Ácido úrico alto: sintomas, causas e quando agir
A Sociedade Brasileira de Reumatologia é explícita: em hiperuricemia assintomática não se recomendam uricoredutores. O que muda quando existe crise.
O seu laudo traz o ácido úrico acima do limite impresso ao lado do resultado. Esta página responde às quatro perguntas dessa hora: isso é mesmo anormal? o que costuma causar? o que não pode esperar? e o que o médico vai fazer em seguida? O que o exame mede, as faixas medidas em brasileiros e o custo no SUS estão no guia do ácido úrico, que já explica por que o número sai em vermelho e a conversa desanda. Aqui tratamos só do resultado alto.
Ácido úrico alto não é gota, e quem escreve isso é a Sociedade Brasileira de Reumatologia. E o remédio que quase todo mundo espera receber é exatamente o que a mesma sociedade não recomenda para quem nunca teve crise.
Primeiro: isso é mesmo anormal?
O número alto é comum e a doença é rara — e as duas coisas foram medidas no Brasil.
A SBR escreve, na sua página sobre a gota, que "nem todas as pessoas que estiverem com a taxa de ácido úrico elevada (hiperucemia) desenvolverão a gota".1 A gota em si é pouco frequente: a própria sociedade situa a prevalência "na faixa de 1 a 5%", com incidência de 2,9 por 1.000 pessoas e forte predomínio masculino, de 7:1 a 9:1. Entre 60 e 69 anos a prevalência pode passar de 8%.2 As mulheres raramente desenvolvem gota antes da menopausa.1
Do outro lado, ter o número alto é banal. No ELSA-Brasil, coorte de servidores públicos acompanhada por oito anos, a incidência de hiperuricemia entre quem começou sem ela foi de 8,87 por 1.000 pessoas-ano — e a média do grupo, longe de subir com a idade, caiu ao longo das três visitas: 5,4, depois 5,2, depois 5,1 mg/dL.3 As faixas brasileiras por sexo, que mudam a leitura do mesmo número num homem e numa mulher, estão no guia do ácido úrico.
Guarde o intervalo impresso no seu laudo: ele depende do método do laboratório, e é ele que define o que ali está "alto".
Sem crise, a conduta brasileira é não medicar
Este é o ponto que contraria a expectativa de quase todo leitor, e tem fonte nacional. Num texto assinado pelo então presidente da SBR, a sociedade escreve: "Em pacientes com hiperuricemia assintomática não é recomendado os uricoredutores".2
O mesmo texto diz quando o remédio é indicado — e a lista não contém nenhum número de exame:
- presença de tofos;
- dano articular visível na radiografia;
- duas ou mais crises de gota aguda em um ano.2
Não medicar não é ignorar. A SBR acrescenta, no mesmo parágrafo, que quem tem hiperuricemia assintomática "apresent[a] maiores riscos de hipertensão arterial, insuficiência renal e doenças cardiovasculares".2 O resultado vale, portanto, como sinal de contexto — peso, pressão, rins, medicamentos —, não como gatilho de receita.
Uma medida reforça isso: o protocolo de Reumatologia Adulto do TelessaúdeRS-UFRGS, referência para a atenção primária no SUS gaúcho, dedica um capítulo inteiro à gota, com tabela de classificação e critérios de encaminhamento — e a raiz "assintom" não aparece uma única vez em suas 2.414 linhas (controles positivos no mesmo arquivo: "gota" 14 vezes, "tofo" 4, "podagra" 3).4 O documento que organiza o encaminhamento não prevê rota para o número alto isolado.
Duas fontes brasileiras discordam sobre o rim
A ligação entre urato e rim é a que mais preocupa, e o Brasil publicou resultados opostos. Vão os dois lado a lado.
