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Transfusão de sangue: quando é indicada e como é feita

A norma brasileira manda alguém ficar ao lado de quem recebe sangue nos 10 primeiros minutos, e nenhuma bolsa pode correr por mais de 4 horas.

Publicado em 8 de setembro de 202612 min de leituraEscrito pela Equipe Blood Analysis · Revisado e verificado por Julien Priour

Transfusão de sangue é um procedimento comum e regulado nos mínimos detalhes — e quase tudo o que se lê sobre ele fala de tipos sanguíneos, não do ato. Esta página é a de quem recebe: por que se decide transfundir, o que acontece enquanto a bolsa corre e o que se sente. As tabelas de quem recebe de quem estão em compatibilidade sanguínea; o mito do O negativo, em doador universal.

Em resumo

  • O limiar caiu: pelo guia do Ministério da Saúde, anemias com hemoglobina acima de 10 g/dL raramente exigem transfusão e abaixo de 7 g/dL o paciente se beneficia dela; entre 7 e 10, decide a clínica.1
  • Na anemia ferropriva, o tratamento de escolha é o ferro, escreve a ABHH, deixando a transfusão "restrita aos casos muito graves".2
  • Uma unidade de concentrado de hemácias eleva o hematócrito em cerca de 3% e a hemoglobina em 1 g/dL num adulto médio, em 60 a 120 minutos de infusão.1
  • A norma federal exige alguém ao lado do paciente nos 10 primeiros minutos, sinais vitais antes e depois, nenhuma bolsa correndo por mais de 4 horas e nenhum medicamento na mesma veia (salvo soro a 0,9%).3
  • As reações mais frequentes são banais: febre sem hemólise em 0,5% a 1%, urticária em 1% a 3%.1
  • ⚠️ Recusar uma transfusão é um direito, regulado pela Resolução CFM nº 2.232/2019; o STF fixou tese no Tema 1069, transitado em julgado em 20/09/2025.45

Por que se transfunde — e por que cada vez menos

Transfundir hemácias serve para uma coisa só: levar oxigênio aos tecidos quando o sangue do próprio paciente já não dá conta. O Guia para o uso de hemocomponentes do Ministério da Saúde diz com todas as letras que nem todo estado de anemia exige transfusão — o organismo compensa elevando o débito cardíaco e reduzindo a afinidade da hemoglobina pelo oxigênio. Daí sua régua para a anemia normovolêmica:1

HemoglobinaO que o guia do Ministério diz
> 10 g/dL (Ht > 30%)bem tolerada, "só excepcionalmente" requer transfusão
7 a 10 g/dLdepende da avaliação do estado clínico
< 7 g/dLgrande risco de hipóxia tecidual — o paciente se beneficia

As exceções valem tanto quanto a régua: na doença pulmonar obstrutiva crônica mantém-se a Hb acima de 10 g/dL; a cardiopatia isquêmica aguda "parece se beneficiar" de 9 a 10; no sintomático acima de 65 anos aceita-se Hb < 9 g/dL; no pós-operatório estável, 8 g/dL basta.1

Na hemorragia aguda a lógica muda: transfunde-se após perda superior a 25% a 30% da volemia, e o hematócrito não é bom parâmetro — só começa a cair uma a duas horas depois. Quem manda ali são os sinais: pulso acima de 100–120 bpm, hipotensão, queda do débito urinário, enchimento capilar lento, alteração da consciência.1

⚠️ A estratégia restritiva não é dogma, e a autoridade brasileira diz isso. O consenso de Patient Blood Management da ABHH reconhece que "as diretrizes atuais recomendam uma transfusão restritiva em vez de uma liberal para a maioria dos pacientes", mas lembra que esses ensaios nunca tiveram grupo placebo: comparam dois limiares, não a transfusão contra a sua ausência.2

O que a transfusão não trata

A frase mais útil desta página é brasileira: "Na anemia ferropriva, o tratamento de escolha é o ferro, ficando a transfusão de hemácias restrita aos casos muito graves." — ABHH, consenso de PBM.2 O mesmo texto diz que a transfusão não deve corrigir anemia leve a moderada no pré-operatório e que, quando indicada, o tratamento continua com ferro depois. Quem tem ferritina baixa e cinética do ferro alterada precisa de ferro, não de bolsa. O guia do Ministério lista o que não justifica transfundir: promover bem-estar, acelerar cicatrização, transfundir profilaticamente ou expandir volume.1

