Lipase alta: o critério das 3 vezes e o que ela não diz
Por que uma lipase a 1,5 vez o limite não é pancreatite, por que o número não mede a gravidade, e o que o eleva sem o pâncreas ter nada.
A lipase é a enzima que quebra a gordura da alimentação, e o pâncreas é quem a fabrica. No laudo ela quase sempre vem colada à amilase, dentro do bloco das enzimas pancreáticas. Mas a pergunta que traz você até aqui raramente é «o que é lipase» — é «a minha está alta, e agora?». A resposta útil depende de um número que quase nenhuma página brasileira explica: três vezes.
Em resumo
- Três vezes o limite superior é um critério formal de diagnóstico, não uma impressão. A pancreatite aguda se define por dois de três critérios: dor típica, enzima acima de 3 vezes o limite, imagem compatível.12
- Consequência direta: uma lipase a 1,5 vez o limite não preenche o critério enzimático. Não é «meia pancreatite» — é outro assunto.
- 🔴 O tamanho do número não mede a gravidade. Feito o diagnóstico, o guia americano é explícito: não há razão para repetir a enzima, porque ela não tem relação com gravidade nem com prognóstico.2
- A gravidade se classifica por falência de órgão e complicações — e, na diretriz ibero-latino-americana de 2026, a palavra «lipase» não aparece uma única vez no capítulo de gravidade.1
- A vantagem real da lipase sobre a amilase é a duração: fica alta 8 a 14 dias, contra 5 a 7 da amilase. Isso importa para quem procura o médico tarde.1
- A insuficiência renal é a primeira causa de lipase alta sem pancreatite: num estudo com 87 pacientes renais sem dor abdominal, 80% tinham hiperlipasemia.3
- No SUS, a dosagem custa R$ 2,25, código 0202010554 — exatamente o mesmo da amilase.4
- Nenhum valor isolado fecha diagnóstico: uma lipase alterada se lê com a sua dor, o seu histórico e o seu médico.
O critério das três vezes, ao pé da letra
O Ministério da Saúde define o exame, no texto oficial do procedimento no SUS, assim: a lipase «é uma enzima produzida majoritariamente no pâncreas e é um marcador primordial de doença pancreática», e os níveis ficam elevados «principalmente, na pancreatite aguda e, frequentemente, na pancreatite crônica».5 É o enquadramento correto — e é onde a maioria das páginas para.
O que falta é o corte. A diretriz ibero-latino-americana de pancreatite aguda (iLATAM-AP), publicada em 2026 com participação de serviços brasileiros, escreve, com recomendação forte:
O diagnóstico de pancreatite aguda exige pelo menos dois dos três critérios seguintes: (i) dor abdominal compatível — epigástrica, em faixa, irradiada para as costas; (ii) atividade sérica de amilase e/ou lipase acima de 3 vezes o limite superior do normal; ou (iii) achados de imagem característicos.1
A diretriz acrescenta que esses critérios «foram reafirmados na Classificação de Atlanta revista de 2012»,16 e o guia do American College of Gastroenterology de 2024 formula a mesma regra palavra por palavra.2 O detalhamento clínico do critério pertence ao guia das enzimas pancreáticas; aqui interessa a leitura do seu número.
Onde o seu resultado se encaixa. Divida o valor pelo limite superior impresso no seu laudo — não pelo de outro laboratório: cada método tem a sua régua.
- Abaixo de 1 vez: normal. Não exclui pancreatite se a dor for típica: o critério pede dois de três, e a imagem pode fechar o diagnóstico sozinha com a dor.
- Entre 1 e 3 vezes: elevada, mas não preenche o critério enzimático. É a faixa das causas não pancreáticas, tratada abaixo.
- Acima de 3 vezes: preenche o critério enzimático. Continua faltando o segundo critério — a dor ou a imagem.
⚠️ O guia americano adiciona uma nuance que raramente se lê: em alguns grupos, «pode ser necessário um limite acima de 3 a 5 vezes», por exemplo em pessoas com diabetes.2 Se você tem diabetes, veja a ficha de glicemia.
E há o reverso, medido: entre 221 pacientes com lipase acima de 3 vezes o limite num hospital americano, 51 — quase um em cada quatro — não tinham pancreatite.7 Passar do corte não é ter a doença.
Por que o tamanho do número não diz a gravidade
Esta é a pergunta que mais se digita, e a resposta contraria a intuição.
