Índice

Exame de ACTH: para que serve e por que ele vai no gelo

O protocolo do Ministério da Saúde manda coletar o ACTH em tubo com EDTA no gelo, entre 6 e 9h da manhã. Esse detalhe decide se o seu resultado vale.

Publicado em 9 de setembro de 202612 min de leituraEscrito pela Equipe Blood Analysis · Revisado e verificado por Julien Priour

O ACTH é o hormônio que a hipófise envia à glândula adrenal com uma ordem: produza cortisol. Sozinho, ele quase não significa nada. Junto com o cortisol, responde a uma pergunta que nenhum dos dois responde isoladamente: de onde vem o problema — da adrenal, da hipófise, ou de fora do corpo. É por isso que raramente aparece sozinho num pedido, e faz parte do perfil hormonal. Este guia explica o que ele mede, o cuidado de coleta que o protocolo brasileiro exige, e o que o resultado permite ou não concluir.

Em resumo

  • O ACTH é produzido pela hipófise e estimula a adrenal a fabricar cortisol — o "hormônio hipofisário estimulador da atividade enzimática glandular", na descrição do Ministério da Saúde.
  • 🔴 O ACTH é frágil fora do corpo, e o protocolo brasileiro trata isso como parte do exame. O PCDT da Insuficiência Adrenal manda, com todas as letras: "o ACTH deve ser coletado em tubo com EDTA no gelo (centrifugar em centrífuga refrigerada)".
  • A hora também é prescrita: cortisol e ACTH entre 6 e 9h da manhã, pelo mesmo documento.
  • ⚠️ Um ACTH isolado não diagnostica nada. A SBEM recomenda pelo menos duas medidas em dias diferentes, porque a secreção do hormônio é irregular — e a classificação pelo ACTH só entra depois de o excesso de cortisol já estar confirmado.
  • Na síndrome de Cushing, o ACTH separa o que vem da hipófise ou de um tumor ectópico do que vem da própria adrenal: fronteira em acima de 20 e abaixo de 10 pg/mL, com zona indeterminada entre 10 e 20 que obriga a repetir.
  • Na insuficiência adrenal o raciocínio se inverte: cortisol baixo com ACTH alto aponta a adrenal; com ACTH normal ou baixo, a hipófise.
  • No SUS o exame custa R$ 14,12, mas o teste de estímulo com ACTH não existe na tabela — e o protocolo explica por quê.
  • ⚠️ Parte da literatura internacional questiona o rigor do gelo. A divergência está publicada aqui, sem ser arbitrada.
  • Nenhum valor isolado fecha diagnóstico. Vale o intervalo do seu laudo, lido pelo seu médico.

O que o exame mede

O eixo é uma cadeia de comando de três andares: o hipotálamo libera CRH, a hipófise responde com ACTH, e a adrenal responde ao ACTH com cortisol — que, por sua vez, avisa a hipófise para desacelerar. É um circuito com freio próprio, e é esse freio que o exame explora.

Daí vem a lógica que torna o ACTH útil. Se a adrenal falha, o freio some e a hipófise grita cada vez mais alto: ACTH alto com cortisol baixo. Se a hipófise falha, ela não dá a ordem, e a adrenal obedece ao silêncio: ACTH baixo ou normal com cortisol baixo. Um par de números diz o que nenhum deles diz sozinho — e é por isso que o ACTH raramente é pedido sem o cortisol ao lado.

A adrenal produz também a aldosterona, o mineralocorticoide que governa sódio e potássio. É por isso que uma falência adrenal costuma aparecer nos eletrólitos séricos antes de alguém pensar em dosar hormônio: o protocolo brasileiro descreve hiponatremia e hipercalemia entre os sinais que reforçam a suspeita.1

🔴 O tubo no gelo: o detalhe que decide o resultado

Este é o ponto mais prático da página, e está num documento oficial brasileiro. O Protocolo Clínico e Diretrizes Terapêuticas da Insuficiência Adrenal, aprovado pela Portaria Conjunta nº 20 de 24 de novembro de 2020, imprime a instrução duas vezes — no fluxograma da insuficiência adrenal primária e no da central, com a mesma redação:

"Coletar cortisol e ACTH entre 6-9h da manhã. O ACTH deve ser coletado em tubo com EDTA no gelo (centrifugar em centrífuga refrigerada)."1

Três exigências num só período: tubo com EDTA (o mesmo anticoagulante do hemograma, não o tubo seco do cortisol), gelo desde a punção e centrifugação refrigerada. O ACTH é um peptídeo, degradado por enzimas do próprio sangue coletado — o frio trava essa degradação.

