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Exames de rotina e check-up: o que vale a pena

Não existe no Brasil um painel de sangue de rotina para todo mundo. A SBMFC recomenda não pedir exame anual sem risco individual — veja o que sobra.

Publicado em 9 de setembro de 202616 min de leituraEscrito pela Equipe Blood Analysis · Revisado e verificado por Julien Priour

Quase todo mundo já ouviu que "depois dos 40 tem que fazer os exames todo ano". A frase circula em consultório, em plano de saúde e em campanha de laboratório, e soa como uma recomendação oficial. Ela não é. Esta página trata dos exames de sangue feitos em pessoas sem sintomas — o que costuma se chamar de check-up. Sob a expressão "exames de rotina" cabem também mamografia, papanicolau e eletrocardiograma; eles aparecem aqui apenas quando ajudam a entender a lógica, porque o assunto central é o que se dosa no sangue.

E a resposta honesta das fontes brasileiras é desconfortável: é menos do que se imagina. Não porque a prevenção não valha nada — vale muito —, mas porque as sociedades médicas do país escreveram, com nome e data, quais exames têm indicação de rastreamento e quais viraram hábito sem evidência. Este guia reúne o que elas dizem, quanto isso custa no SUS e por que um exame desnecessário não é neutro.

Em resumo

  • Não existe um painel único de rotina recomendado para toda a população brasileira. Os exames e a periodicidade se escolhem por idade, sexo e fatores de risco.
  • A SBMFC (medicina de família) publicou, no Choosing Wisely Brasil, a recomendação de não solicitar exame de sangue anual de rotina, exceto se indicado pelo risco individual.
  • Os dois exames que ela cita como mais frequentemente justificados depois dos 40 anos são glicemia de jejum e perfil lipídico.
  • A SBD recomenda rastrear diabetes a partir dos 35 anos — e, se tudo estiver normal e o risco for baixo, repetir só depois de três anos.
  • Vitamina D em adulto de baixo risco e PSA de rotina estão explicitamente na lista brasileira do que não pedir.
  • No SUS, o núcleo com indicação de rastreamento custa R$ 14,23; a bateria completa que se vende como check-up passa de R$ 114.

Não existe um painel de rotina universal

A afirmação mais útil desta página não é nossa: está escrita, desde 30 de maio de 2017, no site da Sociedade Brasileira de Medicina de Família e Comunidade (SBMFC). É a quarta das cinco recomendações que a entidade levou ao Choosing Wisely Brasil, e o texto é direto: "Não há um conjunto de exames de sangue que devem ser solicitados de rotina para toda a população com uma periodicidade pré-determinada (por exemplo, anualmente). Os exames e a periodicidade devem ser individualizados e os mais frequentemente incluídos são glicemia de jejum e perfil lipídico (colesterol) após os 40 anos."1

A mesma recomendação encerra com uma frase que vale reler: "Os ensaios clínicos randomizados não demonstraram benefício dos check ups anuais pré-estabelecidos."1 Não é retórica. Uma revisão Cochrane reuniu 17 ensaios randomizados, dos quais 15 com dados de desfecho, somando 251.891 participantes, e comparou pessoas convidadas a fazer check-ups gerais com pessoas não convidadas. Sobre a mortalidade total, o risco relativo foi de 1,00 (IC 95% 0,97–1,03), em 11 ensaios, 233.298 pessoas e 21.535 óbitos, com certeza alta da evidência. A conclusão dos autores cabe em cinco palavras: "General health checks are unlikely to be beneficial" — é improvável que os check-ups gerais tragam benefício.2

Isso não significa que nenhum exame preventivo funcione. Significa que o pacote não é a unidade certa: o que funciona são rastreamentos específicos, com idade e critério definidos, cada um estudado por si.