Esse é o primeiro dos três pilares do PBM que a ABHH adota — tratar a anemia antes, minimizar a perda de sangue, aproveitar a tolerância fisiológica à anemia. O consenso chega a escrever que "a anemia é uma contraindicação para cirurgia eletiva" e pede pelo menos quatro semanas entre a indicação e a data.2

O segundo pilar interessa a quem faz exames: a própria coleta de sangue causa anemia. A ABHH calcula perdas de 150 a quase 500 mL por internação para exames — uma ou duas bolsas de hemácias — e queda de cerca de 0,7 g/dL a cada 100 mL coletados, com volumes 8,5 a 12 vezes maiores que o necessário nos equipamentos atuais.2

O que acontece na hora

O ato transfusional tem uma seção inteira no Anexo IV da Portaria de Consolidação GM/MS nº 5/2017, o regulamento técnico federal de hemoterapia. Lemos seus 423 mil caracteres; são estes os artigos que descrevem o que você vai ver:3

EtapaO que a norma exige
Prescriçãopor médico, registrada no prontuário com data, número e origem de cada bolsa (art. 189)
Quem instalamédico ou profissional habilitado, sempre com um médico presente para intervir (art. 190)
Identificaçãopelo nome completo, dito pelo paciente ou pela equipe; discrepância suspende a transfusão (art. 191)
Antes de começarhemácias não ficam mais de 30 minutos em temperatura ambiente (art. 192)
Equipodescartável e livre de pirógenos, com filtro para coágulos e agregados (art. 195)
Sinais vitaistemperatura, pressão e pulso registrados antes e depois (art. 190, § 1º)
Primeiros 10 minutosacompanhados por profissional que permanece ao lado do paciente (art. 190, § 2º)
Duraçãono máximo 4 horas; passado o prazo, interrompe-se e a bolsa é descartada (art. 196)
Medicamentosnenhum na bolsa ou na mesma linha, salvo cloreto de sódio 0,9% (art. 198)
Aquecimentosó em aquecedor próprio, com termômetro e alarme (art. 197)

Duas coisas surpreendem aí: perguntar seu nome completo é parte do procedimento, a barreira contra o erro de identificação; e o limite de 4 horas existe porque a bolsa fica fora da geladeira.

Quanto ao efeito: uma unidade eleva o hematócrito em cerca de 3% e a hemoglobina em 1 g/dL no adulto médio, infundida em 60 a 120 minutos (10 a 15 mL/kg em criança). Confere-se com nova dosagem 1 a 2 horas depois — ou 30 minutos após o término, em ambulatório, onde valem as mesmas regras; a transfusão domiciliar é admitida "em casos especiais", sob supervisão médica.13

O que se pode sentir

O Quadro 26 do guia do Ministério resume as reações imediatas — as que ocorrem até 24 horas depois do início, pela norma federal.3 As frequências publicadas ali:1

ReaçãoSinaisIncidência publicada
Reação febril não hemolíticafebre (≥ 1 °C), calafrios, tremores0,5% a 1%
Reação alérgica leve/moderadaprurido, urticária, eritema, pápulas1% a 3%
Sobrecarga circulatóriadispneia, cianose, taquicardia, edema pulmonar< 1%
Reação alérgica grave (anafilática)broncoespasmo, hipotensão, choque1:20.000 a 1:50.000
Reação hemolítica aguda imunefebre, dor torácica/lombar, hemoglobinúria1:38.000 a 1:70.000

⚠️ Duas linhas do quadro trazem números com um zero a mais (1:190.0000 na TRALI, 1:123.0000 na contaminação bacteriana): não as reproduzimos, por não haver como saber a grafia certa.

A leitura prática: o que quase sempre acontece é febre ou coceira, e o guia diz que a maioria das reações alérgicas é benigna e "pode cessar sem tratamento". Diante de qualquer suspeita a conduta é a mesma — interromper a transfusão, manter a veia com soro fisiológico, checar a identificação, avisar o médico.1 Investigar hemólise passa por bilirrubina indireta, LDH, haptoglobina e hemograma completo. Toda instituição que transfunde deve manter sistema de detecção e notificação, com o comitê transfusional monitorando os casos.3 Quem já recebeu sangue ou engravidou pode ter anticorpos irregulares — o que o Coombs indireto procura, e o que causa a eritroblastose fetal.

