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Hormônio antimulleriano (AMH): valores e o que ele mede

O AMH estima o estoque de folículos, não a sua chance de engravidar. Os valores da Febrasgo, o problema dos kits e por que nem o SUS nem o plano pagam.

Publicado em 9 de setembro de 202612 min de leituraEscrito pela Equipe Blood Analysis · Revisado e verificado por Julien Priour

O hormônio antimulleriano aparece no laudo com quatro nomes diferentes: AMH (a sigla internacional, a mais impressa), HAM (a sigla que as sociedades brasileiras usam), hormônio anti-Mülleriano com trema, ou antimülleriano junto. É o mesmo exame. Este guia trata do exame de AMH: do que ele mede de fato, e da distância entre isso e a pergunta que quase toda mulher faz ao pedi-lo. Faz parte do perfil hormonal.

Em resumo

  • O AMH mede estoque, não fertilidade. Ele reflete o número de folículos pequenos que o ovário ainda tem. Isso não é a mesma coisa que a sua chance de engravidar neste mês.
  • A Febrasgo escreve isso com todas as letras: os marcadores de reserva ovariana são "dados ainda controversos na literatura, e a idade da mulher permanece como o mais forte parâmetro correlacionado com boas chances de gestação".1
  • 🔴 Um AMH baixo não significa infertilidade. Num estudo prospectivo com 750 mulheres de 30 a 44 anos sem histórico de infertilidade, quem tinha AMH abaixo de 0,7 ng/mL engravidou em 12 ciclos tanto quanto quem tinha valor normal — 84% contra 75%.2
  • A utilidade validada é outra: prever a resposta ao estímulo ovariano na fertilização in vitro e ajudar no diagnóstico da síndrome dos ovários policísticos (SOP).3
  • Réguas da Febrasgo para reprodução assistida: baixa resposta < 0,5 a 1,0 ng/mL; normal 1,0 a 2,8; risco de hiper-resposta > 2,8 ng/mL.1
  • Pode ser colhido em qualquer dia do ciclo. A SBPC/ML: o AMH "sofre pequenas variações intraciclo e pode ser pedido em qualquer época" — ao contrário do FSH e do estradiol, presos aos dias 1 a 4.3
  • ⚠️ Dois laudos de laboratórios diferentes não se comparam bem. Não existe padrão internacional para o AMH, e a comparação direta entre ensaios "continua problemática".4
  • Anticoncepcional hormonal abaixa o número. Em 27.125 mulheres, a pílula combinada se associou a um AMH médio 23,7% menor; o DIU de cobre, a nenhuma diferença.5
  • 💰 Nem o SUS nem o plano são obrigados a pagar. O AMH não tem código na tabela do SUS e não consta do Rol da ANS — enquanto o FSH e a ultrassonografia pélvica constam dos dois.67

AMH: exame de um estoque, antes de ser um número

O AMH é uma glicoproteína da superfamília do TGF-beta. Nos homens, é produzido pelas células de Sertoli e tem papel essencial na diferenciação sexual masculina: promove a reabsorção das estruturas de Müller — daí o nome. Na mulher, quem o fabrica são as células da granulosa dos folículos pré-antrais e antrais pequenos.3

É por isso que ele funciona como medida de estoque. Cada folículo pequeno contribui com um pouco de AMH para o sangue; quanto mais folículos em espera, maior o valor. A SBPC/ML acrescenta as funções que ele exerce: mantém os folículos primordiais quiescentes, impedindo-os de entrar em crescimento, modula a ação do receptor de FSH e parece inibir a aromatase.3

A curva ao longo da vida também é da SBPC/ML: valores muito baixos ao nascimento, subindo gradualmente até a puberdade, pico por volta da segunda década e declínio paulatino depois dos 30 anos, até ficar muito baixo na transição menopausal.3 Repare que o AMH cai com a idade — e é justamente por isso que ele não acrescenta tanto quanto se vende: a idade já dizia grande parte daquilo.

Reserva ovariana não é fertilidade — e essa é a frase que falta no laudo

Aqui está o mal-entendido que sustenta boa parte do mercado da fertilidade.

