Triglicérides altos: valores normais, jejum e riscos
Triglicérides normais abaixo de 150 mg/dL em jejum e de 175 mg/dL sem jejum — os dois valores brasileiros, o limiar da pancreatite e o efeito no LDL.
Os triglicérides — escritos triglicérides em muitos laudos — são o parâmetro do lipidograma que mais se mexe conforme o que você comeu. Por isso é o único da lista com dois conjuntos de valores de referência: um em jejum, outro sem jejum. Este guia explica como ler o seu número pelas fontes brasileiras em vigor, quando um valor alto deixa de ser assunto do coração e passa a ser do pâncreas, e o que ele faz com o resto do exame.
Em resumo
- Pela Diretriz Brasileira de Dislipidemias e Prevenção da Aterosclerose de 2025, o valor desejável é abaixo de 150 mg/dL em jejum de 12 horas e abaixo de 175 mg/dL sem jejum.1
- São o único parâmetro do perfil lipídico que muda de referência com o jejum. Colesterol total, LDL, HDL e não-HDL "não sofrem influência do estado alimentar".1
- O jejum não foi abolido, ficou dispensável na avaliação inicial — e o laboratório é obrigado a escrever no laudo se a coleta foi "sem jejum" ou "com jejum de 12 horas".12
- ⚠️ Acima de 440 mg/dL sem jejum, a recomendação (força FORTE) é repetir com jejum de 12 horas.123
- A partir de 500 mg/dL o assunto muda: o risco passa a ser a pancreatite aguda — corte usado tanto pela SBC quanto pelo protocolo do SUS.14
- ⚠️ As fontes brasileiras divergem sobre o LDL calculado. A SBC de 2025 abandonou Friedewald; o protocolo do SUS, de 2019, ainda o usa e o limita a 400 mg/dL de triglicérides.14
- No SUS a dosagem custa R$ 3,51 (SIGTAP 0202010678) — quase o dobro do colesterol total.5
O que são os triglicérides
Os triglicérides são a principal forma de gordura de reserva do corpo. Vêm da gordura da comida e da conversão, no fígado, do excesso de calorias — sobretudo açúcares e carboidratos refinados. Circulam dentro de duas lipoproteínas: os quilomícrons, montados no intestino logo depois de uma refeição, e as VLDL, produzidas pelo fígado.
Daí vem a particularidade do exame. Uma refeição despeja quilomícrons na circulação em poucas horas; o colesterol das outras partículas praticamente não se move nesse intervalo. Foi essa assimetria que levou o Brasil a criar dois conjuntos de valores só para este marcador.
A elevação pode nascer de produção aumentada de VLDL ou de redução da lipólise.1 Nos dois casos o resultado no tubo é o mesmo: um soro turvo, às vezes leitoso.
Valores de referência no Brasil
A tabela abaixo reproduz a Tabela 3.1 da diretriz da SBC de 2025, para adultos acima de 20 anos.1
| Estado da coleta | Valor desejável |
|---|---|
| Em jejum de 12 horas | < 150 mg/dL |
| Sem jejum | < 175 mg/dL |
A diretriz é explícita em dois pontos que costumam faltar nos laudos brasileiros: o laboratório deve informar o tempo de jejum ("sem jejum" ou "com jejum de 12 horas") e deve imprimir os valores de referência nas duas condições.1 Se o seu laudo traz um único valor de referência, ele está incompleto.
Importante: os intervalos podem variar entre laboratórios conforme o método. A referência que vale para você é a impressa no seu laudo. Para converter em mmol/L, use o conversor de unidades.
O jejum: dispensável, não abolido
A flexibilização brasileira tem data e assinatura. O "Posicionamento sobre a flexibilização do jejum para o perfil lipídico" saiu nos Arquivos Brasileiros de Cardiologia em março de 2017, assinado por autores de cinco sociedades: SBAC, SBPC/ML, SBC, SBEM e SBD.2 O argumento central: como o estado pós-prandial predomina na maior parte do dia, é ele que representa melhor a exposição real do organismo.2
A diretriz de 2025 manteve a posição, com formulação cuidadosa. A recomendação (força FORTE, certeza MODERADA) diz que "para a avaliação inicial, é aceitável obter a amostra sem jejum, em particular em populações selecionadas, como crianças e idosos".1 Aceitável não é obrigatório: se o seu médico pediu jejum, ou se outros exames do mesmo pedido o exigem, o jejum continua valendo.
