de referência genéricos para a CTLF, ao contrário da transferrina; recomenda-se a dosagem da transferrina, exceto em populações com variação genética marcada da transferrina. PubMed · DOI ↩ ↩2
-
Oliveira PMC, Espósito BP, Carvente C, Silva GA, Dellavance A, Baldo DC, Ferraz MLG. Transferrin saturation as a surrogate marker for assessment of labile nontransferrin bound iron in chronic liver disease. Eur J Gastroenterol Hepatol, 2022;34(10):1047-1052. Estudo brasileiro (Universidade Federal de São Paulo) com 94 pacientes com doença hepática crônica e 36 controles sadios, usando capacidade de ligação do ferro, saturação da transferrina e ferritina. PubMed · DOI ↩
-
Gustafson S, Patel SR, Fudim M, Mentz RJ, Sauer AJ, Lala A, et al. Ironing Out the Details: Advancing Diagnosis and Treatment of Iron Deficiency in Patients with Heart Failure with Preserved Ejection Fraction — A Narrative Review. Heart Fail Rev, 2026;31(1). Revisão narrativa: a deficiência de ferro atinge 40–60% dos pacientes com insuficiência cardíaca de fração de ejeção preservada, e o seu diagnóstico continua apoiado em ferritina e saturação da transferrina. Fonte internacional usada como complemento declarado. PubMed · DOI ↩