O estudo mais direto sobre o assunto acompanhou 750 mulheres de 30 a 44 anos sem histórico de infertilidade, que tentavam engravidar havia três meses ou menos. Depois de ajustar por idade, IMC e uso recente de contraceptivo, as mulheres com AMH baixo (< 0,7 ng/mL) não tiveram probabilidade diferente de conceber em 6 ciclos (65% contra 62%) nem em 12 ciclos (84% contra 75%) em relação às de valor normal. A conclusão dos autores é explícita: os achados não sustentam o uso do AMH para avaliar a fertilidade natural nessas mulheres.2

Uma revisão sistemática de 32 estudos chegou a um resultado paralelo do lado da reprodução assistida: o AMH se relaciona com a taxa cumulativa de nascido vivo após FIV/ICSI, mas nenhum limiar discriminante foi encontrado — não existe valor de AMH abaixo do qual o nascido vivo deixe de ser possível. Os autores concluem que um AMH baixo não deve ser usado como critério isolado para recusar tratamento, especialmente em pacientes jovens. E, para a concepção natural ou por inseminação, simplesmente não havia dados suficientes.8

Traduzindo para o seu laudo: o AMH responde "quantos folículos ainda estão na fila". Não responde "vou conseguir engravidar". São perguntas diferentes, e só a primeira tem resposta laboratorial.

A Febrasgo diz o mesmo por outro caminho. Ao listar os marcadores de reserva ovariana, o protocolo brasileiro observa que a combinação deles com a idade da paciente é apontada por alguns estudos como bom fator prognóstico, "no entanto, esses são dados ainda controversos na literatura, e a idade da mulher permanece como o mais forte parâmetro correlacionado com boas chances de gestação".1 O parâmetro que mais pesa já estava na sua certidão de nascimento.

As réguas brasileiras

O protocolo Febrasgo de propedêutica da infertilidade conjugal publica os cortes usados na prática. Eles servem para planejar o estímulo ovariano, não para prognosticar gravidez.1

MarcadorBaixa respostaFaixa normalRisco de hiper-resposta
AMH (HAM)< 0,5 a 1,0 ng/mL1,0 a 2,8 ng/mL> 2,8 ng/mL
Contagem de folículos antrais< 4 folículos (2–11 mm)> 16 folículos
FSHideal < 8 mUI/mLruim 10–15mau prognóstico > 15
Estradiol< 50 a 70 pg/mL

O mesmo protocolo chama o AMH de "a melhor medida disponível da reserva ovariana", aplicável no tratamento de infertilidade — especialmente FIV —, na previsão de vida útil reprodutiva, na disfunção ovariana e antes de quimioterapia ou cirurgia de ovário. E confirma que pode ser medido em qualquer dia do ciclo menstrual.1

Um dado brasileiro dá escala a esses números. Num centro de fertilização de Curitiba, 733 pacientes tiveram AMH médio caindo de 2,65 para 1,35 ng/mL entre o grupo de até 35 anos e o de 40 ou mais, com o total de oócitos captados caindo de 9,5 para 5,42. A correlação do AMH com o número total de oócitos foi de 0,67 — forte. Com a idade, foi negativa (−0,33).9 O exame prevê bem a colheita. É para isso que ele foi feito.

Por que dois laudos não se comparam

Esta é a informação mais concreta para quem tem dois papéis na mão.

Não existe um padrão internacional para o AMH. A generalização do exame multiplicou os ensaios diagnósticos, incluindo plataformas automatizadas, e a revisão de referência do tema é direta: a comparação direta dos resultados continua problemática, e a falta de padrão limita a comparação entre kits.4 A SBPC/ML acrescenta o problema das unidades — ng/mL, ng/dL, pmol/L conforme o laboratório — e alerta que hemólise, má conservação da amostra, anticorpos heterófilos e efeito gancho também atrapalham dosagens hormonais.3

Consequência prática: compare o seu valor com o intervalo impresso no seu próprio laudo, e repita no mesmo laboratório se for acompanhar ao longo do tempo. Um 1,4 medido num lugar e um 1,9 medido em outro podem não significar que algo mudou. A regra vale para toda leitura de resultado de exame de sangue.

