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Ácido úrico alto: o que o exame diz e o que não diz

Ácido úrico alto quase nunca é gota, e um valor normal não afasta a crise. Faixas brasileiras do ELSA-Brasil, o alvo da SBR e o custo no SUS.

Atualizado em 8 de setembro de 202612 min de leituraEscrito pela Equipe Blood Analysis · Revisado e verificado por Julien Priour

O ácido úrico é um dos resultados que mais assustam num check-up brasileiro: o número sai em vermelho, alguém lembra da palavra "gota", e a conversa vira sobre carne vermelha e cerveja. Só que a leitura correta é quase o contrário do que se espera. Um valor alto isolado, sem crise nas articulações, geralmente não é doença nem indicação de remédio — e um valor normal no dia da dor não afasta a gota. Este guia explica o que o exame mede, as faixas medidas em população brasileira, e onde as sociedades médicas do país divergem.

Em resumo

  • O ácido úrico é o produto final do metabolismo das purinas. A descrição oficial do procedimento no SUS diz exatamente isso, e acrescenta um uso que ninguém espera: monitorar quem está em quimioterapia ou radioterapia.1
  • ⚠️ Alto sem crise tem nome próprio. A CID-10 reserva o código E79.0 — "hiperuricemia sem sinais de artrite inflamatória e de doença com tofos", separado do capítulo M10 (gota).2 Iniciar medicação para baixar o urato nessa situação é objeto de recomendação condicional contrária no guia do American College of Rheumatology.3
  • ⚠️ A armadilha do exame. Os critérios ACR/EULAR mandam pontuar o urato fora de tratamento e mais de 4 semanas após o início do episódio — ou seja, o valor colhido durante a crise não serve e deve ser repetido depois.4
  • Em população brasileira (ELSA-Brasil, 15.100 participantes), a faixa vai de 4,0 a 9,2 mg/dL nos homens e 2,8 a 6,9 mg/dL nas mulheres.5
  • A SBR e a SBPC/ML recomendam desde 2024 que o laudo traga uma nota: em quem já trata gota, o alvo é abaixo de 6 mg/dL.6
  • O SUS cobre a dosagem por R$ 1,85 — e também a pesquisa de cristais com luz polarizada, por R$ 1,89.7

O que o exame mede

O ácido úrico vem da degradação das purinas, presentes nas células do corpo e em parte dos alimentos, e é eliminado sobretudo pelos rins. Por isso ele aparece ao lado da avaliação renal: quando a filtração cai, o urato sobe junto — e é a queda da filtração que explica o número, não o contrário. Se o exame veio com creatinina e ureia, comece pelo guia da função renal, que explica a TFG e onde as fontes brasileiras discordam da equação.

A dosagem é feita pelo método da uricase,4 e o resultado sai em mg/dL nos laboratórios brasileiros.

As faixas medidas no Brasil

A maior parte dos laudos brasileiros imprime uma faixa genérica. O estudo de referência do país é outro: a partir da linha de base do ELSA-Brasil, coorte de 15.100 servidores de 35 a 74 anos em seis instituições, um trabalho publicado em 2022 no periódico da Sociedade Brasileira de Reumatologia construiu uma amostra de referência de 10.340 pessoas, excluindo quem tinha filtração abaixo de 60, consumo excessivo de álcool, ou usava diuréticos, aspirina, estrogênio ou medicação para baixar o urato.5

HomensMulheres
Faixa (P2,5–P97,5)4,0 – 9,2 mg/dL2,8 – 6,9 mg/dL
Mediana6,1 mg/dL4,5 mg/dL
Hiperuricemia (≥ 7 mg/dL)31,9 %4,8 %

Duas leituras importantes. Primeiro: o sexo é o principal determinante — a mesma cifra de 6,5 mg/dL é banal num homem e alta numa mulher. Segundo: quase um terço dos homens brasileiros dessa coorte tinha 7 mg/dL ou mais. Um achado tão comum não pode ser tratado como doença por si só. O IMC mais alto acompanhou valores mais altos; a idade pesou pouco, e só nas mulheres.5

