T4 livre: valores de referência e como ler o exame
Por que o laudo dosa a fração livre e não o T4 total, o que a biotina faz com o resultado e quais números as fontes brasileiras realmente usam.
O T4 livre é a fração ativa do hormônio da tireoide que circula solta no sangue. No laudo ele aparece como T4 livre, tiroxina livre ou pela sigla inglesa FT4, quase sempre logo abaixo do TSH. Este guia explica o que ele mede, por que não é o "T4 total" e quais interferências as fontes brasileiras documentam.
Em resumo
- Mais de 99% dos hormônios tireoidianos circulam ligados a proteínas. Apenas 0,03% do T4 está livre — e é essa fração que entra nas células.
- O T4 total sobe e desce junto com as proteínas transportadoras — gravidez, anticoncepcional, cirrose, síndrome nefrótica — sem que a tireoide tenha mudado. O T4 livre, em geral, não.
- Nenhuma fonte brasileira consultada manda abandonar o T4 total. A SBPC/ML o mantém para uma situação precisa: o paciente internado em estado grave.
- O laudo brasileiro imprime ng/dL. Se você encontrar pmol/L, multiplique o ng/dL por 12,87.
- Não existe um valor de referência universal. Entre 17 ensaios comerciais avaliados, 15 tinham viés negativo além de −10%, chegando a −42%.
- ⚠️ Biotina — a vitamina dos suplementos de cabelo e unha — eleva falsamente o T4 livre e derruba o TSH. A SBPC/ML manda suspender 2 a 3 dias antes da coleta.
- Quem usa levotiroxina precisa saber: o T4 livre faz pico 2 horas depois do comprimido.
- Na gravidez, o T4 livre só entra quando o TSH fica entre 4 e 10 — e a régua brasileira mudou em 2022.
- No SUS: R$ 11,60 — mais caro que o TSH e que o T4 total.1
O que o T4 livre mede — e por que não o T4 total
A tireoide secreta tiroxina (T4) e tri-iodotironina (T3). Todo o T4 vem dela; apenas 20% do T3 é secretado pela glândula, e os outros 80% nascem da conversão periférica de T4 em T3.
Na circulação, mais de 99% desses hormônios estão ligados a proteínas — principalmente à globulina ligadora da tiroxina (TBG), mas também à transtirretina e à albumina. Só 0,03% do T4 está livre. O T4 é o reservatório; o T3 é a forma ativa.2
Dosar o T4 total é medir sobretudo o hormônio preso — e o resultado se move quando a quantidade de proteína se move, sem nenhuma doença da tireoide por trás. A SBPC/ML enumera as duas listas.2
A TBG aumenta com: maior exposição a estrógeno (gravidez, anticoncepcionais, reposição hormonal na menopausa); drogas (5-fluouracil, heroína, metadona, clofibrato, tamoxifeno, raloxifeno, perfenazina, mitotano); doenças (hepatite viral, hepatite crônica ativa, tumor produtor de estrógeno, HIV, porfiria intermitente aguda); e excesso congênito de TBG.2
A TBG diminui com: andrógenos e anabolizantes; glicocorticoides, L-asparaginase, ácido nicotínico; síndrome de Cushing, doença não tireoidiana, cirrose hepática, síndrome nefrótica; e deficiência congênita.2
O veredito da SBPC/ML é direto: níveis altos ou baixos de TBG aumentam ou diminuem o T4 total, ao passo que o T4 livre em geral permanece normal nessas condições.2 É por isso que o laudo moderno traz a fração livre.