SOP: onde o AMH ganhou terreno de verdade

Na síndrome dos ovários policísticos, os valores do AMH são 2 a 3 vezes mais elevados que nas mulheres sem a síndrome — reflexo do excesso de folículos pequenos.3

O protocolo Febrasgo de SOP, de 2025, registra a mudança recente: se houver dificuldade de caracterizar o item de ultrassonografia pélvica, a diretriz internacional de 2023 aponta o AMH como alternativa ao ultrassom. Com duas ressalvas que a própria Febrasgo destaca. Primeira: "o valor de corte desse hormônio ainda não está bem estabelecido". Segunda: tanto o ultrassom quanto a dosagem de AMH devem ser solicitados apenas após 8 anos da menarca — em adolescentes, o diagnóstico é clínico.10

Ou seja: o AMH substitui uma das três peças do critério de Roterdã, e apenas uma. O diagnóstico continua exigindo dois dos três critérios — oligoamenorreia, hiperandrogenismo e morfologia ovariana — e continua sendo de exclusão. Por isso o mesmo pedido costuma trazer prolactina, 17-α-hidroxiprogesterona, TSH e T4 livre, testosterona total e livre e SDHEA: são os exames que descartam hiperprolactinemia, hiperplasia adrenal congênita tardia, doença da tireoide e tumores produtores de androgênios.10 O panorama da tireoide está nos exames da tireoide; a fração livre dos androgênios depende da SHBG, e a resistência insulínica frequente na SOP se avalia com insulina e glicemia.

O que muda o seu número

O anticoncepcional. Num levantamento com 27.125 mulheres de 20 a 46 anos, o AMH médio foi menor entre usuárias de pílula combinada (−23,7%), anel vaginal (−22,1%), implante (−23,4%), minipílula (−14,8%) e DIU hormonal (−6,7%). O DIU de cobre não mostrou diferença.5 Não é que o contraceptivo consuma folículos: ele reduz o que se mede. Se o exame foi colhido sob pílula, diga isso ao seu médico antes de interpretar.

O dia do ciclo — pouco. É a vantagem prática do AMH sobre o FSH e o LH, que precisam da fase folicular precoce, e sobre a progesterona, que só comprova ovulação depois do 21º dia.3

Jejum, não. Nenhuma das fontes brasileiras consultadas aqui exige jejum para o AMH; a coleta de sangue é a comum. Se o mesmo tubo servir para glicemia ou lipidograma, o jejum é exigência desses exames.

No homem e na criança

Um parágrafo, porque a audiência deste exame é outra. No homem adulto o AMH quase não é pedido. Na pediatria, ele muda de papel: como é produzido pelas células de Sertoli e responsável pela reabsorção das estruturas de Müller na diferenciação sexual masculina,3 a sua dosagem prova que existe tecido testicular funcionante — útil em testículos não palpáveis e em distúrbios do desenvolvimento sexual. Nada disso se conduz fora de um serviço de endocrinologia pediátrica.

Há ainda um uso que raramente aparece nos anúncios e é o mais defensável de todos: antes de quimioterapia ou de cirurgia de ovário. O protocolo Febrasgo lista essa indicação ao lado da FIV.1 Aqui o exame não promete gravidez — ele documenta o ponto de partida antes de um tratamento que pode reduzir a reserva, e ajuda a decidir, com o oncologista, se vale preservar óvulos antes de começar.

Quanto custa

Leitura direta da tabela do SUS, competência agosto de 2026, e do Anexo I do Rol da ANS em vigor:67

ProcedimentoCódigo SUSValor SUSNo Rol da ANS
Hormônio antimullerianonão existenão consta
FSH0202060233R$ 7,89sim
LH0202060241R$ 8,97sim
Estradiol0202060160R$ 10,15sim
Ultrassonografia pélvica (ginecológica)0205020160R$ 24,20sim
Testosterona0202060349R$ 10,43sim

Nas 5.023 linhas da tabela do SUS, o radical "MULLER" retorna uma única ocorrência: a esfera de Müller, uma prótese oftálmica. O vocábulo existe; nunca foi aplicado a este hormônio. No Rol da ANS, mesma ausência — e os controles positivos passam: FSH, LH, estradiol, ferritina e hemograma completo estão todos lá.67

Isto não quer dizer que nenhum plano pague: o Rol é o mínimo obrigatório, e operadoras podem cobrir mais. Quer dizer que você não pode exigir, e que na prática o exame costuma sair do bolso. Os preços anunciados por laboratórios privados são observação de mercado, não referência de autoridade sanitária — o guia quanto custa um exame de sangue trata da lógica dos preços.

