Saturação de transferrina: valores, IST baixo e alto
Saturação da transferrina baixa ou alta: a fórmula do IST, os cortes de 20% e 45% dos protocolos brasileiros e por que o exame não existe na tabela do SUS.
A saturação da transferrina — o IST — diz que proporção dos seus transportadores de ferro está carregada. É a linha em porcentagem da cinética do ferro, e a mais estranha do grupo: ninguém a dosa, é uma conta. Este guia traz a fórmula, os cortes brasileiros dos dois extremos e por que quatro documentos nacionais dão quatro faixas de "normal" diferentes.
Em resumo
- O IST é uma razão: ferro sérico dividido pela capacidade total de ligação do ferro, vezes 100 — a fórmula do relatório da Conitec.1
- Não é um exame dosado. Nas 5.023 linhas da tabela do SUS, as raízes
SATUReSATURAretornam zero.2 Mas ele existe no privado: a tabela TUSS traz o código 40321231, "Índice de saturação de ferro".3 - IST baixo aponta falta de ferro: < 16% (ABHH) ou < 20% havendo inflamação — e é aí que ele salva a leitura, porque a ferritina inflamada engana.4
- IST alto aponta sobrecarga. O protocolo em vigor usa 45% como corte de suspeita e o chama de mais sensível que a ferritina no rastreio da hemocromatose.5
- ⚠️ Quatro fontes brasileiras, quatro faixas de "normal": 16–50%, 20–40%, 20–50% (homens) e 15–50% (mulheres).
- ⚠️ O fator que converte transferrina em capacidade de ligação depende da unidade. O publicado no Brasil é 25, mas só de g/L para µmol/L; num laudo em mg/dL e µg/dL vale cerca de 1,4.6
- Não é imune ao horário: o protocolo registra "variação considerável ao longo do dia" e manda coletar em jejum.5
O que a saturação mede — e por que ela é mais estável que o ferro sozinho
Cada molécula de transferrina carrega até dois átomos de ferro, e normalmente só um terço dos lugares está ocupado — uma folga que impede o ferro livre de sobrar na circulação.6 O IST põe número nessa proporção. Por ser uma razão entre dois números que se movem juntos, resiste melhor que o ferro isolado: o Consenso da ABHH define o "estudo do ferro" como ferritina e saturação da transferrina, sem citar o ferro sérico como exame próprio.4
Cuidado com o exagero. Ser uma razão atenua, não elimina. O protocolo de Sobrecarga escreve que "há uma variação considerável nos níveis de transferrina ao longo do dia devido à flutuação do ferro sérico", e por isso exige coleta em jejum.5 Um trabalho de 2024 mostrou, em camundongos, que o próprio IST é regulado pelo relógio circadiano.7 É um estudo animal, na falta de equivalente humano brasileiro.
A fórmula — e a armadilha das unidades
O relatório da Conitec de dezembro de 2024 escreve a conta sem rodeios:1
IST (%) = (ferro sérico ÷ capacidade total de ligação do ferro) × 100
O protocolo de Sobrecarga confirma a razão e traz o sinônimo do SUS: "capacidade total de ligação do ferro (também chamado de capacidade de fixação do ferro)".5 A ABHH dá um segundo caminho equivalente: ferro sérico ÷ (capacidade latente + ferro sérico).4
Um exemplo de laudo brasileiro. Ferro sérico 55 µg/dL, capacidade de fixação 380 µg/dL: 55 ÷ 380 × 100 = 14,5% — abaixo dos 16% da ABHH. Repare no essencial: as unidades se cancelam, então o resultado sai em porcentagem qualquer que seja a unidade — desde que seja a mesma dos dois lados.
O fator 25 só vale em g/L
Aqui mora o erro caro. A referência laboratorial publicada na revista da ABHH diz: "para a obtenção do valor de TIBC a partir da transferrina sérica deve-se multiplicar o resultado da dosagem da transferrina por 25".6 O texto não diz em que unidades — e isso muda tudo.
| Se a transferrina do laudo está em… | O fator é… | Confira |
|---|---|---|
| g/L → capacidade em µmol/L | × 25 | 3,0 g/L × 25 = 75 µmol/L |
| mg/dL → capacidade em µg/dL | ≈ × 1,4 | 300 mg/dL × 1,4 = 420 µg/dL |
As duas linhas dão o mesmo resultado: 75 µmol/L equivalem a cerca de 419 µg/dL. Mas aplicar o 25 a um laudo em mg/dL daria "7.500", e um IST de 0,7% em vez de 13%. Como o laudo brasileiro imprime µg/dL (observação de mercado), o fator de bolso aqui é o 1,4.