O que isso muda para você. Nada disso está nas suas mãos, e é esse o ponto: o ACTH depende da estrutura do local de coleta, não do seu preparo. Um posto sem recipiente com gelo e centrífuga refrigerada não deveria coletá-lo — vale confirmar ao agendar. Sobre jejum e horário, siga o laboratório e leia o guia de jejum e o da coleta.

⚠️ Uma ausência que vale ser dita. Essa instrução não está nas duas grandes referências brasileiras de fase pré-analítica. No manual Boas práticas em laboratório clínico da SBPC/ML, "ACTH" aparece uma única vez em 1.357.819 caracteres — e essa ocorrência está dentro de um anúncio de fabricante, uma lista de ensaios comerciais, não em capítulo assinado.2 No Manual de Coleta do PNCQ (4ª edição, 2023), "ACTH" aparece zero vez, embora o manual fale de gelo 14 vezes e de refrigeração 11 — inclusive para exigir que "dispositivos refrigerados ou recipientes com gelo devem estar disponíveis para amostras que necessitem de resfriamento imediato após a coleta".3 O vocabulário existe nos dois documentos; nunca é aplicado a este hormônio. Quem nomeia o ACTH é o protocolo do Ministério.

(Regra das duas contagens: texto integral dos PDF, hifens condicionais removidos, acentos rebatidos, ocorrências com fronteira de palavra.)

A literatura internacional discute esse rigor

Aqui é preciso honestidade: o rigor do gelo é contestado. Citamos esses trabalhos como complemento, na falta de estudo brasileiro equivalente sobre estabilidade do ACTH.

Uma revisão sistemática de 2025 selecionou 9 estudos entre 405 relatórios e concluiu que o ACTH se mantém estável em tubos de EDTA não centrifugados por cerca de 6 horas em temperatura ambiente e ao menos 8 horas sob refrigeração — mas que, em 24 horas refrigeradas, a maioria dos estudos ultrapassa o limite de 10% de variação.4 Um trabalho da Mayo Clinic foi além: com um imunoensaio específico, tubos e centrífuga em temperatura ambiente e até 4 horas de atraso não alteraram o resultado, e os autores escrevem que as exigências estritas antes recomendadas "não são necessárias" — com esse método.5 Um estudo dinamarquês convergiu até 4 horas.6 Mas a divergência é real e não se arbitra: um estudo chinês mediu o contrário — estabilidade abaixo de 5% apenas a 4 °C.7

O que fica de pé. Todos concordam num ponto: o que degrada o ACTH é o tempo até a centrifugação, e o frio compra tempo. O protocolo brasileiro escolheu a via conservadora, que protege o resultado mesmo quando o transporte demora — defensável num país de distâncias longas. E nenhum estudo dispensa um detalhe: o resultado depende do método do laboratório, então vale o intervalo impresso no seu laudo.

Excesso de cortisol: o ACTH diz de onde vem

Na síndrome de Cushing, o ACTH não serve para descobrir que há excesso de cortisol — serve para descobrir a origem dele. A ordem importa, e as Recomendações do Departamento de Neuroendocrinologia da SBEM são explícitas: a classificação pelo ACTH é a etapa posterior, feita após a confirmação laboratorial do hipercortisolismo, geralmente em centros de referência.8 Confirmado o excesso, o ACTH plasmático separa duas famílias:

SituaçãoACTHO que costuma estar por trás
Cushing ACTH-dependente (~80%)acima de 20 pg/mLadenoma hipofisário (doença de Cushing, ~70%) ou secreção ectópica (~10%)
Zona indeterminadaentre 10 e 20 pg/mLresultado não conclusivo: novas amostras são necessárias
Cushing ACTH-independente (~20%)abaixo de 10 pg/mLadenoma (10%) ou carcinoma (5%) da própria adrenal