O T4 total foi abandonado? Não
Seria natural concluir que as sociedades brasileiras mandam parar de dosar o T4 total. Não é o que está escrito. A SBPC/ML o mantém com uma indicação explícita — o doente grave internado —, onde ele "permanece normal na maioria desses pacientes, sendo útil para confirmar a ausência de disfunção tireoidiana orgânica". A demonstração é por enumeração: no algoritmo ambulatorial, o T4 total simplesmente não aparece; reaparece uma única vez, na terapia intensiva.2
A unidade do laudo brasileiro
O laudo brasileiro imprime o T4 livre em ng/dL — é a unidade de todos os números que a SBPC/ML cita. A literatura internacional usa com frequência pmol/L. Como a tiroxina tem massa molar de 776,87 g/mol,3 1 ng/dL = 12,87 pmol/L: um T4 livre de 1,2 ng/dL equivale a 15,4 pmol/L.
A SBPC/ML alerta que "um problema muito comum na interpretação são as unidades de medida adotadas pelos diferentes laboratórios e sociedades".2 A armadilha não é exclusiva da tireoide: veja ureia contra BUN. Para converter, use o conversor de unidades.
Valores de referência: por que dois laboratórios discordam
O método de referência internacional — diálise de equilíbrio seguida de espectrometria de massas — definiu, num painel de 120 pessoas saudáveis, um intervalo de 1,05 a 1,89 ng/dL (média 1,47).2 Quase nenhum laboratório o usa: é caro e demorado, restrito a centros de referência.
O seu laboratório usa um imunoensaio competitivo automatizado. A força-tarefa da IFCC mediu o estrago: entre 17 ensaios comerciais de T4 livre, 15 tinham viés negativo além de −10%, com máximo de −42%. A imprecisão da maioria ficou acima do limite da variação biológica, que para o T4 livre é de apenas 3,8%.2
Números brasileiros calibram a leitura. Um estudo prospectivo com 1.200 pessoas de 20 a 80 anos, no Rio de Janeiro, achou 0,7 a 1,7 ng/dL acima dos 60 anos — limite inferior menor que o do fabricante — e mostrou que o T4 livre cai com a idade, enquanto o TSH sobe.4 No ELSA-Brasil, a faixa usada foi até 1,52 ng/dL.5
Na prática: compare o seu número com a faixa impressa no seu próprio laudo, não com a de um site nem com a de um exame antigo.
TSH primeiro, T4 livre depois
Na doença tireoidiana primária, o TSH sai da faixa normal muito antes de o T4 livre se mexer: a relação entre os dois é inversa e logarítmica-linear, e pequenas flutuações do T4 livre provocam alterações maiores do TSH. Daí o algoritmo ambulatorial da SBPC/ML:2
| TSH | Conduta | Leitura |
|---|---|---|
| Normal | Nenhum teste adicional | — |
| Alto | Dosar T4 livre | T4 livre normal baixo = hipotireoidismo subclínico; T4 livre baixo = clínico |
| Baixo | Dosar T4 livre | T4 livre normal alto = hipertireoidismo subclínico; T4 livre alto = clínico |
Se o TSH está baixo e o T4 livre normal, dosa-se também o T3 para procurar T3-toxicose. E há uma ressalva importante: essa estratégia não exclui o hipo ou hipertireoidismo central, doenças raras em que o TSH pode estar normal com T4 livre alterado. Por isso diversos especialistas recomendam dosar TSH e T4 livre juntos na avaliação inicial.2 Veja também exames da tireoide e anti-TPO.
⚠️ Biotina: o suplemento que inventa um hipertireoidismo
A biotina (vitamina B7, também chamada B8 ou H) é vendida em megadoses de 3 a 10 mg em suplementos para cabelo e unhas. Ela também integra o sistema biotina-estreptavidina, empregado em mais de 50% dos imunoensaios comerciais.2
O mecanismo, segundo a SBPC/ML: a biotina exógena impede a fixação dos imunocomplexos à fase sólida e o sinal final cai. Em ensaios competitivos (T4 e T3), o sinal é inversamente proporcional à concentração — menos sinal significa resultado falsamente elevado. Em ensaios imunométricos (TSH), o sinal é diretamente proporcional — resultado falsamente baixo.2
Junte os dois: T4 livre alto com TSH suprimido. É o retrato de uma doença de Graves — em alguém que só tomou vitamina para o cabelo.