Choosing Wisely Brasil: uma lista do que não pedir

A Choosing Wisely Brasil (CWB) se define como "um braço no Brasil de campanha multinacional para engajar e ajudar médicos e pacientes em diálogos sobre excessos diagnósticos e terapêuticos".3 Ela reúne listas produzidas por sociedades de especialidade, e seu regimento interno impõe uma regra que explica muito da sua utilidade: os coordenadores gerais devem estar livres de conflito de interesse significativo com fontes pagadoras — governo, operadoras de saúde — e com a indústria farmacêutica, por pelo menos cinco anos antes de assumir a função.4 Uma lista de exames a não pedir só tem valor se quem a escreve não ganha com o exame.

As cinco recomendações da SBMFC merecem ser lidas inteiras, porque três delas são laboratoriais:1

  1. Não fazer de rotina PSA ou toque retal para rastrear câncer de próstata — "os falsos positivos, falsos negativos e sobrediagnósticos sobrepõem-se aos benefícios".
  2. Não prescrever inibidor de bomba de prótons continuamente.
  3. Não solicitar exame de vitamina D em adultos de baixo risco.
  4. Não solicitar exame de sangue anual de rotina, exceto se indicado pelo risco individual.
  5. Não prescrever antibióticos para infecções respiratórias altas de alta probabilidade viral.

O Departamento de Tireoide da Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia (SBEM) publicou sua própria lista pelo mesmo processo: 14 especialistas de 10 instituições brasileiras geraram 69 propostas, reduzidas a 35, e as 10 melhores foram votadas por 683 associados. As cinco finais desaconselham dosar T3 reverso para avaliar função tireoidiana, prescrever T3 no hipotireoidismo, repetir anticorpos anti-TPO e antitireoglobulina em quem já os tem positivos, pedir tireoglobulina na avaliação inicial de nódulo e usar marcadores moleculares nessa mesma etapa.5 Vale registrar o que essa lista não diz: ela não desaconselha o TSH em pessoas assintomáticas. Quem procurar aqui uma condenação brasileira do TSH de rotina não vai encontrar — o alvo da SBEM são os exames tireoidianos ao redor do TSH, não ele.

Glicemia: o Brasil rastreia a partir dos 35 anos

A Sociedade Brasileira de Diabetes (SBD) é a fonte mais precisa do país sobre periodicidade, e é onde o hábito do "todo ano" se desmancha. Sua recomendação R6 (Classe I, Nível B) indica rastrear diabetes tipo 2 em todos os indivíduos com 35 anos ou mais, e também em adultos com sobrepeso ou obesidade que tenham ao menos um fator de risco adicional, ou escore FINDRISC alto ou muito alto.6 Antes dessa edição, o corte era 45 anos. O argumento é quantitativo: o número de pessoas que é preciso rastrear para encontrar um caso cai de 80, na faixa de 30 a 34 anos, para 31 na faixa de 35 a 39.6

Quais exames? A R7 (Classe I, Nível C) recomenda glicemia de jejum e/ou hemoglobina glicada como primeiros testes, "com base na disponibilidade local".6

E com que frequência? Aqui está o ponto que quase nunca chega ao paciente. Depois de um rastreamento inicial normal, a SBD escalona:6

SituaçãoReavaliar em
Exames normais, menos de 3 fatores de risco ou FINDRISC baixo/moderado (R11)3 anos
Exames normais, 3 ou mais fatores de risco ou FINDRISC alto/muito alto (R12)12 meses
Pré-diabetes (R13)12 meses
Um único exame com critério para diabetes, os demais normais (R14)6 meses

Três anos. Para a maior parte dos adultos de baixo risco, essa é a periodicidade que a sociedade brasileira de especialidade escreveu — não doze meses. O intervalo, ela mesma diz, vem de opinião de especialistas, não de ensaio clínico.6 Convém também não superestimar o que o rastreamento entrega: no ensaio ADDITION-Cambridge, 20.184 pessoas de 40 a 69 anos em alto risco foram acompanhadas por uma mediana de 9,6 anos, e o convite ao rastreamento não reduziu a mortalidade total (HR 1,06; IC 95% 0,90–1,25).7 Rastrear diabetes é justificável pelo controle da doença encontrada, não por uma promessa de longevidade.

