LH: hormônio luteinizante, pico ovulatório e valores
O pico de LH dispara a ovulação e passa depressa: uma coleta única pode não ver nada. O que o exame mede, os valores brasileiros e quanto o SUS paga.
O LH — hormônio luteinizante — é uma das duas gonadotrofinas produzidas pela hipófise, junto com o FSH. No pedido médico ele aparece como LH, hormônio luteinizante ou dosagem de LH. Este guia trata do exame de sangue, e da característica que quase nenhuma página conta: o LH não tem um valor, tem uma curva com picos, e o número do seu laudo é um ponto nessa curva. Faz parte do perfil hormonal.
Em resumo
- O LH é secretado em pulsos. A Sociedade Brasileira de Patologia Clínica/Medicina Laboratorial (SBPC/ML) registra que a maioria dos hormônios obedece a ciclos circadianos, menstruais e a secreção pulsátil — e que esse padrão variável durante o ciclo é "um dos fatores que dificultam sua interpretação".1
- É o pico de LH que dispara a ovulação. Para a SBPC/ML, a fase lútea "é desencadeada pela ovulação, que ocorre em decorrência de uma elevação súbita de LH".1
- Durante esse pico, o LH vai a 15–100 mUI/mL — uma faixa que não se compara com nenhum valor colhido fora dele.1
- O pico é um evento, não um patamar. Em 283 ciclos de mulheres férteis, os picos foram "extremamente variáveis em configuração, amplitude e duração".2
- A relação LH/FSH não é critério de SOP. O protocolo da Febrasgo sobre síndrome dos ovários policísticos tabula os três consensos diagnósticos — NIH 1990, Roterdã 2003 e AE-PCOS 2009 — e nenhum deles usa essa relação.3
- O LH distingue os hipogonadismos, como o TSH distingue os hipotireoidismos: gonadotrofina alta aponta a gônada, gonadotrofina baixa aponta a hipófise ou o hipotálamo.4
- Em criança, o LH é o teste mais sensível para classificar a puberdade precoce como dependente de gonadotrofinas.1
- Anticoncepcional apaga o resultado. A pílula suprime as gonadotrofinas; a SBPC/ML orienta interromper por cerca de 3 meses quando é preciso avaliar o eixo.1
- O SUS paga R$ 8,97 pela dosagem de LH (código 02.02.06.024-1, competência 08/2026).5
- Nenhum valor isolado fecha diagnóstico. O laudo se lê inteiro, com os seus sintomas e o seu médico.
O que o LH faz
A SBPC/ML resume a função em uma frase densa: o LH "é essencial no desencadeamento da ovulação, na maturação oocitária final e, também, na esteroidogênese, sendo o regulador principal da síntese de androgênios e tendo participação na produção de progesterona".1 Ou seja, ele não é só o gatilho da ovulação: é também o hormônio que manda o ovário e o testículo fabricarem androgênios. É por isso que o mesmo exame aparece em pedidos tão diferentes — investigação de infertilidade, de testosterona baixa no homem, de puberdade adiantada na criança.
A descrição oficial do procedimento na tabela do SUS diz o mesmo em linguagem administrativa: um teste para o hormônio "estimulador das células intersticiais, nos ovários e nos testículos", cujo "grande aumento no meio do ciclo induz a ovulação".5
Por que uma coleta só pode não dizer nada
Aqui está o fato que organiza esta página, e ele é físico, não teórico.
O LH sai da hipófise em pulsos, e a frequência desses pulsos muda dentro do próprio ciclo. A medida direta existe e é antiga: onze mulheres com ciclos normais foram submetidas a coletas de sangue a cada 10 minutos durante 48 horas, em vários pontos da transição entre um ciclo e o seguinte. A frequência dos pulsos de LH aumentou 4,5 vezes ao longo de oito dias, e esse aumento se ligava fortemente ao pico de LH anterior — não à menstruação.6 É um dado que só aparece com dezenas de punções por dia; num laudo de rotina, com uma punção, ele é invisível.