⚠️ Alto sem crise: por que quase nunca se trata

A hiperuricemia assintomática é definida como urato ≥ 6,8 mg/dL sem nenhuma crise prévia e sem tofos.3 O limiar de 6,8 não é estatístico: é o ponto de saturação do urato no plasma — acima dele os cristais podem se formar, e nas articulações periféricas, mais frias, o limiar é ainda menor.6

Poder formar cristais não é o mesmo que adoecer. No guia do ACR, entre pessoas com hiperuricemia assintomática e urato acima de 9 mg/dL, apenas 20 % desenvolveram gota em cinco anos; e seria preciso tratar 24 pessoas por três anos para evitar uma crise. Por isso o painel emitiu uma recomendação condicional contra iniciar terapia redutora de urato nessa situação — incluindo quem tem doença renal crônica, doença cardiovascular, cálculos urinários ou hipertensão associados.3

Isso não quer dizer ignorar o resultado. Quer dizer que o exame vale como sinalizador de contexto — peso, pressão, rins, medicamentos — e não como gatilho automático de receita. Quem decide é o seu médico.

A armadilha que quase todo mundo comete

Aqui está o ponto que inverte a intuição do leitor: dosar o ácido úrico no dia da crise pode enganar nos dois sentidos.

Os critérios de classificação ACR/EULAR de 2015 são explícitos sobre quando o valor conta. O urato sérico deve, idealmente, ser pontuado fora de terapia redutora e mais de quatro semanas depois do início do episódio — isto é, no período intercrítico — e, se possível, repetido nessas condições.4 Um exame colhido em plena crise, portanto, não é o exame que os critérios pedem.

Os mesmos critérios mostram por que o número sozinho não fecha nada: o urato é um domínio entre vários, com pontuação máxima de 23 e limiar de 8 para classificar como gota. Um urato abaixo de 4 mg/dL subtrai 4 pontos, mas não zera o caso; e um líquido sinovial sem cristais subtrai apenas 2 pontos — ou seja, nem a punção negativa exclui.4

O que confirma a gota

O critério suficiente é encontrar os cristais de urato monossódico no líquido da articulação sintomática ou num tofo: identificados, o indivíduo é classificado como tendo gota sem precisar pontuar o resto.4

Esse exame existe no SUS e é barato. A tabela financia a pesquisa de cristais com luz polarizada (código 02.02.09.025-6, R$ 1,89), cuja descrição oficial diz que ela "permite identificar cristais no líquido sinovial ou na urina" com microscópio de luz polarizada; e o ácido úrico no líquido sinovial e derrames (02.02.09.001-9, R$ 1,89), descrito como exame para "detectar a presença de cristais de ácido úrico no líquido sinovial que pode indicar gota".1 A coleta — artrocentese de grandes articulações — é financiada em R$ 30,69.7

O que sobe sem doença nenhuma

  • Diuréticos tiazídicos. A Diretriz Brasileira de Hipertensão Arterial de 2025 traz, na tabela de anti-hipertensivos, a linha "contraindicação em gota ativa" para a hidroclorotiazida, e registra que trocá-la por clortalidona ou indapamida mostrou, em ensaios, menos efeitos adversos sobre o perfil lipídico, o ácido úrico e o potássio — acrescentando que o tema ainda tem controvérsia.8
  • Queda da filtração renal. É a causa mais comum de urato alto, e desloca a investigação para os rins.9
  • Desidratação e restrição alimentar. A depleção de volume aumenta a reabsorção tubular de urato e eleva o valor sem qualquer doença por trás.9
  • Frutose. A ingestão de 1 g de frutose por quilo de peso eleva o urato em 1 a 2 mg/dL em duas horas — o efeito agudo mais rápido da lista.3
  • Álcool — com uma nuance que contraria o senso comum. O efeito sobre o número é pequeno: uma unidade de cerveja sobe o urato em 0,16 mg/dL, e quem limita ou abstém tem valores 1,6 mg/dL menores. Mas o efeito sobre a crise é grande: consumir mais de 1 a 2 doses nas 24 horas anteriores associou-se a risco 40 % maior de crise. A cerveja é mais gatilho do que causa do valor alto.3

Limitar álcool, purinas e xarope de milho rico em frutose são, no guia do ACR, recomendações condicionais — e valem para quem tem gota, não para quem tem só um número alto.3

Coração e metabolismo: as fontes brasileiras não dizem o mesmo

A associação entre urato, síndrome metabólica e hipertensão é real. A causalidade é que está em disputa — e as duas grandes diretrizes brasileiras de 2025 tratam o assunto de forma oposta, o que vale registrar lado a lado.