O guia do ACG é categórico: uma vez estabelecido o diagnóstico, «não há razão para acompanhar a amilase ou a lipase séricas, porque não há relação com gravidade, prognóstico, nem impacto na decisão de reiniciar a dieta ou dar alta».2
A diretriz ibero-latino-americana confirma pelo silêncio. Ela dedica uma pergunta inteira a como classificar e prever a gravidade, e a resposta é: falência de órgão — transitória, até 48 h, ou persistente, acima de 48 h — mais complicações locais ou sistêmicas, pela Classificação de Atlanta revista; para previsão precoce, os escores BISAP e a SIRS persistente.16 Varremos esse capítulo: as palavras «lipase» e «amilase» não ocorrem nele nenhuma vez. Em todo o corpo do documento, «lipase» aparece quatro vezes, todas no capítulo do diagnóstico.1
O dado que fecha o argumento vem do outro lado: os pacientes sem pancreatite do estudo americano tinham lipase mais baixa (360 contra 1.453 U/L), e mesmo assim não houve diferença de tempo de internação, de admissão em terapia intensiva ou de mortalidade entre os dois grupos.7
Tradução prática: uma lipase a 12 vezes o limite não anuncia uma pancreatite grave, e uma pancreatite grave pode cursar com lipase moderada. Quem mede a gravidade é o estado clínico, os sinais vitais, a função dos órgãos — e, no laboratório, marcadores como a proteína C reativa e o hemograma completo, não a enzima.
A cinética: a razão de existir da lipase
Se a lipase não é mais precisa que a amilase, por que preferi-la? Pela janela de tempo.
Segundo a diretriz ibero-latino-americana, na pancreatite aguda a amilase sobe 6 horas após o início dos sintomas, atinge o pico em 48 horas e permanece elevada 5 a 7 dias; a lipase sobe por volta de 4 horas, atinge o pico em 24 horas e permanece elevada 8 a 14 dias.1 O ACG diz o mesmo em prosa: a lipase «parece mais específica e permanece elevada por mais tempo que a amilase».2
⚠️ E aqui desmentimos uma ideia comum. A mesma diretriz avisa que a lipase é «teoricamente um marcador mais específico», mas que todos os métodos disponíveis mostram sensibilidade (~70%) e especificidade (~90%) comparáveis no contexto clínico adequado.1 A revisão Cochrane chegou a números próximos e declarou não ter podido compará-los formalmente.8 A vantagem da lipase, portanto, é de calendário, não de acurácia: quem chega ao pronto-socorro no quarto ou no quinto dia de dor pode ter amilase já normal e lipase ainda alta.
⚠️ Uma ressalva honesta, também da Cochrane: o desempenho dos dois exames cai com a passagem do tempo, e nenhum deles autoriza descartar pancreatite quando os sintomas apontam para ela.8
O que eleva a lipase sem pancreatite — o rim primeiro
A lipase é depurada pelos rins. Quando a filtração cai, ela se acumula.
O estudo mais claro é antigo e continua sendo o mais citado: 130 amostras de 87 pacientes com insuficiência renal e sem dor abdominal. Resultado: 80% tinham hiperlipasemia. Nenhum tinha amilase acima de 5 vezes o limite, e apenas 2,3% tinham lipase acima de 10 vezes. Os autores observaram que a elevação é «mais frequente e mais extensa do que a maioria dos artigos indica», e que ela se relaciona mais ao grau de perda de função renal do que à modalidade de diálise.3
👉 Se a sua lipase está alta, o cruzamento mais concreto que existe é olhar a função renal e a creatinina do mesmo laudo. Uma lipase moderadamente alta num paciente renal costuma ser o rim, não o pâncreas.
As demais causas, cada uma verificada:
- Fígado. No estudo americano, as duas principais etiologias de hiperlipasemia não pancreática foram cirrose descompensada e insuficiência renal.7 Vale rever o hepatograma — TGO, TGP, gama-GT, fosfatase alcalina e bilirrubina.
- Doenças digestivas não pancreáticas. O ACG lista, para a hiperenzimemia em geral, apendicite aguda, colecistite, obstrução ou isquemia intestinal, úlcera péptica e doenças ginecológicas.2
- Doença crítica. Um estudo publicado na Revista Brasileira de Terapia Intensiva — conduzido em Coimbra, Portugal, e não no Brasil — acompanhou 102 doentes de terapia intensiva, excluídos os casos de pancreatite e de insuficiência renal: 39,2% tinham hiperlipasemia, com média de 797 U/L. Eles ficaram internados mais tempo, mas sem diferença em APACHE II, SOFA, SAPS ou mortalidade — e só uma minoria preenchia os critérios de pancreatite.9 É a mesma lição, medida em outro cenário: enzima alta, gravidade igual.