Está documentado no Brasil. Um estudo brasileiro publicado na Thyroid mostrou que uma única dose oral de 10 mg já interfere nos testes de função tireoidiana.6 E a SBEM levou o tema ao público: a campanha do Dia Internacional da Tireoide de 2025, "Fatores externos que afetam a tireoide", incluiu conteúdo sobre "a interferência da biotina nos resultados dos exames e que está presente em muitos suplementos".7
O prazo, segundo a SBPC/ML: os laboratórios devem perguntar sobre o uso dessa vitamina e recomendar suspensão por 2 a 3 dias antes da coleta. Diante de resultado suspeito, cabe redosar em ensaio que não use estreptavidina.2
Gravidez: o que o T4 livre decide — e o que não decide
A gestação mexe em tudo de que o exame depende: sobe a TBG, cai a albumina, e o beta-HCG estimula o receptor do TSH.2 O documento brasileiro em vigor é o FEBRASGO Position Statement nº 10, de outubro de 2022, referendado pelo Departamento de Tireoide da SBEM.8 Ele lembra por que se dosa a fração livre — a T4 "circula preferencialmente ligada à TBG", sujeita a interferências — e dá ao exame um papel estreito: o TSH diagnostica, o T4 livre só separa o subclínico do clínico.9
| TSH na gestação | Pedir T4 livre? | O que ele define |
|---|---|---|
| > 10,0 mUI/L | Não | Já é hipotireoidismo clínico; trata-se de imediato |
| > 4,0 e ≤ 10,0 | Sim | Normal = subclínico; abaixo do limite inferior do laboratório = clínico |
| > 2,5 e ≤ 4,0 | Não | Pede-se o anti-TPO, não o T4 livre |
⚠️ A régua mudou. O consenso da SBEM de 2013 mandava fixar faixas de T4 livre por trimestre, com cortes de TSH de 2,5 / 3,5 / 3,5 mU/L.10 O de 2022 substituiu isso: sem referências locais validadas, TSH normal na gestação é ≤ 4,0 mUI/L, e o T4 livre é lido contra a faixa do próprio laboratório.9 Se o laudo da gestante ainda diz "até 2,5", segue a régua antiga.
Quem toma levotiroxina: a hora do comprimido conta
O T4 livre serve para ajustar a dose de levotiroxina — e o horário da tomada em relação à coleta muda o número. O posicionamento da SBEM de 2022 traz a medida: no teste de absorção oral, uma dose de 1.000 a 1.500 µg produz aumento de duas a três vezes no T4 livre, com pico em 2 horas.11 O mesmo documento registra que trocar a tomada da manhã para a hora de dormir associou-se a queda média de 1,25 mUI/L no TSH e alta de 0,07 ng/dL no T4 livre; e que o esquema semanal deixa o T4 livre em 1,91 ± 0,49 ng/dL contra 1,13 ± 0,25 no esquema diário.11
A leitura prática: não tome o comprimido pouco antes da coleta. Nenhuma fonte brasileira consultada fixa um número de horas — a SBEM fixa o modo de uso: com água, em jejum, pelo menos 30 minutos antes do café da manhã ou ao deitar, e 1 hora antes de outros medicamentos. Cálcio, sulfato ferroso, antiácidos, inibidores de bomba de prótons, simeticona e orlistate não devem ser coadministrados.11
O ELSA-Brasil desmonta uma certeza: entre os participantes em uso contínuo de levotiroxina, 47,3% tiveram ao menos um T4 livre acima da faixa de referência apesar de TSH normal.5 Em outro estudo brasileiro com 2.057 pacientes, 25,9% estavam subtratados e 14,4% supertratados.11
O paciente grave: quando o T4 livre não é confiável
Na síndrome da doença não tireoidiana — o "doente eutireóideo" da UTI —, toxinas e medicamentos inibem a ligação do T4 às proteínas e a secreção de TSH. O resultado, segundo a SBPC/ML: T3 total baixo, T3 reverso alto, TSH normal ou baixo, e T4 livre normal, baixo ou alto — dependendo do ensaio e da fase da doença.2 É o cenário em que o T4 total volta a ser útil. A SBEM acrescenta que o TSH pode subir na fase de recuperação: quem esteve internado deve repetir o exame em 6 a 8 semanas.11
Outros interferentes
- Heparina e enoxaparina: deslocam o T4 das proteínas — T4 livre falsamente alto.