Quanto o SUS paga pelo ato

Na tabela SIGTAP (competência 202608), o bloco 03.06.02 "Medicina transfusional" reúne 21 procedimentos, pagos em duas parcelas — serviço hospitalar (SH) e profissional (SA):6

ProcedimentoCódigoSH + SA
Transfusão de concentrado de hemácias0306020068R$ 8,39 + R$ 8,09
Transfusão de concentrado de plaquetas0306020076R$ 8,39 + R$ 8,09
Transfusão de plasma fresco0306020106R$ 8,39 + R$ 8,09
Transfusão de unidade de sangue total0306020149R$ 8,39 + R$ 8,39
Sangue ou componentes irradiados0306020122R$ 17,04 + R$ 17,04
Exsanguineotransfusão0306020130R$ 17,78 + R$ 8,09

Regra declarada: tb_procedimento.txt (1.697.774 bytes, 5.023 linhas), colunas fixas em latin-1; parser validado antes do uso no hemograma (R$ 4,11) e na ferritina (R$ 15,59).

A descrição oficial do código das hemácias diz que o valor "inclui insumos destinados à instalação da transfusão e os serviços profissionais relativos à responsabilidade médica durante e após o ato transfusional" — o sangue vem da doação, não da tabela. E a do sangue total (0306020149) adverte: "é recomendado atenção ao prescrever o produto, pois a prática atual é dirigida para a reposição da fração necessária" — a tabela paga, mas desaconselha.6

Você pode recusar?

Sim, e há texto escrito. A Resolução CFM nº 2.232/2019, publicada no Diário Oficial em 16/09/2019, garante ao paciente maior, capaz, lúcido e consciente o direito de recusar a terapêutica proposta, desde que informado dos riscos. O CFM registra que acolher a recusa "não tipifica infração ética" e que "o tratamento forçado poderia caracterizar crime". Há exceções — risco a terceiros, doença transmissível, menores e incapazes, urgência com iminente perigo de morte — e a recusa deve ser por escrito e perante duas testemunhas quando a falta do tratamento expuser a risco de morte.4

⚠️ E o ponto está em movimento. O Tema 1069 de repercussão geral do STF trata do "direito de autodeterminação das testemunhas de Jeová de submeterem-se a tratamento médico realizado sem transfusão de sangue"; o caso líder é o RE 1212272, relator Min. Gilmar Mendes, transitado em julgado em 20/09/2025.5 Em 21/01/2026 o CFM reuniu grupo de trabalho sobre os efeitos da decisão em sua própria resolução e registrou que a Corte "afasta distinções entre tratamentos eletivos e emergenciais quando houver condições clínicas para a manifestação válida da vontade".7

E uma ausência que vale registrar. Enumeramos as 12 ocorrências de "consentimento" no Anexo IV da Portaria de Consolidação nº 5: todas tratam do doador (ou do doador-paciente autólogo). Nenhuma exige consentimento de quem recebe — e o controle positivo é forte no mesmo texto: "receptor" 60 vezes, "transfusão" 123, "ato transfusional" 10. O regulamento que descreve minuto a minuto o ato não trata do consentimento de quem o recebe; isso vive na ética médica e no Código Civil.34

Avanços recentes da pesquisa

De acordo com publicações indexadas no PubMed:

  • Um estado brasileiro mostrou que dá para transfundir menos. O programa de PBM do Ceará elevou as transfusões de unidade única de hemácias de 53% (dez/2015) para 85,9% (jun/2024) e reduziu de 5,9% para 2,7% as transfusões com Hb ≥ 7 g/dL, economizando cerca de R$ 2,63 milhões por ano.8
  • Mas a adoção é desigual. Entre cirurgiões cardiovasculares brasileiros (205 respostas de 1.105), só 48% relataram protocolo institucional de risco transfusional; as barreiras foram resistência cultural (43%), restrição financeira (24%) e entraves administrativos (21%).9
  • Quem vai receber sangue é previsível antes da cirurgia. Em 741 cirurgias cardíacas eletivas em Botucatu (SP), sexo feminino, hematócrito baixo e diabetes foram os fatores de risco.10
  • Tratar antes reduz a bolsa depois. Meta-análise brasileira de 9 ensaios internacionais (1.162 pacientes não anêmicos em cirurgia de grande porte): menor risco de transfusão com ferro pré-operatório (OR 0,54; IC 95% 0,40–0,75).11
  • O limiar restritivo não vale para todos. Reanálise bayesiana do ensaio MINT (3.504 pacientes com infarto e anemia) estimou entre 89,1% e 98,8% a probabilidade de a estratégia liberal reduzir morte ou reinfarto em 30 dias. ⚠️ Fonte internacional, declarada.12
  • A formação de quem instala a bolsa é lacuna reconhecida. Um manual de cuidados de enfermagem na transfusão foi validado por 15 enfermeiros especialistas brasileiros, pela escassez de material da área.13