A Diretriz Brasileira de Hipertensão Arterial – 2025 inclui o "ácido úrico plasmático" entre os exames complementares de rotina do paciente hipertenso, com a finalidade declarada de "acessar o risco CV, particularmente em homens".8 Já a Diretriz Brasileira de Dislipidemias e Prevenção da Aterosclerose – 2025, do mesmo ano e da mesma sociedade, não menciona o ácido úrico uma única vez — nem "urato", "hiperuricemia", "gota" ou "purina" — num documento que cita Lp(a) 85 vezes e ApoB 64 vezes.10

A literatura recente explica a divergência sem resolvê-la: grandes ensaios e coortes não mostram redução consistente de eventos cardiovasculares quando se acrescenta terapia redutora de urato ao tratamento já indicado, e ensaios recentes tampouco sustentaram um papel causal da hiperuricemia na progressão da doença renal.119 Trate o ácido úrico como um marcador de companhia — ao lado de glicemia, hemoglobina glicada, insulina, lipidograma e triglicérides — e não como alvo isolado.

Ácido úrico baixo assusta à toa

Valor abaixo da faixa é quase sempre sem gravidade e raramente investigado a fundo. Vale conhecer as duas explicações reais. A primeira é laboratorial: a hemólise da amostra provoca falsa diminuição do ácido úrico, porque a hemoglobina livre compete com o método da uricase-catalase.12 Se o laudo veio baixo e o tubo estava hemolisado, o primeiro passo é repetir a coleta.

A segunda é clínica e rara: a perda renal de urato é um componente da síndrome de Fanconi, hereditária ou adquirida, e pode ser causada por medicamentos como tenofovir, adefovir e cidofovir; mutações de URAT1 ou GLUT9 causam hipouricemia renal.9 São situações que se avaliam com o médico, não com um exame isolado.

Cálculos urinários: o outro lado do urato

A articulação é o lado conhecido do problema; o rim é o esquecido. Os cristais de ácido úrico estão entre os mais comuns do sedimento urinário, classificados de rotina pelos analisadores automáticos ao lado dos de oxalato de cálcio.12 E a mesma pesquisa de cristais com luz polarizada do SUS serve, segundo o Ministério, para identificar cristais "no líquido sinovial ou na urina".1

O que muda a conduta é a excreção urinária, não só o valor no sangue. O guia do ACR registra que, em quem já teve cálculo, alopurinol e febuxostate reduzem a excreção urinária de ácido úrico de 24 horas mais do que o placebo, e que em pessoas com cálculos de oxalato de cálcio e hiperuricosúria o alopurinol foi superior ao placebo na redução de eventos ligados a cálculos em três anos.3 Ainda assim, a recomendação condicional contrária ao tratamento da hiperuricemia assintomática inclui quem tem urolitíase: o cálculo não muda automaticamente a decisão.3

Quanto custa no SUS

Na tabela SIGTAP da competência 08/2026, a dosagem de ácido úrico (02.02.01.012-0) é financiada em R$ 1,85 no ambulatório — o mesmo valor da creatinina e da ureia.7 Vale lembrar que a presença de um código na tabela estabelece a cobertura, não a recomendação clínica; aqui as duas coincidem, porque os textos clínicos brasileiros e internacionais também usam o exame.63 Para quem investiga cálculos, o exame qualitativo de cálculos urinários (02.02.05.013-0) sai por R$ 3,70 e serve, nas palavras do Ministério, para "auxiliar no estabelecimento da natureza química dos constituintes de cálculos renais" — ou seja, dizer de que o cálculo é feito.17 Compare com outros exames no nosso guia de quanto custa um exame de sangue.