- Medicamentos. Aqui convém cautela. O ACG classifica os medicamentos entre as causas raras de pancreatite, «mais frequentemente atribuídas falsamente», reconhecendo poucos fármacos como causadores claros — azatioprina, 6-mercaptopurina, didanosina.2 Nunca suspenda um remédio por causa de um número; leve o laudo e a lista ao seu médico.
Hipertrigliceridemia: causa reconhecida, com três números diferentes
Triglicérides muito altos causam pancreatite — e as fontes divergem no quanto, o que publicamos lado a lado.
O Protocolo Clínico e Diretrizes Terapêuticas da Dislipidemia do Ministério da Saúde afirma que «níveis de triglicerídeos maiores do que 500 mg/dL podem precipitar ataques de pancreatite aguda, embora a patogênese da inflamação não seja clara», e cita uma estimativa de 1,3% a 3,8% dos casos.10 A diretriz ibero-latino-americana coloca a hipertrigliceridemia como terceira causa identificável, com 4% a 10%, e adota como causal um nível acima de 1.000 mg/dL (acima de 500 mg/dL, «alta suspeita»).1 O ACG fala em 5% dos casos e adverte que a atribuição é frequentemente exagerada.2
O limiar e o seu manejo pertencem à ficha de triglicérides; veja também o lipidograma.
O que o SUS cobre — e a palavra que não está na tabela
A tabela SIGTAP, competência 08/2026, tem 5.023 procedimentos. Lemos o arquivo inteiro.4
| Procedimento SIGTAP | Código | Valor |
|---|---|---|
| Dosagem de lipase | 0202010554 | R$ 2,25 |
| Dosagem de amilase | 0202010180 | R$ 2,25 |
| Ultrassonografia de abdômen superior | 0205020038 | R$ 24,20 |
| Radiografia de abdômen agudo | 0204050120 | R$ 15,30 |
| Tomografia computadorizada de abdômen superior | 0206030010 | R$ 138,63 |
| Teste de elastase pancreática fecal | 0202040186 | R$ 124,00 |
Duas leituras. A primeira: a enzima é a parte barata do critério. A imagem que fecha o segundo critério custa 11 vezes mais no ultrassom e 62 vezes mais na tomografia. Veja quanto custa um exame de sangue.
A segunda é uma ausência demonstrada por enumeração: 🔴 a palavra «pancreatite» não aparece uma única vez nas 5.023 linhas da tabela de procedimentos — o vocabulário existe («pancreática» aparece, «hepatite» aparece 36 vezes), simplesmente não há procedimento com esse nome. A internação é faturada sob um rótulo genérico, «tratamento de transtornos das vias biliares e pâncreas» (0303070129). Já no arquivo de descrições do Ministério, «pancreatite» aparece 4 vezes em 4.324 linhas — e uma delas é a descrição da lipase.5 Também não existe código para «lipase pancreática» nem para pesquisa de macrolipase.
Interferências: quando o tubo mente
As Recomendações da SBPC/ML trazem uma tabela de interferências — creditada, no próprio documento, à experiência de um laboratório chileno, não a uma norma brasileira. Para a lipase, a interferência começa a partir de 1.000 mg/dL de hemoglobina livre (hemólise), 2.000 mg/dL de triglicérides (lipemia) e 50 mg/dL de bilirrubinas.11
Compare com a amilase, na mesma tabela: 500, 1.500 e 60. A lipase é, portanto, mais resistente à hemólise — o que reforça a preferência por ela quando a coleta foi difícil.
⚠️ Mas note a ironia do limiar de lipemia: triglicérides acima de 2.000 mg/dL interferem na medida — e são exatamente a faixa em que os triglicérides são eles próprios a causa da pancreatite.
Peça a leitura dos seus exames à AI DiagMe
Uma lipase não se lê sozinha: o sentido dela depende do limite do seu laboratório, da sua função renal, do fígado, dos triglicérides e, sobretudo, do que você sente.
👉 AI DiagMe interpreta seus exames de sangue, urina e fezes considerando todo o seu contexto, em linguagem clara. É um serviço informativo, que não faz diagnóstico e complementa — sem substituir — a consulta com seu médico.