Fonte dos valores e das prevalências: SBEM.8

⚠️ E aqui está o alerta anti-pânico mais importante desta página. A mesma recomendação escreve que, pela secreção irregular do ACTH, são necessárias pelo menos duas medidas em dias diferentes.8 Um ACTH fora do intervalo não é um diagnóstico: é um motivo para conversar com o médico. E a SBEM lembra que o rastreamento de hipercortisolismo não é recomendado de rotina em grupos como pessoas com obesidade ou diabetes — uma glicemia alterada não é, por si só, indicação do exame.8

Um detalhe brasileiro de acesso: a SBEM registra que o CRH humano tem uso limitado "pelo alto custo e indisponibilidade do produto no Brasil".8 A tabela do SUS confirma pelo avesso — nenhum teste com CRH nas 5.023 linhas.9 Quando o quadro permanece dúbio, o padrão-ouro é o cateterismo bilateral e simultâneo dos seios petrosos, que dosa o ACTH na drenagem da própria hipófise;8 um relato da Unicamp discute a desmopressina como estímulo nesse procedimento.10

Falta de cortisol: primária ou central

O PCDT organiza a investigação em torno do par cortisol + ACTH, colhidos juntos entre 6 e 9h.1

  • Insuficiência adrenal primária (a glândula falhou — é o caso da doença de Addison): cortisol basal baixo com ACTH plasmático elevado, tipicamente pelo menos duas vezes acima do limite superior do método e em geral excedendo 100 pg/mL. O protocolo justifica o número: em pessoas saudáveis, o teste de tolerância à insulina elevou o ACTH a níveis médios de 110 pg/mL, de modo que valores acima de 100 já representam estímulo máximo à adrenal.1
  • Insuficiência adrenal central (a hipófise ou o hipotálamo falharam): cortisol basal baixo com ACTH normal ou baixo para o método.1

Em ambos os fluxogramas, um cortisol basal matinal acima de 15 mcg/dL com ACTH normal torna o diagnóstico pouco provável, e a faixa intermediária manda fazer teste de estímulo. O SDHEA baixo pode contribuir, sobretudo em mulheres na pré-menopausa, mas é pouco específico acima dos 50 anos — leia a ficha do SDHEA.1

Quando a insuficiência é central, o protocolo manda avaliar toda a hipófise: GH e IGF-1, FSH e LH, estradiol ou testosterona, TSH e T4 livre — não por acaso os exames da tireoide aparecem no mesmo pedido. Na insuficiência primária, acrescentam-se a aldosterona e a renina.1

A diretriz internacional de referência considera o teste curto de corticotrofina o padrão-ouro para confirmar a insuficiência adrenal, citada aqui em contraste.11 O Brasil não pode segui-la ao pé da letra, e o motivo está no próprio PCDT: a cortrosina não possui registro na Anvisa, e a alternativa nacional é o teste de hipoglicemia insulínica, sob supervisão médica.1

Quanto custa no SUS — e o que falta

Lendo diretamente a tabela SIGTAP (competência 08/2026, 5.023 linhas), o exame existe:9

ProcedimentoCódigoValor
Dosagem de adrenocorticotrófico (ACTH)0202060080R$ 14,12
Dosagem de cortisol0202060136R$ 9,86
Teste de supressão do cortisol após dexametasona0202060446R$ 12,01
Dosagem de aldosterona0202060098R$ 11,89
Dosagem de renina0202060314R$ 13,19

Duas observações. A primeira é de vocabulário: os dois arquivos do mesmo pacote ministerial não escrevem o nome igual — a tabela de procedimentos imprime ADRENOCORTICOTROFICO, sem acento e sem a palavra "hormônio", enquanto a descrição oficial do mesmo código escreve HORMÔNIO ADRENOCORTICOTRÓFICO. Procurar "corticotrofina" nos rótulos não devolve nada.9

A segunda é uma ausência com perímetro. A forma de organização das dosagens hormonais tem 47 códigos, e sabe financiar provas dinâmicas: quatro testes de estímulo (prolactina após TRH, prolactina após clorpromazina, GnRH, HGH após glucagon) e dois de supressão. Nenhum usa ACTH ou CRH, e "cortrosina" não aparece em nenhuma linha.9 A ausência não é acaso de busca: coincide com o que o protocolo diz sobre o registro do medicamento na Anvisa.1 Dois documentos do mesmo Estado contam a mesma história.