Estes resultados dizem respeito à pesquisa; a indicação é sempre médica e individual.

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A decisão de transfundir é do médico, à beira do leito. Mas os exames que a cercam — hemograma completo, ferritina, coagulograma — chegam a você como laudo.

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Perguntas frequentes

Quanto tempo demora uma transfusão de sangue? Cada unidade de hemácias corre em 60 a 120 minutos; nenhum componente pode passar de 4 horas.13

Quanto sobe a hemoglobina com uma bolsa? Cerca de 1 g/dL, e o hematócrito 3%, no adulto médio; o controle se faz 1 a 2 horas depois.1

Dói? O que se sente durante? A punção é como a de uma coleta comum; o sangue não dói. Pode aparecer febre com calafrios (0,5% a 1%) ou coceira (1% a 3%).1 Avise qualquer sensação nova na hora — a norma prevê alguém ao seu lado nos 10 primeiros minutos.3

Posso recusar uma transfusão? Sim, nos termos da Resolução CFM nº 2.232/2019, com as exceções da própria norma; o STF fixou tese no Tema 1069.45 Converse antes com a equipe: há alternativas de PBM.

Transfusão trata anemia por falta de ferro? Não é o tratamento de escolha. A ABHH escreve que na anemia ferropriva o tratamento é o ferro, com transfusão reservada aos casos muito graves — e que o tratamento continua com ferro depois.2

Recebo sangue de qual tipo? O compatível com o seu, definido em laboratório antes de a bolsa sair — veja compatibilidade sanguínea e tipos sanguíneos e, se você é RhD negativo, o fator Rh.

Para levar

Guarde três coisas. O limiar caiu: acima de 10 g/dL raramente se transfunde, abaixo de 7 g/dL geralmente sim, no meio decide a clínica.1 A transfusão não trata a anemia por falta de ferro — o ferro trata, diz a ABHH.2 E o procedimento é vigiado por norma: nome conferido, dez minutos com alguém ao lado, sinais vitais antes e depois, quatro horas de limite, nenhum remédio na mesma veia.3 Se algo mudar durante a infusão, diga na hora.

Fontes

Fontes oficiais brasileiras e publicações científicas (PubMed) utilizadas neste guia:

Footnotes

  1. Ministério da Saúde, Secretaria de Atenção à SaúdeGuia para o uso de hemocomponentes, 2ª edição, 1ª reimpressão, Brasília, 2015. PDF de 4.982.397 bytes, 193.843 caracteres de texto extraído (extração para stdout, tamanho conferido); identidade confirmada pela ficha catalográfica. Trechos lidos por nós: seção 3.1.1 (indicações e contraindicações do concentrado de hemácias — régua de 10 g/dL, 7 g/dL e faixa intermediária; DPOC acima de 10; cardiopatia isquêmica aguda acima de 9–10; > 65 anos sintomático abaixo de 9; pós-operatório estável em 8; hemorragia aguda acima de 25–30% da volemia; hematócrito como mau parâmetro na fase inicial; lista das situações em que a transfusão não deve ser considerada); seção 3.1.2 (uma unidade eleva Ht em 3% e Hb em 1 g/dL; infusão de 60 a 120 minutos; 10–15 mL/kg em pediatria; controle 1–2 h após, ou 30 min em ambulatorial); capítulo 9 e Quadro 26 (incidências das reações imediatas). ⚠️ Limites declarados: o Quadro 23 de limiares em terapia intensiva é declarado "adaptado de Hebert, Tinmouth e Corwin (2007)", fonte estrangeira; e duas linhas do Quadro 26 imprimem incidências com um dígito a mais (1:190.0000, 1:123.0000), que por isso não reproduzimos. ⚠️ Via de acesso declarada: exemplar servido em 200 application/pdf pelo espelho do Portal de Boas Práticas do Instituto Fernandes Figueira/Fiocruz. PDF (Fiocruz/IFF) 2 3 4 5 6 7 8 9 10 11 12 13 14