Avanços recentes

O AMH separa os subtipos de SOP. Uma metanálise de 2026 conduzida por um grupo da USP, com 49 estudos e 15.535 participantes, comparou os quatro fenótipos de Roterdã e encontrou hierarquia clara: fenótipo A com o valor mais alto (11,49 ng/mL), seguido de D (8,97), C (7,98) e B (6,25). A heterogeneidade foi altíssima (I² ≈ 98%) e a região geográfica apareceu como contribuinte significativo — o que reforça a necessidade de padronizar ensaios e interpretar por população.11

AMH muito alto na SOP não é boa notícia para a FIV. Uma revisão sistemática publicada em 2026 na Revista Brasileira de Ginecologia e Obstetrícia, com 13 estudos, encontrou em pacientes com SOP e AMH elevado mais oócitos captados (diferença média de 3,52) e, ao mesmo tempo, menor taxa de nascido vivo (OR 0,85; significativo após análise de sensibilidade).12 Mais estoque não é mais resultado.

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Perguntas frequentes

Meu AMH deu baixo. Não vou conseguir engravidar? Não é o que o exame diz. Em mulheres sem histórico de infertilidade, AMH baixo não reduziu a chance de conceber em 12 ciclos.2 E, na FIV, não existe limiar abaixo do qual o nascido vivo seja impossível.8

Preciso colher em algum dia específico? Não. O AMH sofre pequenas variações intraciclo e pode ser pedido em qualquer época.3

Tomo pílula. O resultado vale? Vale, mas vem subestimado — cerca de 24% menor com pílula combinada.5 Informe o método usado.

Posso comparar com o exame que fiz em outro laboratório? Com muita cautela: não há padrão internacional e a comparação entre ensaios é problemática.4 Prefira repetir no mesmo laboratório.

AMH alto é bom? Nem sempre. Valores 2 a 3 vezes acima do normal apontam para SOP,3 e acima de 2,8 ng/mL indicam risco de hiperestímulo ovariano na FIV.1

O AMH prevê quando vou entrar na menopausa? Ele cai com a aproximação da menopausa, mas a velocidade desse declínio varia entre mulheres, o que limita a previsão individual.4

O que levar do seu laudo

Três reflexos. O AMH mede estoque, não chance de gravidez. O número serve para planejar um estímulo ovariano e para ajudar no diagnóstico da SOP — e é aí que ele muda conduta. E o valor pertence ao laboratório que o mediu: compare com o intervalo do próprio laudo, não com o de um amigo.

Se algum termo não fizer sentido, comece pelo glossário. Para organizar os seus resultados antes da consulta, a AI DiagMe ajuda a colocá-los em contexto — a decisão continua sendo do seu médico.

Fontes

Footnotes

  1. Federação Brasileira das Associações de Ginecologia e Obstetrícia (Febrasgo) — Lamaita RM, Amaral MC, Cota AM, Ferreira MC. Propedêutica básica da infertilidade conjugal. Protocolo Febrasgo. Femina. 2020;48(5):311-5. "Dosagem do HAM: é atualmente a melhor medida disponível da reserva ovariana, sendo aplicável em uma variedade de situações clínicas, tais como tratamento de infertilidade (especialmente FIV), previsão de vida útil reprodutiva, disfunção ovariana (especialmente SOP) e quimioterapia ou cirurgia de ovário. Pode ser medido em qualquer dia do ciclo menstrual"; valores de referência: HAM baixa resposta < 0,5 a 1,0 ng/mL, normais entre 1,0 e 2,8 ng/mL, risco de hiper-resposta ou hiperestímulo ovariano > 2,8 ng/mL; CFA baixa resposta abaixo de 4 folículos de 2 a 11 mm e risco de hiper-resposta acima de 16 folículos; FSH ideal < 8, ruim entre 10 e 15, mau prognóstico > 15 mUI/mL; estradiol < 50 a 70 pg/mL; avaliação da reserva na fase folicular inicial, do 2º ao 5º dia. ⚠️ Ressalva textual citada no corpo do guia: sobre o conjunto dos marcadores de reserva, "esses são dados ainda controversos na literatura, e a idade da mulher permanece como o mais forte parâmetro correlacionado com boas chances de gestação". Verificação: PDF baixado (222.131 bytes) e relido com extração -layout. PDF 2 3 4 5 6 7