- Fenitoína, fenobarbital, carbamazepina, oxcarbazepina, AINEs, furosemida, salicilatos em alta dose: T4 livre alto e TSH baixo, transitoriamente.
- Amiodarona: inibe a conversão de T4 em T3 — T4 livre alto, TSH normal alto.
- Autoanticorpos anti-T4/T3: 1,8% da população, mais na tireoidite autoimune.
- Anticorpos antirrutênio: elevam falsamente o T4 livre em plataformas eletroquimioluminescentes.2
Quanto custa no SUS
Na tabela SIGTAP, competência 08/2026:1
| Exame | Código | Valor |
|---|---|---|
| Tiroxina livre (T4 livre) | 0202060381 | R$ 11,60 |
| Tiroxina (T4) — o total | 0202060373 | R$ 8,76 |
| Índice de tiroxina livre | 0202060012 | R$ 12,54 |
| Globulina transportadora (TBG) | 0202060209 | R$ 15,35 |
| Hormônio tireoestimulante (TSH) | 0202060250 | R$ 8,96 |
| TSH + T4 livre (diagnóstico tardio) | 0202110087 | R$ 13,20 |
Duas leituras. O T4 total continua na tabela, com código próprio. E a fração livre custa mais caro que o total e que o TSH. Veja quanto custa um exame de sangue.
Avanços recentes
O ELSA-Brasil (2024) mostrou que a levotiroxina não restaura a homeostase hormonal em todos os pacientes: T4 livre +19%, T3 livre −7%, com TSH normal.5 A Revista Brasileira de Ginecologia e Obstetrícia, da FEBRASGO,12 publicou em 2025 uma metanálise de 8 ensaios com 1.645 gestantes eutireóideas com anti-TPO positivo: a levotiroxina reduziu abortamento (RR 0,78).13 E a SBEM publicou em 2025 um posicionamento sobre iodo na gravidez: sal iodado regulado em vez de suplementação universal.14
👉 O AI DiagMe interpreta os seus exames — de sangue, urina ou fezes — considerando todo o seu contexto, em linguagem clara. Serviço informativo que não faz diagnóstico e complementa, sem substituir, a avaliação do seu médico.
Perguntas frequentes
Preciso de jejum para dosar T4 livre? Nenhuma fonte brasileira consultada impõe jejum para o T4 livre. Siga o laboratório: a orientação depende dos outros exames do mesmo pedido, como glicemia e lipidograma.
Meu T4 livre está normal e o TSH alto. O que é isso? É o padrão do hipotireoidismo subclínico. A SBEM recomenda repetir o TSH em 3 meses para confirmar disfunção persistente, junto com o T4 livre, e dosar o anti-TPO se confirmado.11
Tomo suplemento de cabelo. Devo avisar? Sim, e antes da coleta. Se contiver biotina, a SBPC/ML recomenda suspender 2 a 3 dias antes.2
T4 livre e tiroxina livre são a mesma coisa? São. "Tiroxina" é o nome do hormônio, "T4" a abreviação, "FT4" a sigla inglesa. Veja o glossário de exames de sangue.
Por que pediram hemograma junto? A SBEM recomenda, antes de decidir tratar um idoso, hemograma completo, sódio, colesterol total e LDL, glicemia e marcadores de esteatose.11 Veja também hemoglobina e VCM.