  2. Associação Brasileira de Hematologia, Hemoterapia e Terapia Celular (ABHH)Consenso da ABHH sobre Patient Blood Management, 1ª edição, 2023. PDF de 2.388.535 bytes, 96 páginas, 392.091 caracteres extraídos, lido por nós; controle negativo do host feito (slug inventado no mesmo diretório → 404 text/html, 355 bytes). Trechos verificados, com releitura em coluna isolada nas páginas de duas colunas: "A transfusão de hemácias não deve ser utilizada para corrigir a anemia leve a moderada no pré-operatório" e "Na anemia ferropriva, o tratamento de escolha é o ferro, ficando a transfusão de hemácias restrita aos casos muito graves" (p. 20); os três pilares do PBM e a nota "A anemia é uma contraindicação para cirurgia eletiva"; intervalo de pelo menos quatro semanas entre a indicação da cirurgia e a data, com adiamento de cirurgias eletivas não oncológicas até resolução da anemia; anemia associada à hospitalização, perdas de 150 a quase 500 mL por internação para exames, queda estimada de 0,7 g/dL a cada 100 mL coletados e volume colhido 8,5 a 12 vezes maior que o necessário (p. 86); gatilhos restritivos "Hb < 7 g/dL ou < 8 g/dL na presença de comorbidades"; e a ressalva de que os ensaios de estratégia restritiva não têm grupo controle placebo. PDF do consenso 2 3 4 5 6 7

  3. Ministério da SaúdePortaria de Consolidação GM/MS nº 5, de 28 de setembro de 2017, Anexo IV — Do sangue, componentes e derivados (origem declarada em cada dispositivo: PRT MS/GM nº 158/2016). Texto integral lido por nós: PDF de 1.554.491 bytes, 171 páginas, 423.107 caracteres extraídos. Seção XII, "Do Ato Transfusional": art. 189 (prescrição médica e registro em prontuário), art. 190 e §§ 1º a 4º (execução sob supervisão médica; sinais vitais antes e depois; profissional ao lado do paciente nos 10 primeiros minutos; monitoramento periódico), art. 191 (identificação pelo nome completo, suspensão em caso de discrepância, pulseiras), art. 192 (máximo de 30 minutos em temperatura ambiente para hemácias), art. 195 (equipo descartável com filtro), art. 196 (limite de 4 horas e descarte), art. 197 (aquecedores com termômetro e alarme), art. 198 (proibição de medicamentos na bolsa ou na linha, salvo NaCl 0,9%), art. 203 (ambulatorial sob as mesmas normas) e art. 204 (domicílio sob supervisão médica); Seção XIII, art. 205 e art. 206 (sistema de detecção e notificação; reações imediatas definidas como as ocorridas até 24 horas). Enumeração declarada (subcadeia, maiúsculas normalizadas, acentos rebatidos, contagem de ocorrências no texto integral): consentiment = 12 ocorrências, todas relativas ao doador ou ao doador-paciente autólogo, nenhuma ao receptor; controles positivos na mesma execução: receptor = 60, transfusão = 123, ato transfusional = 10, recusa = 1 (referente a doação recusada). ⚠️ Via de acesso declarada: bvsms.saude.gov.br não responde; o exemplar lido é o espelho do Centro Estadual de Vigilância em Saúde do Rio Grande do Sul (CEVS/RS), 200 application/pdf. PDF (CEVS/RS) 2 3 4 5 6 7 8 9