  2. Steiner AZ, Pritchard D, Stanczyk FZ, Kesner JS, Meadows JW, Herring AH, Baird DD. Association Between Biomarkers of Ovarian Reserve and Infertility Among Older Women of Reproductive Age. JAMA. 2017;318(14):1367-76. Coorte prospectiva de tempo até a gravidez (2008-2016) com mulheres de 30 a 44 anos sem histórico de infertilidade, tentando conceber havia três meses ou menos; 750 forneceram amostras. Ajustado por idade, IMC, tabagismo e uso recente de contraceptivo hormonal, o grupo com AMH < 0,7 ng/mL (n = 84) não diferiu do grupo com valores normais (n = 579) na probabilidade de conceber em 6 ciclos (65% contra 62%) nem em 12 ciclos (84% contra 75%); resultado equivalente para FSH sérico e urinário e para inibina B. ⚠️ Fonte internacional. DOI: 10.1001/jama.2017.14588 · PubMed 29049585 2 3

  3. Sociedade Brasileira de Patologia Clínica/Medicina Laboratorial (SBPC/ML) — Maciel GAR. Avaliação hormonal da mulher em idade reprodutiva. In: Recomendações da SBPC/ML: boas práticas em laboratório clínico, cap. 48, seção "Hormônio anti-Mülleriano" (p. 348-9) e seção "Ciclo menstrual" (p. 350-1). Glicoproteína homodimérica da superfamília do TGF-beta; no homem produzida pelas células de Sertoli, com papel essencial na diferenciação sexual masculina pela reabsorção das estruturas de Müller; na mulher produzida pelas células da granulosa de folículos pré-antrais e antrais pequenos; mantém a quiescência dos folículos primordiais, modula o receptor de FSH e parece inibir a aromatase; medido por eletroquimioluminescência e ELISA; valores muito baixos ao nascimento, pico na segunda década e declínio paulatino após os 30 anos até a transição menopausal; marcador mais fidedigno de reserva ovariana junto com a contagem de folículos antrais, com excelente relação com esse padrão de referência; usado para predizer resposta ao estímulo ovariano em reprodução assistida; valores de 2 a 3 vezes mais elevados na síndrome dos ovários policísticos; "o AMH sofre pequenas variações intraciclo e pode ser pedido em qualquer época", enquanto FSH e estradiol exigem os dias 1 a 4 e a progesterona exige após o 21º dia; alerta sobre unidades divergentes (ng/mL, ng/dL, pmol/L) e sobre hemólise, má conservação, anticorpos heterófilos e efeito gancho. ⚠️ Verificação: leitura do texto integral do PDF (16.055.655 bytes, 23.815 linhas extraídas com pdftotext -layout); passagens localizadas nas linhas 16.864-16.890 e 16.975-17.006. PDF 2 3 4 5 6 7 8 9 10 11

  4. Moolhuijsen LME, Visser JA. Anti-Müllerian Hormone and Ovarian Reserve: Update on Assessing Ovarian Function. J Clin Endocrinol Metab. 2020;105(11):3361-73. Revisão de referência: o AMH mede a "reserva ovariana funcional" — o conjunto de folículos em crescimento —, é usado em protocolos individualizados de dose de FSH e pode prever risco de baixa resposta ou de hiperestimulação ovariana, mas tem valor limitado para prever gravidez em evolução; as taxas de declínio do AMH com a idade variam entre mulheres, o que limita a previsão individual da menopausa; a difusão do exame multiplicou os ensaios, inclusive automatizados, e "a comparação direta dos resultados continua problemática"; conclusão: "a falta de um padrão internacional para o AMH limita a comparação entre ensaios". ⚠️ Fonte internacional. DOI: 10.1210/clinem/dgaa513 · PubMed 32770239 2 3 4

  5. Hariton E, Shirazi TN, Douglas NC, Hershlag A, Briggs SF. Anti-Müllerian hormone levels among contraceptive users: evidence from a cross-sectional cohort of 27,125 individuals. Am J Obstet Gynecol. 2021;225(5):515.e1-515.e10. Estudo transversal com 27.125 mulheres de 20 a 46 anos, ajustado por idade, idade da menarca, IMC, tabagismo, método de coleta, dia do ciclo e SOP autorrelatada: AMH médio significativamente menor entre usuárias de pílula combinada (−23,68%), anel vaginal (−22,07%), implante (−23,44%), minipílula (−14,80%) e DIU hormonal (−6,73%); sem diferença significativa para o DIU de cobre (−1,57%; p = 0,600). ⚠️ Fonte internacional; estudo financiado por empresa de testes de fertilidade (Modern Fertility), declarado pelos autores — usado aqui apenas pela magnitude do efeito do contraceptivo, não como recomendação de conduta. DOI: 10.1016/j.ajog.2021.06.052 · PubMed 34126087 2 3