Colesterol: o que a diretriz brasileira de 2025 mudou

A Diretriz Brasileira de Dislipidemias e Prevenção da Aterosclerose – 2025, da Sociedade Brasileira de Cardiologia, trouxe três mudanças que afetam diretamente quem lê um resultado de rotina.8

A primeira é o jejum. Para a avaliação inicial, a diretriz considera aceitável colher a amostra sem jejum (recomendação FORTE, certeza MODERADA), reservando a coleta em jejum de 12 horas para quando os triglicérides vierem acima de 440 mg/dL sem jejum. Colesterol total, HDL, LDL e não-HDL, ela registra, não sofrem influência do estado alimentar.8 Nosso guia sobre o jejum para exame de sangue detalha as exceções.

A segunda é a lipoproteína(a): entre as dez mensagens-chave da diretriz está a dosagem uma única vez na vida em todos os adultos, para identificar risco residual elevado.8 É um caso raro de exame que a diretriz brasileira quer que seja mais pedido — e uma vez só.

A terceira é o escore PREVENT, adotado como ferramenta preferencial de estratificação de risco em adultos de 30 a 79 anos sem doença cardiovascular estabelecida.8 Ou seja: o lipidograma não é um número a ser contemplado isoladamente, é uma entrada num cálculo de risco. Na infância, a diretriz é mais categórica que no adulto: perfil lipídico completo de forma universal entre 9 e 11 anos (FORTE, MODERADA), e a partir dos 2 anos quando há fatores de risco.8 Já a apolipoproteína B aparece como meta secundária, sobretudo quando LDL e não-HDL já estão controlados — não como triagem de entrada.

O painel de rotina existe — depois do diagnóstico

Há um lugar onde a lista fixa de exames anuais é oficial no Brasil, e não é o check-up de quem está bem. As Diretrizes Brasileiras de Hipertensão Arterial – 2020, feitas em conjunto pela SBC, pela Sociedade Brasileira de Hipertensão e pela Sociedade Brasileira de Nefrologia, definem exames complementares de rotina "obrigatórios para todos os pacientes, pelo menos na primeira consulta e anualmente" — para pacientes hipertensos.9 São eles: análise de urina, potássio plasmático, creatinina, glicemia de jejum e HbA1c, estimativa do ritmo de filtração glomerular, colesterol total, HDL e triglicérides, ácido úrico e eletrocardiograma.9

A diferença é toda a questão. O painel anual existe — para quem já tem um diagnóstico que o justifica. Transferi-lo para quem não tem é justamente o que a SBMFC pede que não se faça.

Quando duas autoridades brasileiras discordam

Vale mostrar um caso em que as fontes nacionais não convergem, porque isso acontece e esconder não ajuda ninguém. O exemplo não é de sangue, mas é o mais documentado do país.

Em 27 de janeiro de 2025, a Comissão Nacional de Mamografia — Colégio Brasileiro de Radiologia (CBR), Sociedade Brasileira de Mastologia (SBM) e FEBRASGO — reafirmou o rastreamento mamográfico anual dos 40 aos 74 anos, e individualizado a partir dos 75. Ela argumenta que 40% das brasileiras diagnosticadas com câncer de mama têm menos de 50 anos e 20% têm mais de 69.10

Em 29 de setembro de 2025, o Ministério da Saúde publicou a Nota Técnica nº 626/2025-CGCAN/DECAN/SAES/MS, assinada também pelo INCA, orientando o rastreamento populacional no SUS para mulheres de 50 a 74 anos, com periodicidade bienal, alinhado ao Código Latino-Americano e Caribenho contra o Câncer. A mesma nota registra que o SUS não restringe o acesso de mulheres de 40 a 49 anos e acima de 74 que desejem o exame, desde que orientadas sobre riscos e benefícios.11

Dois detalhes importam para quem for conferir. Primeiro: essa nota revogou o que veio antes — ela determina "tornadas sem efeito todas as recomendações anteriores que contenham orientações distintas".11 O posicionamento do INCA de janeiro de 2025, que falava em 50 a 69 anos, ainda circula pela internet e já não é a orientação em vigor.12 Segundo: as duas posições de 2025 são de instituições brasileiras sérias, com o mesmo exame e conclusões diferentes. Quando isso ocorre, a saída não é escolher uma e apagar a outra, é levar as duas ao médico que conhece a sua história.