Peça ao AI DiagMe para ler o seu ACTH junto do resto

Um ACTH não se lê sozinho — ele só significa alguma coisa ao lado do cortisol, da hora da coleta e dos seus outros resultados.

👉 O AI DiagMe interpreta os seus exames — de sangue, urina ou fezes — considerando todo o seu contexto, em linguagem clara. Serviço informativo que não faz diagnóstico e complementa, sem substituir, a avaliação do seu médico.

Perguntas frequentes

Meu ACTH veio alterado. Já tenho uma doença? Não. A SBEM pede pelo menos duas medidas em dias diferentes, porque a secreção do ACTH é irregular por natureza. E, no excesso de cortisol, o ACTH só é interpretado depois de o hipercortisolismo ter sido confirmado por outros exames — ele classifica a origem, não faz o diagnóstico.

Preciso estar em jejum? O que os documentos brasileiros prescrevem é o horário — entre 6 e 9h da manhã — e o manuseio da amostra, não o jejum. Siga a orientação do seu laboratório.

Por que o exame precisa ser colhido no laboratório? Porque o protocolo exige tubo com EDTA no gelo e centrífuga refrigerada. É um requisito de estrutura: sem isso no local, a amostra não deveria ser colhida. Sobre os tipos de tubo, veja o guia dos tubos de coleta.

O ACTH é o mesmo exame que o cortisol? Não, e são complementares. O cortisol é dosado no soro; o ACTH, no plasma com EDTA e no gelo. É o par que localiza o problema.

Qual é o valor normal do ACTH? Não existe número universal: os valores dependem do método do laboratório, e os documentos brasileiros trabalham com cortes de decisão clínica (acima de 20, abaixo de 10, acima de 100 pg/mL conforme o contexto), não com uma faixa única. Vale o intervalo do seu laudo.

Um ACTH normal exclui a doença de Addison? Não isoladamente. O que orienta é o par cortisol + ACTH colhido na janela da manhã, e a faixa intermediária de cortisol leva a um teste de estímulo. A leitura é do seu médico.

Para lembrar

Três ideias. Primeira: o ACTH é um exame de localização, não de rastreamento — ele diz se o problema está na adrenal, na hipófise ou fora delas, e a SBEM só o interpreta depois que o excesso de cortisol foi confirmado. Segunda: um único ACTH não conclui nada, porque o hormônio é secretado de forma irregular e a recomendação brasileira pede duas medidas em dias diferentes. Terceira, a mais prática: o exame depende do gelo — tubo com EDTA resfriado desde a punção e centrífuga refrigerada, como manda o protocolo do Ministério da Saúde, ainda que parte da literatura internacional considere esse rigor dispensável. Nenhum valor se lê sozinho: conta o conjunto dos seus resultados e do seu contexto, sempre como complemento à avaliação do seu médico — a começar pela função renal.

Fontes

Fontes oficiais brasileiras e publicações científicas (PubMed) usadas neste guia:

Footnotes

  1. Ministério da Saúde / CONITEC — Protocolo Clínico e Diretrizes Terapêuticas da Insuficiência Adrenal, aprovado pela Portaria Conjunta nº 20, de 24 de novembro de 2020 (art. 5º revoga a Portaria nº 1.170/SAS/MS, de 19 de novembro de 2015). Coleta de cortisol e ACTH entre 6 e 9h; "o ACTH deve ser coletado em tubo com EDTA no gelo (centrifugar em centrífuga refrigerada)", instrução repetida nos fluxogramas das Figuras 1 e 2; ACTH elevado ao menos duas vezes acima do limite superior, em geral excedendo 100 pg/mL, na insuficiência primária; ACTH normal ou baixo na central; teste de tolerância à insulina elevando o ACTH a níveis médios de 110 pg/mL em indivíduos saudáveis; DHEAS baixo como contribuição diagnóstica; avaliação hipofisária completa (GH, IGF-1, LH, FSH, estradiol, testosterona, TSH, T4 livre, prolactina); aldosterona e renina na insuficiência primária; hiponatremia e hipercalemia; cortrosina sem registro na Anvisa e teste de hipoglicemia insulínica como alternativa. PDF verificado em 09/09/2026 (505.772 bytes, servido em application/pdf pela rota /@@download/file; a URL sem sufixo devolve o visualizador em text/html). gov.br/saude · PDF 2 3 4 5 6 7 8 9