O pico ovulatório tem o mesmo problema, em escala maior. Nos 283 ciclos de mulheres normalmente ovulatórias, os picos variaram em formato, em altura e em duração; alguns tinham vários topos, e esses se associaram a folículos menores antes da ruptura e a LH mais baixo no dia da ovulação.2 Não existe, portanto, "o" pico: existe uma família de picos.
A consequência é direta. Um LH colhido num dia qualquer mede um vale, um pulso ou uma subida — e os três números são verdadeiros e significam coisas diferentes. É a mesma lógica que faz o cortisol da tarde valer metade do da manhã: o exame não está errado, está fora de contexto. Por isso a SBPC/ML indica o LH em situações definidas — "no diagnóstico do pico ovulatório e na investigação de hipogonadismo primário e puberdade precoce" — e não como rastreio solto.1
Os valores, e o único que tem régua
O laudo brasileiro traz faixas por fase do ciclo, e elas variam de laboratório para laboratório conforme o método. Um número, porém, vem de fonte brasileira e serve de âncora: durante o pico ovulatório, o LH varia entre 15 e 100 mUI/mL.1 Fora do pico, os valores são muito mais baixos — e é justamente por isso que compará-los com essa faixa não faz sentido.
Duas advertências técnicas da mesma fonte mudam a leitura. A primeira: um dos problemas dos testes de LH é a reatividade cruzada com o hCG, o hormônio da gravidez — embora, segundo a SBPC/ML, métodos mais recentes tenham ganhado especificidade e isso "em geral, não ocorre".1 Se o seu beta-hCG estiver alto, a interferência é conhecida. A segunda: para as gonadotrofinas, o radioimunoensaio tem baixa especificidade e sensibilidade, e os ensaios baseados em ELISA são menos sensíveis e cruzam mais; "os métodos de escolha devem ser os imunométricos".1 Aqui duas fontes brasileiras divergem: a descrição do procedimento na tabela do SUS classifica a dosagem de LH como "teste imunoenzimático".5 Uma é orientação técnica de sociedade científica, a outra é texto administrativo de tabela; a página não arbitra, mas o método está no rodapé do seu laudo.
O termostato: LH alto e LH baixo
Esta é a leitura mais útil do exame, e ela é uma analogia exata com a tireoide. Nos exames da tireoide, um TSH alto com T4 baixo aponta a glândula, e um TSH baixo com T4 baixo aponta a hipófise. Com as gonadotrofinas é igual.
O protocolo da Febrasgo sobre puberdade tardia nomeia os dois quadros: o atraso "pode resultar de hipogonadismo decorrente de uma inatividade do eixo hipotálamo-hipofisário (hipogonadismo hipogonadotrófico) ou de uma falha gonadal primária (hipogonadismo hipergonadotrófico)".4 Gonadotrofina alta com hormônio sexual baixo: o comando grita e a gônada não responde. Gonadotrofina baixa com hormônio sexual baixo: o comando emudeceu.
⚠️ Um detalhe do mesmo protocolo desmente o que muita página escreve: nesse fluxograma, o exame principal é o FSH, não o LH. "A dosagem do FSH é o exame principal para identificar se a causa é central (FSH diminuído) ou ovariana (FSH aumentado)", com prolactina e TSH acrescentados quando a causa é central.4 O LH acompanha; quem decide o ramo é o FSH.
A relação LH/FSH na SOP: o que as fontes realmente dizem
Circula muito a ideia de que uma relação LH/FSH acima de 2 ou de 3 "fecha" síndrome dos ovários policísticos. As fontes brasileiras primárias não sustentam isso.