Numa coorte retrospectiva de 1.094 trabalhadores de uma empresa de energia do Rio de Janeiro, submetidos ao check-up anual da empresa de 2008 a 2014, com seguimento médio de 5,05 anos e 44 casos novos de doença renal crônica, o ácido úrico não foi preditor independente: sexo feminino e idade se associaram ao desfecho, o urato não (OR 1,12; IC 95% 0,83–1,50; p = 0,465).5
No sentido contrário, um estudo de 80 pessoas com doença renal crônica em estágios 3 e 4 e hiperuricemia assintomática, atendidas num centro especializado entre 2006 e 2020, comparou 40 que receberam alopurinol com 40 que não receberam, ao longo de 24 meses: a filtração estimada aumentou no grupo tratado, e nenhum desses pacientes chegou ao estágio 5, contra quatro no grupo controle.6 Os próprios autores listam os limites: tamanho da amostra, duração do seguimento, ausência de índice de massa corporal e de proteinúria na análise, e o uso, não isolado, de medicamentos que alteram a excreção de urato.
As duas não respondem à mesma pergunta — uma testa se o número prevê a doença renal em pessoas saudáveis, a outra se tratá-lo ajuda quem já a tem. Se o seu laudo trouxe também creatinina alterada, comece por creatinina alta e pelo guia da função renal; a ureia, a cistatina C e a microalbuminúria completam o quadro, e há uma calculadora de TFG no site.
O que faz o número subir sem doença nenhuma
A SBR, ao explicar por que a gota se tornou mais frequente nas últimas décadas, nomeia entre as causas o "uso de medicamentos que elevam o ácido úrico no sangue (diuréticos e AAS)", ao lado do diabetes, da maior ingestão de proteínas, do álcool, das bebidas adoçadas, da doença renal crônica e da síndrome metabólica.2 O AAS aqui é o ácido acetilsalicílico em dose baixa, aquele que muita gente toma todo dia por indicação cardiológica.
A mesma dupla reaparece em outro grupo brasileiro: os autores do estudo com alopurinol registram como limitação o uso, pelos seus pacientes, de "medicamentos que modificam a excreção de ácido úrico, em particular diuréticos, ácido acetilsalicílico em dose baixa, certos anti-hipertensivos e hipolipemiantes".6 Dois textos brasileiros independentes convergem — e é a convergência, não a repetição de uma lista estrangeira, que dá peso ao ponto.
⚠️ Isso não é motivo para parar nenhum remédio. Um diurético ou uma aspirina foram prescritos por uma razão que pesa mais do que este resultado. Leve a caixa à consulta; a decisão é do seu médico.
A outra causa banal é a queda da filtração renal, que faz o urato subir sem que o problema esteja na articulação. E vale ver em que companhia o exame veio: glicemia, hemoglobina glicada, insulina, lipidograma, triglicérides e colesterol HDL são o painel que o médico lê junto.
Comida: o efeito é real, e menor do que a fama
Esta página não publica lista de alimentos, e a razão é a fonte. A única lista que a SBR imprime aparece sob o título "recomendações para os portadores de gota" — dirigida a quem tem a doença, não a quem tem um número —, e a própria sociedade acrescenta que, sob tratamento, "esses alimentos podem ser ingeridos sem exagero".1 Transformá-la em proibições para quem nunca teve crise seria trair o texto.
O que existe é medida, e ela é brasileira. No ELSA-Brasil, com 12.575 participantes avaliados nas visitas de 2008-2010, 2012-2014 e 2016-2018, cada ponto a mais de adesão ao padrão alimentar DASH acelerou a queda do urato e reduziu a incidência de hiperuricemia em 4,3% (IRR 0,957; IC 95% 0,938–0,977).3 Um efeito real, e pequeno por ponto.
Mais eloquente ainda: entre 10.072 servidores da mesma coorte acompanhados por quatro anos, o consumo mais alto de refrigerantes adoçados com açúcar aumentou o risco relativo de hiperuricemia em 30% nos homens e 40% nas mulheres — mas elevou o valor médio do exame em apenas 0,14 mg/dL nos homens e 0,11 nas mulheres.7 A distância entre "40% de risco a mais" e um décimo de miligrama é o que se perde quando se lê só a manchete.