Perguntas frequentes
A minha lipase está 1,5 vez acima do limite. É pancreatite? Essa faixa não preenche o critério enzimático, que exige mais de 3 vezes o limite.12 Sem dor típica, as hipóteses mais prováveis são rim, fígado ou outra causa abdominal. Com dor forte, procure atendimento: o critério pede dois de três, e a imagem pode substituir a enzima.
Qual valor de lipase é preocupante? Não existe um número mágico, e este guia não substitui consulta. O que preocupa é a dor abdominal intensa e persistente, com ou sem enzima alta. E, mesmo com o diagnóstico feito, o valor não indica gravidade.2
Lipase muito alta significa pancreatite grave? Não. A gravidade se classifica por falência de órgão e complicações, não pela enzima; o próprio guia americano diz que repeti-la não informa nada sobre prognóstico.21
Lipase ou amilase: qual é melhor? A lipase é preferida porque vem quase só do pâncreas e dura mais (8 a 14 dias contra 5 a 7). A acurácia das duas, porém, é comparável.18 A fração salivar e a macroamilasemia, que são problemas exclusivos da outra enzima, estão na ficha de amilase.
Tenho doença renal e a lipase veio alta. É normal? É frequente: 80% dos pacientes renais sem dor abdominal têm hiperlipasemia, e a elevação acompanha a perda de função.3 Leve o laudo, com a creatinina, ao seu médico.
A lipase alta pode indicar câncer de pâncreas? A lipase não é exame de rastreamento de câncer. Um valor alto isolado não é alarme oncológico, e um valor normal não exclui nada.
O SUS cobre? Sim: código 0202010554, «dosagem de lipase», financiada em R$ 2,25.4
O que levar deste guia
Três coisas. Três vezes o limite é um critério, não uma opinião — e uma lipase a 1,5 vez não o preenche. O tamanho do número não mede a gravidade, e depois do diagnóstico repeti-lo não acrescenta nada. E a insuficiência renal é a primeira explicação a considerar para uma lipase alta sem dor.
Para o vocabulário do laudo, veja o glossário de exames de sangue, os marcadores inflamatórios e os leucócitos.
Fontes
Fontes institucionais brasileiras e publicações científicas (PubMed) utilizadas neste guia:
Footnotes
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Bolado F, de-Madaria E, Garcia-Rayado G, et al.; AEG, AESPANC, OPGE, SIED e SPG — AEG-AESPANC-OPGE-SIED-SPG Ibero-Latin American Guidelines on Acute Pancreatitis (iLATAM-AP). United European Gastroenterology Journal, 2026; 14: e70190. Diretriz ibero-latino-americana (não exclusivamente brasileira), com participação de serviços brasileiros, entre eles a Unidade de Endoscopia do Instituto do Câncer de São Paulo, Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo. Seções consultadas no texto integral: Q2 (critério diagnóstico de dois entre três, com lipase/amilase acima de 3 vezes o limite superior, recomendação forte; cinética — amilase sobe em 6 h, pico em 48 h, elevada 5 a 7 dias; lipase sobe em ~4 h, pico em 24 h, elevada 8 a 14 dias; sensibilidade ~70% e especificidade ~90% comparáveis entre os métodos); Q3 (etiologias: cálculos 42%, álcool 21%, idiopática 18%; etiologia biliar responde por 50% a 83% dos casos na América Latina); Q5 (hipertrigliceridemia como terceira causa identificável, 4% a 10%; acima de 1.000 mg/dL como causa definitiva, acima de 500 mg/dL como alta suspeita); Q6 (classificação de gravidade por falência de órgão e complicações; BISAP e SIRS persistente para previsão precoce). Ausência verificada por varredura: as palavras «lipase» e «amylase» não ocorrem no capítulo Q6, sobre gravidade; «lipase» ocorre 4 vezes em todo o corpo do documento, todas no capítulo Q2. Verificada a inexistência de Published Erratum pelo campo
CommentsCorrectionsdo registro NCBI. PubMed · DOI ↩ ↩2 ↩3 ↩4 ↩5 ↩6 ↩7 ↩8 ↩9 ↩10 ↩11 ↩12 ↩13 -