Para lembrar
O T4 livre não é um número absoluto: é um número produzido por um ensaio, com viés e faixa próprios. Guarde três coisas. Compare com a faixa do seu laudo, não com a da internet. Conte o que você toma — biotina, amiodarona, heparina, anticonvulsivante —, porque cada um desloca o resultado numa direção previsível. E o TSH continua sendo o primeiro teste.
Para os custos, veja quanto custa um exame de sangue; para outros marcadores, creatinina, função renal e hepatograma. E para uma leitura do conjunto do seu laudo, o AI DiagMe é um complemento à avaliação do seu médico — nunca um substituto.
Fontes
Fontes institucionais brasileiras e publicações científicas (PubMed) utilizadas neste guia:
Footnotes
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Ministério da Saúde / DATASUS — SIGTAP: Sistema de Gerenciamento da Tabela de Procedimentos, Medicamentos e OPM do SUS, competência 08/2026. Verificado por duas vias independentes em 5 de setembro de 2026, com resultados coincidentes ao centavo. (1) Leitura direta do arquivo
tb_procedimento.txtda tabela unificadaTabelaUnificada_202608_v2608141139(5.023 procedimentos, ISO-8859-1, colunas de largura fixa, campoVL_SAnas posições 295 a 306): 0202060381 = 1160, 0202060373 = 876, 0202060012 = 1254, 0202060209 = 1535, 0202060250 = 896, 0202110087 = 1320. A coluna de competência (posições 331 a 336) tem um único valor em todo o arquivo, 202608. (2) Telas de detalhe da aplicação oficial (acesso público, usuáriopublico), que devolveram os mesmos valores de serviço ambulatorial. Demonstrações por enumeração, cada uma com controle positivo pelo mesmo comando: "TIROXINA" aparece em 4 das 5.023 linhas (controle positivo: "CREATININA" → 3, "TIREOESTIMULANTE" → 1) — não há outro exame de tiroxina, e o T4 total tem código próprio, distinto do T4 livre; "T4 LIVRE" aparece em 2 linhas, a dosagem isolada e a dosagem conjunta com TSH (controle positivo: "LIVRE" → 7 linhas, incluindo testosterona livre). ⚠️ Armadilha do buscador, medida neste run: a busca por nome na aplicação web varre o histórico de todas as competências, não a tabela em vigor. A busca por "TIROXINA" devolve 8 registros, quatro dos quais são apresentações de levotiroxina (0601330013, 0601330021, 0601330030, 0601330048) que não existem na tabela 202608 — o grupo 06 dessa competência só contém códigos iniciados por 0603 (grep -a -c "LEVOTIROXINA"→ 0, contra "TIROXINA" → 4 pelo mesmo comando). Um código visto na busca não está necessariamente em vigor. Por isso, todos os códigos e valores publicados acima foram confirmados também emtb_procedimento.txtda competência 202608. Página oficial (DATASUS) · Tabela unificada (FTP) ↩ ↩2 -
Sociedade Brasileira de Patologia Clínica/Medicina Laboratorial (SBPC/ML) — Recomendações da SBPC/ML: Boas práticas em laboratório clínico. Barueri: Manole. Capítulo 47, "Avaliação laboratorial da tireoide: atualização", de Marcelo Cidade Batista (p. 333-345), consultado no texto integral: fisiologia e ligação proteica (mais de 99% ligados à TBG, transtirretina e albumina; 0,03% do T4 livre; 20% do T3 de origem tireoidiana); algoritmo ambulatorial TSH → T4 livre; utilidade do T4 total no paciente internado em estado grave e na síndrome da doença não tireoidiana; metodologia (imunoensaio competitivo versus diálise de equilíbrio com ID-LC-MS/MS); padronização pelo C-STFT/IFCC (15 de 17 ensaios de T4 livre com viés negativo além de −10%, máximo −42%; variação biológica de 