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Tempo de tromboplastina parcial ativada (TTPA)

O TTPA rastreia os fatores da via intrínseca e monitora a heparina não fracionada. No SUS ele custa R$ 5,77 — e a tabela oficial o chama de TTP ativada.

Publicado em 7 de setembro de 202612 min de leituraEscrito pela Equipe Blood Analysis · Revisado e verificado por Julien Priour

O tempo de tromboplastina parcial ativada — o TTPA do seu laudo — mede quantos segundos o seu plasma leva para coagular depois que o laboratório lhe devolve o cálcio retirado no tubo. É um dos dois cronômetros da coagulação, ao lado do TAP, e o exame de sangue que mais muda de nome conforme a instituição brasileira que o escreve.

Em resumo

  • Para a SBPC/ML, o TTPA é "o teste de triagem para a avaliação dos fatores das vias intrínseca e comum": detecta deficiências dos fatores VIII, IX, XI e XII, inibidores, e serve "para monitorar o uso da heparina não fracionada".1
  • Nenhuma sociedade brasileira publica um intervalo numérico do TTPA. A referência da atenção primária — 22,3 a 34,0 segundos — vem do TelessaúdeRS-UFRGS, que declara a fonte: Williamson e Snyder, 2015. É um valor importado.2
  • Alongado nem sempre é tendência a sangrar. A SBPC/ML escreve que o anticoagulante lúpico "também pode prolongar isoladamente os valores do TTPA" — e ele se associa a trombose.1
  • A tabela do SUS e a ABHH discordam sobre o pré-operatório. A descrição oficial diz que o exame é indicado "antes de serem realizadas intervenções cirúrgicas"; a ABHH, em 2023, responde "não solicitar de rotina".34
  • No SUS tem código próprio, 0202020134, e vale R$ 5,77 — mais que o dobro do TAP.3
  • Não existe PCDT brasileiro de hemofilia, e o Protocolo de Uso que faz as suas vezes não cita o TTPA uma única vez.5
  • Nunca se lê sozinho: acompanha o hemograma completo, as plaquetas e o fibrinogênio.

Cinco grafias para o mesmo exame

Antes de qualquer valor, um problema de vocabulário. Contamos as ocorrências nos textos integrais de cinco documentos brasileiros — contagem sensível a maiúsculas, por ocorrências e não por linhas:

Fonte brasileiraSiglaPor extensoOcorrências
SBPC/ML, Boas práticasTTPAtromboplastina parcial ativada18
SBPC/ML, Coleta de sangue venosoTTPAtromboplastina parcial ativado5
SIGTAP (Ministério da Saúde)TTP ATIVADATROMBOPLASTINA PARCIAL ATIVADA1 procedimento
Ministério da Saúde, guia da dengueTTPatromboplastina parcial1
TelessaúdeRS-UFRGSTTPatromboplastina parcial ativada3
ABHH, consenso PBMTTPAtromboplastina parcialmente ativada4

Três conclusões. KPTT não é usado por nenhuma delas — zero ocorrência nos cinco textos. Procurar "TTPA" na tabela do SUS devolve zero linha, porque o Ministério escreveu TTP ATIVADA: quem confia na sigla conclui, erradamente, que o SUS não cobre o exame. E o Ministério escreve de dois jeitos — TTP ATIVADA no faturamento, TTPa no guia da dengue.163724

Um detalhe que quase vira erro. A única grafia "TTPa" do manual da SBPC/ML não está no texto científico: aparece numa lista de ensaios de um anúncio de fabricante inserido no manual. Não é a posição da sociedade — é publicidade.1

O que ele mede — e por que "via intrínseca" é uma simplificação assumida

O laboratório incuba o seu plasma pobre em plaquetas a 37 °C e adiciona fosfolipídeo (cefalina) mais um ativador de contato — caulim, sílica ou ácido elágico. Isso converte o fator XI em XIa, mas a cascata para aí, porque não há cálcio. A adição de cálcio dispara a coagulação, e o tempo até o coágulo é o TTPA.1

Vem daí a nuance que quase nenhuma página em português traz. A SBPC/ML abre o capítulo assim — "Ainda que fisiologicamente a ativação da coagulação não ocorra pelas vias intrínseca, extrínseca e comum, essa designação continua a ser um conceito útil para interpretar os resultados de investigações laboratoriais."1