O que não espera
Ácido úrico alto isolado não é urgência. A crise, sim, é reconhecível — e o desenho dela está no protocolo brasileiro, que reproduz os critérios de classificação internacionais: dor que atinge o máximo em menos de 24 horas, resolução dos sintomas em até 14 dias, e desaparecimento completo entre um episódio e outro.4 A articulação fica vermelha, a pessoa não suporta o toque e tem grande dificuldade para andar. Em mais da metade dos casos a primeira crise atinge o dedão do pé — a podagra —, e a dor "frequentemente começa durante a madrugada e é intensa o suficiente para despertar o paciente".1
A SBR orienta iniciar o tratamento da crise "preferencialmente nas primeiras 24 horas", sempre com orientação médica.2 O motivo de não improvisar está na mesma fonte: os anti-inflamatórios da crise "devem ser usados sempre sob prescrição médica e com cautela em pacientes com insuficiência renal, hipertensão, ulceração péptica ou gastrite", e não podem ser usados por quem tem comprometimento renal.12
Uma nuance de método, porque ela protege: no protocolo do TelessaúdeRS, o capítulo da gota é o único dos analisados que não traz o bloco "condições clínicas que indicam a necessidade de encaminhamento para urgência/emergência" — presente, no mesmo documento, para o lúpus e para a dor lombar.4 Isso diz que a gota não é urgência de especialista; não diz que uma articulação subitamente quente e inchada dispense avaliação. Ela tem mais de uma causa possível, e só o exame — inclusive, quando indicado, a punção — separa uma da outra.
O que o seu médico vai fazer
O caminho não começa no reumatologista. O protocolo brasileiro trata a gota na atenção primária e só indica encaminhamento à Reumatologia quando há diagnóstico de gota e crises recorrentes (três ou mais no ano) apesar de adesão adequada ao tratamento otimizado. À Medicina Interna ou Nefrologia, quando a origem da hiperuricemia é incerta — "jovens, mulheres pré-menopausa" — ou quando há doença renal crônica em estágio 4 ou 5. À Ortopedia, só na gota tofácea com complicações.4
O mesmo protocolo lista o que o encaminhamento precisa conter, e dois itens interessam a você: o resultado de ácido úrico sérico, com data, e o de creatinina sérica, com data.4 Guarde o laudo com a data legível. O protocolo pede ainda a cor da pele "para cálculo da taxa de filtração glomerular" — escolha que as fontes brasileiras hoje discutem, e que o guia da função renal detalha.
Duas autoridades brasileiras não dizem o mesmo sobre a meta. A SBR e a SBPC/ML recomendam desde 2024 que todo laudo traga uma nota sobre o alvo de quem já trata gota.8 Já o TelessaúdeRS escreve que pacientes com gota "estáveis, sem crises com adequada adesão ao tratamento otimizado não precisam ter sua terapia modificada caso o ácido úrico esteja fora do alvo terapêutico".4 Uma olha para o número, a outra para a pessoa.
O comportamento real dos médicos brasileiros também foi medido: numa pesquisa com 309 respondentes de 395 reumatologistas sorteados entre os membros da SBR (78,2%), 70% já adotavam a meta que SBR e SBPC/ML viriam a recomendar no laudo.9
Na tabela do SUS (competência de agosto de 2026) o percurso é barato: a creatinina custa R$ 1,85 e o exame de rotina de urina, R$ 3,70.10 Uma assimetria aparece ali: a artrocentese de grandes articulações é financiada em R$ 30,69, mas a de pequenas articulações — onde a gota costuma bater — traz R$ 0,00 nos três campos monetários.10 O código existe; o financiamento ambulatorial, não.
Sobre remédio, uma advertência honesta: "alopurinol" e "colchicina" têm zero ocorrências nas 5.023 linhas da tabela — o que não prova nada, porque a SIGTAP lista procedimentos, e os medicamentos correm por outro circuito, cuja lista nacional não conseguimos abrir a partir do site oficial.10 Não afirmamos nem que estão, nem que não estão disponíveis no SUS.
O que este resultado NÃO quer dizer
Não quer dizer que você tem gota. A gota é uma artrite; ela se confirma pelos cristais no líquido da articulação, como explica o guia do ácido úrico.