3,8%; intervalo de referência de 1,05 a 1,89 ng/dL pelo método de referência, média 1,47; TSH harmonizado de 0,56 a 4,27 mUI/L); interferentes analíticos (listas completas de aumento e diminuição da TBG; autoanticorpos anti-T4/T3 em 1,8%; macro-TSH; anticorpos heterofílicos; biotina, com o mecanismo inverso em ensaio competitivo e imunométrico e a recomendação de suspensão por 2 a 3 dias; anticorpos antirrutênio); drogas (amiodarona, heparina/enoxaparina, fenitoína, fenobarbital, carbamazepina, oxcarbazepina, AINEs, furosemida, salicilatos). Capítulo 48, de Gustavo Arantes Rosa Maciel, seção "Unidades de medida e outros" (p. 351), para a advertência sobre ng/mL, ng/dL e pmol/L. PDF (16 MB) · sbpc.org.br ↩ ↩2 ↩3 ↩4 ↩5 ↩6 ↩7 ↩8 ↩9 ↩10 ↩11 ↩12 ↩13 ↩14 ↩15 ↩16 ↩17 ↩18
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PubChem (NCBI / National Library of Medicine, Estados Unidos) — Levothyroxine, CID 5819. Fórmula molecular C15H11I4NO4, massa molar 776,87 g/mol. Fonte internacional, citada em complemento por se tratar de uma constante física: é dela que decorre o fator de conversão de 12,87 entre ng/dL e pmol/L. PubChem ↩
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Fontes R, Coeli CR, Aguiar F, Vaisman M. Reference interval of thyroid stimulating hormone and free thyroxine in a reference population over 60 years old and in very old subjects (over 80 years): comparison to young subjects. Thyroid Research, 2013; 6(1): 13. Estudo prospectivo brasileiro (Rio de Janeiro) com 1.200 pessoas de ambos os sexos estratificadas por idade, após exclusão de bócio, anticorpos antitireoperoxidase e antitireoglobulina positivos e outras alterações laboratoriais. TSH: 0,4-4,3 mU/L (20-59 anos), 0,4-5,8 (60-79) e 0,4-6,7 (≥ 80). T4 livre: 0,7-1,7 ng/dL acima dos 60 anos, com limite inferior menor que o definido pelo fabricante, e queda progressiva com a idade. Estudo citado pelo posicionamento da SBEM de 2022. PubMed · DOI ↩
-
Penna GC, Bensenor IM, Bianco AC, Ettleson MD. Thyroid Hormone Homeostasis in Levothyroxine-treated Patients: Findings From ELSA-Brasil. The Journal of Clinical Endocrinology and Metabolism, 2024; 109(10): 2504-2512. Coorte brasileira de 15.105 adultos de 35 a 74 anos acompanhados por 8,2 anos (2008-2019); 186 participantes que iniciaram levotiroxina e 243 em uso contínuo. Início do tratamento: TSH −11% a −19%, T4 livre +19%, T3 livre −7%. Em uso contínuo, 115 participantes (47,3%) tiveram ao menos um T4 livre acima da faixa de referência (> 1,52 ng/dL) e 38 (15,6%) ao menos um T3 livre abaixo (< 0,23 ng/dL), apesar de TSH normal. PubMed · DOI ↩ ↩2 ↩3
-
Biscolla RPM, Chiamolera MI, Kanashiro I, Maciel RMB, Vieira JGH. A Single 10 mg Oral Dose of Biotin Interferes with Thyroid Function Tests. Thyroid, 2017; 27(8): 1099-1100. Estudo brasileiro (Universidade Federal de São Paulo e Grupo Fleury) demonstrando que uma única dose oral de 10 mg de biotina — a dose corrente dos suplementos vendidos no Brasil — já altera os testes de função tireoidiana. É a referência 8 do capítulo sobre biotina das Recomendações da SBPC/ML. PubMed · DOI ↩