A regra dos 440 mg/dL
É o fato mais útil desta página. Se uma coleta sem jejum devolver triglicérides acima de 440 mg/dL, a recomendação — FORTE na diretriz de 2025, e já presente no posicionamento de 2017 — é fazer nova coleta com jejum de 12 horas, a critério do médico solicitante.12 O manual da SBPC/ML repete a regra.3 O posicionamento acrescenta duas situações que também pedem recoleta: a recuperação de uma pancreatite e o início de medicamentos que causam hipertrigliceridemia grave.2
Uma contradição dentro do mesmo documento
⚠️ A diretriz de 2025 cita "crianças e idosos" como as populações selecionadas em que a coleta sem jejum é "em particular" aceitável — e, no capítulo pediátrico, escreve que "em crianças e adolescentes, a análise deve ser feita após jejum de 8 a 9 horas".1 As duas frases estão no mesmo documento. Para uma criança, siga a orientação do pediatra.
O que mais altera o resultado
- Álcool. A SBPC/ML diz que o consumo casual de etanol provoca alterações "significativas e quase imediatas" nos triglicérides, e indica abstinência de 72 horas antes da coleta.3
- Exercício extenuante e refeição gordurosa na véspera alteram o perfil lipídico temporariamente.1
- Postura. Colesterol e triglicérides podem subir 8 a 10 % ao passar de deitado para em pé.3
O limiar da pancreatite
Até certo ponto, triglicérides altos são um problema cardiovascular, e a diretriz é clara: nas elevações leves a moderadas, as metas de LDL e de colesterol não-HDL têm prioridade.1
A partir de um certo número, a conversa muda de órgão. A SBC define hipertrigliceridemia grave como TG ≥ 500 mg/dL — acrescentando, no mesmo parágrafo, "(ou ≥ 885 mg/dL segundo alguns autores)". Nessa faixa o risco é a pancreatite aguda, indicam-se os fibratos, e o alvo passa a ser manter abaixo de 500 mg/dL.1
O SUS usa o mesmo corte. O Protocolo Clínico e Diretrizes Terapêuticas da Dislipidemia: prevenção de eventos cardiovasculares e pancreatite, aprovado pela Portaria Conjunta nº 8, de 30 de julho de 2019, afirma que "níveis de triglicérides maiores do que 500 mg/dL podem precipitar ataques de pancreatite aguda" e inclui no tratamento com fibratos os pacientes acima de 500 mg/dL. Estima ainda que a hipertrigliceridemia cause 1,3 % a 3,8 % das pancreatites agudas, e prevê acompanhamento a cada seis meses.4
⚠️ Uma ressalva, e ela vem de fora: não existe um degrau em 500. Na maior coorte publicada sobre o tema — 116.550 pessoas na Dinamarca, 434 pancreatites agudas —, o risco já subia nas faixas leves a moderadas, e a razão de risco ajustada chegava a 8,7 (IC 95 % 3,7-20,0) acima de 443 mg/dL.6 Citamos isso como referência internacional, à falta de estudo brasileiro equivalente: 500 mg/dL é um ponto de decisão terapêutica, não uma fronteira biológica.
Triglicérides e o LDL calculado: as fontes brasileiras divergem
O LDL do seu laudo quase nunca é medido — é calculado, e os triglicérides entram na conta. É aqui que as duas autoridades brasileiras se separam.
A SBC, em 2025, abandonou Friedewald. A recomendação é FORTE: usar a equação de Martin/Hopkins "para todos os indivíduos". Ela mantém a estrutura LDL-c = colesterol total − HDL-c − triglicérides/x, mas o divisor x deixa de ser fixo e varia de 3,1 a 11,9, conforme os valores da sua própria amostra.17 O limite não desapareceu, mudou de lugar: acima de 800 mg/dL, o LDL por Martin/Hopkins "pode estar subestimado", e a recomendação é avaliar o colesterol não-HDL.1
O protocolo do SUS, de 2019, ainda usa Friedewald — divisor fixo 5 — e o declara válido "quando o valor dos triglicérides for inferior a 400 mg/dL". Acima disso, manda usar o colesterol não-HDL, com alvo 30 mg/dL acima do alvo de LDL.4
Na prática: 400 mg/dL é o limite se o seu serviço segue o protocolo do SUS; 800 mg/dL se segue a diretriz de 2025. Nos dois casos a saída é a mesma — o colesterol não-HDL, que a SBC considera "particularmente útil" já a partir de 150 mg/dL.1 Confira isso ao lado do seu colesterol LDL e do colesterol total.
