Exames de rotina e check-up: o que vale a pena
Não existe no Brasil um painel de sangue de rotina para todo mundo. A SBMFC recomenda não pedir exame anual sem risco individual — veja o que sobra.
Quase todo mundo já ouviu que "depois dos 40 tem que fazer os exames todo ano". A frase circula em consultório, em plano de saúde e em campanha de laboratório, e soa como uma recomendação oficial. Ela não é. Esta página trata dos exames de sangue feitos em pessoas sem sintomas — o que costuma se chamar de check-up. Sob a expressão "exames de rotina" cabem também mamografia, papanicolau e eletrocardiograma; eles aparecem aqui apenas quando ajudam a entender a lógica, porque o assunto central é o que se dosa no sangue.
E a resposta honesta das fontes brasileiras é desconfortável: é menos do que se imagina. Não porque a prevenção não valha nada — vale muito —, mas porque as sociedades médicas do país escreveram, com nome e data, quais exames têm indicação de rastreamento e quais viraram hábito sem evidência. Este guia reúne o que elas dizem, quanto isso custa no SUS e por que um exame desnecessário não é neutro.
Em resumo
- Não existe um painel único de rotina recomendado para toda a população brasileira. Os exames e a periodicidade se escolhem por idade, sexo e fatores de risco.
- A SBMFC (medicina de família) publicou, no Choosing Wisely Brasil, a recomendação de não solicitar exame de sangue anual de rotina, exceto se indicado pelo risco individual.
- Os dois exames que ela cita como mais frequentemente justificados depois dos 40 anos são glicemia de jejum e perfil lipídico.
- A SBD recomenda rastrear diabetes a partir dos 35 anos — e, se tudo estiver normal e o risco for baixo, repetir só depois de três anos.
- Vitamina D em adulto de baixo risco e PSA de rotina estão explicitamente na lista brasileira do que não pedir.
- No SUS, o núcleo com indicação de rastreamento custa R$ 14,23; a bateria completa que se vende como check-up passa de R$ 114.
Não existe um painel de rotina universal
A afirmação mais útil desta página não é nossa: está escrita, desde 30 de maio de 2017, no site da Sociedade Brasileira de Medicina de Família e Comunidade (SBMFC). É a quarta das cinco recomendações que a entidade levou ao Choosing Wisely Brasil, e o texto é direto: "Não há um conjunto de exames de sangue que devem ser solicitados de rotina para toda a população com uma periodicidade pré-determinada (por exemplo, anualmente). Os exames e a periodicidade devem ser individualizados e os mais frequentemente incluídos são glicemia de jejum e perfil lipídico (colesterol) após os 40 anos."1
A mesma recomendação encerra com uma frase que vale reler: "Os ensaios clínicos randomizados não demonstraram benefício dos check ups anuais pré-estabelecidos."1 Não é retórica. Uma revisão Cochrane reuniu 17 ensaios randomizados, dos quais 15 com dados de desfecho, somando 251.891 participantes, e comparou pessoas convidadas a fazer check-ups gerais com pessoas não convidadas. Sobre a mortalidade total, o risco relativo foi de 1,00 (IC 95% 0,97–1,03), em 11 ensaios, 233.298 pessoas e 21.535 óbitos, com certeza alta da evidência. A conclusão dos autores cabe em cinco palavras: "General health checks are unlikely to be beneficial" — é improvável que os check-ups gerais tragam benefício.2
Isso não significa que nenhum exame preventivo funcione. Significa que o pacote não é a unidade certa: o que funciona são rastreamentos específicos, com idade e critério definidos, cada um estudado por si.
Choosing Wisely Brasil: uma lista do que não pedir
A Choosing Wisely Brasil (CWB) se define como "um braço no Brasil de campanha multinacional para engajar e ajudar médicos e pacientes em diálogos sobre excessos diagnósticos e terapêuticos".3 Ela reúne listas produzidas por sociedades de especialidade, e seu regimento interno impõe uma regra que explica muito da sua utilidade: os coordenadores gerais devem estar livres de conflito de interesse significativo com fontes pagadoras — governo, operadoras de saúde — e com a indústria farmacêutica, por pelo menos cinco anos antes de assumir a função.4 Uma lista de exames a não pedir só tem valor se quem a escreve não ganha com o exame.