Não quer dizer que você precisa de remédio. Sem crise, sem tofo e sem dano articular, a SBR não recomenda o uricoredutor.2
Não quer dizer que seus rins estão falhando. Duas coortes brasileiras chegaram a conclusões diferentes sobre esse elo.56
Não quer dizer que a culpa é do seu prato. O maior estudo brasileiro sobre o assunto mede o efeito da bebida adoçada em pouco mais de um décimo de miligrama.7
👉 O AI DiagMe interpreta os seus exames — de sangue, urina ou fezes — considerando todo o seu contexto, em linguagem clara. Serviço informativo que não faz diagnóstico e complementa, sem substituir, a avaliação do seu médico.
Perguntas frequentes
Ácido úrico alto sempre vira gota? Não. A SBR escreve que nem todo mundo com o exame elevado desenvolverá a doença, e situa a prevalência da gota em 1 a 5% da população.12
Qual é o primeiro sinal de gota? Na maioria das vezes, uma crise de dor forte e súbita numa única articulação — mais da metade das primeiras crises no dedão do pé —, com vermelhidão, calor e incapacidade de suportar o toque, começando com frequência de madrugada.1
Estou com o dedão inchado agora. Repito o exame hoje? O valor colhido em plena crise não é o que os critérios pedem; o guia do ácido úrico explica por quê e quando repetir. Procure atendimento pela dor, não pelo número.
Posso tomar alopurinol por conta própria? Não. A indicação depende de crises, tofos ou dano articular — não do resultado —, e o remédio se inicia depois da resolução completa da crise, nunca durante.2
Preciso mudar a alimentação? Converse com seu médico. A recomendação alimentar da SBR é dirigida a quem tem gota, e a medida brasileira do efeito da dieta sobre o número é modesta.13
Meu médico viu o exame e não receitou nada. Ele esqueceu? Provavelmente não: essa é a conduta que a sociedade brasileira da especialidade recomenda diante de um número alto sem crise.2
Preciso estar em jejum para repetir? Siga a orientação dada para o conjunto do pedido; o guia do jejum para exame de sangue explica quais exames realmente exigem.
Que exames costumam vir junto? Hemograma completo, creatinina, ureia e o painel metabólico. Em quadro inflamatório entram a PCR, a VHS e os demais marcadores inflamatórios. As siglas estão no glossário de exames de sangue, e os preços em quanto custa um exame de sangue.
Este guia é informativo e não substitui uma consulta médica. Um ácido úrico alto isolado não fecha nem exclui diagnóstico nenhum: lê-se junto com os seus sintomas, os seus outros exames e a sua história — e a primeira pergunta útil não é "quanto deu", mas "houve crise?". Para o resto do laudo, veja como ler um resultado de exame de sangue ou organize tudo com o AI DiagMe.
Fontes
Fontes institucionais brasileiras e publicações científicas (PubMed) utilizadas neste guia:
Footnotes
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Sociedade Brasileira de Reumatologia (SBR) — Gota, seção "Doenças reumáticas", página atualizada em 31 de julho de 2025 (publicação original de 27 de setembro de 2017). Lida na íntegra: "nem todas as pessoas que estiverem com a taxa de ácido úrico elevada (hiperucemia) desenvolverão a gota" — ⚠️ a grafia "hiperucemia", sem o "ri", é do próprio texto e foi reproduzida tal qual; "as mulheres raramente desenvolvem gota antes da menopausa"; "o hálux (dedão) é a articulação mais frequentemente envolvida na primeira crise"; dor que "frequentemente começa durante a madrugada e é intensa o suficiente para despertar o paciente"; anti-inflamatórios e colchicina "devem ser usados sempre sob prescrição médica e com cautela em pacientes com insuficiência renal, hipertensão, ulceração péptica ou gastrite". A lista de alimentos aparece sob o título "Recomendações para os portadores de gota", seguida de "sob tratamento, esses alimentos podem ser ingeridos sem exagero" — motivo pelo qual esta página não a reproduz. Verificação de acesso: 200