Ou seja: a sociedade reconhece que o modelo das "vias" não descreve o que acontece no seu corpo — quem faz isso é o modelo celular da hemostasia — e o mantém porque explica bem o que cada tubo mede. A tabela do Ministério não faz a ressalva: afirma que o exame "normalmente mede a via intrínseca da coagulação".3

Valores de referência: o número brasileiro que não é brasileiro

Não procure um intervalo oficial: ele não existe no Brasil. No manual da SBPC/ML a frase sobre valores de referência é dita apenas para o TAP — "varia de acordo com o reagente utilizado e deve ser estabelecido em cada laboratório" — e nenhum número em segundos é atribuído ao TTPA no documento inteiro.1 O único quadro numérico da atenção primária é o Quadro 7 do Hematologia Adulto do TelessaúdeRS-UFRGS, com o aviso no título: vale "na ausência de valores de referência estabelecidos pelo laboratório".2

ExameValor de referência (TelessaúdeRS)
Tempo de protrombina (TP)9,6 a 12,4 segundos
Razão normalizada internacional (RNI)1,0
TTPa22,3 a 34,0 segundos

O rodapé do quadro diz "Fonte: Williamson e Snyder (2015)" — literatura norte-americana. É o padrão já medido em outros marcadores deste site: os intervalos impressos nos laudos brasileiros raramente foram medidos em brasileiros.

Existe uma exceção recente. Um estudo da Universidade de Brasília comparou o perfil de coagulação por grupo sanguíneo num serviço de hemoterapia: nenhuma diferença pelo sistema ABO, mas os Rh-positivos tiveram TTPA médio de 32,0 segundos contra 30,1 nos Rh-negativos.8 Sem consequência clínica individual — mas é uma das raras medições do TTPA feitas em brasileiros. A regra prática: compare o seu número com o intervalo do seu próprio laudo.

TTPA alongado: as três famílias de causa

A SBPC/ML organiza a leitura de forma útil.1

Alongado sozinho, com TAP normal. É o padrão das deficiências dos fatores XII, XI, IX e VIII — os dois últimos são as hemofilias B e A. O manual adverte que "o TTPA pode ser normal com deficiências leves desses fatores": um exame normal não exclui um distúrbio hemorrágico leve.

Alongado junto com o TAP. Deficiência ou má absorção de vitamina K, síntese diminuída dos fatores (o fígado — território da TGO, da TGP e do hepatograma), inibidores diretos da trombina, coagulação intravascular disseminada e transfusão maciça.

Curto. Menos comentado e nada raro: reflete "uma resposta de fase aguda, que acarreta altos níveis de FVIII" — a mesma inflamação que move a proteína C reativa, a VHS e os marcadores inflamatórios — ou uma coleta difícil.

Prolongado sem causa conhecida, o passo seguinte tem nome: o teste de mistura. Junta-se ao plasma do paciente um pool de plasma normal, 1:1, e repete-se. Se corrige, é deficiência de fator; se não corrige, é altamente sugestivo de inibidor.1

O caso que inverte a intuição: o anticoagulante lúpico

Um TTPA alongado numa pessoa que não sangra aponta para o lado oposto. A SBPC/ML é explícita: "Na presença de anticorpos antifosfolípides […] o TTPA está na maioria das vezes aumentado". O anticoagulante lúpico prolonga o exame in vitro e se associa a trombose — não a hemorragia.1

O Brasil financia essa investigação, e caro: a pesquisa de anticoagulante lúpico tem código próprio no SUS (0202020576) e vale R$ 110,00 — dezenove vezes o TTPA que a levantou. E a descrição ministerial restringe o alvo declarado ao rastreamento de trombofilia em gestantes com tromboembolismo venoso prévio ou parentes de primeiro grau de alto risco.3

Um trabalho do Hospital das Clínicas da FMUSP com a Unicamp comparou três plataformas baseadas em TTPA em 136 amostras: sensibilidade de 100% nas três, mas especificidade de 74% numa delas, que só subiu a 99% aumentando o fosfolípide da triagem.9 O reagente muda o resultado.