Quanto custa no SUS — e por que "check-up" não existe na tabela

A tabela SIGTAP do Ministério da Saúde, competência 08/2026, foi lida linha a linha para esta página (5.023 linhas, decodificação latin-1, colunas fixas; o parser foi conferido contra dois valores conhecidos, hemograma completo R$ 4,11 e ferritina R$ 15,59).13

A primeira constatação é uma ausência. As palavras "check-up", "rotina", "lipidograma" e "perfil lipídico" rendem zero ocorrência em 5.023 linhas. Não existe pacote: o SUS paga exame por exame, e o nome comercial que agrupa a bateria simplesmente não faz parte do vocabulário oficial.13

O núcleo que a SBMFC aponta como mais frequentemente justificado depois dos 40 anos custa isto:

ExameCódigoValor SUS
Dosagem de glicose0202010473R$ 1,85
Colesterol total0202010295R$ 1,85
Colesterol HDL0202010279R$ 3,51
Colesterol LDL0202010287R$ 3,51
Triglicerídeos0202010678R$ 3,51
Total5 códigosR$ 14,23

A bateria que se vende como check-up completo acrescenta a esse núcleo mais quatorze códigos — hemograma (R$ 4,11), creatinina (R$ 1,85), ureia (R$ 1,85), TGO (R$ 2,01), TGP (R$ 2,01), gama-GT (R$ 3,51), ácido úrico (R$ 1,85), TSH (R$ 8,96), hemoglobina glicosilada (R$ 7,86), 25-hidroxivitamina D (R$ 15,24), vitamina B12 (R$ 15,24), ferritina (R$ 15,59), PSA (R$ 16,42) e análise de urina (R$ 3,70) — somando R$ 100,20. O conjunto inteiro sai por R$ 114,43.13

O número que mais diz alguma coisa está dentro dessa conta: vitamina D e vitamina B12 juntas custam R$ 30,48, mais que o dobro de todo o núcleo com indicação de rastreamento. São dois exames que raramente mudam a conduta em adulto assintomático e que respondem por mais de um quarto do preço da bateria. Como observação de mercado, e não como recomendação de ninguém: no setor privado esses pacotes são vendidos por valores de outra ordem de grandeza; nosso guia sobre quanto custa um exame de sangue reúne o que é possível medir sobre isso.

Um exame desnecessário não é neutro

É tentador pensar que pedir "um a mais" não custa nada além do preço. Custa.

O primeiro custo é a cascata. Numa pesquisa nacional com internistas norte-americanos — 991 convidados, 376 respostas ponderadas para representatividade nacional —, 99,4% relataram já ter vivido cascatas de investigação a partir de um achado incidental. Elas causaram dano psicológico ao paciente em 68,4% dos relatos e carga financeira em 57,5%. E, sobre a cascata mais recente de cada médico, 33,7% consideraram que o exame que revelou o achado talvez não fosse clinicamente apropriado, enquanto 53,2% disseram que, até onde sabiam, não existia diretriz para conduzir o seguimento.14 Um exame pedido "por via das dúvidas" pode iniciar uma investigação que ninguém sabe onde termina.

O segundo custo é o sobrediagnóstico. O Brasil aparece, ao lado de Turquia, Costa Rica e Equador, entre os países de renda média com as maiores taxas de incidência de câncer de tireoide — acima de 25 casos por 100 mil mulheres —, num estudo que analisou 599.851 casos em 55 países; a incidência nacional varia até 50 vezes entre países sem que a mortalidade acompanhe.15 Encontrar mais não é o mesmo que salvar mais. É por isso que marcadores tumorais não são exames de check-up, e que os exames da tireoide pedidos em bloco tendem a gerar mais perguntas do que respostas.