text/html, 206.144 bytes, 6.841 caracteres de texto extraído, contra um slug inventado no mesmo diretório que rende 404 e apenas 383 caracteres — o controle negativo discrimina nos três níveis (código, tamanho, texto). reumatologia.org.br ↩ ↩2 ↩3 ↩4 ↩5 ↩6 ↩7 ↩8 -
Sociedade Brasileira de Reumatologia (SBR) — Rocha Loures MAA. Gota: homens costumam ser os mais afetados, seção "Orientações ao paciente", 30 de novembro de 2022. Texto assinado pelo então presidente da SBR. Citações verificadas no texto integral: "Em pacientes com hiperuricemia assintomática não é recomendado os uricoredutores"; "medicamentos chamados uricoredutores estão indicados para pacientes que apresentem: tofos, dano articular radiográfico, duas ou mais crise de gota aguda em um ano"; "muitos pacientes de hiperuricemia […] convivem sem apresentar complicações […] Porém, estes pacientes apresentem maiores riscos de hipertensão arterial, insuficiência renal e doenças cardiovasculares"; "uso de medicamentos que elevam o ácido úrico no sangue (diuréticos e AAS)"; prevalência "na faixa de 1 a 5%", incidência de 2,9/1.000 pessoas, predomínio masculino de 7:1 a 9:1, prevalência acima de 8% entre 60 e 69 anos; iniciar o tratamento da crise "preferencialmente nas primeiras 24 horas"; aguardar "a resolução completa da crise aguda" para iniciar o uricoredutor. 200
text/html, 210.831 bytes, 8.166 caracteres extraídos. reumatologia.org.br ↩ ↩2 ↩3 ↩4 ↩5 ↩6 ↩7 ↩8 ↩9 ↩10 ↩11 -
Fajardo VC, Barreto SM, Coelho CG, Diniz MFH, et al. — Adherence to the Dietary Approaches to Stop Hypertension (DASH) and Serum Urate Concentrations: A Longitudinal Analysis from the Brazilian Longitudinal Study of Adult Health (ELSA-Brasil). J Nutr, 2024;154(1):133-142. Estudo brasileiro (Universidade Federal de Minas Gerais). Visitas de base (2008-2010, 35 a 74 anos), segunda (2012-2014) e terceira (2016-2018) do ELSA-Brasil; 12.575 indivíduos para a mudança do urato e 10.549 para a incidência de hiperuricemia; médias de urato de 5,4, 5,2 e 5,1 mg/dL nas três visitas; incidência de hiperuricemia de 8,87 por 1.000 pessoas-ano; cada ponto adicional de adesão ao DASH acelerou a queda do urato (p < 0,01) e reduziu a incidência em 4,3% (IRR 0,957; IC 95% 0,938–0,977) no modelo ajustado. PubMed · DOI ↩ ↩2 ↩3
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TelessaúdeRS-UFRGS / Secretaria da Saúde do Rio Grande do Sul — Protocolos de Regulação Ambulatorial: Reumatologia Adulto, versão digital 2022, Porto Alegre, 20 de janeiro de 2022 (resolução CIB/RS 374/16). ⚠️ A versão foi lida no próprio documento, não no nome do arquivo, que traz a data de 2017. Protocolo 6 – Artrite por Deposição de Cristais (Gota): encaminhamento à Reumatologia com "diagnóstico de gota e crises recorrentes (3 ou mais no ano), mesmo com adequada adesão ao tratamento otimizado"; à Medicina Interna ou Nefrologia com "origem incerta da hiperuricemia (jovens, mulheres pré-menopausa)" ou doença renal crônica estágios 4 e 5; conteúdo mínimo do encaminhamento incluindo "resultado de ácido úrico sérico, com data", "resultado de creatinina sérica, com data" e "cor da pele (para cálculo de taxa de filtração glomerular)"; nota de rodapé: pacientes "estáveis, sem crises com adequada adesão ao tratamento otimizado não precisam ter sua terapia modificada caso o ácido úrico esteja fora do alvo terapêutico". Quadro 11 reproduz os critérios ACR/EULAR 2015, com "tempo até a dor máxima < 24 horas", "resolução dos sintomas em ≤14 dias" e "resolução completa (até o nível normal) entre os episódios sintomáticos" — quadro reconferido com extração