Avanços recentes

Três documentos mudaram o cenário brasileiro em dois anos. Em 2024, a SBR e a SBPC/ML passaram a recomendar que todo laudo de ácido úrico traga a nota "em pacientes em tratamento para gota, recomendam-se níveis de ácido úrico sérico abaixo de 6 mg/dL" — repare no escopo: quem trata gota, e não a população geral.6 Em 2025, a diretriz de hipertensão manteve o exame na rotina do hipertensivo;8 e a diretriz de dislipidemias do mesmo ano o deixou de fora por completo.10 No plano internacional, uma revisão de 2026 reunindo randomização mendeliana e ensaios conclui que a evidência não apoia o uso rotineiro de terapia redutora de urato para prevenção cardiovascular na hiperuricemia assintomática.11

Perguntas frequentes

Preciso ficar em jejum? Como o ácido úrico quase sempre vem num painel com glicemia e lipidograma, siga a orientação que o laboratório deu para o conjunto do pedido.

Meu ácido úrico está 7,5 e eu nunca tive crise. Vou tomar remédio? Essa é exatamente a hiperuricemia assintomática, e o guia do ACR emite recomendação condicional contra iniciar medicação nesse cenário.3 A conduta usual é acompanhar e cuidar do contexto — peso, pressão, função renal, medicamentos.

Estou com o dedão inchado e o exame deu normal. Não é gota? Pode ser. Os critérios ACR/EULAR pedem o urato medido mais de quatro semanas depois do início do episódio, justamente porque o valor da crise não é confiável.4 Converse com seu médico sobre repetir depois e sobre a punção da articulação.

Carne vermelha e cerveja são o vilão? Menos do que se pensa para o número — uma unidade de cerveja soma 0,16 mg/dL — e mais do que se pensa para a crise, cujo risco sobe 40 % nas 24 horas seguintes ao consumo.3

Que outros exames costumam vir junto? Creatinina, ureia, glicemia, lipidograma e hemograma completo. Em quadro inflamatório agudo entram PCR e outros marcadores inflamatórios. As siglas estão no glossário de exames de sangue.

Para lembrar

O ácido úrico é um exame barato e mal lido. Três coisas para levar. A faixa depende do sexo, e quase um terço dos homens da maior coorte brasileira já está acima de 7 mg/dL: um valor alto isolado é comum, tem código próprio na CID-10 e, sem crise nem tofo, não é indicação automática de tratamento.523 O valor colhido durante a crise não vale — os critérios internacionais mandam repeti-lo mais de quatro semanas depois.4 E o que confirma a gota são os cristais, um exame que o SUS financia por menos de dois reais.17 Nenhum número isolado fecha diagnóstico: conta o conjunto dos seus exames e do seu contexto — o que o Blood Analysis em português ajuda a organizar.

Fontes

Fontes oficiais brasileiras e publicações científicas (PubMed) usadas neste guia:

Footnotes

  1. Brasil. Ministério da Saúde / DATASUS — SIGTAP, arquivo tb_descricao (competência 08/2026), textos de intenção do Ministério: para 02.02.01.012-0, "a dosagem do ácido úrico é útil na avaliação do metabolismo das purinas; encontra-se alterado em diversas condições clínico-patológicas como, por exemplo, a gota; utilizado também para monitorar pacientes em quimioterapia ou radioterapia"; para 02.02.09.025-6, "consiste no exame que permite identificar cristais no líquido sinovial ou na urina; é realizado com um microscópio de luz polarizada"; para 02.02.09.001-9, "consiste no exame do líquido sinovial para detectar a presença de cristais de ácido úrico no líquido sinovial que pode indicar gota". sigtap.datasus.gov.br 2 3 4 5

  2. Organização Mundial da Saúde / Ministério da Saúde — CID-10, tabela tb_cid distribuída com o SIGTAP (14.242 linhas): o código E79.0 designa "hiperuricemia sem sinais de artrite inflamatória e de doença com tofos", em capítulo distinto do M10 — Gota (M10.0 idiopática, M10.2 induzida por drogas, M10.3 devida à disfunção renal). A hiperuricemia sem crise é, portanto, uma entidade nomeada e separada da gota na classificação oficial usada no Brasil. 2