O terceiro custo é o desperdício mensurável. Num estudo brasileiro com prontuários de 293 pacientes com hipertensão e diabetes, em três níveis de atenção de uma cidade do Sudeste, 5,97% dos 9.522 exames laboratoriais identificados foram classificados como desnecessários — em boa parte por falta de integração entre os níveis de cuidado, isto é, exames repetidos porque ninguém viu o resultado anterior.16 Uma revisão internacional dos estudos mais relevantes sobre uso excessivo registra, na mesma linha, que o monitoramento lipídico raramente muda a conduta.17

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Perguntas frequentes

Então eu não devo fazer nenhum exame de rotina? Não é isso. A SBMFC não diz "não faça exames"; diz que não existe um conjunto fixo para toda a população numa periodicidade pré-determinada, e que a escolha deve ser individualizada numa conversa com um médico generalista.1 A diferença é entre um pacote comprado e uma indicação.

Com que frequência devo repetir, se estiver tudo normal? Depende do exame e do seu risco. Para o rastreamento de diabetes com exames normais e baixo risco, a SBD recomenda reavaliar em três anos.6 Para hipertensos já diagnosticados, a diretriz de 2020 prevê o painel anual.9 "Todo ano para todo mundo" não é a recomendação de nenhuma das duas.

Preciso estar em jejum? Para a avaliação lipídica inicial, a diretriz de 2025 aceita coleta sem jejum.8 Outros exames têm exigências próprias — o guia sobre jejum para exame de sangue detalha cada caso, e o de coleta de sangue explica o que acontece na hora.

Devo pedir vitamina D no check-up? A recomendação brasileira, na lista da SBMFC, é não solicitar em adultos de baixo risco: não há evidência de que o exame de rotina previna fraturas ou outras consequências da osteoporose.1 Isso não vale para quem tem indicação clínica específica — quem define é o seu médico. Veja o guia de vitamina D e o de perfil vitamínico.

E o PSA, se eu quiser fazer mesmo assim? A SBMFC recomenda não fazer PSA de rotina como rastreamento populacional, e acrescenta que, "como qualquer ação preventiva, pode ser individualizada".1 Ou seja, a porta não está fechada: ela exige uma conversa sobre falsos positivos e sobrediagnóstico antes do pedido. O guia do PSA traz os números.

Meu resultado veio pouco fora da faixa. O que faço? Leve ao médico que pediu, com o resultado anterior junto. Um valor isolado à beira do limite é o gatilho clássico de cascata,14 e a página resultado de exame de sangue explica por que a faixa impressa no laudo vale mais que qualquer tabela genérica.

Qual exame de rotina tem mais valor por real gasto? Nenhum exame de sangue. A medida da pressão arterial, que não custa reagente nenhum, deve ser feita em toda avaliação por profissional de saúde treinado — é o primeiro passo da diretriz brasileira de hipertensão.9

O SUS paga esses exames? Paga, individualmente. O núcleo de glicemia mais perfil lipídico sai por R$ 14,23 na tabela SIGTAP; a bateria ampliada, por R$ 114,43.13 O que não existe na tabela é um procedimento chamado check-up.

Para lembrar

A pergunta que traz o leitor até aqui é "quais exames eu devo fazer". A resposta das fontes brasileiras é que a pergunta certa tem duas variáveis a mais: quais exames, para quem e de quanto em quanto tempo. Glicemia a partir dos 35 anos, com reavaliação em três anos se estiver tudo bem e o risco for baixo. Perfil lipídico dentro de um cálculo de risco, aceitável sem jejum. Lipoproteína(a) uma vez na vida. Vitamina D e PSA fora da rotina em quem é de baixo risco. E, acima de tudo, uma conversa que precede o pedido, em vez de um pacote que a substitui. Um exame a mais não é um cuidado a mais: ele pode abrir uma investigação que ninguém sabe encerrar. Se você já tem resultados na mão e quer entendê-los antes da consulta — ver o que mudou desde a última coleta, o que cada linha significa —, o AI DiagMe organiza seus laudos e explica cada valor em linguagem clara, como complemento à avaliação do seu médico, nunca no lugar dela.