-layoutda mesma página, para descartar o entrelaçamento de colunas. Ausências medidas (PDF de 1.731.370 bytes, 85.412 bytes e 2.414 linhas de texto extraído para stdout, sem-layout): a raiz "assintom" rende 0, com controles positivos fortes no mesmo arquivo ("gota" 14, "sintom" 57, "tofo" 4, "podagra" 3); e o Protocolo 6 é o único dos examinados sem bloco "condições clínicas que indicam a necessidade de encaminhamento para urgência/emergência", bloco presente nos Protocolos 3 (LES) e 5 (dor lombar). PDF ↩ ↩2 ↩3 ↩4 ↩5 ↩6 -
Chini LSN, Assis LIS, Lugon JR — Relationship between uric acid levels and risk of chronic kidney disease in a retrospective cohort of Brazilian workers. Braz J Med Biol Res, 2017;50(9):e6048. Estudo brasileiro (Universidade Federal Fluminense, Niterói, RJ). Empregados de uma empresa de geração e distribuição de energia do Rio de Janeiro, submetidos ao check-up anual da empresa no período de 2008 a 2014; 1.094 participantes, seguimento médio de 5,05 ± 1,05 anos, 44 casos novos de doença renal crônica (desfecho: TFG estimada pela CKD-EPI abaixo de 60), prevalência de hiperuricemia de 4,2%. Correlação inversa entre urato e TFG basais (R = −0,21; p < 0,001), mas sexo feminino (OR 4,00; IC 95% 1,92–8,29) e idade (OR 1,06; IC 95% 1,02–1,11) — e não o urato (OR 1,12; IC 95% 0,83–1,50; p = 0,465) — associados ao desfecho. Conclusão dos autores: os resultados "não sustentaram o ácido úrico como preditor independente". PubMed · DOI ↩ ↩2
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Souza MELS, Heringer TA, Schneider APH, Possuelo LG, Valim ARM — Assessment of allopurinol use in patients with chronic kidney disease and asymptomatic hyperuricemia: a retrospective cohort study. J Bras Nefrol, 2026;48(3):e20250243. Estudo brasileiro (Universidade de Santa Cruz do Sul, RS — afiliação de todos os cinco autores verificada no registro NCBI). Coorte retrospectiva sobre prontuários de um centro especializado, dados coletados no período de 2006 a 2020: 80 pessoas em estágios 3 e 4 de DRC com hiperuricemia assintomática, 40 com alopurinol e 40 sem, seguidas por 24 meses em quatro consultas; queda do urato e aumento significativo da TFG estimada (CKD-EPI) no grupo tratado; nenhum paciente desse grupo evoluiu para estágio 5, contra quatro do grupo controle; dose média de alopurinol entre 205 e 212,5 mg. Limitações declaradas pelos próprios autores e reproduzidas na página: tamanho da amostra, duração do seguimento, ausência de IMC e de proteinúria na análise, e uso não isolado de "diuréticos, ácido acetilsalicílico em dose baixa, certos anti-hipertensivos e hipolipemiantes". Texto integral lido no PMC. PubMed · DOI ↩ ↩2 ↩3
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Siqueira JH, Pereira TSS, Velasquez-Melendez G, Barreto SM, et al. — Sugar-sweetened soft drinks consumption and risk of hyperuricemia: Results of the ELSA-Brasil study. Nutr Metab Cardiovasc Dis, 2021;31(7):2004-2013. Estudo brasileiro (Universidade Federal do Espírito Santo). Análise longitudinal do ELSA-Brasil, linha de base 2008-2010 e seguimento 2012-2014; 10.072 servidores públicos de 35 a 74 anos, ambos os sexos; consumo médio de refrigerante de 84 ± 191 mL/dia nos homens e 42 ± 128 mL/dia nas mulheres; após quatro anos, o consumo mais alto aumentou o risco relativo de hiperuricemia em 30% (homens) e 40% (mulheres) e o valor médio de urato em β = 0,14 mg/dL (homens) e β = 0,11 mg/dL (mulheres). ⚠️ Defeito declarado: o intervalo de confiança impresso no resumo para o β masculino ("IC 95% 0,41-0,24") é incoerente — o limite superior é menor que o inferior e o intervalo não contém a própria estimativa. Os coeficientes e os riscos relativos, que são mutuamente coerentes, foram publicados; o intervalo de confiança não foi reproduzido. PubMed · DOI ↩ ↩2