O Protocolo Febrasgo sobre a síndrome, publicado na revista Femina em 2025, traz uma tabela com os três consensos de critério diagnóstico. NIH (1990): hiperandrogenismo clínico e/ou laboratorial, oligoamenorreia e ultrassom. Roterdã (2003): os mesmos três, com pelo menos dois presentes. AE-PCOS Society (2009): hiperandrogenismo obrigatório mais um dos outros dois. Nenhuma das três linhas menciona LH, FSH ou a relação entre eles.3 A tabela do diagnóstico diferencial do mesmo protocolo — os exames para excluir outras causas — lista prolactina, 17-α-hidroxiprogesterona, TSH e T4 livre, testosteronas total e livre, SDHEA e cortisol; também não lista LH.3
Onde o LH aparece no protocolo é na fisiopatologia: os androgênios regulam a pulsatilidade do GnRH, o que se relaciona "à maior liberação de hormônio luteinizante (LH) pela hipófise", e "a predominância de LH sobre o FSH pode alterar o crescimento folicular".3 Isso é um mecanismo descrito, não um critério a ser medido. A SBPC/ML só usa a relação LH/FSH num contexto totalmente diferente — antes da puberdade, quando ela "em geral é menor que 1".1
Duas notas para não exagerar na conclusão. A relação LH/FSH continua a ser estudada: um trabalho de 2026 mostrou que o estresse psicológico crônico derruba o LH e essa relação em mulheres com morfologia ovariana policística, atenuando o fenótipo endócrino típico.7 E o protocolo da Febrasgo lembra que os exames hormonais devem ser colhidos "entre o primeiro e o quinto dia do ciclo ou em qualquer época nas pacientes com amenorreia".3 O LH pode entrar como peça de contexto — mas não é o que faz o diagnóstico, e a insulina e a glicemia pesam mais no risco metabólico da síndrome do que qualquer razão entre gonadotrofinas.
Na criança: puberdade precoce
Em pediatria o LH ganha um papel que não tem no adulto. Segundo a SBPC/ML, para classificar a puberdade precoce como dependente de gonadotrofinas (central), "o LH é o teste com maior sensibilidade", e os valores de corte basais são 0,6 mUI/mL em ensaios fluorimétricos ou 0,3 mUI/mL em eletroquimioluminescência.1
Quando o LH basal não decide, existe o teste de estímulo — e aqui vale uma verificação que costuma ser feita ao contrário. A tabela do SUS financia o "teste de estímulo com GnRH ou com agonista GnRH" (02.02.06.042-0, R$ 12,01), descrito como útil "na investigação da integridade do eixo gonadal-pituitário".5 Uma linha numa tabela de pagamento prova cobertura, nunca recomendação. Neste caso, porém, o texto clínico existe e é brasileiro: um estudo do Departamento de Ginecologia e Obstetrícia da Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto (USP) avaliou 60 meninas com puberdade precoce central e definiu o melhor ponto de corte do teste com acetato de leuprolida 500 µg por via subcutânea: LH de 3 horas acima de 4,0 mUI/mL (sensibilidade 73%, especificidade 83,1%), com especificidade de 100% acima de 8,4 mUI/mL. Os autores encerram com a advertência que vale para toda esta página: o diagnóstico "deve se basear em um conjunto de critérios, e não em uma medida isolada".8
O que apaga o LH: a pílula
Este é o ponto prático mais concreto do exame. A maioria dos anticoncepcionais hormonais age inibindo o eixo hipotálamo-hipófise-gônada; por isso, na vigência deles, "há supressão das gonadotrofinas e diminuição do estradiol, progesterona e testosterona", e a orientação da SBPC/ML, quando é preciso avaliar o eixo, é interromper por cerca de 3 meses.1 Um LH colhido sob pílula mede o efeito do comprimido, não a sua hipófise.
O prazo não é arbitrário. Um estudo multicêntrico com 235 usuárias de contraceptivo oral combinado testou se o grau de supressão de LH, FSH, estradiol e androgênios permitiria distinguir uma reserva ovariana verdadeiramente baixa de uma baixa artificialmente pelo método — e concluiu que não: "não parece haver alternativa à retirada do contraceptivo e a repetir o exame depois de 2 a 3 meses".9 Essa decisão é do seu médico, nunca sua sozinha.