As cinco recomendações da SBMFC merecem ser lidas inteiras, porque três delas são laboratoriais:1
- Não fazer de rotina PSA ou toque retal para rastrear câncer de próstata — "os falsos positivos, falsos negativos e sobrediagnósticos sobrepõem-se aos benefícios".
- Não prescrever inibidor de bomba de prótons continuamente.
- Não solicitar exame de vitamina D em adultos de baixo risco.
- Não solicitar exame de sangue anual de rotina, exceto se indicado pelo risco individual.
- Não prescrever antibióticos para infecções respiratórias altas de alta probabilidade viral.
O Departamento de Tireoide da Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia (SBEM) publicou sua própria lista pelo mesmo processo: 14 especialistas de 10 instituições brasileiras geraram 69 propostas, reduzidas a 35, e as 10 melhores foram votadas por 683 associados. As cinco finais desaconselham dosar T3 reverso para avaliar função tireoidiana, prescrever T3 no hipotireoidismo, repetir anticorpos anti-TPO e antitireoglobulina em quem já os tem positivos, pedir tireoglobulina na avaliação inicial de nódulo e usar marcadores moleculares nessa mesma etapa.5 Vale registrar o que essa lista não diz: ela não desaconselha o TSH em pessoas assintomáticas. Quem procurar aqui uma condenação brasileira do TSH de rotina não vai encontrar — o alvo da SBEM são os exames tireoidianos ao redor do TSH, não ele.
Glicemia: o Brasil rastreia a partir dos 35 anos
A Sociedade Brasileira de Diabetes (SBD) é a fonte mais precisa do país sobre periodicidade, e é onde o hábito do "todo ano" se desmancha. Sua recomendação R6 (Classe I, Nível B) indica rastrear diabetes tipo 2 em todos os indivíduos com 35 anos ou mais, e também em adultos com sobrepeso ou obesidade que tenham ao menos um fator de risco adicional, ou escore FINDRISC alto ou muito alto.6 Antes dessa edição, o corte era 45 anos. O argumento é quantitativo: o número de pessoas que é preciso rastrear para encontrar um caso cai de 80, na faixa de 30 a 34 anos, para 31 na faixa de 35 a 39.6
Quais exames? A R7 (Classe I, Nível C) recomenda glicemia de jejum e/ou hemoglobina glicada como primeiros testes, "com base na disponibilidade local".6
E com que frequência? Aqui está o ponto que quase nunca chega ao paciente. Depois de um rastreamento inicial normal, a SBD escalona:6
| Situação | Reavaliar em |
|---|---|
| Exames normais, menos de 3 fatores de risco ou FINDRISC baixo/moderado (R11) | 3 anos |
| Exames normais, 3 ou mais fatores de risco ou FINDRISC alto/muito alto (R12) | 12 meses |
| Pré-diabetes (R13) | 12 meses |
| Um único exame com critério para diabetes, os demais normais (R14) | 6 meses |
Três anos. Para a maior parte dos adultos de baixo risco, essa é a periodicidade que a sociedade brasileira de especialidade escreveu — não doze meses. O intervalo, ela mesma diz, vem de opinião de especialistas, não de ensaio clínico.6 Convém também não superestimar o que o rastreamento entrega: no ensaio ADDITION-Cambridge, 20.184 pessoas de 40 a 69 anos em alto risco foram acompanhadas por uma mediana de 9,6 anos, e o convite ao rastreamento não reduziu a mortalidade total (HR 1,06; IC 95% 0,90–1,25).7 Rastrear diabetes é justificável pelo controle da doença encontrada, não por uma promessa de longevidade.