  6. Ministério da Saúde / DATASUSSIGTAP: Tabela de Procedimentos, Medicamentos e OPM do SUS, competência 202608 (marcador de competência lido no fim de cada registro). Leitura direta de tb_procedimento.txt (1.697.774 bytes, 5.023 linhas) com decodificação latin-1, newline='' para preservar o CRLF e colunas de posição fixa: VL_SH [282:294], VL_SA [294:306], VL_SP [306:318] — exame de laboratório é o VL_SA. ⚠️ Parser validado contra dois valores publicados de forma independente: hemograma completo 0202020380 = R$ 4,11 e ferritina 0202010384 = R$ 15,59 — 2 acertos em 2. Ausência do AMH demonstrada com rebatimento de acentos e controle positivo forte: o radical "MULLER" retorna 1 linha em 5.023, e é a esfera de Müller (prótese oftálmica, 0702070041, R$ 60,00); "ANTIMULLER", "ANTI-MULLER" e "ANTI MULLER" retornam 0. Valores lidos: FSH 0202060233 = R$ 7,89; LH 0202060241 = R$ 8,97; estradiol 0202060160 = R$ 10,15; testosterona 0202060349 = R$ 10,43; prolactina 0202060306 = R$ 10,15; ultrassonografia pélvica (ginecológica) 0205020160 = R$ 24,20. sigtap.datasus.gov.br 2 3

  7. Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS)Anexo I: Rol de Procedimentos e Eventos em Saúde, RN nº 465/2021, na redação vigente em setembro de 2026 (arquivo Anexo_I_Rol_2021RN_465.2021_RN678.2026.xlsx, 612.057 bytes, baixado do portal gov.br). Leitura direta das 3.662 cadeias de texto da planilha, com rebatimento de acentos: nenhuma ocorrência de "MULLER" — o hormônio antimulleriano não integra a cobertura mínima obrigatória dos planos de saúde. ⚠️ Controles positivos no mesmo arquivo, todos presentes: "HORMÔNIO FOLÍCULO ESTIMULANTE (FSH)", "HORMÔNIO LUTEINIZANTE (LH)", "ESTRADIOL", "FERRITINA" e "HEMOGRAMA COMPLETO". Controle negativo de download: nome de arquivo inventado no mesmo diretório devolve 404. Lembrete regulatório: o Rol define o mínimo obrigatório, não o teto — operadoras podem cobrir procedimentos fora dele. gov.br/ans 2 3

  8. Peigné M, Bernard V, Dijols L, Creux H, Robin G, Hocké C, Grynberg M, Dewailly D, Sonigo C. Using serum anti-Müllerian hormone levels to predict the chance of live birth after spontaneous or assisted conception: a systematic review and meta-analysis. Hum Reprod. 2023;38(9):1789-806. Trinta e dois estudos incluídos: relação positiva não linear entre AMH e nascido vivo cumulativo após FIV/ICSI, sem limiar discriminante — nenhum valor de AMH abaixo do qual o nascido vivo deixe de ser alcançável; os autores concluem que um AMH baixo não deve ser usado como critério isolado para recusar tratamento de FIV, sobretudo em pacientes jovens; dados insuficientes para inseminação intrauterina ou para mulheres tentando conceber sem reprodução assistida; a heterogeneidade é atribuída em parte ao uso de ensaios diferentes de AMH. ⚠️ Fonte internacional. DOI: 10.1093/humrep/dead147 · PubMed 37475164 2

  9. Kozlowski IF, Carneiro MC, Rosa VBD, Schuffner A. Correlation between anti-Müllerian hormone, age, and number of oocytes: A retrospective study in a Brazilian in vitro fertilization center. JBRA Assist Reprod. 2022;26(2):214-21. Estudo retrospectivo em centro de medicina reprodutiva de Curitiba (PR), com 733 pacientes de 20 a 50 anos submetidas a FIV entre 2012 e 2019, divididas em três faixas etárias (≤ 35, 36-39 e ≥ 40 anos): AMH médio caindo de 2,65 para 1,35 ng/mL e total de oócitos captados de 9,5 para 5,42; correlação do AMH com a idade de −0,3257, com o total de oócitos de 0,6702 e com os oócitos maduros de 0,5770; sem diferença significativa no número de oócitos maduros entre 36-39 e ≥ 40 anos. Descrito pelos autores como o maior estudo brasileiro sobre o tema. DOI: 10.5935/1518-0557.20210083 · PubMed 34812600