Fontes

Fontes institucionais brasileiras e publicações científicas (PubMed) usadas neste guia:

Footnotes

  1. Sociedade Brasileira de Medicina de Família e Comunidade (SBMFC) — Choosing Wisely: a iniciativa da SBMFC, publicado em 30 de maio de 2017. Fonte das cinco recomendações clínicas da SBMFC na Choosing Wisely Brasil, citadas verbatim nesta página, incluindo a recomendação nº 4 ("Não há um conjunto de exames de sangue que devem ser solicitados de rotina para toda a população com uma periodicidade pré-determinada"), a nº 3 sobre vitamina D em adultos de baixo risco e a nº 1 sobre PSA e toque retal. A página descreve também o método: 25 recomendações levantadas a partir das iniciativas de medicina de família do Canadá, EUA, Austrália e Inglaterra, votadas pelos sócios em junho de 2016. sbmfc.org.br 2 3 4 5 6

  2. Krogsbøll LT, Jørgensen KJ, Gøtzsche PC. General health checks in adults for reducing morbidity and mortality from disease. Cochrane Database Syst Rev. 2019;1(1):CD009009 (17 ensaios randomizados, 15 com dados de desfecho, 251.891 participantes; mortalidade total RR 1,00, IC 95% 0,97-1,03, em 11 ensaios, 233.298 participantes e 21.535 óbitos, certeza alta; conclusão dos autores: "General health checks are unlikely to be beneficial"). Revisão internacional. PubMed · DOI

  3. Choosing Wisely Brasil — página inicial. Fonte da autodefinição da campanha ("Somos um braço no Brasil de campanha multinacional para engajar e ajudar médicos e pacientes em diálogos sobre excessos diagnósticos e terapêuticos"). O acervo reúne listas de sociedades profissionais reconhecidas pela Comissão Mista de Especialidades. choosingwisely.com.br

  4. Choosing Wisely Brasil — Regimento interno. Fonte da regra de conflito de interesse: coordenadores gerais devem estar livres de conflitos significativos, financeiros e não financeiros, com fontes pagadoras (governo, operadoras) e com a indústria farmacêutica, por pelo menos cinco anos antes do ingresso na função (dois anos para coordenadores de grupo de trabalho). choosingwisely.com.br

  5. Dora JM, Biscolla RPM, Caldas G, et al., em nome do Departamento de Tireoide da Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia. Choosing Wisely for Thyroid Conditions: Recommendations of the Thyroid Department of the Brazilian Society of Endocrinology and Metabolism. Arch Endocrinol Metab. 2021;65(2):248-252 (task force de 14 tireoidologistas de 10 instituições brasileiras; 69 propostas iniciais, 35 após remoção de duplicatas, 10 submetidas a 683 associados). ⚠️ Verificado no texto integral: a lista final não contém recomendação contra o TSH em assintomáticos. PubMed · DOI

  6. Sociedade Brasileira de Diabetes — Diagnóstico de diabetes mellitus, capítulo da Diretriz da Sociedade Brasileira de Diabetes, Ed. 2026; última revisão em 09/07/2024. Fonte das recomendações R6 (rastreamento a partir de 35 anos, ou adultos com sobrepeso/obesidade e ao menos um fator de risco, ou FINDRISC alto/muito alto — Classe I, Nível B), R7 (glicemia de jejum e/ou HbA1c como primeiros testes — Classe I, Nível C), R11 a R14 (reavaliação em 3 anos, 12 meses, 12 meses e 6 meses conforme o perfil) e do NNR de 80 na faixa 30-34 anos contra 31 na faixa 35-39. diretriz.diabetes.org.br · DOI 2 3 4 5 6