Colesterol: o que a diretriz brasileira de 2025 mudou
A Diretriz Brasileira de Dislipidemias e Prevenção da Aterosclerose – 2025, da Sociedade Brasileira de Cardiologia, trouxe três mudanças que afetam diretamente quem lê um resultado de rotina.8
A primeira é o jejum. Para a avaliação inicial, a diretriz considera aceitável colher a amostra sem jejum (recomendação FORTE, certeza MODERADA), reservando a coleta em jejum de 12 horas para quando os triglicérides vierem acima de 440 mg/dL sem jejum. Colesterol total, HDL, LDL e não-HDL, ela registra, não sofrem influência do estado alimentar.8 Nosso guia sobre o jejum para exame de sangue detalha as exceções.
A segunda é a lipoproteína(a): entre as dez mensagens-chave da diretriz está a dosagem uma única vez na vida em todos os adultos, para identificar risco residual elevado.8 É um caso raro de exame que a diretriz brasileira quer que seja mais pedido — e uma vez só.
A terceira é o escore PREVENT, adotado como ferramenta preferencial de estratificação de risco em adultos de 30 a 79 anos sem doença cardiovascular estabelecida.8 Ou seja: o lipidograma não é um número a ser contemplado isoladamente, é uma entrada num cálculo de risco. Na infância, a diretriz é mais categórica que no adulto: perfil lipídico completo de forma universal entre 9 e 11 anos (FORTE, MODERADA), e a partir dos 2 anos quando há fatores de risco.8 Já a apolipoproteína B aparece como meta secundária, sobretudo quando LDL e não-HDL já estão controlados — não como triagem de entrada.
O painel de rotina existe — depois do diagnóstico
Há um lugar onde a lista fixa de exames anuais é oficial no Brasil, e não é o check-up de quem está bem. As Diretrizes Brasileiras de Hipertensão Arterial – 2020, feitas em conjunto pela SBC, pela Sociedade Brasileira de Hipertensão e pela Sociedade Brasileira de Nefrologia, definem exames complementares de rotina "obrigatórios para todos os pacientes, pelo menos na primeira consulta e anualmente" — para pacientes hipertensos.9 São eles: análise de urina, potássio plasmático, creatinina, glicemia de jejum e HbA1c, estimativa do ritmo de filtração glomerular, colesterol total, HDL e triglicérides, ácido úrico e eletrocardiograma.9
A diferença é toda a questão. O painel anual existe — para quem já tem um diagnóstico que o justifica. Transferi-lo para quem não tem é justamente o que a SBMFC pede que não se faça.
Quando duas autoridades brasileiras discordam
Vale mostrar um caso em que as fontes nacionais não convergem, porque isso acontece e esconder não ajuda ninguém. O exemplo não é de sangue, mas é o mais documentado do país.
Em 27 de janeiro de 2025, a Comissão Nacional de Mamografia — Colégio Brasileiro de Radiologia (CBR), Sociedade Brasileira de Mastologia (SBM) e FEBRASGO — reafirmou o rastreamento mamográfico anual dos 40 aos 74 anos, e individualizado a partir dos 75. Ela argumenta que 40% das brasileiras diagnosticadas com câncer de mama têm menos de 50 anos e 20% têm mais de 69.10
Em 29 de setembro de 2025, o Ministério da Saúde publicou a Nota Técnica nº 626/2025-CGCAN/DECAN/SAES/MS, assinada também pelo INCA, orientando o rastreamento populacional no SUS para mulheres de 50 a 74 anos, com periodicidade bienal, alinhado ao Código Latino-Americano e Caribenho contra o Câncer. A mesma nota registra que o SUS não restringe o acesso de mulheres de 40 a 49 anos e acima de 74 que desejem o exame, desde que orientadas sobre riscos e benefícios.11
Dois detalhes importam para quem for conferir. Primeiro: essa nota revogou o que veio antes — ela determina "tornadas sem efeito todas as recomendações anteriores que contenham orientações distintas".11 O posicionamento do INCA de janeiro de 2025, que falava em 50 a 69 anos, ainda circula pela internet e já não é a orientação em vigor.12 Segundo: as duas posições de 2025 são de instituições brasileiras sérias, com o mesmo exame e conclusões diferentes. Quando isso ocorre, a saída não é escolher uma e apagar a outra, é levar as duas ao médico que conhece a sua história.