E o teste de ovulação de farmácia?
Merece menção honesta, porque detecta o mesmo pico. As tiras urinárias procuram a elevação súbita de LH e são baratas, mas há um mal-entendido documentado. Uma análise crítica publicada em Hormones and Behavior aponta que o "padrão-ouro" das tiras se apoia na ideia de que a fertilidade tem seu auge com a ovulação e de que esta ocorre regularmente 24 a 48 horas depois do pico — quando, na prática, o pico de LH marca o fim próximo da janela fértil.10 São dois exames com o mesmo nome: a tira responde "hoje ou amanhã?"; o sangue responde a perguntas clínicas — hipogonadismo, puberdade, momento de administrar medicação que desencadeia a ovulação.1
Quanto o SUS paga
Valores ambulatoriais da SIGTAP na competência 08/2026, lidos diretamente no arquivo da tabela:5
| Procedimento | Código | Valor |
|---|---|---|
| Dosagem de hormônio luteinizante (LH) | 02.02.06.024-1 | R$ 8,97 |
| Dosagem de hormônio folículo-estimulante (FSH) | 02.02.06.023-3 | R$ 7,89 |
| Dosagem de estradiol | 02.02.06.016-0 | R$ 10,15 |
| Dosagem de prolactina | 02.02.06.030-6 | R$ 10,15 |
| Teste de estímulo com GnRH ou com agonista GnRH | 02.02.06.042-0 | R$ 12,01 |
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Perguntas frequentes
Preciso estar em jejum para dosar LH? Nenhuma das fontes brasileiras consultadas aqui exige jejum para LH. O que importa é o dia do ciclo e o motivo do pedido. Se o exame for colhido junto com glicemia ou perfil lipídico, valem as regras desses exames. Confirme sempre com o seu laboratório.
Meu LH está alto. É menopausa? Pode ser, e pode ser muitas outras coisas — inclusive uma coleta feita no meio do pico ovulatório, quando 15 a 100 mUI/mL é o esperado.1 Gonadotrofina alta com hormônio sexual baixo aponta falha gonadal; para amenorreia, a régua brasileira citada pela SBPC/ML é do FSH, não do LH: acima de 30 mUI/mL sugere causa gonadal.1
LH e FSH precisam ser pedidos juntos? Quase sempre são, porque é a comparação entre os dois — e com o hormônio sexual — que localiza o problema. Mas não confunda "pedir juntos" com "calcular a razão": a relação LH/FSH não é critério diagnóstico de SOP em nenhum dos três consensos tabulados pela Febrasgo.3
Posso repetir o exame no mesmo mês? Repetir faz sentido para capturar um evento — o pico, que só se documenta com dosagens seriadas. Repetir "para ver se melhorou", sem mudar nada, mede a pulsatilidade, não a doença.6
Uso pílula. Vale a pena dosar? Para avaliar o eixo, não: a supressão é o efeito esperado do medicamento.1 Pergunte ao seu médico o que o resultado vai mudar na conduta.
O laudo de dois laboratórios pode ser comparado? Com cautela: as gonadotrofinas são dosadas por métodos com sensibilidades e reatividades cruzadas diferentes.1 Compare com o intervalo impresso no seu próprio laudo; os termos estão no glossário de exames de sangue.
O que levar do seu laudo
O LH é um hormônio de evento, não de patamar. Três reflexos: o dia do ciclo vale tanto quanto o número; a pílula apaga o resultado; e a relação LH/FSH não diagnostica SOP, por mais que circule. Como acontece com a prolactina, o valor sozinho não decide nada.
Se algum termo não fizer sentido, comece pelo glossário; para organizar o conjunto antes da consulta, a AI DiagMe ajuda a colocar os seus resultados em contexto.