  2. Sociedade Brasileira de Patologia Clínica/Medicina Laboratorial (SBPC/ML) — Recomendações da SBPC/ML: boas práticas em laboratório clínico, Manole, 2020 (PDF de 16.055.655 bytes, 1.357.819 caracteres de texto extraído). A sigla "ACTH" tem uma única ocorrência em todo o manual, e ela está num encarte publicitário de fabricante — uma lista de ensaios comerciais —, não em capítulo assinado; o manual não traz orientação pré-analítica para este hormônio. O capítulo assinado sobre esteroides por espectrometria de massas menciona os testes de estímulo com cortrosina para avaliação de insuficiência adrenal, e a tabela de autoanticorpos endócrinos associa a doença de Addison aos anticorpos anti-21-hidroxilase. PDF

  3. Programa Nacional de Controle de Qualidade (PNCQ-SBAC) — Manual de Coleta em Laboratório Clínico, 4ª edição, 2023 (101.846 caracteres de texto extraído; controle negativo limpo, com slug inventado devolvendo 404 em text/html contra 200 em application/pdf). "ACTH" tem zero ocorrência, embora o manual trate de gelo 14 vezes e de refrigeração 11, e exija que "dispositivos refrigerados ou recipientes com gelo devem estar disponíveis para amostras que necessitem de resfriamento imediato após a coleta". PDF

  4. Dib A, Leleu D, Lemaire S, et al. Is the stability of ACTH in whole blood a genuine concern during the preanalytical phase? A systematic review. Biochem Med (Zagreb), 2025;35(1):010502 (9 estudos incluídos a partir de 405 relatórios; diferença percentual média abaixo de 10% em tubos não centrifugados por 2, 4, 6 e 8 horas sob refrigeração, e por 2, 4 e 6 horas em temperatura ambiente; acima de 10% em 5 de 7 estudos às 24 horas refrigeradas). Revisão sistemática internacional, citada em complemento na falta de equivalente brasileiro sobre estabilidade do ACTH. PubMed · DOI

  5. Nandakumar V, Paul Theobald J, Algeciras-Schimnich A. Evaluation of plasma ACTH stability using the Roche Elecsys immunoassay. Clin Biochem, 2020;81:59-62 (tubos e centrífuga em temperatura ambiente e até 4 horas de atraso na separação do plasma não alteraram a quantificação; os autores concluem que as exigências estritas anteriormente recomendadas não são necessárias com esse imunoensaio; a refrigeração do plasma não preservou a estabilidade às 12 horas). Departamento de Medicina Laboratorial e Patologia, Mayo Clinic. Estudo internacional, citado em complemento. PubMed · DOI

  6. Christensen M, Madsen RF, Møller LR, et al. Whole blood samples for adrenocorticotrophic hormone measurement can be stored at room temperature for 4 hours. Scand J Clin Lab Invest, 2016;76(8):653-656 (amostras de 30 pacientes, alíquotas mantidas no gelo ou em temperatura ambiente; nenhuma variação clinicamente relevante até 4 horas, com mudança relativa média de −4,3% em temperatura ambiente). Hospital Universitário de Aarhus, Dinamarca. Estudo internacional, citado em complemento. PubMed · DOI