Uma ausência que merece registro: a palavra "jejum" não aparece nenhuma vez no protocolo do SUS, dois anos posterior à flexibilização.4
O que faz os triglicérides subirem
A diretriz de 2025 lista os fatores secundários: uso de álcool, diabetes, síndrome metabólica, hipotireoidismo, corticoterapia e outros medicamentos, além de dieta e obesidade.1 O protocolo do SUS acrescenta a mecânica: a hipertrigliceridemia secundária, geralmente abaixo de 1.000 mg/dL, decorre "comumente de excesso de ingestão de carboidratos, obesidade ou diabete melito".4
- Diabetes. "A adequação do controle glicêmico contribui para a redução dos níveis séricos de TG."1 Triglicérides persistentemente altos pedem uma olhada na glicemia e na hemoglobina glicada.
- Tireoide. O hipotireoidismo é causa secundária reconhecida — e o protocolo do SUS vai além: hipotireoidismo descompensado (TSH acima de 10 mcUI/mL) é critério de exclusão do tratamento hipolipemiante. Trata-se a tireoide primeiro.4
- Gestação. As dislipidemias transitórias atingem 20 a 30 % das gestantes; a hipertrigliceridemia gestacional grave fica acima de 1.000 mg/dL.1
O efeito no resto do seu laudo
Um detalhe que quase nenhum texto para pacientes menciona: triglicérides muito altos atrapalham a medida de outros exames. O soro fica turvo — é a lipemia — e a turbidez interfere nos métodos colorimétricos e turbidimétricos. A SBPC/ML determina que a turbidez acentuada "deve ser relatada pelo laboratório, como observação no laudo", e publica a tabela dos limiares (creditada, no livro, a um laboratório chileno): a lipemia interfere a partir de 150 mg/dL nas transaminases (ALT e AST), 800 mg/dL na creatinina e 1.000 mg/dL na glicose e na proteína C reativa.3 Se o seu laudo traz uma nota sobre amostra lipêmica, é disso que se trata.
Os números brasileiros
O dado nacional medido mais sólido vem do ERICA, estudo de base escolar em 38.069 adolescentes de 12 a 17 anos nas 27 capitais: triglicérides médios de 77,8 mg/dL e hipertrigliceridemia em 7,8 % (IC 95 % 7,1-8,6) pelo corte de 130 mg/dL.8
Para adultos, a lacuna é real. A Pesquisa Nacional de Saúde coletou sangue de 8.534 adultos em 2014-2015, mas a publicação laboratorial analisou apenas colesterol total, LDL e HDL.9 A diretriz de 2025 traz prevalências da PNS e do ELSA-Brasil, mas só em gráfico.1 Preferimos dizer isso a publicar um percentual que não lemos.
O que ajuda a baixar
As medidas com respaldo na diretriz brasileira:
- Perder peso. Uma redução de 8 a 10 % do peso está associada a uma queda de 20 a 30 mg/dL nos triglicérides; em um ano, uma redução de 5 a 10 % chegou a 40 mg/dL.1
- Reduzir ou eliminar açúcares adicionados e farinhas refinadas.1
- Mover-se: ao menos 150 minutos por semana de atividade aeróbica moderada, ou 75 de vigorosa (FORTE).1
- Álcool: a diretriz recomenda contra a ingestão para prevenir ou tratar aterosclerose, e registra que o consumo acima de 30 g por dia eleva os triglicérides.1
Sobre remédios: nas elevações moderadas com indicação por risco cardiovascular, a estatina é a escolha; a partir de 500 mg/dL persistentes, entra o fibrato.1 Nada disso se inicia por conta própria.
No SUS
A dosagem consta da tabela SIGTAP sob o código 0202010678 — "Dosagem de triglicérides", a R$ 3,51 na competência de 08/2026; a de colesterol total custa R$ 1,85.5 Sobre preços em laboratórios privados, veja quanto custa um exame de sangue.
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Um valor de triglicérides nunca se lê sozinho: depende do jejum, dos seus outros marcadores e do seu perfil — idade, peso, glicemia, medicamentos, gestação.