Fontes
Footnotes
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Sociedade Brasileira de Patologia Clínica/Medicina Laboratorial (SBPC/ML) — Recomendações da SBPC/ML: boas práticas em laboratório clínico. Capítulo "Avaliação hormonal da mulher em idade reprodutiva", seção Gonadotrofinas: LH essencial no desencadeamento da ovulação, na maturação oocitária final e na esteroidogênese, regulador principal da síntese de androgênios; relação LH/FSH em geral menor que 1 antes da puberdade; dosagem indicada no diagnóstico do pico ovulatório e na investigação de hipogonadismo primário e puberdade precoce; valores de 15 a 100 mUI/mL durante o pico ovulatório; cortes de LH basal na puberdade precoce dependente de gonadotrofinas de 0,6 mUI/mL (ensaios fluorimétricos) e 0,3 mUI/mL (eletroquimioluminescência); reatividade cruzada com hCG; uso no planejamento do momento de administração de medicamentos que desencadeiam a ovulação; RIE com baixa especificidade e sensibilidade e ELISA menos sensível para gonadotrofinas, sendo os imunométricos os métodos de escolha; FSH secretado em pulsos, com padrão variável que dificulta a interpretação; FSH acima de 25 mUI/mL em duas ocasiões com 4 semanas de intervalo na insuficiência ovariana prematura e acima de 30 mUI/mL sugerindo causa gonadal nas amenorreias; fase lútea de cerca de 14 dias desencadeada pela elevação súbita de LH; secreção pulsátil, circadiana e menstrual da maioria dos hormônios; supressão das gonadotrofinas pelo anticoncepcional hormonal, com interrupção de cerca de 3 meses para avaliar o eixo. ⚠️ Verificação: leitura do texto integral do PDF (16.055.655 bytes, 23.815 linhas de texto extraído). PDF ↩ ↩2 ↩3 ↩4 ↩5 ↩6 ↩7 ↩8 ↩9 ↩10 ↩11 ↩12 ↩13 ↩14 ↩15 ↩16 ↩17 ↩18
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Direito A, Bailly S, Mariani A, Ecochard R. Relationships between the luteinizing hormone surge and other characteristics of the menstrual cycle in normally ovulating women. Fertil Steril. 2013;99(1):279-285.e3. Análise secundária de estudo de coorte prospectivo em oito centros, com 107 mulheres normalmente férteis e 283 ciclos, com LH urinário diário e ultrassom ovariano seriado: os picos de LH foram "extremamente variáveis em configuração, amplitude e duração"; picos com vários topos associaram-se a folículos menores antes da ruptura e a LH mais baixo no dia da ovulação; conclusão de que os perfis de LH devem ser comparados à faixa observada em ciclos férteis normais, não ao perfil médio. ⚠️ Fonte internacional. DOI: 10.1016/j.fertnstert.2012.08.047 · PubMed 22999798 ↩ ↩2
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Federação Brasileira das Associações de Ginecologia e Obstetrícia (Febrasgo), Comissão Nacional Especializada em Ginecologia Endócrina — Síndrome dos ovários policísticos. Protocolo Febrasgo de Ginecologia nº 45. Femina. 2025;53(12):1390-7. Tabela 2 (consensos de critério diagnóstico: NIH 1990, Roterdã 2003 e AE-PCOS Society 2009), em que os critérios são hiperandrogenismo clínico e/ou laboratorial, oligoamenorreia e ultrassom, sem nenhuma menção a LH, FSH ou à relação entre eles; Tabela 1 (diagnóstico diferencial: prolactina, 17-α-hidroxiprogesterona, TSH e T4 livre, testosteronas total e livre, SDHEA, cortisol salivar noturno ou supressão com 1 mg de dexametasona), com a nota de que os exames hormonais devem ser realizados entre o primeiro e o quinto dia do ciclo ou em qualquer época nas pacientes com amenorreia; hirsutismo pelo índice de Ferriman-Galleway ≥ 6 (≥ 4 em asiáticas orientais); atualização de 2023 da diretriz internacional mantendo o critério de Roterdã; hormônio antimülleriano como alternativa ao ultrassom, ambos apenas após 8 anos da menarca; LH citado somente na fisiopatologia (pulsatilidade do GnRH, kisspeptina, "predominância de LH sobre o FSH", ação sinérgica da insulina ao LH nas células da teca). ⚠️ Verificação: PDF baixado (165.292 bytes,