Quanto custa no SUS — e por que "check-up" não existe na tabela
A tabela SIGTAP do Ministério da Saúde, competência 08/2026, foi lida linha a linha para esta página (5.023 linhas, decodificação latin-1, colunas fixas; o parser foi conferido contra dois valores conhecidos, hemograma completo R$ 4,11 e ferritina R$ 15,59).13
A primeira constatação é uma ausência. As palavras "check-up", "rotina", "lipidograma" e "perfil lipídico" rendem zero ocorrência em 5.023 linhas. Não existe pacote: o SUS paga exame por exame, e o nome comercial que agrupa a bateria simplesmente não faz parte do vocabulário oficial.13
O núcleo que a SBMFC aponta como mais frequentemente justificado depois dos 40 anos custa isto:
| Exame | Código | Valor SUS |
|---|---|---|
| Dosagem de glicose | 0202010473 | R$ 1,85 |
| Colesterol total | 0202010295 | R$ 1,85 |
| Colesterol HDL | 0202010279 | R$ 3,51 |
| Colesterol LDL | 0202010287 | R$ 3,51 |
| Triglicerídeos | 0202010678 | R$ 3,51 |
| Total | 5 códigos | R$ 14,23 |
A bateria que se vende como check-up completo acrescenta a esse núcleo mais quatorze códigos — hemograma (R$ 4,11), creatinina (R$ 1,85), ureia (R$ 1,85), TGO (R$ 2,01), TGP (R$ 2,01), gama-GT (R$ 3,51), ácido úrico (R$ 1,85), TSH (R$ 8,96), hemoglobina glicosilada (R$ 7,86), 25-hidroxivitamina D (R$ 15,24), vitamina B12 (R$ 15,24), ferritina (R$ 15,59), PSA (R$ 16,42) e análise de urina (R$ 3,70) — somando R$ 100,20. O conjunto inteiro sai por R$ 114,43.13
O número que mais diz alguma coisa está dentro dessa conta: vitamina D e vitamina B12 juntas custam R$ 30,48, mais que o dobro de todo o núcleo com indicação de rastreamento. São dois exames que raramente mudam a conduta em adulto assintomático e que respondem por mais de um quarto do preço da bateria. Como observação de mercado, e não como recomendação de ninguém: no setor privado esses pacotes são vendidos por valores de outra ordem de grandeza; nosso guia sobre quanto custa um exame de sangue reúne o que é possível medir sobre isso.
Um exame desnecessário não é neutro
É tentador pensar que pedir "um a mais" não custa nada além do preço. Custa.
O primeiro custo é a cascata. Numa pesquisa nacional com internistas norte-americanos — 991 convidados, 376 respostas ponderadas para representatividade nacional —, 99,4% relataram já ter vivido cascatas de investigação a partir de um achado incidental. Elas causaram dano psicológico ao paciente em 68,4% dos relatos e carga financeira em 57,5%. E, sobre a cascata mais recente de cada médico, 33,7% consideraram que o exame que revelou o achado talvez não fosse clinicamente apropriado, enquanto 53,2% disseram que, até onde sabiam, não existia diretriz para conduzir o seguimento.14 Um exame pedido "por via das dúvidas" pode iniciar uma investigação que ninguém sabe onde termina.
O segundo custo é o sobrediagnóstico. O Brasil aparece, ao lado de Turquia, Costa Rica e Equador, entre os países de renda média com as maiores taxas de incidência de câncer de tireoide — acima de 25 casos por 100 mil mulheres —, num estudo que analisou 599.851 casos em 55 países; a incidência nacional varia até 50 vezes entre países sem que a mortalidade acompanhe.15 Encontrar mais não é o mesmo que salvar mais. É por isso que marcadores tumorais não são exames de check-up, e que os exames da tireoide pedidos em bloco tendem a gerar mais perguntas do que respostas.