E há uma armadilha registrada pela Comissão de Síndrome Antifosfolípide da Sociedade Brasileira de Reumatologia: os anticoagulantes orais diretos "interferem no teste do anticoagulante lúpico, levando a resultados falso-positivos".10

Antes de uma cirurgia: a tabela diz uma coisa, a hematologia diz outra

Esta é a divergência mais consequente da página, e as duas fontes são brasileiras. A descrição oficial na tabela do SUS lista, entre as indicações do TTPA, "antes de serem realizadas intervenções cirúrgicas".3

O consenso da ABHH sobre Patient Blood Management, de 26 de outubro de 2023, publica no Quadro 1 o contrário: para cirurgia de pequeno porte, coagulograma "não solicitar de rotina" nas três classes ASA; para porte médio e grande, apenas "se uso de anticoagulante ou doença hepática". E justifica: "Muitos consideram padrão a realização de rotina de TP e TTPA […], no entanto, as evidências não apoiam essa estratégia […], uma vez que eles não são capazes de predizer o risco de sangramento nos pacientes sem história sugestiva."4

Uma revisão sistemática de 100 estudos — fonte internacional, citada por não haver síntese brasileira equivalente — chega ao mesmo lugar, com exceção parcial da cirrose e da neoplasia hepática em grandes cirurgias abdominais.11

No lugar do exame de rotina, a ABHH põe uma entrevista dirigida e uma ferramenta validada de avaliação de sangramento: "você sangra muito depois de um corte ou de uma extração dentária?" prediz melhor do que o cronômetro.

O que fazer com um TTPA alterado, no Brasil

O Protocolo 8 do TelessaúdeRS-UFRGS descreve a conduta na atenção primária do SUS: encaminhar à hematologia quando o TP e/ou o TTPa estão acima da normalidade após excluir causas secundárias — doença hepática, síndrome nefrótica, anticoagulantes — levando os resultados de dois exames, repetido o alterado, além de hemograma, plaquetas, TGO, TGP, albumina, GGT, creatinina e urina.2 Repetir antes de encaminhar não é burocracia: um tubo mal cheio já basta para alongar o exame.

Hemofilia e doença de von Willebrand: o retrato nacional

O Ministério da Saúde publica anualmente os dados do sistema Hemovida Web – Coagulopatias. Em 2025 o país registrava 35 852 pessoas com coagulopatias hereditárias e demais transtornos hemorrágicos, numa distribuição que surpreende quem espera a hemofilia na frente:12

DiagnósticoPessoas (2025)%
Doença de von Willebrand12 86336%
Hemofilia A12 15134%
Coagulopatias raras4 30412%
Outras4 10911%
Hemofilia B2 4257%

E os números subestimam: entre 2017 e 2024 os casos de von Willebrand subiram de 8 531 para 12 063 (+41,4%), com predomínio feminino estável — o que os autores leem como subdiagnóstico persistente em mulheres.13

Quanto à hemofilia: não há PCDT de hemofilia no Brasil. Na lista de Protocolos Clínicos e Diretrizes Terapêuticas da CONITEC a raiz "hemofil" aparece zero vez (controles positivos: "falciforme" 4, "Gaucher" 3, "Artrite" 14). O documento nacional é um Protocolo de Uso de fatores de coagulação, de 2021, e em 60 páginas ele não menciona o TTPA nenhuma vez (controle positivo: "fator VIII" 23). Faz sentido: o diagnóstico se confirma pela dosagem da atividade do fator, não pela triagem5 — dosagem que, num programa de avaliação externa com 268 laboratórios de 114 países, acertou a faixa esperada em apenas 50% dos casos.14

O tubo, o jejum e o prazo

Poucos exames dependem tanto da coleta. A SBPC/ML fixa as regras:1

  • Jejum mínimo de 4 horas para adultos e crianças — os lipídeos interferem na leitura óptica do coágulo. E não fumar no dia da coleta.
  • Tubo de citrato de sódio 3,2%, na proporção de 9 partes de sangue para 1 de anticoagulante. Encher mal o tubo deixa citrato em excesso e alonga falsamente o TAP e o TTPA.
  • Garrote de no máximo 1 minuto, e hematócrito ≥ 55% exige ajustar o citrato — outro motivo para o TTPA conversar com a sua hemoglobina.
  • Prazo curto: o plasma vale até 4 horas, contra 24 do TAP; em paciente heparinizado, centrifugar dentro de 1 hora.6

Na hemorragia grave ele vira alvo terapêutico: a ABHH fixa TP/TTPA ≤ 1,5 × o normal, ao lado de plaquetas > 50 × 10⁹/L, RNI ≤ 1,5 e fibrinogênio ≥ 2,0 g/L.4