  3. FitzGerald JD, Dalbeth N, Mikuls T, et al. — 2020 American College of Rheumatology Guideline for the Management of Gout. Arthritis Care Res (Hoboken), 2020;72(6):744-760: hiperuricemia assintomática definida como urato ≥ 6,8 mg/dL sem crises prévias nem tofos subcutâneos; recomendação condicional contra iniciar terapia redutora de urato nesse grupo, inclusive com DRC, DCV, urolitíase ou hipertensão associadas; NNT de 24 pessoas por 3 anos para evitar uma crise; apenas 20 % dos assintomáticos com urato > 9 mg/dL desenvolveram gota em 5 anos; alvo < 6 mg/dL em quem tem gota; 1 g/kg de frutose eleva o urato em 1–2 mg/dL em 2 horas; uma unidade de cerveja soma 0,16 mg/dL, quem limita álcool tem urato 1,6 mg/dL menor, e > 1–2 doses nas 24 h prévias associam-se a risco 40 % maior de crise; limitar álcool, purinas e xarope de milho são recomendações condicionais. ⚠️ O texto usado é a versão depositada no PMC em 2025, posterior às duas erratas do periódico (PMID 32726516 e 33630422), cujo conteúdo não é público. PubMed · DOI 2 3 4 5 6 7 8 9 10 11 12

  4. Neogi T, Jansen TLTA, Dalbeth N, et al. — 2015 Gout Classification Criteria: an American College of Rheumatology/European League Against Rheumatism collaborative initiative. Arthritis Rheumatol, 2015;67(10):2557-68: cristais de urato monossódico em líquido sinovial ou tofo como padrão de referência e critério suficiente; urato sérico a ser pontuado fora de terapia e > 4 semanas do início do episódio, com repetição se praticável; aspirado MSU-negativo subtrai 2 pontos e urato < 4 mg/dL subtrai 4; limiar de 8 sobre máximo de 23; sensibilidade 92 %, especificidade 89 %; dosagem pelo método da uricase. Errata verificada (PMID 26808828): corrige apenas a grafia do nome de um autor. PubMed · DOI 2 3 4 5 6 7

  5. Dório M, Benseñor IM, Lotufo P, Santos IS, Fuller R — Reference range of serum uric acid and prevalence of hyperuricemia: a cross-sectional study from baseline data of ELSA-Brasil cohort. Adv Rheumatol, 2022;62(1):15: 15.100 participantes, amostra de referência de 10.340 após exclusão de TFG < 60 mL/min, álcool em excesso, diuréticos, aspirina, estrogênio e terapia hipouricemiante; faixas de 4,0 a 9,2 mg/dL (homens) e 2,8 a 6,9 mg/dL (mulheres), medianas de 6,1 e 4,5 mg/dL, prevalência de hiperuricemia (≥ 7 mg/dL) de 31,9 % e 4,8 %; método uricase. PubMed · DOI 2 3 4

  6. Castelar Pinheiro GR, Loures MAAR, Andrade LEC, Brito FA, Vasconcellos LS — Brazilian Society of Rheumatology and Brazilian Society of Clinical Pathology/Laboratory Medicine recommendation for serum uric acid test reports on patients undergoing treatment for gout. Adv Rheumatol, 2024;64(1):73: recomendação conjunta SBR + SBPC/ML de incluir no laudo a nota "In patients undergoing treatment for gout, serum uric acid levels below 6 mg/dL are recommended"; limiar de solubilidade de 6,8 mg/dL, menor nas articulações periféricas; distribuição de 3,4 a 7 mg/dL em indivíduos saudáveis. Texto integral lido no PMC. PubMed · DOI 2 3 4