Quando o laudo não imprime a porcentagem
Acontece com frequência: o laudo traz ferro e capacidade de fixação, mas nenhuma linha de saturação. A ABHH prevê o caso — "se o laboratório não disponibiliza o valor da ST diretamente, ela pode ser calculada".4 Antes de dividir, confira a unidade das duas linhas: nosso conversor de unidades converte o ferro (µg/dL ↔ µmol/L ↔ µg/L), mas não calcula o IST — essa divisão é sua, e o número é um dado a levar ao seu médico.
As quatro faixas brasileiras — e por que elas divergem
O achado mais desconfortável desta página: quatro documentos brasileiros, quatro faixas.
| Fonte | Faixa ou corte | Contexto |
|---|---|---|
| Grotto, Rev Bras Hematol Hemoter (revista da ABHH) | 16% a 50% | referência laboratorial geral6 |
| Conitec (proposta de revisão do PCDT, 2024) | 20% a 40% | coluna "normal" da tabela de depleção1 |
| PCDT Sobrecarga de Ferro (em vigor) | 20% a 50% homens · 15% a 50% mulheres | valores de referência5 |
| Consenso da ABHH | < 16% (ou < 20% com inflamação) | corte diagnóstico, não referência4 |
Duas explicações honestas. Primeiro, corte diagnóstico e intervalo de referência não são a mesma coisa: a ABHH define um limiar de decisão, não uma faixa populacional. Segundo, e mais revelador: os valores do protocolo do Ministério da Saúde não vêm de um estudo populacional brasileiro. A referência 31 do PCDT, que sustenta os "20% a 50%" e "15% a 50%", é o guia de exames de um laboratório privado, consultado em 2023.5 Não é um deslize: é o retrato de uma ausência. O ENANI-2019 mediu como biomarcadores de "ferro" apenas hemoglobina e ferritina.8 Não existe faixa de IST medida na população brasileira — vale o intervalo do seu laudo.
IST baixo: falta de ferro que a ferritina esconde
É para isto que o IST serve na rotina. A ferritina é uma proteína de fase aguda: infecção, doença reumatológica, doença renal crônica, obesidade ou doença do fígado a elevam, e podem fazer uma falta de ferro real parecer normal. A ABHH resolve o impasse com o IST: entre ferritina de 100 e 300 mcg/L com inflamação, "recomenda-se utilizar a saturação da transferrina (< 20%) em conjunto com a ferritina".4 O PCDT de 2014 descreve o mesmo trio — "ferro sérico baixo, transferrina alta e uma saturação da transferrina baixa", abaixo de 20%.9
A Conitec acrescenta um contraste útil no Brasil, onde o traço talassêmico é comum: na falta de ferro o IST está diminuído; na talassemia, fica normal ou aumentado.1 Duas anemias com VCM baixo, dois IST opostos — o hemograma completo sozinho não separa as duas.
Um limite que as próprias fontes admitem. A especificidade do IST "é limitada, porque tanto o ferro como o TIBC têm seus valores reduzidos na inflamação".6 Uma revisão sistemática internacional conclui o mesmo: o IST rende mais somado à ferritina, e não há harmonização internacional de limiares.10
IST alto: sobrecarga, hemocromatose e transfusões
O outro versante tem um protocolo dedicado: o PCDT de Sobrecarga de Ferro, aprovado pela Portaria Conjunta SAES/SCTIE nº 38, de 21 de janeiro de 2026, que revogou o de 2018.5
Ele diz que a saturação "é mais sensível que a ferritina sérica na triagem para hemocromatose hereditária" — atribuindo a frase a uma revisão alemã, não a dados brasileiros.5 E fixa a escala:
| Achado | O que o protocolo prevê |
|---|---|
| IST > 45% | corte de suspeita, escolhido pela alta sensibilidade |
| IST > 45% em mulheres ou > 50% em homens | podem ser solicitados testes genéticos, como a mutação do HFE |
| Saturação excedida em 60% a 70% | forma-se o NTBI, ferro não ligado à transferrina |
| IST acima de 70% | aparece o ferro plasmático lábil, captado por coração e fígado |
No Brasil, porém, a causa mais frequente de sobrecarga não é genética: é transfusional. Cada bolsa traz ferro que o corpo não excreta, e a doença falciforme e as talassemias são frequentes aqui — o protocolo cita 1.087 novos casos anuais de doença falciforme na triagem neonatal entre 2014 e 2020.5 O lado genético tem medida brasileira: em 542 doadores de sangue de São Paulo, o genótipo HFE 282CY elevou a saturação da transferrina em 17,2% e reduziu a capacidade de ligação em 83,7%.11
Mas ferritina alta não é IST alto. O protocolo é explícito: "mesmo nos casos de ferritina aumentada, a ausência de saturação de transferrina elevada na mesma proporção não descarta a sobrecarga".5 E o inverso também: numa coorte dinamarquesa de 132.542 pessoas, homozigotos C282Y com saturação normal ainda tinham risco dobrado de diabetes.12 Um IST normal isolado não encerra a investigação.