  4. Conselho Federal de Medicina (CFM)CFM fixa norma ética para recusa terapêutica por pacientes e objeção de consciência na relação médico-paciente, comunicado institucional de 17/09/2019, e CFM esclarece pontos da Resolução que trata da recusa terapêutica e objeção de consciência, perguntas e respostas de 02/10/2019, ambos lidos integralmente por nós. Conteúdo verificado: publicação da Resolução CFM nº 2.232/2019 no Diário Oficial da União em 16/09/2019; direito de recusa do paciente maior, capaz, lúcido, orientado e consciente, mediante informação dos riscos; "não tipifica infração ética de qualquer natureza […] o acolhimento, pelo médico, da recusa terapêutica" e "o tratamento forçado poderia caracterizar crime"; exceções por abuso de direito (risco a terceiros, doença transmissível, gestante na perspectiva do binômio mãe-feto, menores e incapazes) e urgência/emergência com iminente perigo de morte; recomendação de recusa "por escrito e perante duas testemunhas" quando a falta do tratamento expuser a perigo de morte; base legal invocada (Código Civil, art. 15; Lei nº 8.080/1990, art. 7º). ⚠️ Limite declarado: não conseguimos abrir o texto integral da resolução a partir deste ambiente (sistemas.cfm.org.br e in.gov.br devolvem código 000); citamos os comunicados da própria autarquia, não a norma. Controle negativo feito no mesmo diretório de notícias (slug inventado → 404). portal.cfm.org.br 2 3 4

  5. Supremo Tribunal Federal — ficha do Tema 1069 de repercussão geral, consultada por nós: título "Direito de autodeterminação dos testemunhas de Jeová de submeterem-se a tratamento médico realizado sem transfusão de sangue, em razão da sua consciência religiosa"; leading case RE 1212272, número único 0505293-02.2018.4.05.8013, relator Min. Gilmar Mendes; repercussão geral reconhecida em 25/10/2019; situação "Trânsito em Julgado – 20/09/2025". Controle negativo feito na mesma rota de pesquisa processual (número de RE inexistente → "Processo não encontrado"). ⚠️ Limite declarado: a ficha pública do tema não exibe a tese firmada, e não abrimos o acórdão; reproduzimos apenas os dados de identificação e de situação do processo. portal.stf.jus.br 2 3

  6. Ministério da Saúde / DATASUSSIGTAP: Tabela de Procedimentos, Medicamentos e OPM do SUS, competência 202608. Leitura direta de tb_procedimento.txt (1.697.774 bytes, 5.023 linhas) e tb_descricao.txt (4.324 descrições), decodificação latin-1 com newline='', colunas de posição fixa (VL_SH [282:294], VL_SA [294:306], VL_SP [306:318]). Parser validado antes do primeiro uso contra dois valores já publicados de forma independente: hemograma completo 0202020380 = R$ 4,11 e dosagem de ferritina 0202010384 = R$ 15,59 — 2 acertos em 2. Enumeração integral do bloco 03.06.02 "Medicina transfusional": 21 procedimentos, dos quais os seis citados na tabela acima. Descrições dos códigos 0306020068, 0306020076, 0306020106, 0306020122 e 0306020149 verificadas como exclusivas de cada código (nenhuma partilhada com outro código do pacote). sigtap.datasus.gov.br 2

  7. Conselho Federal de Medicina (CFM)CFM avalia impactos de decisão do STF sobre recusa terapêutica, notícia institucional de 23/01/2026, lida integralmente por nós. Conteúdo verificado: reunião de grupo de trabalho em 21/01/2026 para analisar os efeitos da decisão no RE 1212272-AL sobre a recusa terapêutica por motivos religiosos, "com especial repercussão nos casos envolvendo Testemunhas de Jeová"; entendimento de que a Corte "afasta distinções entre tratamentos eletivos e emergenciais quando houver condições clínicas para a manifestação válida da vontade"; avaliação de eventuais ajustes redacionais na Resolução CFM nº 2.232, cujo "arcabouço central" o grupo considerou não invalidado. ⚠️ Trata-se do relato da própria autarquia sobre sua reunião interna, não de norma nem de acórdão. portal.cfm.org.br

  8. Brunetta DM, Carvalho LEM, Beserra NM, Lima CMF, et al. — Centro de Hematologia e Hemoterapia do Ceará (HEMOCE), Complexo Hospitalar da Universidade Federal do Ceará/EBSERH e Universidade Federal do Ceará. Successful implementation of a patient blood management programme in a lower middle-income state — implantação estadual desde 2016, indicadores de qualidade medidos de dezembro de 2015 a junho de 2024. Transfusões de unidade única de hemácias de 53% para 85,9%; transfusões com Hb ≥ 7 g/dL de 5,9% para 2,7%; economia anual estimada de R$ 2,63 milhões em custo direto de hemácias. ⚠️ Ano confirmado como o do número (junho), não o da publicação eletrônica (novembro do ano anterior). Vox Sang, 2025;120(6):574-583. PubMed · DOI