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Avanços recentes
Segundo publicações recentes indexadas no PubMed:
- O jejum deixou de ser regra, num consenso europeu de 2016 e no posicionamento brasileiro de 2017.102
- O limiar da pancreatite foi revisto para baixo: o risco já sobe em faixas leves a moderadas.6
- O cálculo do LDL mudou de fórmula: Martin/Hopkins, de 2013, virou recomendação FORTE no Brasil em 2025.71
Perguntas frequentes
Preciso estar em jejum para medir os triglicérides? Não necessariamente. Para a avaliação inicial é aceitável colher sem jejum — mas o valor de referência muda: < 175 mg/dL sem jejum, < 150 mg/dL com jejum de 12 horas. Se o médico pediu jejum, cumpra.1
Meus triglicérides vieram acima de 440 mg/dL sem jejum. E agora? A recomendação brasileira é repetir a coleta com jejum de 12 horas, a critério do seu médico. Um valor pós-prandial isolado nessa faixa não fecha nada.12
A partir de quanto há risco de pancreatite? A SBC define hipertrigliceridemia grave a partir de 500 mg/dL, mencionando que alguns autores usam 885 mg/dL. É também em 500 que o protocolo do SUS indica fibratos.14
Triglicérides altos atrapalham o cálculo do meu LDL? Sim. Pela diretriz de 2025, acima de 800 mg/dL o LDL por Martin/Hopkins pode vir subestimado; pelo protocolo do SUS, que ainda usa Friedewald, o limite é 400 mg/dL. Nos dois casos, olha-se o colesterol não-HDL.14
Triglicérides altos e colesterol normal: isso existe? Sim, e é comum — costuma acompanhar excesso de carboidratos, obesidade, álcool ou diabetes mal controlado.41 Leia o resultado junto do lipidograma e da glicemia.
Para lembrar
Os triglicérides são o único parâmetro do perfil lipídico com dois valores de referência — 150 mg/dL em jejum, 175 mg/dL sem jejum.1 Guarde três reflexos: acima de 440 mg/dL sem jejum, repete-se em jejum;2 a partir de 500 mg/dL, o risco principal deixa de ser o coração e passa a ser o pâncreas;14 e o número interfere no LDL calculado, com um limite que muda conforme a fonte brasileira seguida pelo seu serviço.14 Nenhum valor isolado fecha diagnóstico. Veja também o glossário de exames de sangue e a composição do sangue.
Fontes
Fontes oficiais brasileiras e publicações científicas (PubMed) usadas neste guia:
Footnotes
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Rached FH, Miname MH, Rocha VZ, et al.; Sociedade Brasileira de Cardiologia (SBC) — Diretriz Brasileira de Dislipidemias e Prevenção da Aterosclerose – 2025. Arq Bras Cardiol, 2025; 122(9): e20250640. Documento em vigor, que sucede a Atualização de 2017. Tabela 3.1 (valores com e sem jejum), recomendações FORTES sobre coleta sem jejum e recoleta acima de 440 mg/dL, equação de Martin/Hopkins e limite de 800 mg/dL, hipertrigliceridemia grave ≥ 500 mg/dL, fatores secundários, efeitos de peso, atividade física e álcool, capítulo pediátrico (jejum de 8 a 9 horas) e capítulo de gestação. PubMed · DOI ↩ ↩2 ↩3 ↩4 ↩5 ↩6 ↩7 ↩8 ↩9 ↩10 ↩11 ↩12 ↩13 ↩14 ↩15 ↩16 ↩17 ↩18 ↩19 ↩20 ↩21 ↩22 ↩23 ↩24 ↩25 ↩26 ↩27 ↩28 ↩29 ↩30 ↩31 ↩32 ↩33 ↩34 ↩35 ↩36
-
Scartezini M, Ferreira CES, Izar MCO, et al. — Posicionamento sobre a flexibilização do jejum para o perfil lipídico. Arq Bras Cardiol, 2017; 108(3): 195-197. Documento assinado por autores de cinco sociedades (SBAC, SBPC/ML, SBC, SBEM e SBD): justificativas da flexibilização, conduta do laboratório, recoleta em jejum de 12 h acima de 440 mg/dL, e Tabela 1 com os valores desejáveis de triglicérides com e sem jejum. PubMed · DOI ↩ ↩2 ↩3 ↩4 ↩5 ↩6 ↩7 ↩8 ↩9
-