Como colher — e o que atrapalha
- Jejum. O protocolo manda coletar o IST "em jejum",5 mas sem exagero: a SBPC/ML desaconselha passar de 12 horas.13
- Horário. Ferro e cortisol "podem variar em até 50% entre amostras coletadas às 8h e às 14h", e a tarde dá valores consistentemente mais baixos.13 Colha de manhã, no mesmo horário.
- Suplemento de ferro. Um comprimido recente eleva o numerador e infla o IST. Já quem usa quelantes deve suspendê-los "por pelo menos um dia antes do exame" — decisão do seu médico.5
- Inflamação. Derruba ferro e capacidade ao mesmo tempo: o IST pode parecer normal.6
- Hemólise no tubo. O ferro das hemácias rompidas eleva falsamente o resultado.13
Quanto custa: existe no plano, não existe no SUS
Na tabela de procedimentos do SUS (competência 202608, 5.023 linhas), as raízes SATUR e SATURA retornam zero — com os controles positivos que provam que a leitura funciona: TRANSFERR = 2, FERRO = 4, FERRIT = 1, FIXACAO = 20.2 O IST não é faturado porque não é dosado.
| Exame | Código SIGTAP | Valor |
|---|---|---|
| Ferro sérico | 0202010392 | R$ 3,51 |
| Capacidade de fixação do ferro | 0202010023 | R$ 2,01 |
| (a conta do IST — os dois juntos) | — | R$ 5,52 |
Na tabela TUSS dos planos de saúde, ele tem código próprio: 40321231, "Índice de saturação de ferro" — repare que o nome oficial fala em ferro, não em transferrina.3 O mesmo número que o SUS não reconhece é faturável no privado: a diferença não é científica, é administrativa.
O mesmo vale para o passo seguinte: o teste genético previsto acima de 45% tem código TUSS (40503453, "Hemocromatose, análise por PCR"), mas nenhum procedimento do SUS leva a palavra "hemocromatose" — só códigos moleculares genéricos, a R$ 0,00.23 Veja quanto custa um exame de sangue e o glossário.
Avanços recentes
De publicações indexadas no PubMed:
- O IST tem valor prognóstico próprio. Uma revisão dedicada ao marcador o liga a desfechos cardiovasculares, e não só ao diagnóstico de falta de ferro.14
- Ele vale mais junto da ferritina. A revisão sistemática de 41 publicações conclui pelo benefício do IST em acréscimo à ferritina, inclusive em primeira linha nas doenças inflamatórias crônicas.10
- Dado brasileiro antigo, ainda útil. Um estudo com 300 doadores de sangue de São Paulo mediu a falta de ferro por ferro, TIBC, índice de saturação e ferritina: 11,0% no total, 5,5% dos homens e 31,7% das mulheres.15
Estes resultados dizem respeito ao diagnóstico e ao acompanhamento; não substituem a avaliação do seu médico.
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O IST não se lê sozinho: depende da ferritina, da inflamação e do seu hemograma completo.
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Perguntas frequentes
Qual é o valor normal da saturação da transferrina? Não há número único brasileiro: quatro fontes nacionais dão 16–50%, 20–40%, 20–50% (homens) e 15–50% (mulheres).615 Vale o intervalo do seu laudo.
Saturação baixa significa anemia? Não necessariamente: um IST baixo indica pouco ferro chegando aos tecidos, o que aparece antes de a hemoglobina cair. Abaixo de 16% — ou de 20% com inflamação — os consensos brasileiros consideram deficiência de ferro.4
E saturação alta, é grave? Acima de 45% o protocolo manda investigar sobrecarga; acima de 45% em mulheres ou 50% em homens, pode-se pedir o teste genético do HFE.5 Suplemento de ferro recente também eleva o resultado.