O terceiro custo é o desperdício mensurável. Num estudo brasileiro com prontuários de 293 pacientes com hipertensão e diabetes, em três níveis de atenção de uma cidade do Sudeste, 5,97% dos 9.522 exames laboratoriais identificados foram classificados como desnecessários — em boa parte por falta de integração entre os níveis de cuidado, isto é, exames repetidos porque ninguém viu o resultado anterior.16 Uma revisão internacional dos estudos mais relevantes sobre uso excessivo registra, na mesma linha, que o monitoramento lipídico raramente muda a conduta.17
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Perguntas frequentes
Então eu não devo fazer nenhum exame de rotina? Não é isso. A SBMFC não diz "não faça exames"; diz que não existe um conjunto fixo para toda a população numa periodicidade pré-determinada, e que a escolha deve ser individualizada numa conversa com um médico generalista.1 A diferença é entre um pacote comprado e uma indicação.
Com que frequência devo repetir, se estiver tudo normal? Depende do exame e do seu risco. Para o rastreamento de diabetes com exames normais e baixo risco, a SBD recomenda reavaliar em três anos.6 Para hipertensos já diagnosticados, a diretriz de 2020 prevê o painel anual.9 "Todo ano para todo mundo" não é a recomendação de nenhuma das duas.
Preciso estar em jejum? Para a avaliação lipídica inicial, a diretriz de 2025 aceita coleta sem jejum.8 Outros exames têm exigências próprias — o guia sobre jejum para exame de sangue detalha cada caso, e o de coleta de sangue explica o que acontece na hora.
Devo pedir vitamina D no check-up? A recomendação brasileira, na lista da SBMFC, é não solicitar em adultos de baixo risco: não há evidência de que o exame de rotina previna fraturas ou outras consequências da osteoporose.1 Isso não vale para quem tem indicação clínica específica — quem define é o seu médico. Veja o guia de vitamina D e o de perfil vitamínico.
E o PSA, se eu quiser fazer mesmo assim? A SBMFC recomenda não fazer PSA de rotina como rastreamento populacional, e acrescenta que, "como qualquer ação preventiva, pode ser individualizada".1 Ou seja, a porta não está fechada: ela exige uma conversa sobre falsos positivos e sobrediagnóstico antes do pedido. O guia do PSA traz os números.
Meu resultado veio pouco fora da faixa. O que faço? Leve ao médico que pediu, com o resultado anterior junto. Um valor isolado à beira do limite é o gatilho clássico de cascata,14 e a página resultado de exame de sangue explica por que a faixa impressa no laudo vale mais que qualquer tabela genérica.
Qual exame de rotina tem mais valor por real gasto? Nenhum exame de sangue. A medida da pressão arterial, que não custa reagente nenhum, deve ser feita em toda avaliação por profissional de saúde treinado — é o primeiro passo da diretriz brasileira de hipertensão.9
O SUS paga esses exames? Paga, individualmente. O núcleo de glicemia mais perfil lipídico sai por R$ 14,23 na tabela SIGTAP; a bateria ampliada, por R$ 114,43.13 O que não existe na tabela é um procedimento chamado check-up.
Para lembrar
A pergunta que traz o leitor até aqui é "quais exames eu devo fazer". A resposta das fontes brasileiras é que a pergunta certa tem duas variáveis a mais: quais exames, para quem e de quanto em quanto tempo. Glicemia a partir dos 35 anos, com reavaliação em três anos se estiver tudo bem e o risco for baixo. Perfil lipídico dentro de um cálculo de risco, aceitável sem jejum. Lipoproteína(a) uma vez na vida. Vitamina D e PSA fora da rotina em quem é de baixo risco. E, acima de tudo, uma conversa que precede o pedido, em vez de um pacote que a substitui. Um exame a mais não é um cuidado a mais: ele pode abrir uma investigação que ninguém sabe encerrar. Se você já tem resultados na mão e quer entendê-los antes da consulta — ver o que mudou desde a última coleta, o que cada linha significa —, o AI DiagMe organiza seus laudos e explica cada valor em linguagem clara, como complemento à avaliação do seu médico, nunca no lugar dela.