application/pdf) e conferido, com controle negativo em slug inventado no mesmo caminho devolvendo 404; Tabela 2 relida também com extração-layoutpara descartar entrelaçamento de colunas. O protocolo está na revista da sociedade, não no site institucional. PDF ↩ ↩2 ↩3 ↩4 ↩5 ↩6 -
Febrasgo, Comissão Nacional Especializada em Ginecologia na Infância e Adolescência — Puberdade tardia. Protocolo Febrasgo de Obstetrícia nº 37 (numeração do próprio documento). Femina. 2025;53(9):1110-3. Definição de puberdade tardia (ausência de caracteres sexuais secundários aos 13 anos em meninas); distinção entre hipogonadismo hipogonadotrófico (inatividade do eixo hipotálamo-hipofisário) e hipergonadotrófico (falha gonadal primária); "a dosagem do FSH é o exame principal para identificar se a causa é central (FSH diminuído) ou ovariana (FSH aumentado)", com prolactina e TSH quando a causa for central; fluxograma da Figura 1 com teste de estímulo com GnRH, teste olfatório e ressonância magnética no ramo central, e cariótipo e ultrassom pélvico no ramo ovariano. ⚠️ Verificação: PDF baixado (122.164 bytes) e conferido. PDF ↩ ↩2 ↩3
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Ministério da Saúde / DATASUS — SIGTAP: Tabela de Procedimentos, Medicamentos e OPM do SUS, competência 202608. Leitura direta nos arquivos
tb_procedimento.txt(1.697.774 bytes, 5.023 linhas) etb_descricao.txt(4.324 linhas), com decodificação latin-1 e colunas de posição fixa (VL_SH, VL_SA e VL_SP com 12 caracteres cada). Parser validado contra dois valores já publicados de forma independente: hemograma completo 0202020380 = R$ 4,11 e ferritina 0202010384 = R$ 15,59 — 2 acertos em 2. Busca ancorada por\bLH\bretorna 1 linha em 5.023 (0202060241, "DOSAGEM DE HORMONIO LUTEINIZANTE (LH)", R$ 8,97); a mesma busca sem âncora, como subcadeia, retorna 183 linhas, quase todas "SAÚDE DO TRABALHADOR", "ACOLHIMENTO" e "VIGILÂNCIA" — falsa presença clássica de sigla curta. Controles adicionais: "LUTEINIZANTE" = 1, "FOLICULO" = 1 (FSH, 0202060233, R$ 7,89), "GNRH" = 2, "PUBERDADE" = 0 em toda a tabela. Descrições oficiais lidas emtb_descricao.txt: para 0202060241, "teste imunoenzimático para detectar hormônio luteinizante, estimulador das células intersticiais, nos ovários e nos testículos… seu grande aumento no meio do ciclo induz a ovulação"; para 0202060420, "teste de estímulo utilizando gonadorelina (LH-RH)… útil na investigação da integridade do eixo gonadal-pituitário". sigtap.datasus.gov.br ↩ ↩2 ↩3 ↩4 ↩5 -
Hall JE, Schoenfeld DA, Martin KA, Crowley WF. Hypothalamic gonadotropin-releasing hormone secretion and follicle-stimulating hormone dynamics during the luteal-follicular transition. J Clin Endocrinol Metab. 1992;74(3):600-7. Onze mulheres com ciclos normais submetidas a 12 estudos de coleta frequente, a intervalos de 10 minutos durante 48 horas: a frequência dos pulsos de LH aumentou 4,5 vezes ao longo de oito dias na transição lúteo-folicular, fortemente ligada ao pico de LH precedente e não ao início da menstruação. ⚠️ Fonte internacional, usada como medida direta da pulsatilidade. DOI: 10.1210/jcem.74.3.1740493 · PubMed 1740493 ↩ ↩2