Quanto custa no SUS

Valores lidos diretamente na tabela tb_procedimento, competência 08/2026:3

ProcedimentoCódigoValor SUS
TTP ativada (TTPA)0202020134R$ 5,77
Tempo e atividade da protrombina (TAP)0202020142R$ 2,73
Dosagem de fibrinogênio0202020290R$ 4,60
Dosagem de fator VIII0202020223R$ 6,63
Pesquisa de anticoagulante lúpico0202020576R$ 110,00

Dois achados por enumeração. Não existe código de "coagulograma": COAGULOGRAMA, PROVAS DE COAGULAÇÃO e PERFIL DE COAGULAÇÃO devolvem zero linha, e o trio TAP + TTPA + fibrinogênio é faturado separadamente, somando R$ 13,10. E o procedimento não tem vinculação a CID: zero ocorrência nas 82 103 linhas da tabela de compatibilidade, quando 2 914 procedimentos têm pelo menos uma — o SUS não o condiciona a um diagnóstico prévio, ao contrário de exames da função renal em programas específicos.

Perguntas frequentes

Qual é o valor normal do TTPA? Nenhuma sociedade brasileira publica um. O único quadro nacional, do TelessaúdeRS, indica 22,3 a 34,0 segundos e declara que a fonte é internacional. Vale o intervalo do seu laudo, lido pelo seu médico.2

TTPA alto significa que vou sangrar? Não necessariamente. Pode ser deficiência de um fator, anticoagulante, doença do fígado — ou um anticoagulante lúpico, que aumenta o risco de trombose, não de hemorragia. E pode ser só um tubo mal cheio.1

Preciso estar em jejum? Sim: a SBPC/ML recomenda 4 horas para adultos e crianças, e não fumar no dia da coleta.1

Meu cirurgião não pediu coagulograma. Isso é normal? É o que a ABHH recomenda: para cirurgia de pequeno porte, "não solicitar de rotina", reservando o exame a quem usa anticoagulante, tem doença hepática ou história de sangramento.4

Ele serve para controlar a heparina? Para a heparina não fracionada, sim — é a indicação que a SBPC/ML nomeia. A expressão "heparina de baixo peso molecular" não aparece nenhuma vez no manual, e nenhuma fonte brasileira consultada lhe atribui o TTPA como controle.1

Para lembrar

O TTPA é um cronômetro, não um diagnóstico. Ele triaga os fatores da via intrínseca — modelo que a própria SBPC/ML diz ser fisiologicamente incorreto e didaticamente útil —, monitora a heparina não fracionada e custa R$ 5,77 no SUS, sob um nome que a tabela escreve de outro jeito. Alongado, pede contexto antes de susto: hemofilia, fígado, um tubo mal cheio ou, ao contrário da intuição, um anticoagulante lúpico com risco de trombose. E antes de uma cirurgia, a hematologia brasileira pede que ele não seja de rotina. Nenhum valor se lê sozinho: conta o conjunto dos seus marcadores e do seu contexto — o que o AI DiagMe oferece, como complemento à avaliação do seu médico.

Fontes

Fontes oficiais brasileiras e publicações científicas (PubMed) usadas neste guia:

Footnotes

  1. Sociedade Brasileira de Patologia Clínica/Medicina Laboratorial (SBPC/ML) — Recomendações da SBPC/ML: boas práticas em laboratório clínico, capítulo "Tempo de protrombina e tempo de tromboplastina parcial ativada", p. 267-270. Citações verificadas por leitura direta do texto integral (23 815 linhas extraídas do PDF de 16 055 655 bytes) : "Ainda que fisiologicamente a ativação da coagulação não ocorra pelas vias intrínseca, extrínseca e comum, essa designação continua a ser um conceito útil para interpretar os resultados de investigações laboratoriais" ; "O TTPA é o teste de triagem para a avaliação dos fatores das vias intrínseca e comum da coagulação. Detecta deficiências dos fatores VIII, IX, XI e XII, pré-calicreína e cininogênio de alto peso molecular, presença de inibidores e para monitorar o uso da heparina não fracionada" ; fosfolipídeo (cefalina) e ativador de contato (caulim, sílica, sílica micronizada ou ácido elágico) ; "o TTPA pode ser normal com deficiências leves desses fatores de coagulação" ; "A presença de inibidores do fator de coagulação adquiridos ou aloanticorpos e de anticoagulante lúpico também pode prolongar isoladamente os valores do TTPA" ; "Na presença de anticorpos antifosfolípides, o TP pode ser prolongado, embora isso seja incomum […], mas o TTPA está na maioria das vezes aumentado" ; "Os tempos encurtados de TTPA refletem uma resposta de fase aguda, que acarreta altos níveis de FVIII" ; teste de mistura 1:1 ; "sendo recomendado usar o TTPA para monitorar a HNF" ; jejum mínimo de 4 horas para adultos e crianças e de 2 horas para lactantes, tabagista não deve fumar no dia ; citrato de sódio 3,2% (109 mM) na proporção 9:1 ; garroteamento não ultrapassando 1 minuto ; ajuste do citrato se hematócrito ≥ 55% ; Tabela 1, plasma para TTPA estável até 4 h contra 24 h para o TP ; "O valor de referência para o TP varia de acordo com o reagente utilizado e deve ser estabelecido em cada laboratório". Contagens verificadas (sensíveis a maiúsculas, por ocorrências) : TTPA 18, TTPa 1 (num anúncio de fabricante inserido no manual), KPTT 0 ; nenhum intervalo do TTPA em segundos no documento. PDF 2 3 4 5 6 7 8 9 10 11 12 13 14

  2. TelessaúdeRS-UFRGS — Hematologia Adulto, versão digital 2023 (protocolos de encaminhamento para a atenção primária à saúde do SUS). Quadro 7, "Exames de coagulação (na ausência de valores de referência estabelecidos pelo laboratório)" : tempo de protrombina 9,6 a 12,4 segundos ; RNI 1,0 ; tempo de tromboplastina parcial ativada (TTPa) 22,3 a 34,0 segundos ; "Fonte: Williamson e Snyder (2015)" — referência internacional, declarada pelo próprio documento. Protocolo 8, Distúrbios Hemorrágicos : encaminhar à hematologia quando TP e/ou TTPa estiverem acima dos valores de normalidade "após exclusão de causas secundárias (doença hepática, síndrome nefrótica e uso de anticoagulantes) na APS", com "resultados de dois exames de TP e TTPa (repetir o exame alterado)". Contagem verificada : TTPa 3 ocorrências, TTPA 0, KPTT 0. ⚠️ O nome do arquivo servido pela UFRGS traz uma data antiga (…20161108.pdf) mas o documento é a versão digital de 2023, conforme a sua própria capa ; URL verificada em 200 application/pdf (5 544 792 bytes), contra um controle negativo em 404 text/html. telessauders.ufrgs.br 2 3 4 5

  3. Ministério da Saúde / DATASUS — SIGTAP, Sistema de Gerenciamento da Tabela de Procedimentos, Medicamentos e OPM do SUS, tabelas tb_procedimento (1 697 774 bytes, 5 023 linhas), tb_descricao (4 324 linhas) e rl_procedimento_cid (82 103 linhas), competência 08/2026. Leitura direta em ISO-8859-1, colunas de largura fixa, parser validado sobre dois valores conhecidos (hemograma completo 0202020380 = R$ 4,11 ; ferritina 0202010384 = R$ 15,59) e normalização de acentos comprovada ativa (2 483 das 5 023 linhas com acento combinante). Rótulo oficial : DETERMINAÇÃO DE TEMPO DE TROMBOPLASTINA PARCIAL ATIVADA (TTP ATIVADA), código 0202020134, R$ 5,77 — a busca por TTPA devolve 0 linha. Descrição ministerial do mesmo código, verificada como exclusiva dele : "NORMALMENTE MEDE A VIA INTRÍNSECA DA COAGULAÇÃO. É INDICADA NOS CASOS DE SUSPEITA DE DEFICIÊNCIA DE FATORES DA VIA INTRÍNSECA DA COAGULAÇÃO, ANTES DE SEREM REALIZADAS INTERVENÇÕES CIRÚRGICAS, E NO CONTROLE DE TERAPÊUTICA ANTICOAGULANTE PELA HEPARINA". Demais códigos lidos : TAP 0202020142 (R$ 2,73), fibrinogênio 0202020290 (R$ 4,60), tempo de trombina 0202020126 (R$ 2,85), fator VIII 0202020223 (R$ 6,63), fator IX 0202020193 (R$ 7,61), anticoagulante lúpico 0202020576 (R$ 110,00, descrição restrita ao rastreamento de trombofilia em gestantes). Ausências por enumeração : COAGULOGRAMA, PROVAS DE COAGULAÇÃO e PERFIL DE COAGULAÇÃO → 0 linha ; nenhuma vinculação CID para 0202020134, com controle positivo de 2 914 procedimentos vinculados. sigtap.datasus.gov.br 2 3 4 5 6 7