Tenner S, Vege SS, Sheth SG, Sauer B, Yang A, Conwell DL, Yadlapati RH, Gardner TB — American College of Gastroenterology — American College of Gastroenterology Guidelines: Management of Acute Pancreatitis. American Journal of Gastroenterology, 2024; 119(3): 419-437. Citado como referência internacional, na ausência de diretriz brasileira específica sobre a interpretação laboratorial da lipase. Seções consultadas no texto integral: diagnóstico (dois entre três critérios, enzima acima de 3 vezes o limite superior; preferência pela lipase sobre a amilase; «a lipase parece mais específica e permanece elevada por mais tempo que a amilase»; necessidade eventual de um corte acima de 3 a 5 vezes, por exemplo em diabéticos; ausência de consenso japonês sobre os limites; «uma vez estabelecido o diagnóstico, não há razão para acompanhar a amilase ou a lipase séricas, porque não há relação com gravidade, prognóstico, nem impacto na decisão de reiniciar a dieta ou dar alta»; lista de causas extrapancreáticas de hiperenzimemia); etiologia (medicamentos, agentes infecciosos, hipercalcemia e hipertrigliceridemia como causas raras, «mais frequentemente atribuídas falsamente»; hipertrigliceridemia em cerca de 5% dos casos; azatioprina, 6-mercaptopurina e didanosina como fármacos de causalidade clara); definição de gravidade por falência de órgão persistente. PubMed · DOI ↩ ↩2 ↩3 ↩4 ↩5 ↩6 ↩7 ↩8 ↩9 ↩10 ↩11 ↩12
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Lin XZ, Chen TW, Wang SS, Shiesh SC, Tsai YT, Huang TP, Lee SD, Ting SW. Pancreatic enzymes in uremic patients with or without dialysis. Clinical Biochemistry, 1988; 21(3): 189-92. 130 amostras de 87 pacientes com insuficiência renal e sem dor abdominal: 74% com hiperamilasemia, 78% com hiperisoamilasemia e 80% com hiperlipasemia; nenhum com amilase acima de 5 vezes o limite superior; 2,3% com lipase acima de 10 vezes. A hemodiálise não alterou significativamente os níveis; a diálise peritoneal intermitente removeu amilase. Níveis significativamente menores nos pacientes com menor comprometimento renal. PubMed · DOI ↩ ↩2 ↩3
-
Ministério da Saúde / DATASUS — SIGTAP: Sistema de Gerenciamento da Tabela de Procedimentos, Medicamentos e OPM do SUS, competência 08/2026 (arquivo
tb_procedimento, 1.697.774 bytes, 5.023 linhas, lido com decodificação latin-1 e rebatimento de acentos; parser validado contra dois valores conhecidos — hemograma completo 0202020380, R$ 4,11, e dosagem de ferritina 0202010384, R$ 15,59). Códigos e valores verificados: dosagem de lipase 0202010554 (R$ 2,25); dosagem de amilase 0202010180 (R$ 2,25); ultrassonografia de abdômen superior 0205020038 (R$ 24,20); radiografia de abdômen agudo 0204050120 (R$ 15,30); tomografia computadorizada de abdômen superior 0206030010 (R$ 138,63); teste de elastase pancreática fecal 0202040186 (R$ 124,00); tratamento de transtornos das vias biliares e pâncreas 0303070129. Ausências verificadas por varredura das 5.023 linhas: «pancreatite» = 0 ocorrências (controles positivos: «pancreática» = 1, «hepatite» = 36); «lipase pancreática» = 0; «macrolipase» = 0. Página oficial (DATASUS) ↩ ↩2 ↩3 -
Ministério da Saúde / DATASUS — SIGTAP, arquivo
tb_descricaoda mesma competência (4.324 linhas), que traz o texto de intenção do Ministério para cada procedimento. Descrição integral do código 0202010554: «A LIPASE É UMA ENZIMA PRODUZIDA MAJORITARIAMENTE NO PÂNCREAS E É UM MARCADOR PRIMORDIAL DE DOENÇA PANCREÁTICA. OS NÍVEIS DE LIPASE FICAM ELEVADOS, PRINCIPALMENTE, NA PANCREATITE AGUDA E, FREQUENTEMENTE, NA PANCREATITE CRÔNICA.» A palavra «pancreatite» ocorre em 4 das 4.324 descrições. Página oficial (DATASUS) ↩ ↩2 -
Banks PA, Bollen TL, Dervenis C, Gooszen HG, Johnson CD, Sarr MG, Tsiotos GG, Vege SS; Acute Pancreatitis Classification Working Group. Classification of acute pancreatitis — 2012: revision of the Atlanta classification and definitions by international consensus. Gut, 2013; 62(1): 102-11. Documento de referência citado pelas duas diretrizes acima como origem dos critérios diagnósticos e da classificação de gravidade em leve, moderadamente grave (falência de órgão transitória, até 48 h, ou complicações locais) e grave (falência de órgão persistente, acima de 48 h). Verificada a inexistência de Published Erratum pelo campo