Fontes
Fontes institucionais brasileiras e publicações científicas (PubMed) usadas neste guia:
Footnotes
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Sociedade Brasileira de Medicina de Família e Comunidade (SBMFC) — Choosing Wisely: a iniciativa da SBMFC, publicado em 30 de maio de 2017. Fonte das cinco recomendações clínicas da SBMFC na Choosing Wisely Brasil, citadas verbatim nesta página, incluindo a recomendação nº 4 ("Não há um conjunto de exames de sangue que devem ser solicitados de rotina para toda a população com uma periodicidade pré-determinada"), a nº 3 sobre vitamina D em adultos de baixo risco e a nº 1 sobre PSA e toque retal. A página descreve também o método: 25 recomendações levantadas a partir das iniciativas de medicina de família do Canadá, EUA, Austrália e Inglaterra, votadas pelos sócios em junho de 2016. sbmfc.org.br ↩ ↩2 ↩3 ↩4 ↩5 ↩6
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Krogsbøll LT, Jørgensen KJ, Gøtzsche PC. General health checks in adults for reducing morbidity and mortality from disease. Cochrane Database Syst Rev. 2019;1(1):CD009009 (17 ensaios randomizados, 15 com dados de desfecho, 251.891 participantes; mortalidade total RR 1,00, IC 95% 0,97-1,03, em 11 ensaios, 233.298 participantes e 21.535 óbitos, certeza alta; conclusão dos autores: "General health checks are unlikely to be beneficial"). Revisão internacional. PubMed · DOI ↩
-
Choosing Wisely Brasil — página inicial. Fonte da autodefinição da campanha ("Somos um braço no Brasil de campanha multinacional para engajar e ajudar médicos e pacientes em diálogos sobre excessos diagnósticos e terapêuticos"). O acervo reúne listas de sociedades profissionais reconhecidas pela Comissão Mista de Especialidades. choosingwisely.com.br ↩
-
Choosing Wisely Brasil — Regimento interno. Fonte da regra de conflito de interesse: coordenadores gerais devem estar livres de conflitos significativos, financeiros e não financeiros, com fontes pagadoras (governo, operadoras) e com a indústria farmacêutica, por pelo menos cinco anos antes do ingresso na função (dois anos para coordenadores de grupo de trabalho). choosingwisely.com.br ↩
-
Dora JM, Biscolla RPM, Caldas G, et al., em nome do Departamento de Tireoide da Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia. Choosing Wisely for Thyroid Conditions: Recommendations of the Thyroid Department of the Brazilian Society of Endocrinology and Metabolism. Arch Endocrinol Metab. 2021;65(2):248-252 (task force de 14 tireoidologistas de 10 instituições brasileiras; 69 propostas iniciais, 35 após remoção de duplicatas, 10 submetidas a 683 associados). ⚠️ Verificado no texto integral: a lista final não contém recomendação contra o TSH em assintomáticos. PubMed · DOI ↩
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Sociedade Brasileira de Diabetes — Diagnóstico de diabetes mellitus, capítulo da Diretriz da Sociedade Brasileira de Diabetes, Ed. 2026; última revisão em 09/07/2024. Fonte das recomendações R6 (rastreamento a partir de 35 anos, ou adultos com sobrepeso/obesidade e ao menos um fator de risco, ou FINDRISC alto/muito alto — Classe I, Nível B), R7 (glicemia de jejum e/ou HbA1c como primeiros testes — Classe I, Nível C), R11 a R14 (reavaliação em 3 anos, 12 meses, 12 meses e 6 meses conforme o perfil) e do NNR de 80 na faixa 30-34 anos contra 31 na faixa 35-39. diretriz.diabetes.org.br · DOI ↩ ↩2 ↩3 ↩4 ↩5 ↩6
-