Sociedade Brasileira de Patologia Clínica/Medicina Laboratorial (SBPC/ML) — Recomendações da SBPC/ML: boas práticas em laboratório clínico, org. Nairo Massakazu Sumita et al., 1ª ed., Barueri: Manole, 2020, 592 p. Abstinência de álcool por 72 horas antes da coleta, variação postural de 8 a 10 %, torniquete, lipemia e seu relato obrigatório no laudo, tabela de concentrações interferentes (creditada no livro à Clínica Dávila, Chile) e confirmação da regra dos 440 mg/dL citando o posicionamento de 2017. PDF ↩ ↩2 ↩3 ↩4 ↩5
-
Ministério da Saúde (SAES/SCTIE) — Protocolo Clínico e Diretrizes Terapêuticas da Dislipidemia: prevenção de eventos cardiovasculares e pancreatite, aprovado pela Portaria Conjunta nº 8, de 30 de julho de 2019 (revoga a Portaria nº 200/SAS/MS de 25/02/2013). Fórmula de Friedewald válida abaixo de 400 mg/dL de triglicérides, colesterol não-HDL acima disso, limiar de 500 mg/dL para pancreatite e para fibratos, estimativa de 1,3 %-3,8 % das pancreatites agudas, monitorização semestral, hipotireoidismo descompensado (TSH > 10 mcUI/mL) como critério de exclusão e orientação dietética por faixa de triglicérides. Ausência da palavra "jejum" verificada por varredura do texto integral. gov.br/saude ↩ ↩2 ↩3 ↩4 ↩5 ↩6 ↩7 ↩8 ↩9 ↩10 ↩11 ↩12
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Ministério da Saúde / DATASUS — SIGTAP: Sistema de Gerenciamento da Tabela de Procedimentos, Medicamentos e OPM do SUS, competência 08/2026 (tabela
tb_procedimento). Procedimento 0202010678 – "Dosagem de triglicérides": complexidade média, financiamento 06 (Média e Alta Complexidade), valor de serviço ambulatorial de R$ 3,51; comparação com o código 0202010295 ("Dosagem de colesterol total", R$ 1,85). sigtap.datasus.gov.br ↩ ↩2 -
Pedersen SB, Langsted A, Nordestgaard BG. Nonfasting mild-to-moderate hypertriglyceridemia and risk of acute pancreatitis. JAMA Intern Med, 2016; 176(12): 1834-1842. Coorte de 116.550 pessoas do Copenhagen General Population Study e do Copenhagen City Heart Study, 434 pancreatites agudas: razão de risco ajustada de 8,7 (IC 95 % 3,7-20,0) acima de 443 mg/dL, com aumento já nas faixas leves a moderadas. Citado como referência internacional, na ausência de coorte brasileira equivalente. PubMed · DOI ↩ ↩2
-
Martin SS, Blaha MJ, Elshazly MB, et al. Comparison of a novel method vs the Friedewald equation for estimating low-density lipoprotein cholesterol levels from the standard lipid profile. JAMA, 2013; 310(19): 2061-2068. Publicação original da equação de Martin/Hopkins, adotada pela SBC em 2025. PubMed · DOI ↩ ↩2
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Faria Neto JR, Bento VF, Baena CP, et al. ERICA: prevalência de dislipidemia em adolescentes brasileiros. Rev Saude Publica, 2016; 50(Supl 1): 10s. Estudo de base escolar com 38.069 adolescentes de 12 a 17 anos nas 27 capitais: triglicérides médios de 77,8 mg/dL e hipertrigliceridemia (≥ 130 mg/dL) em 7,8 %. PubMed · DOI ↩
-
Malta DC, Szwarcwald CL, Machado ÍE, et al. Prevalência de alterações do colesterol total e frações na população adulta brasileira: Pesquisa Nacional de Saúde. Rev Bras Epidemiol, 2019; 22(Supl 2): E190005.SUPL.2. Dados laboratoriais da PNS coletados em 2014-2015 em 8.534 adultos, restritos a colesterol total, LDL e HDL — os triglicérides não foram analisados. PubMed · DOI ↩
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Nordestgaard BG, Langsted A, Mora S, et al. Fasting is not routinely required for determination of a lipid profile — a joint consensus statement from the European Atherosclerosis Society and European Federation of Clinical Chemistry and Laboratory Medicine. Eur Heart J, 2016; 37(25): 1944-1958. Consenso internacional, citado como referência nº 1 do posicionamento brasileiro de 2017. PubMed · DOI ↩