CommentsCorrectionsdo registro NCBI (constam apenas trêsCommentIn). PubMed · DOI ↩ ↩2 -
Da BL, Shulman IA, Joy Lane C, Buxbaum J. Origin, Presentation, and Clinical Course of Nonpancreatic Hyperlipasemia. Pancreas, 2016; 45(6): 846-9. Avaliação prospectiva no Los Angeles County Hospital de 221 pacientes com lipase acima de 3 vezes o limite superior: 170 preencheram os critérios de pancreatite aguda e 51 não. As principais etiologias da hiperlipasemia não pancreática foram cirrose descompensada e insuficiência renal; esses pacientes eram mais velhos, com mais comorbidades e lipase mais baixa (360 ± 36 contra 1.453 ± 135 U/L, p < 0,001), sem diferença em tempo de internação, admissão em terapia intensiva ou mortalidade. PubMed · DOI ↩ ↩2 ↩3
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Rompianesi G, Hann A, Komolafe O, Pereira SP, Davidson BR, Gurusamy KS. Serum amylase and lipase and urinary trypsinogen and amylase for diagnosis of acute pancreatitis. Cochrane Database of Systematic Reviews, 2017; 4(4): CD012010. Dez estudos, 5.056 participantes atendidos em pronto-socorro por dor abdominal. No corte recomendado de 3 vezes o limite superior: amilase com sensibilidade 0,72 (IC 95% 0,59-0,82) e especificidade 0,93 (IC 95% 0,66-0,99); lipase com 0,79 (IC 95% 0,54-0,92) e 0,89 (IC 95% 0,46-0,99). Os autores registram não ter podido comparar formalmente os testes, por escassez de dados, e que «o desempenho diagnóstico desses testes diminui ainda mais com a passagem do tempo». PubMed · DOI ↩ ↩2 ↩3
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Ferreira M, Coelho R, Luzio J, Coutinho P. Elevação da lipase e amilase no doente crítico: estudo retrospectivo. Revista Brasileira de Terapia Intensiva, 2008; 20(4): 362-9. ⚠️ Publicado em periódico brasileiro, mas o estudo foi conduzido no Centro Hospitalar de Coimbra, Portugal — não é, portanto, um dado epidemiológico brasileiro. 102 doentes de terapia intensiva, excluídos pancreatite prévia, doença pancreática e insuficiência renal: hiperlipasemia em 39,2%, lipase média de 797 U/L, associada a mais dias de internação, nutrição parenteral, ventilação mecânica, febre e alteração de transaminases, sem diferença em APACHE II, SOFA, SAPS ou mortalidade; apenas uma minoria preencheu os critérios de pancreatite aguda. O NCBI não declara DOI para este registro; citado por PMID e pela página SciELO. PubMed · SciELO ↩
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Ministério da Saúde (SAES/SCTIE) — Protocolo Clínico e Diretrizes Terapêuticas da Dislipidemia: prevenção de eventos cardiovasculares e pancreatite, publicado pela Portaria Conjunta SAES/SCTIE nº 8, de 30 de julho de 2019, com reedição posterior para excluir apresentações farmacêuticas sem registro válido na Anvisa. Trechos verificados no PDF oficial: «Níveis de triglicerídeos maiores do que 500 mg/dL podem precipitar ataques de pancreatite aguda, embora a patogênese da inflamação não seja clara» e «um estudo estimou que hipertrigliceridemia foi a etiologia da pancreatite aguda entre 1,3%-3,8% dos casos de pancreatite»; critérios de inclusão para fibratos acima de 500 mg/dL, «objetivando prevenção de pancreatite». gov.br/saude ↩
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Sociedade Brasileira de Patologia Clínica/Medicina Laboratorial (SBPC/ML) — Recomendações da SBPC/ML: Boas práticas em laboratório clínico. Barueri: Manole. Seção consultada no texto integral: capítulo sobre hemólise e interferências, Tabela 1 — «Concentrações de hemoglobina, triglicérides e bilirrubinas que interferem na medição de analitos». Valores para a lipase: hemólise a partir de 1.000 mg/dL de hemoglobina livre, lipemia a partir de 2.000 mg/dL de triglicérides, icterícia a partir de 50 mg/dL de bilirrubinas; para a amilase: 500, 1.500 e 60 mg/dL respectivamente. ⚠️ A tabela é creditada, no próprio documento, à Clínica Dávila (Chile) — é uma prática de laboratório reproduzida pela SBPC/ML, não uma norma brasileira. PDF ↩