  4. Associação Brasileira de Hematologia, Hemoterapia e Terapia Celular (ABHH) — Consenso da ABHH sobre Patient Blood Management, 1ª edição, publicada em 26 de outubro de 2023. Quadro 1, "Entrevista clínica pré-operatória" : coagulograma "Não solicitar de rotina" nas três classes ASA para cirurgia de pequeno porte, e "Se uso de anticoagulante ou doença hepática" para porte médio e grande. Texto corrido, lido por recorte de coluna no PDF para evitar o entrelaçamento das duas colunas : "Muitos consideram padrão a realização de rotina de TP (tempo de protrombina) e TTPA (tempo de tromboplastina parcialmente ativada) para avaliar o risco de sangramento no paciente cirúrgico, no entanto, as evidências não apoiam essa estratégia e as diretrizes atuais não preconizam o uso indiscriminado desses testes para todo paciente, uma vez que eles não são capazes de predizer o risco de sangramento nos pacientes sem história sugestiva". Alvos críticos na hemorragia grave : TP/TTPA ≤ 1,5 × normal, INR ≤ 1,5, plaquetas > 50 × 10⁹/L, fibrinogênio ≥ 2,0 g/L. abhh.com.br 2 3 4 5

  5. Ministério da Saúde / CONITEC — Protocolo de Uso de fatores de coagulação para a profilaxia primária em caso de hemofilia grave, nº 687, dezembro de 2021, 60 páginas (PDF de 1 833 218 bytes, HTTP 200 application/pdf ; controle negativo com nome de arquivo inventado devolve text/html). Contagem verificada por leitura direta do texto integral : TTPA, TTPa e tromboplastina0 ocorrência, com controle positivo "fator VIII" = 23. Ausência de PCDT de hemofilia demonstrada por enumeração na página oficial de Protocolos Clínicos e Diretrizes Terapêuticas da CONITEC (574 227 caracteres de texto extraído) : raiz "hemofil" = 0, com controles positivos "falciforme" 4, "Gaucher" 3, "Diabete" 9, "Artrite" 14. PDF · Lista PCDT 2

  6. Sociedade Brasileira de Patologia Clínica/Medicina Laboratorial (SBPC/ML) — Recomendações da SBPC/ML para coleta de sangue venoso. ⚠️ Documento coeditado com um fabricante de tubos (logotipos Becton Dickinson / Vacutainer na página de copyright) : citado aqui apenas para prazos e regras de manuseio, nunca para escolha de material. Verificado por leitura direta : "Amostras para a rotina de TTPA para pacientes não heparinizados podem ser mantidas não centrifugadas ou centrifugadas com os componentes celulares em tubo fechado à temperatura ambiente por até 4 horas após a coleta" ; "Amostras para a rotina de TTPA para pacientes heparinizados devem ser mantidas à temperatura ambiente, sendo centrifugadas dentro de uma hora após a coleta, e o plasma deve ser dosado em até 4 horas" ; "Amostras estocadas com sangue total e refrigeradas ou congeladas são inaceitáveis para os seguintes testes: TP, TTPA, fator de von Willebrand e fator VIII" ; ausência de necessidade de tubo de descarte. Contagem verificada : TTPA 5 ocorrências, TTPa 0, KPTT 0. 2

  7. Ministério da Saúde, Secretaria de Vigilância em Saúde e Ambiente — Dengue: diagnóstico e manejo clínico — adulto e criança, 6ª edição, Brasília, 2024. Capítulo sobre distúrbios de coagulação : "Devem ser investigados clínica e laboratorialmente tempo de atividade de protrombina (TAP), tempo de tromboplastina parcial (TTPa), plaquetometria, produtos de degradação da fibrina (PDF), fibrinogênio e exame de dímeros-D". Contagem verificada por leitura direta : TTPa 1 ocorrência, TTPA 0, KPTT 0 — grafia diferente da que o mesmo Ministério usa no SIGTAP. PDF