  9. Guido MC, Meneghini B, Monteiro R, Moitinho M, et al. — Instituto do Coração (InCor), Hospital das Clínicas HCFMUSP, Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo. Patient blood management in Brazilian cardiovascular surgery: An exploratory survey of surgeons' perceptions and reported practices — questionário de 30 itens enviado a 1.105 cirurgiões cardiovasculares inscritos na sociedade brasileira da especialidade, 205 respostas (19,4%). Protocolo institucional de risco transfusional relatado por 48%; parâmetros padronizados de requisição por 62%; barreiras percebidas: resistência cultural 43%, restrição financeira 24%, dificuldades administrativas 21%. ⚠️ Os autores advertem que os achados refletem percepções autorrelatadas, com representatividade regional limitada. Hematol Transfus Cell Ther, 2026;48(3):106500. PubMed · DOI

  10. Souza TM, Miranda CL, Castro AB, Garcia-Bonichini PC — Hemocentro do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina de Botucatu (HCFMB-UNESP). Risk factors associated with the use of red blood cells in elective cardiac surgeries: A patient blood management (PBM) view — estudo retrospectivo com 741 pacientes operados entre 2018 e 2021. Fatores pré-operatórios associados à necessidade de concentrado de hemácias: sexo feminino (OR 9,074), hematócrito baixo (OR 7,498) e diabetes melito (OR 1,779); fator intraoperatório: circulação extracorpórea acima de 90 minutos (OR 1,68). Hematol Transfus Cell Ther, 2025;47(4):103987. PubMed · DOI

  11. Toledo FV, De Carli D, Meletti JFA, Togo HYA, et al. — Faculdade de Medicina de Jundiaí (FMJ), Departamento de Anestesiologia, Jundiaí, SP. Preoperative iron supplementation in non-anemic patients undergoing major surgery: a systematic review and meta-analysis — busca em PubMed, Embase e Cochrane Central até maio de 2024; 9 ensaios randomizados, 1.162 pacientes não anêmicos, idade média de 71 anos. Menor risco de transfusão com suplementação de ferro pré-operatória (OR 0,54; IC 95% 0,40–0,75); benefício do ferro oral declarado incerto pelos autores. ⚠️ Autores brasileiros, ensaios primários internacionais: citada como síntese, não como medida brasileira. Braz J Anesthesiol, 2025;75(3):844618. PubMed · DOI

  12. Bertolet M, Carrier FM, Glynn S, Abbott JD, et al. Restrictive vs Liberal Transfusion Strategy After Myocardial Infarction: A Post Hoc Analysis of the MINT Randomized Clinical Trial — reanálise bayesiana do ensaio MINT, que recrutou adultos internados com infarto e anemia em 144 centros de 6 países, período de recrutamento de abril de 2017 a abril de 2023, 3.504 participantes. Probabilidade de a estratégia liberal reduzir morte ou infarto em 30 dias entre 89,1% e 98,8%, conforme a distribuição a priori adotada; risco de insuficiência cardíaca discretamente maior na estratégia liberal. ⚠️ Fonte internacional, usada explicitamente como recurso na ausência de ensaio brasileiro equivalente sobre limiar transfusional. JAMA Netw Open, 2026;9(7):e2624991. PubMed · DOI

  13. Soares FMM, Araujo LR, Negri EC, Braga FLS, Fonseca LMM — Universidade Federal do Maranhão e Escola de Enfermagem de Ribeirão Preto da Universidade de São Paulo. Development and content validity of an educational manual on nursing care in blood transfusion — estudo metodológico em duas fases, com validação de conteúdo por painel de 15 enfermeiros especialistas em hemoterapia e enfermagem clínica; todos os itens alcançaram razão de validade de conteúdo (CVR) ≥ 0,70. Os autores registram a escassez de tecnologias educacionais validadas para a formação em cuidado transfusional. BMC Med Educ, 2026;26(1). PubMed · DOI

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