Simmons RK, Echouffo-Tcheugui JB, Sharp SJ, et al. Screening for type 2 diabetes and population mortality over 10 years (ADDITION-Cambridge): a cluster-randomised controlled trial. Lancet. 2012;380(9855):1741-8 (33 clínicas de atenção primária no leste da Inglaterra, 20.184 indivíduos de 40 a 69 anos em alto risco; mediana de seguimento 9,6 anos; mortalidade total HR 1,06, IC 95% 0,90-1,25). Ensaio britânico, citado como referência internacional sobre os limites do rastreamento. PubMed · DOI ↩
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Rached FH, Miname MH, Rocha VZ, et al. Diretriz Brasileira de Dislipidemias e Prevenção da Aterosclerose – 2025. Arq Bras Cardiol. 2025;122(9):e20250640. Realização: Sociedade Brasileira de Cardiologia. Fonte da aceitação da coleta sem jejum na avaliação inicial (recomendação FORTE, certeza MODERADA) e da recoleta em jejum de 12 horas se triglicérides > 440 mg/dL; da mensagem-chave nº 2 (dosagem de Lp(a) uma vez na vida em todos os adultos); da adoção do escore PREVENT para adultos de 30 a 79 anos sem DCVA conhecida; dos valores referenciais para adultos > 20 anos; e das recomendações pediátricas (perfil lipídico universal entre 9 e 11 anos; a partir dos 2 anos com fatores de risco). PDF · DOI ↩ ↩2 ↩3 ↩4 ↩5 ↩6
-
Barroso WKS, Rodrigues CIS, Bortolotto LA, et al. Diretrizes Brasileiras de Hipertensão Arterial – 2020. Arq Bras Cardiol. 2021;116(3):516-658. Realização conjunta do Departamento de Hipertensão Arterial da SBC, da Sociedade Brasileira de Hipertensão e da Sociedade Brasileira de Nefrologia. Fonte do Quadro 4.4 ("Exames complementares de rotina": análise de urina, potássio plasmático, creatinina, glicemia de jejum e HbA1c, estimativa do ritmo de filtração glomerular, colesterol total/HDL/triglicérides, ácido úrico e eletrocardiograma) e da frase que os torna "obrigatórios para todos os pacientes, pelo menos na primeira consulta e anualmente" — no contexto do paciente hipertenso, não da população geral. PDF · DOI ↩ ↩2 ↩3 ↩4
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Comissão Nacional de Mamografia (Colégio Brasileiro de Radiologia e Diagnóstico por Imagem, Sociedade Brasileira de Mastologia e FEBRASGO) — Nota técnica sobre o rastreamento do câncer de mama no Brasil, São Paulo, 27 de janeiro de 2025. Fonte da recomendação de rastreamento mamográfico anual dos 40 aos 74 anos, individualizado a partir dos 75, e dos dados nacionais citados (40% das diagnosticadas abaixo dos 50 anos, 20% acima dos 69). Posição de sociedades de especialidade, divergente da do Ministério da Saúde, apresentada aqui lado a lado e atribuída. PDF ↩
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Ministério da Saúde / Secretaria de Atenção Especializada à Saúde — Nota Técnica nº 626/2025-CGCAN/DECAN/SAES/MS, publicada em 29 de setembro de 2025, assinada por CGCAN, DECAN, INCA e SAES/MS (SEI 25000.164008/2025-91). Fonte do rastreamento mamográfico populacional no SUS "em mulheres na faixa etária entre 50 e 74 anos, com periodicidade bienal", do não impedimento de acesso a mulheres de 40 a 49 anos e acima de 74 mediante orientação sobre riscos e benefícios, e da cláusula que torna "sem efeito todas as recomendações anteriores que contenham orientações distintas". PDF ↩ ↩2
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INCA — Posicionamento do INCA sobre faixa etária para rastreamento do câncer de mama, publicado em 27/01/2025, recomendando 50 a 69 anos a cada dois anos. Citado aqui como documento superado: a Nota Técnica nº 626/2025 do Ministério da Saúde tornou sem efeito as orientações anteriores divergentes. Registrado porque o texto continua acessível e amplamente reproduzido. inca.gov.br ↩