  8. Morais-Junior GS, da Silva PD, da Silva MB, et al. Classic Coagulation Traits Vary According to Rh(D) (But Not ABO) Blood Groups. Hematol Rep, 2025;17(6):62 (pacientes de um serviço de hemoterapia do Distrito Federal, Brasil ; nenhuma diferença pelo sistema ABO ; Rh-positivos com TP 13,7 contra 12,6 s, APTT 32,0 contra 30,1 s e INR 1,23 contra 1,15 em relação aos Rh-negativos, em análise controlada por idade, sexo e comorbidades). PubMed · DOI

  9. Barion BG, Stefanello B, de Paula MLSA, et al. Laboratory Identification of Lupus Anticoagulant (LA) Using Different Activated Partial Thromboplastin Time (APTT) Assays. Int J Lab Hematol, 2026;48(1):172-178 (Hospital das Clínicas da FMUSP e Unicamp ; 136 amostras, 82% mulheres, mediana de idade 41 anos, 32% com história de trombose ; sensibilidade de 100% nas três plataformas, especificidade de 74% numa delas, elevada a 99% ao aumentar a concentração de fosfolípide da etapa de triagem). PubMed · DOI

  10. Balbi GGM, Pacheco MS, Monticielo OA, et al. Antiphospholipid Syndrome Committee of the Brazilian Society of Rheumatology position statement on the use of direct oral anticoagulants (DOACs) in antiphospholipid syndrome (APS). Adv Rheumatol, 2020;60(1):29 (posicionamento de comissão da Sociedade Brasileira de Reumatologia, 8 declarações de posição ; "DOACs interferes with LA testing, leading to false-positive results in patients investigating APS"). Verificado como o posicionamento brasileiro mais recente sobre o tema. PubMed · DOI

  11. Rahhal H, Sampat R, Tse B, et al. Assessing preoperative bleeding risk using international normalized ratio and activated partial thromboplastin time: a systematic review. J Thromb Haemost, 2026;24(5):1627-1642 (100 estudos incluídos ; associação fraca ou inconsistente entre TP ou APTT e sangramento perioperatório, com associação mais frequente apenas em cirrose e neoplasia hepática submetidas a ressecção, transplante ou grande cirurgia abdominal). Fonte internacional (Canadá), citada por não existir síntese brasileira equivalente. PubMed · DOI

  12. Ministério da Saúde, Secretaria de Atenção Especializada à Saúde, Coordenação-Geral de Sangue e Hemoderivados — Dados das Coagulopatias Hereditárias 2025, Tabela 1, fonte declarada "Hemovida Web – Coagulopatias". Documento aberto e contado diretamente (PDF de 1 429 251 bytes, 25 páginas, HTTP 200 application/pdf, controle negativo em 404 application/json de 26 bytes) : total de 35 852 pessoas ; doença de von Willebrand 12 863 (36%), hemofilia A 12 151 (34%), coagulopatias raras 4 304 (12%), outras 4 109 (11%), hemofilia B 2 425 (7%). gov.br

  13. Pires YMDS, Paula GIS, Pires TCDS. Underdiagnosis of Von Willebrand Disease: The Silent Majority of Women in Brazil — estudo transversal retrospectivo dos casos confirmados no Sistema Hemovida Web Coagulopatias, do ano de 2017 ao ano de 2024 (8 531 casos no primeiro ano e 12 063 no último, aumento de 41,4% ; predomínio feminino estatisticamente estável ; tipo 1 como subtipo mais prevalente ; universidades federais e estaduais do Paraná). Haemophilia, 2026. PubMed · DOI

  14. Montalvão SL, Jennings I, Kitchen DP, et al. Global Diagnostics of Hemophilia and Bleeding Disorders: Insights From World Federation of Hemophilia International External Quality Assessment Scheme Program — 268 laboratórios de 114 países, do ano de 2016 ao ano de 2023 ; apenas 50% dos resultados de atividade do fator VIII dentro da faixa esperada, 53% nas Américas ; primeira autoria do Laboratório de Hemostasia do Hemocentro da Unicamp. Programa internacional com coordenação laboratorial brasileira. Haemophilia, 2026. PubMed · DOI

Aviso médico. Este guia tem finalidade informativa e educativa; não constitui aconselhamento médico e não substitui uma consulta. Os valores de referência variam conforme o laboratório e a técnica: só o seu médico pode interpretar os seus resultados no seu contexto.