  7. Simmons RK, Echouffo-Tcheugui JB, Sharp SJ, et al. Screening for type 2 diabetes and population mortality over 10 years (ADDITION-Cambridge): a cluster-randomised controlled trial. Lancet. 2012;380(9855):1741-8 (33 clínicas de atenção primária no leste da Inglaterra, 20.184 indivíduos de 40 a 69 anos em alto risco; mediana de seguimento 9,6 anos; mortalidade total HR 1,06, IC 95% 0,90-1,25). Ensaio britânico, citado como referência internacional sobre os limites do rastreamento. PubMed · DOI

  8. Rached FH, Miname MH, Rocha VZ, et al. Diretriz Brasileira de Dislipidemias e Prevenção da Aterosclerose – 2025. Arq Bras Cardiol. 2025;122(9):e20250640. Realização: Sociedade Brasileira de Cardiologia. Fonte da aceitação da coleta sem jejum na avaliação inicial (recomendação FORTE, certeza MODERADA) e da recoleta em jejum de 12 horas se triglicérides > 440 mg/dL; da mensagem-chave nº 2 (dosagem de Lp(a) uma vez na vida em todos os adultos); da adoção do escore PREVENT para adultos de 30 a 79 anos sem DCVA conhecida; dos valores referenciais para adultos > 20 anos; e das recomendações pediátricas (perfil lipídico universal entre 9 e 11 anos; a partir dos 2 anos com fatores de risco). PDF · DOI 2 3 4 5 6

  9. Barroso WKS, Rodrigues CIS, Bortolotto LA, et al. Diretrizes Brasileiras de Hipertensão Arterial – 2020. Arq Bras Cardiol. 2021;116(3):516-658. Realização conjunta do Departamento de Hipertensão Arterial da SBC, da Sociedade Brasileira de Hipertensão e da Sociedade Brasileira de Nefrologia. Fonte do Quadro 4.4 ("Exames complementares de rotina": análise de urina, potássio plasmático, creatinina, glicemia de jejum e HbA1c, estimativa do ritmo de filtração glomerular, colesterol total/HDL/triglicérides, ácido úrico e eletrocardiograma) e da frase que os torna "obrigatórios para todos os pacientes, pelo menos na primeira consulta e anualmente" — no contexto do paciente hipertenso, não da população geral. PDF · DOI 2 3 4

  10. Comissão Nacional de Mamografia (Colégio Brasileiro de Radiologia e Diagnóstico por Imagem, Sociedade Brasileira de Mastologia e FEBRASGO) — Nota técnica sobre o rastreamento do câncer de mama no Brasil, São Paulo, 27 de janeiro de 2025. Fonte da recomendação de rastreamento mamográfico anual dos 40 aos 74 anos, individualizado a partir dos 75, e dos dados nacionais citados (40% das diagnosticadas abaixo dos 50 anos, 20% acima dos 69). Posição de sociedades de especialidade, divergente da do Ministério da Saúde, apresentada aqui lado a lado e atribuída. PDF

  11. Ministério da Saúde / Secretaria de Atenção Especializada à Saúde — Nota Técnica nº 626/2025-CGCAN/DECAN/SAES/MS, publicada em 29 de setembro de 2025, assinada por CGCAN, DECAN, INCA e SAES/MS (SEI 25000.164008/2025-91). Fonte do rastreamento mamográfico populacional no SUS "em mulheres na faixa etária entre 50 e 74 anos, com periodicidade bienal", do não impedimento de acesso a mulheres de 40 a 49 anos e acima de 74 mediante orientação sobre riscos e benefícios, e da cláusula que torna "sem efeito todas as recomendações anteriores que contenham orientações distintas". PDF 2

  12. INCA — Posicionamento do INCA sobre faixa etária para rastreamento do câncer de mama, publicado em 27/01/2025, recomendando 50 a 69 anos a cada dois anos. Citado aqui como documento superado: a Nota Técnica nº 626/2025 do Ministério da Saúde tornou sem efeito as orientações anteriores divergentes. Registrado porque o texto continua acessível e amplamente reproduzido. inca.gov.br