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Ministério da Saúde / DATASUS — SIGTAP, Sistema de Gerenciamento da Tabela de Procedimentos, Medicamentos e OPM do SUS, tabela
tb_procedimento, competência 08/2026 (1.697.774 bytes, 5.023 linhas, campo DT_COMPETENCIA conferido em todas as linhas). Leitura direta em colunas fixas, decodificação latin-1, campo VL_SA [295-306]; parser validado contra hemograma completo 0202020380 (R$ 4,11) e dosagem de ferritina 0202010384 (R$ 15,59). Códigos citados: glicose 0202010473 (R$ 1,85), colesterol total 0202010295 (R$ 1,85), colesterol HDL 0202010279 (R$ 3,51), colesterol LDL 0202010287 (R$ 3,51), triglicerídeos 0202010678 (R$ 3,51), creatinina 0202010317 (R$ 1,85), ureia 0202010694 (R$ 1,85), TGO 0202010643 (R$ 2,01), TGP 0202010651 (R$ 2,01), gama-glutamil-transferase 0202010465 (R$ 3,51), ácido úrico 0202010120 (R$ 1,85), TSH 0202060250 (R$ 8,96), hemoglobina glicosilada 0202010503 (R$ 7,86), 25-hidroxivitamina D 0202010767 (R$ 15,24), vitamina B12 0202010708 (R$ 15,24), PSA 0202030105 (R$ 16,42), análise de caracteres físicos, elementos e sedimento da urina 0202050017 (R$ 3,70). Somas verificadas: núcleo de 5 códigos R$ 14,23; acréscimo de 14 códigos R$ 100,20; total R$ 114,43. Ausências verificadas: "CHECK", "ROTINA", "LIPIDOGRAMA" e "PERFIL LIPID" rendem zero ocorrência nas 5.023 linhas. sigtap.datasus.gov.br ↩ ↩2 ↩3 ↩4 -
Ganguli I, Simpkin AL, Lupo C, et al. Cascades of Care After Incidental Findings in a US National Survey of Physicians. JAMA Netw Open. 2019;2(10):e1913325 (991 internistas convidados, 376 respostas completas, taxa de resposta 44,7%, ponderadas para representatividade nacional; 99,4% relataram cascatas; dano psicológico 68,4%, carga financeira 57,5%; 33,7% consideraram inapropriado o exame que originou a cascata mais recente; 53,2% desconheciam diretriz para o seguimento). Estudo norte-americano. PubMed · DOI ↩ ↩2
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Lortet-Tieulent J, Franceschi S, Dal Maso L, Vaccarella S. Thyroid cancer "epidemic" also occurs in low- and middle-income countries. Int J Cancer. 2019;144(9):2082-2087 (599.851 casos de câncer de tireoide em pessoas de 20 a 74 anos, 55 países, 2008-2012; variação de 50 vezes nas taxas nacionais; Brasil entre os países de renda média com taxas acima de 25 casos por 100 mil mulheres). Estudo internacional que inclui o Brasil. PubMed · DOI ↩
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Arena TR, Jericó MC, de Castro LC, Castilho V, Lima AF. Gastos com exames complementares desnecessários para hipertensão e diabetes em serviços de saúde. Rev Gaúcha Enferm. 2014;35(4):86-93 (293 prontuários em três níveis de atenção de um município do Sudeste brasileiro, 2006-2009; 9.522 exames laboratoriais identificados, 5,97% classificados como desnecessários). Estudo brasileiro. PubMed · DOI ↩
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Morgan DJ, Dhruva SS, Coon ER, Wright SM, Korenstein D. 2018 Update on Medical Overuse. JAMA Intern Med. 2019;179(2):240-246 (1.446 artigos triados, 910 sobre uso excessivo, 111 mais relevantes, 10 selecionados; entre os achados, o monitoramento lipídico raramente altera a conduta). Revisão internacional. PubMed · DOI ↩