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Silva V, Soares S, Miguelote R. Psychological stress and functional ovarian suppression in women with PCOM: an observational study of FHA-like neuroendocrine phenotypes. Arch Womens Ment Health. 2026;29(1):10. Estudo transversal com 134 mulheres, com morfologia ovariana policística definida segundo a diretriz internacional baseada em evidências de 2023: o grupo com estresse psicológico crônico apresentou LH, relação LH/FSH e hormônio antimülleriano significativamente mais baixos que o grupo sem estresse, apesar de morfologia ovariana semelhante e FSH preservado. ⚠️ Fonte internacional, citada aqui para mostrar que a relação LH/FSH é objeto de pesquisa, não critério diagnóstico. DOI: 10.1007/s00737-025-01657-z · PubMed 41498876 ↩
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Junqueira FR, Lara LA, Martins WP, Ferriani RA, Rosa-e-Silva AC, de Sá MF, Reis RM — Departamento de Ginecologia e Obstetrícia, Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto, Universidade de São Paulo. Gonadotropin and Estradiol Levels after Leuprolide Stimulation Tests in Brazilian Girls with Precocious Puberty. J Pediatr Adolesc Gynecol. 2015;28(5):313-6. Estudo observacional com 60 meninas com puberdade precoce central: FSH e LH antes e 3 horas após 500 µg de acetato de leuprolida por via subcutânea, com estradiol 24 horas depois; melhor ponto de corte de LH de 3 horas acima de 4,0 mUI/mL (sensibilidade 73%, especificidade 83,1%), com especificidade de 100% acima de 8,4 mUI/mL; estradiol de 24 horas acima de 52,9 pg/mL com sensibilidade de 68% e especificidade de 74%; conclusão de que o diagnóstico deve se basear em um conjunto de critérios e não em uma medida isolada. DOI: 10.1016/j.jpag.2014.09.006 · PubMed 26094907 ↩
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Landersoe SK, Larsen EC, Forman JL, Birch Petersen K, Kroman MS, Frederiksen H, Juul A, Nøhr B, Løssl K, Nielsen HS, Nyboe Andersen A. Ovarian reserve markers and endocrine profile during oral contraception: is there a link between the degree of ovarian suppression and AMH?. Gynecol Endocrinol. 2020;36(12):1090-1095. Estudo multicêntrico com 235 usuárias de contraceptivo oral combinado (19 a 40 anos), comparadas a 983 não usuárias: os graus de supressão de FSH, LH, androgênios e estradiol não permitiram distinguir marcadores de reserva ovariana falsamente baixos dos verdadeiramente baixos, e os autores concluem que não parece haver alternativa à retirada do contraceptivo e à repetição do exame após 2 a 3 meses. Registro NCT02785809. ⚠️ Fonte internacional, usada como reforço declarado da orientação da SBPC/ML. DOI: 10.1080/09513590.2020.1756250 · PubMed 32362164 ↩
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Lobmaier JS, Bachofner LM. Timing is crucial: some critical thoughts on using LH tests to determine women's current fertility. Horm Behav. 2018;106:A2-A3. Análise crítica do uso de tiras urinárias de LH como "padrão-ouro" da janela fértil: as tiras detectam de forma barata e confiável a elevação de LH, mas apoiam-se no equívoco de que a fertilidade tem seu auge com a ovulação e de que a ovulação ocorre regularmente 24 a 48 horas após o pico; os autores argumentam que o próprio pico de LH marca o fim iminente da janela fértil. ⚠️ Fonte internacional. DOI: 10.1016/j.yhbeh.2018.07.005 · PubMed 30092174 ↩