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Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia (SBEM) — SBEM Faz Campanha Educativa pelo Dia Internacional da Tireoide. Campanha do Departamento de Tireoide para o 25 de maio de 2025, com o tema "Fatores externos que afetam a tireoide". Conteúdos citados na página: suplementos e interferências nos exames laboratoriais; a interferência da biotina nos resultados dos exames, "presente em muitos suplementos"; causas de TSH persistentemente elevado, como uso incorreto da levotiroxina ou má absorção intestinal; medicamentos que afetam a tireoide (lítio, amiodarona, imunoterapia oncológica); e alterações transitórias causadas por infecções graves ou gestação, que não representam necessariamente doença tireoidiana. Única página do site da SBEM retornada pela busca do termo "biotina". endocrino.org.br ↩
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Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia (SBEM) — sociedade científica brasileira de referência em endocrinologia, responsável pelos posicionamentos do Departamento de Tireoide e editora dos Archives of Endocrinology and Metabolism. endocrino.org.br ↩
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FEBRASGO — Comissão Nacional Especializada em Gestação de Alto Risco, com referendo do Departamento de Tireoide da SBEM — Solha ST, Mattar R, Teixeira PFS, Chiamolera MI, Maganha CA, Zaconeta AC, et al. Rastreio, diagnóstico e manejo do hipotireoidismo na gestação. FEBRASGO Position Statement nº 10, outubro de 2022. Femina, 2022; 50(10): 607-617. Documento consultado no texto integral (PDF de 11 páginas). Seções usadas: Pontos-chave (a dosagem de T4L diferencia o hipotireoidismo subclínico do clínico; no clínico, o T4L está abaixo do limite inferior da referência laboratorial); Recomendações (rastreio universal de TSH em locais com condições técnicas e financeiras plenas, idealmente no início do primeiro trimestre); "Como avaliar laboratorialmente o hipotireoidismo?" (preferência pelos valores trimestre-específicos do laboratório local e, na ausência de referências validadas localmente, TSH normal ≤ 4,0 mUI/L, obtido subtraindo-se 0,5 mUI/L do limite superior de não gestantes); Quadro 2 (quando pedir e quando não pedir o T4L, reproduzido na tabela acima); e a justificativa fisiológica de se medir a fração livre em vez do total. ⚠️ Este documento substitui, no ponto dos valores de referência na gestação, o consenso da SBEM de 2013 citado acima — as duas posições são apresentadas lado a lado no texto porque muitos laudos brasileiros ainda imprimem a régua antiga. PDF (BVS) ↩ ↩2
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SBEM — Departamento de Tireoide — Sgarbi JA, Teixeira PF, Maciel LM, Mazeto GM, Vaisman M, Montenegro Junior RM, Ward LS. Consenso brasileiro para a abordagem clínica e tratamento do hipotireoidismo subclínico em adultos: recomendações do Departamento de Tireoide da Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia. Arquivos Brasileiros de Endocrinologia & Metabologia, 2013; 57(3): 166-183. Seções consultadas: valores de referência do TSH na gestação (dificuldade de estabelecer faixas no primeiro trimestre; TBG, beta-HCG, metabolismo do iodo); hipotireoidismo subclínico na gestação — os melhores métodos para dosar o T4 livre são espectrometria de massas, cromatografia líquida e diálise de equilíbrio, e os métodos usuais sofrem influência do aumento da TBG e da queda da albumina, o mesmo valendo para o T4 total e o índice de T4 livre; Recomendações 23, 24 e 25 (faixas de TSH por trimestre de 0,1-2,5, 0,2-3,5 e 0,3-3,5 mU/L na ausência de referências locais; cautela com os métodos usuais; definição do hipotireoidismo subclínico no primeiro trimestre). PubMed · SciELO · DOI ↩