Meu laudo não traz a saturação. Posso calcular? Sim: ferro sérico ÷ capacidade de fixação × 100, com as duas linhas na mesma unidade.1 Leve o resultado ao seu médico.
Preciso de jejum? Sim, o protocolo pede coleta em jejum,5 sem passar de 12 horas. Prefira a manhã: o ferro varia até 50% entre 8h e 14h.13
Por que a saturação não aparece na lista de exames do SUS? Porque não é dosada: é calculada.2 No plano de saúde, ao contrário, ela tem código TUSS próprio.3
Ferritina normal com saturação baixa — o que significa? É a assinatura da inflamação com falta de ferro: a ferritina sobe como proteína de fase aguda enquanto o transporte esvazia — daí o corte de IST < 20%.4
Para lembrar
A saturação da transferrina é a única linha da cinética do ferro que ninguém dosa: é a divisão do ferro sérico pela capacidade de ligação, vezes 100 — daí não ter código no SUS, embora tenha na tabela dos planos. Guarde os dois extremos: abaixo de 16% (ou de 20% com inflamação) fala em falta de ferro, mesmo com a ferritina parecendo normal; acima de 45%, investiga-se sobrecarga. E a ressalva: as quatro faixas de "normal" publicadas no Brasil não coincidem, e nenhuma foi medida na população do país. Nenhum número decide sozinho — conta o conjunto dos seus marcadores e do seu contexto, a leitura que a AI DiagMe ajuda a organizar, em complemento ao seu médico.
Fontes
Fontes institucionais brasileiras e publicações científicas (PubMed) utilizadas neste guia:
Footnotes
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Conitec / Ministério da Saúde — Relatório de Recomendação: Protocolo Clínico e Diretrizes Terapêuticas — Anemia por Deficiência de Ferro, dezembro de 2024 (proposta submetida à consulta pública nº 98; não substitui o PCDT de 2014). Fórmula, em nota de rodapé do Quadro de estágios da depleção: "Índice de saturação da transferrina (%) = (ferro/capacidade total de ligação de ferro) x 100"; coluna "normal" de 20%-40% e "< 20%" nas fases de eritropoiese ferropênica e de anemia; quadro diferencial entre anemia ferropriva e talassemia (IST diminuído versus normal ou aumentado); contraindicação ao ferro intravenoso com IST acima de 40% a 45% ou ferritina ≥ 500 ng/mL. gov.br/conitec ↩ ↩2 ↩3 ↩4 ↩5 ↩6
-
Ministério da Saúde / DATASUS — SIGTAP, Tabela de Procedimentos, Medicamentos e OPM do SUS, arquivo
tb_procedimento.txt, competência 202608 (1.697.774 bytes, 5.023 linhas). Leitura direta do arquivo em posições fixas, decodificado em latin-1, com normalização de acentos comprovada (2.483 das 5.023 linhas contêm caracteres acentuados). RaízesSATUReSATURA: 0 procedimentos; controles positivos na mesma execução:TRANSFERR= 2,FERRO= 4,FERRIT= 1,FIXACAO= 20,SANGRIA= 1. Valores: Dosagem de Ferro Sérico 0202010392 = R$ 3,51; Determinação de Capacidade de Fixação do Ferro 0202010023 = R$ 2,01; Dosagem de Ferritina 0202010384 = R$ 15,59; Dosagem de Transferrina 0202010660 = R$ 4,12; Sangria Terapêutica 0306020041 = R$ 4,69. RaízesHEMOCROM,C282eLIGACAO: 0 procedimentos (controle positivoMUTAC= 6, todos genéricos ou alheios ao ferro, e os dois procedimentos moleculares gerais 0202100081 e 0202100111 têm valor R$ 0,00). sigtap.datasus.gov.br ↩ ↩2 ↩3 ↩4 -
Terminologia Unificada da Saúde Suplementar (TUSS) — tabela
tb_tuss.txtdistribuída com o SIGTAP (competência 202608, 5.766 itens). Verificação por leitura direta: 40321231 "Índice de saturação de ferro" (única ocorrência da raizSATURAentre exames laboratoriais); 40301842 "Ferro sérico - pesquisa e/ou dosagem"; 40301427 "Capacidade de fixação de ferro - pesquisa e/ou dosagem"; 40316270 "Ferritina - pesquisa e/ou dosagem"; 40302520 "Transferrina - pesquisa e/ou dosagem"; 40503453 "Hemocromatose, análise por PCR". gov.br/ans ↩ ↩2 ↩3 ↩4 -