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Castelar Pinheiro GR, Loures MAAR, Andrade LEC, Brito FA, Vasconcellos LS — Brazilian Society of Rheumatology and Brazilian Society of Clinical Pathology/Laboratory Medicine recommendation for serum uric acid test reports on patients undergoing treatment for gout. Adv Rheumatol, 2024;64(1):73. Recomendação conjunta SBR + SBPC/ML de que o laudo de ácido úrico traga uma nota sobre o alvo terapêutico de quem está em tratamento para gota — escopo explicitamente restrito a esses pacientes. ⚠️ Classificado por NCBI como
LetterePractice Guideline. PubMed · DOI ↩ -
Vargas-Santos AB, Castelar-Pinheiro GR, Coutinho ES, Schumacher HR, et al. — Adherence to the 2012 American College of Rheumatology (ACR) Guidelines for Management of Gout: A Survey of Brazilian Rheumatologists. PLoS One, 2015;10(8):e0135805. Estudo brasileiro (Universidade do Estado do Rio de Janeiro). Questionário eletrônico enviado a 395 reumatologistas sorteados entre os membros da Sociedade Brasileira de Reumatologia, com 309 respondentes (78,2%): 70% adotavam como meta o mesmo alvo sérico que SBR e SBPC/ML viriam a recomendar no laudo em 2024; cerca de um terço suspendia a terapia hipouricemiante durante a crise aguda; a profilaxia anti-inflamatória (98% colchicina) era iniciada junto com o hipouricemiante em 92,4% dos casos, mas com duração variável — lacunas apontadas pelos próprios autores. ⚠️ Registro classificado por NCBI como
Randomized Controlled Trial, embora se trate de um inquérito com amostra sorteada; a divergência de tipo é declarada aqui e o dado usado é descritivo. PubMed · DOI ↩ -
Ministério da Saúde / DATASUS — SIGTAP, tabela de procedimentos do SUS, arquivos
tb_procedimento(1.697.774 bytes, 5.023 linhas) etb_descricao(4.325 linhas), competência 202608. Leitura direta por colunas fixas emlatin-1comnewline=''; analisador validado antes do uso contra dois valores já publicados (hemograma completo 0202020380 = R$ 4,11; ferritina 0202010384 = R$ 15,59), campo monetárioVL_SA[294:306]. Códigos citados: dosagem de creatinina 0202010317 — R$ 1,85; análise de caracteres físicos, elementos e sedimento da urina 0202050017 — R$ 3,70; artrocentese de grandes articulações 0303090014 — R$ 30,69; artrocentese de pequenas articulações 0303090022 — R$ 0,00 nos três campos (VL_SH,VL_SA,VL_SP). ⚠️ As descrições desses dois códigos de artrocentese são idênticas palavra por palavra (229 caracteres cada) — caso conhecido de descrição partilhada —, por isso nenhuma delas é citada aqui. Ausências medidas, com dobra de acentos comprovadamente ativa (2.483 das 5.023 linhas contêm acentos combinantes no campo do rótulo): "ALOPURINOL", "COLCHIC", "FEBUXO" e "PURINA" rendem 0 — o que não estabelece nada sobre cobertura, por se tratar de tabela de procedimentos; a lista nacional de medicamentos essenciais não pôde ser lida (a URL oficial emgov.brresponde 302 para um servidor que não responde). ⚠️ Duas falsas presenças reencontradas e descartadas: "URAT" rendeBARBITURATOSeCURATIVO, e "GOTA" rende uma única linha,PESQUISA DE PLASMODIOS POR GOTA ESPESSA— nada a ver com a doença. sigtap.datasus.gov.br ↩ ↩2 ↩3