  7. Wu ZQ, Xu HG. Preanalytical stability of adrenocorticotropic hormone depends on both time to centrifugation and temperature. J Clin Lab Anal, 2017;31(5) (21 pools de sangue total com EDTA; variação significativa da concentração de ACTH em função do tempo até a centrifugação em temperatura ambiente, e estabilidade abaixo de 5% até 8 horas a 4 °C). Primeiro Hospital Afiliado da Universidade Médica de Nanjing, China. Estudo internacional, citado em complemento, e que diverge dos dois anteriores. PubMed · DOI

  8. Machado MC, Fragoso MC, Moreira AC, et al. Recommendations of the Neuroendocrinology Department of the Brazilian Society of Endocrinology and Metabolism for the diagnosis of Cushing's disease in Brazil. Arch Endocrinol Metab, 2016;60(3):267-86 (classificação pelos níveis de ACTH plasmático apenas após a confirmação laboratorial do hipercortisolismo: ACTH acima de 20 pg/mL para o Cushing ACTH-dependente, abaixo de 10 pg/mL para o ACTH-independente, faixa de 10 a 20 pg/mL considerada indeterminada exigindo novas amostras; ao menos duas medidas em dias diferentes pela secreção irregular do hormônio; Tabela 1 de etiologias — ACTH-dependente 80%, doença de Cushing 70%, secreção ectópica 10%, ACTH-independente 20%, adenoma adrenal 10%, carcinoma 5%; rastreamento de rotina não recomendado em obesidade ou diabetes; CRH humano de alto custo e indisponível no Brasil; cateterismo bilateral e simultâneo dos seios petrosos como padrão-ouro). Documento do Departamento de Neuroendocrinologia da SBEM, lido no texto integral. PubMed · DOI 2 3 4 5 6

  9. Ministério da Saúde / DATASUS — SIGTAP, Sistema de Gerenciamento da Tabela de Procedimentos, Medicamentos e OPM do SUS, arquivos tb_procedimento.txt (1.697.774 bytes, 5.023 linhas) e tb_descricao.txt (4.324 registros), competência 08/2026. Leitura direta em ISO-8859-1 com fins de linha preservados; parser validado antes do uso sobre dois valores conhecidos (hemograma 0202020380 = R$ 4,11 e ferritina 0202010384 = R$ 15,59); acentos rebatidos, com verificação de que 2.483 das 5.023 linhas trazem acento combinante. Códigos e valores: ACTH 0202060080 (R$ 14,12), cortisol 0202060136 (R$ 9,86), teste de supressão após dexametasona 0202060446 (R$ 12,01), aldosterona 0202060098 (R$ 11,89), renina 0202060314 (R$ 13,19). A forma de organização 02.02.06 reúne 47 códigos, entre eles quatro testes de estímulo e dois de supressão, nenhum com ACTH ou CRH; "cortrosina", "corticotrofina" e "corticotropina" devolvem zero linha. sigtap.datasus.gov.br 2 3 4

  10. Garmes HM, Siqueira SC, Daniel KB, et al. Catheterization of the petrosal sinus: possible advantage of desmopressin stimulation in Cushing disease. Arch Endocrinol Metab, 2026;70(4):e260064 (relato de caso brasileiro; mulher de 26 anos com síndrome de Cushing ACTH-dependente submetida a cateterismo dos seios petrosos com estímulo por desmopressina, com confirmação imuno-histoquímica de adenoma corticotrófico após cirurgia transesfenoidal). Serviço de Endocrinologia, Faculdade de Ciências Médicas da Unicamp, Campinas. Relato de caso: descreve uma prática de centro de referência, não estabelece recomendação. PubMed · DOI

  11. Bornstein SR, Allolio B, Arlt W, et al. Diagnosis and Treatment of Primary Adrenal Insufficiency: An Endocrine Society Clinical Practice Guideline. J Clin Endocrinol Metab, 2016;101(2):364-89 (teste curto de corticotrofina como padrão-ouro para confirmar a insuficiência adrenal). Diretriz internacional, citada aqui apenas para contraste com o protocolo brasileiro, que não pode segui-la por indisponibilidade da cortrosina. PubMed · DOI

Aviso médico. Este guia tem finalidade informativa e educativa; não constitui aconselhamento médico e não substitui uma consulta. Os valores de referência variam conforme o laboratório e a técnica: só o seu médico pode interpretar os seus resultados no seu contexto.