  10. Febrasgo, Comissão Nacional Especializada em Ginecologia Endócrina — Síndrome dos ovários policísticos. Protocolo Febrasgo de Ginecologia n. 45. Femina. 2025;53(12):1390-7. Highlight n. 3: "O hormônio antimülleriano pode ser uma alternativa ao ultrassom. O valor de corte desse hormônio ainda não está bem estabelecido"; no corpo: "se houver dificuldade de caracterizar o item de ultrassonografia pélvica, a diretriz internacional aponta a utilização do hormônio antimülleriano (HAM) como alternativa. Entretanto, salienta que tanto o ultrassom quanto a dose de HAM devem ser solicitados apenas após 8 anos da menarca"; diagnóstico de exclusão pelos critérios de Roterdã (dois dos três: oligoamenorreia, hiperandrogenismo clínico e/ou laboratorial, morfologia ultrassonográfica), com exames de exclusão tabulados (prolactina; 17-α-hidroxiprogesterona; TSH e T4 livre; testosteronas total e livre e SDHEA; cortisol salivar noturno ou supressão com 1 mg de dexametasona) e coleta entre o 1º e o 5º dia do ciclo ou em qualquer época na amenorreia; em adolescentes, os critérios não devem incluir a morfologia ovariana e o diagnóstico deve ser revisto após oito anos da menarca. ⚠️ Verificação: PDF baixado (165.292 bytes, application/pdf), com controle negativo em nome de arquivo inventado no mesmo diretório devolvendo 404; texto relido com pdftotext -layout. PDF 2

  11. Schwenck-Carvalho PJ, Maffazioli GN, Simões RS, Macchione RF, de Medeiros SF, Soares Júnior JM, Baracat EC, Maciel GAR. Anti-Müllerian Hormone Levels Across Phenotypes in Polycystic Ovary Syndrome: A Systematic Review and Meta-analysis. J Endocr Soc. 2026;10(3):bvaf199. Metanálise conduzida pela Disciplina de Ginecologia do Hospital das Clínicas da FMUSP com a UFMT: 49 estudos e 15.535 participantes com SOP por critérios de Roterdã, valores convertidos para a unidade Beckman Coulter Gen II; AMH mais alto no fenótipo A (11,49 ng/mL), seguido de D (8,97), C (7,98) e B (6,25), com idade e IMC comparáveis; heterogeneidade I² ≈ 98% e região geográfica como contribuinte significativo na meta-regressão; os autores destacam a ausência de ponto de corte padronizado e a falta de harmonização entre ensaios. DOI: 10.1210/jendso/bvaf199 · PubMed 41728213

  12. Martins A, Ferreira-da-Silva R, Póvoa AM. Association between High AMH Levels in PCOS Patients and IVF/ICSI Outcomes: a systematic review and meta-analysis. Rev Bras Ginecol Obstet. 2026;48:e-rbgo25. Revisão sistemática publicada no periódico oficial da Febrasgo (autores da Faculdade de Medicina da Universidade do Porto): 13 estudos observacionais em pacientes com SOP estratificadas por AMH; AMH elevado associou-se a menor taxa de nascido vivo (OR 0,85; IC 95% 0,71-1,02, tornando-se significativa após análise leave-one-out: OR 0,80; IC 95% 0,64-0,99), taxa de gravidez clínica praticamente igual (OR 0,98) e aumento não significativo de abortamento (OR 1,25); mais oócitos captados (diferença média 3,52; IC 95% 1,70-5,33) sem diferença na taxa de fertilização. DOI: 10.61622/rbgo/2026rbgo25 · PubMed 42500182

Aviso médico. Este guia tem finalidade informativa e educativa; não constitui aconselhamento médico e não substitui uma consulta. Os valores de referência variam conforme o laboratório e a técnica: só o seu médico pode interpretar os seus resultados no seu contexto.