  13. Ministério da Saúde / DATASUS — SIGTAP, Sistema de Gerenciamento da Tabela de Procedimentos, Medicamentos e OPM do SUS, tabela tb_procedimento, competência 08/2026 (1.697.774 bytes, 5.023 linhas, campo DT_COMPETENCIA conferido em todas as linhas). Leitura direta em colunas fixas, decodificação latin-1, campo VL_SA [295-306]; parser validado contra hemograma completo 0202020380 (R$ 4,11) e dosagem de ferritina 0202010384 (R$ 15,59). Códigos citados: glicose 0202010473 (R$ 1,85), colesterol total 0202010295 (R$ 1,85), colesterol HDL 0202010279 (R$ 3,51), colesterol LDL 0202010287 (R$ 3,51), triglicerídeos 0202010678 (R$ 3,51), creatinina 0202010317 (R$ 1,85), ureia 0202010694 (R$ 1,85), TGO 0202010643 (R$ 2,01), TGP 0202010651 (R$ 2,01), gama-glutamil-transferase 0202010465 (R$ 3,51), ácido úrico 0202010120 (R$ 1,85), TSH 0202060250 (R$ 8,96), hemoglobina glicosilada 0202010503 (R$ 7,86), 25-hidroxivitamina D 0202010767 (R$ 15,24), vitamina B12 0202010708 (R$ 15,24), PSA 0202030105 (R$ 16,42), análise de caracteres físicos, elementos e sedimento da urina 0202050017 (R$ 3,70). Somas verificadas: núcleo de 5 códigos R$ 14,23; acréscimo de 14 códigos R$ 100,20; total R$ 114,43. Ausências verificadas: "CHECK", "ROTINA", "LIPIDOGRAMA" e "PERFIL LIPID" rendem zero ocorrência nas 5.023 linhas. sigtap.datasus.gov.br 2 3 4

  14. Ganguli I, Simpkin AL, Lupo C, et al. Cascades of Care After Incidental Findings in a US National Survey of Physicians. JAMA Netw Open. 2019;2(10):e1913325 (991 internistas convidados, 376 respostas completas, taxa de resposta 44,7%, ponderadas para representatividade nacional; 99,4% relataram cascatas; dano psicológico 68,4%, carga financeira 57,5%; 33,7% consideraram inapropriado o exame que originou a cascata mais recente; 53,2% desconheciam diretriz para o seguimento). Estudo norte-americano. PubMed · DOI 2

  15. Lortet-Tieulent J, Franceschi S, Dal Maso L, Vaccarella S. Thyroid cancer "epidemic" also occurs in low- and middle-income countries. Int J Cancer. 2019;144(9):2082-2087 (599.851 casos de câncer de tireoide em pessoas de 20 a 74 anos, 55 países, 2008-2012; variação de 50 vezes nas taxas nacionais; Brasil entre os países de renda média com taxas acima de 25 casos por 100 mil mulheres). Estudo internacional que inclui o Brasil. PubMed · DOI

  16. Arena TR, Jericó MC, de Castro LC, Castilho V, Lima AF. Gastos com exames complementares desnecessários para hipertensão e diabetes em serviços de saúde. Rev Gaúcha Enferm. 2014;35(4):86-93 (293 prontuários em três níveis de atenção de um município do Sudeste brasileiro, 2006-2009; 9.522 exames laboratoriais identificados, 5,97% classificados como desnecessários). Estudo brasileiro. PubMed · DOI

  17. Morgan DJ, Dhruva SS, Coon ER, Wright SM, Korenstein D. 2018 Update on Medical Overuse. JAMA Intern Med. 2019;179(2):240-246 (1.446 artigos triados, 910 sobre uso excessivo, 111 mais relevantes, 10 selecionados; entre os achados, o monitoramento lipídico raramente altera a conduta). Revisão internacional. PubMed · DOI

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