Associação Brasileira de Hematologia, Hemoterapia e Terapia Celular (ABHH) — Consenso da ABHH sobre Patient Blood Management, 1ª edição, 2023. Verbete "Saturação da transferrina (ST)": "A ST <16% é comumente usada para diagnosticar DF, enquanto na presença de inflamação, a ST <20% é mais aceita. Se o laboratório não disponibiliza o valor da ST diretamente, ela pode ser calculada pela relação do Fe sérico/capacidade total de ligação do ferro ou ainda Fe sérico/(capacidade latente de ligação do Fe+Fe sérico)"; verbete Ferritina: "Para níveis de ferritina 100-300mcg/L na presença de inflamação, recomenda-se utilizar a saturação da transferrina (<20%) em conjunto com a ferritina para definir a DF"; "Todo protocolo deve incluir, no mínimo, hemograma e estudo do ferro (ferritina e saturação da transferrina)"; contraindicação ao ferro endovenoso com ferritina > 300-500 ng/mL e saturação de transferrina > 50%. abhh.com.br ↩ ↩2 ↩3 ↩4 ↩5 ↩6 ↩7 ↩8
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Ministério da Saúde — Protocolo Clínico e Diretrizes Terapêuticas de Sobrecarga de Ferro, aprovado pela Portaria Conjunta SAES/SCTIE nº 38, de 21 de janeiro de 2026 (art. 4º: revoga a Portaria Conjunta SAS/SCTIE nº 7, de 23 de fevereiro de 2018). Verificado no texto integral (97 páginas): "Saturação da transferrina: é mais sensível que a ferritina sérica na triagem para hemocromatose hereditária. É calculada a partir da razão entre o ferro sérico e a capacidade total de ligação do ferro (também chamado de capacidade de fixação do ferro), devendo ser coletado em jejum. O valor de corte para diagnóstico escolhido para a transferrina é um aumento da saturação em 45%, por ter uma alta sensibilidade a partir desse valor. Para valores acima de 45% em mulheres ou acima de 50% em homens, podem ser solicitados testes genéticos, como a análise de mutação do HFE"; "Os valores de referência para transferrina são entre 20% e 50% para homens e 15% a 50% para mulheres" — atribuídos, na referência 31 do protocolo, ao guia de exames de um laboratório privado (DB - Diagnósticos, Guia de Exames, Índice de Saturação da Transferrina (IST), consultado em 7 de maio de 2023), e não a um estudo populacional brasileiro. Também: "há uma variação considerável nos níveis de transferrina ao longo do dia devido à flutuação do ferro sérico"; suspensão de quelantes por pelo menos um dia; NTBI acima de 60% a 70% de saturação e ferro plasmático lábil acima de 70%; "mesmo nos casos de ferritina aumentada, a ausência de saturação de transferrina elevada na mesma proporção não descarta a sobrecarga de ferro"; média de 1.087 novos casos anuais de doença falciforme (2014–2020). A afirmação de maior sensibilidade é atribuída pelo protocolo à sua referência 2 (Gattermann et al., Dtsch Arztebl Int 2021), uma revisão alemã. gov.br/saude ↩ ↩2 ↩3 ↩4 ↩5 ↩6 ↩7 ↩8 ↩9 ↩10 ↩11 ↩12 ↩13 ↩14 ↩15
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Grotto HZW (Faculdade de Ciências Médicas, UNICAMP) — Diagnóstico laboratorial da deficiência de ferro. Rev. Bras. Hematol. Hemoter. (revista da ABHH), v. 32, supl. 2, 2010. "A relação ferro sérico/TIBC fornece o índice de saturação da transferrina (ST), que é reportado em porcentagem. Normalmente esta relação é de 16% a 50%"; "A especificidade do teste é limitada, porque tanto o ferro como o TIBC tem seus valores reduzidos na inflamação"; ST > 55% como sinal de sobrecarga; "Para a obtenção do valor de TIBC a partir da transferrina sérica deve-se multiplicar o resultado da dosagem da transferrina por 25" (sem indicação de unidades); "Em 100 mL de soro há transferrina suficiente para se ligar a 250 a 450 µg de ferro"; transferrina normalmente saturada em 1/3 da capacidade total. Artigo não indexado no PubMed. scielo.br ↩ ↩2 ↩3 ↩4 ↩5 ↩6 ↩7