  7. Brasil. Ministério da Saúde / DATASUS — Tabela de Procedimentos, Medicamentos e OPM do SUS (SIGTAP), arquivo tb_procedimento, competência 08/2026 (5.023 procedimentos, 1.697.774 bytes, leitura direta do arquivo em latin-1 com rebatimento de acentos): dosagem de ácido úrico 02.02.01.012-0 — R$ 1,85; ácido úrico no líquido sinovial e derrames 02.02.09.001-9 — R$ 1,89; pesquisa de cristais com luz polarizada 02.02.09.025-6 — R$ 1,89; artrocentese de grandes articulações 03.03.09.001-4 — R$ 30,69; exame qualitativo de cálculos urinários 02.02.05.013-0 — R$ 3,70. Parser validado contra dois valores já publicados (hemograma completo R$ 4,11 e ferritina R$ 15,59). Nenhuma ocorrência de "uricemia" na tabela. sigtap.datasus.gov.br 2 3 4 5

  8. Brandão AA, Rodrigues CIS, Bortolotto LA, et al. — Diretriz Brasileira de Hipertensão Arterial – 2025 (Sociedade Brasileira de Cardiologia). Arq Bras Cardiol, 2025;122(9):e20250624: "Ácido úrico plasmático" na lista de exames complementares de rotina, com finalidade "acessar o risco CV, particularmente em homens"; "contraindicação em gota ativa" na linha da hidroclorotiazida da tabela de anti-hipertensivos; menor impacto de clortalidona e indapamida sobre perfil lipídico, ácido úrico e potássio, com controvérsia declarada; ácido úrico no painel semanal da hipertensão gestacional. Texto integral lido na SciELO (URL histórica; controle negativo com identificador inventado: 404 de 8.950 bytes). SciELO · PubMed · DOI 2 3

  9. Kim GH, Jun JB — Altered Serum Uric Acid Levels in Kidney Disorders. Life (Basel), 2022;12(11):1891: ensaios clínicos recentes não sustentaram papel patogênico da hiperuricemia na incidência e na progressão da doença renal crônica; depleção de volume eleva o urato por aumento da reabsorção; hipouricemia por perda renal como componente da síndrome de Fanconi, hereditária ou adquirida, e induzida por tenofovir, adefovir e cidofovir; hipouricemia renal por mutações de URAT1 ou GLUT9; efeito uricosúrico dos inibidores de SGLT2. PubMed · DOI 2 3 4

  10. Rached FH, Miname MH, Rocha VZ, et al. — Diretriz Brasileira de Dislipidemias e Prevenção da Aterosclerose – 2025 (Sociedade Brasileira de Cardiologia). Ausência medida: 0 ocorrências de "ácido úrico", "urato", "uricemia", "hiperuricemia", "gota", "purina", "alopurinol" e "frutose" no texto integral, com controles positivos fortes no mesmo arquivo (Lp(a) 85 ocorrências, ApoB 64, homocisteína 0). A atualização de 2017 da mesma diretriz mencionava "hiperuricemia" 2 vezes: o assunto saiu do documento. DOI 2

  11. Borghi C, Fogacci F, Cicero AFG — Urate-lowering therapy in cardiovascular pharmacotherapy: from Mendelian randomization data to cardio-renal-metabolic risk modulation. Eur Heart J Cardiovasc Pharmacother, 2026;12(5):410-420: a randomização mendeliana sugere contribuição causal modesta do urato geneticamente elevado, mas grandes ensaios e coortes do mundo real não mostram redução consistente de eventos cardiovasculares com terapia redutora de urato na hiperuricemia assintomática; os autores concluem que a evidência não apoia o uso rotineiro dessa terapia para prevenção cardiovascular. PubMed · DOI 2

  12. Sociedade Brasileira de Patologia Clínica / Medicina Laboratorial (SBPC/ML) — Recomendações da SBPC/ML: boas práticas em laboratório clínico: a hemólise causa falsa diminuição do ácido úrico por competição da hemoglobina livre com o método da uricase-catalase (reação de Kageyama); na Tabela 1, o ácido úrico sofre interferência a partir de 1.000 mg/dL de hemoglobina, 1.500 mg/dL de triglicérides e 40 mg/dL de bilirrubinas. PDF 2

Aviso médico. Este guia tem finalidade informativa e educativa; não constitui aconselhamento médico e não substitui uma consulta. Os valores de referência variam conforme o laboratório e a técnica: só o seu médico pode interpretar os seus resultados no seu contexto.