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Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia (SBEM) — Departamento de Tireoide — da Silva Mazeto GMF, Sgarbi JA, Ramos HE, Villagelin DGP, Nogueira CR, Vaisman M, Graf H, de Carvalho GA. Approach to adult patients with primary hypothyroidism in some special situations: a position statement from the Thyroid Department of the Brazilian Society of Endocrinology and Metabolism (SBEM). Archives of Endocrinology and Metabolism, 2022; 66(6): 871-882. Seções consultadas no PDF de 12 páginas: hipotireoidismo no idoso (repetição do TSH em 3 meses, dosagem conjunta de T4 livre, exames a pedir antes de tratar, TSH transitoriamente elevado na recuperação de doença não tireoidiana com nova dosagem em 6 a 8 semanas); hipotireoidismo de difícil controle (Tabela 2 de causas de TSH persistentemente elevado; modo de uso da levotiroxina com água, em jejum, ao menos 30 minutos antes do café ou ao deitar; drogas que não devem ser coadministradas; teste de absorção oral com 1.000-1.500 µg, aumento de duas a três vezes do T4 livre com pico em 2 horas e queda de 40% do TSH; tomada noturna versus matinal com −1,25 mUI/L de TSH e +0,07 ng/dL de T4 livre; esquema semanal com T4 livre de 1,91 ± 0,49 contra 1,13 ± 0,25 ng/dL; estudo brasileiro com 2.057 pacientes, 25,9% subtratados e 14,4% supertratados). PubMed · PDF · DOI ↩ ↩2 ↩3 ↩4 ↩5 ↩6 ↩7
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FEBRASGO — Federação Brasileira das Associações de Ginecologia e Obstetrícia — federação das sociedades brasileiras de ginecologia e obstetrícia, editora da Revista Brasileira de Ginecologia e Obstetrícia e da revista Femina. ⚠️ Os Protocolos Assistenciais da entidade não puderam ser consultados: a URL
febrasgo.org.br/protocolos-assistenciaisresponde HTTP 200, mas redireciona para a página inicial com o parâmetroerro=login_restrito— área restrita a associados. Os Position Statements publicados na Femina, ao contrário, são abertos. febrasgo.org.br ↩ -
Revista Brasileira de Ginecologia e Obstetrícia (RBGO), periódico da FEBRASGO — Provinciatto H, Barbalho ME, da Câmara PM, Bertani MS, Marinho AD, Philip CE, et al. Levothyroxine in euthyroid pregnant women with thyroid peroxidase antibody: a systematic review and meta-analysis of randomized controlled trials. Revista Brasileira de Ginecologia e Obstetrícia, 2025; 47. Metanálise de 8 ensaios randomizados com 1.645 gestantes eutireóideas com anti-TPO positivo, das quais 814 receberam levotiroxina: redução de abortamento (RR 0,78; IC 95% 0,63-0,98), sem diferença em parto prematuro; no subgrupo com perda gestacional de repetição, aumento de nascidos vivos (RR 1,21; IC 95% 1,03-1,42). Registro PROSPERO CRD42023410433. PubMed · DOI ↩
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SBEM — Departamento de Tireoide — Teixeira PFDS, Nogueira CR, Mesa CO, Ramos HE, Maciel LMZ, Macedo MS, Morais NS, Padovani RDP, Camargo RYA. Should iodine supplementation be universally recommended for pregnant women in Brazil? A position statement from the Thyroid Department of the Brazilian Society of Endocrinology and Metabolism (SBEM). Archives of Endocrinology and Metabolism, 2025; 69(4): e250170. Recomenda o uso exclusivo de sal iodado regulado na gestação, com suplementação individualizada apenas para gestantes de risco, e o uso da iodúria somente para avaliação populacional. Registra que a Anvisa fixou o teor de iodo do sal em 15-45 mg/kg pela RDC nº 23, de 24 de abril de 2013. PubMed · PDF · DOI ↩