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Bennett C, Pettikiriarachchi A, McLean ARD, Harding R, Blewitt ME, Seillet C, Pasricha SR. Serum iron and transferrin saturation variation are circadian regulated and linked to the harmonic circadian oscillations of erythropoiesis and hepatic Tfrc expression in mice. Am J Hematol, 2024;99(11):2075-2083 (estudo em camundongos: ferro sérico e IST mantêm oscilação em escuridão constante e a perdem em animais Bmal1 knockout). PubMed · DOI ↩
-
Castro IRR, Normando P, Alves-Santos NH, et al. Methodological aspects of the micronutrient assessment in the Brazilian National Survey on Child Nutrition (ENANI-2019): a population-based household survey. Cad Saude Publica, 2021;37:e00301120 (biomarcadores de ferro medidos no inquérito nacional: hemoglobina e ferritina, em 8.829 crianças — ferro sérico e transferrina não foram dosados). PubMed · DOI ↩
-
Ministério da Saúde — Protocolo Clínico e Diretrizes Terapêuticas: Anemia por deficiência de ferro, aprovado pela Portaria SAS/MS nº 1.247, de 10 de novembro de 2014 (em vigor). Item 4.2: "Outras medidas, como ferro sérico, transferrina e a saturação da transferrina não são obrigatórios. Pacientes com ADF têm ferro sérico baixo, transferrina alta e uma saturação da transferrina baixa"; "diminuição da saturação da mesma (abaixo de 20%)"; emprego do termo antigo "capacidade ferropéxica sérica". gov.br/saude ↩
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Cacoub P, Vandewalle C, Peoc'h K. Using transferrin saturation as a diagnostic criterion for iron deficiency: A systematic review. Crit Rev Clin Lab Sci, 2019;56(8):526-532 (41 publicações; benefício do IST somado à ferritina, inclusive em primeira linha nas doenças inflamatórias crônicas; ausência de harmonização internacional de limiares). PubMed · DOI ↩ ↩2
-
Santos PC, Cançado RD, Terada CT, Rostelato S, Gonzales I, Hirata RD, Hirata MH, Chiattone CS. HFE gene mutations and iron status of Brazilian blood donors. Braz J Med Biol Res, 2010;43(1):107-14 (542 doadores do Hemocentro da Santa Casa de São Paulo; o genótipo HFE 282CY associou-se a aumento de 17,21% na saturação da transferrina e redução de 83,65% na capacidade total de ligação do ferro). PubMed · DOI ↩
-
Mottelson M, Helby J, Nordestgaard BG, et al. Mortality and risk of diabetes, liver disease, and heart disease in individuals with haemochromatosis HFE C282Y homozygosity and normal concentrations of iron, transferrin saturation, or ferritin: prospective cohort study. BMJ, 2024;387:e079147 (132.542 pessoas genotipadas em três coortes dinamarquesas; risco de diabetes aumentado mesmo em homozigotos C282Y com saturação da transferrina normal). PubMed · DOI ↩
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Sociedade Brasileira de Patologia Clínica/Medicina Laboratorial (SBPC/ML) — Recomendações da SBPC/ML: boas práticas em laboratório clínico. Capítulo de variação cronobiológica: "As concentrações do ferro e do cortisol séricos, por exemplo, podem variar em até 50% entre amostras coletadas às 8h e às 14h e às 8h e às 16h, respectivamente. Para esses parâmetros, as coletas realizadas à tarde fornecem resultados consistentemente mais baixos do que os obtidos nas amostras coletadas pela manhã"; jejum acima de 12 horas desaconselhado; ferro entre os analitos afetados pela hemólise. PDF ↩ ↩2 ↩3 ↩4
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Elsayed ME, Sharif MU, Stack AG. Transferrin Saturation: A Body Iron Biomarker. Adv Clin Chem, 2016;75:71-97 (limites do teste na inflamação; associação entre níveis de IST e mortalidade cardiovascular). PubMed · DOI ↩
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Cançado RD, Chiattone CS, Alonso FF, Langhi Júnior DM, Alves RC. Iron deficiency in blood donors. Sao Paulo Med J, 2001;119(4):132-4 (300 doadores do Hemocentro da Santa Casa de São Paulo avaliados por ferro sérico, capacidade total de ligação do ferro, índice de saturação da transferrina, ferritina e índices eritrocitários; deficiência de ferro em 11,0% do total, 5,5% dos homens e 31,7% das mulheres). PubMed · DOI ↩